Barulho contra Dilma diminui, mas insatisfação continua

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A crise que se abateu sobre o país diante de um ajuste fiscal caolho, que só enxerga para o aumento dos impostos e mantém os altos e perdulários gastos com a manutenção da monstruosa máquina administrativa, que inclui provavelmente um recorde universal de Ministérios, vai manter a economia em banho maria. E é óbvio que isso terá reflexos na insatisfação com os rumos do governo da presidenta Dilma Roussef. Provavelmente, os movimentos de rua dos meses de março e abril não vão ser repetidos. Pelo menos, não com a mesma intensidade. Aliás, entre março e abril o número de manifestantes caiu.

manifestação

É natural que isso ocorra. Inclusive, pelo erro na motivação. Os organizadores enfatizaram demais para pontos bobos, com apelo imediato, mas tão duradouros como fogo em palha seca. Um dos grupos pedia, e pede, a volta dos generais. O outro, restando quatro longos anos de mandato, bradava um destoado “fora, Dilma”. É óbvio que algo assim não iria motivar muito tempo tanta gente. Paralelamente a isso, os petistas, geralmente arrogantes e desafiadores, se acovardaram. Antes desafiadores, se recolheram diante da massa. Nem nas redes sociais ousaram manter a outrora agressividade contra os opositores, desdenhados desde sempre como meros coxinhas, golpistas e outros adjetivos tão idiotas quanto.

moeda comida

Insatisfação – Mas é ilusório acreditar que a população se conformou. Ao contrário, o barulho nas ruas diminuiu, e vai continuar diminuindo, mas a insatisfação com os rumos do ajuste financeiro, não. A crise econômica planetária, originada numa bolha especulativa americano-européia, no já distante ano de 2008, foi combatida de duas maneiras: nos Estados Unidos, com salvaguardas financeiras contra grandes conglomerados industriais, e na Europa, com cortes radicalíssimos nos gastos públicos e na dramática redução dos custos administrativos dos governos. O governo Dilma não adotou nem um modelo e nem outro. Preferiu avançar mais ainda sobre o bolso da população, com aumento generalizado dos preços controlados, disparada do dólar e carga tributária ainda maior.

leão da receita

Quanto aos gastos da máquina, eles continuam como dantes nesse quartel da insensatez. Dos 39 Ministérios, que talvez nem a própria Dilma consiga enumerá-los sem precisar “colar”, nem um único foi extinto. Das ajudas enviadas a outros países, como Cuba ou Bolívia, nada, nenhum corte ou contingenciamento. Em todo o plano de ajuste fiscal da presidenta Dilma Roussef não há um único ponto de corte na própria carne. Nada.

povo-nas-ruas

É evidente que esse conjunto de fatores não tem imediato apelo popular suficiente para encher as ruas de pessoas, mas o estrago está sendo causado nas estruturas. A cada ida ao supermercado ou a cada final de mês diante do contra-cheque, um pouquinho a mais de insatisfação está sendo acrescentado.

Onde isso vai parar? Provavelmente, nas próximas eleições, que é a época e o lugar adequados para se avaliar os governantes.