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Impressões do cotidiano

Moraes e Toffoli

Após a patética censura, Toffoli e Moraes podem ser moídos pelo plenário do Supremo

Se eles imaginavam que o país iria se curvar e ficar prostrado diante de tamanha aberração, caíram do cavalo. Dias Toffoli e Alexandre Moraes, os ministros trapalhões do inquérito da censura parecem agora perdidos diante da bagunça que fizeram. Eles estão isolados no Supremo, e tem até manifestação pública contrária do ministro Marco Aurélio Mello, além de terem sido repreendidos pelo Ministério Público Federal, através do arquivamento do inquérito presidido por Moraes.

Moraes e Toffoli

A patetice foi tão grande que não oferece nem ao menos a alternativa de voltarem atrás. Seria uma desmoralização completa para ambos. O que lhes resta é apanhar no plenário.

Censura da toga: Fake news coisa nenhuma. Veja print do depoimento de Marcelo Odebrecht à Lava Jato sobre o “amigo do amigo do meu pai”

Não foi fake news. A reportagem da revista Crusoé e do site O Antagonista sobre a identidade do codinome “amigo do amigo do meu pai” foi baseada em documento enviado à Lava Jato, atendendo pedido dos procuradores federais da operação, em Curitiba.

Veja o print dessa parte do depoimento de Marcelo Odebrecht.

cópia doc Marcelo Odebrecht

“Operação Censura da toga”: Federal cumpre mandado na casa do general Paulo Chagas

O ministro Alexandre de Moraes expediu oito mandados de busca e apreensão na “operação censura da toga”. Um dos alvos é o general da reserva Paulo Chagas, que tentou se eleger governador do Distrito Federal nas eleições do ano passado. Em sua conta no Twitter, o general ironizou a execução do mandado assinado pelo ministro Moraes: “Quanta honra!”.

general Paulo Chagas

Os mandados estão sendo cumpridos em São Paulo e em outros dois Estados.

Crusoé censurada

Censura: a ditadura da toga desavergonhada

A censura determinada pelo ministro Alexandre Moraes, que diga-se de passagem foi nomeado para a corte das cortes dos juízes brasileiros sem jamais ter sido um deles, ao site O Antagonista e à revista Crusoé – que em seu despacho foi grafada como “Cruzoé” – está sendo interpretada – corretamente – como censura. É disso que se trata, a despeito das loas que alguns ministros da corte suprema cantam em versos recheados de citações maravilhosas a respeito da liberdade de imprensa e de expressão – vetado o anonimato, conforme determina a Constituição em vigor.

Crusoé censurada

O golpe militar de 1964, que caminhou pelas vias tortas até desembocar no Ato Institucional número 5, AI5, escancarou a ditadura no país. Pois o ato que fundamentou – ou tentou dar uma cara legal – a censura imposta ao site e à revista é um AI5 mal-ajambrado. Está baseado no regimento interno do Supremo. Ou seja, no conjunto de normas de operacionalidade da corte, e não vale para todo o território nacional, obviamente. Essa interpretação exdrúxula é da lavra do ministro Dias Toffoli, outro que jamais foi juiz antes de desembarcar na corte das cortes brasileiras.

A ira de Toffoli e Moraes contra a revista e o site foi detonada por uma reportagem de capa que destacou depoimento de Marcelo Odebrecht sobre o codinome “amigo do amigo do meu pai”. Delator na Lava Jato, Marcelo explicou que essa alcunha se referia a Dias Toffoli. Nem a revista, nem o site e nem Marcelo acusaram o ministro de receber dinheiro desonesto. Essa informação em que se baseou a reportagem, de que o “amigo do amigo do meu pai” é Toffoli, foi confirmada. Não é, portanto, barrigada – jargão jornalístico para informação equivocada, que não se confirma – ou fake news. Porém, a revista e o site disseram ainda que o tal depoimento esclarecedor foi enviado à Procuradoria-Geral da República. Não foi. O documento foi acrescentado somente aos depoimentos dados anteriormente por Marcelo Odebrecht.

Com base nessa frase/afirmação, sobre o envio do depoimento à PGR, Alexandre Moraes concluiu que a revista Crusoé e o site O Antagonista criaram uma fake news, e determinou a censura de toda a reportagem.

Talvez, numa próxima vez, a revista e o site devem se corrigir. Há outras relações de amizade do ministro Dias Toffoli pra lá de conhecidas. Por exemplo, com Zé Dirceu, condenado pelo Mensalão e também no Petrolão. Um amigão.

Bolsonaro celular

Conexão: Bolsonaro fez o certo ao vetar aumento no diesel, mas errou feio ao jogar para a platéia

A Petrobras anunciou um aumento de preços para o óleo diesel completamente estapafúrdio, de quase 6%. E por que considerar esse aumento repentino, numa tacada só, um disparate total? Por várias razões. Primeiramente porque se está falando do principal insumo do transporte de cargas do país, seja pelas rodovias, ferrovias ou mesmo em barcaças nas poucas hidrovias do país. Por fim, em razão da forte crise que ainda se observa nos fretes, o que tem mantido milhares de caminhoneiros estacionados e irados, dispostos a uma greve nacional nos mesmos moldes daquela que abateu a recuperação econômica que se ensaiava no meio do ano passado. É muito inferno para um astral só, o lucro de uma estatal.

Bolsonaro celular

O presidente Jair Bolsonaro ligou imediatamente para o presidente da empresa e vetou o aumento de preços do óleo diesel. A Petrobras engoliu seco, publicou uma nota oficial sem pé nem cabeça – disse que tem margem para manter o valor atual por mais alguns dias o que, se for real, é outro disparate: se poderia manter o preço, por que anunciou o aumento? -, e o mercado de ações entrou em polvorosa, derrubando o preço de mercado da companhia em exuberantes 34 bilhões de reais.

Choveram críticas dos analistas financeiros sobre a intervenção do presidente da República. E, mais ainda, inaugurou-se uma fase que parecia estar completamente superada, a de segurar artificialmente os preços para praticar demagogias populistas nos Palácios. A tese mais em voga entre os tais analistas é a de que o mercado deve ter liberdade ampla, total e irrestrita para se regular naturalmente. Em certo grau, esse ponto de vista deve ser observado, mas com viés de limite. Afinal, se o mercado deve ser completamente livre para se equilibrar, por que ninguém aí defende a extinção do Banco Central, que tem exatamente o papel de controlar a moeda e a demanda financeira?

O presidente, portanto, agiu bem – e politicamente atualizado ao não desprezar a ameaça de greve nos transportes, que poderia, sim, ser detonada ou reforçada diante desse aumento desproporcional – ao vetar o reajuste. Mas provocou um tsunami ao jogar para a platéia quando disse que ligou para o presidente da Petrobras e determinou o recuo da empresa. Há inúmeras decisões no alto comando dos interesses da República que não podem de forma alguma serem divulgadas no auge da fervura sob pena de anularem os efeitos positivos gerados por elas. Foi exatamente o que aconteceu nesse episódio. Que o presidente aprenda com o erro.

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Ensino domiciliar (Homeschooling): tititi ideológico esvazia discussão

No pacote de intenções de 100 dias do governo de Jair Bolsonaro está a autorização para o ensino domiciliar (Homeschooling) no Brasil. Esse modelo educacional não é novo, e existe em inúmeros países, como Estados Unidos, Áustria, Bélgica, Canadá, Austrália, França, Noruega, Portugal, Itália e Nova Zelândia.

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Por ele, os pais podem contratar professores particulares, ou eles próprios se for o caso, para ensinar seus filhos sem necessidade da frequência em uma escola formal, seja ela estatal ou particular. Hoje, pela lei brasileira, a prática é proibida. Os pais são obrigados a matricular os filhos a partir dos 4 anos de idade, a chamada pré-escola – o que se transforma em letra morta pela incapacidade gerencial do próprio Estado, que não oferece vagas suficientes na rede pública para crianças nessa idade.

É claro que o ensino domiciliar nos países em que é permitido, tem alguns mecanismos de controle e eficiência. Os alunos são obrigados, de tempos em tempos, a passar por testes de avaliação de conhecimento. A regra varia de país para país.

Também não há unanimidade em torno do ensino domiciliar. Na Alemanha e na Suécia, por exemplo, é crime  não matricular os filhos em idade escolar. No mundo todo, especialistas apontam vantagens e desvantagens nesse sistema.

A discussão no Brasil deveria passar por esse critério, mas como sempre ocorre nas últimas décadas, virou briga de boteco nas redes sociais e até em parte da imprensa. O que se percebe nitidamente é que o que menos conta é a tematização  objetiva do ensino domiciliar. O tititi é meramente uma questão ideológica. É uma pena.

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Diário íntimo de um velho repórter… Uma Isabel liberta, e escreve a história. Outra Isabel condena, e se apequena

Acho, sinceramente, e estou sendo realmente sincero, que não deveria me meter nesta história. Mas sabe aquela velha história que dizem do mal amado escorpião? Encarnei no desgraçado. De novo. Acho que nunca vou aprender a ficar do lado certo do riacho…

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Não esperava mais ver uma decisão de um juízo federal condenando uma piada. Já vi uma porção delas lá pelos idos que não devem voltar mais, mas não achava que pudesse acontecer novamente. Agora? Num tem base.

Se condenasse a piada por entender ser de péssimo gosto, ok. Se repreendesse levemente, mas não entendesse como crime, ok também. Mas não respeitar quem riu da piada é infame, idiota. Eu não ri. Do meio pra frente, confesso. Achei que o cara, o Danilo, baixou o nível (da piada) quando enfiou os picotes de sei lá o que da Câmara dos Deputados no saco. Se fosse uma cusparada, por mim, tudo bem. Mas no saco não, pô. Mas, quer saber? O saco é dele e ele roça lá o que quiser.

Gosto de namorar superficialmente com a história. Sempre gostei. Ela me conduz sobre as águas traiçoeiras da expressão. Deve ser vício de origem – eu, condenado a escrever… Gosto de, levemente, aceitar a ideia de que a Isabel libertou os escravos. Não deu a eles a Casa Grande, mas os permitiu sair da senzala. Até hoje tem gente que diz e promete que dará a eles a Casa Grande. A turma da Maria do Rosário garante que ainda vai, embora nunca tenha ido. Tomara que eles, os pretos, a conquistem. Eu, branquelo que sou, não passei do alpendre.

O que me espanta, espantalho que ainda me permito ser, é saber que outra Isabel, alguns séculos depois da outra, a da liberdade humana,  diz que piada merece cadeia. E como jamais a Isabel atual conseguirá, ela ou qualquer outro/outra, prender a piada, do seu juízo manda prender o piadista. Estou velho demais pra entender  isso. Saco.

PS – Como disse logo no início deste diário íntimo de um velho repórter, não deveria ter dado pitaco e nem metido (ops) a minha colher.

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80 tiros: nível de estresse de toda a tropa precisa ser avaliado com urgência para que novas tragédias sejam evitadas

É claro que sob nenhum ângulo que se possa analisar o que aconteceu no episódio que terminou com a morte de Evaldo dos Santos Rosa, que teve o carro onde estava com sua família fuzilado com 80 tiros por soldados do exército, no Rio de Janeiro, vai se deparar como ação padrão. O problema, porém, parece ser muito mais grave. De acordo com reportagem do jornal O Globo, uma das pessoas que estava dentro do carro, e que escapou logo no início do intenso tiroteio, disse que vários soldados seguiram atirando contra o carro, apesar dos gritos das vítimas para que parassem. Aparentemente, e com base no levantamento da perícia no local e nesse depoimento, aqueles soldados, após o primeiro tiro, não mais ouviram nada. Apenas seguiram disparando. Esse é o dado mais preocupante: o nível de estresse que eles estavam/estão.

tropa em ação

O episódio, uma tragédia, precisa acionar, se é que ainda não acionou, o alerta máximo no comando da tropa de operação do Rio de Janeiro. O estresse daqueles soldados é fato isolado ou outras tropas estão da mesma forma. Uma avaliação é extremamente necessária para que não se repita uma situação tão terrível como aquela que se viu.

 

Iris Rezende começa a se movimentar administrativamente para a sucessão do ano que vem?

O prefeito Iris Rezende tem insistido em uma tecla a cada declaração dada à imprensa e desconversado sobre outro assunto. O que ele vem falando com inegável e indisfarçável ânimo é que conseguiu reequilibrar financeiramente a Prefeitura de Goiânia, que tinha avaliação C – muito ruim – no início de 2017, quando assumiu o atual mandato. Essa classificação, dada pela Secretaria do Tesouro Nacional, se refere à capacidade que a Prefeitura tem para pagar dívidas. O Tesouro Nacional diz que a nota passou de C para A, a melhor classificação possível. Interlocutores que quiserem um prefeito falante e bem humorado basta citar essa informação para ele.

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Sobre a possibilidade de vir a disputar sua sucessão dentro de 1 ano e meio, em outubro do ano que vem, Iris volta a ser o político de sempre, e desconversa. Não diz que definitivamente estará fora da disputa, mas também não confirma se ainda tem empolgação pessoal com as eleições.

Com a avaliação positiva da Secretaria do Tesouro Nacional, que abre as portas para um financiamento de 100 milhões de dólares, quase 400 milhões de reais, somada à capacidade de Poupança Corrente, cuja avaliação passou de nota C para B, Iris certamente contará com um exército bastante poderoso de realizações dentro do seu estilo: obras. Candidato ou não, ele certamente será um dos protagonistas da eleição em Goiânia.

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Não é papo furado de Iris Rezende: Prefeitura de Goiânia recebe nota A do Tesouro, e anuncia pacote de obras

A Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Economia, confirmou o que o prefeito Iris Rezende tem afirmado desde o início deste ano sobre a recuperação e estabilização financeira da Prefeitura de Goiânia. Dos três pontos avaliados, a administração de Iris Rezende acumula duas classificações máximas, nota A, e uma média, nota B, e mesmo nesse caso houve uma melhora. Antes, era nota C, a mais baixa.

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O Tesouro Nacional avalia que a Prefeitura de Goiânia exibe hoje a nota máxima no principal item: a capacidade de pagar dívidas, a Liquidez. Para se ter uma melhor ideia da evolução, no levamento anterior a nota era C. Ou seja, a nota indicava que a Prefeitura não tinha condições de pagar dívidas. A única nota mantida foi a que mediu a capacidade de poupança, nota A.

Com essas informações positivas, o prefeito Iris Rezende pretende ir atrás da conclusão de um financiamento na Corporação Andina de Fomento, que foi negociado ainda na gestão de Paulo Garcia, mas que havia esbarrado na nota C de Liquidez apresentada na época, 2015, e que persistiu até o salto atual.

O dinheiro, pouco menos de 400 milhões de reais, será usado integralmente na recuperação e reconstrução de cerca de 600 quilômetros de ruas e avenidas da cidade, que tem a pavimentação já fora das melhores condições de manutenção. A Prefeitura anunciou que pretende investir, no total, cerca de 1 bilhão de reais até o final do ano passado. Entre as obras previstas estão três trincheiras e viadutos, na avenida 90, marginal Botafogo e no Jardim Novo Mundo. (com informações da Secretaria do Tesouro Nacional e O Popular online).