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Jayme Rincón

Balanço final: Os trunfos de Marconi que salvaram o governo

Em janeiro de 2011, Marconi herdou uma administração errática, com desequilíbrio projetado em R$ 2 bilhões. Ao final de 2014, foi reeleito batendo seu próprio recorde de votação

Governador Marconi Perillo: o maestro da equipe que equacionou a gestão no terceiro mandato Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Governador Marconi Perillo: o maestro da equipe que equacionou a gestão no terceiro mandato Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Não era para ter sido o que foi. Em meados de 2007, ao romper com o então senador Marconi Perillo, principal responsável pela sua eleição no ano anterior, o governador Alcides Rodrigues tentou de todas as formas destruir a imagem do legado que recebeu e, de quebra, abrir um novo formato administrativo que levasse a população a se esquecer rapidamente dos avanços registrados nos dois mandatos anteriores, iniciados em 1999. Marconi fez o possível para não passar recibo, mas não teve como segurar.

Os planos arquitetados no Palácio das Esmeraldas a partir de 2007 visavam implodir a imagem pública erguida por Marconi, mas o governo não teve desempenho suficiente para isso. Ao final de 2010, equivocado, sem visão crítica e transformado em principal desafeto político de Marconi, o governo de Alcides completou a guinada rumo à oposição.

Eleitoralmente, o resultado dessa postura foi um desastre total como jamais de viu. O candidato com chancela oficial, o ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardo­so, simplesmente foi massacrado nas urnas, recebendo pouco mais de 16% dos votos válidos. Do outro lado, Marconi ressurgiu no comando do Estado ao vencer o peemedebista Iris Rezende no 2º turno.

Entre a eleição e a posse, conforme revelaram fontes do governo ao longo de 2011, a máquina administrativa foi destroçada. Fornecedores essenciais ficaram com faturas penduradas, as rodovias não receberam qualquer forma de proteção e se deterioram completamente e até as folhas de pagamento deixaram de ser pagas dentro do mês trabalhado, prática implantada por Marconi em seu primeiro mandato. Naquele início de 2011, o então secretário da Fazenda, Simão Sirineu, anunciou um déficit financeiro potencial de 2 bilhões de reais. Para completar o circo de horrores administrativos, o terceiro mandato de Marconi começou com quase 10 mil servidores públicos aprovados em concursos realizados no governo de Alcides e não empossados batendo às portas do Palácio das Esmeraldas.

Remonta-se grosseiramente o cenário administrativo de 2011 nesta Conexão com o propósito evidente e inegável de reavivar a memória. Até pela óbvia razão de que a atual situação é tão completamente diferente que acaba sendo um exercício de raciocínio avaliar a real dimensão da mudança que ocorreu ao longo dos últimos quatro anos. Do desânimo total daquela época à recuperação da autoestima coletiva. Talvez seja esse o maior legado que se obteve no terceiro mandato de Marconi Perillo no Estado, e que levou quase 60% dos eleitores a lhe confiar mais quatro anos no comando do Palácio das Esmeraldas.

Marconi não fez o que foi feito sozinho. Seu grande mérito foi ter montado uma equipe de auxiliares diretos que equacionaram as encrencas administrativas. Na Fazenda de cofres raspados, Simão, o “sirinão”, notabilizou-se por promover cortes profundos nos gastos ao mesmo tempo em que criou melhores condições para incrementar a arrecadação. No Planejamento, Giuseppe Vec­ci, apresentou uma série de sugestões para agilizar as ações do go­verno. Mas foi na Agetop onde surgiu o grande nome do governo edição 3. Jayme Rincón, que jamais havia vestido o figurino de gestor público, foi o trator tanto administrativo como político que Marconi tanto precisava para estabelecer um diferencial em relação aos seus dois primeiros mandatos.

O governador mantém uma pegada como se ainda estivesse em seu primeiro mandato, e não prestes a iniciar seu quarto período administrativo. É graças a essa virtude inigualável que ele conseguiu se estabelecer como nenhum outro no Olimpo político de Goiás. Ele respira política e administração 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. Mas até ele sentiu um baque extraordinário em 2012, quando adversários montaram um palco nacional para guilhotiná-lo. E exatamente naqueles momentos mais difíceis, Rincón surgiu com uma veia política e assumiu um papel fundamental na recuperação do governo.

A cada pancada dos opositores, o presidente da Agetop devolvia com autêntico bombardeio. Em determinado momento, enquanto praticamente todo o governo se escondia, deixando exposto o governador à sanha política dos adversários, era ele quem corria às redações de rádios, jornais e TVs na defesa da administração e do próprio Marconi. Não há como fazer um balanço do mandato versão 3 sem concluir que a dupla Marconi-Rincón foi absolutamente perfeita. Mar­c­o­ni blindou o governo ao praticar uma política de distensão com Bra­sília, recebendo da presidente Dil­ma Roussef toda a contrapartida na exata medida do que lhe foi oferecido. Rincón blindou a ad­ministração com uma extensa re­lação de obras, incluindo a recuperação e melhoria das rodovias e prédios públicas, além de ter se tornado o guardião político e parachoque do governo nos inevitáveis ataques desferidos pela oposição.

É óbvio que um conjunto de governo como esse que se apresenta neste final de 2014, e levando em conta o caos que se observava em 2010, não é resultado de apenas uma dupla. Rincón foi, sem dúvida, o auxiliar que mais se destacou, mas o grande mérito de Marconi Perillo enquanto político e governador do Estado em três mandatos foi saber dosar bem e escolher melhor ainda seus auxiliares diretos. É certo que um governo composto por uma coalizão tão grande quanto à que venceu as duríssimas eleições de 2010, precisou abrigar inúmeras indicações que não renderam dentro da média, mas o núcleo central do governo funcionou co­mo uma orquestra, com Rincón, Vecci, Simão, Antônio Faleiros, Thiago Peixoto, Alexandre Baldy e alguns outros, tendo Marconi como maestro.

Marconi conseguiu inovar em 1999/2002 e 2003/2006. Em 2011/2014, devolveu a Goiás e aos goianos a autoestima. O balanço deste terceiro mandato é muito positivo, e isso foi o que se viu na avaliação majoritária dos eleitores nas urnas, embora o Estado de Goiás não seja uma Dinamarca. O que se anuncia para 2015/2018 é uma administração menor e mais ágil. Se funcionar mais uma vez, a fórmula Marconi de governar vai chegar muitíssimo forte em 2018. Aos opositores, resta uma reciclagem geral. Não há mais espaço para se fazer uma oposição como se Goiás ainda estivesse em meados do século passado.

Bolsonaro e Maria do Rosário, ou falsos heróis e falsas heroínas

Os deputados federais Bolsonaro e Maria do Rosário bateram boca mais uma vez. Não é a primeira vez. Na Secretaria  dos Direitos Humanos, a deputada algumas vezes se comportou como boquirrota. Bolsonaro é boquirroto em tempo integral. Ambos são radicais, xiitas completos. Costumam tratar com a truculência das palavras qualquer forma de pensamento contrário ao que eles próprios pensam. Não votaria em nenhum dos dois como meu representante. Mas é óbvio que representam muita gente. São deputados, uai.

Bolsonário e Rosário

Esta semana, numa modorrenta tarde no plenário da Câmara, Bolsonaro e Maria do Rosário voltaram a frequentar as manchetes tupiniquins. Não com ideias ou posicionamentos importantes para a melhoria da qualidade de vida da população. Infelizmente, diga-se. Os dois trocaram desaforos. Maria do Rosário entoava o canto lamurioso de 50 anos atrás contra a ditadura civil-militar de 64. Bolsonaro, o militar que migrou das casernas para os carpetes verdes do parlamento brasileiro, fez a defesa à sua maneira, de forma estabanada.

Mas o que intriga, e irrita, é a versão que começa a predominar o tal péssimo momento parlamentar. Bolsonaro, por essa versão dominante, disse que não estupraria Maria do Rosário “porque ela não merece”. E não foi, obviamente, no sentido positivo da frase. No sentido interpretativo da frase é que ele não estupraria a deputada porque nem isso ela merece.

Ele realmente disse essa bobagem sem tamanho? Disse, sim. Com todas as letras. O irritante é que tem se destacado a agressão do Bolsonaro e não a motivação. A frase completa do boquirroto deputado é: “Você me acusou de ser estuprador. Pois eu repito que só não te estupro porque você não merece”.

A frase completa deixa bastante claro que foi uma troca de insultos do mais baixo nível. E que nada acrescenta a ninguém neste país. Não se está aqui defendendo Bolsonaro. Nem de longe. Mas também não há como, numa versão realmente honesta e verdadeira, dizer que Maria do Rosário é somente uma vítima. Não é. É claro que o contra-ataque de Bolsonaro é inominável, absolutamente desqualificado. Mas é exatamente isso, um contra-ataque de um deputado federal brasileiro que foi acusado por uma deputada federal brasileira de ser um estuprador.

O gesto de ambos é ignóbil, desprezível, indecente. Eles se colocaram, enquanto parlamentares, no porão moral da sociedade. Não há nem herói e nem heroína nesse episódio.

Presidência da Assembleia: Oposição cria o 3º turno contra Marconi

Hélio de Souza tem o apoio velado do chamado núcleo duro da futura bancada oposicionista. O objetivo é derrotar qualquer nome eleito este ano pela base marconista

Afonso Lopes

Dep. Helio de Souza Foto:carlos Costa 27/09/2011

A disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa está pegando fogo e tem movimentado os bastidores como poucas vezes se viu. A eleição será somente em fevereiro, quando da posse da nova legislatura, mas as negociações estão em ponto de fervura total. De um lado está o deputado Hélio de Souza, atual presidente após a renúncia do ex-deputado Helder Valin, que foi para o Tribunal de Contas do Estado, TCE. Do outro, deputados muito mais próximos da base governista, como José Vitti, Lincoln Tejota e Chiquinho Oliveira. É nesse conflito que tem se inserido o chamado núcleo duro da futura bancada oposicionista na Assembleia, composto principalmente por Ernesto Roller, José Nelto e Adib Elias, todos do PMDB.

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Em tese, os quatro nomes colocados para a disputa pertecem à base aliada governista. Mas o efeito político da eleição indica em outra direção. Filiado ao DEM, Hélio de Souza foi eleito com os votos conquistados pela coligação liderada pelo PMDB. Ao contrário dos seus adversários na disputa pela Presidência da Assembleia. Dentre estes, o mais identificado com o Palácio das Esmeraldas é Chiquinho de Oliveira, que foi auxiliar direto do governador Marconi Perillo durante todo o terceiro mandato, e tem longa história entre os marconistas, desde o governo de Nion Albernaz na Prefeitura de Goiânia.

Congressos. Seminários. Palestras

Repercussão nacional – É de olho nessas questões essencialmente políticas que o núcleo duro da oposição tem trabalhado. Se conseguir derrotar Vitti, Lincoln e Chiquinho, fatalmente os opositores vão faturar em cima, como se fosse uma espécie de cartão de visitas para o quarto mandato de Marconi Perillo. Chiquinho, Viti e TejotaA candidatura e eleição de Hélio de Souza também agradaria ao senador eleito Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM e, hoje, principal mandato de atuação oposicionista em nível estadual.No campo federal, Caiado, embora não tenha se envolvido até agora nessa disputa, surgiria como vitorioso contra Marconi, até porque as sutilezas da atuação de Hélio de Souza como governista são nacionalmente menos conhecidas do que sua ficha de filiação.

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É com esse viés que o caldeirão da disputa na Assembleia Legislativa tem se dado até aqui. Marconi se nega a entrar de corpo e alma a favor de algum candidato, mas liberou seus auxiliares para apoiarem quem quiserem. A maioria, até pela proximidade, tem revelado apoio a Chiquinho de Oliveira. Depois dele, surgem Vitti e Lincoln. Ainda assim, publicamente eles acompanham Marconi, sem fazer declarações de apoio. Mas basta tocar no assunto com a maioria dos integrantes do comando central do governo para a preferência pessoal fluir.

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De qualquer forma, há unanimidade entre todos os auxiliares de que Marconi não deverá se pronunciar a respeito da eleição na Assembleia, nem contra e nem a favor de qualquer candidato. Oficialmente, os quatro candidatos são governistas. Alem disso, como é um poder independente, o governador acha que o assunto, publicamente, é de alçada exclusiva dos próprios deputados.

O grande problema de Hélio de Souza é sua forma de atuação política. Nos últimos quatro anos, ele sempre foi prestigiado nas administrações de Jardel Sebba e Helder Valin, mas nunca se integrou realmente ao grupo da base, optando por seguir carreira solo, e votando favoravelmente nas questões de interesse do Palácio. Essa falta de grupo foi percebida pelo núcleo duro da oposição, que se aproximou da candidatura de Hélio de Souza e foi bem recebido, especialmente após a promessa de votação fechada de toda a bancada oposicionista, que será composta por 14 deputados/votos. Para a Presidência são necessários no mínimo 21 votos.

Num balanço informal feito por um dos integrantes do grupo mais próximo de auxiliares do primeiro time de Marconi ao Jornal Opção, no final da tarde de sexta-feira, 5, o placar estaria empatado, com 14 votos para Chiquinho e os votos da oposição para Hélio. Mas as contas podem não ser exatamente essas. Pelo menos dois deputados do PT, Humberto Aidar e Adriana Accorsi, ainda não teriam definido suas preferências.

Tudo isso indica que o restante deste mês natalino e janeiro, geralmente dedicado às férias, vai ser bem mais agitado do que nos anos anteriores. A eleição para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa está pegando fogo.

O problema pode não ter se iniciado com Paulo Garcia

Paulo Garcia: Alguém vai querer a ajuda dele em 2016?

Reeleito no 1º turno em 2012, prefeito de Goiânia viu sua administração derrapar dois anos seguidos. Ele precisa se recuperar em 2015

Prefeito Paulo Garcia: se não reagir logo, corre o risco de virar pária político / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Prefeito Paulo Garcia: se não reagir logo, corre o risco de virar pária político / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Restam dois anos de mandato para o prefeito de Goiâ­nia, Paulo Garcia. Estrela do PT em 2012, quando foi reeleito no primeiro turno com quase 58% dos votos válidos, sua administração não conseguiu decolar, e hoje nem de longe lembra aquela liderança em plena ascenção, e que chegou inclusive a ser apontado como um dos possíveis candidatos ao governo do Estado. Há dois anos o governo de Goiânia coleciona desgastes sucessivamente, sem ter demonstrado em nenhum momento alguma forma de reação. O tempo dele está acabando. Ainda é possível tirar a administração do atoleiro em que se meteu, mas tem que começar a reagir agora, já em 2015.

Jamais ficou clara a origem dos problemas administrativos de Paulo Garcia. Ou ele não pode, por questões políticas e de lealdade, revelar o que originou tamanha encrenca, ou foi ele próprio que não conseguiu equacionar os problemas do cotidiano. O drama é imenso. Tanto num caso como no outro, é uma sinuca de bico. E, assim sendo, vai ser necessária uma extraordinária capacidade de superação, inclusive dos problemas que ainda não estão definitivamente solucionados, como são os casos do serviço de recolhimento do lixo, manutenção das vias públicas e da iluminação, além das fortes pressões sobre a folha de pagamento. O ano de 2014 chega ao fim sem que nada disso tenha sido resolvido. No máximo, ganhou-se algum tempo.

É claro que todos esses problemas bastante sérios podem ser resolvidos com dinheiro. Haven­do caixa, lâmpadas são trocadas, ruas esburacadas são rapidamente consertadas, o lixo é recolhido com certa rotina, e ainda se atende às demandas salariais dos servidores, que este ano foram represadas. A questão é: cadê o dinheiro?

Não se sabe exatamente como e nem em qual proporção, mas a Secretaria de Finanças acenou para Paulo Garcia com uma varinha mágica que encheria os cofres da Prefeitura instantaneamente e da forma mais fácil do mundo. Bastaria aumentar o IPTU-ITU em níveis estratosféricos, que em alguns casos, denunciados pela bancada de oposição na Câmara Municipal, atingiria 4.000%. Uma insanidade total. O custo operacional para se aprovar uma pancada dessas na Câmara sem contar com uma sólida e absolutamente fiel bancada majoritária é impagável. Principalmente levando-se em conta o nível de desgaste da imagem da administração, que tem batido sucessivos e históricos recordes, provavelmente só comparável ao auge da crise na administração de Daniel Antonio, na década de 1980, e que resultou numa intervenção estadual.

A varinha mágica, portanto, nasceu morta. Tanto que ninguém fala mais em correção/au­mento do IPTU-ITU nos níveis cogitados inicialmente. Mas a freada não foi suficiente. O aumento linear do imposto em quase 100% em dois anos, sendo 57% agora e outro tanto em 2016, também foi rechaçado até pela bancada, cada vez menor, da base do governo. Vai ter que ser menos que isso, talvez a metade, 30%, e mesmo assim certamente não vai ficar barato. Haverá, sim, algum custo operacional.

Aumentar impostos é a medida mais fácil e rotineira encontrada pelas administrações públicas no Brasil para corrigir seus próprios erros no campo da despesa. É sempre assim. Se algum governo perde as condições de administrar seus problemas, corre para o bolso do cidadão. Claro que, ao mesmo tempo, anuncia algum tipo de corte nos gastos públicos, mas que nunca é suficiente.

Qualquer que seja o índice de aumento — e neste caso não se pode falar em reajuste —, é certo que vai ser mais um golpe na popularidade de Paulo Garcia. Mas não há maneira de se combater efetivamente a crise administrativa se não tiver dinheiro além daquilo que já tem. Ou seja, dinheiro novo, limpinho e pronto para custear o equacionamento dos problemas que assolam Goiânia desde meados de 2013. Sem o aumento, Paulo poderia evitar esses novos danos de imagem, mas estaria se condenando e condenando a cidade a continuar mergulhada na crise. Dos males, portanto, o menor.

Como não será mais candidato à reeleição, até por força da legislação em vigor, o prefeito Paulo Garcia tem agora que se concentrar na recuperação de seu governo, para não virar um pária a ser evitado por todos os candidatos em 2016. Não apenas um pária, mas um zumbi a ser espancado todos os dias na campanha sucessória. Ele tem o ano que vem para fazer isso. Se ele não conseguir normalizar a vida administrativa em 2015, no ano eleitoral será praticamente impossível. Até porque lhe faltará até credibilidade para isso. E sem credibilidade, ninguém vai querer a ajuda dele em 2016.

IPTU: Prefeitura de Goiânia perdeu o passo da valsa

O prefeito Paulo Garcia diz que o IPTU/ITU tem que aumentar, em média, quase 100% em dois anos, 60% em 2015 e o restante em 2016. Parece um disparate. E é mesmo. Não que esse imposto em Goiânia esteja exatamente dentro da equidade entre o valor dos imóveis e o percentual estabelecido em lei. Ao contrário, a defasagem é imensa, abissal. O problema, portanto, não é exatamente a adequação para a realidade, mas a forma, o tempo, e a pressa com que se quer que isso seja feito. Convenhamos, 100% em uma economia que percebe alguns solavancos inflacionários, mas ainda sob certo controle e que não chega aos 10% por ano, é um despropósito.

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Mas o problema não é apenas essa relação entre a inflação e a proposta de aumento no IPTU/ITU. Provavelmente, a mais forte razão para a chiadeira ampla, geral e irrestrita que se vê atualmente em Goiânia contra o aumento é a prestação de serviço, ou a falta dela, para ser mais exato com as palavras. A administração de Paulo Garcia não consegue deslanchar. E não é apenas por falta de dinheiro. O estouro dos limites com as despesas na folha de pagamento este ano revela que tem se gastado muito mal.

Outro ponto que cria resistência na população é o caos em que se meteu a Prefeitura na mais elementar de suas tarefas: o recolhimento do lixo produzido pelos cidadãos. Se nem isso a administração goianiense consegue fazer bem, por que a população aceitaria abrir o bolso para dar mais dinheiro para a Prefeitura?

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No campo político, a relação com a Câmara Municipal é uma sandice só. O governo municipal parece que tropeça nos passos do tango sob uma orquestra que bate o bumbo de um samba do crioulo doido. Não há valsa que resista a esse canto desafinado dos cisnes.

E tome soluções completamente descabeçadas como a tal história do IPTU carimbado, um argumento sem pé nem cabeça inventado sabe-se lá por qual mente brilhante. Por ele, a Prefeitura “diz” onde, em quais obras, vai aplicar o dinheiro extra que entraria em seus cofres via aumento no IPTU. Não existe lei alguma no Brasil que garanta a aplicação desse tipo de recurso numa obra. O que existe de fato são gastos previstos na Constituição, e eles são dirigidos ao limite com o pessoal e à obrigação com saúde e educação. Além disso, e principalmente, neste momento a administração de Goiânia não tem tanta folga na credibilidade para afirmar isso ou aquilo. Simplesmente porque ninguém acredita. E como esse jogo de palavras, IPTU carimbado, não deu certo, será que a população não está mandando um recado bastante claro: “olha aqui, deixa como está. Recolha o lixo, tampe os buracos nas ruas, mantenha médicos nos Cais e os professores nas salas de aula. Depois que conseguir fazer isso, a gente conversa”.

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Dificilmente a proposta desse aumento de quase 100% de aumento no IPTU/ITU vai ser aprovado na Câmara Municipal. E o mais cruel é saber que, de todas as dezenas de impostos, taxas, “contribuições” e demais formas de as administrações brasileiras arrancar dinheiro do bolso de quem trabalha, o IPTU/ITU é o mais justo, mais transparente e de maior volume dentro das administrações municipais. E é o único gerado e gerido pela própria comunidade. É uma pena realmente o que está acontecendo.

Iris-Rezende

Oposições/2014: Por que deu tudo errado?

As eleições deste ano resultaram em autêntico desmonte das hostes
oposicionistas em Goiás. Da euforia inicial à depressão total, o que houve?

Foto: Renan Accioly

Duda Mendonça e sua bola de cristal: “Qualquer adversário vence Marconi no segundo turno” | Foto: Renan Accioly

Afonso Lopes

A imagem mais forte da euforia que dominou as alas oposicionistas em Goiás talvez seja a do publicitário e marqueteiro político Duda Mendonça, um mago de inquestionável competência. No final de janeiro, pelas mãos do então pré-candidato peemedebista Júnior Friboi, Duda esteve em Goiânia e garantiu, entre outras coisas, que o governador Marconi Perillo fatalmente seria derrotado no segundo turno “contra qualquer adversário”. Friboi acabou desistindo da briga interna no PMDB, mas o prognóstico do marqueteiro baiano não condicionava a candidatura do empresário a um possível sucesso eleitoral da oposição. “Contra qualquer adversário”, sentenciou ele na ocasião.

Se essa é a imagem que melhor sintetiza o clima que dominava a oposição no início deste ano, está longe de ser a única. Antes disso, no auge da crise financeira de 2011, nos primeiros meses do terceiro mandato, a oposição, principalmente o PMDB, emitia sucessivos sinais de que não acreditava que o governo conseguiria se recuperar. Depois, em 2012, quando explodiu a CPMI do Cachoeira, o PT nacional enxergou uma oportunidade sem igual para detonar de vez a liderança de Marconi Perillo. E, nesse embalo, a oposição materializou manifestações públicas muito mais barulhentas do que numerosas com o slogan de “Fora, Marconi”. Era o auge da euforia de uma vitória eleitoral que seria verdadeiro mamão com mel, mas que jamais se concretizou.

Um mês após as eleições, com as emoções de todos voltando ao leito original, não deixa de ser oportuno levantar fatos e ações que fizeram a realidade se impor diante do sonho eufórico e extasiado da oposição em Goiás. O que houve entre 2011/2012 e 2013/2014? Por que a oposição sofreu a sua pior e mais contundente derrota em cinco eleições?

Não é fácil agora e nem será fácil no futuro encontrar todas as explicações possíveis, nos mínimos detalhes, que resultaram na superação da mais grave crise político-eleitoral pelo governador Marconi Perillo. Jamais na história recente se assistiu a um quadro geral como esse, em que alguém vai ao subsolo do desgaste de sua imagem e se recupera de maneira tão contundente. Nesse sentido, toda essa trajetória carrega uma altíssima oportunidade de estudos aprofundados sobre as eleições de 2014. Isso, certamente, se fará de forma mais apropriada no futuro. Neste momento, e com todos os fatos ainda quentes na memória coletiva, há a possibilidade de contaminação da qualidade da análise pelo frescor da emoção.
Ainda que seja assim, não há como não apontar a eleição deste ano como um episódio que se perpetuará como exemplo, como lição. Como jamais se viu em outra disputa eleitoral no Estado de Goiás.

De maneira político-eleitoralmente infantil, além de obviamente superficial, opositores de todos os matizes resumem a recuperação de Marconi e sua quarta vitória a um único fator: investimentos em publicidade. O tema, aliás, foi severamente explorado na campanha. Mas por que essa acusação não rendeu nada em termos práticos para os acusadores? Porque, provavelmente, o dia a dia vivido pela população era outro, no sentido exatamente oposto. Em outras palavras, não era só propaganda. Era realidade. Além disso, a população não engoliu emocionalmente a farsa da acusação porque os acusadores, quando governaram, também utilizaram do mesmo expediente de comunicação social.

Outro ponto indicado pelos opositores foi a parcialidade da imprensa. Ora, mas quando a imprensa em Goiás, e no Brasil, não foi opinativa? E nem por isso em 1998 perdeu as eleições. Por sinal, provavelmente, em termos comparativos, a imprensa goiana este ano estava muito mais dividida do que naquela eleição. Em 98, e diante dos fatos, a imprensa unanimemente indicava que Iris Rezende seria eleito com sobras. A tal ponto que as pessoas, quando entrevistadas, diziam que iriam votar em Marconi, mas diziam ter certeza de que Iris venceria.

Também não foi por causa da imprensa que o PMDB atravessou uma pré-campanha sangrenta internamente. No início, com Vanderlan, que deixou o partido, e por último com Friboi. E nem foi ação jornalística que levou o comando nacional do PSB a rejeitar o acordo entre Vanderlan Cardoso e Ronaldo Caiado, fato que desencadeou um processo natural de encolhimento de Vanderlan e retração em sua capacidade de ampliar sua coligação. Também não foi a imprensa que empurrou os partidos tradicionalmente aliados incondicionais do PT para outras coligações, fato que deixou a campanha de Antônio Gomide falando sozinha.
O terceiro ponto no chororô dos opositores foi sobre um suposto inchaço de funcionários públicos na máquina administrativa estadual. Faz algum sentido essa acusação?

Aparentemente, pelo menos do ponto de vista do equilíbrio fiscal e da lei de responsabilidade, não faz sentido algum. Por sinal, o governo que rompeu os limites legais com gastos com funcionários não foi o estadual, mas o de Goiânia, comandado pelo principal aliado de Iris Rezende.

Enfim, a oposição cansou de ver problemas em Marconi e não se discutiu internamente. Em nenhum momento a oposição foi humilde o suficiente para relevar desejos e posições pessoais em nome do objetivo comum. Os opositores se embriagaram no canto da sereia de que “qualquer adversário venceria” sem levar em conta que estavam enfrentando um político absolutamente centrado administrativamente e totalmente dedicado eleitoralmente.
Marconi não venceu pela quarta vez por causa dos muitos erros cometidos ao longo do tempo pelos opositores. Venceu porque é um sujeito que acredita nele mesmo, e trabalha bastante para superar obstáculos. Se não fosse ele, não haveria para a base aliada 1998, e muito menos 2014. Mas como será sem ele, Marconi, em 2018? Para a base, o trabalho começa já, e será mais duro ainda.

Goiânia: 2016 está logo ali

No calendário “civil”, novas eleições somente dentro de longos dois anos. No calendário “político”, as articulações começam já

Afonso Lopes

Nada mais estranho para o planeta “civil” do que a lógica do tempo no mundo político. As eleições deste ano terminaram há cerca de um mês apenas, mas já tem muita gente preparando o terreno a ser trilhado nas disputas municipais de 2016. Em tese, é uma antecipação absurda. Na prática, não é, não. O que acontece é que o calendário eleitoral das eleições de 2016 começa a correr o tempo exatamente em 2015. Mais precisamente, em outubro. Em outras palavras, terminadas as festividades de Natal e ano-novo deste ano, vão ser nove meses de gestação para as candidaturas se posicionarem partidariamente. É o que diz a lei em relação ao prazo de filiação para candidatos concorrem nas eleições.

Os prazos estão marcados no calendário político. Para a população, o dia 2 de outubro de 2016, neste momento, não quer dizer absolutamente nada, a não ser para quem faz aniversário nessa data. E mesmo para os aniversariantes, muito mais relevante seria 2 de outubro do ano que vem. Pois será nesse dia, em 2016, que os goianienses e todos os demais eleitores das cidades de Goiás e do Brasil vão às urnas para escolher prefeitos e vereadores. E pelas regras em vigor, o prazo para se filiar termina um ano antes, portanto, no início de outubro de 2015.

Dúvidas

E há muito trabalho pela frente para aqueles que desde já se encontram em condições de disputar realmente o cargo de prefeito de Goiânia, e não apenas participar para marcar posição. Primeira­men­te, é necessário montar o quadro político mais agradável do ponto de vista partidário, sem perder de vista a competitividade eleitoral.

Vanderlan Cardoso, do PSB, por exemplo, é um dos nomes mais comentados nos meios políticos do Estado como um dos prováveis candidatos a prefeito da capital. E sua cotação é alta por conta da votação que ele conseguiu nas eleições para governador. Portanto, não há dúvida de que se ele realmente confirmar sua candidatura, será um concorrente forte. Dai em diante, porém, há uma montanha de dúvidas e problemas.

Inicialmente, ele terá que evitar em 2016 o que ocorreu agora em 2014, quando faltou base partidária. Será que em nível municipal Van­derlan conseguirá juntar partidos e formar uma boa coligação mesmo estando dentro do PSB? Ou ele vai optar por um caminho mais simples, em que possa usufruir de uma estrutura partidária maior e com melhor poder de fogo?

Numa sinuca bem maior está o PT do prefeito Paulo Garcia. Reeleito em 2012, mesmo que ele se recupere plenamente de todos os desgastes acumulados nestes dois primeiros anos de mandato, ele não poderá se candidatar novamente. O problema é que o PT, neste momento, tem dois bons nomes, os deputados estaduais Humberto Aidar e a delegada Adriana Accorsi, para apresentar numa possível mesa de negociação com os demais partidos, especialmente o parceiro desgarrado PMDB. Sozinho, o caminho é sempre muito mais difícil. Mas como convencer os peemedebistas a novamente apoiar um candidato do PT como ocorreu em 2012 a duras penas? Na época, o diretório metropolitano do PMDB brigou com a direção estadual, leia-se Iris Rezende, e formou dissidência. Por outro lado, os petistas vão se entregar numa coligação tendo o PMDB como cabeça de chapa sem ao menos tentar manter a principal prefeitura de Goiás no comando do partido?

Na base aliada estadual comandada pelo governador Marconi Perillo há uma certeza absoluta, a de que haverá uma ótima chance de vencer as eleições em Goiânia, especialmente se a administração de Paulo Garcia não conseguir deslanchar pra valer, e uma porção de dúvidas. Em primeiro lugar, fica estampada a hierarquia do momento. Desde 2000, quando indicou a então deputada federal e hoje senadora Lúcia Vânia como candidata à sucessão do também tucano Nion Albernaz, o PSDB não lança candidato à cabeça de chapa. Natural­men­te, é hora de o partido do go­vernador reivindicar a oportunidade de disputar a eleição com nome próprio. O problema é convencer os demais partidos aliados. Aparen­te­mente, esses partidos acabam co­brando um preço pelo apoio que dão ao governador nas eleições es­taduais. E esse preço até hoje foi pa­go sem maiores problemas pelos tu­canos, que se tornaram caudatários do processo eleitoral goianiense.

Fora essa questão, que não é tão simples, há o fato de que o partido não tem nomes indiscutíveis para a disputa. Tecnicamente, se esse for o caminho, o presidente da Agetop, Jaime Rincón, e o ex-golden boy do segundo mandato de Marconi, José Paulo Loureiro, são amplamente favoritos. O primeiro tem todas as condições de se apresentar como um bem-sucedido tocador de obras. O segundo, como um autêntico coringa especial no campo administrativo. Ou seja, quando bem trabalhadas, são características que podem receber forte apoio popular.

Se a opção for meramente eleitoral, surgem nomes como o do deputado estadual recém-eleito Mané de Oliveira, campeão absoluto de votos nas eleições deste ano, além dos deputados federais Fábio de Souza e João Campos. Rapida­mente, e sem piscar, foi possível citar cinco potenciais candidatos a prefeito de Goiânia no PSDB. Fácil resolver isso já que é questão interna? Talvez, sim, mas como convencer o PTB de Jovair Arantes ou o PSD de Vilmar Rocha a apoiar um desses tucanos?

Todas essas dúvidas e questões vão ser debatidas durante nove meses e devem estar plenamente resolvidas, inicialmente, dentro do campo de vista partidário, no início de outubro de 2015. Em resumo, não são os políticos que apressam o calendário, é a política que não para nunca.

Reforma Administrativa: Quem ganha e quem pode perder?

A intenção do governo de instituir uma profunda reforma administrativa no Estado gerou dúvidas e discussões

Presidente da Assembleia, deputado Helio de Sousa, recebe do governador o projeto da reforma administrativa (Foto: Lailson Damasio    )

Presidente da Assembleia, deputado Helio de Sousa, recebe do governador o projeto da reforma administrativa (Foto: Lailson Damasio )

Afonso Lopes

Seja entre os opositores ou no meio dos governistas, o assunto dominante na semana passada foi a proposta de reforma administrativa anunciada pelo governador Marconi Perillo. O projeto já foi encaminhado à Assembleia Legislativa. A oposição tenta faturar em cima alegando que houve uma espécie de “estelionato eleitoral”. É bobagem, mas cria frases de efeito. Além disso, o que há pra se fazer se a proposta é exatamente a de melhorar a administração pública, inclusive cortando na própria máquina político-administrativa? Já entre os setores governistas, a reforma foi um petardo. Todo mundo sabia que haveria mudança, mas ninguém fora do núcleo mais íntimo do Palácio das Esmeraldas imaginava que essa modificação na estrutura do Estado seria tão radical e profunda.

Do ponto de vista de quem mais interessa, a população, o compasso é muito mais de espera pra ver como é que vai ficar. Mesmo setores que se interessam por política fora do período eleitoral, geralmente uma parcela da população que atua como formadora de opinião, não tem se manifestado. Por várias razões, mas a principal talvez seja o fato de que nenhuma reforma produz qualquer resultado prático antes que deixe o mundo virtual do papel.

Eficiência

A declarada intenção da reforma é a economia de 300 milhões de reais por ano, o que totalizaria cerca de 1 bilhão e 200 milhões de reais ao longo do mandato de quatro anos. É um dinheiro respeitável, sem qualquer dúvida. Outro ponto apresentado pelo comando palaciano é a incerteza em relação à crise anunciada para 2015, quando a economia do país, desorganizada e maquiada este ano por conta da eleição, terá que voltar para o eixo. Esse reencontro da economia brasileira com a realidade deverá gerar tremendo desconforto na oferta de dinheiro não apenas para os cidadãos como também para a administração pública em todos os níveis. Somando o esperado saldo positivo de 300 milhões com a expectativa de tempos nada promissores em 2015, foi formado um arrazoado bastante convincente sobre a necessidade de se implantar a reforma.

Porém, ao se observar atentamente alguns pontos da proposta, há uma questão secundária do ponto de vista da mídia palaciana talvez bem mais atraente do que os fortes argumentos baseados na economia de recursos em tempos incertos. A reforma, se implantada como foi apresentada, abre a grande possibilidade de o Estado quebrar um aspecto burocrático histórico, e que sempre permeou a máquina pública no Brasil.

Para ficar em um exemplo desse salutar esperado efeito colateral da reforma proposta, pegue-se a nova estrutura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecno­lógico, que abri­gará as atuais Secretarias da In­dústria e do Comércio, de Ciência e Tecno­logia e da Agri­cul­tura e Pecuária, além da Agência de Desenvol­vimento Regional. Com a estrutura atual, um empreendedor terá que percorrer uma via crucis diabólica para definir possíveis novos investimentos.

Primeiramente, ele deve se encaminhar à Secretaria da In­dústria e Comércio para conhecer os possíveis incentivos fiscais na área pretendida. Além disso, vai observar se possibilidade de obter financiamentos a juros especiais. Depois disso, é hora de procurar a Agência de Desenvolvimento Regional para fazer o mesmo tipo de mapeamento, inclusive sobre os projetos de expansão da malha rodoviária e do potencial dos municípios. Em seguida, caso o empreendimento seja industrial ou comercial na área de pecuária ou agricultura, é hora de enfrentar o que a secretaria dessa área pode oferecer. Para fechar, se além do empreendimento ser industrial e envolver aspectos da agricultura ou pecuária do Estado, uma consulta na Se­cretaria de Ciência e Tecnologia poderá revelar se os recursos tecnológicos existentes na região onde se pretende instalar a nova empresa são compatíveis com as necessidades.

Tudo isso demanda um tempo enorme entre a pretensão de investimento e o estudo final que embasa a decisão de se investir ou não, além de um esforço enorme para compatibilizar todos os aspectos que formam a melhor composição para o novo em­pre­en­dimento. Com a nova Se­cretaria de Desenvolvimento E­conômico, o empresário vai fazer tudo isso em um único lugar: a própria secretaria, que é onde estará a Indústria e Co­mércio, a agência de Desenvolvimento, a Agricultura e Pecuária e a Ciência e Tecnologia. Mal comparando, e obedecidas as proporções, é o mesmo que um cidadão consegue dentro de um Vapt Vupt.

Quem perde

Olhando a reforma nesses pequenos aspectos, mas que podem ter grande significado depois, fica difícil entender por que setores governistas se debatem contra a proposta. Em tese, alterar a estrutura independente e divorciada das secretarias que, no fundo, apontam para a mesma direção, a do desenvolvimento da economia como um todo, é uma solução prática e altamente recomendável. Na prática, essa reforma se choca com interesses quase pessoais na área política. Ou seja, manter a Indústria e Comércio e a Agricultura como secretarias não soma para o Estado nem para a população, mas rende dividendos políticos para os que gravitam nessas áreas.

Nas primeiras discussões so­bre a nova estrutura, durante a semana, surgiram pontos apresentados como polêmicos. É o caso da Secretaria de Meio Ambiente e Cidades, que será criada com a soma das atuais Secretarias de Meio Ambiente e Recursos Hí­dri­cos com a de Cidades e In­fra­estrutura. A polêmica nesse caso é que a mesma secretaria que deverá incentivar novas obras será aquela que deverá também cuidar do impacto ambiental que essas obras vão provocar.

Na realidade, a soma das duas secretarias não provoca choque de interesses. Ao contrário, ela soma e unifica os dois pontos transformando-o em um só, o de desenvolver com responsabilidade ambiental. Hoje, com a estrutura atual, essas estruturas são quase rivais. É menos raro do que deveria ser deparar com alguma obra que mal foi iniciada e depois teve que ser paralisada por falta de licença ambiental. E também não é impossível encontrar obras completamente prontas que não conseguem a tal licença. Parece óbvio supor que sendo uma só estrutura, as obras que forem autorizadas já terão passado por todas as discussões a respeito da necessidade delas e dos impactos ambientais que devem ser reduzidos. Quem perde com isso? Os feudos políticos, apenas. A população só tem a ganhar.

Em resumo, a reforma administrativa que foi proposta pelo governador Marconi Perillo para o seu quarto período administrativo funciona muito bem no papel. Provoca economia de escassos recursos, antecipa-se à possível dificuldade sazonal que poderá surgir em 2015, além de dinamizar a forma como o Estado poderá atuar enquanto agente de desenvolvimento econômico e humano. É o tipo de soma que interessa bastante à população, onde menos é mais. O prejuízo, se é que existe a médio prazo, é somente no mercado consumidor político, onde quanto mais, melhor.

Caaido tem em Iris o grande aliado dentro do PMDB

PMDB no Divã: Somar na divisão ou diminuir o que já é pouco

Ex-maior e mais poderoso partido político de Goiás, o PMDB se encontra numa encruzilhada que vai definir seu futuro

O PMDB no dilema de apoiar Caiado ou ir para a disputa com Iris outra vez | Fernando Leite/Jornal Opção

O PMDB no dilema de apoiar Caiado ou ir para a disputa com Iris outra vez | Fernando Leite/Jornal Opção

O PMDB já foi grande, muito grande. Imen­samente grande, se me permitem falar assim. Em 1982, quando do retorno das eleições diretas para governadores de Estado, no primeiro e mais importante passo de retorno lento e gradual à normalidade democrática no país, o PMDB arrebatou multidões de goianos. Olhando de longe, desde agora até aquela eleição, e especialmente se levar em conta somente o resultado das urnas, vai parecer que foi uma coisa fácil, sem riscos e praticamente sem resistência dos derrotados. O PMDB passeou nas urnas com a vitória de Iris Rezende.

De perto, a visão crítica revela que a história de 82 foi recheada de fortes emoções e grande dose de negociação e ousadia. A ditadura ainda gerava muito medo, e as ameaças de retrocesso eram constantes. Às vésperas da eleição, Goiânia amanheceu coberta com cartazes apócrifos que reforçavam o medo coletivo que se sentia das baionetas.

Apurados os votos, que naqueles tempos eram somados na ponta do lápis, num processo que demorava alguns dias, emergiu das urnas libertárias esse PMDB que ainda hoje se percebe grande no Estado de Goiás. Se fosse possível quebrar os elos do tempo e espaço e retirar aquele PMDB de 82 para inseri-lo nos dias atuais, o PSDB e toda a aliança governista estadual seriam pouco mais que nanicos. Até porque quase toda a estrutura partidária que aí está era parte integrante do PMDB.

Esses tempos de forte hegemonia política acabaram. O PMDB, por mais que possa se fortalecer nos próximos anos, jamais voltará a ser o que já foi um dia. O que está em jogo, portanto, não é como retornar à fase áurea, mas, sim, como sobreviver às intempéries atuais.

As cinco derrotas consecutivas que o partido sofreu desde 1998 foram avassaladoras. E não foram apenas os insucessos nas urnas que transformaram o PMDB em um partido ainda forte dentro do contexto, mas que nem de muito longe pode se apresentar como grande e competitiva força político-eleitoral em Goiás. Ao longo dessa história iniciada em 1982, o PMDB encolheu no que se refere ao debate interno e, com isso, passou por um processo de seletividade de lideranças, expurgando junto qualquer possibilidade de renovação. O partido envelheceu e se tornou decadente.

Agora, mais uma vez, a história do PMDB goiano se apresenta com viés de futuro: qual o caminho a ser adotado, o de novos expurgos internos ou de reconciliação geral? A resposta a essa equação vai determinar o que o partido terá condições de construir tanto politicamente como, e consequentemente, no campo eleitoral. Na última eleição, o PMDB se viu reduzido ao ponto extremo de sua trajetória. Sua relevância se limitou ao desempenho em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Em todas as demais cidades, salvo um caso ou outro de particularidades locais, o partido foi massacrado.

Se tivesse vencido as eleições, o PMDB estaria de volta ao Olimpo dos vencedores?

Dificilmente. O partido perdeu sua condição orgânica, e se resumiu à figura de Iris Rezende. E é isso o que agora se apresenta no debate sobre o futuro: mantém-se a linha que produziu vitórias nas décadas de 1980 e 1990, e derrotas depois disso, ou reconcilia-se internamente e amplia os horizontes do debate entre as diversas alas? Em outras palavras, o PMDB pode tentar somar suas divisões ou simplesmente diminuir ainda mais o que já está pequeno.

Tanto numa decisão como na outra, não será muito fácil para o PMDB recuperar prestígio. O caminho é longo. A diferença é que num caso, o de reconciliação e ampliação dos horizontes do debate interno, ofertam ao partido a possibilidade de construir novos alicerces, enquanto no outro, o de caças às bruxas, vai se apurar imediatamente, mas com o terrível efeito colateral de caçar junto o próprio debate orgânico.

É desse divã que o PMDB sairá. O partido poderá penar as intempéries internas e partir numa direção com o campo de visão política ampliado, ou se manter limitado à sua visão unicamente irista de todo o processo. Tanto em um caso como no outro, certamente o PMDB não poderá alijar a liderança de Iris Rezende. A diferença é apenas a de campo de discussão e debate interno. Ou unicamente irista, e aí sem qualquer contestação, ou com o pensamento irista incluído, tornando-se assim mais plural diante de todas as demais correntes de atuação internas. Não deixa de ser um grande dilema: crescer e somar mesmo sem pensamento único, ou diminuir o que está dividido. Uma coisa parece inexorável. Diante de tudo o que se está vendo, o PMDB entrou em uma área de risco. Se cair mais um pouco, vai deixar de ser um dos protagonistas da política goiana para se tornar caudatário de lideranças que nem sequer frequentam suas instâncias internas. Sem somar, o PMDB não pode descartar a possibilidade de ter que apoiar o PT em 2016 e aceitar uma vice de Ronaldo Caiado em 2018. Ou isso, ou Iris mais algumas vezes.

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Gasolina chega a 3,16 reais. Lava Jato e você, tudo a ver!

Viu só para quanto subiu o preço da gasolina? Bateu em 3,16 reais. Com viés de que não vai abaixar. Talvez, ao contrário. Ao mesmo tempo, você tem acompanhado o noticiário sobre a Operação Lava Jato? Calculam que o volume roubado deve bater em 10 bilhões de reais. Tem tudo a ver.

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Nem é bom falar sobre a qualidade da gasolina que a Petrobrás, a nossa empresa, a empresa do povo, vende para para os brasileiros. É uma gororoba de péssima qualidade. De cara, vem misturada com álcool, rebatizado americanamente para etanol. Ou seja, o brasileiro compra um litro de gasolina que tem somente 750 e poucos ml de gasolina. O resto é mistura. Traduzindo isso aí: quando o sujeito abastece seu carro ou sua motoca, paga na realidade quase 4 reais pelo litro da gasolina pura.

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E antes que se pense sobre a Lava Jato e seus ladrões, vale a marcação: a gasolina que a Petrobrás nos vende é um produto tão vagabundo que ninguém mais compra no mundo todo. Só os consumidores brasileiros. É uma gasolina tão ruim que os carrões importados precisam usar uma outra gasolina porque os motores não conseguem beber tanta porcaria. Os carrões engasgam na hora que percebem o gosto da gasolina vendida aos brasileiros. Refugam na hora. Viva a Petrobrás, a sua empresa de petróleo.

Mudando de assunto, outra coisa bastante séria que vem passando ao largo. O Ministério Público Federal de Goiás abriu investigações para saber detalhes sobre uma história cabeludíssima. Crianças e adolescentes brasileiros, segundo a denúncia, estariam sendo mandados para a Venezuela para serem treinados.

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O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não falou até agora sobre esse caso. Silêncio total, mas um dos caras que mandam na Venezuela, ministro, inclusive, explicou o que estaria acontecendo. Nossos meninos e meninas são levados para lá para serem treinados como jornalistas.

É o caso de se pensar sobre essa história, sem dúvida. Se há algo absolutamente supérfluo na Venezuela atualmente é jornalista. Por lá anda faltando comida, papel higiênico e uma porção de coisas, mas jornalistas sobram. A Venezuela não precisa de mais jornalistas porque tem cada vez menos liberdade de imprensa.

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Então, para que e por que os venezuelanos estão levando nossos adolescentes para serem treinados como jornalistas? Para consumo interno não é. A conclusão é que eles vão nos devolver nossas crianças. Não treinadas, mas doutrinadas. Viva Maduro e aquele passarinho que o Chavez incorporou.

No Twitter, o ator José de Abreu (@zedeabreu), um dos maiores talentos da teledramaturgia brasileira, assume sua posição pró-governo destemidamente. Escreve com bastante propriedade sobre vários pontos, mas nem sempre acerta, o que é natural. Todos cometem erros e acertos. Ainda bem. Os erros demonstram que as divindades infalíveis são somente personagens de literatura ou contos infantis.

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Durante a prisão do Zé Dirceu, ele dizia que o PT, e particularmente o ex-presidente Lula, abandonara o companheiro.

Ontem, segunda-feira, 17, José de Abreu postou que o jornalista “Paulo Francis morreu por denunciar” os roubos na Petrobrás” em 1997, quando o presidente da republiqueta era FHC. Não consta, obviamente, na certidão de óbito que a causa do saudoso Paulo Francis tenha sido essa, mas ele realmente denunciava esquemas montados por ladrões não apenas na Petrobrás. Mas talvez tenha faltado um arremate na postagem de José de Abreu, que me permito fazer: se antes, no governo do tucano FHC, nos roubavam, agora, nos governos Lula e Dilma, continuam nos roubando. Não mudou nada, Zé. Mas tem um detalhezinho aí. O PSDB foi enxotado do poder. O PT, ainda não.

Tava aqui pensando com meus sempre atenciosos botões… Por que será que os casos de corrupção no Brasil são sempre na casa dos milhões e até bilhão pra cima? mafiaCidadezinhas pequenas, pobres de fazer dó, são assaltadas por prefeitos, secretários e vereadores o tempo todo. Roubam até comida da merenda escolar. E a escala brasileira de roubalheira vai dessas corrutelas até os escalões mais altos da república, passando, óbvio, pelos Estados. E não importa a sigla partidária do ladrão. Nesse caso, é tudo a mesmíssima coisa. PT, PSDB, PMDB, DEM, PP, PCdoB e todos os demais… Não faz a menor diferença. Tem butim para todos na grande mesa das famílias mafiosas do Brasil.

E há quem agora queira os militares de volta ao Palácio do Planalto. Pra que? Pra mudar os autores, mas manter o enredo? Essas empreiteiras aí, da Lava Jato, são quase todas remanescentes do milagre brasileiro da época dos milicos. Quase todas elas, e as mais novas são filhotes do mesmo ninho.

E nas redes sociais, Twitter especialmente, twitter negrogovernistas e opositores brigam o tempo todo para saber quem rouba ou roubou mais. Talvez fosse melhor discutir o que fazer com os ladrões e, melhor ainda, descobrir um modo de evitar que continuem nos roubando. Nesse “trieiro” e batuque que o Brasil segue, vamos nos desintegrar. É só uma questão de tempo.