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Impressões do cotidiano

Prefeitura: Goiânia voltará a brilhar como antes?

A crise de caixa na municipalidade precisa escapar da ótica política de oposição e situação. O jogo aqui é muito maior

Afonso Lopes

Prefeito Paulo Garcia: imagem pública e política aranhada  | Fernando Leite/Jornal Opção

Prefeito Paulo Garcia: imagem pública e política aranhada | Fernando Leite/Jornal Opção

Por todos os lados que se possa “medir” a imagem atual do prefeito Paulo Garcia (PT), de Goiânia, é muito menor do que a que ele tinha em 2010, ano em que foi reeleito já no primeiro turno. Desde então, com problemas pipocando em quase todas as áreas da administração, Paulo ainda vive uma crise constante, consistente e inabalável. Em 2016, portanto dentro de dois anos, ele não poderá ser novamente candidato a prefeito. Então, em tese, se a situação mudar para melhor ou se continuar do jeito que está pouco importa. Na prática, as coisas não funcionam assim. Paulo precisa, sim, melhorar a sua imagem, e para isso só há um caminho: recuperar-se administrativamente.

É óbvio que todos os problemas da Prefeitura de Goiânia se concentram em um único ponto: as contas não fecham. Por mais que se aperte de um lado, por mais que se corte de outro, no final a soma dos fatores aponta para o vermelho. Esse resultado é perverso para a administração e, por consequência, para a imagem pública e política de Paulo Garcia.

Herança

No início deste ano, diante de problemas cada vez mais sérios que se acumulavam sobre sua mesa e eram percebidos nas ruas pela população, Paulo Garcia trocou o comando da Secretaria de Finanças, colocando no cargo um técnico que tinha sido responsável pelo bom equilíbrio no governo do também petista Darci Accorsi (1992/1996), Cairo Peixoto.

Cairo não precisou de muito tempo para perceber que havia um rombo como herança, e que a solução seria cortar todo tipo de excesso e aumentar a arrecadação própria. Em outras palavras, fechar o cofre com sete chaves e aumentar impostos. É um receituário clássico e praticamente infalível, mas também explosivo. Apertado pela im­prensa e pela opinião pública, que queria que ele apontasse os motivos para tamanha encrenca, o preço político do arranjo ficou alto demais.

Em seu lugar assumiu Jeoval­ter Correia, um fiscal de origem que se tornou um bom administrador, contando com uma passagem pelo governo estadual, onde geriu as contas relativas ao funcionalismo. Jeovalter também identificou que o buraco não estava na atual administração, mas foi discreto ao máximo. Mas o diagnóstico dele, e os remédios receitados, foram idênticos aos apontados antes por Cairo Peixoto.

Sem entrar dinheiro “novo” no caixa, a prefeitura não terá condições de mudar radicalmente o quadro que aí está. No máximo, conseguirá melhorar um pouco graças ao tênue equilíbrio que se tem buscado, mas só esse equilíbrio será insuficiente para deslanchar a máquina. O receituário também neste caso é tradicional: desfazer-se de patrimônio e aumentar impostos. No caso, é vender áreas públicas e aumentar os Impostos Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Territorial Urbano (ITU).

Não há nada de errado nessas duas medidas. Graças a uma série de equívocos no passado, o IPTU-ITU de Goiânia está muito defasado. Não tem como ser mantido como está. Pelo menos, não numa cidade que gosta de primar pela boa conservação de suas ruas e praças, pelo bom funcionamento das repartições públicas e por boa prestação de serviço. Mas como fazer isso?

Essa é a equação que o prefeito Paulo Garcia terá que resolver, e ela não é muito simples. O governo tem maioria na Câmara de Vereadores, mas ela é volátil demais. Em alguns momentos, nem os petistas votam com o Palácio do Cer­rado. O episódio mais brutal dessa volatilidade na Câmara se viu recentemente, com a rebeldia de Tayrone di Martino e Felisberto Tavares. Ambos votaram contra a lei que estabelece novos padrões para as alíquotas incidentes sobre imóveis.

Há a crença de que a população é contrária a qualquer forma de reajuste de impostos. É a mais pura e cristalina verdade. O brasileiro, de uma maneira geral, paga muito mais impostos do que americanos, japoneses, paraguaios ou uruguaios. Mas o problema não é nem pode ser vista através de uma lente que reduz a discussão. No caso do IPTU-ITU, há, sem dúvida, uma enorme defasagem.

Talvez a melhor discussão fosse travada quanto à forma de se recuperar os anos perdidos, e não exatamente se haverá ou não algum reajuste. Até porque essa é uma questão que tem a cobra mordendo o próprio rabo. Ou seja, sem incremento nas receitas, a cidade vai continuar sofrendo consequências muito ruins, como má conservação de ruas e avenidas, ritmo lento em obras importantes e necessárias, e problemas pontuais, como no caso do recolhimento e tratamento do lixo.

Brasília, que poderia aliviar a situação de Goiânia, não consegue mais ajudar ninguém. Na semana que passou, pela primeira vez em décadas, o Tesouro Nacional fechou com déficit. Por lá, a fonte secou. O jeito é resolver as coisas aqui mesmo, e diante de uma clássica questão: ou se discute de maneira realmente séria e objetiva o IPTU-ITU e a venda de algumas áreas públicas ou vai se preferir conviver com uma cidade com problemas em sua manutenção. Em outras palavras, não se pode mais viver uma guerra política entre situação e oposição. O que está em jogo agora não é mais posições políticas a serem ocupadas, mas o interesse direto e maior da população goianiense.

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Marconi, a história que se supera

Para quem o imaginava, com toda razão, carta fora do baralho de 2014, Marconi Perillo simplesmente conseguiu um feito eleitoral épico. Ele não somente foi reeleito. Ele foi reeleito com a maior votação proporcional desde 1998, com quase 60% dos votos nominais. É um desempenho extraordinário, sem qualquer dúvida, em qualquer circunstância, mas no caso dele, e levando-se em conta o calvário de 2012, extrapola qualquer coisa que já se tenha registrado anteriormente.

Marconi Governador

É óbvio que qualquer análise sobre Marconi Perillo atualmente é contaminada por todos os fatos proporcionados por ele na última década e meia. Mas certamente o seu poder de superação vai se estender pela história também nas análises futuras. Essa, talvez, seja a sua maior virtude, a capacidade de se superar, de obstinadamente superar desafios aparentemente intransponíveis.

Em 1990, quando se candidatou pela primeira vez, ele foi o único santillista a ser eleito para a Assembleia Legislativa. Foi o único que conseguiu superar o cerco eleitoral criado pela máquina irista, que derrubou um a um todos os candidatos ligados ao grupo do governador Henrique Santillo, que vivia uma guerra política de controle do PMDB com Iris Rezende.

No exercício do mandato, outra superação: a da barreira que se montou contra ele pelo sistema de comunicação comandado pelo Palácio das Esmeraldas. Entre 1991 e 1994, ele foi a cigarra oposicionista a reverberar seu canto contra o rolo compressor governista, que sempre havia conseguido abafar qualquer ruído perturbador da oposição.

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Em 1994, após construir uma boa base que lhe garantiria uma tranquila reeleição, Marconi deixou a área de conforto e se aventurou numa candidatura a deputado federal, selva bem mais concorrida do que a Assembleia Legislativa, especialmente para quem buscaria somente bisar o mandato. Apurados os votos, e mais uma vez diante de maioria palaciana irista, lá estava ele entre os deputados federais eleitos como opositor ao status quo.

Logo no início, em Brasília, ele superou o complexo da província e se introduziu na corte republicana brasiliense, caindo nas graças de setores do PSDB e do próprio Palácio do Planalto. Tornou-se vice-líder do partido e um dos frequentadores do segundo mais importante gabinete da República, onde despachava o ministro Sérgio Motta, uma espécie de primeiro-ministro do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Governo – O ano é 1998. A oposição em Goiás se resume a quatro grandes partidos e duas dúzias de prefeituras, mais alguns deputados estaduais e federais. Todo o restante do território político goiano era povoado pelo poderosíssimo PMDB e seus aliados.

Iris Rezende, então ministro da Justiça de FHC, usou a sua hegemonia interna no PMDB goiano e se lançou candidato. O presidente da República, candidato à reeleição e cortejando o PMDB nacional, desestimulou os tucanos de Goiás a lançar candidatura contra Iris. Marconi foi até Sérgio Motta e o convenceu de que a oposição em Goiás estaria morta e enterrada se topasse aliança com os peemedebistas, que desdenhavam qualquer aliança com o PSDB oferecendo apenas uma segunda suplência para o Senado.

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Com apoio de Sérgio, a oposição quebrou a cabeça para encontrar alguém que fosse para o sacrifício eleitoral. Naquela altura, Iris aparecia nas pesquisas com nada menos que 74% das intenções de votos válidos. Seria um massacre absolutamente previsível. Os oposicionistas foram inicialmente com o deputado federal Roberto Balestra, mas não teve jeito. Às vésperas das convenções, os partidos oposicionistas não tinham candidato. Mais uma vez, Marconi deixou a área de conforto, e se ofereceu como candidato ao governo. Era uma insanidade para um jovem político em plena ascenção e com um vastíssimo caminho pronto a ser percorrido na corte palaciana de FHC e Sérgio Motta.

Marconi superou o ultra-favorito Iris Rezende numa campanha que fez história. Terminou o 1º turno na frente, e sacramentou a vitória no 2º turno.

No final de 2001, pesquisa indicou que o virtual candidato da oposição, o peemedebista Maguito Vilela, somava 17 pontos de vantagem sobre o governador de primeiro mandato Marconi Perillo. Aparentemente, o sonho oposicionista estava prestes a se transformar novamente em pesadelo. Um ano depois, Marconi foi reeleito já no 1º turno.

Até aí, quatro eleições e quatro imensos desafios superados. Em 2006, seu momento refrescante eleitoralmente. Foi eleito com tranquilidade para o Senado, na única vaga que estava em disputa. Quatro anos depois…

Uma nova prova político-eleitoral duríssima. Inimigo número 1 do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inimigo número 1 do governador Alcides Rodrigues, que ele próprio havia colocado em seu lugar em 2006, e inimigo visceral do então prefeito reeleito de Goiânia, Iris Rezende, candidato ao governo, Marconi se lançou candidato contando apenas com seu grupamento político. Eram três palácios, três máquinas administrativas, políticas e eleitorais contra ele. Venceu o 1º turno e mais uma vez garantiu a vitória no 2º turno.

Este ano, tanto o resultado eleitoral quanto os fatos que o precederam, desde 2012, estão frescos nas memórias de todos. Ao derrotar Iris Rezende pela terceira vez, Marconi não o retirou do Olimpo político estadual. Iris permanece, assim como Pedro Ludovico e Totó Caiado, dentre as maiores lideranças de toda a história de Goiás. Mas, certamente, é impossível não reconhecer que Marconi superou todos eles, e tem lugar de destaque dentre os maiores.

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Policial que investigou serial killer desabafa e conta detalhes

A sequência de mortes de mulheres em Goiânia aparentemente em qualquer motivação levou a polícia goiana a suspeitar que um temido criminoso, o mais temido de todas as polícias do mundo, poderia estar agindo, o serial killer. Esta semana, ao apresentar o autor desses e de outros assassinatos, os policiais diretamente envolvidos nas investigação ficaram em absoluto estado de êxtase. Foi um alívio coletivo após a mais dura prova da capacidade investigativa da polícia do Estado de Goiás. “As pessoas não conseguem compreender direito, mas prender um serial killer é sempre muito difícil. Pode levar anos e anos, e em inúmeros casos jamais se descobriu o autor de assassinatos em série”, disse a este site um policial que integrou desde o início o grupo que se dedicou exclusivamente nas investigações.

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Mas por que a polícia dizia antes que não tinha elementos suficientes para afirmar que era um serial killer? “Porque isso poderia alertá-lo, e provocar nele comportamentos mais ainda fora do padrão”, disse o policial. Seria o caso da informação sobre os exames de balística, que apontaram claramente para o uso de uma mesma arma em vários assassinatos. “Se a gente dissesse que os exames comprovavam que a arma era a mesma, ele poderia simplesmente sumir com ela e arrumar uma outra. E estaríamos mais uma vez na estaca zero”, explicou o policial.

Campanha eleitoral – Uma das suspeitas, principalmente dos opositores ao atual governo, é de que “fabricou-se” um culpado sob medida por causa da proximidade com as eleições. “Isso é um absurdo. Chega a ser um desaforo pra nós policiais que sacrificamos até nossas folgas para encontrar o cara” respondeu com certa irritação o policial. Mas não houve pressão da cúpula por causa da eleição? “Eu não sofri pressão nenhuma nesse sentido. Nenhuma. Ninguém chegou e falou pra mim que a gente precisava prender logo o assassino por causa da eleição. Nem eu e nem algum colega meu. Não que eu saiba”, detalhou. “A pressão é interna, nossa, pessoal. A gente se sente pressionado porque quer solucionar o caso. É o nosso trabalho. É o que nós gostamos de fazer, investigar, solucionar os crimes”, contou ele.

De qualquer forma, a prisão do serial killer veio bem a calhar com a eleição estadual. “E você queria que a gente fizesse o que? Que escondesse o cara uma semana para apresentá-lo na segunda-feira (dia 27, um dia após a realização do 2º turno)?”, perguntou o policial. “Vou repetir pra você: nós não temos nada a ver com a eleição. A polícia de Goiás trabalhou nesse caso como em tantos outros casos. Você sabia que Goiás é o único Estado do Brasil que conseguiu solucionar todos os casos de sequestro até hoje? O único. Por que aqui não tem mais sequestros? Você tem sequestros em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Paraná, mas aqui, não”, disse em tom de desabafo.

As críticas de que a polícia de Goiás é ruim e mal preparada incomoda alguns setores policiais. “Quando ouço essas críticas eu me pergunto: o que mais a gente tem que fazer? Não entendo. Nem eu e nem muitos dos meus colegas”, lamenta o policial. “Houve um tempo que as pessoas iam a uma agência bancária aqui em Goiânia e bandidos invadiam e assaltavam. Não há mais assaltos. Isso acontece por causa do nosso trabalho. Aqui também não tem os grupos como o PCC e o Comando Vermelho, como em São Paulo, no Rio e em Santa Catarina. Por que? Posso te garantir que eles já tentaram se instalar aqui, mas até agora não conseguiram, graças a Deus e ao nosso trabalho. Somos incompentes, mal preparados, mal equipados? Mas por que não temos mais sequestros, não temos mais assaltos a banco, não temos PCC e Comando Vermelho?”, pergunta indignado.

Mas apesar da competência da polícia de Goiás o número de assassinatos tem crescido. Pior que isso, o índice de solução desses crimes é muito pequeno. “No Brasil todo o número de casos solucionados é baixo no geral, mas quando você olha os detalhes percebe que a gente consegue descobrir e solucionar quase todos os assassinatos que acontecem entre os cidadãos de bem. Quase todos. O problema realmente é grande quando envolve a bandidagem. Eles se matam o tempo todo. Quando a gente consegue prender, eles batem na cadeia e voltam para as ruas. Do jeito que está a lei, não tem jeito: vai ser assim sempre”, entende ele. A população também não consegue entender por que os índices de solução de assassinatos são muito melhores nos Estados Unidos e nos países europeus. “Vou repetir pra você: nós quase sempre descobrimos os autores de assassinatos entre cidadãos de bem. Faça um levantamento detalhado e você vai comprovar isso. O problema, vou repetir, é entre bandidos. Quem vai preso nos Estados Unidos fica preso. Aqui, não. A gente descobre o cara, prende o cara, e quando volta pra delegacia começa a investigar outro assassinato cometido pelo mesmo cara que já está solto”. E completa: “Se a lei não mudar, não vai mudar nada”.

 

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Nota do redator – Ao final, perguntei se poderia identificá-lo ao publicar este bate papo. “Melhor não. Pra que? Estou te contando isso aí pra você saber o que aconteceu. Não é pra aparecer. Tudo o que eu te disse até hoje aconteceu, lembra? (Leia post “Serial killer em Goiânia? Sem alarde, polícia investiga possibilidade”, de 28/julho). Não me identifica, não. Se quiser usar o que eu falei, pode usar, mas me deixe fora. Se quiser entrevistar alguém, procure os delegados. Eles é que devem falar. Meu negócio é só investigar”. Está certo, então, e obrigado. “O que é isso ‘irmão’, grande abraço”. E parabéns, você e os outros agentes fizeram um grande trabalho. “(gargalhada) A gente sempre faz, vocês (genericamente, jornalistas) é que nem sempre reconhecem (risos)”.

Foto: Jornal Opção online

Polícia garante que terror acabou: serial killer está preso

A cúpula da Secretaria de Segurança Pública de Goiás anunciou hoje, 15, pela manhã que o autor de uma série de assassinatos de mulheres e moradores de rua está preso. A notícia repercutiu intensamente por duas razões. A primeira, obviamente, pelo clima de apreensão e insegurança provocada pela série de mortes.

Foto: Jornal Opção online

Foto: Jornal Opção online

A segunda, por causa do calendário eleitoral. Nas redes sociais, militantes pró-Iris e contrários a Marconi e militantes pró-Marconi e contrários a Iris trocaram impressões, e até algumas provocações, por causa da prisão daquele que a SSP anunciou como autor dos assassinatos.

Foto: Jornal Opção online

Foto: Jornal Opção online

Não há dúvida sobre as repercussões diretas no clima eleitoral que a prisão do acusado provocam. A existência de um serial killer entre os mais de 1 milhão de habitantes de Goiânia, que somados aos moradores das cidades coligadas ultrapassam a casa dos 2 milhões, causava sentimento coletivo de intensa insegurança e medo, principalmente entre as mulheres mais jovens, na faixa etária entre 14 e 29 anos, e também para os pais, irmãos e amigos de mulheres com essas idades. motoqueiroO serial killer se compara a uma roleta russa cega e inesperada, que pode disparar um tiro fatal a qualquer momento e em qualquer “alvo” que se enquadre no perfil de suas vítimas. Para completar, um serial killer foge do padrão do criminoso comum, se misturando à sociedade como parte dela, o que torna muito difícil a sua identificação e, consequente, prisão.

Eleição – Imediatamente após o anúncio feito pelo próprio secretário de Segurança Pública, delegado da PF Joaquim Mesquita, em entrevista à rádio Bandeirantes 820-AM, no início da manhã de hoje, 15, as redes sociais, especialmente o Twitter, foram invadidas por postagens relativas à prisão do serial killer.

É compreensiva essa reação. Durante meses, a cada assassinato os opositores do governo estadual politizavam o crime de forma a gerar o máximo de danos à imagem do governo e do governador Marconi Perillo. Consequentemente, o anúncio da prisão do serial killer gerou imediato alívio da pressão oposicionista e autêntico desabafo de alegria entre os governistas.

Band: bonecos de ventríloquo não vencem debates

Pode acontecer de em um debate entre apenas dois debateres nenhum deles possa ser considerado vencedor? É raro, mas pode, sim. Ontem, na Band, isso aconteceu. Dilma Roussef e Aécio Neves se comportaram como dois bonecos de ventríloquos, e isso, francamente, não é debater ideias e concepções políticas. Não se discutiu nem o futuro do país e nem se apontou peremptoriamente os possíveis defeitos entre eles. Foram idênticos.

DILMA:AÉCIO

É claro que, como invariavelmente ocorre, partidários e simpatizantes de Dilma e de Aécio proclamam entusiasticamente a vitória. Talvez realmente acreditem nisso.Mas, provavelmente, para os eleitores que estão em dúvida sobre em qual deles votar dia 26 o debate não conseguiu sequer apontar para uma definição.

Em alguns momentos, por exemplo, seria ideal a instalação de um tradutor ou um rol de NE – notas explicativas. Dilma citou uma tal de “pasta rosa”. Quem ainda se lembra o que vem a ser essa tal pasta? É claro que um ou outro brasileiro sabe de cor e salteado do que se trata, mas estou me referindo ao povo como um todo, ao eleitorado de uma maneira geral.

Em um outro momento, Aécio poderia estocar a presidente Dilma na nevrálgica questão do porto de Cuba, especialmente quando ela disse que o governo financiou não Cuba mas empresas brasileiras de engenharia, e acrescentou que exportar é importante para o Brasil. É claro que é, mas não seria o caso de Aécio perguntar a Dilma por que ela não financiou essas mesmas empresas brasileiras de engenharia para construir ou reformar os portos brasileiros? Aécio não fez isso porque estava, como Dilma, ligado 100% aquilo que havia sido ensaiado junto com suas equipes.

Dilma perguntou sobre violência contra a mulher. Se imaginava que, após a resposta de Aécio, ela tocaria num assunto constrangedor ao extremo, que circula nas redes sociais da militância, sobre uma possível agressão que Aécio, numa balada carioca, teria cometido contra uma namorada dele. Que nada. Desandaram, ambos, a entoar uma cantilena decoreba preparada pelos marqueteiros, que nada acrescentou.

Enfim, nem Dilma pode se vangloriar, e nem Aécio pode festejar. Ambos foram engolidos pelo formato ensaiadinho/decoradinho de debate. E olha que as regras criadas pela TV Band foram sensacionais: perguntas e respostas, com réplicas e tréplicas diretas, com temas livres – e com tempo suficiente para apresentar sucintamente as ideias e intenções de cada um.

A quem interessa o erro das pesquisas?

Mais uma eleição e nova overdose de malhação contra os institutos de pesquisas. Há muito é assim. Não há dúvidas de que muitos números escaparam bastante da chamada margem de erro. Mas aconteceram vários “acertos” também. No Brasil, a tendência é limar as pesquisas e não discutir lógica e racionalmente alguns mitos sobre tais números.

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Em primeiro lugar está o óbvio: por que as pesquisas de todos os institutos “erraram” feio os percentuais de alguns candidatos – não de todos, repita-se. Os cientistas da área dizem, com razão, que há 2 aspectos a se considerar nesses casos. O efeito provocado pela abstenção – que não é medida antecipadamente pelas pesquisas – e os votos inválidos – brancos ou nulos. Na média nacional, esses três fatores somaram praticamente 30% do eleitorado. Em Goiás, chegou a quase 29%. Não há consistência probabilíssima que resista a uma demandada das urnas tão grande.

Em segundo lugar aparece a quilométrica distância entre o objetivo das pesquisas – o seu fim em si — e o voto praticado nas urnas. A pesquisa revela a intenção de voto, que pode se confirmar ou não nas urnas, ou nem chegar a elas depois (abstenção). Não é porque o grupo social estratificado indicou votar de uma forma que isso não poderá mudar de última hora.

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Aqui, vale a ressalva. A pesquisa boca de urna, que hoje em dia não faz nenhum sentido dada a instantaneidade da apuração, é a única que não pode apresentar diferenças de números com a apuração – fora da considerada margem de erro. Ela não capta a intenção do voto, mas o voto efetivamente praticado.

Influência – Enfim, pesquisas são pesquisas e eleição é eleição. Uma coisa é averiguar a intenção, a vontade, que o eleitor tem em determinado momento de votar assim ou assado. Outra coisa, e muito diferente, é a efetivação dessa vontade.

Se é assim, pra que servem as pesquisas eleitorais? Pra influenciar os eleitores “maria-vai-com-as-outras”, gritariam os mais afoitos. Pois é, mas até isso é um mito a respeito das pesquisas e dos erros delas. Se influenciassem tanto assim, é óbvio que as pesquisas não errariam jamais. Acertariam na mosca invariavelmente. Não é o eleitorado que se adapta à pesquisa, mas é a pesquisa que “se adapta” ao eleitorado. Esse mito, o de que as pesquisas alteram o resultado das urnas, talvez seja o argumento mais inviabilizador de qualquer discussão racional sobre as pesquisas eleitorais no Brasil.

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Na imaginação coletiva do Brasil, comum em inúmeras situações, a primeira reação contra os institutos é criar uma batelada de leis, como se proibições e limitações fossem efetivamente eficientes e eficazes contra “erros” científicos. Não é. Ao contrário. Quando criou-se, por exemplo, a exigência de registro prévio das pesquisas nos tribunais eleitorais não mudou absolutamente nada quanto à transparência do trabalho dos institutos. E nem segregou as empresas sérias das caçadoras de dinheiro que existem no mercado. O que ocorreu com a exigência do registro nos tribunais foi exatamente o oposto disso: igualou-se as pesquisas sob a chancela oficial do Estado. “A pesquisa foi registrada no TRE e no TSE”, tem-se a obrigação de informar. Ora, e daí que se registrou o levantamento. Isso prova apenas que a empresa que realizou a pesquisa está legalmente constituída conforme a legislação fiscal e tem um responsável técnico. Não prova que a empresa é séria ou que a pesquisa seja séria.

Nesse caso, e por incrível que pareça, o melhor a se fazer é desregulamentar as pesquisas. Retirar de todas as empresas a chancela oficial da justiça eleitoral. Isso pode causar uma bagunça inicial, mas fatalmente o mercado consumidor – o eleitorado – vai selecionar naturalmente em pouco tempo quem trabalha com seriedade e quem é trambiqueiro. As legislações são necessárias, obviamente, mas quando se tenta, como no Brasil, regulamentar em excesso apenas consegue-se gerar trambiques, dribles, espertezas, golpes e uma irresistível investida dos malandros para se burlar o sistema.

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Por fim, pesquisas não projetam os resultados finais. Elas somente informam como os eleitores pretendem votar, se forem mesmo votar e se não mudarem de ideia em algum momento. E sobre a tal influência que as pesquisas teriam sobre o eleitorado, os próprios erros são a prova irrefutável de que ela é infinitamente menor do que muitos imaginam. Se influenciassem mesmo, repita-se, não haveria erro, ué.

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Debate TV Anhanguera: opositores não tinham bala de prata

Líder nas pesquisas de todos os institutos, com a maioria inclusive apontando para possibilidade de vitória já no 1º turno, o governador Marconi Perillo foi ao último grande momento da campanha eleitoral, ontem, na TV Anhanguera/Rede Globo, com o único objetivo de se manter “vivo”. Deve ter saído satisfeito com o próprio desempenho. Ele não apenas sobreviveu aos ataques e questionamentos dos adversários como fez e sambou sobre todos os temas propostos.debate TV - 1Tanto que nas redes sociais após o debate, militantes e simpatizantes das candidaturas de oposição se apegaram a um fato extra-debate – uma postagem de blogueiro que conteria uma “ameaça velada” ao candidato do Psol, professor Wesley. Sobre o debate em si, pouquíssima repercussão.

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Confusos e equivocados – Disparadamente, os dois melhores debatedores foram Marconi Perillo e Antônio Gomide. Ambos falaram sem atropelar as palavras, de maneira clara e concatenada. Eles deram um “passeio” sobre os demais. Ambos demonstraram estar muito melhor preparados que seus adversários.

debate Iris

Iris Rezende, que em seu programa eleitoral de 2ª feira, acusou Marconi Perillo de estar sendo investigado no STJ, Superior Tribunal de Justiça, de manter contas no exterior (leia post neste site), não tocou no assunto. Em seus primeiros momentos, transpareceu certo descontrole. Iris, um debatedor de peso, esteve muito aquém do que se esperava dele. Transmitiu imagem cansada, sem pegada, e às vezes confuso.

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Vanderlan Cardoso bem que tentou, mas gaguejou muito todas as vezes que precisou sair do script que ele seguiu durante a campanha, baseado num tal “plano de metas”. Quando abordava temas pertinentes ao plano, conseguia desenvolver bem a linha de raciocínio. Demonstrou disposição, mas preparação equivocada para um debate. Por exemplo, ao apresentar um questionamento em que foi surpreendido pela resposta. Sua “bala de prata” no debate de ontem era usar palavras ditas por Marconi Perillo em 1998 contra as pesquisas. Fez a pergunta e se enrolou com a resposta que soou como um direto no queixo dele. Marconi reafirmou o que havia dito em 1998 e ainda saçaricou sobre Vanderlan: “Fique tranquilo, candidato, a pesquisa que vale mesmo é no domingo (dia da eleição)”. O erro de Vanderlan nessa pergunta foi elementar: não se pergunta nada sem saber exatamente o que o adversário irá responder. Na preparação, deve-se levar em conta todas as possibilidades de resposta. Vanderlan, que esperava constranger Marconi, acabou constrangido.

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O último debatedor, professor Wesley, do Psol, era um estranho nesse ninho de cobras criadas. (E só estava lá graças a pesquisa Ibope que o colocou com 1% a mais do que Antonio Gomide — correção: o candidato do Psol foi convidado porque o partido tem representação no Congresso Nacional, critério utilizado pela organização do debate). Nesse caso, seria muito melhor assistir a candidata do PCB, a também professora Marta Jane, debatedora que se revelou bastante eficaz nas eleições de 2010. Ou, para ficar no próprio Psol, o professor Pantaleão. Wesley tentou acertar a mutamba em praticamente todos os adversários, mas parecia estar usando um graveto e não um porrete.

debate gomide

No final, a impressão que ficou é que, no geral, os opositores fizeram um enorme “rastro de onça” sobre os debates, mas não souberam ou não conseguiram levar Marconi a nocaute. Gomide saiu maior do que entrou e os demais poderiam ter ficado em casa. Talvez pudessem ganhar mais com a própria ausência. Quanto à organização do debate, pra lá de aprovada, desde a apresentação até a formatação dos blocos, que privilegiou o debate entre os candidatos do início ao fim. Nota 10, sem qualquer reparo. (Fotos: site O Popular)

Muita calma nessa hora…

Telefone fixo toca. A cobrar, celular do Rio de Janeiro (21). Voz de um jovem aparentando certo desespero.

  • Pai, fui assaltado, pai. Os bandidos estão aqui no meu carro.
  • Onde você está?
  • Eles querem falar com o senhor. Me ajuda, pai.

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Catzo! A voz não era exatamente a do meu filho, mas vai saber. Na hora do desespero é difícil não alterar completamente o jeito de falar.

  • Olha aqui, não quero polícia nessa história, não (sotaque carioquíssimo). Cê vai pagar pela vida do seu filho.
  • Tá, calma, sem problema. Pode me falar onde vocês estão que eu vou aí.
  • Nada disso. Tem celular. Me passa o número agora.
  • Não, não tenho, não.
  • Cê num tem celular? Deixa de me enrolar que eu meto bala aqui e acabo logo com isso.
  • Não, calma. Celular eu tenho, mas tá carregando. Tá desligado e sem bateria.
  • Quero 100 mil reais agora. Você tem como arrumar esse dinheiro agora?
  • Não tenho isso tudo, não, uai. E é domingo à noite, como é que eu vou arrumar dinheiro.
  • Arruma 50 mil e eu fecho contigo. Num me enrola não que eu desço bala. Cê num quer teu filho de volta? Então, não me enrola, não.
  • Passa logo o número do seu celular que eu não quero enrolação.

Nessas alturas, pelo celular, já havia falado com o meu filho.

  • E aí, vai me passar logo o número do seu celular?

Nessas alturas, o coração já estava mais compassado. Ora, seria simples descobrir o meu celular olhando a agenda do celular dele, uai. E como o Afonsim atendeu e estava tudo bem, encerrei a conversa com o “sequestrador”.

  • Aí, companheiro, deu certo, não.
  • É, você foi esperto. Não me passou o número do celular. Se tivesse passado, ia dançar alto.
  • Pois é. Ahh, e não tenho filho, não, tá.
  • Tem muita gente que cai. Vou levantar uns 100 mil dólares ainda hoje.
  • Pega uns caras com mais grana. Além de tudo eu sou quebradão.

Ainda perguntei se ele era do semi-aberto ou estava fechado.

  • Nem sei onde é que eu estou, malandro. Cê mandou bem nessa.

Confesso que desespero, desespero não chegou a bater. Mas o primeiro contato, quando estava completamente desarmado de espírito, me deu certa aflição. Tentava identificar alguma coisa que pudesse identificar a voz do meu filho, mas não tinha como.

Ainda tinha algumas outras coisas pra jogar, como chamar meu filho por um nome errado. Tipo: “quero saber como o Fulanim está. Deixa eu falar com ele de novo.”. Se o Fulanim falasse novamente, seria mais uma garantia de que era um trote criminoso. E ainda teria como negociar o carro no lugar do dinheiro, claro que um modelo diferente do verdadeiro. “Olha, é domingo, não tenho como arrumar dinheiro nenhum. Fica com o carro. Eu passo os documentos pra quem você quiser”.

Felizmente, não foi precisei fazer nada disso. Mas o que realmente me deixou surpreso comigo foi a calma com que lidei com a situação. Nunca tinha passado por um lance assim. É muito tenso.

A Luz me iluminou. E que continue iluminando eu, os meus e meus amigos e amigas.

Fogueira de espelhos

A coisa de um ano, talvez um ano e meio, as redes sociais “analisavam” que as eleições deste ano iriam marcar o enterro político do governador Marconi Perillo. “Se ele for candidato”, acrescentavam. Pois ele não apenas se lançou na disputa como está a meio ponto percentual de vencer já no 1º turno.

O que houve para uma alteração tão dramática no cenário previsto por militantes e políticos oposicionistas para esse que aí está? Não muita coisa, essa que é a verdade. Fundamentalmente, a administração simplesmente engrenou. Aliás, algo extraordinariamente normal no modo brasileiro de administração pública. Os dois primeiros anos são geralmente consumidos por ajustes e levantamentos de demandas, e os dois últimos anos de espraiamento das atividades governamentais. Sempre foi assim por aqui e em todos os Estados brasileiros.

E se era assim tão previsível, por ser rotineiro e histórico, por que os opositores não se preparam melhor para o enfrentamento eleitoral? Difícil responder essa questão. Ao que parece, o mais provável é que a ânsia de derrotar o maior líder político goiano da atualidade, e um dos maiores de toda a história republicana, tenha provocado nos opositores uma cegueira política total, com egos inflados e fogueiras de vaidades absolutas.

Fogueira

Em nenhum momento levou-se em conta que o cenário de 2014 teria enorme possibilidade de recriar as condições eleitorais de 2002, quando Marconi foi reeleito já no 1º turno. E quando teve início de forma claríssima esse processo, imaginou-se 1998, eleição marcada pela mais espetacular e inesperada virada eleitoral da história política estadual. Ou seja, em nenhum momento os líderes oposicionistas levaram em conta que a eleição estava aberta, e com Marconi sendo um dos principais players.

Não há paralelos entre 1998 e 2014. Nenhum paralelo ou semelhança. A começar pelo mais óbvio: Marconi, como Maguito Vilela teria sido em 98, era o candidato natural ao governo. Ele não atropelou ninguém para ocupar seu lugar na disputa, ao contrário do que Iris Rezende teria feito em 98. Marconi herdou o posto naquela disputa como solução mais prática e à mão para um enorme impasse interno. Ele foi solução e não parte de um problema. Nenhum dos atuais candidatos oposicionistas se apresenta com essa característica. E o pior oposto disso é Iris Rezende, que enfrentou uma sangrenta disputa interna contra Jr Friboi.

Em 98, todos os grandes partidos oposicionistas se uniram não em torno de um nome, mas em um projeto de enfrentamento ao PMDB. O nome do candidato surgiu depois de acertada a união, e não, como agora, diante de enormes labaredas de vaidades egocêntricas e, algumas vezes, messiânicas. Vanderlan saiu candidato antes de se oferecer à mesa de negociação dos opositores. Antônio Gomide, envaidecido pelo sucesso local, imaginou-se conquistador das emoções estaduais. Iris… Bem, Iris se comportou exatamente como sempre, olhando para o próprio umbigo de sua inquestionável liderança política, certo de que seria seguido tão logo resolvesse a disputa interna no PMDB. Em nenhum momento, por um só segundo sequer, os três abriram a possibilidade de adiar seus planos eleitorais em nome do objetivo comum: derrotar Marconi.

Costuma-se atribuir, ao meu ver equivocadamente, um certo sentimento coletivo por mudança como principal propulsor da vitoriosa campanha de Marconi Perillo em 1998. Esse tal sentimento de mudança pra melhor é constante em todas as disputas eleitorais. Mesmo nos processos de reeleição, o que determina o voto do eleitor é esse sentimento de que as coisas vão mudar para melhor, mesmo que o governante seja o mesmo. Como atribuir a esse tal sentimento de mudança a espetacular virada de 98 se a apenas um mês das eleições Iris mantinha uma dianteira de 30 pontos percentuais sobre Marconi? Um sentimento coletivo como esse não explode de um momento para o outro. Dorme-se de um jeito e acorda de outro? Não. A mudança se cria aos poucos, alimenta e se alimenta dela própria, e vai se ampliando até o domínio total. E, definitivamente, não foi isso o que aconteceu em 98.

espelho

O PMDB naquela época era hegemônico, tinha um governo com aprovação maciça, muito maior que agora, inclusive, e um candidato natural à reeleição. É impossível se comprovar realisticamente, mas Maguito jamais perderia aquela eleição. Nem para Marconi, nem para nenhum outro opositor.

O PSDB é majoritário, mas não é hegemônico. Os tempos assim exigem na multiplicidade partidária atual. E Marconi é naturalmente candidato à reeleição. Mais do que isso, ele comanda uma máquina administrativa que apresenta resultados satisfatórios, conforme demonstram as pesquisas que indicam aprovação dos desempenhos do governo e do governador. Há teses que afirmam, diante de experiências observadas ao longo do período em que a reeleição passou a valer, que governos com aprovação acima de 35% e menos de 40% de rejeição tem fortíssimas chances de reeleição. Pois os índices atuais de Marconi apresentam aprovação próxima a 50% e rejeição abaixo dos 30%.

O que tudo isso significa? Que Marconi pode, sim, se reeleger já no 1º turno. O cenário, definitivamente, não é o de 1998. O que se tem é 2002 muito mais concretamente. Mesmo que a eleição vá para o 2º turno, hipótese real, mas não muito provável, dificilmente surgirá outro cenário. O atual foi construído por méritos de Marconi e, mais uma vez, pelos erros dos oposicionistas, que parecem ter especial predileção por fogueirinhas de papel. Antes de enfrentarem Marconi e seu formidável exército político-eleitoral, os opositores precisam quebrar os espelhos com os quais veneram seus próprios egos.

Seria killer em Goiânia: balística revela quantas armas foram utilizadas

Jornal da Globo, ontem, segunda-feira, 5. De Goiânia, o repórter informa que o exame de balística, que poderia comprovar ou não se todos, ou pelo menos alguns assassinatos de mulheres em Goiânia, foram praticados com uma só arma, não pode ser realizado e comparado porque ainda não foi possível apreender nenhuma arma relacionada aos crimes. Isso é uma bela confusão de objetivos quanto ao corpo da investigação. Vamos aos fatos.

Ilustração publicada no blog "osmentalistas.blogspot"

Ilustração publicada no blog “osmentalistas.blogspot”

Aqui neste site levantou-se duas questões. Primeira, se há ou não um psicopata matando mulheres em Goiânia. A polícia, até então, jamais havia admitido que investigava essa possibilidade. O site revelou que, sim, a hipótese de os crimes estarem sendo praticados por um serial killer era avaliada pelas investigações. Segunda questão: somente um exame de balística poderia avaliar a possibilidade real de que os tiros partiram de uma mesma arma, o que levaria à conclusão, praticamente com 100% de garantia, de que um serial killer estaria em ação na capital de Goiás. Afinal, se os tiros que mataram todas ou algumas das vítimas foram desfechados pela mesma arma a probabilidade de o autor ser um só seria quase definitiva.

O que foi veiculado pelo Jornal da Globo, ontem, não tem qualquer relação com a concretização das investigações. Não é necessário examinar a arma para saber se a bala foi disparada através dela. Ao contrário, examina-se a bala para se comprovar se foi a mesma arma. revolver-1Então, a balística nesses casos identificaria se as balas foram disparadas pela mesma arma, ainda que não identificada, ou não.

Exemplificando

Apenas a título de melhor compreensão do que representaria o tal exame das balas, a balística, nos projéteis que mataram as mulheres em Goiânia, imagine cinco sujeitos que, por algum motivo, desconfiem que são irmãos. Note que, neste momento, não é o caso de saber quem são os pais, mas apenas se eles são ou não irmãos. O exame apropriado nesse caso seria o de DNA nos tais sujeitos. Agora, transfira esse caso para as balas de cinco ou mais assassinatos. O exame para saber se são “irmãs” é a de balística. É isso.

bala-de-revolver

Revólveres e pistolas imprimem uma marca nos projéteis que disparam. Uma espécie de, digamos, impressão digital. Grosso modo, exatamente igual ao que acontece no encontro de espermas e óvulos, que levam suas “impressões digitais” aos filhos gerados. Ao se examinar o DNA dos filhos é possível saber com precisão se são irmãos ou não. Ao se examinar as balas disparadas é possível saber se partiram da mesma arma ou não.