Ajuste fiscal: apenas 20 mil famílias lucram enquanto 200 milhões perdem

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Depois de dar pedaladas fiscais no ano passado, baixar a meta de superávit primário e tal, não havia outra saída para as finanças do governo federal que não passasse necessariamente por um tremendo ajuste fiscal. Todo mundo sabia disso desde sempre. Portanto, ao iniciar o duríssimo plano econômico pós-eleição ainda no mês de novembro e aprofundar as medidas no início deste ano, o governo da presidenta Dilma Roussef rezou pela cartilha do bom senso e da lógica. O único problema é o teor dessa reza.

dilma dividida

Para conter a inflação, como sempre e mais uma vez, o governo federal sacou a caneta e fez os juros da taxa Selic beijarem a estratosfera. Ao mesmo tempo, cortou despesas da atividade fim, mas manteve uma fabulosa e dispendiosa máquina administrativa. Essa conta, definitivamente, não fecha.

Para se ter uma melhor ideia desse conjunto econômico macabro, o Brasil pagou no ano passado nada menos que 311 bilhões de reais para sustentar a exorbitante dívida pública. São juros embolsados por banqueiros e rentistas. Com as medidas de contenção de gastos implementadas no primeiro semestre deste ano, o governo pretende economizar 80 bilhões de reais.

ricos

Seria interessante tanto sacrifício se não fosse por um detalhe. Como houve uma disparada na taxa de juros paga pelo próprio governo na administração da dívida pública, e consequentemente uma elevação dramática também no desembolso financeiro do governo, esses 80 bilhões de reais não vão representar um único centavo de economia real ao final deste ano. Os custos da dívida pública, que no ano passado foram de 311 bilhões de reais, este ano vão ser de 400 bilhões como consequência direta e sem intermediários desse aumento da Selic. Ou seja, o ajuste aperta o cinto de 200 milhões de habitantes e entrega todo o sacrifício para o deleite de 20 mil famílias.

desempregado

É óbvio que um ajuste fiscal tão capenga, que cortou na atividade fim do governo sem realizar corte equivalente na própria máquina administrativa – que permanece com um corpo ministerial insano, com 38 Ministérios -, e com isso provocou uma brutal recessão econômica que também tem provocado um desemprego crescente, jogou a popularidade da presidenta Dilma na sarjeta. Hoje, um cachorro pulguento consegue angariar mais simpatias do que ela. Como efeito colateral direto dessa queda, instalou-se a crise política.

Foto montagem brasilpost.com.br

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Para o mentor de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aquele que dizia que a crise mundial, em 2008, seria somente uma marolinha no Brasil, a única forma de recuperação é trocar o foco e implementar uma agenda positiva e mais política. É uma saída clássica para momentos de impopularidade, mas no caso de Dilma, absolutamente inconsistente. Até porque a presidenta não pode colocar o pé na calçada sem ouvir vaias estrondosas. E não há como introduzir agenda positiva quando milhares de pessoas estão sendo levadas à morte por causa dos cortes feitos na área da Saúde.

Lula e Dilma

A única saída é econômica com um viés, sim, político. E bastante simples. O governo Dilma só recupera popularidade se priorizar a vida de 200 milhões de brasileiros. E o primeiro passo para isso é corrigir o curso de aplicação do ajuste fiscal que beneficia 20 mil famílias que vivem de renda, cortar despesas com a máquina pública e devolver aos brasileiros nem que seja uma insignificante e comezinha esperança de dias melhores. E não há forma de fazer isso sem começar cortando as cabeças de onde saiu esse mirabolante plano de ajuste fiscal que tem dizimado a realidade de 200 milhões de brasileiros, e comprometido seriamente o futuro próximo.