2018 – Oposição: muitos nomes, nenhuma proposta política

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Ronaldo Caiado, Maguito Vilela e Daniel Vilela | Fotos: Agência Senado e Fernando Leite/ Jornal Opção

Ainda falta um tempão para as eleições estaduais do ano que vem, certo? Bem, se olhar para o calendário, a resposta é sim, falta bastante tempo. Se observar pelo prisma da construção política de uma candidatura, a resposta muda completamente. Candidatos não surgem do “nada”, de uma hora para outra. Há um enorme trabalho de consistência da viabilidade política. Eleitoralmente é tarefa para meados do próximo ano, mas a edificação política, não. Essa é urgente.

E como isso poderá ser feito? Para a ala governista, a situação é bem menos crítica. Há o organismo político erguido e sedimentado no exercício do poder. Então, o processo nesse caso é muito mais de viabilidade interna do que necessariamente visibilidade externa. Veja-se, como mero exemplo, o processo eleitoral de 2006. Alcides Rodrigues, em dezembro de 2005 firmou-se como candidato. Ele não se construiu politicamente como candidato exatamente por fazer parte da aliança governista. Seu trabalho foi de tessitura interna somente. Já a oposição trabalhou muito e trabalhou mal naquela eleição. Foram três candidatos: Demóstenes Torres, Maguito Vilela e Barbosa Neto. Imaginava-se que os três estavam solidamente alicerçados politicamente. Só que não. O que eles apresentavam era visibilidade externa. Qualquer um dos três era mais popular do que Alcides. E os três levaram um banho nas urnas. Faltou o eixo político nessas candidaturas.

Pelo cenário atual, a oposição começa um trabalho pela etapa final, pulando a questão política. O PMDB tem pelo menos três nomes: Maguito Vilela, Daniel Vilela e Iris Rezende — sempre. O DEM vive e respira Ronaldo Caiado. O PT, apesar dos desgastes, tem Antônio Gomide. E qual é a única bandeira que eles carregam: derrotar o grupo que está no poder. É fácil então perceber a substancial diferença de proposta entre o candidato da base aliada estadual e o amontoado oposicionista. Os governistas vão explorar politicamente aquilo que a população percebe como fatores positivos da administração, estendendo para um upgrade. Os opositores, por não criarem a base estrutural da política, se apresentam como nomes alternativos, e não como proposta de governo alternativa. Esse é o grande problema: não há proposta. E nem tem se procurado criar algum caminho nesse aspecto.

É evidente que durante a campanha eleitoral vão surgir os tais compromissos ou promessas e tal. De todos os lados. E elas vão ser semelhantes, obviamente. Se antes a disputa eleitoral era individualizada pelo feeling de cada candidato, hoje as modernas pesquisas qualitativas parecem adivinhar o que o eleitor quer ouvir. É claro que não há nada de adivinhação, mas conhecimento científico.

Esse é o ponto principal: os opositores precisam saber construir politicamente a candidatura para apresentarem um diferencial significativo durante a campanha. Apenas ser contrário ao grupamento que está no poder é oferecer muito pouco para o eleitorado. E fica muito mais para uma guerra de egos do que um embasamento político que resulta na estruturação eleitoral posteriormente, e na hora apropriada.

Talvez o grande problema esteja na profunda divisão que existe entre os opositores. Iris e os Vilela, embora no mesmo partido, o PMDB, não convivem bem. Caiado é muito mais aceito por Iris do que pelos peemedebistas. Antônio Gomide até consegue abrir caminho para chegar em Maguito, mas desde a eleição de 2014, quando firmou seu nome para o governo e não compôs com a candidatura de Iris, a relação entre essas alas acabou. Sem falar na barreira ad aeternum entre petistas e democratas.

É fácil perceber que ninguém consegue trabalhar politicamente na construção de uma candidatura que quebre essa trava que carrega muito de visões e objetivos pessoais. Não há, nesse sentido, qualquer visão de coletividade oposicionista. É cada um por si em tempo de murici.

Isso faz do cenário de 2018 para os opositores algo excessivamente aberto, e essa é a fragilidade desse grupamento. Eleição não se ganha com nome, mas, sim, com um conjunto político e uma boa mensagem eleitoral. A mensagem é a parte fácil da história. O complicado mesmo é a construção política porque geralmente ela esbarra em egos inflados.