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Análises e comentários sobre os principais fatos de Goiás e do Brasil

Romário Policarpo

Conexão: Prefeito perde comando da Presidência da Câmara, mas Goiânia ganhou

Se do lado externo a disputa pela Presidência da Câmara Municipal de Goiânia foi um mar de rosas, inclusive pelos resultados dos eleitos – com boa vantagem -, nos bastidores as coisas foram bastante tensas. Ao ponto de o grupo vencedor passar a noite anterior ao dia da eleição hospedada fora do território da capital. Foi uma medida extrema com o objetivo de evitar alguma interferência política de última hora, o que poderia criar uma turbulência quanto à coesão do grupamento.

O prefeito Iris Rezende anunciou alguns dias antes da eleição da nova mesa diretora da Câmara que não iria interferir no processo. Ele próprio talvez realmente não tenha atuado abertamente, mas a mais alta cúpula de seu governo, sim, fez tudo o que poderia fazer para e pela reeleição do presidente Andrey Azeredo, que teve uma atuação avaliada  como muito importante para dar estabilidade, ainda que mínima, para a administração municipal.

O presidente eleito, Romário Policarpo,  é guarda civil metropolitano. Candidatou-se a vereador em 2012 e ficou na suplência. Em 2016, novamente candidato, venceu. Ele jamais foi um furacão de mídia ou orador destacado e polêmico em plenário. Seu estilo político é refinado, sutil e que procura agregar. Não é governista empedernido e nem oposicionista. Anda bem nas duas correntes e geralmente se posiciona na defesa do funcionalismo público.

Romário Policarpo

Para se tornar unanimidade dentro de um grupo com 24 vereadores, deve-se concluir que ele conseguiu somar um pouco mais que os demais pretendentes. A chapa completa foi eleita – e sempre com 24 votos contra 11 (uma só exceção, com 23 votos), o que revela a consistência com que o grupo de Policarpo estabeleceu.

O prefeito Iris Rezende – ou seus assessores mais próximos, vá lá – não conseguiu a reeleição de Andrey Azeredo. No último momento, Andrey deixou a vaga aberta para Paulinho Graus. A dificuldade de Andrey não significa despreparo. Talvez o maior problema dele tenha sido o de garantir, como já se falou, um mínimo de estabilidade nos dois primeiros anos do governo atual. Isso, obviamente, gera desgastes.

Pode-se concluir portanto que o prefeito perdeu, sim, o controle que tinha sobre a Presidência da Câmara Municipal. Na sexta-feira, 7, Romário deixou claro que não se deve concluir, com a eleição dele e a derrota de Iris, que a Câmara será oposicionista. Com bastante sapiência, o novo presidente resumiu a relação futura. Ele disse que a Câmara e os vereadores querem discutir Goiânia com o prefeito. Sem alinhamento automático nem contra e nem a favor. Se isso for realmente colocado em prática, Iris perdeu, mas a cidade e seus cidadãos e cidadãs só tem a ganhar.

Tempo novo: A queda do maior império político-administrativo da história moderna de Goiás

Desde 1982, quando houve a recuperação do direito da população indicar pelo voto direto os governadores e prefeitos de cidades listadas como de interesse da segurança nacional e capitais, jamais um grupo conseguiu tamanha hegemonia como o Tempo Novo, inaugurado na eleição de 1998 com a vitória de Marconi Perillo. Antes dele, o MDB deu as cartas entre 82 e 98, mas o partido sempre foi pulverizado entre políticos de porte extraordinário, como Iris Rezende, Henrique Santillo, Mauro Borges, Irapuan Costa Júnior e Iram Saraiva, além de várias outras lideranças expressivas. No Tempo Novo, ao contrário, houve uma consolidação de maneira única da liderança de Marconi, o ousado jovem que em 1998 derrotou o MDB e seus partidos e forças satélites.

Sob a liderança de Marconi, um império político-administrativo se ergueu, e se tornou o mais vitorioso da história moderna no Estado, vencendo sucessivamente 5 eleições, sendo 4 delas com o próprio Marconi.

Cena da campanha de Marconi, que inaugurou o Tempo Novo, em 1998

Cena da campanha de Marconi, que inaugurou o Tempo Novo, em 1998

Pois esse império poderoso não apenas foi massacrado, como quedou-se inapelavelmente. E chega aos extertores de sua existência de maneira vexatória, atirando na lata de lixo um dos seus maiores legados – o pagamento dos servidores públicos dentro de certa normalidade e rotina. Isso sempre foi um símbolo em relação aquilo que havia antes – quando servidores públicos eram tratados como estorvo necessário

Certamente, muito ainda irá se falar sobre a vitória de Ronaldo Caiado – ele próprio um dos fundadores do Tempo Novo – e a derrocada desse grupamento que, independentemente de qualquer outra coisa, se inseriu como registro de toda análise que será feita sobre a estrutura do poder político em Goiás. E é o tempo, como bem sabe o homem do campo que migrou para as cidades, que cura o queijo. E certamente as análises posteriores perderão o natural contágio com a situação presente, tornando-se assim muito mais pertinente e, por essa razão, consistente.

Caiado 0202

Mesmo de forma precária, em razão da escassez do tempo fundamental do distanciamento, é possível dizer que o Tempo Novo é passado. Isso não equivale a dizer que seus integrantes estão condenados ad eternum ao ostracismo. Significa somente que o império perdeu a consistência administrativa, e caminha para o fim melancólico. Se transforma em sua queda numa encruzilhada em relação ao que agora se apresenta como o renovador. Caiado poderá trilhar pela modernidade das relações políticas tanto entre seus aliados como em relação aos que ele derrotou, ou seguir pela fórmula populista e grosseira do “acerto de contas”.

Rumo à modernidade político-administrativa ou retorno das velhas práticas?

Rumo à modernidade político-administrativa ou retorno das velhas práticas?

Isso não equivale a dizer que a realidade deve ser empurrada para baixo dos tapetes palacianos, mas, sim, de postura civilizada diante dos erros eventualmente identificados para que possam ser evitados enquanto relés continuísmo de tempos idos. Goiás merece mais do que isso, e os goianos deram a Ronaldo Caiado um crédito de confiança como jamais se viu antes, com seus 60% de votos nominais válidos. O governador eleito tem diante dele um desafio tão grande quanto foi o apoio que recebeu da esmagadora maioria dos eleitores que optaram por um dos candidatos: inaugurar uma nova era que leve à modernidade evolutiva na relação política ou o retorno e manutenção das velhas práticas.

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Conexão: Álvaro Guimarães se tornou grande favorito para Presidência da Assembleia Legislativa

Uma das eleições mais complicadas do mundo político estadual é a da Presidência da Assembleia Legislativa. Porém, ao contrário do que já aconteceu algumas vezes na Câmara Municipal de Goiânia, a definição no legislativo estadual costuma ocorrer com alguma antecedência. Ganha destaque quem consegue se articular melhor e de forma mais abrangente dentro das muitas tendências políticas internas. É o caso atual do deputado Álvaro Guimarães.

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Nos bastidores comenta-se que Álvaro tem o compromisso do governador eleito Ronaldo Caiado para sua pretensão. Tudo realmente aponta nessa direção. Caiado teria se comprometido com o apoio ao deputado, que foi um dos primeiros políticos do 1º escalão a deixar a base aliada estadual comandada pelo PSDB para apoiar a então ainda isolada candidatura de Ronaldo Caiado. Desde então, a corrente pró-Caiado só fez crescer não apenas na base aliada como também nos chamados partidos independentes. Álvaro, nesse contexto, foi uma espécie de abre-alas que quebrou o isolamento vivido pela candidatura Caiado.

A disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa porém passa ao largo do apoio do governador. Os deputados estaduais se sentem à vontade para ouvir o que o governador diz, mas decidem com enorme autonomia. Exemplo desse histórico – que não significa rebeldia – foi a eleição do deputado Samuel Almeida, em 2004. Ele peitou o Palácio das Esmeraldas e foi eleito para comandar o legislativo.

Álvaro Guimarães não tem esse mesmo estilo, de enfrentamento. Ao contrário, ele é conciliador de mão cheia. Reeleito para o sétimo mandato como deputado estadual, ele coleciona também cargos na estrutura interna do legislativo. Nos últimos dois anos, exerce a Presidência da mais importante comissão da Assembleia, a de Constituição, Justiça e Redação.

Internamente, a eleição para a próxima Mesa Diretora, em fevereiro do ano que vem, já é considerada como fatura liquidada. Álvaro Guimarães é o grande favorito. Há ainda o deputado Iso Moreira na parada, mas comenta-se que ambos – com perfil conciliador – devem se acertar. Álvaro tem o apoio do governador eleito, o que soma bastante, e conseguiu se apresentar bem entre os deputados reeleitos, além de ampliar seu leque de apoio entre os deputados recém-eleitos. Ele alcança essa posição principalmente pela sua imensa capacidade de somar apoios.

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Conexão: Ronaldo Caiado derrotou até sua própria previsão em uma campanha muito bem trabalhada

Há coisa de 2 anos, ao anunciar decisivamente que entraria na corrida eleitoral deste ano pelo governo de Goiás, o senador democrata Ronaldo Caiado, que se encontrava isolado politicamente em seu minúsculo (regionalmente) DEM, disse com todas as letras que só seria candidato com apoio do MDB. Não foi uma frase qualquer. Naquele momento, e naquelas circunstâncias, era peremptória. Sozinho, Caiado enfrentaria um mar de dificuldades que talvez inviabilizasse a montagem de uma candidatura realmente competitiva.

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Desde aquele momento, muita coisa mudou. E essas mudanças não lhe caíram no colo. Não teve aquela história de “cavalo arriado”. Ele precisou ir ao pasto, entrar no meio da tropa, laçar um alazão, colocar o arreio e só então pode montar. Houve um trabalho intenso de bastidores que talvez apenas seus protagonistas possam contar. São coisas que acontecem na profundidade das relações políticas que não emergem.

Dentre essas negociações, possivelmente esteja uma figura referencial dentro do MDB: o prefeito Iris Rezende. Era bastante claro, no início do processo, que Iris deu corda para que Caiado pudesse trabalhar dentro dos corredores internos do MDB. E o democrata suou a camisa. No final, como se sabe, ele não conseguiu a totalidade do partido, e viu seu principal aliado emedebista atuar discretamente na campanha por razões óbvias, mas ele conquistou inúmeros apoios entusiasmados. Não teve todo o MDB – tarefa que sempre se soube que seria quase impossível -, mas levou para a sua campanha um naco considerável.

Ao mesmo tempo, Ronaldo Caiado, que durante 16 anos viveu entre tapas e beijos com a cúpula da base aliada governista – é impossível não registrar a dissidência que ele abriu já nas eleições municipais de 2000, inclusive em Goiânia, seguida por tantas outras oportunidades -, mirou os descontentes da base, e encontrou enorme receptividade. Na reta final, surgiu com apoios inimagináveis, inclusive com o senador em exercício, e herdeiro definitivo do mandato conquistado em 2010 por Demóstenes Torres, Wilder Morais – que se enquadra nesse rol de descontentes.

Na reta final e decisiva da campanha, quando sua candidatura poderia perder boa parte da popularidade, o resultado de todo o trabalho de bastidores que ele fez durante dois anos na base aliada surtiu um efeito colateral importante, quando candidatos a deputado estadual e deputado federal desse grupamento começaram a se descolar das candidaturas majoritárias. Isso jamais havia ocorrido antes nas eleições de Goiás. Não na intensidade que se viu.

Caiado sempre teve como sonho político disputar e vencer a eleição para governar Goiás. E é fácil acreditar erradamente que foi “mamão com mel” toda a sua caminhada quando se vê o resultado final: 60% dos votos válidos, a maior da história desde a eleição de Iris Rezende em 1982 – que teve 66,7% dos votos válidos. Na verdade, a vitória foi resultado de uma construção político-eleitoral complicada, difícil e extremamente trabalhosa. A montanha de votos que o elegeu não caiu do céu, não surgiu por alguma força inercial. Foi edificada voto a voto numa das mais profissionais campanha da política moderna de Goiás. Venceu quem trabalhou mais e trabalhou melhor.

Caiado em 1º, José Eliton e Daniel Vilela empatados em 2º: eleição está aberta

Conexão: Eleição deste ano escapa de todos os padrões. Jogo permanece aberto

Pesquisa recente de um instituto nacional – que este site desde sempre não acata em sua linha editorial, e ao mesmo tempo reafirma decisão de republicar e analisar somente números dos institutos Serpes, Fortiori e Grupom – teve intensa repercussão entre os principais concorrentes ao governo do Estado de Goiás e também ao Senado. Quanto a esse fato é impossível desconhecer. A razão para tamanho barulho é a de sempre: saltos muito grandes nas escalas percentuais geram dúvidas, corretas ou não. Normalmente, as pesquisas, quando comparadas somente com levantamentos realizados por um mesmo instituto, apresentam quadros evolutivos tanto negativos como positivos. Tudo o que sai fora dessa curva se perde dentro de qualquer possibilidade de análise centrada pelo histórico, que ao fim e ao cabo é o cipoal convergente do rico conjunto informativo das pesquisas de opinião.

Caiado em 1º, José Eliton e Daniel Vilela empatados em 2º: eleição está aberta

Caiado em 1º, José Eliton e Daniel Vilela empatados em 2º: eleição está aberta

Para o tal instituto nacional, a eleição em Goiás já está previamente decidida dada a evolução, com salto extraordinário das intenções de voto registradas ao candidato democrata Ronaldo Caiado e a estagnação, dentro das margens de erro admitidas pelo instituto, pelos demais concorrentes.

Obviamente, trata-se de uma versão somente otimista vendida como verdade absoluta por entusiasmados militantes. Ao mesmo tempo, é um banho de água fria que atinge congelante militâncias dos demais candidatos. E é esse o único poder das pesquisas eleitorais no Brasil e no mundo atualmente. Não existe mais, pelo menos não na escala que se tinha antes, do voto praticamente definido pelas tabelas das pesquisas. Ao contrário, é raro alguém se referir à escolha de voto para um candidato que perde a eleição como “voto perdido”. Muito mais comum e atual é ouvir eleitores – bem mais independentes em relação aos humores das pesquisas – afirmar soberamente que votará em determinado candidato mesmo “sabendo que ele não será eleito”. E é assim que surpresas que nada tem de surpreendentes, aos olhos daqueles que se debruçam sobre o conjunto informativo do conjunto de pesquisas apresentado por vários institutos, ocorrem com bastante frequência.

Historicamente, e tudo o que remonta essas informações ao longo das últimas pouco menos de quatro décadas, pode estar escapando do padrão nas eleições deste ano, mas uma coisa só  não há como mudar: o perfil do comportamento eleitoral dos goianos. Isso vai além da “bola de cristal” fajuta que institutos “vendem”. Eleição não é vencida ou perdida por pesquisas. O que ocorre somente é que campanhas sofrem muito mais influência delas do que o eleitorado.

Nesse sentido, e por tantas outras análises que destas afirmativas poderiam ser desenvolvidas, este site se mantém reticente quanto a peremptoriedade da frase que garante que a eleição em Goiás já está definida. Nem quem está na dianteira – e aqui está se referindo a Ronaldo Caiado – acredita nisso, tanto é que permanece se esforçando na campanha, com evidentes desgastes inclusive físico. Ele está fazendo a coisa certa. Eleição se ganha na rua, e votos podem e devem ser conquistados até o último momento, e por essa razão, e pelo fato de que ainda não se conseguiu mapear qualitativamente o padrão do comportamento final que o eleitor adotará no dia 7 de outubro, a eleição ainda está aberta.

Atentado contra Bolsonaro influenciou quadro inalterado da pesquisa Serpes/O Popular?

Observando-se os números apresentados neste domingo pelo jornal O Popular sobre a mais nova rodada da pesquisa Serpes, o quadro geral das candidaturas se mostrou absolutamente inalterado, com variações dentro da margem de erro – que, registre-se, é fantasticamente alta, totalizando 7%, com 3,5% para mais ou para menos. Há alguma explicação para esse fato após o início da fase mais importante e aguda da campanha, o horário eleitoral no rádio e na televisão? Não. O que existem são alguns fatores que podem ou não ter contribuído para o registro desse quadro estático.

Em 1º lugar é importante observar que o período de realização da pesquisa, entre os dias 3 e 7 de setembro, abordou somente 4 programas eleitorais para o governo do Estado, sendo que 3 deles foram ao ar durante a pesquisa, o que obviamente pode ter refletido, para menor, o efeito geral, se é que esses programas – e principalmente as pílulas de 30 segundos inseridas durante a programação das emissoras. Ou seja, a exposição ou o contato direto do eleitor com a campanha dos candidatos foi muito pequena.

Bolsonaro esfaqueado

Outro fator que pode ter influenciado o resultado da pesquisa Serpes foi o atentado sofrido pelo candidato Jair Bolsonaro, esfaqueado durante ato de campanha no interior de Minas Gerais, no dia 6 de setembro. A pesquisa Serpes foi realizada entre 3 e 7 deste mês, o que significa que, em média, 40% dos entrevistados, se divididos igualitariamente ao longo do período, foram abordados sob fortíssimo clamor provocado pelo atentado em Minas.

Esses dois fatores podem ter gerado algum efeito para a manutenção geral das candidaturas na pesquisa, mas isso não há como ser cientificamente comprovado. A próxima rodada da pesquisa certamente acabará com pelo menos uma parte dessa dúvida. Se o quadro se mantiver mais uma vez, estará evidenciado que esses fatores de agora não influenciaram o quadro estático. Se o instituto registrar mudanças muito substanciais, talvez nesse caso possa se levar mais em conta tais fatos.

Ilustração: site Jornal do radialista

A propaganda no rádio e na TV pode definir a eleição?

Pesquisas eleitorais, a qualquer tempo, são eletrizantes. As tabelas lotadas de percentuais tem o poder magnético de moverem manchetes nos veículos de comunicação, provocam debates acalorados nas redes sociais, especialmente Facebook e Twitter, e mexem com brios e ânimos da militância partidária e dos próprios candidatos. Enfim, as pesquisas são sempre um fator provocativo nas campanhas eleitorais.

Mas até que ponto os resultados tem poder de influenciar decisivamente o voto dos eleitores? Pesquisas manipuladas tem esse poder? No passado, sim. Hoje em dia o eleitor não se guia pelas pesquisas. Se não acabou completamente, praticamente foi extinta aquela prática bem brasileira de se votar como se estivesse em jogo de prognóstico para “acertar” o vencedor. Tomou-se consciência de ninguém perde o voto ao escolher e se decidir por um candidato que eventualmente não tenha votação suficiente para se eleger.

Arte: TRE-GO

Arte: TRE-GO

Se as pesquisas já foram influenciadoras do voto e não são mais, pelo menos de maneira decisiva, como o eleitor processa todas as informações de uma campanha para se decidir? São inúmeros os mecanismos que levam o eleitor até à convicção do voto. Passa pelo círculo familiar, chega aos contatos diários com amigos e conhecidos, entra pelas redes sociais, percebe-se pela presença dos candidatos de maneira direta e mais próxima e junta-se aos correligionários e partidários que formam uma grande ou pequena rede de apoio – geralmente também constituída por candidatos a deputado estadual e deputado federal, que tem votação, digamos assim, provocada por maior intimidade com faixas localizadas do eleitorado. Por último, e muitíssimo importante, a propaganda no rádio e na televisão durante o período de campanha eletrônica. Sim, apesar da ampliação dos mecanismos influenciadores do poder decisório do eleitor com a chegada e popularização das redes sociais na internet, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão ainda exerce papel fundamental em campanhas para presidente, governador e senador. Deputados estaduais e federais dependem muito mais das chamadas bases, e do contato direto com o eleitor.

Ilustração: site Jornal do radialista

Ilustração: site Jornal do radialista

Unindo agora os dois pontos aqui abordados: pesquisa eleitoral e palanque eletrônico – como é chamada a propaganda no rádio e na TV. Não há uma só pesquisa realizada por institutos tradicionais que não aponte para uma situação absolutamente tranquila do senador Ronaldo Caiado, DEM, na disputa pelo governo do Estado. bem atrás estão o governador José Eliton, PSDB, e o deputado federal Daniel Vilela, MDB, compondo o time principal das candidaturas competitivas em Goiás este ano. Se as eleições fossem realizadas imediatamente, as pesquisas são unânimes ao indicarem enorme possibilidade de decisão já no 1º turno, com vitória do candidato democrata. Essa situação vai mudar até o dia 7 de outubro? Ninguém tem qualquer garantia quanto à resposta. Tanto pode mudar muito, sofrer pequena alteração ou não mudar coisa alguma. E se existe algo que pode interferir no resultado que as urnas vão apresentar no 1º domingo de outubro é a propaganda no rádio e na TV.

Como é impossível adivinhar o que vai acontecer a não ser através de uma bola de cristal, que divinamente funcione como uma janela temporal do futuro, o que se pode apontar com certeza são as condicionantes que existem à disposição dos candidatos no rádio e na TV.

Aqui se apresenta um dos grandes pontos enfraquecidos do até agora líder incontestável Ronaldo Caiado. Dentre os candidatos, ele terá o menor tempo para usar no rádio e na televisão. Não que o espaço conseguido por sua coligação, principalmente PDT e PRTB – o Pros, do candidato a vice deputado estadual Lincoln Tejota tem tempo menor -, signifique que o candidato mal conseguirá dizer o seu nome – no estilo de Enéas, candidato do Prona na eleição presidencial de 1985. Caiado terá espaço suficiente para tocar em frente sua campanha eletrônica, mas sem nenhuma sobra.

E é exatamente o tempo de exposição no rádio e na TV – das 8 da manhã às 10 da noite – muito maior que as candidaturas de Daniel Vilela e, principalmente, do governador José Eliton depositam a esperança de virar o jogo. Caiado tem a vantagem inequívoca de ser muito mais conhecido do que Daniel e Eliton somados, mas ambos vão nadar de braçada no palanque eletrônico, ao contrário do democrata, que vai nadar contra a correnteza do pouco espaço.

Levando-se em conta o que se afirmou até aqui, de que a campanha no rádio e na televisão continua sendo a principal influenciadora do aspecto geral no processo de definição do eleitor, a resposta para a pergunta na manchete desta Conexão é sim, a eleição pode ser definida no rádio e na televisão. Pode ser não significa que será. O eleitor de vez em quando cria suas próprias condicionantes. Talvez por isso as eleições jamais são favas contadas.

Caiado terá que trabalhar mais do que os adversários para superar coligação menor

Serpes/O Popular: nada mudou. Caiado lidera com folga, José Eliton e Daniel dividem 2ª colocação

O resultado apresentado pela pesquisa Serpes/O Popular, a primeira com o quadro eleitoral realmente definido, não teve, como era de se esperar, nenhuma mudança. A liderança do senador democrata Ronaldo Caiado se mantém com enorme folga. Ele estaria agora com 39,8% dos números absolutos, o que representa 62,09% das intenções de votos válidas – critério adotado pela legislação brasileira para estabelecer índice igual (mais um voto) ou superior a 50%, o que determina se a eleição terá ou não 2º turno. A segunda posição vem sendo praticamente dividida entre o governador José Eliton, que apareceu com 9,9% (15,44% dos votos válidos) e está tecnicamente empatado com Daniel Vilela, com 8,6% (13,41% dos votos válidos). Os três tem a companhia de Kátia Maria, com 2,9%, Wesley Garcia, com 2%,  e Marcelo Lyra, 0,9%. Intenções de voto nulo e branco, 16,6%, e indecisos, com 19,4%, somam 35,9% – e formam a chamada alienação eleitoral.

Caiado terá que trabalhar mais do que os adversários para superar coligação menor

Caiado terá que trabalhar mais do que os adversários para superar coligação menor

A diferença pró-Caiado é mesmo muito grande em relação aos adversários dele. Para se ter uma ideia, a soma de Eliton e Daniel, em votos absolutos, chega a 18,5%. Com seus 39,8%, a vantagem de Caiado para todos os demais candidatos, em intenções de votos absolutos, é de 15,5%. Ou seja, Isso lhe garantia, ainda assim, a 1ª posição na pesquisa.

José Eliton tem mais coligação, mas tem pela frente um trabalho difícil

José Eliton tem mais coligação, mas tem pela frente um trabalho difícil

José Eliton e Daniel Vilela são adversários, sem dúvida, mas por força das circunstância, formam um consórcio, auxiliado pelos candidatos com índices bem mais baixos, para empurrar a eleição para o 2º turno. Se a eleição fosse realizada neste momento, segundo o Serpes, Caiado seria eleito governador já no 1º turno.

Esse consórcio tem como objetivo “tirar” intenções de voto do líder Caiado. É exatamente nessa linha que provavelmente as suas campanhas vão seguir. De outra forma, independentemente de quem se destaque na 2ª colocação, o quadro não se altera em relação à liderança do democrata, e nem muda também a possibilidade de eleição em apenas 1 turno.

Daniel Vilela, com a segunda maior coligação, terá que se descobrar

Daniel Vilela, com a segunda maior coligação, terá que se desdobrar

Vai começar – Eleitores com intenção de voto definida para Ronaldo Caiado afirmam categoricamente que a eleição já está definida, e com possibilidade de ser decidida já no 1º turno. Tem algum fundamento real essa crença? Sim, tem. É um otimismo, algumas vezes exacerbado, que tem como alicerce os número das pesquisas.

Mas não existe ainda qualquer definição, que ocorrerá, no 1º turno, somente em outubro, e com 2º turno previsto para o último domingo daquele mês caso nenhum candidato consiga 50% mais um do total de votos nominais, portanto válidos. É esse o prazo que os adversários de Caiado terão para crescer sobre as atuais intenções de voto dele – e não de uns sobre os outros. Ou seja, se José Eliton conquistar intenções de voto de Daniel ou Daniel tirar intenções de voto de Eliton, a perspectiva em relação a Ronaldo Caiado não vai se alterar uma vírgula.

E como vão se comportar as coisas daqui em diante? Tudo depende da abrangência das campanhas, principalmente dos 3 concorrentes diretos. No papel, a campanha de Caiado tem séria deficiência em relação a Eliton e Daniel – sua coligação é numerosa, porém de composição que não soma muito porque é constituída de apenas 2 partidos medianos, DEM e PDT. Eliton tem 5 grandes partidos e Daniel soma 2 grandes, MDB e PP, e um mediano, o PRB. Os dois vão contar com chapas proporcionais – de deputados estaduais e federais – muito mais representativas do que Caiado, além de ocuparem larga faixa do horário destinado ao chamado palanque eletrônico – rádio e televisão.

No geral, o que se percebe claramente é que Ronaldo Caiado fez bem seu papel de candidato até aqui, enquanto Eliton e Daniel cumpriram o script que teriam condições de cumprir dentro das circunstâncias. De agora em diante, e talvez essa afirmativa cause espanto em militantes, Caiado terá que trabalhar muito mais para se manter onde está porque contará com exército empolgado – com razão -, mas muito mais fraco no conjunto.

Caiado, Eliton e Daniel: tarefas diferentes

Disputa pelo governo: Cada qual com seu problema

Os três principais candidatos ao governo de Goiás, José Eliton, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, tem apenas um ponto em comum: querem comandar o Palácio das Esmeraldas pelos próximos quatro anos. Para chegar ao destino, a caminhada de cada um deles será diferente

José Eliton é adversário de Ronaldo caiado, que é adversário de Daniel Vilela, que é adversário de José Eliton. Pode-se inverter esse ordenamento dos nomes da forma que se quiser e a frase sempre estará correta. Há somente uma meta que os iguala: a vontade de vencer a eleição para governador, e ganhar assim o direito a comandar o Palácio das Esmeraldas pelos próximos quatro anos, a partir de janeiro de 2019. Caiado, Daniel e Eliton, obviamente, querem vencer, mas apenas um vencerá. E a caminhada de cada um deles será diferente. Como há muito não se via, eles estão desiguais demais neste início de etapa sucessória.

Em outras eleições para o governo, embora com diferenças de estilo, as situações das candidaturas principais estavam mais ou menos equilibradas. Em 2010 e 2014, para ficar apenas nos dois exemplos mais recentes, e também com maior semelhança, os dois concorrentes diretos sempre foram, do início ao fim, Marconi Perillo e Iris Rezende. De certa forma, o menos antenado eleitor já sabia que um deles derrotaria o outro, e por margem não tão grande assim. Marconi venceu as duas vezes. Na primeira, em 2010, quando retornou ao Estado após ver seu aliado, Alcides Rodrigues, se tornar ferrenho adversário após a eleição de 2006, em que ele teve papel decisivo no resultado, Marconi correu riscos aos montes. Enfrentou máquinas nos três níveis, a federal, nas mãos de Lula, a estadual, com Alcides, e a de Goiânia, com Paulo Garcia (já falecido), naquela altura herdeiro de Iris. Ainda assim, Marconi começou o processo eleitoral pau a pau com Iris em todas as pesquisas eleitorais. Em 2014, na reeleição, o mesmo Iris surgiu como força opositora de igual potência e volume.

Caiado, Eliton e Daniel: tarefas diferentes

Caiado, Eliton e Daniel: tarefas diferentes

Nesta eleição, pelo menos até aqui, o jogo é completamente diferente, e desigual entre os candidatos principais. A princípio, com certo grau de certeza, que o próximo governador será um dos três. Qual deles? Aí já não é possível ter convicção nenhuma, a não ser através do “achômetro” ou de uma bola de cristal, coisas que a política nunca aceitou muito bem. Um deles, tudo bem. Qual deles é outra história. Apesar de viverem momentos totalmente desiguais, há muito chão pela frente. Mas muito mesmo.

Apesar de bastante precoces, há informações bastante preciosas nas pesquisas eleitorais realizadas pelo Serpes, sob encomenda do jornal O Popular, e Grupom, a mais recente, do jornal Diário da Manhã. Nos dois levantamentos, o senador Ronaldo Caiado aparece numa folgadíssima liderança, o que tem proporcionado a ele se movimentar com desenvoltura em busca de apoio em vários partidos, inclusive no MDB, do rival Daniel Vilela. E aqui começa o tal caminho de Caiado rumo ao Palácio.

O senador é, sem nenhuma dúvida, o mais conhecido dos três. Chega a ser inacreditável que exista um só goiano que nunca tenha ouvido falar dele. Os militantes das outras duas candidaturas justificam a liderança nas pesquisas exatamente por esse fato. Faz algum sentido, sim, claro, mas não explica tudo. O eleitor entrevistado pelos institutos não respondeu se conhecia os nomes que lhe foram apresentados em uma cartela. A pergunta foi outra: em qual daqueles nomes, caso a eleição fosse agora, ele, entrevistado, votaria. O Grupom encontrou, em cada grupo de 100 eleitores que indicaram um dos candidatos, nada menos que 61 com inclinação de votar, naquele momento, em Ronaldo Caiado. É uma quantidade avassaladora. Para se ter uma melhor ideia, apenas Iris Rezende, em 1998, apresentou desempenho nessa linha, chegando a 70 eleitores em 100. Esse foi o teto de Iris. O atual pode ser o teto de Caiado. Difícil imaginar que ele ainda tenha possibilidade de ampliar o número de eleitores. Difícil ampliar e igualmente muito difícil manter esse nível. A maior votação já registrada no 1º turno ao governo de Goiás desde 1982 é de Marconi Perillo, em 2002, como candidato à reeleição, com 52%.

Daniel Vilela, que aparece em empate técnico com José Eliton, vai por outro caminho. Ele tem uma boa estrutura partidária, o MDB, partido com maior número de filiados no Estado. Mas não tem todo o MDB. Tem um discurso fácil, mas terá que trabalhar bem o conteúdo. Até por ser o mais jovem dos três, e filho de um político tradicional. Tem potencial de crescimento, sem dúvida, mas precisa transformar potencial em potência. E só tem uma forma de chegar a esse ponto. Aliás, não só ele como também José Eliton: seduzir eleitores que hoje respondem positivamente à candidatura de Caiado. Esse é o único caminho para o Palácio.

Por fim, José Eliton está no segundo maior partido de Goiás, o PSDB, e vai para a campanha com a caneta mais poderosa do Estado nas mãos, a de governador. Isso é bom? É bem mais do que isso: é ótimo. Tanto que se ele fosse o representante de qualquer outro grupamento dificilmente estaria numa lista inicial de um dos possíveis candidatos com possibilidade real de ser eleito. Seu caminho difere da trilha de Daniel porque ele tem como uma de suas tarefas agradar como governador. E isso tem necessariamente que começar em “casa”. Se a base aliada comprar a briga dele, José Eliton não apenas terá plenas condições de chegar ao 2º turno como se colocará em condições de vencer a eleição. Se parte dessa base, qualquer que seja o setor, se sentir desprestigiada ou menosprezada, vai ficar tudo muito complicado.

Ronaldo Caiado

Rivalidade: Caiado se aproveita da fase neutra de Daniel

A disputa no campo oposicionista neste período de pré-campanha tem alternado bons momentos de um e de outro candidato

O que era para ser uma corrida de obstáculos para afunilar a oposição representada por MDB e DEM em um único candidato se tornou uma disputa para avançar sobre alianças e se credenciar melhor para um possível segundo turno. Alguns opositores ligados ao senador democrata ainda falam oficialmente em união, mas no MDB, ou o que restou dele, nem Daniel e nem Caiado vão abrir mão de suas pretensões ao governo do Estado.

Ronaldo Caiado

Ronaldo Caiado

É um jogo de perde e ganha, com os dois protagonistas dividindo bons e maus períodos. A semana que passou foi francamente favorável ao democrata, assim como o balanço em semanas anteriores havia registrado bons momentos para o emedebista. A julgar por tudo o que tem acontecido até aqui, é provável que esse clima – e esses altos e baixos -, vai continuar indefinidamente, eletrizando ainda mais a temporada eleitoral na oposição estadual.

Daniel Vilela passou a semana lambendo as feridas políticas. Ele, ou o seu partido, o que dá na mesma, perdeu o líder da bancada na Assembleia Legislativa, deputado estadual José Nelto, e viu se consolidar a dissidência dos prefeitos líderes do terceiro grupo interno, do trio Adib Elias, de Catalão, Paulo do Vale, de Rio Verde, e Ernesto Roller, de Formosa. Esse apoio foi antes da semana passada, mas os efeitos podem ter se refletido com maior intensidade nos últimos dias. Além disso, Daniel também viu o senador Wilder Morais fechar de vez com o DEM, partido ao qual se filiou depois de perceber que o PP que ele dirigia não o acompanharia no apoio/aliança com o senador Ronaldo Caiado. Daniel fazia as contas e julgava estar perto de compor a chapa majoritária com ele para o governo, Wilder e Vilmar Rocha, presidente regional do PSD, nas duas vagas para o Senado.

Já sem Wilder, que foi sozinho para o DEM, levou na bagagem meia dúzia de eleitores e um caixa pessoal bem elevado – fruto de seu trabalho como empresário de sucesso no ramo da engenharia -, Daniel ainda não sabe se apostar em Vilmar é ou não viável. O presidente do PSD tem batido na tecla de que o projeto da base aliada se exauriu, mas sem explicar quando isso aconteceu, o que dá a impressão, falsa ou não, de que talvez tenha acabado no momento em que o seu desejo pessoal de ser candidato ao Senado mais uma vez – ele foi derrotado por Ronaldo Caiado em 2014 – ruiu diante de um quadro amplamente mais favorável para a recandidatura da senadora Lúcia Vânia. A segunda vaga está reservada à candidatura do agora ex-governador Marconi Perillo.

Ao contrário de Wilder, que não possuía qualquer histórico político até herdar a vaga de senador após a cassação do titular Demóstenes Torres, Vilmar tem uma longa carreira. Já foi secretário de Estado algumas vezes, deputado estadual e federal por vários mandatos. Mas exatamente como no caso de Wilder, Vilmar ainda não convenceu o PSD a bancar seus projetos dentro de um destino na oposição. Vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais do partido devem continuar na base aliada, onde estão em zona de conforto tanto político quanto eleitoral.

A onda de incertezas que rondou as hostes de Daniel Vilela redobrou os ânimos do senador Ronaldo Caiado, que se movimentou com bem mais desenvoltura, exibindo seus “troféus”, que incluem além dos emedebistas, deputados estaduais da própria base aliada. Além disso, Daniel terá que ficar atento ao fogo inimigo/dissidente interno. É fácil perceber que vários emedebistas criticam abertamente sua candidatura, ao mesmo tempo em que derramam rios de elogios a Ronaldo Caiado. Parte desse contingente, por sinal, está abrigado na própria Prefeitura de Goiânia, apesar de o prefeito Iris Rezende afirmar que o emedebista terá seu apoio pessoal na campanha.

Essa postura de Iris, por sinal, em nada lembra a decisão que ele assumiu quando em 2012 o MDB goianiense se rebelou para lançar candidato próprio à prefeitura contra a aliança com o PT de Paulo Garcia. Iris usou o extintor naquela oportunidade. Apagou o fogo dissidente e as fichas de filiação dos rebeldes. Desta vez, os palacianos dele não estão sendo molestados. Os maguitistas de Daniel perceberam esse apoio claudicante de Iris, mas consideram que pode ser efeito colateral das muitas dificuldades que o prefeito enfrenta na administração. Ou por outra motivação qualquer, que ainda não foi diagnosticada.

A postura de Daniel Vilela, e de seu principal orientador, o ex-governador Maguito Vilela, é de absoluta tranquilidade. Ele sabe, ou aprendeu com o pai, que uma corrida como essa é de obstáculos, e a persistência conta bastante a favor. Só não pode ficar tranquilo demais para não permitir que Caiado comece a avançar nas alianças dentro da oposição por força do vento favorável. É hora de pensar em alguma estratégia, mesmo que seja em conformidade com a sua linha de atuação, bem mais discreta do que a de Caiado. É esperar para ver como será a reação.

   

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