Arquivo da categoria: Diário íntimo de um velho repórter

¨bafos e desabafos de um véio repórter…

Bonecos e bonecas de natal: a ideologia de gênero é semântica ideológica (às vezes, interesseira)

Virou um deus-nos-acuda, um sarará geral. Bonecas e bonecos, fabricados com pepequinha e pipiu se transformaram em tema de debates acalorados. Alguns, sinceros, embora equivocados. Uma boa parcela, criada artificialmente para atender somente interesses não confessados e abertamente eleitorais. Afinal de contas, onde está a tal questão colocada: no pipiu dos bonecos, na pepequinha das bonecas ou nas cabeças de quem entra no jogo.

Onde está a ideologia: no pipiu, na pepequinha ou na cabeça de quem vê

Onde está a ideologia: no pipiu, na pepequinha ou na cabeça de quem vê

Essa é uma discussão antes de tudo de semântica ideológica. Biologicamente, os humanos nascem com pipiu ou com pepequinha. Uma parcela ínfima, sim, surge de uma eventual falha nos cromossomos. Comportamento, tendências e preferências da sexualidade são outra coisa. A maioria das pessoas é bastante radical, burramente radical, e não aceita as zilhões de possibilidades que a sexualidade das pessoas humanas permitem. É onde entra a tal diversidade, que acabou colocada sob o holofote das discussões com o radicalismo da ideologia.

Um boneco muito popular e querido da década de 1970, o Marrequinho tinha pipiu, cabelos compridos e lábios vermelhos

Anos 1970: Marrequinho tinha pipiu, cabelos compridos e lábios vermelhos. Sem polêmica, não havia a ideologia de gênero. Representava um bebê masculino

Diretamente, em relação aos bonecos e bonecas, pode-se acusar a exploração da ideologia de gênero? Somente se atender ‘topeiras” religiosas ou sociais e políticos interessados em provocar.

O pipiu e a pepequinha talvez atendam menos a tal ideologia do gênero do que as bonecas assexuadas, lisinhas onde deveria estar a diferença externa entre homens e mulheres. Basta lembrar de uma coisa: bonecas e bonecos são uma representação de crianças humanas para o entretenimento de crianças reais. Ou seja, são “bebês”. Se estão separados entre bonecos com pipiu e bonecas com pepequinha, é óbvio que a mensagem que passam é muito mais próxima da genética do que da tal ideologia da polêmica. As bonecas e bonecos assexuados representariam, no outro extremo, que o humano não nasce homem ou mulher, que é onde está o cerne da ideologia de gênero. É só uma questão de ponto de vista.

Queremos deputados noruegueses, mas nos comportamos como brasileiros…

É para se pensar. A renovação de nomes de parlamentares nas eleições brasileiras gira em torno de 50%. Em alguns anos essa diferença é menor, mas quase sempre gira em torno disso. Ou seja, metade dos parlamentos brasileiros, em todos os níveis, é repovoado a cada eleição. E o resultado dessa renovação de nomes é desolador. A cada legislatura a sensação é de que a situação só faz piorar constantemente.

Noruegueses: se eles conseguiram, nós também podemos conseguir

Noruegueses: se eles conseguiram, nós também podemos conseguir

Aliás, me lembro de uma frase do saudoso Ulysses Guimarães, um dos maiores políticos da história recente do Brasil, quando da época da Constituinte de 1988. Durante entrevista, um repórter perguntou a ele por que a composição da Câmara era tão pior em termos qualitativos do que a anterior. Ulysses respondeu calmamente do alto de sua vasta vivência: “Você acha que este Congresso é ruim? Espere para ver o próximo”.

E de lá pra cá, seguimos piorando a cada eleição. E, não, não é o caso de se execrar a democracia. Ao contrário, o caminho é dentro dela. A democracia não é a culpada. Os culpados somos nós, população brasileira.

Ficamos babando de inveja de noruegueses, dinamarqueses ou holandeses quando ficamos conhecendo como se comportam os políticos daqueles países. Quem dera, suspiramos todos nós, pudéssemos ter políticos com a qualidade moral que eles tem…

Pena que esse sentimento não venha acompanhado de um questionamento coletivo: por que eles podem ter políticos tão bons e a gente esteja sempre renovando nomes sem renovar a prática política? Superficialmente, a sensação coletiva é de que os culpados são os nossos políticos. Quanto a nós, somos apenas as vítimas deles.

Mas quem os coloca lá em Brasília?, tenta-se aprofundar a questão. Na década de 1970, ainda na ditadura militar, quando se ensaiava a abertura democrática, Pelé sacramentou: “O povo não sabe votar”.

Será que não sabe, e ano após ano, eleição após eleição, desaprende ainda mais? Não, o problema não é simples dessa forma. A vida é bem mais complicada.

A renovação de 50% dos políticos em Brasília deveria resultar em injeção de sangue novo, não contaminado moralmente, mas isso não acontece. E nem é “tudo como dantes”. A sensação é de que pioramos ainda mais. Por que?

Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Gato que nasce no forno é pão? De onde surgem aqueles 50% de deputados novinhos em folha que mandamos para Brasília? Duas perguntas do folclore e uma absolutamente apropriada, julgo eu: de onde saem os políticos?

Os políticos brasileiros não surgem de uma bolha imaginária. Nem vem da Lua ou de Marte. Eles saem do meio de nós e são exatamente como nós, coletivamente, somos. Aqui recorro mais uma vez à memória deste velho repórter. Volto novamente à década de 1970. Numa propaganda de cigarro, na TV, um famoso jogador dizia que o produto era bom e barato. E concluía: “Todos nós queremos levar vantagem em tudo, certo?”, e arrematava com o apelo de compra da marca.

Então, voltando ao cerne do raciocínio proposto nesta página do “Diário íntimo de um velho repórter”, se somos um povo que gosta de levar vantagem em tudo, e considerando que os políticos são parte desse povo, os representantes dele, a conclusão, ao meu ver, não pode ser outra: por mais que renovemos os rostos em Brasília, continuaremos mandado pra lá gente exatamente como nós, que gosta de levar vantagem em tudo. A única diferença é que o poder político permite o acesso a vantagens infinitamente maiores do que aquelas de livre acesso aos demais.

Enfim, não da para nos comportar como brasileiros e sonhar com eleição de deputados noruegueses. Temos que nos comportar como eles, e certamente elegeremos sempre com esse comportamento.

Qual é o seu preconceito?

Afinal, de  quantas raças é composta a humanidade? Nessa linha de separação por etnias, qual seria a raça dos asiáticos? Amarelos? Não sei, me parece um viés entorpecido. Não há, ao meu ver, cabimento nessa versão de definir raças dentro do universo humano por cores. Raça branca, raça negra, amarela, vermelha e por aí vai. E afinal, como se enquadraria um povo como os esquimós? Em minha modesta concepção, a raça, a nossa raça, é uma só. O gênero humano, e suas muitas cores de pele e comportamentos. Homens e mulheres feitos sob idêntica matriz genética.

Mas há preconceito entre as cores. Por mais incrível e estúpido que isso seja. Em algumas nações mais. Em outras, menos, mas em quase todas há alguma forma de preconceito de cor, de origem geográfica e até posição social na grande pirâmide em que todos nós estamos inseridos. E não somente contra os mais pobres, mas também em relação aos ricos.

ovos preconceito

No Brasil, país mutifacetado pela miscigenação originada nos colonizadores portugueses – que se casavam com pretas e índias, além de brancas – há uma porção de preconceitos, e não apenas relativo às cores. O social, por exemplo, é fortíssimo. Em menor escala, até preconceito religioso existe por aqui.

Como combater esses preconceitos todos? Talvez seja, a exemplo do que ocorre no planeta todo, acabar completamente com qualquer forma de preconceito. Mas uma coisa se sabe: quanto mais conhecimento, quanto maior o grau de escolaridade – e aqui se fala de educação básica de qualidade – menos preconceitos.

Discursos não vão mudar esse quadro lamentável da sociedade brasileira. A escola, sim, pode torná-lo menos feio, menos danoso e, assim, mais humano.

Flores-Goiânia

Legado de Nion (01): O custo zero da cidade mais florida do Brasil

Certa vez, nas muitas oportunidades que tive de bater papo com o professor Nion, quis entrar nos detalhes daquela sua mania de plantar flores nas praças, nos “queijinhos” e até nas ilhas das avenidas de pista dupla.

Flores-Goiânia

“O povo não come flor, professor. Não é gastar dinheiro demais com isso?”

“Quem disse que a Prefeitura gasta dinheiro com as flores?”

“Ué, não gasta?”

“Não. O projeto não tem nenhum impacto nas despesas da Prefeitura.”

Pensei que ele estivesse sofismando, alterando a palavra literal para o tal impacto global nas contas. Mas, não, o professor Nion estava realmente respondendo à minha indagação. Pedi explicações, obviamente.

Quanto custa esse tipo de serviço?

Quanto custa esse tipo de serviço?

“Se você levar em conta toda a economia obtida pela administração por causa das flores, do sentimento e do carinho com que o goianiense passou a tratar Goiânia, a despesa com as flores é zero”.

Continuei sem entender onde ele queria chegar… E minha cara de espanto o fez continuar.

“Você tem ideia de quantas luminárias deixaram de ser quebradas em toda a cidade após as flores? E não é só isso, não. As escolas são muito menos depredadas, vitrôs, lâmpadas, serviço de limpeza. Todos os anos, as carteiras escolares que precisavam ser reformadas tem diminuído. Isso é economizar dinheiro, não é?”

Obviamente, a resposta era desnecessária, mas a dúvida ainda era pertinente: essa economia era suficiente para pagar toda a despesa com as flores?

Como se estivesse lendo meu pensamento, ele emendou:

“Não é só isso. Você já percebeu que a cidade está sempre limpinha, sem papéis no chão. Ninguém joga. Sabe por que? Porque a cidade está bonita, e o goianiense quer manter desse jeito”.

OK, mas varrer o papelzinho na rua não custa mais do que um único canteiro de flores, pensei. E mais uma vez, o professor didaticamente seguiu:

Cidade mal cuidada, bancos de praça depredados

Cidade mal cuidada, bancos de praça depredados

“Sabe onde vai parar o papel jogado na rua? Ou dentro do bueiro, que depois precisa ser limpo, ou vai para o aterro sanitário, e talvez até alguma coisa para a reciclagem. A Prefeitura também gasta menos com esses serviços.”

Eu ainda não estava inteiramente convencido. E ele fechou o assunto de vez:

“Você sabia que a Prefeitura não compra uma única muda de flor? Todas elas são plantadas por nós mesmos. E sabe quem faz esse serviço? As pessoas atendidas pelo Trabalhando com as mãos (programa de integração social que atendia pessoas idosas e crianças, tema que ainda será abordado nesta série sobre o legado de Nion, o melhor prefeito de Goiânia). Quanto custa atender essas pessoas com dignidade?”

Trabalhando com as mãos

Trabalhando com as mãos

Sai daquele encontro convencido de que talvez Nion Albernaz estivesse certo nessa tese de custo zero para a Goiânia das flores e da cidadania. E passei a pensar sobre o assunto por vários dias, levantando outras despesas do dia a dia da administração que foram diminuídas porque o goianiense gostava realmente de morar numa cidade de beleza aconchegante. Quantos bancos de praças deixaram de ser quebrados e etc. Mas será que as flores de Nion geraram alguma renda extra para a cidade?

Cheguei à conclusão que sim. Também houve uma lucratividade extraordinária para a cidade. Primeiramente, na imagem de Goiânia. A fama positiva se espalhou pelo interior de Goiás inicialmente, e atingiu o país inteiro. E isso ofereceu a possibilidade de desenvolver o turismo de eventos como jamais havia ocorrido. A capital sem praia tinha ruas e praças tão belas como nenhuma outra no Brasil, e para cá, na época, vieram centenas de convenções e encontros nacionais de profissionais e empresas, além de promover um mercado promissor na área de exposições – que viveram um boom em meios aos canteiros de flores do professor Nion.

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu...

Bobagens de um velho repórter sobre jornalismo…

Há algum tempo, um jovem – aliás, um grupinho de uns 4 ou 5 – me cercou na PUC de Goiânia.

– Cara, estamos começando o curso de jornalismo. Qual é a dica de um cara experiente como você?

Putz, a pergunta me pegou desprevenido, desarmado completamente. Olhei à minha volta e percebi olhares ansiosos por uma resposta encorajadora. Estava na PUC atendendo a convite bastante gentil de um amigo-professor de comunicação. Deveria falar sobre a minha experiência e responder as dúvidas dos alunos.

Não teria tempo de elaborar uma resposta digna de uma dúvida como essa: qual é a dica de quem tem 41 anos de vida nas redações para aqueles que querem entrar profissionalmente nessa roda viva.

Respondi a primeira coisa que me veio à cabeça – evidentemente, uma pergunta: “O que vocês fazem sábado e domingo? Preparem-se para perdê-los para a profissão”.

A turma olhou um para o outro,  e saiu do meu alcance sem mais. Não sei o que disseram entre eles. Não me interessa saber também.

Não sei, até hoje, se fiz bem ou se fiz mal ao falar o que falei, mas tenho certeza de que disse o que vivi. Não tive centenas de sábados, centenas de domingos. Nem vou computar os feriados, que para os jornalistas é dia normal.

O jornalismo é isso: sacrifício, dedicação. A imagem que se tem fora, de glamour e altos salários, é irreal. Quer saber mesmo? O jornalismo é uma porcaria de ofício que remunera mal, exige muito trabalho, é estafante e estressante ao máximo. Só deve ser jornalista quem não pode viver de outra forma.

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu...

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu…( e sempre a reproduzo)

Noutro dia falei para uma turma avançada de jornalismo na faculdade Alfa, também de Goiânia. Lá pelas tantas, perguntei aos alunos: “Quem aqui acha que vai ingressar no mercado de trabalho?”. Quase todos levantaram as mãos. Chamei um dos que não se manifestou: “O que você faz aqui se acha que não será jornalista?”. Ele me respondeu com muita sinceridade: Vou ter um diploma de uma profissão nobre.

“Ou seja – e eu disse isso a ele e aos demais – isso é um glamour que não existe. Não é o diploma. É o sacrifício. A maioria de vocês vai seguir outros caminhos. Sabem por que? Não cabe todo mundo nesse mercado”.

Ahhh, mas não ligue para nada do que eu disse aqui. São bobagens de um velho repórte

 

Lula língua 02

O Lula é um pilantra

Lula língua 02

-Esse Lula é um pilantra.

– Larga de ser besta. O Lula é uma vítima desse sistema, que quer acabar com os avanços do governo dele.

– Sei. O Lula é realmente um pilantra, malandro…

– E o Aécio de tal, não é?

– O que que tem ele?

– Por que o Aécio não está preso?

– Ué, o Aécio tem mandato.

– Cara, eu sei que você é jornalista e tal, mas você é muito otário. É uma armação tudo isso. Larga de ser bobo. Reparou que só prendem os petistas? Abre o olho, meu amigo.

– Qual petista com mandato está preso?

– Olha aqui, você acha que o Aécio é um santo, que o PSDB só tem santo…

– Eu não disse isso, uai.

– Mas, então, por que você está falando só do Lula.

– Porque, no fundo, eu achava que pelo menos ele não fosse.

pichação

Novas observâncias e implicâncias de um velho repórter

Grafite é arte? É arte. Mas não no sentido que querem dar a essa palavra. É arte como nossas mães diziam ao ralhar com a gente: “Deixa de arte, menino”. Ou quando comentavam entre elas: “Nossa, o filho da fulana é muito arteiro”.

E a tal pichação é legítima expressão de um cidadão mudo? Que nada. É vandalismo. Só isso. E perigoso. Os pichadores são meio lelés da cuca, e podem ser violentos. O dentista que foi assassinado em São Paulo porque bronqueou com pichadores que rabiscavam a frente de sua casa são um exemplo disso. E ainda deram uma surra no pai dele, um velho que mal conseguia se arrastar…

Veja esta foto abaixo, que recebi pelo WhatsApp: qual lado é mais agradável aos olhos?

pichação

Ahh, mas nem todos os pichadores são fisicamente agressivos. É verdade, e também é verdade que nem todo mundo gosta de ver paredes rebuscadas. Eu não gosto.

E o mais engraçado de tudo é que gostar disto ou daquilo virou posicionamento ideológico. Quem defende os pichadores e grafiteiros são “de esquerda”. Os contrários são “de direita”. Coisa mais idiota um negócio desses… Gosto é gosto, uai.

Aliás, o Brasil é muito idiotizado. O sujeito é contra a agressividade de um qualquer que ataque alguém que ele goste. E aí procura ser ainda mais agressivo contra o atacante. Ué, mas se não curte palavras duras nas bocas dos outros, por que diabos também as usa? Vai entender… Eu já desisti.  Tô véio mesmo…

 

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu...

Os 40 anos em redações me furtaram o sol. Simbora para 2017

Lá se foram meus 40 anos vividos em redações de rádios, TVs e jornais. Não tenho a mínima ideia de quantas horas falei nos estúdios das várias emissoras em que trabalhei. Nem quantas linhas escrevi para os jornais. Até há alguns anos, ainda me sentia um moço. Não é mais assim que me sinto. As estraladas da idade – trintááá, quarentááá, cinquentááá – vão ardendo o lombo e devorando os músculos. E olha que já estou perto da próxima estalada – sessentááá.

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu...

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu…

Aposentadoria se aproxima. Como comecei muito cedo, antes dos 20 anos, a pagar para o sistema, já extrapolei a carga necessária, mesmo com a mudança que criou a matemática dos 85/95 – e que o governo quer mudar para pior. Carrego marcas desse tempo pra tudo quanto é lado. Antes, muito mais voluntarioso, era bem menos tolerante. Meus calos não suportavam o sapato dos outros, e minha canela quase sempre devolvia as “gentilezas” de maneira automática. Hoje, dificilmente me exalto. A paciência e a tolerância são um belo aprendizado que a idade nos oferece, mas recaídas sempre acontecem. É chato isso. Nem sempre é possível segurar as muitas ondas que batem.

A bengala ainda não é necessária. Por enquanto...

A bengala ainda não é necessária. Por enquanto…

Fisicamente, os tais 40 anos vividos em redações me furtaram o sol. Quando menino, era um atleta. Hoje, como consequência de uma brutal hérnia de disco que me levou à mesa de operação, tenho monoparesia na perna esquerda, a “aleijadinha”. O fato de ser PNE não me incomoda. O que perturba mesmo são as dores que batem quase sempre. Se fico muito tempo em pé, dói. Se fico muito tempo sentado, dói pra caramba. Se preciso caminhar mais do que algumas dezenas de passos – no meu ritmo, claro – dói também. Paciência. Cada um tem a carga que consegue carregar pela vida. examedediabetes A síndrome do pânico também fez, e ainda faz em menor escala,  estragos. Fiquei bem mais recluso. Gosto da solidão com meus cachorros. Mas pior do que a necessidade de controlar o glaucoma, o colesterol, o triglicérides e a pressão arterial é o diabetes. Essa doença é diabólica, sorrateira, covarde. Deveria ser mais divulgada. Depois que ela se instala, no caso do diabetes tipo 2, a vaca já foi pro brejo. Quem tem diabetes, 1 ou 2, deve ficar atento até contra gripes simples, dessas que as pessoas sem a doença enfrentam todos os anos e tiram de letra em uma semana.

Banco da praça? Melhor uma cadeira na redação

Banco da praça? Melhor uma cadeira na redação

Enfim, 40 anos já se foram. A aposentadoria está chegando, mas ainda tenho algum caldo no garrafão para bebericar em redações. Elas sempre foram e são a minha vida. E sabe duma coisa? Se o tempo voltasse até 1976, quando adentrei pela primeira vez uma redação de jornal, eu entraria novamente naquela sala com mesas e máquinas de escrever para poder viver mais uma vez esses mesmos 40 anos. PS – Não ligue, não. Este “Diário Íntimo” é como se fosse um balanço apropriado para esta época do ano. Se você não gostou, por favor, releve. Se achou legal, ótimo. No mais, simbora todos para 2017.  

Debate: como melhorar a educação pública do Brasil?

Medida provisória do governo de Michel Temer propondo mudanças no ensino médio provocou um disse-me-disse maluco. Há zilhões de teses a respeito da melhoria da qualidade de ensino, e aí vai se perdendo o foco.

Em primeiro lugar é necessário reconhecer que o Brasil compromete quase 20% de todos os gastos do setor público com educação. Isso representa algo em torno de 7,6% de tudo o que o país produz em um ano de trabalho. Ou seja, não é pouco dinheiro, mas também não é o suficiente para atender uma população tão grande. Se o Brasil tivesse, digamos, 50 milhões de habitantes e não 200 milhões, seria mais do que suficiente.

Escola de lata no ensino básico. Existe alguma universidade de lata?

Escola de lata no ensino básico. Existe alguma universidade de lata?

De qualquer forma, é necessário entender que é indispensável estabelecer a educação como prioridade. Não existem prioridades. Quando no plural, a prioridade é uma grande mentira. Para aumentar o gasto com educação vai ter que cortar em todas as outras áreas de gestão. Ou seja, priorizar a educação.

Mas só dinheiro não basta. Como é a estrutura da educação no Brasil? Imagine um sobrado com 3 andares erguido sem qualquer alicerce. É óbvio que a construção não vai se manter. Tem tudo para dar errado. A educação no Brasil é como esse sobradão irresponsável.

Sem uma boa base, o ensino no Brasil será sempre como um castelo de areia

Sem uma boa base, o ensino no Brasil será sempre como um castelo de areia

São 3 os níveis de ensino: infantil/básico/fundamental, médio e superior, com atribuições e responsabilidades das 3 esferas da administração, municipal, estadual e federal. Retornando à analogia, o município fica com o alicerce e parte do térreo, o Estado cuida da outra parte do térreo e do andar médio, e a União se encarrega da cobertura.

Grosso modo, como funciona a distribuição do bolo tributário (escorchante) do país? 5% ficam com as cidades, 25% com os Estados e a União embolsa o restante, cerca de 70%.

Universidade Federal de São Paulo

Universidade Federal de São Paulo

Não parece óbvio que dessa forma o alicerce e andar térreo do sobrado doido terá problemas de sustentação econômica? É óbvio, sim, e também por isso professores das redes municipais e estaduais brigam para receber o tal piso nacional, 2.100 pratas fora os descontos legais, enquanto professores das universidades federais chegam a levar pra casa quase 25 mil reais por mês.

Sala de aula: se a base do ensino é essa, o resto é perfumaria

Sala de aula: se a base do ensino é essa, o resto é perfumaria

Ora, mas os professores universitários são os mais capacitados, pode-se afirmar com certeza. Sim, e é exatamente por isso que eles deveriam cuidar do alicerce, e não da cobertura. Sem um ótimo alicerce, a cobertura jamais irá se sustentar. É por essa razão que existem tantas faculdades por aí formando analfabetos: falta a base, e sem ela só há tititi no sistema educacional brasileiro.

O que é pior: eu ser um pokebobo ou você ser tão enxerido?

Tava demorando. Com a febre do joguinho de smartphone Pokémon GO, começa a febre dos incomodados. É incrível isso, e sinceramente, não sei qual febre é pior. Depois de mais de meio século de perambulâncias neste planeta, minha tendência é achar que a febrezinha pseudointelectualizada dos incomodados seja pior. Muito pior.

pokemon-go

Vamos lá. Eu confesso sem nenhum constrangimento: baixei o jogo para saber qual era, gostei e continuo jogando. Isso incomoda alguém? Dane-se, ué. Vá ler o seu livro, ver seu filme, sair, namorar, ouvir seus “roquezinhos massa”. Se preferir, vá se lascar. Eu vou continuar jogando Pokémon. E garanto: você não tem nada a ver com isso. Portanto, não se incomode comigo. Quem vive a minha vida sou eu, e não você, ok? Viva a sua vida sem tentar dirigir a minha, uai.

Tá, eu sei que você me acha um pokebobo, um pokealienado, um pokedébilmental. Mas posso te garantir uma coisa: você nem imagina o tantão de defeitos que tenho. Esses aí são quase elogios.

Ahh, mais tarde, se quiser, podemos voltar a conversar sobre isso ou qualquer outra coisa, tá? Vou ali pegar mais um bichinho virtual. Aproveite esse tempinho e encontre algo pra fazer, mas que seja algo melhor e mais gostoso do que ser enxerido.