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Impressões do cotidiano

O assassino da moto preta. Ele existe mesmo?

De tempos em tempos, desde sempre, surgem notícias sobre supostos assassinos em série. Já teve o ¨bandido do capuz preto¨, o não-se-o-que do ¨Gol vermelho¨, o ¨tarado do fusca amarelo¨ e vai por aí numa lista quase sem fim. Agora, em Goiânia, há esse tititi geral sobre a existência de um assassino de mulheres que aborda suas vítimas à noite e montado numa moto preta de pequena cilindrada. Ou seja, um ¨assassino da moto preta¨.

bandido do capuz preto

A polícia garante que não conseguiu identificar uma relação entre o assassinato de mulheres em Goiânia e a ação de um só matador. Faz algum sentido, sim. Das 10 mulheres que morreram em Goiânia somente nestes primeiros 5 meses do ano, 4 eram de um só grupo, na chacina do Morro do Mendanha. Os assassinos eram traficantes, e um deles, que conhecia uma das garotas, cismou que ela iria delatar a ação do grupo para 1 policial militar. Esses traficantes não andam em moto preta.

Uma outra menina morta em Goiânia estava saindo da escola, no centro da cidade, e foi abordada por um motoqueiro e sua carona. Foi um assalto, e quem puxou o gatilho do revólver que matou a estudante foi uma bandida, não um assassino em série.

Somente esses 2 casos somam 5 assassinatos de mulheres, e nenhum deles tem o dedo do tal motoqueiro

Isso não significa que esse assassino não exista e não esteja neste momento rondando possíveis vítimas. A polícia diz que não tem informações sobre a veracidade da história, mas várias vezes os policiais são levados a mentir para não perder o rumo das investigações. Portanto, vale a máxima da prudência e do caldo de galinha.

Mas só para mulheres e em relação a motoqueiros que montam motos pretas? Não. Infelizmente, não. Viver no Brasil se tornou perigoso demais da conta. Não só em Goiânia. Assassinatos são pandemia nacional. É 12 vezes mais provável que alguém morra assassinado no Brasil do que soldados em guerras. Parece estupidez, e é mesmo.

mortes-capitais

Os goianienses estão assustados com o nível de violência atual0. Não vivem num paraíso, claro, mas há muitos outros lugares bem piores. Goiânia está numa posição intermediária. É a 15ª capital mais insegura do Brasil, ou a 12ª mais segura. É mais seguro viver aqui do que em Curitiba, Recife, Manaus, Fortaleza e Cuiabá, e um pouco menos seguro que em Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília. Na comparação entre os Estados são as mesmas posições, 15º e 12º.

mortes-estado

Isso quer dizer que não vivemos no pior dos mundos da violência brasileira. Ao contrário, até. É mais seguro morar em Goiás do que no Paraná, Distrito Federal, Mato Grosso, Bahia e Espirito Santo. O problema é que no Brasil, viver se tornou algo muitíssimo perigoso.

assaltantes

Então, e vale para mulheres e homens, adotar alguns comportamentos individuais visando a própria segurança  faz todo o sentido. E se realmente há algum maluco por aí montado em uma moto preta matando pessoas, mais cedo ou mais tarde a polícia vai chegar a ele, e prendê-lo. A polícia prende bandidos aos montes, mas raramente eles ficam nas cadeias. Eis o problema.

Venda de carros em queda livre

Os dados são oficiais: a venda de carros novos despencou mais de 13% este ano. É uma paulada. No Paraná, as montadoras estão parando as linhas de montagem, assim como nos demais Estados. Isso gera efeito cascata negativo. Como não fazem novas encomendas de peças porque deixaram de fabricar novos carros, as empresas fornecedoras também vão parando.

carros quase parando

Muitas empresas demitiram trabalhadores, mais de 4 mil este ano, e concederam férias. O pior é que não existe qualquer previsão de que o quadro vai ser alterado nos próximos meses. Parte do problema está na queda brusca dos financiamentos e a taxa de juros nas alturas, além do endividamento amplo, geral e irrestrito das classes consumidoras. E o governo não pode aliviar nos juros para não perder de vez o delicado e tênue controle que mantém sobre a inflação, que já está represada. Tudo somado, tá feia a coisa.

Ou estão mentindo para Dilma, ou a Dilma tenta mentir para todos

celuklar sem sinalEm recente entrevista, a presidente Dilma Roussef disse que todas as obras para a Copa estão prontas e acabadas. Aeroportos, comunicações, estádios… Não tem nada incompleto.

Quem dera fosse isso verdade, né?

Pesquisas: péssimo e bom, bom e péssimo

Mais uma rodada de pesquisas nacionais e o índice da presidente Dilma volta a oscilar negativamente. No início do ano ele chegou a somar 44% de intenções de voto. De queda em queda, está agora com 34%. É uma péssima notícia para o governo e boa notícia para os opositores.

índices + e -

O problema é que os candidatos oposicionistas não tem capitalizado a queda da presidente Dilma. Aécio Neves, no mesmo período, tinha 16%. Agora, tem 19%. Eduardo Campos também caiu, e soma apenas 7 pontos. Ou seja, péssima notícia para a oposição, e uma boa notícia para o governo.

Os dribles de Iris desconsertaram o jogo de Friboi

A políticas de alta performance é coisa para pouquíssimos. Mais ou menos como ocorre no mundo dos esportes. Uma coisa é ser ótimo peladeiro de fim de semana. Outra é disputar a bola contra os melhores atletas do planeta. Um peladeiro jamais conseguirá, por melhor que seja, encarar de igual para igual um jogador de altíssimo nível.

Friboi cifrão dourado

Na política é a mesma coisa. Sem tirar nem por. Amadores conseguem fazer um certo barulho, principalmente quando usam anabolizantes, como uma montanha de dinheiro. A trajetória do empresário Jr Friboi ilustra bem essa luta inglória contra um dos mitos políticos de Goiás.

De nada valeram as virtudes pessoais de Friboi, como a resistência, insistência, coragem, ousadia e foco no objetivo. Ele foi peladeiro alimentado por energético financeiro. Iris, ao contrário, usou toda a sua técnica política, acumulada em 50 anos de vida. E apresentou jogadas de mestre.

Indução ao erro

Iris jogou como um time de craques que fica tocando a bola de pé em pé no meio de campo, avança para a intermediária e aguarda o momento em que o adversário fica impaciente e comete um erro fatal. Friboi caiu sistematicamente nessa tática de jogo político.

Iris-e-Friboi

O primeiro deles foi quando aceitou a condição de ser pré-candidato oficial do PMDB ao governo do Estado, mas com a obrigação de crescer nas pesquisas eleitorais. Ora, isso sempre foi uma armadilha. Como Friboi poderia deslanchar se não poderia fazer campanha abertamente? Principalmente para ele, um ilustre desconhecido no mundo dos votos.

A segunda condição imposta por Iris e aceita por Friboi era igualmente uma cilada: ele deveria se viabilizar internamente e agregar partidos aliados. Friboi correu o estado inteiro atrás dos peemedebistas que ele nem sequer sabia quem eram, o que faziam. Mais uma vez, precisou recorrer à sua recheada carteira para ¨quebrar o gelo¨. Quanto aos partidos aliados, conseguiu atrair algumas legendas pequenas também graças ao anúncio de que estava disposto a pagar por isso. Não teria como fazer de forma diferente. Ele jamais conviveu com as lideranças políticas. E nem era o candidato do PMDB.

Friboi caiu em cada alçapão aberto por Iris sem nem perceber o tamanho do buraco em que estava se metendo. Ele tinha um discurso razoável, que precisa ser lapidado, mas com certo potencial e apelo, o de representar um aspecto diferente e novo de governar. Como alicerce para esse discurso, sacava o seu currículo pessoal extraordinário no mundo dos negócios. Fazia sentido, sem dúvida.

Mas Iris o induziu a abandonar esse discurso que era coerente alegando que seria necessário bater pesado no grande adversário, Marconi Perillo. É óbvio que atacar o adversário faz parte do jogo, mas o objetivo de Iris não era enfraquecer Marconi, mas provocar a reação do poderoso exército da base aliada contra Friboi. Não deu outra.

A caminhada até o Olimpo político exige conhecimento e talento nato. Poucos conseguem

A caminhada até o Olimpo político exige conhecimento e talento nato. Poucos conseguem

Enfim, foram pequenos grandes dribles do mestre político Iris Rezende que desconsertaram o jogo de Friboi. Não é fácil para ninguém enfrentar políticos de alta performance. Nem mesmo para os outros monstros sagrados do Olimpo político. Nesse mundo, o dinheiro é muito importante, mas o talento e o conhecimento adquiridos e aprimorados ao longo do tempo fazem toda a diferença.

Pesquisas espontânea, estimulada, qualitativa. Potencial de crescimento

Desde quando as pesquisa eleitorais no Brasil se tornaram um boa fonte de informação sobre os momentos que antecedem as eleições, as discussões em torno delas se tornaram acalorados e apaixonados debates. Os que defendem e apoiam candidatos que lideram as pesquisas tendem a enaltecer os números, e os projetam como se fossem a realidade futura, da própria eleição. Os que lutam por candidatos situados nos patamares intermediários, sacam inúmeros argumentos para desmerecer os números, ou desancar pura e simplesmente institutos e pesquisas.

gráfico

Mas, afinal, como é que um instituto entrevista meia dúzia de eleitores e diz que fulano ou beltrano tem a preferencia entre a maioria esmagadora e silenciosa, que não foi abordada pela pesquisa? Vale a pena conhecer a origem do modelo de pesquisa que se faz hoje aqui e em todos os países do mundo.

Gallup, o pioneiro

O americano George Gallup inventou o sistema estatístico atual. E qualquer bom instituto segue exatamente o que ele fez na década de 1930, nos Estados Unidos. Antes, os jornais americanos publicavam cupons e pediam que os leitores os enviassem para as redações com seus futuros votos. Geralmente, erravam feio.

Gallup, então, ouviu apenas 1500 eleitores em todo o país e afirmou categoricamente que Franklin Roosevelt seria eleito contra Al Johnson, que todos imaginavam futuro vencedor. Os jornais e seus cupons diziam exatamente o oposto. Um deles, em Nova Iorque, chegou a apurar 200 mil cupons, com a vitória de Johnson. A pesquisa Gallup, com apenas 1500 entrevistados, acertou na mosca.

Que mágica é essa?

Mas que droga de mágica estatística é essa em que a opinião de apenas 1500 pessoas é mais representativa do que a opinião de 200 mil pessoas? Não há nenhuma mágica nisso. Há um fundo científico que Gallup saiu explicando para o país inteiro após as tais eleições, que marcaram o surgimento das pesquisas eleitorais no planeta.

gráficos conta-gotas

O professor explicou com uma metáfora simples e demolidora. Para se conhecer o conteúdo químico da água de um reservatório de 1000 litros, ou 10 mil litros, não é necessário destrinchar cada gota para saber sua composição. Basta agitar toda a água e recolher apenas um copo. O que estiver nesse copo será idêntico, estatisticamente, a tudo o que está no reservatório.

Parece simples, e é mesmo. As pesquisas são, por isso, uma notável fonte de informações.

Qual é a mais válida, a espontânea ou a estimulada?

Pesquisa espontânea é quando o eleitor abordado não recebe nenhum tipo de informação e responde em qual candidato a determinado cargo iria votar se a eleição fosse naquele momento. Na estimulada, ele recebe uma cartela redonda, com nomes distribuídos como nas fatias de uma pizza, sem qualquer destaque, cores ou tamanho de letras, e indica o seu preferido.

gráficos 1

Qual delas teria mais validade? Não existe unanimidade quanto a isso. Particularmente, ao acompanhar e estudar as pesquisas e suas tabelas durante duas décadas, em Goiás e em Goiânia, cheguei à conclusão, enquanto jornalista político, que existem duas fases distintas nas pesquisas. Quando realizadas longe do clima das eleições, como agora, as estimuladas trazem informações mais completas. As espontâneas nesses períodos mostram certo grau de conhecimento e presença na mídia.

Às vésperas das eleições, 1 ou 2 meses antes, modifico a forma como observo e interpreto para os leitores o comportamento dos números das pesquisas espontânea e estimulada. Na espontânea, identifica-se uma cristalização da opinião do eleitor. Ou seja, seria um voto quase totalmente definido, mas evidentemente ainda sujeito à alteração dependendo da informação que seja alcançada por esse eleitor. A espontânea reflete o clima das ruas, praças, botecos e ambientes de trabalho e de convivência do eleitor. Não é algo absolutamente cristalizado, como se observa na espontânea, mas uma enorme tendência.

Potencial de crescimento

Existe mesmo esse negócio de que o candidato A ou B tem enorme potencial de crescimento? Sim e não, juntos e ao mesmo tempo. Ninguém nunca ouve dizer que um candidato tal que lidere as pesquisas com algo próximo das 50% ou mais, ainda tem uma espécie de reserva, esse tal ¨potencial de crescimento¨. Essa é uma característica exclusiva dos candidatos intermediários. Ou seja, quem está embaixo tem possibilidades de subir a escada. Só isso.

gráficos queda

O potencial de crescimento deve, então, ser analisado com foco também nas condições dessa candidatura intermediária. E o que conta aqui é uma tal estrutura de campanha e o perfil da candidatura, abrangência da rede de apoiadores – base –, discurso e imagem do candidato, qualidade dos programas eleitorais, dinheiro, tudo o que diz respeito à campanha em si. Não basta o candidato ser bom, ter boa imagem e tal. O sujeito só tem como crescer se as bases em que se lança candidato também é boa. Portanto, potencial de crescimento não é projeção de crescimento, mas mera possibilidade.

Pesquisa qualitativa ou quantitativa?

A pesquisa quantitativa é o modelo formalizado por Gallup, na década de 1930. As qualitativas são bem mais novas. Uma traduz em porcentuais o apoio de momento que os candidatos somam. A qualitativa avalia imagem do candidato, sensação que se tem sobre os pontos positivos – a serem destacados posteriormente – e os pontos que podem minar seu crescimento.

gráficos qualitativa

São formados grupos de pessoas aleatoriamente escolhidas, mas com uma característica comum: estejam indecisas e sejam independentes em relação aos candidatos. Cinco ou seis grupos de meia dúzia são suficientes, mas as grandes campanhas promovem essas pesquisas com maior número de grupos e com bastante frequência.

Os grupos são estimulados por um moderador, e debatem temas livremente. É assim, no cruzamento das informações captadas nas muitas opiniões desses eleitores, que se aponta caminhos negativos e positivos para os candidatos. Essas pesquisas não informam porcentuais, mas opiniões. É uma pesquisa especializadíssima, que poucos institutos conseguem realizar bem. A maioria é mero caça-níquel de espertalhões. E esses espertalhões lotam o mercado.

Por fim, o principal fator de uma eleição é o instinto político de cada candidato. É esse instinto que os diferencia e os elege ou os derrota. É essa característica absolutamente rara que leva um candidato a contrariar as lógicas estatísticas das pesquisas quantitativas e qualitativas e ousar um lance que se revela inusitado e decisivo. É por isso que muitos querem ser políticos, e até conseguem vencer eleições, mas pouquíssimos são os políticos que merecem assinar os livros da história.

Sem Iris, eleitorado migrou para todos os demais candidatos

Palanque do PMDB já tem uma definição

 – Jornal Opção

Iristas e friboizistas debatem candidatura a governador pelo PMDB, mas o palanque está armado

Iris Opção

Iris Rezende sempre teve a força majoritária no partido, que hoje tem preferência por Júnior Friboi

 

Mauro Borges foi atropelado pelo irismo no passado Irapuan Costa Junior foi combatido pelos santillistas

Mauro Borges foi atropelado pelo irismo no passado
Irapuan Costa Junior foi combatido pelos santillistas

Nem Júnior Friboi nem Iris Rezende. A primeira atração do PMDB para as eleições deste ano em Goiás é a divisão interna sem precedentes. Ja­mais o partido, eternamente em guerra interna, se deparou com crise tão grande. Antes, o processo era solucionado pelo enorme disparidade que havia entre o poder dos grupos principais, com fortíssima predominância irista. Hoje, o minoritário grupamento liderado pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, rivaliza com Iris graças à presença de Friboi. Mesmo os mais extremados peemedebistas de um e do outro lado admitem que a união interna está definitivamente comprometida, independentemente de quem quer que seja o candidato ao governo.

O PMDB jamais foi exatamente o que se pode chamar de partido unido. Sempre esteve, por esse prisma, a dezenas de bilhões de anos-luz de partidos como o PT e o DEM, para ficar em dois exemplos de partidos ideologicamente distantes. Os petistas, que se abrigam sobre o enorme guarda-chuvas partidário, travam brigas internas constantes desde o seu início. Na prática, é como se dezenas de partidos convivessem na mesma área partidária. A diferença é que a porção majoritária e vencedora acolhe os grupos derrotados e ambos caminhos unidos depois. No DEM, nem isso existe. O partido parece ser sempre um só.

O PMDB sempre teve grupamentos internos bastante definidos. No auge do poder peemedebista em Goiás, logo após a redemocratização do país, na década de 1980, conviviam pelo menos quatro grandes grupos no partido. Os dois maiores eram liderados por Iris Rezende e por Henrique Santillo. Em seguida, orbitando às vezes num desses dois polos às vezes no outro, se situavam os grupamentos liderados por Mauro Borges e Irapuan Costa Júnior.

O primeiro grande enfrentamento interno somou os interesses dos grupos de Iris e Santillo, que se uniram para combater qualquer avanço do grupo de Mauro Borges nas eleições de 1986. Logo depois, os dois grupos vencedores também entraram em choque, definido inicialmente a favor de Santillo, que contou com o apoio do grupo de Irapuan, que havia embarcado na nau peemedebista pelas mãos de Iris Rezende, e que foi alvo de ataque do grupo santillista no primeiro momento.

Aos poucos, Iris se reforçou com parte do grupo de Irapuan, que foi incorporada, e já em 1990 conseguiu definitivamente derrotar santillistas e o que havia restado do grupo irapuanista. Livre e sem ter que negociar posições internamente, os iristas trataram de impedir que Nion Albernaz e seu pequeno grupamento – irista, diga-se – pudesse crescer a partir da candidatura dele ao governo do Estado em 1994, ao mesmo tempo em que também desestimularam o surgimento de uma segunda célula semi-independente, liderada pelo então deputado federal Naphtali Alves. Para isso, os iristas apostaram na candidatura do então vice-governador de Iris, Maguito Vilela.

O que ninguém entre os iristas imaginava é que Maguito se tornaria rapidamente um dos governadores mais populares da história de Goiás, superando inclusive o próprio Iris Rezende em seus dois mandatos. Assim, em 1998, a candidatura de Maguito à reeleição era absolutamente natural e considerada imbatível mesmo por opositores. Os iristas travaram então aquela que seria a última batalha interna antes do conflito atual, e Maguito se viu bloqueado na tentativa de se reeleger e foi despachar no Senado da República do alto de uma montanha de votos.

Todos esses fatos e embates históricos na vida orgânica do PMDB de Goiás jamais foram fator de sucesso ou fracasso nas urnas. Até 1998, os peemedebistas ganharam praticamente tudo o que disputaram. Hoje, e pela primeira vez, a situação é diferente. Iris Rezende não possui mais o mesmo poder interno que possuía antes. Nem seu grupo é tão grande e numeroso que possa dispensar os grupamentos menores derrotados como ocorreu ao longo de todo o processo.

Por outro lado, Iris enfrenta um oponente endinheirado e determinado que não se preocupa com o preço político que terá que pagar por sua ousadia, até por falta de perspectivas políticas futura. Friboi não é político, e se perder a disputa e o rumo, vai sair desse mundo tão rapidamente quanto entrou, sem qualquer tipo de drama pessoal além de feridas de cicatrização rápida. Os antigos adversários eram diferentes de Friboi exatamente nesse aspecto: todos eles tinham alguma forma de responsabilidade política com o futuro. Friboi, não.

O grande drama do PMDB e seus dois rivais internos é que nenhum deles conseguirá unir o partido na campanha. De quebra, isso poderá provocar um dano colateral que ainda não é possível mensurar com certa exatidão, que é o trabalho de costura de ampliação das alianças. Hoje, um dos pontos fundamentais de qualquer candidatura realmente competitiva é sua capacidade de agregar aliados externos. Iris perdeu essa condição política e Friboi ainda não deu mostras de que tem qualquer tipo de atração além do aspecto financeiro. Em ambas as situações, são fatores que complicam, e somente uma fortíssima e real perspectiva de poder imediato conseguiria efeito amenizador. Mas como chegar a esse patamar de perspectiva com um partido que até agora só conseguiu definir a divisão interna no palanque eleitoral? Não vai ser fácil.

Sintego: acabou. Nem o tapetão gera respeitabilidade

Não sou professor. Nem poderia ser. Não tenho titularidade para isso e nem a menor vocação. Sou jornalista. Sempre fui. Mas como escrevo no meu Blog, posso dar pitacos. Me acho no direito. Se estiver usurpando, relevem. Jornalistas sempre se acham o ó do borogodó.

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Li tudo o que apareceu nos jornais e nas redes sociais sobre a eleição no Sintego. Entendo, por todas as informações que li, que a maioria dos sindicalizados escolheu a chapa 2, de oposição. Decisão apertadíssima. Pouco mais de 50 votos. Mas a quantidade de votos torna-se irrelevante diante do fato inusitado. A situação perdeu. Ponto final.

Ponto final? Não. A atual diretoria do Sintego, derrotada nas urnas, ensaia um golpe contra a vontade da maioria. Sim, um golpe. Talvez eu pudesse usar outra palavra, como manobra. Mas vejo como golpe, e como golpe descrevo o que li.

Os votos da regional de Rio Verde, que deram pouco mais de 80 votos de vantagem para a oposição, foram impugnados a pedido da atual diretoria. Suspeita de fraude, avalizada de imediato por uma Comissão Eleitoral interna. Não há o que questionar quanto ao fato inédito: situações é que são flagradas fraudando urnas, e não as oposições. Nunca tinha ouvido nada igual a isso.

Virou nó jurídico, e como existe a tal Comissão Eleitoral, sabe-se lá o que vai acontecer. Seja lá o que for, a verdade é que o atual comando do Sintego não tem mais qualquer legitimidade. Legalidade talvez consiga, mas a respeitabilidade acabou.

Excelentíssimo Senhor Senador Fernando Collor, basta explicar, uai

Não estamos em Roma. Mas o princípio da velha Roma ainda se aplica: para um homem público, não é suficiente ser honesto, tem que parecer honesto.

Fernando Collor

O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello precisa levar essa máxima romana em conta. Não adianta nada ele ficar bradando com tom enfurecido de MMA/UFC que é honesto. Ele tem que parecer honesto.

Cito 2 episódios. O 1º, é o julgamento final do Supremo sobre as acusações quando ainda era presidente do Brasil. Ele diz que foi inocentado. De algumas acusações, sim. De todas, não. Algumas não foram julgadas graças a dezenas e centenas de manobras jurídicas, e as possíveis penas cabíveis prescreveram. Ou seja, deixaram de existir não porque foram consideradas inconsistentes e injustas, mas apenas porque nem sequer foram julgadas.

Agora vem essa informação de que o doleiro-mor da operação lava-jato, da Polícia Federal, depositou parcelada e discretamente 50 mil reais na conta bancária do senador Collor. E esses depósitos, salvo melhor esclarecimento, foram feitos no auge do mufum.

Collor tentou atacar para se defender. Disse que não tem qualquer tipo de relação com o tal doleiro, nem política e nem pessoalmente, e acusou a imprensa – ou parte dela, né? – de precipitar condenações. Sobre os tais depósitos que somaram 50 mil reais e foram caindo discretamente em sua conta bancária, ele não disse absolutamente nada. Silêncio absoluto.

Não duvido que esse dinheiro seja somente alguma operação de câmbio. Dessas tantas que qualquer pessoa faz antes de embarcar para o estrangeiro, trocando reais por dólares. No caso dele, foi o inverso, dólar por reais. Sobra de alguma viagem, talvez? Pode ser, por que não?

E pode ser também que ele tenha comprado um punhado de dólares e tenha resolvido voltar para os reais, que tem se valorizado. Nada disso seria estranho, embora não eu tenha a certeza se é legal. Mas, sei lá, esse não é o meu mundo, embora saiba que isso é corriqueiro na turma da cobertura.

O problema é que o senador Fernando Collor, o ex-presidente, não explicou nada. É como se as tais 50 mil pratas, que é grana pra caramba, pelo menos para os habitantes da planície, jamais pingaram em sua conta bancária.

No final, fica a conclusão: o senador Fernando Collor diz que não tem qualquer relação nem pessoal e nem política com o doleiro da operação lava jato. Não existe qualquer evidência de que ele não está falando a verdade. Mas tenho a certeza que a recíproca do doleiro não seria completamente verdadeira. Ele pode até não conhecer Collor pessoalmente e nem politicamente, mas conhece o número da conta bancária dele, e entendeu, por algum motivo, que deveria depositar 50 mil reais a conta gotas – pra se livrar do olho eletrônico do Banco Central?. E Collor não disse se estranhou ou não que um completo  desconhecido lhe favoreceu com 50 mil reais sem qualquer motivo prático e conhecido. Ao se defender agora, foi a primeira vez que ele tocou nesse assunto.

Ame-o ou deixe-o… De novo???

Ame-o ou deixe-o, a modinha que veio da ditadura

Ronaldo Fenômeno era xodó da patota. Era. Não é mais. É que antes ele defendia a realização da Copa do Mundo no Brasil. Agora, diante do descalabro das preparações, em que nada vai ficar pronto a tempo embora tenha custado bilhões e bilhões de reais, ele passou a ser alvo da patota irada por ter afirmado que o Brasil vai passar carão na Copa.

Adesivo de carro anos 70

Adesivo de carro anos 70

É o ame-o ou deixe-o, herança da ditadura militar e que é modinha renascida: se é a favor da Copa e dos desmandos, é o amor. Se não…

 

Brasil da Copa: 12 novos estádios, 12 mil leitos fechados

 

Este ano, aos trancos e barrancos, 12  novas e maravilhosas arenas vão ser entregues – prontas ou quase prontas.

 

No último ano, quase 12 mil leitos hospitalares foram fechados em todo o Brasil.

macas hospitalares

 

Não se fez levantamento a respeito de quantas macas hospitalares foram acrescentadas à rede pública de saúde no mesmo período.

 

Explicação do Ministério da Saúde: o Brasil acompanha a tendência mundial de ampliar o atendimento ambulatorial.

 

Óbvio: no 1º mundo, os leitos são cada vez menos necessários. No Brasil, as macas ainda são cada vez mais fundamentais.

Nem as notas novas de reais ficaram prontas para a Copa

Parece piada. No meio do ano passado, o governo, via Banco Central, resolveu incrementar o lançamento de novos modelos de notas de Reais. A meta era substituir as notas antigas pelas novas até a Copa do Mundo.

As novas notas, com tamanhos diferentes. Os 2 modelos continuam valendo

As novas notas, com tamanhos diferentes. Os 2 modelos continuam valendo

Pois não é que o BC acaba de admitir que não vai dar tempo… Houve corte no orçamento e, babau viola. Os turistas que se virem com 2 tipos de notas de dinheiro que valem a mesma coisa.

Beija mão de Afif

Beija mão Afif

Conto de fadas ou rainha Dilma? O empresário Afif Domingos, aquele que dizia numa campanha presidencial há anos que ¨juntos, chegaríamos lá¨, chegou. A foto dispensa legenda.

Direito de torrar ônibus e patrimônios?

A polícia goiana conseguiu reunir provas contra alguns estudantes que estariam por trás de manifestações incendiárias e de quebra-quebra. A Justiça aceitou os argumentos e mandou os tais estudantes para temporada na prisão.

Copa fogueira

Com apoio zero da população, alguns políticos acusam a polícia até de  tirania por colocar, com autorização da Justiça, obviamente, esses manifestantes trancafiados.

Será que o direito de se manifestar livremente inclui poder tocar fogo em ônibus e sair quebrando o que se encontra pela frente?

Nota 10 para a polícia e 10 para a Justiça.

Ana Paula discursou no ¨Volta, Iris¨

Dona Iris

Pra pano rapidíssimo: Ana Paula, filha de Iris Rezende, discursou na manifestação ¨Volta,Iris¨ que marcou a desistência de Jr Friboi. Dona Iris começou assim…

Ufa, terminou. Dilma entrega a Ferrovia Norte Sul 25 anos depois

A presidente Dilma Roussef está entregando a ferrovia Norte-Sul, que liga a região central de Goiás ao Porto de Itaqui, no Maranhão. Foram nada menos que 25 anos de construção. E é mesmo um marco que pode alterar bastante o perfil socioeconômico dessas regiões. Mas não apenas.

Ferrovia-Norte-Sul

Os portos do sul do Brasil operam com excesso, o que acaba encarecendo fretes marítimos. Seja pela estadia da mercadoria nesses locais, esperando a vez para o embarque, seja pelas enormes distâncias que precisam ser vencidas sob pneus. A Norte Sul poderá desviar e distribuir melhor essas cargas.

soja

Mas ainda falta um outro trecho ferroviário para completar a malha. A maior região produtora de Goiás, e uma das principais do Brasil, não é o norte, mas o sudoeste. Então, e sabe-se lá até quando, toda essa produção ainda terá que enfrentar viagens por rodovias entre o sudoeste e o centro do Estado.

Pronto: criamos outro problema, então? Negativo. O governo federal está duplicando a BR-060, entre Goiânia e Rio Verde, capital da região Sudoeste. Isso fecha o ciclo com nota 10. Com essa estrada duplicada, uma das mais importantes regiões produtoras do Brasil estará a um passo da ferrovia Norte Sul, e daí ao Porto de Itaqui, no Maranhão.BR-060

Esse quadro geral mostra talvez de forma en passant o que na realidade representa esse conjunto de obras que está sendo entregue pelo governo da presidente Dilma Roussef.

Sob medida? Não, mas que parece, parece

Olha só que baita decisão. Um dia depois de mandar soltar todos os acusados na Operação Lava Jato, presos pela Justiça do Paraná, o ministro Teori Zavascki voltou atrás para manter todos eles fechadinhos da gaiola da Lei. Todos? Não. O ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, foi o único que caiu fora.

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É claro que seria um completo absurdo supor que a decisão inicial do ministro, de mandar libertar todo mundo, teve segunda intenções que não a intenção única de zelar pela correta aplicação da legislação. Que ficou parecendo encomenda sob medida, ficou.

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Mas a primeira decisão foi baseada em que? Foi baseada no que diz a lei a respeito de fórum privilegiado de deputados federais e outros bambambãs da republiqueta verdamarela. Como a acusação de furto de bilhões de reais inclui pelo menos 2 deputados federais, o caso todo deveria ser enviado à burocracia brasiliense.

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O Juiz Federal do Paraná, Sérgio Moro, mandou para o alto apenas a parte que diz respeito aos parlamentares. Ele entendeu que o doleiro Alberto Youssef e os demais 11 acusados, incluindo o ex-diretor da Petrobrás, ficariam bem guardadinhos ali mesmo, nas prisões do Paraná.

A única dúvida que deve incomodar é se houve ou não 2 pesos. Se o balaio é o mesmo, e 11 vão continuar na cadeia, por que a libertação do ex-diretor da Petrobrás não foi também revogada imediatamente?

My Way, by Roberto Carlos

E o tal comercial do retorno do rei Roberto Carlos ao mundo dos carnívoros? Foi o único de uma série que não existiu: ficou sentado à mesa, trocou o prato e o garçom disse a ele que a carne era Friboi. ¨Com certeza¨, disse o rei.

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E daí? Daí que o comercial não mostrou ele comendo o pedação de carne, mas se comeu não deve ter gostado.

Como diz a letra de My Way, será que Roberto Carlos comeu mais do que conseguiria/gostaria de engolir?

Burocracia brasileira ama carimbos

Quer complicar algum trâmite legal? Simples, exija carimbo, assinatura reconhecida em cartório, selos e tal e coisa. O Brasil é ainda hoje um campeão mundial quando o assunto é burocracia. Uma montanha de dinheiro e tempo que se joga no lixo.

carimbo

Já houve até um Ministério em Brasília para acabar com a burocracia brasileira. O que aconteceu? Acabaram com ele.

A conta vai chegar em 2015. E será salgada

Previsão feita ontem pela jornalista Lillian Witte Fibe, no programa do Jô, Rede Globo: prepare-se que a conta da inflação represada vai chegar no ano que vem, com aumento no custo de vida e arrocho fiscal.

Ilustração veiculada no blog conexão social

Ilustração veiculada no blog conexão social

Quer dizer, o que já é uma extorsão, a carga fiscal paga pelos brasileiros, vai ficar pior. Carlos Alberto Sardenberg disse ontem que a classe média brasileira – renda entre 3 mil e 10 mil reais por mês –, os coxinhas tão desprezados pelos raivosos que se sentem revolucionários, é quem mais paga impostos no Brasil. Eles trabalham nada menos que 161 dias por ano somente para alimentar a pior praga do Brasil: os governos – nos 3 níveis, federal, estaduais e municipais. Nos últimos 10 anos, a extorsão praticada via impostos aumentou quase 10%.

O babaca, as babaquices, coxinhas e o medo real

 

¨Ah, não, porque turista tem que ter metrô que leve até dentro do estádio. Que babaquice é essa?¨.
Algum baba prometeu isso...

Algum babaca prometeu isso…

A frase foi dita pelo ex-presidente Lula durante encontro com blogueiros e ativistas digitais de São Paulo, numa referência a obras de mobilidade que deveriam ter sido construídas paralelamente aos novos estádios para a Copa do Mundo.

Metrô que leve até dentro de estádio… Nunca antes na história desta Copa alguém defendeu uma babaquice dessas. Metrô que leve às proximidades do estádio, sim, foi prometido.

Promessa cumprida

Promessa cumprida

Bom, mas se é uma babaquice, quem foi o babaca que prometeu metrô, aeroportos, novas avenidas e tal e coisa para a Copa, há cerca de 7 anos, quando governava o Brasil?

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Lógica do Lula sobre necessidade de metrô, avenidas, ônibus do transporte coletivo, essas ¨babaquices¨ que constituem a tal mobilidade urbana. Ao relembrar seus tempos de torcedor, ele lascou: ¨Nós nunca tivemos problemas de andar (até os estádios) a pé. Anda a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa…¨.

Moderno veículo de mobilidade urbana

Moderno veículo de mobilidade urbana

Já pensou se uma legião assim chegar na bilheteria das arenas para comprar ingressos?… Mas nem se o Bolsa Família fizesse uma promoção da Copa tipo ¨ganhe uma e leve duas Bolsas Famílias¨ essas pessoas conseguiriam pagar as entradas do espetáculo.

Para encerrar esse negócio de babaca e babaquices, que nome se daria a um estacionamento de jumentos nas cercanias de arenas???

Quem são os coxinhas?

O tom deve ser sempre de raiva ou de desprezo: é contra alguma atitude que considera errada praticada pelo governo? É coxinha. Sente falta de conforto nos aeroapertos brasileiros sucateados? Coxinha. Acha que existe exploração eleitoral da Bolsa Família? Coxinha, coxinha, coxinha.

coxinha

Mas, afinal, quem são os coxinhas? São aqueles extorquidos por uma das maiores e mais injustas carga de impostos do planeta. São os que pagam a Bolsa Família na mesa dos pobres e os charutos e caviar que frequentam determinadas mesas da nomenklatura brasileira.

O Brasil com raiva

Não foi só pelos 20 centavos… Foi raiva. Raiva de tudo o que tem acontecido no Brasil ao longo das últimas décadas. Raiva de quem pensa diferente e de forma antagônica. raivaRaiva da impunidade de políticos ladrões. Raiva da corrupção. Raiva do Estado que exige muitíssimo com impostos e não oferece quase nada em troca. Raiva dos bandidos que matam a toda hora e não ficam presos. Raiva do trânsito enlouquecedor das maiores cidades. Raiva do medo real do dia a dia, e não daquele medo criado por pura marquetagem política.

protesto-campinas

O Brasil está com raiva. Como talvez jamais sentiu antes com tanta intensidade.

Não, não foi só pelos 20 centavos. É por tudo isso que aí está.

Vai ter Copa, e vai ser do balacobaco

Tá chegando a hora. Menos de um mês para a grande festa. Peralá… Grande festa? Será mesmo uma grande festa? Pelo menos, que não seja grande, mas uma pequena festa? Festinha? Festica de nada, vai. Sabe-se lá o que vai ser.

Copa fogueira

Ensaio geral da fogueira começou

Ontem, quinta, 15, protestos raivosos em algumas das cidades que vão sediar jogos da Copa. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em Recife, greve na PM terminou, mas com saques a lojas. A Justiça determinou previamente que a Polícia Federal não poderá entrar em greve durante a Copa. Que bobagem. Uma operação padrão pararia tudo, mesmo que sem greve. Sem falar na lei contra manifestações. Tudo somado, eis o ensaio geral da Copa lado B.

Mas se quase todo mundo passou pelo menos 5 anos sonhando com a realização da Copa no Brasil, por que agora tem tanta gente contra?

A torra de dinheiro público

Os brasileiros estão escandalizados com o preço que está se pagando para realizar a tal festona. Não há uma única obra diretamente ligada ao evento Copa no Brasil que não tenha se registrado superfaturamento. Nem unzinho sequer. Nada.

Mas a questão real, pés no chão, é que sempre foi assim. Nenhuma obra feita pelos diversos níveis da administração pública custa o que realmente deveria custar. Por que, então, a revolta contra os estádios superfaturados? Talvez seja porque mais pessoas foram informadas sobre essas obras.

Estádio Nacional, Brasília, custou mais de 2 bilhões de reais

Estádio Nacional, Brasília, custou mais de 2 bilhões de reais

Uma coisa é a rodovia no interior de algum sertão ter custo incompatível, outra é o conjunto de obras da Copa. A repercussão de um é infinitamente menor do que da outra. Uma coisa é um hospital ou uma escola ter custo equivalente ao dobro do que se gastou, outra é o estádio, a tal arena. O hospital e a escola chamam a atenção de alguns poucos no bairro onde foram feitos, ou de toda a cidade, ou mesmo da população do Estado. A arena da Copa, não interessa onde ela foi erguida, tem holofote nacional. Essa é a diferença.

A incompetência administrativa

Outro ponto que pode ter desencadeado o processo das fogueiras contra a Copa é a incompetência. Nada ficou pronto a tempo. Aliás, a maioria das obras previstas fora dos estádios nem vai terminar antes do pontapé inicial da Copa. E ninguém sabe se um dia serão concluídas.

Será que as obras inacabadas vão terminar algum dia ou será esse um dos legados da Copa?

Será que as obras inacabadas vão terminar algum dia ou será esse um dos legados da Copa?

Na metade dos seis estádios, as empresas de telefonia móvel admitem que o sinal vai falhar. Em Cuiabá, são esperados 40 mil visitantes/torcedores. O governo do Estado já avisou que não terá cama pra todo mundo. O estádio da abertura da Copa, o Itaquerão, em São Paulo, será entregue, mas continuará em obras, e parte da arquibancada não terá cobertura, como estava previsto antes.

Metrôs, estações de transbordo de passageiros urbanos, aeroportos, portos para receber turistas marítimos, rodovias… Nada disso está pronto. Muitas obras sequer saíram do papel. E o que saiu é essa lástima improvisada.

Parênteses. Nas décadas de 60/70 e 80, quando era modinha ocidental implantar ditaduras militares, dizia-se que os ditadores podiam quase tudo, menos perder guerras. Troca-se o cenário. Coloque o governo perdendo a guerra administrativa e percebe-se o fósforo ser riscado.

Padrão Fifa

De repente, os brasileiros, ou ao menos uma porção deles, querem escolas melhores, hospitais melhores, mais segurança, transporte de primeira e tal. ¨Tudo padrão Fifa¨, dizem.

Padrão Fifa? Não. A Copa será padrão CBF

Padrão Fifa? Não. A Copa será padrão CBF

A realidade é outra, diante das obras improvisadas e superfaturadas ou nem sequer começadas. O Brasil avacalhou até o tal padrão Fifa de qualidade. Ao invés de uma Copa padrão Fifa, o Brasil talvez ofereça o que tem de melhor atualmente: o padrão CBF, símbolo da desorganização e amadorismo do futebol brasileiro, de denúncias de corrupção, de certeza de altíssima arrecadação diante de clubes falidos e de mordomias para seus dirigentes e para os amigos dos amigos – ops, sem referência ao grupo criminoso do Rio de Janeiro.

Torcer ou não torcer para o Brasil?

Muitos dizem que não vão torcer pela seleção como forma de protesto contra o tal padrão CBF que se tem hoje no Brasil da Copa e no Brasil sem Copa. Outros alegam que uma coisa não tem nada a ver com a outra, que é um absurdo torcer contra e etc e tal.

Adesivo de carro anos 70

Adesivo de carro anos 70

Discussão boba, que remete à lembrança um país que os brasileiros já superaram: o Brasil, ame-o ou deixe-o.

Não se torce a favor de um time de futebol por imposição e nem se torce contra o que deseja o coração. O resto é resquício de ¨masturbação ideológica¨ como uma vez inventou o então ministro Sérgio Motta – já falecido. cOpa comemoraçãoSe a seleção empolgar em campo, a esmagadora maioria vai se empolgar também. Se levar passeio e balaio dos adversários, babau.

É isso, vem aí a Copa mais improvisada dos últimos tempos, e a que mais exigiu vida de trabalhadores nas construções de estádios, com 8 mortos. Preparem-se todos. O mundo conhecerá o nosso padrãozinho CBF. Já imaginou como poderá ser essa Copa? Do balacobaco.