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Impressões do cotidiano

Governo Dilma: o fim está próximo?

Qual é a perspectiva para os brasileiros nos próximos, digamos, 2 anos? Nenhuma. Pelo menos, nenhuma que indique a superação de uma brutal crise econômica como essa que o país está vivendo. Para este ano, que deveria conter não mais que 10 meses de arrocho – a previsão do governo no primeiro trimestre era de alívio nas contas em novembro ou dezembro -, a recessão já admitida pelos magos da economia instalados em Brasília chega a 2 pontos. Isso em comparação, vale lembrar, com o crescimento zero registrado no ano passado. Agora, esses mesmos magos falam que a taxa de crescimento para o ano que vem será de 0,2%. Registre-se novamente: esse índice será calculado sobre o desempenho deste ano. Fechando apenas essa conta, ficaremos 2% mais pobres este ano em relação a 2014, e outros 1,8% mais pobres, novamente em comparação com 2014, no ano que vem. Se isso não é o fundo do poço em um país de economia emergente, então nada mais é.

fim da linha

Há tempos, aqui mesmo neste espaço, afirmou-se que o Brasil mergulhou em um ciclo negativo que vai consumir uma década inteira de trabalho. Isso está se confirmando, mas não há qualquer mérito na previsão anterior. Era óbvio demais que o acúmulo de erros graves ao longo de 8 anos, 4 anos com Lula e outros 4 com Dilma, custaria caro demais para todos. A conta, definitivamente, chegou. Pior do que isso, chegou com juros e correção monetária.

Com Dilma ou sem Dilma? – O futuro do atual mandato da presidenta Dilma Roussef está muito próximo de um dilema. Diante da incapacidade total de se liderar o país diante da crise, aproxima-se rapidamente o momento em que o país terá diante de si uma questão absolutamente vital: o que é menos ruim, viver sobre a certeza do governo Dilma ou apostar nas incertezas de um novo governo imediatamente?

Dilma Roussef

Ainda não se está nesse ponto, mas essa dúvida, antes completamente fora de questão e perspectiva, não parece mais algo esdrúxulo, fora do compasso. Se havia um clima majoritário de que está ruim com Dilma, mas poderia ficar muito pior sem ela, esse sentimento já não é assim tão sólido. Pintou a dúvida real e palpável: o que poderia ser pior do que aquilo que se tem hoje, um país não apenas sem perspectiva de melhoras, mas fundamentalmente sem comando.

Lula é a solução à esquerda, mantendo o status quo que aí está? Não. Já foi, mas não é mais. Uma parte dessa crise nasceu no seu segundo mandato, e outra parcela deve ser creditada a ele ao ter escolhido, e imposto, Dilma Roussef. O próprio PT não a queria e o Brasil sequer a conhecia, mas Lula tinha crédito suficiente para criar uma mãe para o PAC e uma presidenta para o país. Esse crédito acabou. E, com ele, foi se embora também o mito. Lula tornou-se um mortal comum.

Com ela está ruim. Sem ela ficará pior?

Com ela está ruim. Sem ela ficará pior?

Boa parte, provavelmente a maioria, da população brasileira ainda teme mais a incerteza de um futuro imediato sem Dilma Roussef na Presidência do que a certeza do longo e duríssimo caminho de crise do jeito que está. Mas a deadline está cada vez mais próxima. Ou Dilma protagoniza imediatamente a perspectiva futura ou o governo dela vai se tornar passado bem mais cedo do que se previa.

Contra a corrupção? Menos impostos

Tenho uma proposta para fazer pra você, leitor. Aliás, é um conjunto legal para melhorar e facilitar a sua vida.

Olha só o que eu tenho para oferecer à você e seus familiares.

– Médicos e remédios de graça sempre que você ou os seus precisarem;

– Educação do básico até a universidade de graça. Tudo por minha conta;

– Se você precisar ir para algum lugar e lá não tiver estrada, pode deixar que eu vou lá, abro a picada no meio do mato e boto uma estrada asfaltada;

– Quando você estiver velho, pode parar de trabalhar porque eu vou garantir uma renda legal para você curtir a velhice;

– Se alguém quiser roubar você, te bater ou matar, deixa comigo. Vou lá, prendo o agressor e boto ele na cadeia;

– Se um negociante desonesto sacanear você, me avise que eu vou lá e resolvo as coisas. Tudo de graça, claro;

– E, por fim, vou cuidar do seu dinheiro fazendo com que ele compre o máximo de produtos e serviços.

E aí, o que achou da minha proposta? Legal, né? Podemos fechar o acordo então? Ótimo, mas antes devo avisar você que vou precisar de algum dinheirinho seu para fazer tudo isso. Como nós dois somos brasileiros, você me da metade do que conseguir ganhar trabalhando e eu cuido do resto. Que tal? Não é bom? Bem, então tá. Você tem mais 3 ou 4 caras que também estão dispostos a fechar um acordo desse tipo com você. Vai lá na urna e escolha um de nós.

É claro que esse diálogo/proposta não existe, né? Ou existe. Você percebeu alguma semelhança com aquilo que acontece na sua vida? É exatamente assim que as coisas são. Com uma só diferença: ao invés de eu ou algum outro administrar esse acordo entre nós, é você e o governo. Todos eles, da sua cidade, passando pelo Estado e chegando a Brasília. A máquina é quem administra o tal acordo.

O grande problema é que nem sempre esse acordo é bem administrado pela máquina. No caso brasileiro, então, é quase ignorado. O Estado oferece muito, cobra demais e entrega o mínimo e de má qualidade. E o que é pior: sequer consegue evitar que boa parte do seu dinheiro seja surrupiado. O Estado no Brasil funciona para ele, Estado, e não para você, cidadão.

Hora de perguntar: quem administra melhor o seu dinheiro e sua vida, você ou a tal máquina? Quem tem mais dó de torrar grana a toa, você, que sabe quanto custa ganhar, ou a máquina, que pega mais dinheiro no seu bolso quando e como quiser? E mesmo que seja para torrar grana com bobagens, quem tem mais direito de fazer isso, você, que trabalhou para conseguir o dinheiro, ou a máquina? Por fim, quem vigiaria melhor a sua carteira do que você mesmo? A máquina?

Os brasileiros estão estarrecidos com a Operação Lava Jato, que está escancarando uma pequena parte do imenso roubo perpetuado através de décadas na Petrobras. Não é a toa que nos vendem uma gasolina caríssima e tão ordinária que carros importados precisam ser “nacionalizados” para funcionarem com ela.

logo petrobras

E a Lava Jato é apenas uma das milhares de operações contra a corrupção, contra o roubo do seu, do meu, do nosso dinheiro. Dinheiro este que estaria sendo muito melhor aproveitado se estivesse no bolso de cada um de nós.

O Estado não precisa nos garantir nada mais que educação básica, saúde básica e segurança plena para os cidadãos e para a integralidade do nosso território nacional. Não precisa prometer, e depois não cumprir, nada além disso. Ninguém melhor do que você, eu e cada um de nós para administrar as nossas vidas. Governo algum faz isso melhor do que cada um de nós. Com educação de boa qualidade, saúde idem e segurança plena, o resto é simples e fácil.

Ahh, dizem alguns, mas e o compromisso social para com aqueles que não conseguem viver bem, o Estado não deve funcionar como interventor da vida coletiva para equilibrar essas diferenças naturais entre as pessoas? Sim, claro que sim, mas apenas naquilo que for básico. Nada além disso. O que transforma a vida das pessoas é a educação, e não a presença do Estado. No mais, para viver numa sociedade saudável é necessário seguir regras comuns a todos. Regras que devem ser criadas pela sociedade e aplicadas pelo Estado. Pronto, não é necessário nada além disso.

O país discute de tempos em tempos como diminuir a corrupção. A moda atual é pregar a transparência total nos negócios da máquina. Não vai resolver nada. Aliás, essa alternativa só faz aumentar o custo da própria máquina, que assim vai precisar de mais impostos para se manter.

É tanto dinheiro que os governos não conseguem ao menos vigiar...

É tanto dinheiro que os governos não conseguem ao menos vigiar…

Se um ladrão entrar em uma casa vazia ele vai roubar o que? Nada, ué. A lógica é a mesma: quanto menos dinheiro existir na máquina, menos dinheiro será roubado pelo corruptos. Quanto menos tarefas tiver a máquina, maior será a visibilidade e percepção da população sobre seu desempenho.

Por fim, que a gente analise um fato: o tal ajuste fiscal que está sendo levado pelo governo, com gravíssimas e nefastas consequências em todas as áreas e setores, inclusive no que se refere ao tal “compromisso social”. A saída de emergência – aliás, sempre é a mesma – que o governo tem é aumentar os impostos. Ou seja, vão aumentar o custo da máquina para controlar financeira e economicamente a própria. É um Estado-monstro que se alimenta dele mesmo e de tudo o que estiver ao seu alcance.

Mas essa não é a única saída para esta e para tantas outras crises que ainda virão. O país, cada um de nós, precisa discutir com um novo viés de Estado. Se o Estado fosse menor, muitíssimo menor, qualquer seria o tamanho do ajuste fiscal, tão grande quanto o atual que promete “matar” dias melhores por alguns anos, ou pequeno o suficiente para ser corrigido rapidamente e sem maiores consequências na vida de cada cidadão.

A vida dele seria pior se o Estado brasileiro fosse menor do que é?

A vida dele seria pior se o Estado brasileiro fosse menor do que é?

A questão que se propõe, portanto, não é discutir como acabar ou diminuir a corrupção. O que pode e deve ser discutido é o tamanho desse Estado e o custo de manutenção dele. Ahh, mas o que será dos pobres se não tivermos um Estado grande e forte para protegê-los e ampará-los, pode-se perguntar. Não sei o que será deles, mas certamente terão acesso real – e não fictício como é hoje – à educação e à saúde, e somente dessa forma é que se tornarão cidadãos de fato e de direito.

Enquanto não se discutir seriamente a saída para os impostos extorsivos cobrados pela máquina administrativa brasileira vamos continuar nos escandalizando de tempos em tempos com essas operações policiais.

16/08: Nem tantos que protagonizem a historia, nem tão poucos que possam ser desprezados

Foi uma semana inteira recheada por fatos e ações de um lado ao outro do continente político brasileiro. Tanto no Palácio do Planalto e nas suas trincheiras avançadas como no bunker erguido por Eduardo Cunha numa das pernas do Congresso Nacional e nas demais hostes opositoras, talvez jamais tenha ocorrido uma movimentação pré-rua tão grande e intensa.

São Paulo

São Paulo

O sitiado governo Dilma Roussef buscou uma inédita abertura do diálogo político com sua própria base no Congresso, mais ainda em relação ao Senado, e aceitou pacto até com os “diabos” – aqui simbolicamente representados pelo presidente Renan Calheiros e pelo despiroqueta presidente da CUT, espécie de Che Guevara renascido, que ameaçou pegar em armas para defender o mandato da presidente Dilma. A guardiã mor da Constituição, aquela que mais do que qualquer cidadão brasileiro, jurou de braço direito erguido defender o que nela está preconizado, não censurou publicamente o aliado maluquete em sua atitude venezuelana. Credite-se essa reação e a falta dela ao desespero e desequilíbrio pessoal causado pelo momento difícil.

Na oposição, o neo-radical Aécio Neves, que festejou sua vitória eleitoral durante algumas horas da apuração e aceitou, na época, o resultado das urnas eletrônicas que de uma sala fechada anunciou uma surpreendente virada de Dilma Roussef, no último domingo de outubro do ano passado, agora parece sonhar com o mandato presidencial no tapetão. Dentre as 3 pautas dos opositores, está a de cassação da chapa de Dilma, o que daria ao 2º colocado o direito de ser proclamado vencedor. É isso que Aécio defende.

Aécio em BH

Fracasso? – Nas redes sociais, especialmente os mais populares, Twitter e Facebook, militantes de uma trincheira e outra se manifestaram aos montes. Entre os governistas, além da ação orquestrada tantas vezes já usada – parida nos porões nada democráticos da rede que se desconfia é mantida à sombra do poder – a noite deste 16 de agosto soou como um grande alívio diante da óbvia constatação de que os manifestantes que saíram às ruas foram em menor número que de outras vezes. É compreensível a atitude em razão do terror que estavam vivendo.

Entre os opositores, um inegável clima mezo-a-mezo, entre a alegria pelo ainda enorme contingente dos que foram às ruas e uma enorme frustração por serem cada vez menos numerosos. Eles também temiam um fiasco total, que não ocorreu definitivamente.

Brasília

Brasília

No final, o que se percebe claramente é que foram manifestações enormes, que só perdem em quantidade quando comparadas com outras manifestações organizadas com idêntico propósito. Para se ter uma melhor ideia do que ocorreu hoje, jamais o PT e seus aliados conseguiram colocar mais de 100 mil nas ruas de todo o país em seus vários momentos como protagonista da oposição no movimento “Fora, FHC”.

No balanço deste 16 de agosto, tem se a nítida impressão de que os manifestantes não foram tantos assim que protagonizem a mudança da história, mas não foram tão poucos que possam ser desprezados. O Brasil não melhorou e nem piorou. O país continua somente procurando o melhor caminho.

Fachada MP-GO

Operação Compadrio: roteiro da denúncia

Politicamente, a base aliada governista foi duramente atingida ontem, 11, com a deflagração da Operação Compadrio, do Ministério Público Estadual. Na prática, talvez essa operação, pelo menos no que restou de comprovada suspeita, tenha sido espetaculosa demais. O que se tem até aqui são números realmente impressionantes de personagens envolvidos numa ponta e na outra. De um lado mais de 30 promotores de Justiça. Do outro, quase meia centena de prisões – pouquíssimas – e conduções coercitivas – aos montes – de pessoas sob as quais não pesam necessariamente acusações, mas que são consideradas fundamentais para embasar ou não os fatos sob investigação. E que fatos são esses?

operação compadrio

Fundamentalmente, e diante da pouquíssima informação disponibilizada pelo Ministério Público até aqui, a Operação Compadrio foi iniciada numa denúncia sobre contratação de  funcionários fantasmas do gabinete do então deputado estadual Tiãozinho Costa. A partir daí, e com a quebra do sigilo telefônico, os promotores identificaram uma possível negociação de empresa ligada a ele com um dos diretores da Agetop, José Musse. Valor total dos negócios entre essa empresa e a Agetop seria de pouco mais de 1 milhão de reais.

Há alguns aspectos apontados pelo MP sem pé nem cabeça do ponto de vista do global investigativo. Por exemplo, a questão levantada a respeito de restrições bancárias e fiscais e dos serviços de proteção ao crédito. Pelo que se deduz do muito pouco que foi informado, empresas de Tiozinho Costa ou ligadas a ele teriam conseguido driblar essas restrições legais. De que forma isso se deu o Ministério Público não informou. Ou seja, isoladamente, da forma como foi atirada, é uma acusação maluca e que não aponta para o cometimento de um crime – inúmeros advogados no Brasil todo se oferecem todos os dias a clientes negativados com o intuito de reabilitarem o nome de consumidores inadimplentes. Crime há se isso foi feito através de documentos oficiais falsificados ou por  menosprezo de algum funcionário público em relação à aplicação da legislação em vigor.

ex-deputado Tiãozinho Costa

Uma outra acusação estranha, ou incompleta, é quanto a um empréstimo pessoal que teria sido feito pelo então deputado Tiozinho Costa em nome de ex-funcionário de seu gabinete. A “vítima” disse ao MP que só ficou sabendo dessa operação, no valor de 45 mil reais, quando viu o extrato bancário de sua conta. Nesse caso, há que se informar qual a misteriosa razão que levou uma agência do Banco Itaú a conceder um empréstimo a alguém que nem assinou qualquer documento para ter o dinheiro creditado em sua conta corrente.

Assim, o que se sabe até aqui da Operação Compadrio é muito pouco para se concluir de imediato tratar-se da descoberta de uma “organização criminosa” incrustada no poder estadual. Até agora, a única coisa que se sabe é sobre a denúncia de que um ex-deputado estadual manteve uma rede de recebimentos ilegais de salários públicos e que teria ligações com empresas microscópicas do ponto de vista do universo das empreiteiras e, através delas, teria conseguido uns poucos contratos de paisagismo junto à Agetop graças a supostas facilitações por parte de um dos diretores da agência estatal. Ainda assim, em nenhum momento o MP sequer fez qualquer tipo de menção a obras não realizadas e recebidas ou superfaturadas nesses contratos.

Fachada MP-GO

De qualquer forma, o barulho inicial da Operação Compadrio foi imenso. Mas a fase realmente mais importante, da investigação detalhada e com levantamento de provas que se projetem muito além das suspeições, somente agora serão iniciadas.

Crises: Até onde vai a estupidez comparativa?

Desemprego em alta, inflação rumo aos dois dígitos, taxas de juros estratosféricos, aumento de impostos, falências aos montes. Retratos numéricos da crise fabricada imposta pelo pacote de crueldades do governo federal.

Para se defender das críticas, os governistas sacam rapidinho das comparações com os governos de Fernando Henrique Cardoso, o FHC. Desemprego muito mais alto, taxas de juros ainda maiores, falências de setores inteiros da cadeia industrial e etc e tal.

Não consigo entender esse negócio. Eu tento, mas não consigo. Acompanhando esse raciocínio infantil, qualquer um por aí pode sair dando porrada em negros. Se for criticado, basta lembrar dos tempos de escravidão, quando os negros eram amarrados nos troncos e chibatados até cansar o braço de quem batia. Ou seja, nessa lógica absurda, bater pode, só não pode amarrar e nem usar chibata. Talvez um cinto, no máximo. Chibata, nunca.

Que coisa idiota.

Completo este ano 40 anos de redação. Vivi e acompanhei, inclusive como profissional, dezenas de planos econômicos mirabolantes. Todos eles tinham defeitos sérios ou efeitos colaterais imprevisíveis e indesejáveis. O grande problema do pacotaço de ajuste atual é que ele copia estupidamente todos os grandes e piores defeitos dos planos do passado, como essa malandra escalada na taxa de juros básicos, a Selic, por onde vaza toda a economia conseguida com os cortes nos benefícios devidos pelo governo – dinheirama que vai parar no bolso de mais ou menos 20 mil famílias rentistas.

Aliás, está aí outra crueldade do pacote de ajuste fiscal: cortaram os benefícios, mas não os desperdícios.

O problema não é se o passado foi difícil. Isso passou. A questão é como ajustar melhor o presente para que o futuro não demore tanto pra chegar. O resto é infantilidade.

Lula-FHC

Lula e FHC discutem acordo. Protejam suas carteiras

Tá em todo o noticiário: Lula mandou emissários e quer discutir com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC, como amenizar a crise política e a crise econômica. O Brasil está paradão, dizem todos. OK, e esse tal acordo vai resultar no aumento de quantos novos Ministérios e cargos de segundo e terceiro escalões? Sim, porque ninguém falou coisa alguma sobre os objetivos desse acordo quanto à diminuição do maior corpo ministerial do planeta, composto por 38 Ministérios.

Lula-FHC

Se é pra ficar como está, pra que acordo político? Pra salvar o mandato e o governo da Dilma? E o acordo que vai salvar os empregos daqueles que já foram parar no olho da rua e estão sem perspectivas de voltarem ao mercado de trabalho graças à brutal recessão econômica baixada por canetaço do governo Dilma?

Acordo político? Segurem as carteiras. A experiência mostra que cada vez que somam forças políticas em Brasília aumentam os gastos para acomodar todo mundo nos confortáveis gabinetes do poder.

Estão aos poucos invertendo a ordem das coisas. Não é, ao contrário do que faz supor esse acordo entre Lula e FHC, não é a crise política que provocou a crise econômica. É exatamente o inverso disso: a crise econômica é que lascou o lado político do governo. Então, o único acordo realmente republicano neste país de bananas (opa, nem isso somos mais. As bananas que comemos vem da Colômbia…) seria um grande acordo que consertasse o desastre econômico de gravíssimas consequências para a população.

Não da pra população se sacrificar ao extremo para o governo federal economizar 80 bilhões de reais este ano e, simplesmente, entregar tudo isso para apenas 20 mil famílias que vivem de renda no Brasil – via aumento na taxa de juros Selic. Ora, é pra isso que se quer acordo político? Por que não um acordo que perdoe os juros dos milhões de brasileiros que foram enganados pelo ex-presidente Lula, quando ele dizia que a crise era apenas uma marolinha, e se endividaram comprando carros vendidos com incentivo fiscal, assim como trocaram de geladeira e televisor em dezenas de prestações, e que agora sentem o poder de compra do salário ser devorado por um brutal aumento do custo de vida, quando não se inviabilizam completamente com a perda do emprego?

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Esse é o acordo que realmente seria interessante estabelecer no Brasil: como proteger os brasileiros. Se o preço do sucesso num acordo com esse objetivo primeiro e único for torrar um governo, dois, três ou mil governos, ainda assim ele será altamente conveniente para esta nação. Qualquer outro tipo de acordo que mantenha o brutal arrocho que se impôs sobre os brasileiros é esdrúxulo, e não nos diz respeito. Que Lula, FHC e seja lá mais quem for façam o acordo que quiserem, mas que pelo menos não avancem ainda mais sobre o pouco do dinheiro que está restando em nossos bolsos.

Pior dos mundos: Brasil tem impostos europeus e serviços públicos americanos

A atual forma de organização nacional planeta  a fora tem dois modelos consagrados: o praticado na Europa e o modelo dos Estados Unidos. Ambos funcionam muito bem, mas é claro que devem ser relativizados em suas propostas. O Brasil tem um pouco de ambos os modelos, mas apenas o que é ruim.

Escola dinamarquesa gratuita (sustentada pelos impostos)

Escola dinamarquesa gratuita (sustentada pelos impostos)

Escola de lata, São Paulo, a cidade que mais paga impostos no Brasil

Escola de lata, São Paulo, a cidade que mais paga impostos no Brasil

Os americanos pagam poucos impostos. Apenas o suficiente para, por exemplo, viverem em segurança e investirem em tecnologia. Lá, se um cidadão precisar da intervenção da polícia, o atendimento vai ser bastante rápido. Em compensação, se esse mesmo cidadão sofrer um mal súbito e estatelar na calçada, vai depender do que ele tiver no bolso. A saúde pública praticamente não existe. Quem precisa de um médico, paga por ele, diretamente ou através de um seguro. Ao mesmo tempo, quem não precisa de cuidados médicos, mantém o seu dinheiro no bolso. O Estado americano não oferece saúde pública, mas também não cobra por ela. Bingo!

Tratamento particular na Dinamarca? Não, hospital público

Tratamento particular na Dinamarca? Não, hospital público

A Europa é exatamente o oposto. A maioria dos países enfia a mão no bolso de seus cidadãos com fome brasileira. São algumas das alíquotas de impostos mais altas do mundo. Tão alta que em vários países os turistas podem apresentar notas de compra na hora de ir embora e pegar de volta parte do que pagou como imposto. A lógica nesse caso  é simples: por que cobrar imposto de quem dele não se beneficia?

Hospital da Inglaterra

Hospital da Inglaterra

O americano ao nascer sabe que terá que bancar quase tudo na sua vida. O Estado não lhe garante educação pública, saúde e nem transporte de graça. Usou, paga do próprio bolso. Não usou, não paga. Simples assim. Já o europeu nasce sabendo que praticamente metade do que ele conseguir produzir vai ser abocanhado pelo Estado. Em compensação, ele não terá que pagar nada quando precisar de um médico e terá seus estudos, sempre de ótima qualidade, até chegar às portas da faculdade. Daí em diante é com ele. E ainda assim, existem exceções. Alguns pequenos e bem organizados países europeus topam financiar o ensino superior, mas o estudante fica devendo o dinheiro que foi gasto. Subsídio zero. Depois de formado, e assim que sua renda for suficiente, ele paga o empréstimo.

Saúde pública no Brasil

Saúde pública no Brasil

O Brasil não segue completamente nem o modelo americano e nem o modo europeu. Ao contrário, os impostos são extorsivos como os europeus e os serviços públicos são vexatórios. Ao ponto de boa parte da população pagar impostos para ter saúde pública e só obter essa garantia aderindo aos planos de saúde. É a mesma coisa na área de segurança. O cidadão paga o suficiente em impostos para ter um ótimo sistema de segurança pública, mas ele só atinge essa meta se contratar vigilantes, blindar o carro e as casas e frequentar lugares públicos de acesso restrito, como os Shoppings, que são entupidos de segurança o tempo todo. Segurança particular, claro. Na Educação é a mesma coisa. O brasileiro paga impostos pra lá de suficientes para garantir ótimo ensino público, mas faz das tripas financeiras o coração para colocar os filhos em escolas particulares.

Se o Brasil não rediscutir com seriedade essa questão jamais vai mudar para melhor. Mas esse debate ainda não chegou à sociedade brasileira. E o que é pior: talvez nunca chegue.

Ajuste fiscal: apenas 20 mil famílias lucram enquanto 200 milhões perdem

Depois de dar pedaladas fiscais no ano passado, baixar a meta de superávit primário e tal, não havia outra saída para as finanças do governo federal que não passasse necessariamente por um tremendo ajuste fiscal. Todo mundo sabia disso desde sempre. Portanto, ao iniciar o duríssimo plano econômico pós-eleição ainda no mês de novembro e aprofundar as medidas no início deste ano, o governo da presidenta Dilma Roussef rezou pela cartilha do bom senso e da lógica. O único problema é o teor dessa reza.

dilma dividida

Para conter a inflação, como sempre e mais uma vez, o governo federal sacou a caneta e fez os juros da taxa Selic beijarem a estratosfera. Ao mesmo tempo, cortou despesas da atividade fim, mas manteve uma fabulosa e dispendiosa máquina administrativa. Essa conta, definitivamente, não fecha.

Para se ter uma melhor ideia desse conjunto econômico macabro, o Brasil pagou no ano passado nada menos que 311 bilhões de reais para sustentar a exorbitante dívida pública. São juros embolsados por banqueiros e rentistas. Com as medidas de contenção de gastos implementadas no primeiro semestre deste ano, o governo pretende economizar 80 bilhões de reais.

ricos

Seria interessante tanto sacrifício se não fosse por um detalhe. Como houve uma disparada na taxa de juros paga pelo próprio governo na administração da dívida pública, e consequentemente uma elevação dramática também no desembolso financeiro do governo, esses 80 bilhões de reais não vão representar um único centavo de economia real ao final deste ano. Os custos da dívida pública, que no ano passado foram de 311 bilhões de reais, este ano vão ser de 400 bilhões como consequência direta e sem intermediários desse aumento da Selic. Ou seja, o ajuste aperta o cinto de 200 milhões de habitantes e entrega todo o sacrifício para o deleite de 20 mil famílias.

desempregado

É óbvio que um ajuste fiscal tão capenga, que cortou na atividade fim do governo sem realizar corte equivalente na própria máquina administrativa – que permanece com um corpo ministerial insano, com 38 Ministérios -, e com isso provocou uma brutal recessão econômica que também tem provocado um desemprego crescente, jogou a popularidade da presidenta Dilma na sarjeta. Hoje, um cachorro pulguento consegue angariar mais simpatias do que ela. Como efeito colateral direto dessa queda, instalou-se a crise política.

Foto montagem brasilpost.com.br

Foto montagem brasilpost.com.br

Para o mentor de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aquele que dizia que a crise mundial, em 2008, seria somente uma marolinha no Brasil, a única forma de recuperação é trocar o foco e implementar uma agenda positiva e mais política. É uma saída clássica para momentos de impopularidade, mas no caso de Dilma, absolutamente inconsistente. Até porque a presidenta não pode colocar o pé na calçada sem ouvir vaias estrondosas. E não há como introduzir agenda positiva quando milhares de pessoas estão sendo levadas à morte por causa dos cortes feitos na área da Saúde.

Lula e Dilma

A única saída é econômica com um viés, sim, político. E bastante simples. O governo Dilma só recupera popularidade se priorizar a vida de 200 milhões de brasileiros. E o primeiro passo para isso é corrigir o curso de aplicação do ajuste fiscal que beneficia 20 mil famílias que vivem de renda, cortar despesas com a máquina pública e devolver aos brasileiros nem que seja uma insignificante e comezinha esperança de dias melhores. E não há forma de fazer isso sem começar cortando as cabeças de onde saiu esse mirabolante plano de ajuste fiscal que tem dizimado a realidade de 200 milhões de brasileiros, e comprometido seriamente o futuro próximo.

Ajuste fiscal: recessão por canetaço é a pior solução

Juros na estratosfera, demissões em massa, aumento na carga tributária, inflação em crescimento, direitos trabalhistas cortados, contenção de gastos básicos na saúde, educação e segurança, dívida pública em alta. Os índices do tal ajuste fiscal do governo da presidenta Dilma Roussef são devastadores. Não há um só ponto a ser destacado positivamente. Aliado a tudo isso, uma crise política que demonstra a fragilização da Presidência. Isso, num sistema presidencialista. Se fosse enredo de romance, talvez um título adequado para essa situação fosse algo como “Crônica de um desastre anunciado”.

gráficos queda

A pergunta que se faz, e em tom cada vez mais alto, é se esse é o único caminho para consertar as contas do governo. Aliás, todos esses desarranjos foram provocados não por um comportamento negativo da população, mas por uma série de ações equivocadas do próprio governo. Então, e com muita pertinência, a dúvida se a solução escolhida é a melhor ou não faz sentido, sim. Afinal, se esse governo errou tanto ao ponto de levar a economia para o fosso da crise, é óbvio que se pode, e deve, questionar se essa equipe de Brasília agora está sendo realmente competente para consertar o estrago.

A crise não é provocada por uma conjuntura externa desfavorável. Sim, há problemas no mundo (quase) todo, e alguns países bastante graves, como no caso da Grécia. Mas a grande e indesmentível verdade é que o momento hoje é muitíssimo melhor no conjunto do que era em 2008, quando explodiu uma bolha imobiliária nos Estados Unidos, e as economias foram caindo num efeito dominó planetário.

Lá fora, enquanto os principais países trataram a crise com total desconfiança, ao ponto de se criar algum tipo de comparação com a maior quebradeira da história, na década de 1929, por aqui o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do alto de sua sapiência econômica e prepotência de sempre, desdenhava das dificuldades. Os sinais, já naquela época, eram claros e mostravam que o tsunami rondava perigosamente as praias econômico-financeiras do Brasil, mas Lula dizia que era somente uma marolinha.

cofre vazio

O governo da presidenta Dilma, iniciado em 2011, manteve exatamente esse mesmo diapasão, fantasiando a situação de grave distúrbio nas contas públicas. Apesar disso, nem os muitos PACs lançados e nem as desonerações temporárias e localizadas de impostos, foram suficientes para quebrar o marasmo registrado em índices pífios de crescimento do PIB. Anos de pibinho.

Lula desdenhou os sinais

Lula desdenhou os sinais

Pois agora, nem pibinho o Brasil tem mais. É recessão mesmo. E o que é muito mais grave: recessão provocada a canetaços do próprio governo. E nem por isso a taxa de inflação ameniza, ou as contas melhoram. Ao contrário: estão piorando.Capas Globo-1

Saída – Aparentemente, salvo algum comportamento anômalo da economia, vai chegar uma hora que a inflação vai ceder, e talvez até cair. O problema é saber quando isso vai acontecer, e a que custo.globo_090311

O caminho escolhido vai enriquecer ainda mais os grandes bancos. O brutal aumento na taxa de juros, somado aos demais ajustes negativos da economia, provocam um efeito imediato desastroso. Para equilibrar o caixa, o governo corta despesas essenciais de todos os lados, provocando ainda mais recessão, e consegue economizar alguns bilhões de reais aqui e acolá, apesar do custo social dessa economia ser brutal. Só que na outra ponta, o aumento das taxas referenciais de juros, que incidem sobre a colossal dívida pública brasileira, pega toda essa economia e entrega para os bancos. Neste momento, o Brasil se transformou num paraíso para os banqueiros, e um inferno para os seus cidadãos.the economist

Todos os países que entraram em crise em 2008 e já saíram dela fugiram dessa armadilha dos juros altos. Estados Unidos, Japão e as boas economias da Europa fizeram caminho exatamente inverso, baixando as taxas dramaticamente. Com isso, não permitiram que a recessão se aprofundasse e nem que a arrecadação de impostos, por consequência, despencasse. E por lá a crise não foi uma ondinha, marolinha ou coisa parecida.

Lula não viu tsunami ou mentiu quando falou que era marolinha?

Lula não viu tsunami ou mentiu quando falou que era marolinha?

Foi encarada como aquilo que realmente era, um tsunami. O governo dos Estados Unidos chegou, pela primeira vez em quase um século, a não ter dinheiro para manter em funcionamento normal parques públicos e museus. Mas ao proteger a economia da recessão, embora tenha sido banhada por ela durante meses, o governo americano, assim como fizeram as boas economias, conseguiram escapar inteiros. Houve sacrifício da população, evidentemente, mas infinitamente menor, do que se a opção fosse nos moldes dessa adotada pelo Brasil.

Esse é o ponto: a recessão provocada por governos penalizam muitos e beneficiam alguns. Esse é o caso do Brasil. Não é o único caminho, mas é o pior deles.

papa:morales

E se fosse um nazista presenteando um judeu com a suástica…

Os mais elementares ensinamentos da doutrina comunista pregam que a religião é o ópio do povão. Ou seja, entorpece e deixa os pobres humanos como se fossem uma massa de zumbis sem vontade definida. Em todos os países que os comunistas golpearam a liberdade e se impuseram as igrejas e os crentes sofreram. Não que nessas nações tenha se atingido a plenitude do Estado laico. Não, longe disso. A religião para os comunistas é droga pesada e a mão do combate a ela deve ser mais pesada ainda.

papa:morales

Pulando dos confins da história do século passado para os dias atuais, o boliviano Evo Morales, um comunista declarado, conseguiu unir as duas coisas: o catolicismo e a doutrina da ditadura do “proletariado”. Durante visita de cortesia do papa Francisco à Bolívia, Evo o presenteou com uma “arte” que soou quase como um acinte, para ser ameno quanto à interpretação de suas intenções: Um crucifixo entalhado numa foice e martelo, símbolo do comunismo.

Desrespeito? Provavelmente, não. Evo não parece ter inteligência e sutileza suficientes para isso. Foi algo debilóide. Grosso modo, seria o mesmo que presentear um judeu com uma suástica nazista. E o que é pior: acreditar que está agradando o presenteado. Definitivamente, Evo não é um sujeito que deve ser levado a sério. Aliás, ele não é levado a sério por ninguém no mundo.

bolivianos na petrobras

Mas, espere, ninguém, vírgula. Nos últimos 12 anos, os inquilinos do Palácio do Planalto não apenas o levaram a sério como o ajudaram, inclusive abrindo mão, sem reclamar, de investimentos da Petrobras na Bolívia, tomados por ordens dele pelo exército boliviano. Ele também é levado a sério pelos seguidores do passarinho Chavez, da Venezuela, outro arremedo de regime comunista que, como os demais, acaba não tendo competência nem ao menos para colocar comida suficiente ao alcance da população. E, claro, como não poderia faltar, Morales também é levado a sério pelo castrismo, a elite ditatorial cubana incrustada desde a década de 1950 no poder.

Lula-Evo-Chavez

Enfim, tem gente que não apenas leva Morales a sério como gosta dele e de seu modo de pensar e agir. Gosta inclusive por ter ele presenteado o papa com o símbolo máximo da opressão ao catolicismo. Pena o papa não ter sacado do bolso uma réplica da estátua da Liberdade para devolver a gentileza. É mesmo uma grande pena.