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As “janelas quebradas” de Goiás: quando se está chorando é impossível sorrir

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No início da década de 1980, surgiu nos Estados Unidos uma teoria que passou a nortear as políticas públicas por lá. Essa teoria era somente uma tese até que uma universidade americana resolveu testá-la na prática.

A base da teoria das janelas quebradas prega o seguinte: se a janela de um prédio se quebra e ninguém a troca rapidamente, em pouco tempo as demais janelas também vão ser quebradas. A tal universidade criou uma situação para ver se a tal teoria era mesmo uma boa tese ou mero simples pensar.

janelas quebradas

Dois carros, exatamente iguais, foram “abandonados” nas ruas, um em Palo Alto, cidade espetacularmente bem cuidada, na Califórnia, e o outro no Bronx, bairro pobre e mal tratado da cidade de Nova Iorque naqueles tempos.

carros-abandonados

O que aconteceu logo após comprovou a tal teoria das janelas quebradas. O carro em Palo Alto ficou lá, intocável. No Bronx, em poucas horas, foi totalmente depredado. Em Palo Alto, uma semana depois, o carro amanheceu com uma das janelas quebradas. Pouco tempo depois aconteceu exatamente a mesma coisa que havia acontecido no Bronx.

Mas onde essa teoria deveria ser aplicada no dia a dia do Estado de Goiás e das nossas cidades (sim, “as janelas quebradas” deveria ser lema em todo o país)? Em tudo o que diz respeito às políticas públicas. A teoria, comprovada, é a de que ambientes deteriorados se auto-alimenta em modo contínuo. É exatamente essa lição que deve ser compreendida.

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É comum, por exemplo, governantes chorarem as pitangas das dificuldades econômicas. E o que isso gera, como ambiente deteriorado que representa? Pessimismo crescente, pra dizer o mínimo. É o carro no Bronx. Indo na exata direção contrária, o caixa esbanjaria vitalidade caso o governante não derramasse lágrimas por causa das pitangas? Claro que não, mas mensagens positivas, tecendo loas ao trabalho, ao crescimento econômico, à recuperação, à esperança de rápida superação geram na pior das hipóteses um cenário social um pouco mais otimista em relação ao futuro próximo. É o carro em Palo Alto.

Não há como juntar duas coisas: quando se está chorando é impossível sorrir.