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Diário íntimo de um velho repórter: É muita conversa estéril entre azul, vermelho e verde numa realidade em preto e branco

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Tá fácil não. Caramba, dia sim e no outro também, tá lá o presidente falando potoca. Não, não é só uma questão de liturgia do cargo que é desrespeitada, quebrada e humilhada. Igualmente não é simplicidade ou sinceridade. Também não é questão de postura, como a falácia de que ele ganhou a eleição se expressando da forma como se expressa hoje. A não ser que ele tenha falado que para melhorar o ambiente urbano é só comer menos e defecar três ou quatro vezes na semana, ou que entre escolher os próprios filhos e os filhos de todos os eleitores, como presidente da República ele iria escolher os dele. Ele não defendeu essas teses na campanha. Portanto, não é uma questão de racionalidade, mas de insanidade, petulância, arrogância.

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Desde a Presidência de Lula, o Brasil é governado por imbecís aplicadores da tese de Maquiavel – de que é preciso dividir a população para governar com mais tranquilidade. Isso pode até ter sido válido para alguns reinos e impérios da idade Média, mas nem naquela época servia para todos. A Inglaterra é o melhor exemplo disso. Quando havia profunda divisão interna, a França atacava e levada vantagem. Quanto os ingleses se uniam, os franceses saíam correndo. O pequenino Japão e seus imperadores adorados por todo o povo como deuses jamais se apequenou para o seu vizinho gigante, a China. Ao contrário.

Pois é a imbecilidade da divisão da sociedade que reina em nosso estúpido reino. E penetra-se num jogo de mentiras deslavadas repetidas à exaustão como se verdades fossem. Antes, venderam que a oposição aos erros praticados – e hoje sabe-se muito bem o verdadeiro propósito deles – é coisa de rico que não quer pobre viajando de avião ou formando filhos em faculdades de medicina. Criam versões pseudocientíficas para justificar a burrice do estoque de vento. Assim como agora, se justifica, com algum rigor nesta interpretação, é verdade, que ambiente urbano deteriorado tem como parte da solução… prisão de ventre.

Pega-se um título acadêmico expressivo, como o de uma certa professora universitária, e da à sua portadora a autorização intelectual para que ela anuncie – e deve-se reconhecer que aqui não há o contexto total em que a idiotice a seguir foi dita – seu ódio à classe média. Sob aplausos e sorriso de um maroto trabalhador braçal semialfabetizado que amealhou alguns milhões como patrimônio e chegou à Presidência do pobre país.

Presidente este que admitiu publicamente que o filho era um “fenômeno dos negócios” apesar de o “garoto” ter passado boa parte da vida como um errante fracassado, que recolhia fezes de animais em um zoológico, até que acumulou patrimônio respeitável de maneira fácil e muito rapidamente, `coincidentemente” no mesmo período de tempo em que o pai ocupava o Palácio do Planalto.

E o que se tem hoje é muito semelhante a isso quando se constrói palacianamente uma blindagem a Flávio Bolsonaro que é, pra dizer o mínimo, suspeito de ter mantido uma relação pra lá de estranha com um motorista/policial reformado dono de movimentação milionária totalmente fora de seu histórico de renda conhecida e legal.

Na insanidade coletiva da divisão estão duas frases, proferidas em tom antagônico, bem representativas. “E o Lula?”, perguntam uns para aliviar a barra do governo atual. “Cadê o Queiroz?”, responde o outro lado. E assim se encerra um jogo que só tem perdedores de ambos os lados. Fim de uma peleja que não faz concessão à inteligência do debate.

Os exemplos assemelhados, mas sempre com o mesmo objetivo, infestam o pensamento social brasileiro massificado. “Saudades do governo Lula”, suspiram. Seria o caso de se perguntar: saudades de um tempo em que se gastava no “cheque especial” enquanto a cúpula boiava num oceano de dinheiro desviado, ou a saudade é do custo de arenas de futebol e centro olímpico desnecessários tocados a peso de ouro pela corrupção que enricava piratas travestidos de políticos ao mesmo tempo em que hospitais públicos se deterioravam dia após dia?

Não, não há nenhuma razão para ter saudade dos erros dos governos anteriores e nem alguma forma de compreensão que amenize os erros do governo atual. Como ter saudade da troca de monopólio estatal para monopólio privado como irresponsavelmente Fernando Henrique Cardoso fez no governo dele. Aliás, copiando exatamente o que também aconteceu na Rússia, e que gerou um grupo de poderosos, alguns deles integrantes de autênticas máfias. Como ter saudade de um governo que encheu as burras de meia dúzia de banqueiros com dinheiro de todos e confiscou parcelas da aposentadoria de milhões de trabalhadores celetistas com a implantação do fator previdenciário?

Há exceções no oceano de imbecis e malandros que povoam a direita e a esquerda no Brasil. O difícil é conseguir ouví-las com tanto barulho infantilizado pela briguinha das cores. Primeiro era o azul. Depois, o vermelho. Agora, o verde. Sonhar um futuro melhor não é possível apenas com esse colorido. A realidade da maioria da população é somente um filminho desbotado em preto e branco.