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Friboi precisa de exército, e não mais de mercenários

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A frase acusatória de Iris Rezende em sua carta-renúncia reforça a imagem de que Júnior Friboi construiu maioria no PMDB com o bolso farto. Só isso basta na eleição?

Júnior Friboi disse  que não terá problema financeiro em sua campanha: isso garante sua eleição? / Fotos: Fernando Leite - Jornal Opção

Júnior Friboi disse
que não terá problema financeiro em sua campanha: isso garante sua eleição? / Fotos: Fernando Leite – Jornal Opção

Júnior Friboi triturou Iris Rezende no afunilamento interno do PMDB rumo à sucessão estadual como jamais alguém havia conseguido fazer. No final, sem possibilidade de reagir ao vendaval do neopolítico e neopeemedebista Friboi, Iris escreveu uma carta ao diretório do partido anunciando que desistia da sua pré-candidatura ao governo. Nela, porém, Iris escreveu uma frase acusatória duríssima, de que o PMDB foi atirado num mercado de especulações pouco republicanas. Em outras palavras, dinheiro.

A acusação de Iris não parece ser dor de cotovelo por ter sido atropelado e apeado de sua liderança até então inquestionável no PMDB. Antes, quando ainda se dizia não candidato, Iris contou que Friboi andava por aí esbanjando disposição financeira. A deputada federal dona Iris, esposa dele, cansou-se de repetir nas redes sociais a acusação de que o processo dentro do partido havia se transformado em terreno minado pelo dinheiro de Friboi.

Essas declarações, longe de representar ou não a exata dimensão da realidade, reforça a imagem que se tem de que Júnior Friboi até agora ofereceu politicamente apenas promessas daquilo que o dinheiro pode comprar. Aliás, o próprio reforçou essa impressão dizendo sempre que não precisa do apoio financeiro de ninguém para custear a sua campanha ao governo. Ao contrário, disse ele várias vezes, pretende abrir os bolsos para bancar os gastos dos candidatos a deputado federal e deputado estadual do PMDB e também dos partidos que o apoiarem.

Iris Rezende: alfinetadas duras ao desistir/ Deputada Iris: destilando mágoa com o adversário

Iris Rezende: alfinetadas duras ao desistir/ Deputada Iris: destilando mágoa com o adversário

Friboi vai cumprir o que anda prometendo? Não há nada no passado dele que indique que não. Ao contrário, desde que era presidente da JBS, a controladora das empresas Friboi, ele sempre foi um grande financiador de campanhas. Não apenas aqui, mas também em outros Estados e em nível nacional. Se abriu as burras no passado, quando não era candidato, provavelmente não deixará de pagar as suas atuais promessas.

É óbvio que dinheiro fácil em campanha tem um poder de atração quase irresistível para qualquer candidato. Os gastos nas eleições brasileiras são realmente impressionantes, maiores até do que nos Estados Unidos. Os gastos dos candidatos europeus, então, são fichinha. É provável que a soma dos gastos de todos os candidatos, em todos os partidos, em um Estado como Goiás seja maior do que as despesas de campanha de candidatos à presidência/primeiro-ministro de quase todos os países europeus individualmente. Então, as palavras de Friboi de que está disposto a bancar despesas de quem for candidato do lado dele gera um poder de atração colossal, como denunciou Iris Rezende.

Mas a partir de agora o jogo será outro. Não dá pra sair por aí atrás de eleitores usando a mesma tática empregada na conquista de candidatos e de apoios partidários. Até o poder do dinheiro tem limites numa eleição majoritária, e é nesse vasto campo da confiança popular que Júnior Friboi terá que adentrar a partir de agora.

Até aqui, levando-se em conta a disputa interna, e o que transbordou para outros partidos que anunciaram apoio ao empresário e não ao PMDB, Friboi não conseguiu montar um exército disposto a “matar ou morrer” por ele. Quando muito, suas fileiras estão majoritariamente ocupadas por mercenários, que amam o bolso de Friboi e não a ele propriamente dito. Com forças estruturadas dessa forma, financeiramente, não há qualquer registro de alguém que tenha vencido eleições para o governo do Estado na era moderna, apesar das fragilidades inegáveis das regras eleitorais brasileiras. O dinheiro é fundamental nas eleições. Por falta dele, há inúmeros casos de bons candidatos que não tiveram fôlego suficiente para chegar bem ao final das campanhas, e terminaram derrotados. Mas nem todo o dinheiro do mundo é suficiente por si só para garantir uma vitória.

Nenhuma campanha eleitoral consegue se estruturar sem mão de obra remunerada. É óbvio que não. Se fosse assim, tão puro, as campanhas não seriam caras como são. Portanto, e até certo ponto, não há nada errado com a campanha de Friboi. Pelo menos, em tese. O que acontece é que ele conta somente com esse tipo de apoio, e não de um grupamento coeso cujo centro seja ele, e não o bolso dele. E são os grupos que realmente fazem campanha ao longo do tempo, “matando e morrendo” pela causa. Os mercenários podem até “matar”, mas nunca aceitam o risco de afundar junto com o capitão apenas por amor à bandeira do barco. A paixão política comprada é exatamente isso, como jornada sexual na prostituição, sem amor.

A candidatura de Júnior Friboi, portanto, tem pela frente a árdua tarefa de erguer um exército que vá além daqueles que foram eventualmente atraídos pela promessa da fartura financeira, conforme acusou Iris Rezende e admitiu o próprio Friboi com suas promessas. Para isso, terá que fazer em um ou dois meses o que os políticos históricos levam anos para conquistar. Até aqui, o jogo político pode ser resolvido à maneira Friboi, mas daqui em diante, não. Esse é o maior desafio dele a partir de agora. Um baita desafio. Mas quem disse é fácil vencer uma eleição para governador? Se alguém disse, mentiu.

Vinhos: ter ou não ter uma adega?

Quem curte um vinhozinho de vez em quando às vezes pensa em comprar uma adega. ¨Pode ser pequenininha¨, completa em pensamento. Mas será que realmente é bom ter a tal adega climatizada? É. Sempre.

Em linhas gerais, os especialistas no mundo de baco garantem que um consumo de 12 garrafas ao mês faz da adega uma peça tão importante quanto o próprio vinho. Eu, que sou apenas um bebedor rotineiro, discordo em parte. Baixo esse limite para 3 ou 4 garrafas ao mês – uma por semana, às vezes duas. Explico.

 

compacta, com 8 vagas

compacta, com 8 vagas

Comprar o vinho pela manhã ou no final da tarde e abrir a garrafa na mesma noite vale a metade. Mesmo para os vinhos que devem ser bebidos jovens. Se essa mesma garrafa descansar alguns dias na adega, vai oferecer muito mais sabor na taça.

E não se deve pensar nas grandes adegas, geralmente nos porões das mansões de grandes capitalistas apreciadores com centenas de rótulos caríssimos e de grande guarda. Como estamos falando de simples mortais de bom gosto e bebedores de grana idem, imagino adegas compactas, dessas que se parecem com frigobar. Comportam de 6 até 30 e poucas garrafas. O tamanho ideal é o tal consumo mensal. Se 3 ou 4, a adega de 8 cumpre bem sua função. Se mais de 10, 20 e poucas vagas nas prateleiras.

Essa é para pouquíssimos...

Essa é para pouquíssimos…

Bem, mas além do charme de ter uma adega – sim, o mundo do vinho tem seu charme. Qual outra bebida tem tantos tons maravilhosos de vermelho e exige taça para ser curtida em seu esplendor? -, há a questão do descanso essencial das garrafas por alguns dias. O que mais prejudica o vinho, e quando não o mata, aleija o sabor e seus cheiros, é a luz do sol. Vinhos não gostam de sol, e o sol não gosta dos vinhos. As uvas gostam de sol, os vinhos, não.

Outro aspecto ruim para a qualidade do vinho na taça é a dança da temperatura ambiente. Eles detestam o sobe e desce dos termômetros. Gostam de viver engarrafados numa temperatura só, com pouquíssima variação. Amam um friozinho e detestam o friozão. Se escondem na taça quando estão gelados demais – tintos entre 15 e 17 graus, rosés na faixa de 10 e os brancos um pouco menos. Mas não há unanimidade quanto à temperatura ideal de cada vinho. O que todos concordam é que os vinhos brancos e rosés devem ser servidos mais frios e os tintos bem menos.

Muitos bebedores dizem que gostam de tintos encorpados e de grande guarda na temperatura ambiente. Tudo bem, desde que o tal ambiente seja pelo menos o outono da Europa ou as serras do sul do Brasil. Com 20 e tantos graus, como no centro do Brasil, o tal ambiente não vale como padrão de temperatura para o vinho.

E a geladeira, na resolve o problema da temperatura? De jeito nenhum. Primeiro que ela não foi projetada para não vibrar. Vinhos são sistemáticos. Gostam de ambientes climatizados, calmos e escuros. Uso a geladeira apenas quando algum vinho precisa passar pelo decanter. Nesse caso, tiro da adega, dou mais 10 minutos no fundo da geladeira para a temperatura baixar um pouco mais, e só então passo o danado para o decanter – jarras especiais para vinhos. Uso também com espumantes e champagnes, que devem chegar às taças mais geladinhos.

Não se corre o risco de comprar uma adega e depois ela ficar pequena demais? Sempre existe esse risco, e não importa o tamanho da adega. Conheço alguns amigos que mantinham adegas de 60 garrafas. Já estão na segunda, com mais 120. Ou seja, acumulam mais ou menos 150 garrafas de vinho em casa. Parece coisa de bebedor ou de colecionador?

Com 120 vagas, comporta alguns vinhos especiais

Com 120 vagas, comporta alguns vinhos especiais

No mundo dos bebedores do cotidiano, uma adega bacana é de 23 garrafas. Tenho uma dessas. Mas nem cabe isso tudo, não. Com 22 já fica supitando. Principalmente quando tem garrafas bojudas, de Pinot Noir ou portugueses. Vale a ressalva: não tenho vinhos de grande guarda. Neste momento, por exemplo, os mais velhos da adega são 2 portugas de 2008 e um chileno bordolês de 2009. O restante é safra 2010 para frente. É o que cabe no meu bolso, e mesmo assim não é mole, não. Os vinhos no Brasil – se fossem só eles… – são caríssimos.

Bem, mas vamos lá, para as adegas. Se fosse gosta de beber apenas 3 ou 4 garrafas por mês, mas curte vinhos caros, manter as garrafas em temperatura ambiente é jogar dinheiro fora. Deixar na geladeira melhora um pouquinho, mas ainda assim perde-se qualidade na taça. Se comprar e beber no mesmo dia, então, babau montanha de reais.

Uma pequena adega resolve o problema. Esses modelos geralmente não tem compressor e trabalham com sistema termoelétrica. Essas devem ser colocadas nos lugares mais frios da casa. As outras, com compressor, podem ficar na sala, expostas – mas não ao sol, nem pela manhã.

As adegas custam caro. Sem dúvida, mas variam de acordo com a capacidade. As menores custam mais ou menos como os frigobares, um pouco mais. Vale o sacrifício, sem dúvida.

O conflito da dívida da Friboi

A informação caiu como uma bomba: o grupo empresarial da família de Jr Friboi, que ele próprio dirigia até há pouco tempo, tem demandas fiscais com o estado de Goiás que somam 1 bilhão e 300 milhões de reais. A notícia foi veiculada pelo jornal O Popular, edição de ontem, sexta-feira, 2.

Jr Friboi língua

Também ontem, em reação nas redes sociais Twitter e Facebook, Jr divulgou uma nota oficial. Em nenhum momento ele desmentiu a informação do jornal, o que se deduz que a dívida realmente existe.

Como destaca o jornalista Ricardo César, em O Popular, hoje, na nota oficial Jr disse considerar ¨estranho¨ e ¨suspeito¨ a divulgação dessa informação. Mas o que há de estranho e suspeito na notícia além do fato de que a fiscalização estadual tenha se deparado com lançamentos contábeis ¨estranhos e suspeitos¨ na empresa que pertence à família dele? Para Jr Friboi, esses dados deveriam ser sigilosos e, estranho, segundo ele, é o fato de que foram divulgados 3 dias depois que ele foi confirmado candidato do PMDB ao governo do Estado.

Caberia a pergunta: se ele considerou estranho e suspeito um jornal publicar que a empresa da família de um candidato ao governo do estado deve uma grana preta para o fisco 3 dias após o lançamento de seu nome pelo PMDB, quando é que não seria estranho e suspeito a publicação dessa notícia?

Em sua nota, Jr Friboi abriu levemente a tampa de uma caixa preta: a relação conflituosa de algumas empresas com o fisco. A fiscalização estadual questionou o não recolhimento de ICMS por parte da JBS. Jr não apenas admitiu esse fato, como disse que ¨em muitos casos¨ a empresa que ele dirigia discorda de ¨alguma cobrança¨. Caramba, 1 bilhão e 300 milhões de reais é uma mera ¨alguma cobrança¨?

Sede da JBS, nos Estados Unidos

Sede da JBS, nos Estados Unidos

 

Há um outro conflito nessa história. Até 1994, Goiás cobrava 12% de ICMS sobre a carne. No governo Maguito (1995/1998), houve redução para 7%. No primeiro mandato de Marconi Perillo (1999/2002) esse percentual caiu para apenas 3%, o mais baixo do Brasil. Só pra se ter uma melhor ideia do que isso representa, o cidadão recolhe 25% na sua conta de energia elétrica.

Jr Friboi, em sua nota, explicou que parte dessa dívida de 1 bilhão e 300 milhões de reais é resultado da compra do frigorífico Bertin. E acrescentou: se a JBS não tivesse comprado a empresa, o frigorífico teria fechado as portas e milhares de goianos teriam perdido o emprego.

Não há como contestar Jr Friboi nessa questão: se o Bertin não tivesse sido vendido, quebraria, e haveria demissões. Porém, não foi por esse motivo que a empresa da família de Friboi fez essa aquisição. Era um bom negócio, e por isso foi feito. Grana, mercado, e não emprego, é o que motivou a aquisição do Bertin.

A dívida que a JBS sabia existir no Bertin e que está sendo contestada representa 18% de todas as pendências fiscais que contribuintes ativos tem hoje no Estado. Não há como negar que há  conflito entre o desejo do cidadão Jr Friboi de se eleger governador e os interesses do estado de receber aquilo que julga ser justo. Somente o resto é política.

Quem ganha com acordo Marconi/Paulo Garcia

Chega de cara feia...

Chega de cara feia…

Quem ganha mais com o convênio que será assinado entre o Estado e a Prefeitura de Goiânia, o prefeito Paulo Garcia ou o governador Marconi Perillo? Ambos, claro, mas quem realmente fica com maior lucro é a população.

Marconi avança politicamente, sem dúvida. Demonstra, também na capital e depois de fazer isso pelo estado todo, que desenvolve política administrativa sem vícios de doutrina partidária. Paulo Garcia avança exatamente no ponto que tem estrangulado a sua imagem, a administração das funções cotidianas da prefeitura.

A população goianiense, porém, ganha mais do que Marconi e Paulo. Acordos entre entes administrativos são fundamentais na confusa relação federativa do Brasil, onde a esmagadora maioria dos recursos desembarca em Brasília (72%) e nos Estados (23%).

Não faltam exemplos dos resultados práticos dessa boa relação. A começar pelo Estado com a União. Desde sua posse, em 2011, Marconi corre atrás da presidente Dilma Roussef e dos ministros dela propondo parcerias. E da mesma forma ele tem agido com prefeitos de todas as cidades do interior. Basta ver, e para ficar em 2 exemplos, Aparecida de Goiânia, administrada pelo peemedebista Maguito Vilela, e Anápolis, comandada até o início de abril pelo petista Antônio Gomide.

A partir de agora, a sempre bela Goiânia passa a integrar essa lista de cidades beneficiadas pelas boas relações administrativas em Goiás. Alguma dúvida de que é a população quem mais ganha com isso?

Assassinato acidental???

A madrasta do garotinho Bernardo, assassinado no Rio Grande do Sul, diz que a morte dele foi acidental. Fiquei aqui pensando… Enterrar o garoto no mato e jogar soda cáustica em seu corpo também foi acidente?

bernardo

A criatividade de alguns advogados na hora de defender seus clientes bandidos é impressionante.

Na Libertadores, só sobrou o Cruzeiro

Cruzeiro Bandeira

Quem diria? Até o Atlético Mineiro se lascou na Taça Libertadores. Primeiro foi o Grêmio, que perdeu nos pênaltis em casa. Ontem, o Atlético empatou com um time colombiano, também em casa, e caiu fora. O Brasil é azul na Libertadores.

A frase de Iris Rezende

Em carta ao diretório estadual do PMDB, o ex-governador Iris Rezende anunciou sua retirada do cenário sucessório estadual, deixando aberto o caminho para o empresário bilionário Jr Friboi. Mas uma frase na carta continua queimando. Fala sobre um tal ¨mercado de especulações pouco republicanas¨ que teria acontecido na disputa peemedebista.

Iris quer boi no rolete?

Iris quer boi no rolete?

É fogo para fazer um churrascão.

Prefeito de Rio Verde pressionado

rio verde

O prefeito da principal e mais importante cidade da região Sudoeste, a mais rica de Goiás, Juraci Martins, PSD, está debaixo de pancadaria total. Há acusações de desvio de dinheiro para time de futebol, contratos que seriam suspeitos, falta de critério na aplicação de recursos e uma renca de outros pontos negativos. Hoje, no Diário da Manhã, há duas páginas sobre essas denúncias, em reportagem assinada por Hélmiton Prateado.

Se não for a tal ¨intriga da oposição¨, Juraci está lascado.

Senna Aceno

A Fórmula 1 nunca mais foi a mesma…

Senna AcenoCurva Tamburello, em Ímola, Itália. O carro azul da equipe Wiiliams estava na liderança. De repente, uma guinada à direita seguida por uma batida violentíssima no muro. Um impacto tão forte que o carro, ou o que restou dele,  rodou na grama e voltou à pista até parar completamente.

Senna carro

O mundo parou por alguns segundos. No cockpit, Ayrton Senna permaneceu imóvel.

Veja a cena.

http://www.youtube.com/watch?v=o0rbd0Z8XJI

O show tinha que continuar, e a direção da prova não declarou a morte de Senna, embora as imagens de sangue no asfalto após a retirada de seu capacete pela equipe médica, e o clima pesado no autódromo, indicava que o acidente não tinha sido apenas muito mais grave. Tinha sido fatal.

Senna atendimento

Oficialmente, Senna morreu naquele dia 1º de maio de 1994 às 13H40, horário do Brasil. O Plantão do Jornal Nacional deu, então, uma de suas mais trágicas notícias ao povo brasileiro.

http://www.youtube.com/watch?v=pswHcBtRMI0

E, então, a nação brasileira chorou. O Brasil não perdia apenas um piloto de carros de extraordinário talento. Os brasileiros perderam um ídolo que não tinha pudores de se mostrar sempre e no mundo inteiro brasileiro. O que se seguiu depois, e até o seu enterro, foi um país inteiro triste como jamais havia estado em toda a sua história.

Uma das últimas fotos de Senna antes da largada

Uma das últimas fotos de Senna antes da largada

Ainda hoje, 20 anos depois, é difícil rever as última cenas do velório de Ayrton sem que os olhos fiquem lacrimosos.

http://www.youtube.com/watch?v=xvmuHGrrbCQ

Os carrascos de Iris

 

maguito-vilela-iris-rezende-e-junior-friboi-620x450Iris tentou. No último momento, mas tentou. Foi atropelado, esmagado, massacrado. Sua carta de renúncia é carta-confissão de sua incapacidade diante do paredão peemedebista. Não deu. Acabou. Última página. A história chega ao fim.

Mas para quem Iris Rezende, uma das maiores glórias políticas da história do povo goiano, perdeu? Diretamente, para Jr Friboi. Que, aliás, nem é esse seu nome. José Batista Júnior, o filho de José Batista Sobrinho. Indiretamente, Iris viveu seu dia de Cesar no Senado romano. Foram muitas mãos, que se desejam anônimas, que fizeram Iris se debruçar diante de, provavelmente, sua maior derrota pessoal.

Doeram as derrotas para Marconi Perillo? Sim, claro, devem ter doído demais da conta. Mas Marconi era inimigo, estava do outro lado, na outra trincheira. Desta vez, não. Ele foi derrotado pelos ¨seus¨. Foi, em tradução prática, rejeitado pelos ¨seus¨. Enjeitado. Provavelmente, deve estar sendo muito mais difícil para ele esta derrota do que aquelas travadas no campo aberto do eleitorado.

Mas quem derrotou Iris Rezende dentro de ¨sua¨ própria casa. Um desconhecido recém chegado: Jr Friboi. Ou o que chegou antes do próprio, a promessa financeira. A promessa de financiar a tudo e a todos os que jurassem fidelidade. Foi ela, a promessa, que abriu as portas do PMDB, desde Brasília, para que Jr adentrasse como um conquistador viking, tilintando uma espada dourada. Iris perdeu para os bilhões e perdeu para Friboi.

Mas é ilusório acreditar que o ocaso de um dos deuses do Olimpo da política de Goiás aconteceu somente por causa de dinheiro. Não foi só isso. Iris também teve culpa, e o desfecho de Senado romano se fez também por seus próprios atos.

O primeiro foi a sua demora em dizer que queria disputar mais uma vez o governo do Estado. Ele demorou demais. Deixou companheiros perdidos e abandonados. Numa das postagens recentes, neste site, foram enumerados os 7 erros capitais que causam a derrota de candidatos ao governo. Pecado número 3: subestimar adversários (http://www.afonsolopes.com/category/eleicoes/).

Iris subestimou Jr. Achava que ele não conseguiria crescer nas pesquisas eleitorais. Acertou nesse ponto porque o adversário continua nesse aspecto um candidato anão. Mas errou ao não avaliar que a disputa era interna, e não externa.

O segundo erro de Iris é histórico: falta de compromisso financeiro em suas campanhas. Segundo algumas confidências de peemedebistas históricos, apenas em 2010 ele enfiou a mão no bolso. Nas demais, as contas foram democraticamente atiradas nas costas dos peemedebistas de todas as matizes políticas e econômico-financeiras. Jr chegou prometendo fazer exatamente o oposto disso. Ao invés de receber, vai se autofinanciar, e bancar quem mais estiver com ele.

Iris Rezende também transgrediu o pecado número 6: se imaginar a última Coca-Cola do deserto. No caso, a última Coca-Cola gelada, pronta para salvar o PMDB da sede de poder que o devora desde 1998. Friboi se mostrou como o dono da fabrica de gelo e da Coca. Tudo junto e misturado.

Por fim, Iris foi derrotado pelo único grupamento interno que ele não conseguiu expelir do PMDB: os maguitistas. Foram anos e anos, desde 1998, suportando a prepotência do domínio irista. Desta vez, os maguitistas venceram. E, pelo jeito, venceram a batalha interna derradeira. Dificilmente, Iris terá tempo suficiente para se recuperar e se preparar para dar o troco. Foi o último round, e por nocaute. Maguito Vilela talvez tenha se submetido ao último ato de submissão política a Iris Rezende quando teve que estar ao lado do velho líder quando, há 3 semanas, ele lançou-se candidato. ¨O senhor apoia a candidatura de Iris?¨, perguntaram os repórteres surpresos. ¨Você tem alguma dúvida?¨, respondeu sem responder Maguito Vilela. Não, nenhuma dúvida.

Infelizmente, nem todos são macacos…

 

 

 

 

bananaPior que jogar a banana, é não saber o que fazer com ela. Valeu, Daniel Alves

flor da bananeira   Se os preconceitos não fossem cegos, certamente poderiam ser tocados pela beleza das flores… da bananeira.

A fuga do embaixador brasileiro na Venezuela

Leandro Mazini, no Blog da Esplanada (UOL), afirma hoje que há 6 meses o embaixador do Brasil em Caracas, José Marcondes de Carvalho, saiu às pressas da Venezuela. Não foi um ato de rotina no Ministério das Relações Exteriores. Carvalho deveria ficar 5 anos no posto. Ficou apenas 2.

Ele é segue a linha do governo brasileiro com relação ao regime chavista, mas sua esposa é uma artista plástica venezuelana, e não conseguiu se manter discreta. Ao tecer críticas ao estado atual de seu país, foi ameaçada. O casal saiu às pressas de Caracas.

Cartaz venezuela

É incrível a leniência que se tem em relação a esse tipo de coisa. A esposa de um embaixador brasileiro, portanto embaixatriz, é ameaçada por radicais venezuelanos ligados ao governo e não se ouve um pio oficialmente. Será que seria a mesma coisa se o fato tivesse ocorrido nos Estados Unidos da América?

A modinha do fogo

ônibus pegando fogo

Virou modinha tocar fogo em ônibus. Atropelamento? Fogo no ônibus mesmo que o veículo do atropelador seja um carro. Cidadão é assassinado por bala perdida disparada no morro? Fogo no ônibus para protestar contra a insegurança. Polícia reage e mata traficante ou transfere chefões do banditismo de presídio? Fogo nos ônibus que estiverem por perto. Ônibus só anda lotadaço? Fogo no que resta.

Pobres diabos, não percebem que tocar fogo em ônibus movimentam a roda capitalista e enchem os bolsos das seguradoras e dos fabricantes de ônibus… Sem falar que a reposição dos ônibus é integralmente paga pelos incendiários…

A escolha de Sofia diante do monte de lixo

Que dramalhão esse da Comurg atualmente. Como não consegue recolher mais que 1 a cada 2 saquinhos de lixo doméstico, tem que escolher qual saco carregar.Delta-construçõe

E o drama é anterior a esse. Até 2012, a capital de Goiás não tinha problemas tão sérios com o lixo. Quem comandava a coisa era a Delta, a endiabrada empreiteira-mor da corrupção recente – recente, sim, porque antes eram outras empreiteiras. Elas mudam, só a corrupção é sempre a mesma, embora não exatamente menor. Mandaram a Delta embora e o resultado é esse aí. O drama sofianiano da Comurg foi concluir que era ruim com a Delta, e ficou muito pior sem ela.

Ahh, a Petrobras…

oleoduto

Mais um rombinho de quase 300 milhões de dólares foi descoberto na Petrobras, após o escândalo da refinaria ferro-velho de Pasadena. O oleoduto que liga Brasil ao Equador já gastou essa grana preta e jamais foi usado.

A Petrobras é um poço negro sem fundo. E não é de petróleo.

Vinhos: Bom e fácil de encontrar, por menos de 50

Comprar vinho bebível abaixo de 30 reais é uma tarefa e tanto. Geralmente, bons vinhos custam um pouco mais. Há exceções abaixo de 30 reais? Claro que sim, mas dependem de promoções. Jamais abaixo dos 20 e tantos. Aí, não tem milagre que dê jeito. Alguns questionam se esses vinhos até 50 paus não são caros demais para consumo rotineiro. Eu acho que não. Beber vinho não é a mesma coisa que se encharcar de chope ou cerveja. E, pensando bem, um chopinho tulipa num bar acaba custando bem mais que uma garrafa de vinho legal. Até porque ninguém fica numa só tulipinha, né? Algumas dicas de vinhos facilmente encontrados em Goiânia com preço de até 50 pilas.

J. P. Chernet

JP ChenetOpa, esta é um anti-dica. Esse francesinho é habitué das gondolas dos supermercados. Na faixa de 30 e poucos reais. É vinho fraquinho, fraquinho. Não deveria custar nem 20. Vinhos franceses são os mais caros do mundo. Encontrar alguma linhagem que realmente valha a pena na faixa de 50 não é fácil. Por 30 mangos, então, nem se fala. O melhor desse JP é a garrafa bonitinha. E só.

Don Pascual Pinot noirDon-Pascual-Pinot-Noir-Reserve

Uruguaio. A vinícola, Família Deicas, é campeã de vendas por lá, e por aqui também. É a linha mais popular da casa. Geralmente, custa pouco mais de 30 anos, mas o basicão mesmo, tannat, é mais barato.

Don Pacual Tannat

Até hoje, só encontrei esses vinhos, em Goiânia, no Carrefour. Os top da casa são o Prelúdio Guarda e o Massimo Deicas, mas aí a coisa fica muito séria: acima dos 200 reais. Fico com a linha Don Pascual.

AlamosAlamos

É o básico da maior casa argentina Catena Zapata. O melhor é o malbec, mas os outros não ficam devendo nada. Por menos de 50, mas ainda acima de 40 pilas. Já foi bem mais barato no Brasil. A coisa complicou e os preços dispararam. Se quiser um malbec, uva famosa para acompanhar churrasco, e gastar o mínimo possível sem beber coisa duvidosa, invista no Alamos. Se abrir a garrafa e beber rapidinho, vai bater um vinho meio rebelde na boca. Uns 15 ou 20 minutos depois ele se acalma e passa a oferecer mais um pouco de qualidade. Nem precisa decanter.

EA – Eugênio AlmeidaEA-eugenio_de_almeida

Português campeão de qualidade/baixo custo. Não é difícil encontrar as garrafas do EA nas lojas de Goiânia. Até em alguns bares ele aparece na carta de vinhos, mas é claro que aí o preço dispara. Aliás, a maioria dos bares de Goiânia ainda não percebeu que beber vinho não é luxo. Mas voltando ao EA, Eugênio Almeida é um ótimo fabricante do Alentejo, região mais famosa de Portugal – fora o Porto/Douro, com seus vinhos especiais. A casa fabrica também os ótimos Cartuxa Colheita e Cartuxa Reserva, igualmente famosos no Brasil, e preços a partir dos 100 paus.

ChaminéChamine

Outro portuga legal. É o básico da vinícola, a Cortes de Cima. Os rótulos são todos parecidos, mas os preços, não. Esse Chaminé custa bem próximo dos 50 reais, mas entrega boa qualidade na taça. Não é um vinho extraordinário e tal, e nem se propõe a isso. É um bom vinho, e que poderia custar um pouco menos, como de resto todos os vinhos vendidos no Brasil, inclusive os nacionais.

Doña Paula Los CardosDoña Paula Los Cardos Malbec

Esse é figura fácil nos supermercados. Acima de 40 e abaixo dos 50 reais. É hermano, mas nem por isso só faz Malbec. O Cabernet vai bem, para o preço que cobra. E aí vai depender do comes. Se for churrasco ou tira-gosto de carne, Malbec. Se encarar alguns queijos e tal, o Cabernet é melhor.

Cubo SelecionCubo Selecion

Showzaço de bola esse vinho espanhol. Não se encontra em supermercados. Pela internet é figura fácil no Google. Por aqui, só encontrei em uma loja, no Jardim Goiás. Tempranillo muito bem feito, e que recebeu boa pontuação Robert Parker, o crítico mais famoso do mundo. Não espere um vinho com muita personalidade. Não é esse o seu lado forte. Mande pra taça sabendo que vai beber um Tempranillo tranquilo e com custo equivalente.

Os sete pecados capitais de um candidato a governador

É impossível estabelecer uma lista de tarefas que  garanta a vitória eleitoral nas disputas para o governo, mas existem erros que levam quase certamente à derrota

Não há unanimidade no planeta política quando o assunto é garantir vitória eleitoral na disputa pelo governo. É claro que muitos “especialistas” espertalhões vendem bugigangas e balandandãs eleitorais como se fossem uma garantia de sucesso nas eleições, mas é uma grande bobagem acreditar nesse tipo de promessa. Bons profissionais dessa área conseguem no máximo orientar muito bem a campanha, mas sem garantir resultados.

Se indicar a vitória é impossível, o caminho inverso é muito mais simples. Há um sem número de erros que candidatos consistentes devem evitar cometer para não diminuírem as próprias chances. Em outras palavras, é mais fácil saber as coisas e ações que certamente resultam em fracasso eleitoral nas disputas pelo governo do que encontrar a fórmula perfeita que garanta a vitória.

O que pode derrotar até candidato tido como favorito

Pecado 1 – Poder econômico excessivo
É possível vencer uma grande disputa sem uma boa estrutura financeira? Não, não é. O dinheiro é fundamental numa campanha. A história registra inúmeros casos de excelentes candidatos que naufragaram por falta de dinheiro. Mas o excesso de poder econômico também pode ser um fator determinante para derrotar. Aliás, é um dos grandes fatores negativos de uma boa campanha.

Houve um caso, aqui mesmo em Goiás, ainda na década de 1980, de um candidato com estrutura tão boa que ele zanzava de cidade em cidade a bordo de um helicóptero. Em alguns bairros pobres, o sobrevoo arrancava o telhado de zinco das casas. É claro que o eleitor votou no adversário. No Estado do Tocantins, torrou tanto dinheiro na campanha que chegava em cidades muito pequenas, de 2 mil eleitores, mais ou menos, e distribuía 4 mil ou 5 mil camisetas com o seu retrato. Perdeu feio. Se é verdade que a falta de dinheiro complica a campanha, o excesso dele também provoca desastres.

2 – Falta de vivência partidária
Há políticos que ficam pulando de partido em partido e ainda assim conseguem vencer grandes disputas. Isso seria um indicativo de que vivência partidária, ou a falta dela, não tem peso na eleição. É um tremendo erro pensar dessa forma. A população não se incomoda com políticos que mudam de partido, principalmente quando já conhece o candidato de outras eleições e carnavais. O problema ocorre com novatos e com veteranos que não conhecem as próprias bases, como prefeitos, vereadores, lideranças de bairro e militantes do partido. É esse exército que garante repercussão entre os eleitores nos momentos em que o candidato não está presente. Quando não existe a convivência interna, essa relação espontânea entre base e candidato fica comprometida. É a convivência partidária que cria laços internos de reciprocidade. Sem isso, o que se consegue formar é exército mercenário.

3 – Subestimar adversários
Esse é um dos piores erros que um candidato ao governo pode cometer. Imaginar que o adversário é fraco ou que tem defeitos tão evidentes que vai se tornar presa indefesa é suplicar por derrota. É claro que estrategicamente ninguém sai por aí elogiando o potencial do adversário, mas daí a realmente acreditar que será sopa no mel derrotá-lo é loucura total.

Exemplo recente desse tipo de erro foi cometido na campanha de prefeito de Goiânia, em 2010. Paulo Garcia era visto pelos adversários como um político desconhecido, impopular, frágil e sem discurso. Quando a campanha pegou fogo pra valer, seus adversários é que se tornaram tudo isso e mais um pouco.

Outro exemplo: Goiás, 1998. O PMDB era tão hegemônico e grandioso eleitoralmente que esnobou coligações e desdenhou quase o tempo todo do candidato das oposições, o quase estreante e desconhecido Marconi Perillo, que só havia disputado e vencido duas eleições, de deputado estadual e deputado federal. No final das contas, Marconi em­pacotou de tal forma o poder peemedebista que venceu os dois turnos.

4 – Acreditar que pesquisa ganha eleição
Treino é treino, jogo é jogado e pronto. Eleição é isso. Pesquisa é termômetro de determinados momentos, não uma projeção de resultados para o dia da eleição. Acreditar demasiadamente nas pesquisas leva candidatos favoritos a resultados pavorosos.

Muitos candidatos são atropelados por adversários que em determinado momento da campanha demonstravam não ter força nenhuma. E aí, relaxam na hora errada. Candidatos vitoriosos costumam pisar no acelerador com mais vontade ainda quando se isolam na liderança das pesquisas.

Dentre os modais de pesquisas, o mais perigoso para os candidatos é a qualitativa. Como se trata de um levantamento científico interpretativo, se o instituto não for realmente bom nesse riscado fatalmente vai produzir um fiasco eleitoral. Sem falar que também nessa área existem picaretas, embora eles sejam mais comuns nas pesquisas quantitativas.

Se pesquisa tivesse tanta influência sobre o eleitorado como alguns avaliam que tem, não haveria virada em eleição. Novamente dois exemplos, ambos de Goiânia. Em 1996, Maria Valadão correu o tempo todo como segunda colocada, bem à frente do terceiro, Pedro Wilson. Apurados os votos, Pedro quase ganhou a eleição, fechando na segunda posição. Em 2004, e novamente com Pedro Wilson, ocorreu a mesma coisa. Pedro se arrastava na quarta posição, chegou a terceiro, mas não tinha, segundo as pesquisas, nenhuma chance de ir para o segundo turno. Foi, e o segundo colocado virou terceiro.

5 – Discurso vazio, desinformado ou prepotente
É pecado capital um discurso mal elaborado. A questão não é exatamente falar com desenvoltura. Se, sim, ótimo. Se, não, é superável. O que não pode é falar coisas sem pé nem cabeça. O eleitor é muito menos bobo do que se imagina que ele é.

O candidato precisa realmente conhecer o assunto para poder falar sobre ele de maneira convincente. E se não conhecer e for pro­vocado, deve raspar bem leve e super­ficialmente. Soa mais honesto do que entoar loas que a população sabe serem falsas.

Outra coisa é saber a solução para todos os problemas por mais complexos que eles sejam. Muitas vezes, esse tipo de discurso anda de mãos dadas com o discurso vazio. É a junção do ruim com o péssimo, a prepotência do pleno co­nhecimento sobre tudo e a petulância de não falar nada com palavras empoladas.

A desinformação acaba com a cre­dibilidade de um candidato. Em 2006, liderando as pesquisas, o plano de governo de Maguito Vilela (soluções fáceis para tudo) incluiu o asfaltamento de uma rodovia de terra localizada no sul do Estado. O adversário pintou e bordou em cima da gafe: a tal estrada tinha sido asfaltada pelo governo.

6 – Se imaginar a última Coca-Cola do deserto
Há candidatos que se imaginam muito melhor do que realmente são. Acreditam realmente que exercem um poder de sedução tão grande quanto irresistível. Para este tipo de candidato, existem apenas dois eleitores: o que o conhece, e por isso o adora, e os que ainda não o veneram porque não o conhecem. Para esse tipo de can­di­dato, seria melhor e menos perigoso elei­toralmente se ele acreditasse em Papai Noel.

7 – Não conseguir fortes coligações
Houve um tempo nas disputas eleitorais brasileiras em que um partido era suficiente para vencer qualquer eleição. Foi no berçário do pluripartidarismo que se tem hoje. Antes, na ditadura civil-militar, eram só dois partidos. Na década de 1980, até meados da seguinte, 1990, bastava a um partido ter forte capilaridade para se estabelecer com ótimas chances eleitorais.

Isso acabou faz tempo. Nenhum partido hoje conseguiria vencer uma grande disputa sozinho. É extremamente necessário somar forças. Se um candidato não consegue convencer outros partidos, como é que ele quer convencer a maioria do eleitorado? O candidato do bloco do “eu sozinho” até que funcionava em determinadas eleições no passado. Hoje, não chegaria sequer à metade da Sapucaí eleitoral.

Enfim, um candidato que cometer esses erros básicos numa campanha constrói uma derrota mais do que previsível, e a probabilidade de ser eleito ainda assim é praticamente nula.

Ideal de Iris é montar chapa semelhante à de 2010

Conexões: Jornal Opção
Iristas têm uma meta: fazer uma composição com Júnior Friboi pacificado na vice e o PT de Gomide atraído para o Senado

Iris Rezende acredita que agora poderá montar uma chapa que consiga alcançar os votos que faltaram em 2010 / Fotos: Fernando Leite - Jornal Opção

Qualquer irista sabe de cor e salteado recitar o mantra da chapa ideal do PMDB para as eleições deste ano. É o próprio Iris Rezende na cabeça da chapa, Júnior Friboi como candidato a vice-governador e o ex-prefeito anapolino Antônio Gomide na disputa pelo Senado. Alguma semelhança com 2010? Total, pelo menos no esqueleto da composição.

Júnior Friboi seria o vice ideal na chapa irista

Júnior Friboi seria o vice ideal na chapa irista

Na eleição passada, Iris encabeçou a chapa ao governo, teve um can­didato a vice do PMDB, Marcelo Melo, e um petista na luta pelo Se­nado, Pedro Wilson — o outro foi Adib Elias. Era uma chapa extremamente competitiva, sem dúvida, mas não foi suficiente para derrotar Marconi Perillo e seu grupamento. É igualzinho o que se propõe agora: Iris na cabeça, um vice do PMDB e um senador do PT.

Em 2010, quase deu certo. Fal­tou pouco, essa que é a verdade. Pro­vavelmente, foi a eleição mais difícil enfrentada por Marconi Perillo. Até mais que em 1998, quando surpreendeu geral e derrotou o até então mito imbatível Iris Rezende e o PMDB. Em 98, Mar­co­ni era franco atirador, e fez uma campanha bem estruturada, mas empurrada muito mais por seu próprio ânimo amalucado de que, aos 30 e poucos anos, com apenas duas eleições para deputado – estadual e federal – poderia derrotar um deus do Olimpo da mitologia política de Goiás. O curso normal da história in­dicava que Iris seria eleito em 98 com absoluta tranquilidade. Então, aquela eleição, para Marconi, foi um mérito pessoal absoluto, que jamais poderá ser suplantado, mas perante a história tornou-se um marco de algo inusitado do qual ele foi protagonista. Não mais do que isso, embora com outros desdobramentos.

Antônio Gomide, do PT, seria o candiato ao Senado

Antônio Gomide, do PT, seria o candiato ao Senado

Em 2002, na sua reeleição, Mar­coni conseguiu se superar em um ano. Em outubro de 2001, ele estava praticamente 17% atrás de outro gran­de rival peemedebista, o então ex-governador Maguito Vilela, que tinha tudo para ser reeleito em 1998, mas que não pôde ser candidato à reeleição. Marconi ganhou com 51,2% dos votos válidos, já no primeiro turno.

Em 2010, Goiás viveu um clima de copa do mundo eleitoral. E a decisão final entre Iris e Marconi foi sensacional. Cada dia de campanha no segundo turno era como um estádio lamentando o gol perdido pelo artilheiro ou comemorando defesa milagrosa do goleiro.

Iris poderia, sim, ter vencido em 2010. No papel, era a estrutura absolutamente impecável. Tinha o declarado apoio de dois governos: do dele próprio, nas mãos do prefeito-herdeiro de seu mandato como prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, e de Luiz Inácio Lula da Silva e sua candidata à sucessão presidencial, Dilma Roussef. De quebra, o Palácio das Esmeraldas, conquistado pelos adversários liderados por Marconi em 98, reconfirmado em 2002 e mantido em 2006 com Alcides Rodrigues, havia se transformado em chicote a açoitar o lombo eleitoral e político de Marconi ao longo de pelo menos três anos e meio. Ou seja, Marconi estava completamente desprovido de poder palaciano para enfrentar máquinas poderosas.

Mas, como se sabe, faltaram alguns poucos pontos porcentuais de votos para Iris Rezende em 2010. Pra ser exato, se Iris tivesse conquistado no segundo turno mais 3% dos votos válidos, algo como 87 mil e 500 eleitores, que optaram por Marconi, teria sido ele, Iris, o vencedor. Diante de um universo de quase 3 milhões de votos válidos daquela eleição, foi por pouco.

Passou raspando em 2010, mas consolidou de vez a liderança de Marconi em relação ao que ele é e representa dentro desse eixo vencedor desde 1998. Naquela primeira vitória, foi quase um acaso do destino. Em 2002, ele tinha a máquina nas mãos. Em 2006, ele carregou seu antigo vice com sua imensa popularidade. Em 2010, ele, Marconi, escreveu sua história na rocha da memória eleitoral do Estado. E agora?

Os iristas querem uma revanche nos mesmos moldes de 2010, pelo menos quanto ao seu próprio time, com Iris, um peemedebista na vice e um petista para o Senado. Imaginam que, desde 2011, Marconi não é mais tão imbatível como foi antes. Aqueles 88 mil eleitores não conquistados em 2010 e que custaram a derrota no segundo turno continuam atravessados na garganta dos iristas. Essa chapa, então, a idealizada pelos iristas – e pelo próprio Iris, é claro – seria o sonho de consumo dos deuses eleitorais.

Tudo isso é verdade? Claro que é, mas nem tudo é visto dessa forma, por esse prisma irista. Júnior Friboi, por exemplo, um conquistador do capitalismo de Estado — seu grupo empresarial é o maior do mundo no ramo de carnes, mas também é o que mais recebeu dinheiro estatal para crescer —, quer que seja ele o conquistador dos tais 88 mil votos. Friboi se imagina o viking mo­der­no que irá barbarizar eleitoralmente as terras do sul depois de con­quistar economicamente o gado e as galinhas de corte das A­méricas. E Antônio Gomide já pa­rece ter sido completamente dominado pelos sonhos azulados provocados pela mosca da eleição.

E assim se resume o grande dramalhão vivido pelas oposições a Marconi Perillo nesta fase de predefinição. Vão enfrentar um governador que, principalmente após 2010, conhece totalmente as suas próprias forças e suas limitações. Um político que sabe mapear com rara competência o quadro eleitoral e que consegue crescer com adversidades ou não. E os que lhe fazem oposição ainda se vestem de Dom Quixote de La Mancha, e imaginam que o cavaleiro a ser enfrentado é um estático moinho de vento carcomido pelo tempo de poder.