“A melhor cerveja feita no Brasil”

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Quando se fala em medalha de ouro, o pensamento não poderia ser diferente: “está ali o(a) melhor de todos(as)! Definitivamente não há nada superior!”. Pois bem, teoricamente, trata-se de uma verdade das mais verdadeiras possíveis. Afinal, quem é campeão não chegou ali por acaso. Pode ter contado com a competência, com a sorte ou com qualquer outro conjunto de forças ocultas (se for o caso), mas ainda sim é do grande campeão que estamos falando.

Estou me referindo à cerveja Schornstein, do estilo India Pale Ale, que veio diretamente do sul do Brasil, em Pomerode – SC. Ela foi a vencedora (em sua categoria) do II Concurso Brasileiro de Cervejas (2014), que acontece anualmente durante o Festival Brasileiro de Cervejas, em Blumenau – SC.

Festival Cerveja

 

Quando adquiri o meu exemplar, recebi as melhores recomendações do mundo sobre o conteúdo que estava guardado dentro daquela garrafinha. E por onde eu passava depois disso, tanto em lojas de cervejas especiais em Goiânia ou em Brasília, era unanimidade: tinha comprado a melhor cerveja do Brasil. Simples assim.

A minha expectativa, que já não era pouca, cresceu bastante, e não consegui aguardar mais: era hora de degustar aquela pequena campeã. Não sabia exatamente o que esperar, e talvez tenha até colocado muita pressão sobre ela, tadinha, mas eu tinha em mãos a melhor brasileira do momento. Enfim, abri a garrafa e o momento finalmente tinha chegado. Apesar da ansiedade, tentei me concentrar e aproveitar aquele instante.

Cerveja IPA

 

O líquido no copo apresentou uma cor bem turva (âmbar), não mostrando nenhuma carbonatação. Produziu muita espuma, bem espessa e consistente. O aroma era um pouco frutado, e isso ficou evidente também no gosto. Aliás, tomei mais alguns pequenos goles tentando decifrar aquele líquido. Sabor consistente, do princípio ao fim, com um retrogosto bastante refrescante, assim como estava escrito no rótulo. Era realmente pouco amargo e muito saboroso. Uma cerveja completamente equilibrada, com certeza!

Mas no final das contas, não gostei. Parece ironia ter chegado a essa conclusão somente quando a garrafa ficou completamente vazia. Mas confesso que não gostei mesmo. Talvez eu tenha estranhado o estilo, já que estava diante da minha primeira India Pale Ale. Mas isso pra mim não importava, pois ela é a melhor do país, então eu não esperava nada menos do que isso.

Essa é a grande graça do mundo cervejeiro: cada paladar, uma sentença. Lendo livros a respeito do tema, aprendi que não há certo ou errado em cervejas, há apenas diferenças no paladar de cada um. E isso eu também aprendi na prática com essa Schornstein, mesmo não recebendo nenhuma crítica negativa a respeito dela. Mas na minha boca a química não bateu. E essa é a graça da coisa. É o que gera a curiosidade para buscar novos rótulos e estilos ainda não desbravados por cada um.

Mas sabe qual é a verdadeira ironia disso tudo? Já faz uns 3 meses que esse episódio ocorreu, e confesso que estou com vontade de tomar mais uma vez essa medalha de ouro. Talvez agora minha boca “esteja melhor”, ou simplesmente não há mais pressão para que ela me surpreenda. Talvez agora ela possa ser ela mesma, e eu respeitá-la assim, sem julgá-la por ser “a melhor do país”. Sem expectativas, sem pressão, sem surpresas. Apenas aproveitar aquele momento, da forma que sempre deve ser ao se degustar uma cerveja. Um momento único e prazeroso.     (por Afonso Rezende)