Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu...

Bobagens de um velho repórter sobre jornalismo…

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Há algum tempo, um jovem – aliás, um grupinho de uns 4 ou 5 – me cercou na PUC de Goiânia.

– Cara, estamos começando o curso de jornalismo. Qual é a dica de um cara experiente como você?

Putz, a pergunta me pegou desprevenido, desarmado completamente. Olhei à minha volta e percebi olhares ansiosos por uma resposta encorajadora. Estava na PUC atendendo a convite bastante gentil de um amigo-professor de comunicação. Deveria falar sobre a minha experiência e responder as dúvidas dos alunos.

Não teria tempo de elaborar uma resposta digna de uma dúvida como essa: qual é a dica de quem tem 41 anos de vida nas redações para aqueles que querem entrar profissionalmente nessa roda viva.

Respondi a primeira coisa que me veio à cabeça – evidentemente, uma pergunta: “O que vocês fazem sábado e domingo? Preparem-se para perdê-los para a profissão”.

A turma olhou um para o outro,  e saiu do meu alcance sem mais. Não sei o que disseram entre eles. Não me interessa saber também.

Não sei, até hoje, se fiz bem ou se fiz mal ao falar o que falei, mas tenho certeza de que disse o que vivi. Não tive centenas de sábados, centenas de domingos. Nem vou computar os feriados, que para os jornalistas é dia normal.

O jornalismo é isso: sacrifício, dedicação. A imagem que se tem fora, de glamour e altos salários, é irreal. Quer saber mesmo? O jornalismo é uma porcaria de ofício que remunera mal, exige muito trabalho, é estafante e estressante ao máximo. Só deve ser jornalista quem não pode viver de outra forma.

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu...

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu…( e sempre a reproduzo)

Noutro dia falei para uma turma avançada de jornalismo na faculdade Alfa, também de Goiânia. Lá pelas tantas, perguntei aos alunos: “Quem aqui acha que vai ingressar no mercado de trabalho?”. Quase todos levantaram as mãos. Chamei um dos que não se manifestou: “O que você faz aqui se acha que não será jornalista?”. Ele me respondeu com muita sinceridade: Vou ter um diploma de uma profissão nobre.

“Ou seja – e eu disse isso a ele e aos demais – isso é um glamour que não existe. Não é o diploma. É o sacrifício. A maioria de vocês vai seguir outros caminhos. Sabem por que? Não cabe todo mundo nesse mercado”.

Ahhh, mas não ligue para nada do que eu disse aqui. São bobagens de um velho repórte