A derrota do governo na Assembleia não é inédita

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Desde a redemocratização do país, a partir dos Estados, em 1983, os governadores de Goiás nunca enfrentaram problemas muito sérios no relacionamento político-administrativo com os deputados. E todas as vezes que essa relação surfa em marés favoráveis, o governador exerce nítida, inequívoca e indesmentível influência no processo de eleição da Mesa Diretora. Pode-se ver a eleição da Mesa como uma espécie de indicativo da harmonia entre Palácio e sua base parlamentar.

Samuel Almeida

Samuel Almeida

Algumas vezes – poucas, é verdade – os preferidos do Palácio não são vitoriosos. A eleição do ex-deputado Samuel Almeida como presidente da Assembleia, 2004/2006, é o maior exemplo dos últimos tempos. Claramente como dissidente do PSDB palaciano, que chegou a montar uma reunião final de conciliação interna em pleno Palácio das Esmeraldas, Samuel surpreendeu ao vencer a votação. O governador foi obrigado a apenas aceitar e bater o martelo.

E quem era o inquilino do Palácio das Esmeraldas naquele momento? Ninguém menos que Marconi Perillo, considerado até por seus adversários como um mestre na construção de excelente relacionamento político com a base parlamentar. Mas a escolha de Samuel, que era do mesmo PSDB do governador, pode mesmo ser considerada uma derrota? Não só pode como deve. E a grande lição que se obteve naquele episódio serviu como alicerce de acertos políticos desde então.

Portanto, e em certo grau, a derrota do Palácio na eleição da Assembleia Legislativa, é somente isso, uma derrota. Surpreendente, é verdade, e talvez a de maior dimensão histórica desde 1983 levando em conta que não será um dissidente da base governista o próximo presidente, mas um deputado com histórico discreto e bastante moderado eleito em uma coligação adversária. Isso, porém, não deve ser encarado, nem pelo Palácio e nem pela base parlamentar aliada, como rompimento. O recado vale para os lados dessa mesma moeda: a harmonia política emite sinais de que alguma coisa se perdeu. Hora de reconstruir.