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Análises e comentários sobre os principais fatos de Goiás e do Brasil

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FofocaPMDB: o jogo pesado do tititi

Para o bem ou para o mal, a verdade é que o PMDB está no centro da agitação política no Estado. Tem de tudo: notícia real, informações cifradas, boatos, tititi, puxadas de tapete, conversas ditas sigilosas e fofocas. Tudo junto e misturado. Só falta um Galvão Bueno narrando ¨é de arrepiar! Haja coração, amigo¨.

E é mesmo uma fase eletrizante. As informações, fundamentadas ou não, parecem acompanhar o movimento do sol nos céus goianos. Ontem pela manhã, quando ainda se digeria ação do prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia, para pacificar os ânimos de Iris Rezende e Jr Friboi, começou a circular a notícia (de bastidores, obviamente) de que um grande acordo interno estava em curso, com Iris candidato ao governo e Friboi de vice.

Hoje, no Diário da Manhã, o bem informado jornalista político Helton Lenine, citando reportagem assinada pela jornalista goiana Raquel Ulhôa, no Correio Braziliense, falou que a decisão de candidatura na província vai ser decidida pelo presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, e o ex-presidente Lula. A definição vai passar também pelo resultado de pesquisa do Ibope encomendada pela direção nacional do PMDB. Com um detalhe: Raupp afirmou que a pesquisa será levada em conta, mas não servirá nem para desempatar a peleja entre Iris e Friboi. Ele explicou que nem sempre quem está na frente ganha as eleições.

A observação do senador Raupp é correta, mas se é assim, por que fazer uma pesquisa para depois, se for o caso, decidir exatamente pelo resultado adverso? Mas não é só isso. Tem a participação do Lula, que é do PT. O que o ex-presidente estaria fazendo no caldeirão de definições do PMDB? O jornal brasiliense diz que o irmão do Jr, Joesley, que herdou o comando do grupo Friboi (JBS), teria procurado o Lula para pedir ao ex-presidente que interferisse no processo de escolha interno do PMDB goiano.

Trocando um miúdos, essa é uma salada geral dentro de um quadro informativo específico que seria favorável ao homem da carne.

E o que há de fato concreto por aí? Ninguém sabe. Ou quem sabe não fala, ou realmente a situação está indefinida como sempre esteve. A notícia de Brasília sugere a queda de uma outra ¨verdade¨: a de que Friboi tinha franca maioria contra Iris numa possível disputa na convenção do partido. Se é assim, por que o irmão dele pediria a interferência do companheiro Lula?

Na coluna Giro, de O Popular, assinada pelo competente Jarbas Júnior, uma nota quase despretensiosa diz tudo: peemedebista teria avaliado que, no momento, Iris e Friboi somam 50% de chances cada um. Ou seja, tá empatado. Soou sensato.

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PMDB

¨Baixar a poeira¨ para diminuir danos internos

O PMDB está rachado. Constatação intempestiva? Longe disso. Ontem, uma das grandes lideranças do partido, o prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia, disse que é preciso esperar a ¨poeira baixar¨. Em outras palavras, tem que esperar o ¨vendaval¨ passar.

A referencia de Maguito é direta e envolve o processo de afunilamento interno das candidaturas do PMDB ao governo do Estado. Até então, nenhuma liderança peemedebista importante tinha falado abertamente sobre a existência de atritos internos, embora os sinais captados externamente fossem evidentes e inegáveis.

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Começou na filiação de Jr Friboi

Os choques internos não começaram agora, eles apenas afloraram mais escancaradamente.

No final do ano passado, quando ainda estava no PSB, surgiram sinais de que Friboi pretendia embarcar na canoa peemedebista. Em Brasília, ele se acertou com o presidente nacional do partido, vice-presidente Michel Temer. Iris não gostou e foi até lá conversar com Temer. Friboi venceu naquele momento.

Recebido com festa de praxe, principalmente pelo grupo liderado por Maguito, chegou como virtual candidato ao governo do Estado, o que desagradou ainda mais Iris Rezende. Iristas foram a campo para repor as coisas de acordo com seus interesses: Friboi era um dos pretendentes, e não o pretendente. Ato contínuo, outros dois peemedebistas anunciaram que também eram pré-candidatos ao governo, os ex-deputados estaduais Wagner Guimarães, de Rio Verde, e Ivan Ornelas, de Formosa.

Friboi sentiu o golpe e exigiu da Executiva Estadual um posicionamento oficial sobre sua situação. Sob forte influência dos maguitistas, Jr recebeu o título simbólico e pomposo de pré-candidato oficial do PMDB ao governo do Estado.

O que motivou Maguito a pedir que o partido adote o velho ensinamento de que é ¨o tempo que cura o queijo¨ foi entrevista de Iris Rezende à rádio 730, num furo do repórter Divino Olavo. No bate-papo, Iris deixou claro que não abandonou o projeto de disputar o governo mais uma vez. E sacramentou que não existe esse ¨negócio¨ de pré-candidato oficial e que não foi consultado sobre isso.

O vento, que era incômodo, tornou-se vendaval.

Para Maguito, o jeito é esperar a ¨poeira baixar¨, buscar o consenso e ¨não ficar discutindo pelos jornais¨. Se isso vai funcionar ou não, vai se descobrir em breve.

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Pneu de estepe

 

Ontem, em belo furo da rádio 730, o jornalista Divino Olavo entrevistou o ex-governador Iris Rezende, do PMDB, que aparece na segunda posição em pesquisas eleitorais recentes.

 

Iris é o mestre de sempre, e driblou as perguntas mais diretas. Como a que questionou se ele será ou não candidato ao governo mais uma vez. ¨Sou como um pneu de estepe¨, se precisar, tá na mão. Ou seja, rodou e parou no mesmo ponto. Será candidato ou não? Será. Ou não, diria Caetano Veloso.

 

Defensores da candidatura de Jr Friboi permanecem, então, com esperanças, mas a falta de crescimento rápido nas pesquisas é, sim, um problemão. Friboi foi atirado numa sinuca de bico quando permitiu que peemedebistas o atirassem no atual período de teste de viabilização eleitoral com a aposta de bom desempenho em pesquisas. Ora, como fazer seu nome crescer nas ruas se não há campanha aberta?

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PT

 

E no PT, Gomide vai confirmar candidatura ao governo do Estado e desincompatibilização como prefeito de Anápolis ou não? Internamente, e localmente, não há qualquer problema. Gomide é o queridão do PT goiano.

 

No final de semana, os petistas fazem encontro estadual para discutir a candidatura dele. Ninguém espera qualquer novidade. Depois, ele terá mais alguns dias para aval da direção nacional do partido, em Brasília. Ele quer evitar um risco enorme, de se lançar candidato, deixar a Prefeitura e, na última hora, o PT nacional determinar mudança de planos e apoio ao candidato do PMDB.

 

 

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A sutileza das palavras confunde Friboi
Empresário terá de aprender muito para provar que tem condições de jogar o jogo da política
Júnior Friboi, pré-candidato do PMDB ao governo: confundido pelas palavras
“O político mais bobo consegue desenhar uma vaca na parede e ordenha fácil 10 litros de leite.” Parece frase de para-choque de antigos caminhões que rodavam lentos pelas estradinhas do Brasil. Aliás, um ou outro daqueles velhos e inspirados caminhoneiros provavelmente adornou a traseira de seu “bruto” com esse provérbio. Sábios desbravadores. A política é mesmo um mundo em que a sutileza das palavras às vezes esconde o que parece escancarar e logo depois escancara o que parece querer esconder.
O empresário bem-sucedido José Batista Júnior, o Júnior Friboi, vai descobrir isso aos poucos, agora que resolveu abandonar o balcão de negócios e bancar as negociações no mundo das relações políticas. Por enquanto, as palavras parece que confundem a fluidez de raciocínio dele. Friboi não tem a mínima noção de como interpretar correta e inteiramente o que se diz em alto e bom politiquês. Ele ainda não é do ramo. Se insistir, vai ser um dia, mas ainda não é.
Desde sempre, Júnior Friboi tem agido na política exatamente como fez quando presidiu a empresa criada pelo pai dele, atropelando tudo o que vê pela frente. Com pressa de ontem. Nos negócios, dizem, as coisas funcionam bem dessa forma: se surge a oportunidade, não se pode pensar muito. A cautela pode favorecer um concorrente.
Talvez por essa razão, Friboi tem agido muitas vezes com pressa suficiente para ser induzido a erros políticos grossos.
Na semana que passou, por exemplo, enquanto em Brasília a cúpula do PMDB tentava se acertar com a cúpula do PT para incluir Goiás entre os Estados em que os petistas vão ter que engolir cabeças-de-chapa peemedebistas nas disputas para os governos, Friboi sacou sua verborragia para atacar duramente os potenciais aliados. Por sinal, de resvalo, acertou até no colega de PMDB, Iris Rezende.
Em outras palavras, cobrou do prefeito Antônio Gomide, o queridinho do PT atualmente, que ele cumpra completamente o mandato de prefeito de Anápolis conquistado na reeleição de 2012. De bate-pronto, procurando coerência em sua cobrança, criticou também Iris Rezende por ter renunciado em 2010 e disputado o governo do Estado. Ou seja, além de não agradar o possível aliado, ainda limou o único peemedebista que representa séria ameaça ao seu projeto de disputar o governo de Goiás.
Estragos suficientes? Não para o nada sutil Friboi, que desandou a falar em seguida sobre o que o PT deve fazer a respeito dos nomes do partido nas eleições deste ano. Com Gomide fora do processo, de acordo com a sentença dele, Júnior então citou o ex-reitor da UFG Edward Madu­reira, e a ex-deputada federal Marina Sant’anna como bons candidatos do PT a vice-governador ou a Senador. Não haveria nada de errado nessas citações de Friboi se ele fosse petista e não peemedebista.
Iris: disse-não-disse
Júnior Friboi diz que foi convidado a se filiar ao PMDB exclusivamente para ser candidato ao governo de Goiás. Quem o convidou, afinal? Isso ele não diz. Iris Rezende, principal líder do PMDB goiano, certamente não foi o autor de tal convite. O próprio Friboi passa essa informação ao explicar que, convidado (por quem?) para se filiar ao partido, procurou Iris Rezende para saber se ele era ou não candidato ao governo.
Nesse ponto da história, a sutileza das palavras mais uma vez embaralha os neurônios políticos do empresário. Friboi garante que Iris jamais disse a ele que era candidato ao governo de Goiás. E completa: por que ele, Friboi, deixaria o PSB, onde não tinha concorrentes internos, para encarar uma briga desse tamanho no PMDB?
Concluído o raciocínio, Friboi então deixou a área de conforto do PSB e embarcou na canoa para enfrentar as tempestades que ele não imaginava existir no PMDB. Mas, afinal, Iris disse ou não disse que não era candidato? Disse, sim, e nunca negou ter dito exatamente isso. O problema aí está naquilo que não lhe foi perguntado pelo atabalhoado intérprete político Friboi: se ele, Iris, além de não ser candidato naquele momento, teria desistido completa e irreversivelmente do velho plano de tentar retornar ao Palácio das Esmeraldas.
Friboi também não en­xergou qualquer risco político à frente ao jogar fora a garantia de candidatura que o PSB lhe oferecia. Ouviu que Iris não era candidato, interpretou isso como desistência definitiva, e não se atentou para o fato de que, ao entrar no PMDB, perderia, como perdeu, a condição de decidir sozinho seu próprio futuro imediato. No PSB, nem Iris nem o PT ou qualquer outro partido conseguiria impedir a candidatura dele. Ali, como nas suas empresas, ele era o dono. No PMDB, virou sócio.
Políticos lidam com a sutileza das palavras a cada momento. Consta que Tancredo Neves, durante viagem de campanha ao Nordeste já nos estertores do regime militar de 1964, recebeu telefonema de um apavorado Ulysses Guimarães que queria avisar o matreiro político mineiro de ameaçadoras reações da caserna. Desconfiado de que seus telefonemas eram monitorados, Tancredo fingiu que a ligação estava ruim e disse: “Não estou entendendo o que você diz, mas posso te dizer que o mar aqui está muito bonito. Você precisa vir aqui ver isso, Ulysses”. E desligou o telefone. O grande timoneiro do PMDB entendeu o recado e correu para o aeroporto. Os arapongas não desconfiaram de nada. Eram bons investigadores, mas péssimos intérpretes da política.
Se o exemplo citado é quase uma covardia por envolver dois monstros sagrados da história da arte política brasileira, há zilhões de outros. Em 1985, no processo de afunilamento de candidaturas a prefeito de Goiâ­nia, no retorno das diretas, o então governador Iris Rezende trabalhava decisivamente contra a favoritíssima candidatura do deputado estadual peemedebista Daniel Antônio, que por conta disso já estava com um dos pés fora do PMDB e o outro dentro do PDT. Henrique Santillo, senador, era candidatíssimo ao governo de Goiás nas eleições do ano se­guinte, e tu­do o que ele não queria era enfrentar um prefeito ad­ver­sário na capital.
Então, no Palácio das Esmeraldas, Santillo jogou pesado com Iris pela candidatura de Daniel. O governador teria dito que era tarde demais, que Daniel já estava no PDT. “Não está, não. Falei com ele”, retrucou Santillo. “Se ele voltar ao PMDB, eu o apoio. Pode falar isso pra ele”, concordou Iris. “Falamos juntos. Os repórteres estão do lado de fora esperando pela declaração”, arrematou Santillo. Ele, Santillo, tinha avisado as TVs, rádios e jornais que iria ao Palácio, e assim o compromisso entre os dois, nascido na conversa reservada, se tornou público na mesma hora. Daniel não confirmou filiação ao PDT, foi o candidato do PMDB e venceu as eleições.
Enfim, para se tornar realmente um político, Júnior ainda tem um longo caminho pela frente. Por enquanto, até as palavras o confundem e o derrotam. Isso não significa que ele é um bom ou um mau candidato. Esse julgamento será feito primeiramente pelo PMDB. De­pois, se conseguir passar pela duríssima prova de fogo que é derrotar internamente o mito Iris Rezende, será a vez de enfrentar o veredito final, do eleitor. Até lá, dá tempo de aprender alguma coisa. Como disse Gui­lher­me Arantes, e que se tornou imortal na voz de Elis Regina, “nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar”. Resta saber se Friboi é bom aluno ou somente um bilionário excentricamente político.

As origens da divisão que inquieta o PMDB

As origens da divisão que inquieta o PMDB
Para quem acompanha a política goiana, não é nenhuma novidade o cenário de “pé de guerra” no partido, mais uma vez dividido no momento de definir o candidato ao governo
É absolutamente indiscutível e ninguém consegue desmentir peremptoriamente: o PMDB vive mais uma daquelas velhas discussões grupistas que marcam a história do partido em Goiás desde a década de 1980. De um lado, tradicionalistas ligados ao irismo. Do outro, maguitistas que encontraram em Júnior Friboi uma alavanca para tentar mover o centro do mundo peemedebista para outro prumo, o da superação da era Iris Rezende. Por enquanto, os dois lados cantam vitória. Quem vai realmente continuar cantando depois não se sabe, mas é certo acreditar que um dos grupos vai dançar fora do ritmo.
Velha história
Há alguma novidade ao se falar de divisões internas no PMDB goiano? De jeito ne­nhum. Para se ter uma ideia, a primeira delas aconteceu logo depois das eleições de 1982. Desde então, e sempre, o partido convive com guerras internas algumas vezes traumáticas. A primeira delas foi entre mauristas — ligados a Mauro Borges — e iristas, mas acabou também envolvendo os santillistas.
Iris Rezende voltava do exílio eleitoral imposto pela ditadura militar de 1964 sonhando com candidatura ao governo do Estado, naquele que seria o retorno da votação direta para governador. Mauro Borges presidia o PMDB, e Henrique Santillo tinha preferência interna no rol de candidaturas. Muitas negociações depois, num acordo que foi dezenas de vezes negado pelas partes diretamente envolvidas, Iris Rezende foi escolhido, mas a vaga para a próxima disputa, em 1986, ficaria assegurada a Santillo.
Certo de que tinha recebido, digamos, um “favor” dos líderes mais poderosos do PMDB, na época Santillo e Mauro, Iris não se deitou em berço esplêndido para saborear a vitória interna. Buscou e conquistou a adesão do grupo do ex-governador Irapuan Costa Júnior, que enfrentava igualmente problemas de acomodação dentro do PDS, sucedâneo da Arena, até então governista. Não foi uma aproximação pacífica. Em determinado momento, Santillo chegou a declarar à imprensa que Irapuan não era bem-vindo ao PMDB e, se fosse o caso, ele e seu grupo fariam as malas imediatamente. Ninguém duvidou da disposição santillista, que já havia tentado montar o PT em Goiás, operação que deu em nada, em 1980.
Mais uma vez, foi Mauro Borges quem tricotou internamente e conseguiu diminuir a fogueira interna entre iristas, agora reforçados por irapuanistas, e santillistas. Funcionou, mas poucos observadores imaginaram que o quadro que se seguiu apresentaria uma enorme guinada.
Certo de que a candidatura de Iris em 82, o acerto com os Santillo para 86 e a consequente absorção pacificada dos irapuanistas tinham passado por suas mãos, Mauro tentou exercer influência natural dentro da estrutura de governo irista. E aí começou nova guerra.
Foi nesse embate que políticos ligados ao ex-governador Irapuan se dividiram enquanto grupo. Uma parte ficou com Iris, e o restante se aproximou de Santillo. Mauro se isolou no meio e os iristas conseguiram esmagar sua influência interna de tal forma que não lhe restou outra saída senão aceitar a oferta da oposição. Nas eleições de 86, Mauro foi o candidato ao governo por esse eixo, mas centrou todo o poder de fogo de suas fortes críticas ao governador Iris Rezende, e não ao seu real adversário Henrique Santillo. Nas últimas semanas, ainda sob risco eleitoral, iristas saíram em apoio à candidatura de Santillo.
Se Mauro Borges e seu grupo foram os primeiros a deixar o PMDB goiano após guerras internas, na realidade apenas abriram as portas. Logo em seguida, durante o governo de Henrique Santillo, todas as diferenças entre os grupos santillistas/irapuanistas e iristas/irapuanistas vieram à tona como as águas de um dique rompido. Não houve sequer tentativa ousada de nova conciliação — há quem acredite que pesou nessa falta de entendimento uma terceira voz, a de Mauro Borges.
No final, os santillistas e o que restou do grupo inicial de Irapuan deixaram o PMDB e criaram, naquela época, um forte grupamento oposicionista, substituindo de certa forma o vácuo criado pelo fracasso dos oposicionistas remanescentes que deram sustentação à candidatura de Mauro Borges, em 86. O então prefeito de Rio Verde, Paulo Roberto Cunha, que tinha sido eleito deputado federal constituinte, foi o candidato do grupo contra o retorno de Iris Rezende. Iris venceu mais uma vez, e Santillo deixou o PMDB e acompanhou seus companheiros na oposição.
Fim das guerras no partido? Ainda não. Sem Mauro, Santillo e Irapuan, restava uma derradeira estrela dentro do PMDB irradiando a partir de Goiânia, o prefeito Nion Albernaz. Também não deu para ele. Em 93, um ano antes da eleição, sentiu o peso da barra irista e igualmente deixou a história peemedebista para trás.
No PMDB, sem um nome realmente popular e com luz própria, Iris e o grupo mais próximo do Palácio cacifou o então vice-governador Maguito Vilela contra um deputado federal com enorme penetração nas bases partidárias, Naphtali Alves, o que poderia representar novo perigo no futuro. Maguito, com um constrangido Naphtali como vice, acabou vencendo os candidatos oposicionistas Lúcia Vânia, representante dos grupos santillista e irapuanista, e Ronaldo Caiado, do antigo grupamento de oposição. Somados, Lúcia e Caiado tiveram mais votos que Maguito no primeiro turno, mas foram superados individualmente pelo peemedebista.
A origem da atual guerra
Se Maguito foi ungido pelos palacianos iristas por representar menor perigo pela falta de influência junto às bases, fidelizadas a Iris Rezende, a prática de seu governo mudou esse quadro. Desde o início, Maguito concentrou poderes em alguns nomes próximos a ele e, de certa forma, mais independentes de Iris Rezende e dos palacianos.
Maguito promoveu uma administração voltada principalmente para o viés assistencialista, e surfou numa onda crescente de popularidade. Completou a festa na segunda metade do mandato ao “passar nos cobres” a hidrelétrica de Cachoeira Dourada, operação que depois foi apontada como desastrosa para a saúde econômico-financeira da própria Celg.
O caixa anabolizado com o dinheiro da hidrelétrica foi a coroa do bolo da popularidade de Maguito, que seguia em marcha batidíssima para reeleição, em 1998, com tranquilidade absoluta. Até que… os iristas reagiram.
Um segundo mandato, e os consequentes oito anos de afastamento do núcleo de poder, foi considerado como mortal para os iristas. O próprio Iris estava tranquilo, em Brasília, licenciado do Senado e comandando nada menos que o poderoso Ministério da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas a reação irista contra a reeleição de Maguito veio fortíssima e, apesar do poder conferido a ele pelo inquilinato no Palácio das Esmeraldas, não restou alternativa a não ser entregar a candidatura a Iris e buscar uma tranquilíssima eleição para o Senado.
O restante da história ainda está na memória de quase todos. Iris começou sem adversários e chegando aos 70% de intenções de voto. A oposição bateu cabeça aos montes, mas conseguiu união total dos seus quatro principais partidos — PSDB, DEM, PP e PTB — e virou o placar numa das campanhas mais empolgantes e emocionantes de toda a história de Goiás. Marconi Perillo, então um jovem deputado federal, bateu o mito Iris nos dois turnos.
Iris Rezende e os iristas jamais conseguiram superar completamente a derrota de 1998. Até hoje há quem jure ter escutado barulho de festa nos becos maguitistas em comemoração à derrota de Iris. Se é verdadeira ou não essa história, ninguém a confirma, mas na intimidade alguns iristas não a desmentem.
Um segundo momento de tensão pode ter selado de vez os destinos de maguitistas e iristas. Foi em 2002, quando Iris tentou a reeleição para o Senado, enquanto Maguito, com mais quatro anos garantidos como senador, enfrentou Marconi Perillo. O tucano foi reeleito sem necessidade de segundo turno, e Iris acabou ultrapassado por Lúcia Vânia e Demóstenes Torres, ficando assim sem mandato, na planície.
Para os iristas, Maguito não se empenhou como deveria na campanha eleitoral nem se preocupou em apoiar a chapa ao Senado, que tinha o próprio Iris e Mauro Miranda, ambos em fim de mandato. Nas contas da possível conspiração somadas por iristas, foi intencional esse desleixo. Se a primeira derrota, em 1998, foi duríssima, a segunda, em 2002, seria a pá de cal na aposentadoria de Iris. E o plano, se é que existiu ou se é mera coincidência das teses conspiratórias, quase deu certo. Sem mandato, Iris buscou autoexílio em suas fazendas e parecia que ficaria por lá por vários anos. Mas ele voltou dois anos depois, na eleição de Goiânia, e recomeçou mais uma vez.
O surgimento de Friboi
Mas onde entraria Friboi nessa massa política peemedebista entre iristas e maguitistas? Exatamente onde ele se encontra neste momento. Friboi, com disposição para atacar um velho flanco não devidamente guarnecido por Iris Rezende, as despesas de campanha, caiu como uma luva neste momento. As campanha de Iris, como de todo o PMDB, sempre foram bancadas por contribuições no atacado, mas o varejo jamais deixou de ser bancado pelos próprios peemedebistas do interior, sejam eles prefeitos, vereadores ou candidatos a deputado menos famosos e mais localizados.
Friboi entrou avisando ter disposição de dispensar essa ajuda do varejo peemedebista. Mais além, chegou a prometer total apoio aos candidatos a deputado estadual e deputado federal. Ou seja, música para ouvidos cansados de chorar loas por investimentos sacrificados a cada campanha e a cada derrota.
Mas só isso seria insuficiente para Friboi botar a banca que tem colocado diante de um mito e líder como Iris Rezende. Faltava o apoio político, e foi aí que entraram com tudo os maguitistas. De prefeitos e vereadores a deputados estaduais e federais, houve uma reação em cadeia do grupamento na defesa de Friboi. E é esse exatamente o respaldo político que ele tem.
Como essa disputa irá terminar é difícil dizer. Os iristas reagiram como sempre: invocando o apoio das bases peemedebistas eternamente fidelizadas ao líder. É com esse alicerce que Iris sempre reinou absoluto e é nele, mais uma vez, que aposta vencer. Friboi vai com promessas de apoio financeiro amplo, geral e irrestrito e conquista parte da cúpula do PMDB, onde estaria hoje uma forte concentração de poder dos maguitistas.
Do lado de fora, mas nem tanto, os petistas olham atentamente. Já optaram por, se for o caso, conversar com o PMDB de Iris Rezende. Com o PMDB de Friboi, dizem que não tem conversa. Nesse caso, preferem cuidar do próprio braseiro.
– publicado originalmente em Jornal Opção, de 09/03/2014