Carta de um diabético ao senador Jorge Kajuru

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Senador,

li dia desses uma postagem sua afirmando que irá trabalhar em Brasília de 2ª à 6ª. Não tenho nenhuma dúvida de que o senhor fará isso. Eu o conheço desde a década de 1980, e trabalhamos juntos várias vezes – em algumas como colegas de uma mesma empresa, em outros como seu contratado e em uma dessas vezes, eu, como representante de um veículo de comunicação que lhe propôs uma grande parceria vantajosa para os dois lados. Portanto, sei que o senhor vai trabalhar mesmo a semana toda e em período integral. Sempre o considerei um workaholic maluco – desses que se entregam de tal forma ao labor que faz disso provavelmente uma extraordinária forma prazeirosa de viver.

Recentemente, ao encontrá-lo rapidamente na despedida de um colega, lhe informei que escreveria esta carta ao senhor, e o pedido que aqui farei. Sua resposta foi peremptória e de bate-prontíssimo: “Eu vou fazer”. Eu sei, respondi, mas outros não sabem.

O pedido é simples. Na campanha eleitoral o senhor se comprometeu com uma bandeira temática que chama alguma atenção na sociedade, mas não como deveria: diabetes. Até mesmo portadores da doença relegam seus efeitos arrasadores, e só se dão conta da gravidade quando muito ou todo estrago já foi feito.

Nas conversas que mantenho com pessoas do meu círculo social, a maioria associa diabetes ao açúcar. Comer muito doces e docinhos causa diabetes, acreditam. A desinformação é total, e por isso o perigo aumenta. O diabetes não mata, costuma-se dizer nas ruas. É verdade, não mata, mas é anabolizante para o recrudescimento das doenças que matam ou aleijam. Pessoas que poderiam viver por muito mais tempo e com boa saúde morrem precocemente. Outras, se veem definhar sem ter muito mais o que fazer se essa etapa é atingida. A diabetes não mata diretamente: ela extermina fulminantemente a possibilidade de reação do organismo contra uma doença que não causaria mais do que algum incômodo.

O senhor é responsável direto, mesmo que reconheça publicamente o apoio que recebeu de outros políticos e vereadores de Goiânia, pela abertura do centro de apoio aos diabéticos na capital goiana. Na época, eu afirmei que somente uma obra como essa justifica e faz por merecer um mandato inteiro – embora o senhor tenha um histórico muito mais vasto de trabalho durante apenas dois anos na Câmara dos vereadores de Goiânia.

Esse é o pedido que faço, e que o senhor disse que irá fazer: levar assistência médica e informação para todos os brasileiros através de centros de apoio. Aqui, se me permite, acrescento outro viés, e aí meramente no campo da legislação, referente às informações das embalagens de produtos da indústria alimentícia: que os rótulos, assim como já acontece com alergênios e glúten, destaque a presença dos açúcares mais perigosos para os diabéticos.

Sei que além dessa dedicação ao tema, o senhor vai trabalhar muitos outros assuntos relevantes. Enquanto cidadão portador de diabetes, desejo que o senhor consiga materializar todas suas boas iniciativas como senador da República, principalmente a que se refere ao apoio aos diabéticos. Que vire rotina médica em todos os postos de saúde do país a medição do índice glicêmico da mesma forma como se faz com a pressão arterial. Uma luta como essa, tenho certeza, vale um mandato inteiro.

Que a Luz o ilumine nessa luta.

Afonso Lopes