Todos os posts de Afonso Lopes

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O afago aos bandidos cheios de direitos

 Sabe duma coisa? Tenho saudades, sim, dos tempos idos. Era muito mais seguro. O Brasil nunca foi um mar de tranquilidade, paz e amor, mas havia menos possibilidade de se topar com um bandido a cada esquina como é hoje.assalto_autodromo

Tá feia a coisa. Você desce do carro e sabe que poderá ser assaltado pelo motoqueiro que apontou na rua. Ou pelos rapazes que vem andando em sua direção batendo papo. Ou pelo casalzinho de mãos dadas. Por qualquer um. assalto-flagrante-550x308O crime em sua embalagem crua, cruel, de armas na mão. 24 horas por dia, 7 dias por semana, o ano todo, sem feriados, dias santificados, sábados ou domingos. É o período integral do império da violência sem limites.

Tava aqui pensando: quando isso começou? Não sei dizer. Talvez porque não exista uma data específica. Foi uma escalada. Pouco a pouco no início, muito a muito agora.

Existem mil teorias a esse respeito. Um dos argumentos que mais recebe apoio é sobre a péssima educação pública. Faz sentido, sem dúvida. Mas não consigo compreender bem essa coisa… O que falta agora sobrava antes?

aula escola anos 70

Não creio. Aliás, não mesmo. Lá atrás, há 30, 35 anos, não havia vagas para todo mundo. Hoje, tem. A única reclamação que eu escuto é que algumas vagas ficam distantes de onde o estudante mora, mas elas existem, sim. Então, nesse ponto, melhorou muito.

Então, se pelo menos existem vagas nas escolas que não existiam antigamente, por que o Brasil se transformou num dos lugares mais insanos do planeta no que se refere à segurança de cada um de nós?

Ahh, e existem mais vagas nas faculdades, nos cursos técnicos… Não, não, não. Essa conta aí não bate. Não no meu entendimento.

A outra tese que tenta explicar a atual situação é a desigualdade social. Então, tá: quer dizer que antigamente a gente era uma sociedade mais justa e igualitária? Regredimos???

O que, afinal, nos remeteu aos poucos para esta situação de morte eminente a cada momento, em cada rua, em casa saída nas ruas ou mesmo em nossas casas?

Tento recorrer mais uma vez a alguma coisa que tinha ou que não tinha antes e que tem agora. Talvez consiga ao menos vasculhar alguma pista que possa, mesmo que vagamente, apontar para o início da guerra diária que estamos vivendo, e perdendo…

Guerra cruel. Algumas pessoas começam a devolver a violência na mesma dose. Absolutamente insano, sem nenhuma dúvida. Me lembro bem do primeiro caso dessa onda recentíssima de reação das pessoas.assaltante com trava no poste

Foi contra um menor de idade, no Rio de Janeiro, flagrado furtando pessoas. Juntou uma turma, deram catiripapos no rapaz, e o prenderam com uma traquitana antifurto de bicicleta. Ganhou manchetona nos jornais, destaques nas TVs e rádios, temas de debates intermináveis sobre a barbárie.

Uma jornalista, a Rachel Sheherazade, fez um comentário dizendo que ¨compreendia¨ a reação das pessoas. E chamou o rapaz de ¨bandidinho¨.

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Vixe Maria! Foram quilos de papel jornal, horas de rádio e TV debatendo o comentário da jornalista. Virou febre, inclusive ideológica. Teve até uma deputada federal que denunciou a jornalista na Justiça.

Será que não houve uma inversão absurdamente grotesca de valores? Eu acho que sim, e sem nenhuma dúvida. A deputada condenou quem estava trabalhando, e nem reclamou de quem estava roubando. Uai???

Será que não foi isso que mudou do velho passado menos inseguro para os tempos atuais de absoluta certeza de segurança zero, a inversão de valores? Sim, pode ser por aí.

Antigamente, ladrões eram presos, ficavam presos e eram desprezados pelas pessoas. Hoje, quando presos, e sempre são presos, ficam quase nada na cadeia, voltam para cometer os mesmos crimes novamente, e são debatidos como se fossem as vítimas. Tô véio demais pra me acostumar com esses novos tempos.

cadeia

Sinceramente? Eu prefiro a moda antiga: bandido é bandido. É bandido por opção, e não por falta dela. Não estamos no Brasil que retira a maior legião de cidadãos da miséria e da pobreza? Não somos o Brasil do pleno emprego? Uai, e por que tem cada vez mais bandidos, e eles são cada vez mais violentos, cada vez mais cruéis, assassinos?

Quando estão barbarizando nas ruas, bandidos são bandidos. Quando são presos, e quase sempre eles são presos, repita-se, começa a mudar a coisa. De bandido o sujeito passa a reeducando. De um sujeito que mutila, mata sem nenhuma forma de remorso, que estraçalha dezenas e dezenas de vidas em nossas ruas, ele se transforma em vítima. De uma hora para outra. Basta ser preso. É como se houvesse um choque de amnésia: tudo o que o sujeito fez, todo o sofrimento que ele causou, de repente passa a ser consequência, e não a causa da sua prisão.

É por isso que a deputada condenou a trabalhadora e não o marginal… É por isso que muitos chegaram a defender que a trabalhadora fosse impedida de trabalhar. Deve ser por isso, mas posso estar enganado, claro. Talvez eu mesmo tenha que se reeducado para estes novos tempos. Mas não tenho certeza se daria muito certo comigo. Acho que o melhor no meu caso seria a doutrinação. Isso. Teria que ser doutrinado nesses novos tempos.

(blog santigermanchamavioleta)

(blog santigermanchamavioleta)

Quer saber? Sou um caso perdido. Reeducação não funcionaria comigo, e doutrinação também não. Acho que nestes tempos novos, eu mereço ser condenado. Quanto aos bandidos que afligem a mim e a todos nós, são dignos e humanos. Eles merecem direitos.

Ame-o ou deixe-o… De novo???

Ame-o ou deixe-o, a modinha que veio da ditadura

Ronaldo Fenômeno era xodó da patota. Era. Não é mais. É que antes ele defendia a realização da Copa do Mundo no Brasil. Agora, diante do descalabro das preparações, em que nada vai ficar pronto a tempo embora tenha custado bilhões e bilhões de reais, ele passou a ser alvo da patota irada por ter afirmado que o Brasil vai passar carão na Copa.

Adesivo de carro anos 70

Adesivo de carro anos 70

É o ame-o ou deixe-o, herança da ditadura militar e que é modinha renascida: se é a favor da Copa e dos desmandos, é o amor. Se não…

 

Brasil da Copa: 12 novos estádios, 12 mil leitos fechados

 

Este ano, aos trancos e barrancos, 12  novas e maravilhosas arenas vão ser entregues – prontas ou quase prontas.

 

No último ano, quase 12 mil leitos hospitalares foram fechados em todo o Brasil.

macas hospitalares

 

Não se fez levantamento a respeito de quantas macas hospitalares foram acrescentadas à rede pública de saúde no mesmo período.

 

Explicação do Ministério da Saúde: o Brasil acompanha a tendência mundial de ampliar o atendimento ambulatorial.

 

Óbvio: no 1º mundo, os leitos são cada vez menos necessários. No Brasil, as macas ainda são cada vez mais fundamentais.

Nem as notas novas de reais ficaram prontas para a Copa

Parece piada. No meio do ano passado, o governo, via Banco Central, resolveu incrementar o lançamento de novos modelos de notas de Reais. A meta era substituir as notas antigas pelas novas até a Copa do Mundo.

As novas notas, com tamanhos diferentes. Os 2 modelos continuam valendo

As novas notas, com tamanhos diferentes. Os 2 modelos continuam valendo

Pois não é que o BC acaba de admitir que não vai dar tempo… Houve corte no orçamento e, babau viola. Os turistas que se virem com 2 tipos de notas de dinheiro que valem a mesma coisa.

Beija mão de Afif

Beija mão Afif

Conto de fadas ou rainha Dilma? O empresário Afif Domingos, aquele que dizia numa campanha presidencial há anos que ¨juntos, chegaríamos lá¨, chegou. A foto dispensa legenda.

Direito de torrar ônibus e patrimônios?

A polícia goiana conseguiu reunir provas contra alguns estudantes que estariam por trás de manifestações incendiárias e de quebra-quebra. A Justiça aceitou os argumentos e mandou os tais estudantes para temporada na prisão.

Copa fogueira

Com apoio zero da população, alguns políticos acusam a polícia até de  tirania por colocar, com autorização da Justiça, obviamente, esses manifestantes trancafiados.

Será que o direito de se manifestar livremente inclui poder tocar fogo em ônibus e sair quebrando o que se encontra pela frente?

Nota 10 para a polícia e 10 para a Justiça.

Ana Paula discursou no ¨Volta, Iris¨

Dona Iris

Pra pano rapidíssimo: Ana Paula, filha de Iris Rezende, discursou na manifestação ¨Volta,Iris¨ que marcou a desistência de Jr Friboi. Dona Iris começou assim…

Os péssimos leitores torram o saco. Saco.

Não sei se tem alguma coisa a ver com a idade ou se é saco cheio mesmo, mas não tenho paciência com péssimos leitores. Quem são eles? São aqueles que leem uma coisa, entendem outra e concluem como querem, sem qualquer ligação com o que foi escrito.

Escrevo que ¨fulana de tal é bonita¨. O tal péssimo leitor lê isso, mas entende que eu não levei em conta que a ¨beltrana é muito mais bonita¨, e conclui que tenho segundas, terceiras e ocultas intenções de beneficiar ¨fulana¨ e sacanear ¨beltrana¨. Na cobertura política, então, péssimo leitor tam mais que mato em terreno baldio… Catzo, vai ler nas tais entrelinhas assim na PQP!. Ops…

mal-humor-1024x914Nunca tive muita paciência com esse tipo de leitor. Acho simplesmente um saco. Por mim, eu os proibiria de ler qualquer coisa, e os obrigaria a escrever dia e noite sem parar. Trabalhos forçados. Juro que ainda teria um ou outro orgasmo – não múltiplo e nem constante, por razões óbvias – ao perceber que esse tipo de leitor sentiria dores nos dedos e calor nos miolos. Seria minha vingança. Aliás, acho que muitos outros jornalistas gostariam de condenar esses péssimos leitores a queimar nesse eterno fogo… Escrever, escrever e escrever mais e mais.

carta-do-leitor

Jornalistas escrevem por paixão e por não saberem fazer outras coisas. Pelo menos, os jornalistas que gosto de ler são assim: só sabem escrever. Quanto muito, sabem também beber umas e outras e trocar ideias – debater, né? – com bons amigos e amigas. Em tempos idos, a maioria também sabia fumar feito chaminé. As redações eram ambientes horrivelmente enfumaçados. Felizmente, fumar é coisa fora de moda. Melhor assim.

cigarro amassado

Qualquer pessoa razoavelmente alfabetizada consegue escrever. Algumas, com enorme clareza, sabedoria, pertinência e bom senso. Adoro ler o que escrevem. O que as difere dos bons jornalistas é volume da obra. Uma coisa é passar uma semana ou mais elaborando um bom texto. Outra coisa é fazer a mesma coisa em escala profissional.

Acho que, paralelamente ao dinheiro curto, a única coisa que ainda me estressa no jornalismo é o péssimo leitor. No mais, é muitíssimo melhor agora do que era antes. Somente um jornalista sabe o que é o turbilhão devorador edos fechamentos diários nas redações de rádio, jornal e TV. Ninguém consegue imaginar a pressão invisível que existe, e a insana cobrança que os jornalistas se fazem a cada momento do dia para produzir um texto extraordinário e com informações diferenciadas, embaladas por enfoques absolutamente perfeitos. E bastam algumas horas para recomeçar novamente da estaca zero. O grande texto de ontem é antigo. A grande obra está morta e enterrada. É necessário fazer nascer novamente um grande texto, uma informação privilegiada e enfoques perfeitos. E mais um par de horas e.. tudo sempre igual. E de novo, e de novo, e novamente.

jornalista e textos

Quem não é jornalista deve imaginar que o jornalismo é um demoníaco devorador de mentes e esforços. Num é, não. O jornalismo é a única grande e insuperável paixão da vida de um jornalista. É amor. E é o maior barato quando se ama desde as instâncias da alma.

É claro que nem todos os jornalistas são assim. Alguns colegas tão velhos quanto eu, ou mais, acham que esse jornalismo das antigas, romântico até a medula, não existe mais. Que o jornalismo ficou plastificado demais, bitolado em alguns conceitos meramente mercadológicos. Se tornou mecanizado, automatizado e inodoro. Que o glamour da paparicação que a popularidade pode causar se transformou em objetivo das novas gerações de jornalistas.

Também acho que isso acontece. Mas nem de longe é uma regra sem exceções. Vejo montes de jornalistas jovens alucinadamente perdidos e levados pela velha paixão pelo jornalismo, pelo texto de qualidade, pela informação, pelo enfoque. Tão talentosos, e talvez melhor preparados, do que os jornalistas da era romântica. Não estão jornalistas pelo possível glamour ou pela grana que as massivas audiências ou relações proporcionam atualmente. Nasceram com o gene dessa doença que provoca amor e adoração pelo jornalismo. Acho isso fantástico.

ranzinza

Bem, mas e os tais péssimos leitores? Eles que se lasquem. Tô véio demais pra mudar. E não mudaria se estivesse novo. Só queria mesmo ser menos ranzinza… Nem tudo é perfeito, fazer o que.

Base Aliada: Momento favorável para Marconi

Jornal Opção

As oposições imaginavam em 2012 que agora, no final de maio de 2014, o governador estaria nocauteado em pé. Erraram feio

Afonso Lopes

marconi

Os tempos tenebrosos, para Marconi Perillo, começaram em abril de 2012. A base governista federal, e soube-se depois, incentivada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, instalou a CPI do Cachoeira. Foram nada menos que oito longos meses de intenso bombardeio e absolutamente nenhum resultado prático. No final, nem o relatório do deputado Odair Cunha, do PT lulista, foi aprovado.

Perda de tempo e dinheiro público, mas com objetivos políticos claríssimos. O mandato do Senador Demóstenes Torres virou pó, mas a Delta, empreiteira-mor de contratos públicos no Brasil inteiro, deixaram de ser investigados. Perto da importância e abrangência financeira da então mais poderosa empreiteira do país, todo o dinheiro de Carlinhos Cachoeira era trocado. Contra Marconi, registrou-se que ele vendeu a casa onde morava para um empresário que teria ligações com Cachoeira. Foi o primeiro caso do planeta de acusação de corrupção baseado num negócio a preço de mercado, registrado no Imposto de Renda e cujo acusado vendeu e não recebeu uma casa.

A CPI se prolongou por oito meses e não apresentou qualquer prova concreta de ligação entre Marconi e Cachoeira. Os sigilos bancários quebrados também não revelaram nada de anormal. O assunto foi esvaziado aos poucos, mas requentado sempre que possível pelos opositores do governo goiano. Ainda hoje, e certamente na campanha eleitoral, o tema será usado e martelado, mas é difícil imaginar que não é lenha que virou cinzas. Virou poeira.

Ao mesmo tempo em que enfrentava os constrangimentos via CPI, Marconi adentrou o segundo ano de mandato devendo resultados administrativos impactantes. Em 2011, ao receber o governo para seu terceiro mandato, ele encontrou um cenário típico de terra arrasada: sem dinheiro nos cofres, com dívidas fluentes vencidas, parte dos salários também atrasados, enormes demandas nas escolas e estradas e um déficit potencialmente explosivo calculado na época em 2 bilhões de reais.

Tudo somado, foram provavelmente os dois anos mais complicados de toda a vida pública de Marconi, iniciada com mandato de deputado estadual em 1990. Jamais, até então, ele havia se deparado com tantas e longas tempestades. Foi muito pior do que em 1999, quando chegou pela primeira vez ao Palácio das Esmeraldas. Também não havia dinheiro, salários eram histórica e sistematicamente pagos com atrasos e os salários dos servidores eram tão insignificantes que certas categorias recebiam abonos para não receberem menos que o salário mínimo legal.

É óbvio que as oposições rejeitam a ideia de que Marconi sobreviveu às tempestades políticas do mar revolto, endireitou a proa e seguiu para ondas muito mais favoráveis. Conforme as pesquisas de todos os institutos de Goiás, Marconi chega às vésperas da definição de candidaturas em plenas condições não apenas de disputar a eleição. Ele tem chances reais de vencer mais uma vez. E, conforme o cenário pesquisado, a vitória pode acontecer já no 1º turno.

Se o grosso da militância das oposições desdenha dos números, os pensadores avaliam de maneira diferente, e com dados reais e menos emocionais. Marconi realmente saiu praticamente da lona, no final de 2012, e recuperou a imagem e a administração. Numa comparação direta e ilustrativa desse quadro, o governo dele era o menos aprovado e o mais rejeitado entre os três níveis, municipal, estadual e federal. Hoje, bate com sobras o governo de Goiânia e está com boa vantagem positiva em relação ao governo de Brasília.
Os líderes da oposição projetavam em 2012 que o estrago político-eleitoral de Marconi era irreversível para 2014. E não construíram nenhum discurso estrutural contra ele. Primeiro, bateram nas péssimas condições dos prédios públicos que abrigam os colégios. Depois, a buraqueira terrível das rodovias estaduais. Em seguida, o péssimo atendimento na rede hospitalar estadual. Esses discursos conjunturais perderam completamente o sentido, e foram abandonados. Hoje, e ainda com temática conjuntural, os opositores esfolam o tema da insegurança, que realmente tomou proporções gigantescas. Mas o problema é nacional, comum a todas as cidades e Estados brasileiros, e a população goiana tem pleno conhecimento desse fato. Em outras palavras, o Brasil é um país inseguro, e Goiás faz parte do Brasil.

Cabe à oposição criar um bom discurso estrutural para tentar a criação de um ambiente político favorável ao debate. Como, por sinal, pregam os pensadores opositores importantes. Até pela óbvia razão prática de que não existe nenhuma perspectiva a curto prazo de que o momento favorável atual de Marconi não vai receber mais anabolizantes administrativos nos próximos meses. O acelerador já está no máximo, mas ainda não foi usado o turbo.

A renúncia que bagunçou o coreto eleitoral

Conexão: Jornal Opção

 Ninguém sabe se é só uma retirada estratégica ou definitiva, mas os problemas de Iris Rezende não acabaram

Iris Rezende vai ter de trabalhar como nunca para unir internamente o PMDB, que está bastante dividido

Iris Rezende vai ter de trabalhar como nunca para unir internamente o PMDB, que está bastante dividido

 

Júnior Friboi desistiu, mas saiu atirando forte em Iris Antônio Gomide, do PT, é o alvo preferencial agora

Júnior Friboi desistiu, mas saiu atirando forte em Iris
Antônio Gomide, do PT, é o alvo preferencial agora

É como se repentinamente uma perna da mesa se quebrasse. O que se encontra em cima perde a estabilidade, pelo menos momentaneamente. E foi mais ou menos isso o que aconteceu na última quinta-feira, 22: a mesa da sucessão eleitoral perdeu um dos seus apoios e bagunçou tudo por cima. Júnior Friboi, que até então dizia que enfrentaria seu adversário interno, Iris Rezende, até numa convenção peemedebista, resolveu dar a sua última cartada no processo ao anunciar sua retirada da disputa. Mas sem essa de beijinho no ombro. Friboi saiu atirando pesado.

Nesse aspecto, como peça acusatória, a carta de Friboi não é tão diferente assim da carta-renúncia apresentada por Iris Rezende no final do mês passado. O velho líder do PMDB acusou Friboi de abusar do poderio do dinheiro na conquista de apoios internos. Ou seja, Iris bateu exatamente onde dói. Friboi também foi nessa linha, acusando Iris de obstruir todos aqueles que tentam se candidatar ao governo do Estado pelo partido, e deu nome aos bois: Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso, e Maguito Vilela em sua possibilidade de reeleição, em 1998. Iris sempre desmentiu esses vetos, o que demonstra que a coisa o incomoda. Além disso, em outras palavras, Friboi chamou Iris de mentiroso, por dizer a ele que não seria candidato ao governo, e também quando retirou sua candidatura, mas continuou a trabalhar por ela.

A carta de Friboi foi apresentada num momento pra lá de estratégico: no exato momento em que Iris armava palanque na porta de seu escritório para saudar um grupo, incentivado por iristas, de apoio à sua candidatura. Até Ana Paula, filha de Iris, malhou Friboi com ferro em brasa, ao afirmar que o pai deveria mostrar que se faz política com amor e não com dinheiro.

O curioso nessas renúncias de Iris e de Friboi é que a segunda repercutiu muito mais do que a primeira. Quando Iris anunciou sua retirada, o mercado eleitoral reagiu sem maiores trancos. Com Friboi a reação foi bem mais espetaculosa. Isso ocorreu como consequência natural do contexto em que cada uma dessas duas pré-candidaturas está — ou estava — inserida. Iris atingiu dramaticamente seu grupo, mas Friboi extrapolou o PMDB e acertou em cheio vários partidos nanicos aliados, além da parcela majoritária do próprio partido.

O que todo mundo quer saber a partir de agora é o que virá depois. Friboi queimou seu último trunfo, e não deu sinais convincentes de que realmente pulou fora definitivamente. Iris está isolado em seu próprio grupo, hoje francamente minoritário internamente, e não tem boas perspectivas para reconquistar os peemedebistas que se mandaram para os lados de Friboi. Os aliados nanicos também caíram fora, e até anunciaram a formação de um tal grupo independente, seja lá o que isso realmente quer dizer além do fato de que retornam à prateleira do mercado eleitoral. Ou seja, Iris ganhou com a desistência (ou não, ressalte-se sempre) de Friboi, mas não levou. Pra levar alguma coisa palpável, terá que trabalhar politicamente como jamais precisou fazer.

Se internamente é quase impossível e os nanicos voltaram para a vitrine, não resta opção a Iris se não atacar a candidatura de Antônio Gomide, do PT, de modo a conquistar o partido para sua coligação. Os petistas goianos sempre se disseram prontos para assinar o termo de união com o PMDB desde que o candidato ao governo fosse Iris Rezende. Com Friboi, não. O problema é que além do quadro peemedebista não estar completa e definitivamente definido, pois está aberta a possibilidade de retorno triunfal de Friboi como um César na tomada de Roma, o PT e Gomide já avançaram demasiadamente.

Especialmente Go­mide, que abriu mão de três anos de mandato na segunda mais importante prefeitura de Goiás — Aparecida de Goiânia tem mais eleitores do que Anápolis, mas não tem a mesma dimensão política.

Iris terá que convencer geral no PMDB, dobrar as resistências de inúmeros setores petistas e convencer Gomide de que abrir mão da cabeça de chapa será uma ótima alternativa para ele. É evidente que vai ter que trabalhar dia e noite, sem descansar nos feriados, dias santos, sábados e domingos, e ainda assim não há qualquer garantia de que conseguirá alguma coisa.

Do outro lado, Gomide também pode correr do risco do machado irista e se aventurar como tertius de um entendimento no PMDB. Com Friboi, sempre se suspeitou que os iristas, o próprio Iris incluído, iriam migrar para a campanha do PT. Sem Friboi, a situação se inverteu na exata proporção, com a maior parte dos friboizistas pensando seriamente na intermediação de Gomide na solução da crise de divisão interna do PMDB. Ou seja, o caminho para um tertius.

Só que a situação de Gomide também não é coisa pra cair do céu. A única chave para ele e seu grupo chegarem a Iris Rezende e ao PMDB goianiense está nas mãos do grupo petista de Goiânia, rival até a medula de Gomide e seu grupamento. O PT nunca abre dissidências aberta e externamente, mas as disputas internas entre os grupos são absolutamente ferozes. Foi assim antes com Darci Accorsi e Pedro Wilson. É assim hoje com Paulo Garcia e Antônio Gomide. Pra se ter melhor ideia da extensão dessa encrenca interna, até agora Gomide esteve uma só vez com Paulo Garcia na Prefeitura de Goiânia. E só fez isso num programa de visitas que incluiu também Iris Rezende e o prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia. Mais sintomático, impossível.

Espólio de Friboi: Gomide e Vanderlan precisam disputar a herança dos nanicos

5 partidos nanicos que estavam dispostos a fechar coligação com o PMDB de Jr Friboi voltaram para a prateleira eleitoral. Juntos, disseram que estão formando um grupo independente, seja lá o que isso quer dizer. O recado de um dos presidentes desses partidos é bastante claro: somados, eles detêm 2 minutos de campanha no rádio e na TV e avisam que isso é um dos fatores que poderá decidir a eleição deste ano.

Propaganda enganosa? Talvez seja no que se refere ao poder de decisão final dos rumos da vitória em outubro, mas absolutamente clara quanto à propriedade comum no rádio e TV: isso vai custar algum dinheiro. Quanto? Sabe-se lá. Na bolsa-nanico/Friboi, chegou-se a falar nos bastidores em exageradíssimos 10 milhas para cada partido. Verdade ou não, sem Friboi a cotação deve baixar consideravelmente.

A sensação sem Friboi...

A sensação sem Friboi…

Chance de Gomide e Vanderlan

Com a saída de Jr Friboi e a liberação dos nanicos que o apoiavam, a vantagem do governador Marconi Perillo em termos de coligação disparou. Eles reúne praticamente todos os grandes e médios partidos que não estão na oposição, e ainda conta com vários nanicos. O PMDB com Iris está isolado, mas é ainda o partido com maior capilaridade do Estado. Ou seja, nanicos só fariam diferença no rádio e na TV.

Espólio dos nanicos de Friboi é importante para Gomide e Vanderlan. Quem levará?

Espólio dos nanicos de Friboi é importante para Gomide e Vanderlan. Quem levará?

Para Vanderlan Cardoso, do PSB, e Antônio Gomide, do PT, a situação é diferente. O quadro pior é de Vanderlan, que tem apenas 3 partidos com ele, o PSB, o PSC e o PRP. É pouco. Gomide está com o PT, e nem o tradicional aliado PCdoB faz parte do leque petista. Os comunistas formam 1 dos 5 partidos ¨independentes¨.

Pela disposição anunciada, quem quiser pelo menos 1 desses nanicos terá que adquirir o pacote inteiro, com os 5. Nem somados eles são grande coisa, mas para quem sente a água entrando no barco, como Vanderlan e Gomide, qualquer graveto vira remo.

Friboi: retirada estratégica ou definitiva? As motivações da renúncia

Jr Friboi estaria cansado, desanimado, decepcionado. Em bom português do dia a dia: de saco cheio. Saco cheio de Iris, da mulher do Iris. De ser diariamente confrontado, menosprezado e xingado pelos iristas. Esse estado de ânimo está contido na sua carta-renúncia, que explodiu como fortíssima bomba no terreno político-sucessório estadual. Uma bomba tão forte que estende seus impactos em todas as direções, além dos limites do PMDB. Mas, e sempre haverá essa pertinente dúvida, Friboi renunciou mesmo, definitivamente, ou está se recolocando estrategicamente na disputa, evitando continuar exposto a novos e continuados ataques contra ele pelos iristas? Em sua carta, no penúltimo parágrafo, essa questão fica aberta. Ele disse textualmente: ¨neste momento retiro a minha candidatura¨. Neste momento apenas?

A imponente sede da JBS no estado do Colorado, EUA

A imponente sede da JBS no estado do Colorado, EUA

Essa resposta tem uma singela e definitiva resposta, que Friboi dará ou não nos próximos dias: se ele retornar ao Estados Unidos, onde mantém uma bela casa no estado do Colorado, de onde saiu para se aventurar pela selva política goiana, ficará bastante evidente sua retirada definitiva do processo. Se ele ficar por aqui, se mantiver seu bunker político aberto e com funcionários, certamente a escapada do marruá não terá qualquer significação no aspecto ostracismo. Sua sombra vai se projetar permanentemente sobre Iris, e sobre o cenário geral como um todo.

O custo ficou muito pesado

Friboi cifrão douradoMesmo para uma das famílias economicamente mais poderosas do mundo, os custos da aventura eleitoral do filho do Zé Mineiro escaparam da razoabilidade. Do bom senso. Sem nada a apresentar como político e menos ainda eleitoralmente, Jr desembarcou na selva acenando com maços de dinheiro. Dinheiro aos montes. Buscou nada menos que um dos príncipes do marketing eleitoral do país, Duda Mendonça, com quem acertou remunerações de 30 milhões de reais. Isso é somente para Duda e sua equipe direta. Não estão computadas as enormes despesas da produção dos programas eleitorais.

Céu de brigadeiro com estrela caríssima

Céu de brigadeiro com estrela caríssima

Jr também prometeu encher os cofres dos que se declaravam aliados dele para bancar campanhas eleitorais para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Ou ele se baseou nas despesas eleitorais dos Estados Unidos, ou ele estava blefando. A primeira hipótese é a mais provável. No Brasil, a eleição é caríssima. Muito mais cara em reais do que a disputa na terra dos dólares. Bancar eleição de dezenas de candidatos e partidos para as duas Casas Legislativas é demais, mesmo para a bilionária família Friboi.

Houve um efeito colateral descontrolado nessa promessa. A negociação de apoio com partidos nanicos foi inflacionada ao ponto de se tornar irreal. Há boatos, que jamais serão confirmados oficialmente, de que alguns dirigentes de partidos minúsculos exigiam até 10 milhões de reais. Não se sabe até que ponto isso é verdadeiro, mas é inegável que há lógica.

A retirada de Fiboi, que não se sabe, repita-se, definitiva ou não, atendeu a vários aspectos. O primeiro é esse aí, do custo total da aventura. Ao sair, enxugou-se o mercado partidário, e tanto aqui como no mundo econômico, enxugamento financeiro tem o poder mágico e trágico de reduzir dramaticamente perspectivas inflacionárias. Por fim, ganhou-se um tempo de proteção contra ataques diários de Iris Rezende e seus seguidores.

O jogo acabou, ou só termina quando acaba?

Sem Friboi e com PMDB dividido, Gomide é a bola da vez

A divisão interna no PMDB sempre existiu. Ora com um grupo, ora com outro, mas sempre contra os iristas. Desta vez, maguitistas se uniram a Jr Friboi e tentaram enfraquecer a liderança de Iris Rezende, ao ponto de questionar uma nova candidatura dele ao governo de Goiás.

Iris Rezende comandou Goiânia de 2005 a março de 2010

Iris sempre massacrou seus rivais internos. Superou políticos como Henrique Santillo, Irapuan Costa Júnior, Mauro Borges e Nion Albernaz. Desta vez, porém, o velho líder realmente balançou. Internamente, Jr Friboi avançou na conquista das bases de forma avassaladora. Iris se incomodou, passou recibo das movimentações do neo-peemedebista e passou a jogar como nunca nos bastidores do partido. Chegou a se lançar candidato e a renunciar à candidatura no curtíssimo intervalo de uma semana.

Hoje, 22, foi a vez de Friboi se juntar, momentaneamente ou definitivamente, à relação dos que foram derrotados por Iris ao tentar disputar o governo do Estado. Está na companhia de Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso e até de Maguito Vilela, que era candidato natural à reeleição em 1998 mas que teve que se contentar com a disputa pelo Senado – que venceu sem dificuldades.

Nas cartas-renúncias de Iris e Friboi há um ponto comum: ambos disseram que renunciavam às suas candidaturas para não dividir o PMDB. O problema é que o partido já está profundamente dividido de cima até o alicerce. Portanto, com Iris ou com Friboi, não importa, a tão necessária unidade do PMDB goiano é como um espelho espatifado.

Sem o grupo goianiense, Gomide poderá entrar em zona perigosa para a candidatura dele

Sem o grupo goianiense, Gomide poderá entrar em zona perigosa para a candidatura dele

Sem encontrar solução interna, o PMDB pela primeira vez poderá recorrer a alguma ajuda externa? Nesse caso, qual seria a alternativa a ser trabalhada? Antônio Gomide, PT, ex-prefeito de Anápolis, pode ser esse tertius. Mas ele também convive com alguns problemas dentro das hostes de seu próprio partido.

O grupo goianiense, que tem um grande peso interno, rivaliza claramente com o grupo que Gomide integra. Hoje à tarde (22), por exemplo, assessores do prefeito Paulo Garcia eram vistos sem constrangimentos no escritório de Iris Rezende. Esses assessores nunca foram avistados nas bandas dos Gomides. Os 2 grupos não se bicam, embora isso não signifique dissidência durante a campanha.

Para se candidatar a tertius, Antônio Gomide teria que primeiro ser aceito pelo grupo goianiense, que sempre declarou preferencia pela candidatura de Iris Rezende. Só depois, e através dos goianienses, é que Gomide conseguiria se aproximar do PMDB.

E o drama do ex-prefeito anapolino ganha dimensões épicas. Caso ele não consiga evoluir seu nome como tertius do PMDB, será quase impossível para ele manter sua candidatura longe dos perigos que a proposta de coligação com o PMDB de Iris passaria a representar.

Agora, é Friboi quem apresenta carta-renúncia no PMDB

Pra quem gosta de idas, vindas, simulações e dissimulações, o PMDB goiano se transformou num prato cheio. No meio da tarde de hoje, 22, Jr Friboi repetiu gesto de Iris há algumas semanas e renunciou à sua condição de pré-candidato ao governo de Goiás. Alegou, exatamente como Iris, que sai do processo de escolha para não dividir o PMDB.

Iris-e-Friboi

E também como Iris, desceu a lenha no lombo de seu adversário interno, acusando-o de inviabilizar sua postulação. De quebra, acusou o líder tradicional do PMDB de ter sido o fator principal que igualmente afundou as candidaturas de Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso e a reeleição de Maguito Vilela, em 1998.

Friboi acusou Iris de afundar candidatura de Maguito a reeleição, em 98

Friboi acusou Iris de afundar candidatura de Maguito, em 98

Mas, e agora, o que vai acontecer? Não há qualquer dúvida de que Friboi detém o apoio da maioria do PMDB, e venceria Iris Rezende numa eventual disputa na convenção por goleada, se não por WO. Iris reconheceu essa preferência peemedebista por Friboi, mas acusou que isso era consequência direta do peso financeiro do adversário. Em outras palavras, para Iris, o apoio a Friboi foi criado e ampliado na base da grana. Surge a dúvida, portanto, se esses peemedebistas que foram acusados de se venderem vão naturalmente migrar para uma possível candidatura de Iris.

Por outro lado, levando-se em conta que o jogo ainda não terminou, até que ponto a renúncia de Jr Friboi agora não é a repetição do mesmo jogo-renúncia praticado por Iris momentos antes? É mais uma pergunta sem resposta neste momento.

Candidatura de Gomide está ameaçada?

gomide1

O PT goiano desde sempre garantiu que estava totalmente disposto a firmar coligação com o PMDB desde que o candidato do partido fosse Iris Rezende e não Friboi. Como Iris só declarou pré-candidato às vésperas do prazo final de desincompatibilização, Antônio Gomes abandonou 3 anos de mandato como prefeito de Anápolis para ser candidato ao governo pelo PT.

A renúncia de Friboi, e a consequente confirmação da candidatura de Iris Rezende, mudará alguma coisa na seara petista? É outra pergunta que não tem como ser respondida imediatamente. Até pela óbvia razão de que, se Iris renunciou antes e voltou, quem garante que Friboi também não voltará.

Os botões tem os melhores ouvidos

Me pego às vezes em pleno delírio de pensamentos. Sei lá se isso é uma coisa normal. Deve ser. Não me acho doido. Um pouquinho, talvez. Mas isso é normal, ué. Todo mundo é um pouco doido.

E falo sozinho. Não absolutamente sozinho. Converso com meus botões. Isso, sim, acho que é mais grave. Mas muita gente faz isso desde criança. Para os adultos é engraçado ver criancinhas batendo o maior papo com coleguinhas imaginários. Bobagem. A gente faz a mesma coisa, só que escondido. Quer dizer: eu faço. Algumas pessoas também fazem. É só ficar de olho nos motoristas na hora que o sinal fecha. Vidros fechados, ar condicionado ligado, música e tal e aquele blábláblá sem fim.

Com estátua eu nunca falei. Parece ser coisa de doido

Com estátua eu nunca falei. Parece ser coisa de doido

O duro é quando você tá ali, na maior prosa, e percebe que outros motoristas estão observando curiosos, tipo ¨esse maluco ali está conversando com quem?¨. Quando levo um flagra desconcertante desse uso algumas técnicas pra disfarçar. Pra não ficar parecendo doido. Bato com as palmas das duas mãos no volante ritmamente, dou umas tamboriladas com as pontas dos dedos e, de vez em quando, até balanço a cabeça levemente e dirijo imaginariamente uma orquestra. Arrá: tenho certeza que o curioso do lado pensa na hora: ¨Pô, o cara não está falando. Tá só empolgado com alguma música¨.

Ainda bem que o sinal abre rapidinho. É um saco essas pessoas que impedem meu diálogo com… meus botões. É isso, carambas: eu falo com meus botões. As crianças, inocentes, falam com seres que existem apenas na imaginação delas. Só não acho muito certo quando eu falo e eu mesmo respondo. É como se fosse aqueles desenhos de anjinho de um lado e diabinho do outro. Um fala e o outro atenta.

Diabinho_Anjinho

Às vezes tenho vontade de perguntar para amigos e amigas se eles também conversam com os botões deles. Mas fico com medo de me acharem tantã.

Por que será que a gente se incomoda tanto com aquilo que os outros pensam – que nós imaginamos que pensem – a nosso respeito? O tempo todo a gente fica se policiando: ¨Opa, será que vão pensar que eu sou isso ou sou aquilo?¨. Saco. Com tanta coisa pra conversar com nossos botões e ainda temos esse tipo de preocupação.

botãoorelha

Bom mesmo são os botões. Eles são ótimos ouvintes. Nunca falam nada. E quem cala, consente.

PS – e se por acaso me ver em algum sinal fechado tamborilando dedos ou balançando a cabeça no carro, vá te catar. Não sabe que é falta de educação ficar ouvindo a conversa dos outros? Então.