2018: Delação da Odebrecht definirá sucessão

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As delações feitas por 77 executivos da maior empreiteira do Brasil vão “explodir” no primeiro semestre de 2017. Quem sobreviver, estará na disputa de 2018

Reprodução / Internet

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Numa das suas propagandas institucionais, o canal Globo News, cuja programação por canal fechado é inteiramente formatado para o jornalismo, apresenta frases de alguns de seus apresentadores e comentaristas. Um deles é Roberto Dávila. Ele diz: “A (operação) Lava Jato continua. Quem vai parar em pé?”.

Essa dúvida não é apenas dele, Roberto, mas de todos os brasileiros. A confirmação de que os executivos da Odebrecht, incluindo o príncipe herdeiro Marcelo, fecharam acordos de delação premiada foi classificada, pela revista Veja, como “A delação do fim do mundo”. Vai ser isso tudo mesmo? Parece que sim. O vazamento de alguns trechos de apenas um desses depoimentos, o de Cláudio Melo Filho, ex-coordenador do departamento da propina montado dentro da empresa, provocou um alvoroço danado em Brasília, e atingiu o próprio Palácio do Planalto, além das cúpulas do PMDB no Senado e na Câmara dos Deputados. O que mais vem por aí ninguém sabe, mas a se julgar pelo “aperitivo”, a dose vai ser mesmo de monumental.

Profissionalismo

O PT sempre reclamou, com razão ou não, que apenas seus corruptos apareciam na operação Lava Jato. Quanto a isso, os petistas podem então ficar tranquilos. As primeiras informações sobre o conjunto dessas delações da Odebrecht falam em 24 partidos citados, envolvendo mais de 200 políticos de ponta. Se essa é a parte boa para o comando petista, a parte ruim é que outros nomes do partido também vão ser citados. Principalmente nas delações de Marcelo Odebrecht e do patriarca da família, Emílio.

Os petistas também dizem que não inventaram e nem implantaram a corrupção no Brasil. É verdade, sem nenhuma dúvida. Há mais de 100 anos, pelo menos de forma genérica, o tema corrupção frequenta o Senado brasileiro. É famoso o trecho de discurso proferido por Rui Barbosa, em 1914: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

O PT, portanto, está coberto de razão quando diz que não implantou a corrupção no Brasil, mas não há como desmentir que foi durante os governos de Lula e Dilma que ela se profissionalizou, ao ponto de a maior empreiteira do país montar um departamento inteiro apenas para cuidar e administrar a atividade criminosa, além de ter adquirido um banco em paraíso fiscal para facilitar o trâmite de dinheiro com esse objetivo.

Divulgação

A Justiça brasileira terá que ser extremamente cuidadosa na divulgação dessas delações. Até aqui não houve esse cuidado. No caso, é preciso separar pedidos de ajuda financeira para campanhas eleitorais, o que era permitido pela legislação até então em vigor, daquelas negociatas que também sustentaram campanhas, mas tendo como moeda de troca o acesso franco aos cofres públicos, ou serviram somente para enriquecer políticos corruptos. Se não houver essa separação, a resposta para a dúvida de Roberto Dávila e de todos os brasileiros é fácil e genérica: não, não sobrará ninguém em pé.

E 2018, como será após o vendaval da “delação do fim do mundo”? É absolutamente imprevisível exatamente porque não se sabe o mundo de quem irá acabar em 2017. As eleições devem passar então pelos sobreviventes. Há inclusive a possibilidade, cada vez aparentemente menos remota, de eleição presidencial direta temporã ainda no ano que vem. Nesse caso, não será pelas denúncias apuradas na operação Lava Jato, mas por decisão do TSE, que julga ação de despesas ilegais na campanha de Dilma-Temer em 2014. Se sobreviver a essa séria ameaça, Temer deve se arrastar até 2018, e vai depender unicamente do desempenho da economia para continuar até a conclusão do atual mandato.

Quanto aos efeitos judiciais daqueles que forem delatados pelos executivos da Odebrecht e outras empresas, eles só vão aparecer mais rápido para quem não tem direito ao famigerado foro privilegiado, que é lido e entendido pela população como foro dos privilegiados.

Isso não muda muita coisa em relação à campanha eleitoral de 2018. Não será mamão com mel para ninguém e, mais do que isso, poderá favorecer políticos com discursos messiânicos de moralismo – desde que eles não apareçam nas delações. De qualquer forma, qualquer candidato em 2018 deve ir se preparando para entrar numa seara onde ele não será bem-vindo. A população de uma maneira geral está com ojeriza da política e dos políticos. Portanto, as campanhas, tanto em nível nacional quanto estadual, devem ser repensadas.

De qualquer forma, continuará valendo a máxima: se a situação do país – ou do Estado – gera otimismo na população, os candidatos governistas começam com vantagem nítida. Se, ao contrário, o clima geral na economia for deprimente, o Brasil passará por uma eleição completamente diferente, que poderá resultar numa renovação gigantesca, não exatamente para melhor do que aquilo que aí está.

É ver no que vai dar, mas que o primeiro semestre de 2017 promete abalar os alicerces da política brasileira, promete. E a promessa provavelmente vai ser integralmente cumprida.