Lissauer: a conciliação política como vocação

Assembleia Legislativa será hostil ao governo de Ronaldo Caiado?

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A grande pergunta que surge no horizonte imediato da política em Goiás é sobre o relacionamento entre a Assembleia Legislativa e o governo Ronaldo Caiado. Será uma relação difícil ou mutuamente colaborativa? O jogo está aberto e sem definição além das chamadas cartas de boas intenções. Se isso vai predominar ou não apenas o futuro terá condições de responder. Há condições para se estabelecer um relacionamento fácil e construtivo, mas igualmente um enorme potencial para o conflito. A eleição para a Mesa Diretora revelou exatamente esse cenário.

Lissauer: a conciliação política como vocação

Lissauer: a conciliação política como vocação

O que parecia céu de brigadeiro na esplanada legislativa, com o deputado Álvaro Guimarães, um decano com ótima relação pessoal com todos os setores políticos e sem qualquer aresta, “eleito” por unanimidade desde o final do ano passado. A eleição dele, de certa forma, mostrava que as feridas abertas no calor da disputa eleitoral do ano passado, estavam prestes a ser cicatrizadas. De repente, o tempo fechou e foi de céu de brigadeiro a perigosas formações de tornados. O que houve?

Álvaro Guimarães, a rigor, não foi derrotado na sua tentativa de presidir a Assembleia Legislativa. O que perdeu espaço foi a conciliação, e isso foi fatal para a candidatura dele. Também não tem como afirmar que os negociadores políticos do Palácio das Esmeraldas fracassaram completamente. O que aconteceu foi a explosão de algo que percorria os meandros internos do terreno entre a Assembleia e o Palácio. Silenciosamente, até a erupção total.

Pode-se comprovar esse fato a partir da eleição do deputado estadual Lissauer Vieira. Somente às vésperas da eleição da Musa Diretora, e já no meio da explosão que nasceu no âmago do Legislativo, é que surgiu o nome dele. Até então, as turbulências afetavam somente a própria bancada do DEM de Ronaldo Caiado, com os deputados Iso Moreira e dr Antonio procurando rivalizar com o colega Álvaro Guimarães.

Tudo indicava que, apesar de chateados com o processo interno, Iso e dr Antonio caminhariam naturalmente para recomposição. Não foi o que aconteceu. O descontentamento era muito maior, e consumia os ânimos de praticamente toda a base parlamentar que se imaginava consolidada e em consonância com o Palácio.

A devastação foi total. No final, somente quatro deputados mantiveram posição palaciana. Todos os demais, inclusive a bancada do DEM, se compôs como corpo único. Seria esse um inequívoco sinal de que a Assembleia Legislativa, pelo menos em um primeiro momento, será hostil ao governo de Ronaldo Caiado? Definitivamente, não. Não se percebe na Assembleia nenhuma hostilização prévia. Tudo dependerá do que irá se fazer a partir de agora. Não houve um rompimento. O que aconteceu talvez tenha sido ótimo numa visão futura. O terreno, que se revelou movediço, está novamente sólido e seguro. É só não sair por aí com pás para criar buracos onde eles não existem.