2018: Base aliada está definida. A oposição, dividida

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Como ainda falta um ano e alguns meses para as convenções partidárias visando as eleições de outubro de 2018, o quadro eleitoral tende a mudar bastante, mas um cenário é marcante desde sempre. Os aliados estaduais governistas conseguem manter um padrão de unidade em torno de um só candidato bem antes da oposição ao menos tentar uma convergência. José Eliton, que deverá assumir o comando do Estado durante o processo eleitoral, é o nome natural para a sucessão estadual. PMDB, DEM e PT, principais partidos oposicionistas, trabalham individualmente seus próprios candidatos e tendências.

Tem sido assim desde a eleição de 2002. O governo se uniu em torno da reeleição de Mar­co­ni Perillo e a oposição lançou-se dividida, com as candidaturas de Maguito Vilela (PMDB) e Marina Santana (PT). Em 2006, o então vice, no exercício do governo, Alcides Rodrigues, representou os aliados. Na outra trincheira, a oposição marchou esfacelada com três candidatos: Maguito novamente, Barbosa Neto (PSB) e Demóstenes Torres (PFL). Em 2010, mais uma vez os aliados estaduais convergiram e foram buscar Marconi Perillo que ainda tinha mais quatro anos de mandato como senador. Nas oposições, dois candidatos: Iris Rezen­de, PMDB/PT, e Vanderlan Cardoso, PR/PP palaciano. Em 2014, nova união pela reeleição de Marconi entre os governistas e mais uma divisão no campo oposicionista, com Iris Rezende, Vanderlan Cardoso (PSB) e Antonio Gomide (PT).

Linguagem

O grande mérito dos aliados estaduais é que o grupo “fala a mesma língua”, e tem o comando sereno do governador Mar­co­ni Perillo. Na realidade, essa união dentro da base passa necessariamente por Marconi, que é o fator convergente decisivo. Sem ele, não se sabe se o grupamento con­tinuaria unido. Provavelmente, não. Nas oposições, embora a figura de Iris Rezende tenha sido e exercido o mesmo viés de liderança e fator de convergência, cada grupo usa idioma próprio. Até porque os interesses e bandeiras políticas não são as mesmas e, em alguns pontos, são divergentes. Em comum há somente o fato de que todos querem derrubar os aliados estaduais do poder estadual.

Maguito, Iris, Caiado e Daniel: eles não falam a mesma "língua"

Maguito, Iris, Caiado e Daniel: eles não falam a mesma “língua”

Basta uma rápida e superficial olhada para o campo oposicionista para perceber que não existe nem mesmo uma tendência dentro dos partidos, com exceção do DEM, que conta apenas com a liderança isolada do senador Ronaldo Caiado. O PMDB é profundamente dividido de cima até a base entre iristas, maguitistas e aqueles que não seguem nem um nem outro. Ou seja, são três setores independentes, e maioria das vezes adversários, em um único partido. O PT, apesar de as divisões internas não apenas serem aceitas como de certa forma incentivadas como prática da vida partidária, há união quando se define as candidaturas.

Quando se reúne globalmente os três partidos da oposição, PMDB, DEM e PT, aí é certo que a faísca provocará incêndio. Atualmente, o PMDB aposta em Daniel Vilela ou, como plano B, Maguito Vilela. Com qualquer um dos dois, o PT não tem dificuldades para conversar. Mas os iristas preferem apoiar a candidatura do senador Ronaldo Caiado, e têm feito o possível para seduzir o democrata e promover a sua filiação. Pelo menos até agora, Caiado não tem falado sobre essa possibilidade. É o tal negócio, no DEM ele tem uma vida tranquila, sem adversários internos. No PMDB, teria que dar cotoveladas para se garantir politicamente. E no caso de uma candidatura do democrata com apoio do PMDB, o que tem sido trabalhado principalmente pelos iristas, o PT fecha qualquer possibilidade de diálogo. E o reverso dessa moeda é idêntico. Caiado provavelmente teria inúmeras restrições para subir no mesmo palanque dos petistas, mesmo que o candidato a governador fosse um dos Vilela.

Sem possibilidade de união através dos nomes, restaria convergir em torno de bandeiras políticas. Mas elas não existem entre os opositores porque a única coisa que há entre eles é a tal oposição ao grupamento governista. Isso é pouco, quase nada, para promover uma união tão complicada e com interesses políticos tão difusos. Se entre os aliados governistas há o fator de convergência, Marconi Perillo, que é também o principal articulador e formulador, a oposição segue sem convergência, sem articular uma união ampla, geral e sem preconceitos e, principalmente, sem formular nada.