Ataque à aldeia Waiãpi não é excessão. Crimes contra índios também aconteceram nos governos de FHC, Lula e Dilma

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É vexatório e revoltante o ataque contra uma aldeia do povo indígena Waiãpi. Isso, que salta aos olhos de qualquer pessoa com algum senso, leva à conclusão de que o fato é grave o suficiente para ser investigado com rigor, até para servir como exemplo de que tempos de impunidade devem ficar para trás.

Esse é o fato.

Já nas redes sociais e político-partidárias a história é outra, e  completamente sem nexo com a realidade. A versão oposicionista é de que o ataque atual contra a aldeia Waiãpi é resultado direto de declarações e ações política defendidas pelo governo de Bolsonaro. Pode até ter alguma ligação, mas se tem, não é nem de longe suficiente para creditar tudo dessa forma.

Aos fatos do passado recente.

No governo de Fernando Henrique Cardoso aconteceram 167 assassinatos de índios, número que disparou nos governos Lula e Dilma, que registrou aumento superior a 168%. Só nos governos de Lula – com período idêntico de 8 anos em relação a FHC – 452 índios assassinados.

Correio 1962 índios

Se o eleitor quiser viajar em tempos passados, pode-se voltar para o período pré-regime de 1964. Conforme registrado pelo jornal fluminense Correio da Manhã, em 1962: a fome e as doenças dizimam o povo Pacaas-Novo.

O problema, a ameaça de extermínio em massa, e o sofrimento dos povos indígenas é muito antigo. O triste e deplorável episódio Waiãpi é, apesar da franqueza soar como muito fria e desumana, apenas mais um. Um país sério deveria usar a indignação coletiva que fatos assim provocam para abrir uma discussão em todos os níveis para que ele possa ser o último. Usar a morte de mais um índio como combustível para interesses político-eleitorais de um lado ou de outro é comportamento típico da canalhice do andar de cima sobre o alicerce da massa de baixo.