Ilustração: site Jornal do radialista

A propaganda no rádio e na TV pode definir a eleição?

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Pesquisas eleitorais, a qualquer tempo, são eletrizantes. As tabelas lotadas de percentuais tem o poder magnético de moverem manchetes nos veículos de comunicação, provocam debates acalorados nas redes sociais, especialmente Facebook e Twitter, e mexem com brios e ânimos da militância partidária e dos próprios candidatos. Enfim, as pesquisas são sempre um fator provocativo nas campanhas eleitorais.

Mas até que ponto os resultados tem poder de influenciar decisivamente o voto dos eleitores? Pesquisas manipuladas tem esse poder? No passado, sim. Hoje em dia o eleitor não se guia pelas pesquisas. Se não acabou completamente, praticamente foi extinta aquela prática bem brasileira de se votar como se estivesse em jogo de prognóstico para “acertar” o vencedor. Tomou-se consciência de ninguém perde o voto ao escolher e se decidir por um candidato que eventualmente não tenha votação suficiente para se eleger.

Arte: TRE-GO

Arte: TRE-GO

Se as pesquisas já foram influenciadoras do voto e não são mais, pelo menos de maneira decisiva, como o eleitor processa todas as informações de uma campanha para se decidir? São inúmeros os mecanismos que levam o eleitor até à convicção do voto. Passa pelo círculo familiar, chega aos contatos diários com amigos e conhecidos, entra pelas redes sociais, percebe-se pela presença dos candidatos de maneira direta e mais próxima e junta-se aos correligionários e partidários que formam uma grande ou pequena rede de apoio – geralmente também constituída por candidatos a deputado estadual e deputado federal, que tem votação, digamos assim, provocada por maior intimidade com faixas localizadas do eleitorado. Por último, e muitíssimo importante, a propaganda no rádio e na televisão durante o período de campanha eletrônica. Sim, apesar da ampliação dos mecanismos influenciadores do poder decisório do eleitor com a chegada e popularização das redes sociais na internet, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão ainda exerce papel fundamental em campanhas para presidente, governador e senador. Deputados estaduais e federais dependem muito mais das chamadas bases, e do contato direto com o eleitor.

Ilustração: site Jornal do radialista

Ilustração: site Jornal do radialista

Unindo agora os dois pontos aqui abordados: pesquisa eleitoral e palanque eletrônico – como é chamada a propaganda no rádio e na TV. Não há uma só pesquisa realizada por institutos tradicionais que não aponte para uma situação absolutamente tranquila do senador Ronaldo Caiado, DEM, na disputa pelo governo do Estado. bem atrás estão o governador José Eliton, PSDB, e o deputado federal Daniel Vilela, MDB, compondo o time principal das candidaturas competitivas em Goiás este ano. Se as eleições fossem realizadas imediatamente, as pesquisas são unânimes ao indicarem enorme possibilidade de decisão já no 1º turno, com vitória do candidato democrata. Essa situação vai mudar até o dia 7 de outubro? Ninguém tem qualquer garantia quanto à resposta. Tanto pode mudar muito, sofrer pequena alteração ou não mudar coisa alguma. E se existe algo que pode interferir no resultado que as urnas vão apresentar no 1º domingo de outubro é a propaganda no rádio e na TV.

Como é impossível adivinhar o que vai acontecer a não ser através de uma bola de cristal, que divinamente funcione como uma janela temporal do futuro, o que se pode apontar com certeza são as condicionantes que existem à disposição dos candidatos no rádio e na TV.

Aqui se apresenta um dos grandes pontos enfraquecidos do até agora líder incontestável Ronaldo Caiado. Dentre os candidatos, ele terá o menor tempo para usar no rádio e na televisão. Não que o espaço conseguido por sua coligação, principalmente PDT e PRTB – o Pros, do candidato a vice deputado estadual Lincoln Tejota tem tempo menor -, signifique que o candidato mal conseguirá dizer o seu nome – no estilo de Enéas, candidato do Prona na eleição presidencial de 1985. Caiado terá espaço suficiente para tocar em frente sua campanha eletrônica, mas sem nenhuma sobra.

E é exatamente o tempo de exposição no rádio e na TV – das 8 da manhã às 10 da noite – muito maior que as candidaturas de Daniel Vilela e, principalmente, do governador José Eliton depositam a esperança de virar o jogo. Caiado tem a vantagem inequívoca de ser muito mais conhecido do que Daniel e Eliton somados, mas ambos vão nadar de braçada no palanque eletrônico, ao contrário do democrata, que vai nadar contra a correnteza do pouco espaço.

Levando-se em conta o que se afirmou até aqui, de que a campanha no rádio e na televisão continua sendo a principal influenciadora do aspecto geral no processo de definição do eleitor, a resposta para a pergunta na manchete desta Conexão é sim, a eleição pode ser definida no rádio e na televisão. Pode ser não significa que será. O eleitor de vez em quando cria suas próprias condicionantes. Talvez por isso as eleições jamais são favas contadas.