2º turno: E agora, Iris?

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No jogo de alianças para a decisão final das eleições deste ano, o ex-prefeito fica em nítida desvantagem

Fernando Leite/Jornal Opção

Fernando Leite/Jornal Opção

Afonso Lopes

A depender da largada pa­ra o segundo turno das eleições, a viagem de Iris Re­zende (PMDB) até o último domingo deste mês não será muito fácil. De cara, ele teria que descontar cerca de 550 mil votos, que é a vantagem estabelecida pelo governador Marconi Perillo no primeiro turno. Para isso, ele contava como muito provável os apoios de Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT), que fi­caram na terceira e na quarta po­sição no primeiro turno. Iris conseguiu a­trair o PT, mas Vanderlan avisou que está fora, e liberou os partidos e os líderes de sua aliança para to­ma­rem o caminho que lhes convier.

É óbvio que acordo para o segundo tur­no não significa imediata e tranquila transferência de votos dos can­didatos barrados no baile do primeiro turno para os vencedores, mas se não há garantias dessa transferência com apoio declarado, é muito pior sem ele. Tanto é que um dos mais importantes prefeitos da coligação de Vanderlan, Misael Olivei­ra (PDT), de Senador Canedo, cidade onde o candidato do PSB obteve sua maior votação proporcional, a­nunciou imediatamente apoio a Marconi. Ele admitiu que se Van­der­lan optasse por Iris, ele ficaria neu­tro, mas com a liberação das li­de­ranças do partido, sua opção imediata foi apoiar a reeleição do governador.

Friboi

Se a neutralidade de Vanderlan não foi o que se pode chamar de boa notícia para Iris Rezende, pior ainda foi a confirmação de que o empresário Júnior Friboi ampliou a dissidência interna no PMDB. No primeiro turno, o grupo de Friboi, embora não tenha cerrado fileiras dentro das hostes iristas, também não pediu votos contra ele. Agora, pode ser diferente.

O problema do PMDB é mes­mo orgânico. O partido já foi amplamente majoritário sob a liderança de Iris, principalmente após o último expurgo interno, que ocorreu às vésperas da eleição de 1994. Naquele processo eleitoral, o ex-prefeito Nion Albernaz, de Goiânia, deixou o PMDB, permitindo que o grupo irista estendesse seus domínios internos a todas as instâncias do partido.

Essa situação começou a mudar já na definição do candidato ao governo em 94. Ao contrário do que pediam as bases municipais do PMDB, Iris Rezende ungiu como candidato Maguito Vilela, e não Naphtali Alves como desejavam os prefeitos. Essa decisão provocou uma leve fissura na figura monolítica de Iris, mas sem força para qualquer estrago maior.

Em 1998, foi a vez de Maguito Vilela ser preterido quando estava pronto para ser reeleito governador. Iris estava em Brasília, onde comandava o poderoso Ministério da Justiça, mas voltou para Goiás e se impôs como candidato. Maguito teve que se contentar com uma tranquilíssima vitória para o Senado, enquanto Iris amargou sua primeira e mais surpreendente derrota eleitoral, exatamente para Marconi Perillo.

Eternos conflitos

Especialmente após as eleições de 1998, o PMDB nunca mais viveu fases absolutamente tranquilas e harmônicas, mas Iris sempre conseguiu, ao seu modo, manter-se na liderança absoluta. Apenas em 2006, com Maguito, o partido permitiu que ala levemente antagônica a Iris conseguisse respirar, com a candidatura do hoje prefeito de Aparecida ao governo do Estado. Não sem antes derrotar internamente as manobras do grupo irista, que lançou e apoiou a candidatura do ex-prefeito Adib Elias, de Catalão. A vitória de Maguito na convenção do partido soou como uma derrota não apenas de Adib, mas principalmente do grupamento mais próximo de Iris. Mas a ousadia de Maguito cus­tou caro. Na eleição, Alcides ven­ceu o peemedebista em Goiâ­nia, onde Iris comandava a pre­feitura. A diferença pró-Alcides no segundo turno chegou a 17%.

Em 2010, o ex-presidente do Banco Central no governo de Lula da Silva, Henrique Meirelles, chegou a ensaiar candidatura ao governo goiano. Esbarrou em Iris Rezende e encerrou por ali mesmo a sua carreira. Depois, em meados de 2012, Vanderlan Cardoso ingressou no PMDB sonhando com a possibilidade de ser candidato ao governo agora em 2014 pelo partido. Também esbarrou em Iris, e deixou o PMDB a tempo de se viabilizar no PSB. No final de 2013 e durante o primeiro semestre deste ano, foi a vez de Júnior Friboi tentar se candidatar ao governo do Estado ao largo do desejo pessoal de Iris. Também não conseguiu.

De conflito em conflito, Iris chega ao segundo turno em uma situação não exatamente confortável. A falta de apoio de Vanderlan, somados aos problemas internos no PMDB, além da vantagem de mais de meio milhão de votos de Marconi no primeiro turno, torna a vida eleitoral do líder peemedebista uma grande incerteza. Nem o apoio formal do PT de Antônio Gomide amenizou a situação.

Iris terá que administrar uma situação complicadíssima. De um la­do, ele conta com um ótimo ge­neral-eleitoral, o senador eleito Ro­naldo Caiado, que apoia desde sempre a candidatura presidencial de Aécio Ne­ves e é inimigo figadal dos pe­tistas. Do outro, o PT, que disputa o segundo turno nacional exatamente contra Aécio. Isso, obviamente, o­ferece a Iris um palanque previamente dividido. Dificilmente se ve­rá, por exemplo, caminhadas, car­reatas e outros possíveis eventos da campanha reunindo Iris, Cai­ado e Gomide. Ou seja, uma soma realmente complicada para Iris operar.

Todos esses problemas querem dizer que Iris vai perder mais uma vez? Claro que não. Mas se no segundo turno foi difícil, a ta­refa agora é quase impossível. Na prática, a e­leição está perdida. Sempre esteve. Iris precisa de uma seqüência de milagres para reverter quadro tão adverso e, finalmente, vencer. E milagres não acontecem todos os dias.