Arquivo da categoria: Conexões Goiás/Brasil

Análises e comentários sobre os principais fatos de Goiás e do Brasil

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Jogo duro: Governo e população abrem guerra contra cartel dos postos de combustível

Através do sindicato patronal, os postos de combustível de Goiânia afirmam que não praticam cartelização no mercado, mas alinhamento de preços é uma das  características da existência de cartel

Os consumidores de Goiânia sempre pagaram alto pelos preços dos combustíveis. Muito mais, inclusive, do que os moradores de cidades próximas da capital. Mas o que já era excessivo se tornou completamente abusivo. Aproveitando uma fase de reajustes determinados pela Petrobras, que adotou a prática de baixar ou aumentar os combustíveis de acordo com o mercado internacional do petróleo, os donos de postos de Goiânia passaram a vender a gasolina e diesel mais caros dentre todas as capitais do país. Não há nada, rigorosamente nada, que possa justificar tal cobrança. Mais do que isso, é uma prática antiga o alinhamento de preços, o que vai contra a legislação que regula o setor, e fere de morte a tal lei do mercado, que tem na livre concorrência um de seus pilares básicos e essenciais.

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Justificativas – Os donos dos postos inicialmente acusaram a cobrança de ICMS como causa do preço mais alto na bombas de combustíveis de Goiânia. A Secretaria da Fazenda, Sefaz, mostrou que o imposto não é mais elevado do que a média nacional. Diante disso, os postos passaram a acusar o custo do produto, que tem os preços administrados pela Petrobras. O único problema nessas justificativas é que a mesma gasolina, mesmo diesel e mesmo etanol vendido em Goiânia por preços extremamente elevados, custam mais barato nas cidades do interior. O preço pago por esses estabelecimentos do interior para a Petrobras e o ICMS são idênticos aos da capital. Além disso, o frente entre a central distribuidora localizado em Senador Canedo, dentro dos limites expandidos de Goiânia, é imensamente mais baixo do que em cidades mais distantes.

Diante do abuso praticado, duas frentes surgiram quase simultaneamente. Motoristas do Uber e consumidores comuns resolveram fechar as saídas dos caminhões com combustível na central de Senador Canedo. Ao mesmo tempo, por ordem direta do governador Marconi Perillo, o Procon estadual passou a estudar uma forma de ampliar a fiscalização nos postos, pegando notas fiscais e fazendo comparativos de preços dos últimos seis meses, com informações cirúrgicas fornecidas pela Sefaz, e calculou assim as margens de lucros praticadas pelos postos de combustível. A conclusão documental é que apesar do aumento nos preços da Petrobras, o que mais disparou foi mesmo a margem de lucro.

O caso agora vai para julgamento da Justiça. Na sexta-feira, 17, o Procon entrou com ação judicial contra 96 postos de combustível de Goiânia, pedindo que a Justiça determine a imediata redução no excesso de margem de lucratividade. Além disso, o órgão estadual quer que a medida seja extensiva a todos os demais postos.

A situação poderá ficar ainda mais complicada para os donos de postos de combustível caso o Ministério Público Estadual consiga formular uma ação civil que comprove a formação de cartel dos empresários, que seria coordenado pelo sindicato patronal. O tradicional alinhamento de preços pode caracterizar a prática da cartelização do mercado, notadamente quando esse alinhamento ocorre para o aumento e não para a queda nos preços, que foi exatamente o que aconteceu. Outro indício é que os preços subiram de repente em quase todos os postos ao mesmo tempo, como se houvesse alguma “senha” que sinalizasse nessa direção. Isso é mais um sintoma da cartelização do mercado.

Pela legislação em vigor, tal prática é insuportável para o consumidor, e quando atinge setores essenciais, como é o caso dos combustíveis, as penas são muito mais severas, e podem implicar em sanções administrativas e até penais – em situações extremas.

Por fim, na sexta-feira, 17, a Petrobras, dando prosseguimento normal à sua política de preços com base nos índices internacionais, anunciou queda na gasolina de 3,8%, quebrando assim uma sequência de pequenos solavancos para cima ao longo das últimas semanas. O diesel baixou 1,8%.

Oposição 2018: Exército sem general

Daniel Vilela e Ronaldo Caiado querem ser candidatos pelo PMDB, mas precisam do apoio dos líderes Iris Rezende e Maguito Vilela, que estão divididos

A oposição goiana corre o risco bastante sério de não poder contar com um timoneiro, um guia ou referência interna para chegar ao público externo. Essa posição seria naturalmente de Iris Rezende, mas a sua administração em Goiânia, seja como resultado de herança dos governos imediatamente anteriores, seja pela grave crise econômica que o país enfrenta e que não permite a velha solução de aumento de receita via elevação de impostos, não tem conseguido deslanchar e agradar de maneira geral o eleitorado goianiense. Se é comumente aceito como verdade absoluta que Goiânia é a grande caixa de ressonância político-administrativa do Estado, então esse problema ganha contornos definitivos.

Mas existe mesmo a necessidade de um guia, o tal general, das forças oposicionistas, especialmente aquelas representadas pelo maior partido, o PMDB? Pode não ser absolutamente decisivo uma figura assim, mas representa um fator bastante positivo quando se tem. A questão aqui é que os candidatos da oposição vão se apresentar para os eleitores somente com discursos, enquanto o candidato governista vai carregar o ônus, mas também os bônus, representados pela entrega de obras e pelo grande leque de programas de proteção e inserção social, que começaram a ser implantados em todo o Estado desde o primeiro governo de Mar­co­ni Perillo, no período 1999/2002. Em outras palavras, os opositores vão falar, enquanto o candidato go­vernista vai falar e também apresentar os resultados que julgar positivos.

É claro que Iris Rezende, pela sua liderança em Goiânia e pelo seu longo histórico, é a referência natural, mas não é a única. O ex-governador e ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela poderá substituir o líder maior nessa tarefa. Mas aqui entraria um outro aspecto: quem será o candidato do PMDB — ou apoiado pelo partido, no caso de uma coligação caudatária e não protagonista? Se for Daniel Vilela, único nome lançado no mercado político oposicionista pelo partido até agora, o aval de Maguito estaria enfraquecido. Seria o pai defendendo uma possível vitória eleitoral do filho, o seu herdeiro em todos os sentidos, inclusive no patrimônio político. O apoio de Maguito como referência seria melhor aproveitado se o candidato não tiver esse laço familiar.

E, nesse caso, sai a brasa e entra o fogo. O único outro candidato desse eixo político que também está à disposição do mercado eleitoral desse ramo oposicionista é o senador Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM, que conta com adeptos entre alguns peemedebistas. Caiado e Maguito não se bicam, definitivamente, desde a campanha pelo governo do Estado em 1994. Além disso, o ex-governador teria que ser desprendido muito mais do que se pode imaginar para vê-lo apoiando exatamente aquele que derrotou seu filho Daniel na corrida interna. Para fechar, Caiado é próximo de Iris Rezende, e representa o novo irismo com poder de fogo e de voto.

Obviamente, um cenário encrencado como esse, em tese, não favorece a oposição, mas a eleição não se vence de véspera — e nem se perde nas mesmas circunstâncias. O quadro final está longe de ser apresentado para julgamento nas urnas, e existe um mundo de água para passar debaixo da ponte que levará ao processo final de escolha do candidato ou dos candidatos do principal eixo da oposição goiana. A situação está ainda tão nebulosa que nem mesmo o surgimento de um tertius deve ser completamente descartada — embora essa possibilidade seja neste momento tão pequena que soa como absurda. Como dificilmente esse novo nome seria o de Iris Rezende, que está sofrendo uma barbaridade para consertar administrativamente a Prefeitura de Goiânia, qualquer olhar mais apurado recairia sobre Maguito Vilela, o plano B desde sempre dos maguitistas.

Assim, sem uma referência realmente hegemônica, o eixo oposicionista capitaneado pelo PMDB vai ter que trabalhar em tempo integral para construir uma candidatura que chegue à campanha propriamente dita com uma inédita união. Será que isso será alcançado? Não se sabe, mas esse é o objetivo.

Demóstenes era eleitoralmente melhor em 2005 do que Caiado em 2017

Comparativo: Oposição estava melhor em 2006 do que agora?

É notório que nenhuma eleição carrega as mesmas particularidades de outra, mas ainda assim é possível comparar situações e candidaturas. Nesse caso, quando a oposição esteve mais perto da vitória, em 2006 ou agora?

Em meados de 2005, véspera da sucessão de 2006, a oposição em Goiás vivia uma fase de franca euforia. Desde a derrota de 1998 não se via nada parecido. O então governador Marconi Perillo, que havia aplicado uma surra história nos opositores em 2002, quando foi reeleito já no 1 turno, com 51,2% dos votos, não poderia disputar novamente o cargo, e a base aliada era um poço de vaidades, egos e candidaturas. O DEM, liderado pelo então deputado federal Ronaldo Caiado, rompeu de vez e bancou candidatura própria, de oposição. O PMDB vinha em marcha batida atrás de consagradora vitória do senador Maguito Vilela, que liderava todas as pesquisas com alguma folga.

Demóstenes era eleitoralmente melhor em 2005 do que Caiado em 2017

Demóstenes era eleitoralmente melhor em 2005 do que Caiado em 2017

Foi somente no final de 2005, quando já se percebia certa movimentação do vice-governador Alcides Rodrigues, que o quadro de candidaturas do eixo governista começou a formar os contornos definitivos. Alcides, que assumiria o comando do governo com a desincompatibilização de Marconi, abriu o jogo e disse que disputaria a reeleição. O único e verdadeiro problema era seu índice de popularidade, pouco mais de traço e longe dos dois dígitos. Estava ali a ser escrita uma crônica político-eleitoral de uma derrota previamente anunciada? É o que parecia.

Pano rápido e corte para os tempos atuais.

Os opositores ainda não conseguem falar o mesmo idioma. Nem no interior do maior partido do setor, o PMDB. De um lado, o comando estadual, nas mãos do grupo liderado pelo ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela, trabalha pela candidatura do deputado federal Daniel Vilela. na outra trincheira peemedebista, os iristas, sob a liderança do prefeito Iris Rezende, arqui-rival dos maguitistas, tenta impor a candidatura do senador Ronaldo Caiado. Enquanto isso, o PT vive um dilema. O partido quer montar palanque para seu candidato à Presidência, seja Lula ou algum outro que a direção nacional indicar, e só terá força suficiente se conseguir fechar aliança com o PMDB maguitista. O problema é que Daniel votou a favor da cassação da presidente Dilma Roussef, e isso para alguns setores petistas é absolutamente imperdoável. Isolado, ou apenas com o apoio das legendas do campo da esquerda – e bem menores -, o PT poderá até chegar ao palanque, mas sem muita força. Falta capilaridade para o partido, especialmente nas cidades do interior. Em Goiânia e em Anápolis há bom número de militantes. Mas é só.

No Palácio das Esmeraldas, a vida agora é muito diferente das dificuldades de 2005, quando Alcides ainda era Cidinho, que de tão desconhecido do eleitorado estadual pode até se dar o luxo de adotar o nome e abandonar o apelido que sempre o acompanhou desde Santa Helena. O candidato palaciano já está anunciado, e ele vem trabalhando partidária e politicamente. É o vice-governador José Eliton. Internamente, seu nome aparentemente está consolidado, e não enfrenta contestações. Pelo menos, não abertamente. Ele não tem grande popularidade, mas já aparece em algumas pesquisas em ótima segunda posição – atrás apenas de Ronaldo Caiado e à frente de Daniel Vilela.

É óbvio que esses levantamentos servem como um indicativo, mas não configuram posição definida. O eleitor anda muito mais preocupado e atento para o dia a dia do que necessariamente para a sucessão estadual do ano que vem. O calendário “civil” definitivamente não é o mesmo do calendário político. Há especialistas que afirmam que as pesquisas nesta altura do jogo medem muito mais a popularidade dos nomes do que necessariamente o potencial eleitoral de cada um. Ainda assim, é obviamente um indicativo.

Outra máxima inquestionável da política, e particularmente das eleições, é que nenhuma disputa carrega todos os elementos de qualquer outra. Ou seja, cada eleição é uma eleição. Toda própria e com elementos únicos, que inclui desde o humor do eleitorado até questões bem mais aleatórias, como o desenvolvimento das campanhas. Um só erro praticado dentro de uma campanha pode liquidar completamente com candidaturas de forte potencial e alegrar outras bem menos cotadas.

Ainda que seja assim, fortemente imponderável enquanto fatos e circunstâncias que não podem ser controladas, é claro que há, sim, maneiras de se avaliar política e eleitoralmente disputas diferentes. O quadro oposicionista de 2006 era muitíssimo mais forte do que este que os opositores conseguem somar atualmente. Para efeito direto de comparação, Maguito Vilela, o líder de praticamente toda a campanha, estava em posição bem melhor do que a que exibe Ronaldo Caiado, e Demóstenes Torres vivia uma fase tão boa e crescente que nem se compara a Daniel Vilela. Além disso, ainda havia um deputado federal em boa ascensão, que deixou o PMDB e juntou PSB e PT, Barbosa Neto.

Em resumo, o quadro em 2006 era muito mais favorável para os opositores do que é hoje. E nem isso garantiu a vitória.

José Eliton

Comparativo: Cidinho 2005 ou Zé Eliton 2017

É claro que se trata de uma situação completamente absurda do ponto da vista 
da realidade, mas, no fundo, o que se quer saber é quem, um ano antes da eleição, soma mais para a eleição do ano seguinte

O ano é 2005. O governador Marconi Perillo acelera seu final de governo para, em pouco mais de oito meses, desincompatibilizar-se do cargo para disputar mandato de senador. Em abril do ano seguinte, naturalmente, o vice-governador Alcides Rodrigues, naqueles tempos ainda muito mais conhecido pelo apelido diminutivo, Cidinho, está, como sempre, calado em seu canto. Foram sete anos de vice-governadoria apagada, discreta, com um breve voo como interventor na cidade de Anápolis após afastamento do então prefeito pela Câmara Municipal da cidade. Cidinho, muitos desconfiam, guardava um segredo que só os amigos confidenciais dele sabiam: o vice seria candidato ao governo um ano depois.

Tempos atuais. O governador Marconi Perillo coloca em operação um dos programas de execução de obras mais audaciosos do país em plena recessão econômica, que inclui também parcerias com todas as cidades do Estado, independentemente da ficha de filiação partidária dos prefeitos. Em abril do ano que vem, o atual vice-governador José Eliton assumirá duas funções absolutamente importantes para o grupamento governista: comandar o Estado com a desincompatibilização do governador Marconi Perillo, e disputar a reeleição. Não há segredos sobre sua candidatura a governador como representante da base aliada estadual.

José Eliton

José Eliton

As coincidências sobre os dois processos sucessórios, como se pode constatar, existem, mas há também diferenças que saltam aos olhos. Cidinho sempre foi um vice discreto, quase amuado no seu canto. Quando surgiram as primeiras pesquisas, seu nome mal era citado por livre escolha do eleitor ou apontado quando o pesquisado era estimulado. A vice-governadoria de José Eliton foi carregado do tom político em tempo integral, além de pessoalmente ter segurado protagonismo dentro da equipe em consonância direta com o governador Marconi Perillo. Pesquisas realizadas pelos partidos, tanto da base como pelas oposições, o colocam imediatamente na segunda posição, atrás apenas de Ronaldo Caiado quando também é avaliado o deputado federal Daniel Vilela como candidato do PMDB.

Alcides "Cidinho" Rodrigues

Alcides “Cidinho” Rodrigues

Num quadro comparativo, a situação atual de José Eliton é infinitas vezes melhor e mais densa do que era a de Cidinho um ano antes da eleição. Mais do que isso, seu nome é consensual dentro da base, enquanto o ex-vice teve que apresentar a força da caneta que teria em mãos alguns meses depois ao ser anunciado pelo governador Marconi Perillo como candidato à sua sucessão em 2006. Aliás, seu nome, mesmo já no exercício do cargo de governador, enfrentou problemas bastante sérios às vésperas das convenções partidárias, e foi necessária a intervenção de Marconi para garantir a sua aprovação. Já a indicação de José Eliton caminha como fator agregador da esmagadora maioria dos partidos que integram a base aliada estadual comandada por Marconi.

Como se sabe, graças à força de Marconi e de toda a base, Cidinho se transformou em Alcides Rodrigues, e fez uma trajetória durante o processo eleitoral meteórica, ultrapassando um a um os principais adversários até chegar à frente de todos no primeiro turno.

A situação de José Eliton, embora muito mais favorável atualmente do que era a de Cidinho em 2005, igualmente depende da ajuda de Marconi. O governador é o elã do eleitorado de toda a base aliada e principal general da máquina eleitoral. A diferença é que Eliton tem feito a sua parte, e conseguido um retorno positivo quanto a sua imagem. Ele não precisará surgir no processo como um meteoro ou um foguete.

Pensadores da oposição entendem que a força de Marconi em 2006 era muito maior do que será em 2018. É provável que essa tese se comprove. Marconi viveu um auge jamais igualado a qualquer outro líder político em Goiás, que se iniciou nas eleições de 2002, quando se tornou o único candidato a vencer as eleições no primeiro turno. Ele próprio, em 2010 e 2014, não conseguiu repetir esse desempenho tão extraordinário. Esse fato, porém, tem menor relevância em relação a 2018 do que teve em 2006. José Eliton é um peso muito leve, mais ágil e organizado do que Cidinho. Ou seja, a força político-eleitoral de Marconi, que vem de sua segunda reeleição ao concluir quatro mandatos, deve ser suficiente para carregar as candidaturas da base aliada para a competitividade plena. Fato que é admitido pelas lideranças opositoras, que adotaram como modelo principal de discurso a unidade em torno de um só candidato.

Num hipotético balanço das possibilidades dentro desse quadro, E­li­ton é uma aposta muito mais se­gura do que foi Cidinho em 2006.

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Xô, desemprego: Goiás se desgarra da crise

Dados oficiais do Caged, do Ministério do Trabalho, mostram que o Estado de Goiás é o primeiro do país a gerar saldo positivo nos últimos 12 meses, com referência a julho
Indústria de transformação em Goiás foi a maior propulsora na geação de empregos nos últimos meses | Foto: Milton Cury
Mergulhado na mais profunda recessão econômica de sua história, desde o segundo semestre de 2014, o Brasil produziu um estoque de desempregados impressionante. No auge da redução no número de vagas de trabalho, pelo menos 14 milhões de pessoas enfrentaram o pior efeito da recessão: a falta de trabalho. Aparentemente, o pior momento pode ter sido vencido. De uma forma geral, salvo exceções localizadas, como do Rio de Janeiro, o desemprego vem caindo, embora em níveis bastante leves. É um alento, sem dúvida, após o desastre total.

O Estado de Goiás é protagonista nessa superação. De janeiro a julho deste ano, Goiás ficou em terceiro lugar em número absoluto de vagas de emprego geradas a mais que o número de demissões, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Proporcionalmente, a diferença favorável a Goiás impressiona. Enquanto 45.142 goianos conseguiram retornar ao mercado de trabalho de janeiro e julho, 86 mil paulistas e 68 mil mineiros também voltaram a ter carteira de trabalho registrada em alguma empresa. São Paulo e Minas são os Estados mais populosos do país.

Além desse quadro proporcional, outro aspecto é revelador quanto ao início da superação do pior momento do desemprego em Goiás. Nos últimos 12 meses, o saldo de empregos novos em Goiás e de 6.849 vagas. Em São Paulo, esse saldo ainda é negativo em mais de 165 mil vagas, enquanto Minas Gerais tem saldo no vermelho de 30 mil vagas. Dentre os dez Estados com melhor desempenho na geração de empregos de janeiro a julho, o saldo positivo nos 12 meses só foi conseguido em Goiás e por Santa Catarina, que registrou 2.700 novas vagas. O Estado de Mato Grosso, outra potência dentre os geradores de empregos este ano, quase empatou no saldo de 12 meses com fechamento em julho, ficando negativo em somente 204.

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Economias regionais muito mais fortes do que a goiana ainda derrapam nessa comparação. O Paraná gerou cerca de 24 mil novas vagas este ano, mas tem saldo negativo de quase 15 mil empregos nos últimos 12 meses. Rio Grande do Sul, quarta maior economia do país, praticamente não gerou novas vagas, e tem estoque negativo de quase 30 mil vagas nos últimos 12 meses.

Por que, afinal, Goiás está conseguindo superar a crise do desemprego antes dos demais Estados, incluindo todos das regiões Sul-Sudeste, as duas mais desenvolvidas do país, e também seus vizinhos do Centro-Oeste? Para entender esse processo, é necessário mergulhar um pouco mais profundamente no quadro de empregos gerados pela atividade econômica de Goiás.

A maior recuperação de empregos foi registrada entre janeiro e julho deste ano na indústria de transformação. Só nesse setor foram gerados quase 14 mil novos empregos, com maior destaque para a indústria química e farmacêutica e a indústria de produção de alimentos e bebidas. O segundo setor com mais empregos em 2017 no Estado é o agronegócio, com mais de 11 mil novas vagas. O cruzamento dessas duas informações é interessante. A agropecuária goiana produziu mais, e por essa razão gerou mais empregos, e a indústria de produtos alimentícios também teve importante desempenho, situando-se como segundo maior gerador de empregos dentro da indústria de transformação. Ou seja, Goiás não é apenas a fazenda produtora de commodities, mas também industrializa boa parte dessa produção.

O setor de serviços também atingiu um bom saldo de novas vagas, 13.401, nos primeiros sete meses de 2017. O destaque vai para o subsetor da alimentação e alojamento, que recebeu 5.386 novos empregados. Novamente aqui entra a cadeia de produção iniciada no agronegócio.

Dos mais de 45 mil novos empregos gerados em Goiás em 2017, mais de 7 mil surgiram na indústria química e farmacêutica. Há anos o governo do Estado vem aplicando incentivos fiscais através do programa Produzir para consolidar esse subsetor da indústria de transformação. A resposta positiva para esse esforço se mostra com esse desempenho tão importante no quadro geral do desemprego e da superação dele.

É claro que Goiás não é uma ilha. O Estado também sofre com a situação geral da economia do país, mas é bastante positivo perceber que ao menor sinal de superação da recessão nacional o Estado responde de maneira bastante positiva. É bom demais da conta desejar um “xô, desemprego”. Em Goiás, se Brasília não atrapalhar, esse desejo será cada vez maior. O caminho é esse.

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PMDB: Guerra declarada

Maguito Vilela (esquerda) não gostou quando Ronaldo Caiado (direita) estabeleceu critérios que claramente prejudicam Daniel Vilela como pré-candidato Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Logo de cara vale lembrar que uma das características históricas mais marcantes do PMDB de Goiás é a disputa interna. Algumas ve­zes, na base do empurra-empurra político de ocupação de espaços. Noutras, guerra aberta, declarada e sem limites até a queda de um dos lados envolvidos. Sempre foi assim, reafirma-se aqui. Desde a década de 1980, quando o PMDB atingiu o apogeu, e se estende até os dias atuais.

E foram inúmeras as disputas. Mauro Borges contra Iris Rezende, logo na primeira metade da década de 1980. Iris Rezende contra Henri­que Santillo na segunda metade da mesma década. Iris Rezende contra Nion Albernaz nos anos seguintes e o golpe final que marcou o fim da hegemonia peemedebista no Estado, entre Iris Rezende e Maguito Vilela, no final dos anos 1990.

Diante da derrota surpreendente de 1998, quando o jovem deputado federal santillista Marconi Perillo, contra todos os prognósticos, derrubou o mito da invencibilidade de Iris Rezende nas urnas estaduais, deveria selar definitivamente a paz e a harmonia interna que desaguassem numa união total e indissolúvel. Por fora, foi exatamente o que aconteceu. Nos bastidores, o pau continuou cantando de todos os lados, especialmente com os iristas insistindo que a derrota em 1998 ocorreu por falta de empenho daquele que, no momento, era a sua grande estrela eleitoral, Maguito Vilela, eleito para um confortável mandato de senador com um pé nas costas.

A consequência imediata desse desentendimento estrutural entre maguitistas e iristas veio na sequência, nas eleições de 2002. Exatamente um ano antes da eleição, em outubro de 2001, pesquisas mostravam um quadro altamente favorável a Maguito Vilela, que ainda surfava nas últimas espumas da onda de sua popularidade. Ele tinha praticamente 17 pontos de vantagem contra o governador Marconi Perillo. De quebra, Iris Rezende liderava a corrida para renovar seu mandato de senador, que vencia naquele ano. Na segunda posição aparecia a deputada federal Lúcia Vânia, seguida pelo colega de chapa de Iris, o também senador em fim de mandato Mauro Miranda.

Enquanto Marconi Perillo passou o ano da eleição em disparada pelo Es­tado todo, arrumando espaços dentro da base para conciliar tantos e tão difusos interesses pessoais e partidários, o PMDB deixou aflorar o tamanho exato de suas diferenças internas. As campanhas de Maguito para o governo e Iris/Mauro para o Senado foram colocadas em raias separadas, sem formar o coeso grupo da chapa majoritária. Pra se ter uma ideia, até nas cores de identificação das candidaturas houve divergência. Marconi, como se sabe, faturou a eleição logo no primeiro turno, e a chapa para o Senado, com Lúcia Vânia e o estreante Demóstenes Torres igualmente saiu-se vencedora. O PMDB perdeu naquela eleição a barba, o cabelo e o bigode.

Em 2006, Iris Rezende estava no comando da Prefeitura de Goiânia, após ter sido eleito em 2004 contra a tentativa de reeleição de Pedro Wilson, do PT. Marconi, reeleito em 2002, estava impedido de disputar mais uma vez o governo e foi para a eleição tranquila de senador. O caminho estava mais uma vez franqueado para a vitória do PMDB, com a candidatura de Maguito Vilela, que largou com enorme vantagem sobre Alcides Rodrigues, vice de Marconi e candidato à reeleição. Era outra oportunidade sem igual para o PMDB retornar ao comando do principal cenário político do Estado.

O que aconteceu foi mais uma etapa da guerra interna. No comando da maior prefeitura do Estado, Goiânia, com liderança sobre cerca de 21% do eleitorado de Goiás, Iris Rezende era apontado como principal cabo eleitoral do PMDB. Foi mesmo um ótimo esteio, mas apenas para a candidatura dos iristas, especialmente dona Iris, campeã de votos como candidata a deputada federal. Quanto à candidatura de Maguito ao governo, necas de empenho total. No final, em uma virada espetacular, Alcides saiu do quase anonimato para a vitória no primeiro turno e confirmação no segundo turno.

Em 2010, nessas voltas que o mundo dá inclusive nas disputas políticas, Iris deixou a Prefeitura de Goiânia após ter sido reeleito em 2008. Em Aparecida de Goiânia, segundo maior colégio eleitoral do Estado, quem dava as cartas na prefeitura era Maguito Vilela, eleito em 2008. Os iristas dizem que Maguito só se empenhou mesmo na candidatura de seu filho Daniel, que foi eleito deputado federal. Um quadro, obedecidas as proporções, bastante parecido com o que havia acontecido quatro anos antes, com Iris e dona Iris.

Marconi, traído politicamente por Alcides, enfrentou naquela eleição todas as máquinas administrativas, a federal, nas mãos de Lula em estado de graça com o eleitorado, a estadual, com o antigo aliado, e a municipal, com Paulo Garcia, PT, herdeiro como vice eleito em 2008 juntamente com Iris. Marconi sofreu barbaramente, mas conseguiu vencer todos eles somados, inaugurado assim uma nova temporada da base aliada no Palácio das Esmeraldas.

Esse mesmo quadro se repetiu em 2014, quando da reeleição de Marconi. Iris repetiu a dose e buscou mais uma vez a vitória para governador. Maguito permanecia no comando de Aparecida de Goiânia, reeleito em 2012. No PMDB, pelas mãos dos maguitistas e com aval do comando nacional do partido, via Michel Temer, Júnior Friboi travou guerra total para impedir a candidatura de Iris e ele próprio disputar o governo. Não foi uma disputa qualquer, e as feridas do PMDB ficaram definitivamente expostas de forma peremptória. Os maguitistas declararam apoio a Friboi abertamente, aceitando o confronto com os iristas em praça pública. O resultado foi que Iris ganhou internamente, mas conduziu seu PMDB para uma derrota que incluiu também a reeleição de dona Iris para a Câmara dos Deputados.

Na base aliada estadual, Marconi comemorou a vitória majoritária dos candidatos do PSDB e aliados na Câmara dos Deputados e a mais avassaladora maioria na Assembleia Legislativa. Apenas o deputado federal Ronaldo Caiado, recém-aliado de Iris, sobreviveu na disputa para o Senado.

A consequência da vitória de Caiado com apoio dos iristas em 2014 dá as caras na guerra entre maguitistas e iristas agora em 2018. Uma disputa que acaba de se tornar pública e explícita após um pronunciamento de Caiado durante as comemorações do aniversário de Rio Verde, cidade comandada por um dos três prefeitos que formam um tripé politicamente importante no atual PMDB: o rioverdense Paulo do Valle, o catalano Adib Elias e o prefeito de Formosa, Ernesto Roller.

Ao garantir que ficará sempre ao lado do PMDB, desmentindo assim qualquer possibilidade de vir a disputar o governo do Estado no ano que vem em voo solo, Caiado acabou atiçando os ânimos, sempre a flor da pele, dos maguitistas. O democrata pregou que o candidato a ser ungido por todos será aquele que reunir “as melhores condições” de vencer as eleições. Os maguitistas entenderam na frase que o parâmetro dessa sugestão é a pesquisa pré-eleitoral, e reagiram. O próprio Maguito abandonou momentaneamente a diplomacia e atacou diretamente, dizendo que ele próprio já liderou pesquisas antes, assim como Caiado, e perdeu a eleição depois.

Esse posicionamento chamou mais a atenção de todos, mas outro momento do discurso de Ronaldo Caiado foi muito mal recebido pelos que preferem a candidatura de Daniel Vilela. Foi quando Caiado, ao se referir ao seu rival interno, chamou-o de “este jovem”. Para os maguitistas, o termo não foi genérico, e teve objetivo prático. O tal jovem, afinal de contas, lembram os maguitistas, é o presidente do PMDB de Goiás.

A reação de Maguito mostra que a estratégia dos maguitistas ganhou contornos mais agressivos. Caiado não é um adversário fácil de ser vencido. A grande prova disso é que mesmo sendo do DEM ele consegue rivalizar com Daniel Vilela dentro do PMDB. O que virá de agora em diante fica para o futuro responder, mas é pouco provável, pelo menos neste momento, acreditar que os ânimos vão ser completamente serenados até se transformarem em unidade ampla, total e absoluta. A guerra está declarada.

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Iris 2018: Incertezas dominam cenário oposicionista

O que parecia perfeito para a oposição em 2018 começa a se transformar em pesadelo. A reação administrativa do governo embaralha o destino de candidaturas ao governo entre os opositores. Pode sobrar para Iris Rezende?

Iris Rezende deixaria a prefeitura com pouco mais de um ano para disputar o governo estadual em 2018? | Foto: Fernando Leite

Na fase de ajustes em 2015 e 2016, as principais lideranças da oposição em Goiás, principalmente no maior partido, o PMDB, disputaram poder interno palmo a palmo visando reforçar o posicionamento de seus candidatos potenciais. O irismo apostou no senador Ronaldo Caiado, e chegou a sonhar com a possibilidade de ele abandonar o DEM e ingressar no PMDB, o que respaldaria ainda mais a sua indicação pelos caciques do grupo. O maguitismo jogou as fichas que dispunha numa candidatura do deputado federal e presidente regional do partido, Daniel Vilela. E a fome era imensa porque o governo estadual atravessava o duríssimo período de rearranjo da estrutura da máquina administrativa, atingida pelo tsunami da pior recessão da economia brasileira de toda a história.

O clima mudou. Com os ajustes fiscais e financeiros, o governo voltou à condição de principal protagonista do investimento do Estado, e o programa Goiás na Frente, que prevê aplicação direta de recursos acima de 6 bilhões de reais até o final de 2018, se tornou uma grande vitrine. Além disso, no campo político propriamente dito, a base aliada evitou turbulências futuras ao definir imediatamente a natural candidatura do vice-governador José Eliton, que estará no exercício pleno do governo durante o processo eleitoral como candidato à reeleição. Essa escolha, anunciada pelo governador Marconi Perillo, ocorreu no momento certo. Já havia aliados sassaricando em torno da possibilidade de se lançarem candidatos à sucessão. O nome de José Eliton, respaldado por Marconi desde já, provocou mudanças nos planos dos pretendentes, e pacificou pelo menos a cabeça de chapa.

Tudo somado, o cenário imaginado pela oposição para 2018 se alterou completamente. Nem o senador Ronaldo Caiado nem o deputado Daniel Vilela vivem mais aquela certeza interna que tinham quanto à facilidade de enfrentar a eleição do ano que vem. Eles sabem que a chapa governista irá com força máxima para a disputa, e isso significa que a maior e melhor azeitada máquina eleitoral entrará na guerra pelos votos com ótimo posicionamento.

Com cenário incerto para os opositores, que perderam dois anos numa disputa à beira da fogueira de vaidades em vez de discutir propostas alternativas de governo, o PMDB começa a perceber que existem dois veteranos que podem entrar no processo eleitoral do ano que vem exatamente por terem um recall bem maior que os demais: Iris Rezende e Maguito Vilela. O problema de Maguito é exatamente seu filho Daniel. Se sai um e entra o outro como candidato, ficará a impressão que a família faz qualquer coisa para alcançar o poder.

Mas, afinal, Iris Rezende será mais uma vez candidato a governador e, para isso, abandonará de no­vo mandato de prefeito de Goiânia? Inicialmente, não. Essa tal­vez seja a candidatura mais complicada para o PMDB no ano que vem. E essa complicação começa em casa. Dona Iris Araújo não cabe no tradicional traje a rigor de primeira-dama. Ela se sente muito mais a vontade com o uniforme de combatente eleitoral. O sonho imediato dela é exatamente voltar a ser deputada federal. Em 2014, a dupla Iris-Iris acabou perdendo as eleições nas duas pontas: para o governo e para a Câmara dos Deputados. Embora cada eleição reúna uma porção de fatores inéditos que se entrelaçam para se formar um quadro de definição, é certo que fazer a mesma coisa em 2018 pode ter o mesmo resultado negativo. Em outras palavras, entrar na disputa com a dupla
Iris governador/Iris deputada é dar muita sopa pro azar. Ou é um, ou é outra.

Apesar de tanta encrenca à vista, ainda assim há peemedebista sonhando com a possibilidade de Iris Rezende refazer seus projetos pessoais e se lançar candidato a governador. No entendimento desse grupo, em 2018 será a melhor chance de Iris finalmente conseguir retornar ao Palácio das Esmeraldas. Pode ser, mas talvez o que motive esses peemedebistas seja a falta de ânimo em torno de Daniel ou de Ronaldo. O PMDB chega à véspera do ano eleitoral sem candidato. Isso é inédito.

Para matar logo qualquer possibilidade de a bola ir parar em seus pés, o prefeito Iris Rezende teria que se posicionar imediatamente de maneira convincente de que não deixará a Prefeitura de Goiânia em abril do ano que vem, e reafirmar seu compromisso de concluir seu mandato no tempo certo. De outra forma, do jeito que as coisas estão indo, e na falta de rumos que se apresenta, a candidatura do PMDB ao governo pode, sim, sobrar para Iris. Difícil? Sim, muito difícil, mas impossível não existe no dicionário político.

Na foto Iris RezendeCrédito: Renan Accioly

Baixo Astral: Tristeza castiga governo Iris

Além de não conseguir debelar a crise econômico-financeira da prefeitura, a atual administração da capital tem enredo triste, sem ânimo e ritmo lento

É visível o descontentamento geral da população com o atual desempenho da administração da Prefeitura de Goiânia. Em análise rápida, talvez boa parte dessa frustração seja resultante da enorme esperança que Iris plantou durante a campanha eleitoral, ainda bastante fresca na cabeça de todos. Ele dizia que conseguiria quebrar a negatividade que havia abatido o governo de Paulo Garcia (PT) logo nos primeiros dias após a posse. Chegou a dizer também que iria se aposentar, mas que tinha resolvido se candidatar mais uma vez porque a crise precisava ser debelada rapidamente. O eleitor da capital, que majoritariamente gosta do jeitão do prefeito, confiou mais uma vez no discurso à la Sassá Mutema, de salvador da pátria goianiense, e lhe entregou o trono do Palácio do Cerrado Venerando de Freitas.

Na foto Iris Rezende Crédito: Renan Accioly

O buraco imaginado por Iris Rezende ao fazer tantas previsões otimistas na campanha, principalmente quanto à instantaneidade das soluções, é muito maior. A questão não estava na condução administrativa de Paulo Garcia, mas num enorme leque de questões. Além disso, a recessão econômica impede soluções tradicionais que ele sempre adotou nas vezes anteriores em que assumiu mandatos, o aumento de impostos. Como cobrar mais alguma coisa de um povo que não está conseguindo pagar o que já é cobrado?

Vieram então as promessas pós-posse de solução ao longo dos meses. Em janeiro, após perceber que não havia dinheiro pra quase nada, deu a ele mesmo prazo de que no final de fevereiro a casa estaria em ordem. Em março, adiou para abril. Em maio, reformulou para junho. Julho está no fim e nem se fala mais em prazo algum. É mesmo o mais prudente — e inteligente a ser feito.

A prefeitura tenta vender imagem positiva, mas não consegue enganar a ela própria. Os governos de Iris Rezende sempre venderam otimismo, mas o atual não consegue se desgarrar do pessimismo. Iris não tem 100% de apoio nem dentro do PMDB. No início do mandato ele teve inclusive que debelar crise entre vereadores do seu partido. A bancada estadual peemedebista na Assembleia Legislativa também não dá a menor “pelota” para o desempenho do prefeito e para as dificuldades da administração. Em determinados momentos, a impressão que se tem é que Iris está sozinho, cercado de gente aliada que está muito mais preocupada com a eleição do ano que vem.

Esse isolamento reflete no ambiente administrativo ma­cam­búzio. Enquanto líder carismático que sempre foi, Iris precisa recuperar o seu otimismo e, assim, contagiar o restante de sua equipe. Com exceção de pouquíssimos amigos, como o secretário Paulo Ortegal, ele talvez tenha recebido mais apoio do governador Marconi Perillo do que de seu partido e demais aliados. O próprio PSDB na Câmara Municipal, embora na oposição, tem amenizado bastante em todos os posicionamentos críticos.

O inferno astral do prefeito neste mandato é, com o devido perdão pelo emprego dessa surrada frase, um ponto fora da curva. Esse que aí está, abatido por perceber que a enrascada administrativa da Prefeitura de Goiânia é muitas vezes pior do que ele e todos os demais imaginavam, não é o Iris de sempre. Ele passa a impressão, certamente falsa, de estar profundamente cansado e desanimado. Frustrado sem dúvida ele está, mesmo que não admita.

E não há outra forma de escapar do momento atual se ele não conseguir se recuperar nesse aspecto. Para corrigir os gravíssimos problemas estruturais e conjunturais vividos pela Prefeitura de Goiânia, Iris precisa muito voltar a apostar no otimismo, na articulação política e de resultados. Na mesma linha adotada pelo governador Marconi Perillo, que aliás se prontificou a ajudar no que for possível — apesar dessa iniciativa nem sempre ser bem vista por seus aliados. Uma ajuda, por sinal, que a maioria dos peemedebistas e demais aliados jamais ofereceu.

É claro que otimismo só não paga a conta, mas lamentar as dificuldades diante do espeto igualmente não livra das brasas. E o tempo conta bastante contra Iris. Dezembro está logo ali na esquina, e clima de eleição sempre provoca incêndios. Iris ficará então ainda mais sozinho, e corre o sério risco de viver o pior e mais inimaginável constrangimento: ser evitado por candidatos do seu próprio arco de alianças. Mais ou menos como ocorreu com Paulo Garcia no ano passado

 

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Marconi e Iris: Republicanos

Governador Marconi Perillo e prefeito Iris Rezende: parceria em prol de benefícios para a população| Foto: Léo Iran

O primeiro domina a cena política estadual desde a década de 1960, quando foi eleito prefeito da capital pela primeira vez. O segundo explodiu em nível estadual ao se eleger governador em 1998. Ambos começaram em patamares mais baixos. O primeiro foi ve­reador e deputado estadual antes de chegar à prefeitura. O segundo foi de­putado estadual e deputado federal.

Quis o destino que ambos se encontrassem em campos opostos na histórica eleição de 1998. O primeiro, Iris Rezende, foi derrotado pelo segundo, Marconi Perillo, na mais fantástica virada eleitoral de toda a história de Goiás. Jamais um candidato tão favorito quanto Iris perdeu daquela forma. Desde então, aquela derrota inicial deu início ao formato atual da política no Estado, sob as lideranças de Iris e Marconi. Ao ponto de a disputa entre adversários políticos por vezes ter praticamente descambado para inimizade pessoal não apenas entre eles, mas também dentro dos respectivos grupamentos.

Na semana passada, os goianos não foram surpreendidos pelo encontro oficial do prefeito de Goiânia com o governador de Goiás. Surpresa foi no início do ano, quando aconteceu o primeiro encontro entre eles. Uma grande surpresa após quase 20 anos de intensa rivalidade política e administrativa. Vá lá que essa aproximação começou ainda no ano passado, quando Iris dizia se manter disposto a “pendurar as chuteiras” e abandonar assim uma vida dedicada à política. Encontro entre pessoas muito próximas de ambos, e depois com participação do próprio Marconi, racharam o iceberg existente entre os dois líderes. Marconi se declarou, inclusive, disposto a apoiar uma nova eleição de Iris para a Prefeitura de Goiânia.

Não deu certo, obviamente. Majoritariamente, os militantes dos dois grupamentos não estavam preparados psicologicamente para uma distensão nesse nível. Ainda agora é possível encontrar bolsões isolados de um lado e do outro que não conseguem encerrar a “guerra fria” que se estabeleceu em 1998 e levantou um muro de Berlim entre os dois grupos. Mas, a persistência de ambos pôs fim à guerra e o muro caiu. Há, sim, convivência pacífica política e administrativamente entre Iris Rezende e Marconi Perillo. E isso não significa que um lado ou o outro capitulou. Não houve rendição. O que aconteceu é que o império do mal querer entre eles deu lugar aos ares republicanos da soma em prol de resultados. Isso, tudo é, sim, fazer acordo político-administrativo, muito embora se mantenha o antagonismo eleitoral.

Essa delimitação nem sempre é compreendida totalmente mesmo por setores políticos. Alguns bolsões peemedebistas que ainda vivem a “guerra fria”, não aceitam que houve um acordo político-administrativo entre Marconi e Iris. Dizem que o entendimento é somente no campo administrativo. Não é, a não ser que se entenda a política somente como uma disputa eleitoral.

Em janeiro de 2011, quando o então prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia, foi ao Palácio das Esmeraldas cumprimentar Marconi Perillo pela vitória nas eleições de 2010, seu gesto foi apontado como mera formalidade entre dois governantes, com base principalmente na máxima de que governo não faz oposição a outro governo. Ou não faz ou pelo menos não deve fazer. Mas como não reconhecer a circunstância política daquele encontro? E nem por isso pode-se dizer que Marconi e Maguito não são, ainda hoje, antagonistas nas disputas eleitorais. Vide Daniel Vilela, filho de Maguito, que é hoje um dos nomes badalados da oposição para a eleição de 2019.

Então, o que se tem hoje é exatamente o grande acordo político-administrativo entre Marconi e Iris, e isso é republicano. Uma aula de ambos para seus liderados de como as coisas devem ser em uma democracia. E o resultado que se espera é que os dois possam, o mais breve possível, entregar benefícios para a população de Goiânia resultantes dessa soma republicana de trabalho. Assim como em quase todas as 246 cidades do Estado de Goiás — apenas três prefeituras ainda não assinaram convênio dentro do programa do governo estadual Goiás na Frente. Tomara que assinem e igualmente possam levar benefícios estaduais para suas populações.

MARCONI ELITON

Goiás 2018: Governo põe o pé na estrada, oposição se perde no caminho

Por mais boa vontade que alguns opositores têm apresentado na proposta de ampliação dos debates internos sobre propostas de governo, a maioria permanece atrelada à fulanização do processo, principalmente entre Daniel Vilela, deputado federal e presidente regional do PMDB, e Ronaldo Caiado, senador e presidente do DEM em Goiás. No outro lado da trincheira, os governistas percorrem o Estado todo levando na bagagem benefícios para todas as cidades do interior, inclusive onde os prefeitos integram partidos de oposição, com o Programa Goiás na Frente, que prevê a aplicação de mais de 6 bilhões de reais de agora até o final de 2018.

É óbvio que politicamente a fulanização de processos internos de escolha de candidaturas faz parte do jogo. O problema está no tempo em que isso está se dando entre os oposicionistas. Normalmente, essa fase se inicia no final do ano anterior à eleição, até se consolidar nas proximidades do calendário das convenções partidárias. Os opositores estão em guerra de nervos entre apoiadores de Daniel Vilela e de Ronaldo Caiado há um ano, e o processo não anda, evidentemente.

Já os governistas surfam numa onda altamente favorável. E conseguem espalhar esse bom astral com as prefeituras, o que acaba se transformando em positivismo ampliado e com grande repercussão. E o programa tem colhido resultados tão impactantes graças à relação republicana com todos os prefeitos, sem distinção. Isso de certa forma impede, por exemplo, que as lideranças estaduais da oposição ataquem com a velha temática da atividade meramente eleitoreira. Como argumentar que o Programa Goiás na Frente é eleitoreiro se também lideranças oposicionistas municipais estão dele se beneficiando?

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Também por essa razão, os opositores deveriam iniciar a difícil caminhada dos debates internos a respeito da elaboração de uma proposta alternativa de governo a ser apresentada no ano que vem para o eleitorado goiano. E é uma caminhada complicada porque nunca existe unanimidade nem no formato das ideias administrativas e nem na forma e conteúdo. Caso contrário, se mantendo apenas a disputa em torno de nomes, o risco que existe para qualquer candidato ao governo pela oposição é chegar ao período de maior efervescência eleitoral com discurso superficial e, portanto, sem envergadura suficiente para embasar a proposta de troca de comando do grupo político dirigente de Goiás. Em outras palavras, a oposição corre o risco de apresentar novamente o chamado “mais do mesmo”, atitude que sempre resultou em retumbante fracasso eleitoral desde 2002. Já o governo pode se dar ao luxo de simplesmente aplicar a máxima da continuidade, sem deixar, no entanto, de acrescentar novidades que agradem os ouvidos da população e motive o eleitor.

Há ainda as informações sobre pesquisas de intenção de voto que mostram boa performance do senador Ronaldo Caiado, e participação de José Eliton e Daniel Vilela. Entre os especialistas no tema, esses levantamentos tão distanciados do processo eleitoral, sem a emoção contagiante da disputa, não servem para grande coisa. Quando muito, criam debates no meio político, mas não repercutem muito além das militâncias político-partidárias. Há inúmeros exemplos que comprovam essa tese.

Em 2011, todas as pesquisas indicavam que o então prefeito-herdeiro Paulo Garcia — que foi alçado à condição com a renúncia do titular, Iris Rezende, para disputar o governo do Estado, em 2010 — amargava insignificantes pontos porcentuais. Alguns petistas, inclusive do alto comando, tinham sérias dúvidas se Paulo teria fôlego político-eleitoral para alcançar os adversários e disputar a eleição com boas condições e alguma chance de vitória. Ele nem sequer era conhecido pela maioria da população, diziam as tais pesquisas extemporâneas. Um ano depois, Paulo Garcia não apenas foi reeleito como nadou de braçada ao vencer já no primeiro turno, sem dar qualquer oportunidade de polarização para os adversários.

Com base nisso, é claro que não se pode falar que existe favoritismo deste ou daquela possível candidato ao governo do Estado no ano que vem. O que existe, e é absolutamente real, é potencialidades específicas que podem ou não se transformar em dividendos eleitorais. José Eliton, se a base se mantiver unida, representa um segmento bastante forte, que é o conjunto do governo. O senador Ronaldo Caiado é o mais conhecido e também tem apelo eleitoral. Daniel Vilela integra a renovação dentro do grupo maguitista, e carrega a capilaridade que o PMDB detém em todo o Estado. Qualquer um deles poderá vencer a eleição do ano que vem, mas quem estiver a bordo de barco sem leme e sem vela, sem propostas, dificilmente atingirá o nirvana eleitoral.