Todos os posts de Afonso Lopes

PF 2

Ex de Dilma e atual de Bolsonaro, senador Fernando Bezerra é alvo de operação da Federal

Na pauta dos costumes, o presidente Jair Bolsonaro é radicalmente contra as práticas dos petistas que governaram o Brasil desde 2003. Aliás, essa é a única pauta que realmente tem sido desenvolvida no governo. Nesta quinta-feira, operação da polícia federal deixa exposto que politicamente as coisas continuam exatamente como dantes. O ex-ministro de Dilma Roussef e senador Fernando Bezerra tem seus endereços vasculhados em investigação sobre propina recebida por ele e seu grupamento político nas obras de transposição do rio São Francisco. Bezerra é o atual líder do governo Bolsonaro no Senado.

PF 2

Num sentido mais amplo em seu antagonismo com os governos petistas, Bolsonaro é um oceano de incoerências. Ele trava sérias batalhas com temas como identidade de gênero, mas releva questões centrais da moralidade pública. Exemplos, e para citar apenas alguns, pulam aos montes: indicar o próprio filho para a principal embaixada do país, em Washington, ou ao dar apoio à decisão de Dias Toffoli de paralisar investigações policiais iniciadas a partir de alarme do Coaf, e com isso beneficiar diretamente outro filho, o senador Flávio Bolsonaro, principal envolvido nas denúncias contra Fabrício Queiroz.

dinheiros

Diário íntimo de um velho repórter… Enquanto as tribos se odeiam, cúpulas conquistadoras copulam sobre o patrimônio de todos

Tente apenas observar. Não retruque, somente leia. Não lance uma dúvida, só acompanhe as “certezas” mesmo quando elas se antagonizam. É assim o tempo todo nas redes sociais. No Twitter é bem mais que no Facebook, mas no 2º há ainda mais profundidade nos ataques, na agressividade muitas das vezes chula.

dinheiros

Não, não é só nos temas políticos. É em “tudo quanto é assunto”. Até nas mentiras, que viraram modinha de nome pomposamente americanizado, fake news. As vacinas, por exemplo. Até as vacinas… Maravilhas da alquimia produzida na extraordinária capacidade humana de testar, observar e aprender, resultado de séculos de lento caminhar da ciência, agora são… vilãs. E, por mais estúpido que seja, há seguidores desses modernos profetas “Jim Jones”… Despreza-se o conhecimento e dá-se realismo à ficção.

Tudo por um clique? Provavelmente deve ser bem mais do que isso. O que antes se entendia como comportamento de certa forma adequado a adolescentes em suas “tribos sociais” adentrou o mundo adulto. Uma boa parcela protagonizar de alguma forma, e na falta de conhecimento suficiente cria-se uma mentira.

Confesso que está sendo muito chato envelhecer em um tempo como esse. Faz parte, mas que é chato, é.

É chato perceber que são tempos em que o barulho é mais importante e profundo do que a sinfonia, do que a harmonia.

Entre nós, particularmente, quase sempre escuta-se o poder apodrecido moralmente vociferar contra os que se esforçam para melhorar o ambiente, inclusive o político. E o que está se escutando é a degradação cada vez mais acentuada. Seja de um promotor de Justiça que diz receber um miserê cerca de 25 vezes maior que um salário mínimo, mas que feitas as contas embolsou 85 mil reais mensalmente nos últimos 4 anos, seja de ministros de um Supremo que não se pode investigar porque imagina-se que levantado o tapete a fedentina entorpecerá a todos.

Tempos degradados. Moralmente degradados. Desde as escolas com seus professores e professoras esmurrados e algumas vezes assassinados por alunos e alunas que nada querem aprender além da aborrescência da adolescência, até os bacanas que se formaram formidáveis patrimonialmente diante de milhares de pessoas assassinadas nos hospitais sucateados pela ganância e roubo do dinheiro que deveria sustentá-los.

No conjunto, não há nada que mereça ser salvo. Judiciário, legislativo e executivo não nos servem sequer como lata de lixo. Ao contrário, são o próprio lixo da deformação moral de um todo. O que escapa são honrosas excessões. Individualmente, há nobreza em poucos que ocupam os cargos mais elevados da hierarquia pública.

E tudo isso se reflete feito imagem no espelho nas redes sociais. Despreza-se o debate de ideias e se escancara o desacato, a grosseria como esteio da argumentação contra pensamentos não exatamente alinhados com a tribo social/política ao qual se pertence. “Nós e eles” em uma releitura de uma idiotice medieval da maquiavelice que governa a todos. E enquanto as tribos estridentes se agridem, se xingam e se odeiam, as cúpulas conquistadoras de inúmeras matizes copulam sobre o patrimônio de todos.

Tempos chatos.

Márcio Lobão

Federal nas ruas: Filho de ex-ministro é preso em nova fase da Operação Lava Jato

Márcio Lobão, filho do ex-ministro Edison Lobão, está preso. A polícia federal cumpre mandado de prisão e 11 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. O Ministério Público Federal está investigando ações de corrupção praticadas entre 2008 e 2014, que renderam cerca de 50 milhões de reais em propinas pagas pelos grupos Estre e Odebrecht. O dinheiro é parte do total desviado na construção da usina de Belo Monte, no Pará.

Márcio Lobão

A Lava Jato quer investigar mais a fundo atuação de Márcio Lobão, que ainda estaria ocorrendo até hoje, de lavagem de dinheiro. A prisão dele é por tempo indeterminado. Por 11 anos, até este ano, Márcio Lobão foi presidente da Brasilcap, empresa de capitalização da BB (Banco do Brasil) seguros.

Fernando Carneiro não é mais procurador de contas do TCE. Cerca de 20 anos depois, concurso que o nomeou foi… anulado

Há coisa de 20 anos, portando ainda no século passado, o TCE, Tribunal de Contas do Estado de Goiás, realizou concurso público para selecionar 4 procuradores de contas. Feitas as provas de conhecimento e conhecidos os melhores pontuados, os vencedores foram devidamente nomeados, como determina a legislação. Um dos concorrentes preteridos levantou, como também reza o direito, dúvidas sobre a lisura legal do processo seletivo. Recursos aqui, julgamentos ali e chegou-se agora à decisão do Tribunal de Justiça do Estado: a reclamação estava correta e o concurso precisava ser anulado, o que ocorreu de imediato.

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A pergunta é se finalmente está se praticando Justiça, dessas com inicial maiúscula, ou não. Dos 4 vencedores daquele concurso do final do século passado, 3 abandonaram seus cargos – consta que pediram demissão ao longo do tempo. Apenas um deles se manteve: Fernando Carneiro. E agora, com a decisão recente, não resta mais nada. Com o concurso anulado – não por falcatruas dos candidatos, mas por preciosismos do edital que o organizou -, os efeitos também caíram.

Não é possível discutir méritos dessa decisão, e nem seria este o caso. O que se pode questionar é o tempo consumido para se chegar a essa conclusão legal: 20 anos. É uma vida profissional quase inteira. O que lá atrás seria perfeitamente possível e correto, talvez agora não seja. Há fatos que não vão voltar no tempo – e que tempo.

Culpa de quem? Do reclamante? Claro que não. Nunca. Jamais. A culpa seria então dos aprovados? De jeito nenhum. Eles não fraudaram as provas. Foram aprovados e pronto. Culpa dos juízes e dos desembargadores que levaram 20 anos para concluir um processo. De forma alguma. O problema, e este não é o único caso assim estruturado, é do processo judicial brasileiro. A frase é peremptória, definitiva, e frequentemente usada: “Justiça que muito tarda não é Justiça”. Definitivamente, não é mesmo.

PPL

Conexão: Negativismo no discurso enfraquece agenda positiva

Não é preciso ser um grande observador da cena político-administrativa para perceber que a agenda negativa, invariavelmente carregada por pernicioso clima pessimista, dominou o discurso do governo  de Ronaldo Caiado nos primeiros 8 meses deste mandato. Haveria realmente tanto espaço para divisões, fofocas, fogueiras de vaidades, falta de solução de continuidade em algumas áreas – muitas, inegavelmente, atingidas pelas dificuldades financeiras -, desarticulação política com o Legislativo, apesar de o setor contar com a expertise de um agente como o secretário Ernesto Roller e toda a espetacular carreira legislativa do próprio governador? De bate pronto é possível responder a todo esse quadro com um sonoro não, não há espaço para a extensão de uma agenda negativa como essa. E nem razão para tal.

PPL

O maior problema talvez tenha como ancoragem a forma como o governo, do mais alto ao mais baixo da cúpula palaciana, tem o hábito de se comunicar. Isso pode ter equivalência com aquilo que deveria ser apenas uma questão positiva: a enorme influência legislativa na composição do caráter do governo. Principalmente quando se leva em conta que a maior parte dessa experiência foi exercida na oposição aos governos. O discurso pessimista e negativista no legislativo, característica natural da atuação oposicionista, deve se alterar completamente na migração para o Executivo. Ou seja, não há nenhum problema com o discurso pessimista de opositores. Cabe sempre aos governos vender  otimismo – mesmo com recheio crítico em relação às administrações anteriores.

Essa prática pode ser observada tanto em Goiás como em Brasília. Talvez seja mais simples e fácil ponderar sobre os problemas e crises geradas pelo falatório desproporcional do presidente Jair Bolsonaro, mais acentuado do que o do governador Ronaldo Caiado. Ambos, porém, geralmente apontam na mesma linha pessimista. E o que se tem claramente em  Brasília? Que boa parte dos problemas do governo federal são gestados pela boca do presidente.

É claro que proporcionalmente não há como situar o discurso de Bolsonaro e Caiado em um mesmo patamar. Não é disso que se trata. O que une os discursos é o volume de pessimismo no qual se alicerçam.

Caiado tentou criar um bom clima ao anunciar a quitação dos salários do mês de dezembro do ano passado, além das parcelas do 13º salário coligadas. Ora, como são as coisas. Tem-se um feito administrativo sensacional nestes 8 meses e pouco ou quase nenhum efeito na agenda. Qual foi a última vez que um governo estadual pagou mais folhas dos servidores que o período em que está instalado? Foi no distante ano de 1999, no 1º mandato de Marconi Perillo, que recebeu o Palácio com folhas de pagamento acumuladas. Caiado administrou 8 meses e está pagando, caso realmente complete o serviço até dia 10, 9 folhas e mais algum bocado referente a 13º atrasado. A comemoração foi muito menor, imensamente desproporcional, que o feito.

Também se pode ver, e constatar, que houve redução no número de mortes violentas por armas brancas ou de fogo neste período. Aliás, um fato nacional que também ocorreu em Goiás. E o que sobrou dessa agenda positiva? Nada ou praticamente nada. Por que? Porque, ao pautar o pessimismo de maneira tão insistente, aflorou-se isso com o fato, igualmente real, de que a queda nesses assassinatos em Goiás foi menor do que a registrada em outros Estados.

A postura otimista no governo não incomodaria o seu posicionamento crítico em relação aos governos anteriores. Cabe ao governo atual, sim, criticar aquilo que entende ter sido errado no passado. É normal que faça isso até pelo fato de que houve a aprovação dessa postura nas eleições do ano passado de forma majoritária. Foi esse discurso que colocou o governo dentro do comando do Palácio. O problema está quando se concentra de tal forma na crítica e não se tem o mesmo esforço de mensagem quanto ao otimismo futuro. Essa é a questão de fundo: desconstruir o passado dentro do aspecto político-administrativo não isenta a postura da construção do futuro. De outra forma, chega-se ao quadro que se tem agora, em que mesmo os fatos positivos terminam contaminados pelo negativismo permanente.

O governo Caiado tem à sua disposição uma agenda positiva, mas precisa falar mais sobre ela a partir de agora. A comunicação política do governo precisa passar a ideia de que será cada vez melhor viver em Goiás. Tematizar pra cima, e não agendar para baixo.

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Incentivos fiscais: por que não perguntar quanto desemprego foi evitado, e falar apenas sobre empregos gerados?

Há uma cegueira coletiva total quando se fala sobre os incentivos fiscais. Em todo o país, e também aqui no Estado de Goiás. Aponta-se a política de incentivos, que em outras palavras tem como significado prático a desoneração do Estado sobre o empreendimento, como se fosse a grande causa entre o descompasso da arrecadação. Não é. Nunca foi. O Estado brasileiro é caro por ser caro, e não porque eventualmente pratica o que deveria ser uma rotina, o incentivo à manutenção – pelo menos – desses empreendimentos.

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A pergunta que se faz quando o assunto é incentivo fiscal é: quantos empregos foram gerados. Ora, por que não se pergunta também quanto desemprego foi evitado?

Em Goiás, particularmente, esse viés caolho é eternizado enquanto temática de discussão. Incentivos fiscais são entendidos como evasão fiscal. Não é. Nunca foi. A desoneração fiscal é, por outro lado, um bem estar conquistado pela própria sociedade sem a participação corrosiva da máquina pública cara, displicente e perdulária que existe pelas bandas do país.

Costuma-se dizer, depois da aplicação de fórmulas matemáticas aparentemente complexas e que na realidade são simples e, por essa razão, “primaristas”, que o Estado deixou de arrecadar “x” bilhões de reais, mas jamais associam esse fato, que é real, ao óbvio: esse é o volume de dinheiro que permaneceu na economia.

É claro que apesar de todos os benefícios, geralmente não observados nas discussões sobre os incentivos fiscais, faz-se permanentemente necessário fiscalização constante sobre essa política. Não se pode aceitar privilégios. De tempos em tempos, o Estado deve passar um pente fino em todas as operações até para poder encontrar mecanismos para criar novos incentivos para outros empreendimentos.

A solução para os problemas de caixa do Estado brasileiro não está no bolso dos cidadãos/cidadãs e empresas, que é a parte sadia de todo o processo de produção de riquezas. O Estado não produz um único parafuso, mas tem exigido da população que a cada parafuso fabricando e vendido um segundo parafuso lhe seja entregue. Não é essa a solução para o problema de caixa do Estado brasileiro.

Não adianta nada arrecadar mais se o gasto estatal não tem qualidade. Apenas para citar um exemplo, basta citar a fome dos políticos em Brasília, que querem mais do que dobrar o chamado Fundo de Financiamento da Democracia, nome pomposo para uma imoralidade total e, de resto, mais um naco da oneração sobre cidadãos/cidadãs e empresas. A solução para os problemas do Estado passa necessariamente pelo desvio do olhar. Ao invés de olhar para o bolso de todos, é melhor parar de fazer desaforos para o dinheiro.

Foto magistral da revista Veja no encontro do G20 (print, com filtro)

Conexão: Inabilidade de Bolsonaro amplia todas as crises. PS – Macron é um imbecil

A queimada 2019 é diferente das queimadas anteriores? Sim, é. Primeiramente porque ela é menor do que a média registrada nas duas últimas décadas. Depois, pelo fato de que Jair Bolsonaro, o sujeito escolhido pela maioria dos eleitores que se manifestaram por um dos candidatos para resolver problemas, é uma fabriqueta prepotente de crises. Por fim, não há como desprezar o fato: Emmanuel Macron, o plantonista do Palácio do Eliseu, na França, é tão imbecil que protesta sob a moldura de uma foto fake, além de ser mentiroso.

Foto magistral da revista Veja no encontro do G20 (print, com filtro)

Foto magistral da revista Veja no encontro do G20 (print, com filtro)

Macron está fazendo onda mundial, e a França tem importância suficiente para balançar o coreto planetário, como se fosse um paladino da moralidade e bons costumes ambientais. Mas ele é mentiroso ao encabeçar a Europa numa onda contra o Brasil ao se vingar de Bolsonaro, que (fabriqueta de crises) humilhou mundialmente o chanceler da França ao cancelar de última hora uma audiência no Palácio do Planalto – alegou compromissos inadiáveis e postou sua petulância no salão de barbeiro. Macron, portanto, está dando o troco da desfeita. É essa a motivação do palhaço imbecil que ocupa a Presidência da França: orgulho ferido.

O episódio atual certamente será superado. Mais cedo ou mais tarde, não se sabe, mas que será, será. Macron, por enquanto, vai continuar presidente francês. Bolsonaro continuará presidente brasileiro.

Talvez, e essa é uma condicionante importante a ser colocada aqui, essa crise ensine alguma coisa ao Jair. A esperança de que isso aconteça é pequena, mas ainda assim ela existe. A velha história do pau que nasce torto…

Jair precisa compreender a dimensão de sua própria importância, e deixar de lado – pelo menos um pouquinho – sua propensão de se portar de maneira prepotente sobre tudo e sobre todos. Ele precisa, em última análise, manter sua sinceridade e espontaneidade, mas com inteligência. Sábios não chutam onças mortas e tão pouco matam onças para depois chutá-las. Sabedoria é matar a onça se necessário for, mas lamentar pela necessidade imposta. Definitivamente, Jair é tudo, menos um sábio.

A propósito, Jair não consegue ler, e se lê não consegue entender, um prosaico organograma. É o que revela essa crise – amplificada, como sempre – no seu relacionamento com o ministro Sérgio Moro, o maior símbolo positivo de sua equipe de governo. Quem nomeia o diretor da polícia federal, e todos os demais abaixo da linha de comando do Ministério, é o ministro, e não o presidente. Cabe a ele, presidente, nomear o ministro. E só. O presidente pode até mudar o organograma, tornando a PF linha direta do gabinete presidencial, mas enquanto isso não for feito, e se estiver descontente com o ministro, Jair pode demitir Sérgio Moro e nomear alguém para o lugar dele. E só.

Todo brasileiro tem como sobrenome “Esperança”. Lula foi eleito em 2002 nessa premissa. Fernando Collor também. E Fernando Henrique Cardoso idem. Chegou a vez de Jair Bolsonaro. Que ele consiga superar seu próprio ego.

Bolsonaro e Moro

Conexão: Ações de Bolsonaro desgastam a imagem de Sérgio Moro. Qual é o objetivo? Não há

O presidente Jair Bolsonaro parece não entender que o desgaste na imagem de seu ministro com maior apoio e respeito popular vai acabar se voltando contra ele próprio. O discurso de Bolsonaro provoca desgastes, sem nenhuma dúvida. As ações dele completam o serviço.

Bolsonaro e Moro

As idas e vindas do Coaf, um braço importante no conjunto de atuação da inteligência em investigações bancárias, a insegurança gerada dentro da Receita Federal e a colher que ele enfiou – ou pelo menos tentou enfiar – goela abaixo na Polícia Federal afetam diretamente a autoridade de Moro. Para completar, a frase “quem manda sou eu”.

Sim, é claro que quem manda é ele, Bolsonaro. Foi eleito para isso. Mas qual a necessidade de se demonstrar essa autoridade no gogó? Do ponto de vista do comando, é uma fala absolutamente desnecessária. E o que é pior: não foi a primeira vez. Em plena tramitação nevrálgica da reforma da Previdência, considerada essencial pela equipe econômica liderada pelo ministro Paulo Guedes, ele, em tom de galhofa, brincou com Rodrigo Maia que a caneta dele tinha mais poder. É óbvio que isso azeda qualquer clima.

O presidente Bolsonaro precisa entender que ele não apenas manda. Isso é pouco, quase nada. O presidente é o grande – e único – articulador da principal equipe administrativa do país – o Ministério. Antes de ser um mero “mandão”, Bolsonaro precisa ser o líder desse time. E não apenas dessa equipe, mas de certa forma de todo o mundo político. Essa dimensão do cargo parece ainda não ter sido percebida por Bolsonaro.

E tome desgastes. O que a “vasa-jato” tentou – e parece ter desistido porque entendeu que falhou -, desgastar Sérgio Moro, os ataques do presidente pode conseguir. O que será ruim também para ele.

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Diário íntimo de um velho repórter: É muita conversa estéril entre azul, vermelho e verde numa realidade em preto e branco

Tá fácil não. Caramba, dia sim e no outro também, tá lá o presidente falando potoca. Não, não é só uma questão de liturgia do cargo que é desrespeitada, quebrada e humilhada. Igualmente não é simplicidade ou sinceridade. Também não é questão de postura, como a falácia de que ele ganhou a eleição se expressando da forma como se expressa hoje. A não ser que ele tenha falado que para melhorar o ambiente urbano é só comer menos e defecar três ou quatro vezes na semana, ou que entre escolher os próprios filhos e os filhos de todos os eleitores, como presidente da República ele iria escolher os dele. Ele não defendeu essas teses na campanha. Portanto, não é uma questão de racionalidade, mas de insanidade, petulância, arrogância.

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Desde a Presidência de Lula, o Brasil é governado por imbecís aplicadores da tese de Maquiavel – de que é preciso dividir a população para governar com mais tranquilidade. Isso pode até ter sido válido para alguns reinos e impérios da idade Média, mas nem naquela época servia para todos. A Inglaterra é o melhor exemplo disso. Quando havia profunda divisão interna, a França atacava e levada vantagem. Quanto os ingleses se uniam, os franceses saíam correndo. O pequenino Japão e seus imperadores adorados por todo o povo como deuses jamais se apequenou para o seu vizinho gigante, a China. Ao contrário.

Pois é a imbecilidade da divisão da sociedade que reina em nosso estúpido reino. E penetra-se num jogo de mentiras deslavadas repetidas à exaustão como se verdades fossem. Antes, venderam que a oposição aos erros praticados – e hoje sabe-se muito bem o verdadeiro propósito deles – é coisa de rico que não quer pobre viajando de avião ou formando filhos em faculdades de medicina. Criam versões pseudocientíficas para justificar a burrice do estoque de vento. Assim como agora, se justifica, com algum rigor nesta interpretação, é verdade, que ambiente urbano deteriorado tem como parte da solução… prisão de ventre.

Pega-se um título acadêmico expressivo, como o de uma certa professora universitária, e da à sua portadora a autorização intelectual para que ela anuncie – e deve-se reconhecer que aqui não há o contexto total em que a idiotice a seguir foi dita – seu ódio à classe média. Sob aplausos e sorriso de um maroto trabalhador braçal semialfabetizado que amealhou alguns milhões como patrimônio e chegou à Presidência do pobre país.

Presidente este que admitiu publicamente que o filho era um “fenômeno dos negócios” apesar de o “garoto” ter passado boa parte da vida como um errante fracassado, que recolhia fezes de animais em um zoológico, até que acumulou patrimônio respeitável de maneira fácil e muito rapidamente, `coincidentemente” no mesmo período de tempo em que o pai ocupava o Palácio do Planalto.

E o que se tem hoje é muito semelhante a isso quando se constrói palacianamente uma blindagem a Flávio Bolsonaro que é, pra dizer o mínimo, suspeito de ter mantido uma relação pra lá de estranha com um motorista/policial reformado dono de movimentação milionária totalmente fora de seu histórico de renda conhecida e legal.

Na insanidade coletiva da divisão estão duas frases, proferidas em tom antagônico, bem representativas. “E o Lula?”, perguntam uns para aliviar a barra do governo atual. “Cadê o Queiroz?”, responde o outro lado. E assim se encerra um jogo que só tem perdedores de ambos os lados. Fim de uma peleja que não faz concessão à inteligência do debate.

Os exemplos assemelhados, mas sempre com o mesmo objetivo, infestam o pensamento social brasileiro massificado. “Saudades do governo Lula”, suspiram. Seria o caso de se perguntar: saudades de um tempo em que se gastava no “cheque especial” enquanto a cúpula boiava num oceano de dinheiro desviado, ou a saudade é do custo de arenas de futebol e centro olímpico desnecessários tocados a peso de ouro pela corrupção que enricava piratas travestidos de políticos ao mesmo tempo em que hospitais públicos se deterioravam dia após dia?

Não, não há nenhuma razão para ter saudade dos erros dos governos anteriores e nem alguma forma de compreensão que amenize os erros do governo atual. Como ter saudade da troca de monopólio estatal para monopólio privado como irresponsavelmente Fernando Henrique Cardoso fez no governo dele. Aliás, copiando exatamente o que também aconteceu na Rússia, e que gerou um grupo de poderosos, alguns deles integrantes de autênticas máfias. Como ter saudade de um governo que encheu as burras de meia dúzia de banqueiros com dinheiro de todos e confiscou parcelas da aposentadoria de milhões de trabalhadores celetistas com a implantação do fator previdenciário?

Há exceções no oceano de imbecis e malandros que povoam a direita e a esquerda no Brasil. O difícil é conseguir ouví-las com tanto barulho infantilizado pela briguinha das cores. Primeiro era o azul. Depois, o vermelho. Agora, o verde. Sonhar um futuro melhor não é possível apenas com esse colorido. A realidade da maioria da população é somente um filminho desbotado em preto e branco.

 

Iris 2

Conexão: Sem Iris Rezende, disputa em Goiânia poderá ser briga de gigantes… “japoneses”

Há pouco mais de um ano da eleição de outubro do ano que vem, mas bem menos do que isso em relação ao calendário das obrigações político-eleitorais estabelecidas pela legislação – como o prazo de filiação partidária ou prazo final para realização das convenções partidárias -, o cenário para a sucessão goianiense tem um protagonista que ninguém sabe se será candidato ou não: o atual prefeito, o velho líder Iris Rezende. Além dele, que está vários patamares acima, especulam aqui e acolá uma porção de “candidatos”. A maioria, como sempre ocorre nas pré-eleições, tenta somente marcar presença.

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A grande dúvida é exatamente essa: Iris Rezende, que já não é um player com capacidade de crescimento político futuro, ainda encontrará fôlego e desejo de permanecer, e entrar pra valer numa eleição que promete ser bastante disputada? É muito difícil tentar prever qualquer coisa quando se analisa um quadro eleitoral, e é impossível antecipar o que Iris Rezende pretende fazer. Essa é uma das táticas dele. Sempre foi. Diz que não sabe, depois pode arriscar um “não será”, mistura um “vamos ver” e vai ganhando tempo até realmente expor o que pensa.

Com Iris na disputa o quadro será um. Sem ele, muda tudo. Não existe, como em meados de 2017 na disputa estadual – Caiado, Daniel e José Eliton -, nomes consolidados para a eleição de Goiânia. O DEM, do governador Caiado, não tem ninguém. O PSDB ainda está tateando no escuro, tentando inclusive se recuperar da surra que levou na disputa pelo governo do Estado no ano passado. O MDB fala em Maguito Vilela, mas se realmente estiver disposto a entrar na luta terá pela frente exatamente Iris Rezende, também emedebista. Maguito jamais confrontou Iris em disputas internas diretamente. A única exceção foi na tomada do diretório estadual do partido, com seu filho Daniel Vilela, numa disputa portanto indireta. Nem em 1998, quando a reeleição de Maguito era considerada uma barbada, ele conseguiu surpreender Iris Rezende – que o atropelou internamente e acabou atropelado depois pelas oposições com a vitória de Marconi Perillo.

Se Iris não candidato à reeleição, há dúvidas se ele terá ou não peso decisivo eleitoralmente a favor de quem for ungido. Repare: peso decisivo. Que o apoio de Iris será muito importante não há como duvidar, mas transferir prestígio na eleição é coisa muito difícil. Sempre foi. Ou seja, se Iris não disputar novamente o cargo, a briga entre os demais será de autênticos gigantes… “japoneses”.