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2º turno: o jogo continua

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Os goianos retornam às urnas no último domingo deste mês, dia 26, para escolher novamente quem deve governar o Brasil e quem deve governar Goiás. Dilma Roussef e Aécio Neves repetem a eterna rivalidade entre PT e PSDB. Marconi Perillo e Iris Rezende repetem a eterna rivalidade entre eles mesmos. Tudo igual? Não exatamente igual.

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O 2º turno das eleições é uma nova eleição, mas não começa do zero, como  no 1º turno. E a razão é simples: quem votou em um dos dois classificados para o turno final logicamente tende a repetir o voto no 2º turno. Então, a eleição agora partirá desse patamar obtido no 1º turno.

Outro viés que deve ser observado inicialmente são as curvas dos candidatos na comparação entre as pesquisas pré-eleição e o resultado das urnas. Essas curvas, apesar dos “erros” dos institutos, podem estar revelando tendências que restam ser comprovadas ou não. É isso que torna as eleições nacional e regional diferentes.

Transferência de votos – Outro ponto que sempre causa discussão é sobre o patrimônio eleitoral dos candidatos que não conseguiram chegar ao 2º turno. Existe uma tendência natural de se somar esses votos, e por isso há uma intensa negociação dos classificados com os derrotados.

Apesar da tendência, esse fato, a migração de votos, não é líquida e certa, infalível. Aliás, historicamente, apenas uma única vez um candidato desclassificado para o 2º turno conseguiu convencer seus eleitores a votar em outro candidato no 2º turno. Foi Leonel Brizola, em 1989, que acabou em terceiro lugar e apoiou Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno. No Rio de Janeiro, Brizola conseguiu transferir seu prestígio eleitoral para Lula totalmente.

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Se não há essa transferência/soma de votos do 1º para o 2º turno, as negociações que visem apoios são uma bobagem? Longe disso. Muito longe. Há, sim, um pequeno percentual de eleitores que acompanham seus candidatos desclassificados no 2º turno, mas o principal é o aumento do volume de  campanha e da militância. Ganha-se em argumentos também. Portanto, receber o apoio dos candidatos que não se classificaram para o 2º turno é importante do ponto de vista global das campanhas. Se não no aspecto direto, dos votos, com certeza no aspecto político.

Mário Covas

Viradas no 2º turno – Em 90% das eleições decididas em 2º turno, repetiu-se a ordem de chegada dos candidatos obtida no 1º turno. Ou seja, quem ganhou na primeira, ganha também na segunda. Em 10% das eleições, aconteceram viradas: quem chegou atrás conseguiu ultrapassar o primeiro colocado e vencer. maluf-450_linkO maior e mais acabado exemplo de virada eleitoral entre o 1º e o 2º turno é o de Mário Covas, em São Paulo, contra Paulo Maluf. Em 1998, Covas chegou em 2º lugar com mais de 1 milhão de votos de desvantagem, uma diferença fantástica mesmo em um eleitorado imenso como o paulista. Foi reeleito.

Iris e Aécio tem esse baita desafio pela frente. E ao contrário do discurso de ambos, vão ter que trabalha intensamente para reverter o placar do 1 turno.

Aécio – O final do 1º turno é amplamente favorável, enquanto quadro eleitoral estático, ao candidato do PSDB. Ele estava com menos da metade dos votos que obteve há cerca de 1 mês. Ou seja, ele veio ganhando eleitores aos montes. Mas, repetindo, esse quadro enquanto resultado final é estático, parado. O 2º turno é uma nova eleição a partir do patamar final do 1º turno. E só. Não significa que ele vai continuar ganhando eleitores no mesmo ritmo e nem que a presidente Dilma não aumentará seu eleitorado. O jogo não foi zerado. O que houve foi simplesmente uma prorrogação.

Aécio terá que ganhar mais 8,04% de eleitores para empatar com Dilma. Somente a partir daí é que ele começará efetivamente a disputar a eleição contra a presidente. É possível? É, mas não é fácil.

Iris – A tarefa de Iris Rezende contra Marconi Perillo é ainda mais difícil. Marconi não conseguiu atingir a barreira dos 50% dos votos para vencer no 1º turno – faltaram menos de 5% dos votos válidos -, mas a votação de Iris ficou abaixo dos 30%. Iris terá que crescer 17,46% para empatar com Marconi, e só após esse patamar é que estará em condições de disputar realmente o 2º turno contra o adversário.

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De qualquer forma, e como o eleitorado não é estático, ao contrário do resultado final do 1º turno, Dilma e Marconi devem pisar no acelerador imediatamente. Isso porque eleições são decididas muitas vezes pelas tendências. Se Aécio e Iris criarem essa tendência de crescimento constante, como aconteceu com o tucano na reta final do 1º turno, é difícil segurar a onda. Se, ao contrário, Dilma e Marconi se mantiverem à frente e também crescerem, evitarão que se crie a onda da virada, que onde bate sempre provoca uma mudança e tanto.

Tudo pode acontecer no 2º turno? Sim, pode. Mas nesse “tudo” deve-se levar em conta também o “nada”. Aécio e Iris precisam de “tudo” e mais um pouco para repetirem o feito histórico de Mário Covas em 1989. E viradas são tão difíceis que são raras, e por serem raras se tornam históricas.