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Análises estruturadas do que acontece em Goiás

2018: Base aliada está definida. A oposição, dividida

Como ainda falta um ano e alguns meses para as convenções partidárias visando as eleições de outubro de 2018, o quadro eleitoral tende a mudar bastante, mas um cenário é marcante desde sempre. Os aliados estaduais governistas conseguem manter um padrão de unidade em torno de um só candidato bem antes da oposição ao menos tentar uma convergência. José Eliton, que deverá assumir o comando do Estado durante o processo eleitoral, é o nome natural para a sucessão estadual. PMDB, DEM e PT, principais partidos oposicionistas, trabalham individualmente seus próprios candidatos e tendências.

Tem sido assim desde a eleição de 2002. O governo se uniu em torno da reeleição de Mar­co­ni Perillo e a oposição lançou-se dividida, com as candidaturas de Maguito Vilela (PMDB) e Marina Santana (PT). Em 2006, o então vice, no exercício do governo, Alcides Rodrigues, representou os aliados. Na outra trincheira, a oposição marchou esfacelada com três candidatos: Maguito novamente, Barbosa Neto (PSB) e Demóstenes Torres (PFL). Em 2010, mais uma vez os aliados estaduais convergiram e foram buscar Marconi Perillo que ainda tinha mais quatro anos de mandato como senador. Nas oposições, dois candidatos: Iris Rezen­de, PMDB/PT, e Vanderlan Cardoso, PR/PP palaciano. Em 2014, nova união pela reeleição de Marconi entre os governistas e mais uma divisão no campo oposicionista, com Iris Rezende, Vanderlan Cardoso (PSB) e Antonio Gomide (PT).

Linguagem

O grande mérito dos aliados estaduais é que o grupo “fala a mesma língua”, e tem o comando sereno do governador Mar­co­ni Perillo. Na realidade, essa união dentro da base passa necessariamente por Marconi, que é o fator convergente decisivo. Sem ele, não se sabe se o grupamento con­tinuaria unido. Provavelmente, não. Nas oposições, embora a figura de Iris Rezende tenha sido e exercido o mesmo viés de liderança e fator de convergência, cada grupo usa idioma próprio. Até porque os interesses e bandeiras políticas não são as mesmas e, em alguns pontos, são divergentes. Em comum há somente o fato de que todos querem derrubar os aliados estaduais do poder estadual.

Maguito, Iris, Caiado e Daniel: eles não falam a mesma "língua"

Maguito, Iris, Caiado e Daniel: eles não falam a mesma “língua”

Basta uma rápida e superficial olhada para o campo oposicionista para perceber que não existe nem mesmo uma tendência dentro dos partidos, com exceção do DEM, que conta apenas com a liderança isolada do senador Ronaldo Caiado. O PMDB é profundamente dividido de cima até a base entre iristas, maguitistas e aqueles que não seguem nem um nem outro. Ou seja, são três setores independentes, e maioria das vezes adversários, em um único partido. O PT, apesar de as divisões internas não apenas serem aceitas como de certa forma incentivadas como prática da vida partidária, há união quando se define as candidaturas.

Quando se reúne globalmente os três partidos da oposição, PMDB, DEM e PT, aí é certo que a faísca provocará incêndio. Atualmente, o PMDB aposta em Daniel Vilela ou, como plano B, Maguito Vilela. Com qualquer um dos dois, o PT não tem dificuldades para conversar. Mas os iristas preferem apoiar a candidatura do senador Ronaldo Caiado, e têm feito o possível para seduzir o democrata e promover a sua filiação. Pelo menos até agora, Caiado não tem falado sobre essa possibilidade. É o tal negócio, no DEM ele tem uma vida tranquila, sem adversários internos. No PMDB, teria que dar cotoveladas para se garantir politicamente. E no caso de uma candidatura do democrata com apoio do PMDB, o que tem sido trabalhado principalmente pelos iristas, o PT fecha qualquer possibilidade de diálogo. E o reverso dessa moeda é idêntico. Caiado provavelmente teria inúmeras restrições para subir no mesmo palanque dos petistas, mesmo que o candidato a governador fosse um dos Vilela.

Sem possibilidade de união através dos nomes, restaria convergir em torno de bandeiras políticas. Mas elas não existem entre os opositores porque a única coisa que há entre eles é a tal oposição ao grupamento governista. Isso é pouco, quase nada, para promover uma união tão complicada e com interesses políticos tão difusos. Se entre os aliados governistas há o fator de convergência, Marconi Perillo, que é também o principal articulador e formulador, a oposição segue sem convergência, sem articular uma união ampla, geral e sem preconceitos e, principalmente, sem formular nada.

2018: Quem passará pelo funil da oposição?

Os dois nomes mais cotados atualmente são os do senador Ronaldo Caiado, do DEM, e do deputado federal Daniel Vilela, do PMDB. Maguito pode surgir como “tertius”?

O principal grupamento de oposição ao grupo governista liderado pelo governador Marconi Perillo estartou o processo de afunilamento das candidaturas para 2018 muito cedo. Normalmente, isso vai sendo tocado em banho-maria durante todo o ano e pega maior embalo por volta de novembro e dezembro. Desta vez, desde meados do ano passado o deputado federal Daniel Vilela, presidente regional do PMDB, e o senador Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM, jogam seus dados políticos para tentar se firmar no horizonte desse grupamento. Não é uma disputa qualquer. Envolve nada menos que dois presidentes de partido.

Caaido tem em Iris o grande aliado dentro do PMDB

Caaido tem em Iris o grande aliado dentro do PMDB

Exatamente por envolver, digamos assim, gente muito grande na ordem do dia, é totalmente imprevisível qualquer resultado que possa sair daí. Inclusive contando com a possibilidade, neste momento bastante remota, de ambos serem atropelados por um terceiro cogitado, o ex-governador, ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e pai de Daniel, Maguito Vilela.

Trunfos – Dentre os três, ninguém tem tanto destaque assim em relação aos concorrentes quando se usa a balança política para pesar as chances de cada um. Daniel conta, evidente e naturalmente, com bom apoio dentro do PMDB que não segue a liderança do prefeito Iris Rezende, de Goiânia. Já Caiado é o aliado mais poderoso de Iris e dos iristas.

Maguito, o pai, fica na reserva "técnica" para eventual substituição de Daniel

Maguito, o pai, fica na reserva “técnica” para eventual substituição de Daniel

Maguito, nesse ponto, apenas assiste ao jogo que está sendo jogado, sem dar muita atenção para a bola. Até aqui, ele nem formalizou seu apoio à pretensão do filho e herdeiro. Sobre esse assunto, Maguito disse apenas que se Daniel for o candidato do PMDB ao governo do Estado, ele não disputará nenhum cargo em 2018. Aliás, ele havia anunciado sua aposentadoria às vésperas do encerramento de seu segundo mandato como prefeito de Aparecida, o que faz da frase anterior um esquema enigmático: se está aposentado, ele não será candidato mesmo que o filho dele não seja também. Ou então a tal aposentadoria é mas poderá deixar de ser em seu devido tempo.

Fora os apoiamentos necessários à qualquer candidatura competitiva, Caiado e Daniel tem méritos e problemas que, embora completamente diferentes, terminam por “empatar” a disputa entre eles. Pelo menos, até aqui. Não se pode dizer, portanto, que dentro de seis meses esse equilíbrio será mantido ou se um deles conseguirá se desgarrar um pouco mais.

Caiado é um nome muito mais consolidado no eleitorado estadual. Sua primeira candidatura foi em 1989, na primeira disputa presidencial com voto direto, após a abertura do regime instalado em 1964. Não foi bem nessa estréia, mas marcou posição. Até por um certo radicalismo de ideias. Ele é um liberal e faz absoluta questão de manter essa coerência até hoje. Para seus inimigos, Caiado é apenas um direitista prepotente e que exata conservadorismo. É certo que ele se identifica, sim, com a direita do sistema, mas está muito longe de ser um cidadão à moda antiga. É um médico de gestos educados, que sabe se portar socialmente. Só volta a ser o político agressivo que é quando começa o debate político.

Daniel ainda é um político em formação dentro do que se refere ao eleitorado. Ele é muito menos conhecido do que Caiado, por exemplo. Inclusive dentro do próprio PMDB. Começou carreira como vereador, se elegeu deputado estadual e subiu para a Câmara dos Deputados já na terceira eleição que disputou. Por enquanto, tem uma carreira inegavelmente vitoriosa. Mas existe uma dúvida se essas eleições não foram muito um substrato do pai famoso ou se foi apenas pelo seu próprio tamanho político. A primeira hipótese não tem como ser descartada.

Olhando assim, essas condições, que em tese são negativas, podem ser armas importantes para ele se usadas de forma adequada e inteligente. O fato de ser pouco conhecido significa que o PMDB estaria se renovando, mudando a cara do candidato. Ou, até mais do que isso, (e sem qualquer provocação, mas apenas como fator de detalhamento da ideia), Daniel é o único dentre os três que pode trabalhar a imagem de ser ele o “tempo novo” do PMDB. É claro que algo assim teria que passar antes por exaustivos testes em pesquisas qualitativas. O eleitor de 2018 não tem o mesmo perfil de 1989, quando surgiu o “tempo novo” original, de Marconi Perillo.

Já o veterano Maguito Vilela dispensa apresentações. Ele liderou o governo peemedebista mais popular da história do partido em Goiás, batendo com muita folga mesmo os melhores momentos de Iris Rezende. Ninguém que siga a política estadual tem qualquer temor em afirmar que se ele tivesse disputado a reeleição, em 1989, venceria com muita facilidade qualquer adversário. E ele só não foi candidato a mais quatro anos como inquilino no Palácio das Esmeraldas porque foi derrotado dentro do PMDB por Iris Rezende, seu antigo padrinho. Por mais incrível que isso possa parecer, o atropelamento da candidatura de Maguito foi consequência de sua enorme popularidade.

Mas qual seria o caminho para a candidatura, mais uma vez, de Maguito ao governo do Estado em 2018? Como “tertius”, aquele que está sempre ao lado da disputa e de repente se transforma em solução para o impasse/empate. O caminho de Maguito é esse tortuoso labirinto político cuja porta de saída é ele se transformar na única candidatura capaz de pacificar o partido.

Diante de tantas questões e lances políticos que ainda vão ser feitos, é mero palpite dizer que o candidato será este ou aquele. Aliás, não se pode descarta nem mesmo a possibilidade de um quarto nome.

Goiás-2018: Governo se prepara

Manutenção de rodovias em boas condições é uma das estratégais do governo estadual para alavancar José Eliton | Divulgação

 

A travessia administrativa dos piores momentos da mais forte crise na economia brasileira em todos os tempos não foi fácil. De imediato, ainda às vésperas de 2015, o governo implantou uma série de medidas visando a restrição de despesas. No início de 2016, um novo pacote aperfeiçoou o modelo de contenção de gastos. O resultado desse esforço, que de certa forma atingiu a popularidade do governador Marconi Perillo, pode começar a dar bons frutos agora. A recessão ainda dá sinais, mas parece estar no final. Se não acontecer nenhum tranco negativo generalizado, é considerado pelos economistas que 2017 vai representar historicamente o início da retomada do crescimento da economia.

No início da semana passada, o governador Marconi Perillo destilou seu otimismo. Ele anunciou um pacote de investimentos que alcança a casa dos R$ 3 bilhões. É o bastante para mudar completamente a fisionomia da administração, e fomentar ainda mais a recuperação estadual.

Diferença
Olhando para o quadro estadual é impressionante a diferença. Enquanto o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais sobrevivem sabe-se lá de que jeito, em Goiás os indicativos são de investimentos. Mas por que isso está acontecendo? Exatamente por causa das medidas impopulares, porém imprescindíveis que foram adotadas na primeira metade do atual mandato. Marconi usou toda a sua experiência para suportar a crise com paciência, e agora deve começar a respirar muito mais aliviado.

Parte dos recursos a serem investidos vem da privatização da Celg. Outro montante será resultado da reestruturação do pagamento das dívidas de todos os Estados com a União.
O governo quer investir na capacidade estadual de competitividade e manutenção de rodovias estaduais, o que favorece o escoamento das safras agrícolas, um dos setores mais importantes da economia goiana. Além desse conjunto, vai finalizar obras que precisaram ser paralisadas no auge da crise.

Politicamente, essa notícia não deve ter agradado os principais opositores do governo. Se na crise era fácil entoar discursos para o eleitorado, agora será necessário elaborar propostas. Essa é sempre uma grande dificuldade dentro da oposição. Normalmente, as críticas contra o grupo que governa o Estado é fulanizada demais para surtir efeito prático nas eleições com o retorno da atividade econômica plena. Mais além, o governador Marconi Perillo não será candidato ao governo. Ou seja, a carga oposicionista geralmente endereçada a ele durante todos esses anos será inútil na disputa pelo comando do Palácio das Esmeraldas.

Divisão
A oposição se anima com a possibilidade de a ausência de Marconi favorecer a divisão da base aliada governista. É claro que isso é uma possibilidade, mas neste momento seria muito mais prudente acreditar em divisão nas oposições. Por sinal, essa divisão existe dentro do PMDB de forma bastante nítida. A anunciada candidatura do deputado federal Daniel Vilela ao governo do Estado tem mais inimigos internos do que externos. E não é uma situação cômoda, uma dissidência qualquer. Trata-se de ninguém menos que Iris Rezende, prefeito da capital e líder do grupamento peemedebista rival dos maguitistas. Iris prefere ver o PMDB como caudatário da candidatura do democrata Ronaldo Caiado do que aceitar e se engajar em torno de Daniel Vilela.

Por enquanto, a base aliada permanece unida. A única voz importante que ensaia cantar em outra freguesia é o PSD de Vilmar Rocha. Ele, por exemplo, admite até conversar com o PMDB. Ainda assim, não é uma unanimidade dentro do partido. Mais do que isso, com qual PMDB ele topa bater papo: com o PMDB maguitista ou com o PMDB pró-Caiado? Ou seja, as coisas não são assim tão simples.

O nome previamente colocado para a sucessão de Marconi dentro da base é o de José Eliton, vice-governador hoje, mas que será governador no ano que vem. Essa condição o torna completamente dependente do desempenho do governo. Se as coisas deslancharem pra valer, suas chances de vencer as eleições se multiplicam. Se, ao contrário, os planos atuais de investimento e retomada do crescimento da economia se frustrarem, é claro que o preço recairá sobre a candidatura dele. Nessa situação, até o discurso vazio da fulanização entoado pelos opositores vai surtir algum efeito. Isso, porém, só vai ser visto de perto dentro de pelo menos um ano. Até lá, cada um trabalha politicamente para consolidar espaços.

2018 – Oposição: muitos nomes, nenhuma proposta política

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Ronaldo Caiado, Maguito Vilela e Daniel Vilela | Fotos: Agência Senado e Fernando Leite/ Jornal Opção

Ainda falta um tempão para as eleições estaduais do ano que vem, certo? Bem, se olhar para o calendário, a resposta é sim, falta bastante tempo. Se observar pelo prisma da construção política de uma candidatura, a resposta muda completamente. Candidatos não surgem do “nada”, de uma hora para outra. Há um enorme trabalho de consistência da viabilidade política. Eleitoralmente é tarefa para meados do próximo ano, mas a edificação política, não. Essa é urgente.

E como isso poderá ser feito? Para a ala governista, a situação é bem menos crítica. Há o organismo político erguido e sedimentado no exercício do poder. Então, o processo nesse caso é muito mais de viabilidade interna do que necessariamente visibilidade externa. Veja-se, como mero exemplo, o processo eleitoral de 2006. Alcides Rodrigues, em dezembro de 2005 firmou-se como candidato. Ele não se construiu politicamente como candidato exatamente por fazer parte da aliança governista. Seu trabalho foi de tessitura interna somente. Já a oposição trabalhou muito e trabalhou mal naquela eleição. Foram três candidatos: Demóstenes Torres, Maguito Vilela e Barbosa Neto. Imaginava-se que os três estavam solidamente alicerçados politicamente. Só que não. O que eles apresentavam era visibilidade externa. Qualquer um dos três era mais popular do que Alcides. E os três levaram um banho nas urnas. Faltou o eixo político nessas candidaturas.

Pelo cenário atual, a oposição começa um trabalho pela etapa final, pulando a questão política. O PMDB tem pelo menos três nomes: Maguito Vilela, Daniel Vilela e Iris Rezende — sempre. O DEM vive e respira Ronaldo Caiado. O PT, apesar dos desgastes, tem Antônio Gomide. E qual é a única bandeira que eles carregam: derrotar o grupo que está no poder. É fácil então perceber a substancial diferença de proposta entre o candidato da base aliada estadual e o amontoado oposicionista. Os governistas vão explorar politicamente aquilo que a população percebe como fatores positivos da administração, estendendo para um upgrade. Os opositores, por não criarem a base estrutural da política, se apresentam como nomes alternativos, e não como proposta de governo alternativa. Esse é o grande problema: não há proposta. E nem tem se procurado criar algum caminho nesse aspecto.

É evidente que durante a campanha eleitoral vão surgir os tais compromissos ou promessas e tal. De todos os lados. E elas vão ser semelhantes, obviamente. Se antes a disputa eleitoral era individualizada pelo feeling de cada candidato, hoje as modernas pesquisas qualitativas parecem adivinhar o que o eleitor quer ouvir. É claro que não há nada de adivinhação, mas conhecimento científico.

Esse é o ponto principal: os opositores precisam saber construir politicamente a candidatura para apresentarem um diferencial significativo durante a campanha. Apenas ser contrário ao grupamento que está no poder é oferecer muito pouco para o eleitorado. E fica muito mais para uma guerra de egos do que um embasamento político que resulta na estruturação eleitoral posteriormente, e na hora apropriada.

Talvez o grande problema esteja na profunda divisão que existe entre os opositores. Iris e os Vilela, embora no mesmo partido, o PMDB, não convivem bem. Caiado é muito mais aceito por Iris do que pelos peemedebistas. Antônio Gomide até consegue abrir caminho para chegar em Maguito, mas desde a eleição de 2014, quando firmou seu nome para o governo e não compôs com a candidatura de Iris, a relação entre essas alas acabou. Sem falar na barreira ad aeternum entre petistas e democratas.

É fácil perceber que ninguém consegue trabalhar politicamente na construção de uma candidatura que quebre essa trava que carrega muito de visões e objetivos pessoais. Não há, nesse sentido, qualquer visão de coletividade oposicionista. É cada um por si em tempo de murici.

Isso faz do cenário de 2018 para os opositores algo excessivamente aberto, e essa é a fragilidade desse grupamento. Eleição não se ganha com nome, mas, sim, com um conjunto político e uma boa mensagem eleitoral. A mensagem é a parte fácil da história. O complicado mesmo é a construção política porque geralmente ela esbarra em egos inflados.

2018: Delação da Odebrecht definirá sucessão

As delações feitas por 77 executivos da maior empreiteira do Brasil vão “explodir” no primeiro semestre de 2017. Quem sobreviver, estará na disputa de 2018

Reprodução / Internet

Reprodução / Internet

Numa das suas propagandas institucionais, o canal Globo News, cuja programação por canal fechado é inteiramente formatado para o jornalismo, apresenta frases de alguns de seus apresentadores e comentaristas. Um deles é Roberto Dávila. Ele diz: “A (operação) Lava Jato continua. Quem vai parar em pé?”.

Essa dúvida não é apenas dele, Roberto, mas de todos os brasileiros. A confirmação de que os executivos da Odebrecht, incluindo o príncipe herdeiro Marcelo, fecharam acordos de delação premiada foi classificada, pela revista Veja, como “A delação do fim do mundo”. Vai ser isso tudo mesmo? Parece que sim. O vazamento de alguns trechos de apenas um desses depoimentos, o de Cláudio Melo Filho, ex-coordenador do departamento da propina montado dentro da empresa, provocou um alvoroço danado em Brasília, e atingiu o próprio Palácio do Planalto, além das cúpulas do PMDB no Senado e na Câmara dos Deputados. O que mais vem por aí ninguém sabe, mas a se julgar pelo “aperitivo”, a dose vai ser mesmo de monumental.

Profissionalismo

O PT sempre reclamou, com razão ou não, que apenas seus corruptos apareciam na operação Lava Jato. Quanto a isso, os petistas podem então ficar tranquilos. As primeiras informações sobre o conjunto dessas delações da Odebrecht falam em 24 partidos citados, envolvendo mais de 200 políticos de ponta. Se essa é a parte boa para o comando petista, a parte ruim é que outros nomes do partido também vão ser citados. Principalmente nas delações de Marcelo Odebrecht e do patriarca da família, Emílio.

Os petistas também dizem que não inventaram e nem implantaram a corrupção no Brasil. É verdade, sem nenhuma dúvida. Há mais de 100 anos, pelo menos de forma genérica, o tema corrupção frequenta o Senado brasileiro. É famoso o trecho de discurso proferido por Rui Barbosa, em 1914: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

O PT, portanto, está coberto de razão quando diz que não implantou a corrupção no Brasil, mas não há como desmentir que foi durante os governos de Lula e Dilma que ela se profissionalizou, ao ponto de a maior empreiteira do país montar um departamento inteiro apenas para cuidar e administrar a atividade criminosa, além de ter adquirido um banco em paraíso fiscal para facilitar o trâmite de dinheiro com esse objetivo.

Divulgação

A Justiça brasileira terá que ser extremamente cuidadosa na divulgação dessas delações. Até aqui não houve esse cuidado. No caso, é preciso separar pedidos de ajuda financeira para campanhas eleitorais, o que era permitido pela legislação até então em vigor, daquelas negociatas que também sustentaram campanhas, mas tendo como moeda de troca o acesso franco aos cofres públicos, ou serviram somente para enriquecer políticos corruptos. Se não houver essa separação, a resposta para a dúvida de Roberto Dávila e de todos os brasileiros é fácil e genérica: não, não sobrará ninguém em pé.

E 2018, como será após o vendaval da “delação do fim do mundo”? É absolutamente imprevisível exatamente porque não se sabe o mundo de quem irá acabar em 2017. As eleições devem passar então pelos sobreviventes. Há inclusive a possibilidade, cada vez aparentemente menos remota, de eleição presidencial direta temporã ainda no ano que vem. Nesse caso, não será pelas denúncias apuradas na operação Lava Jato, mas por decisão do TSE, que julga ação de despesas ilegais na campanha de Dilma-Temer em 2014. Se sobreviver a essa séria ameaça, Temer deve se arrastar até 2018, e vai depender unicamente do desempenho da economia para continuar até a conclusão do atual mandato.

Quanto aos efeitos judiciais daqueles que forem delatados pelos executivos da Odebrecht e outras empresas, eles só vão aparecer mais rápido para quem não tem direito ao famigerado foro privilegiado, que é lido e entendido pela população como foro dos privilegiados.

Isso não muda muita coisa em relação à campanha eleitoral de 2018. Não será mamão com mel para ninguém e, mais do que isso, poderá favorecer políticos com discursos messiânicos de moralismo – desde que eles não apareçam nas delações. De qualquer forma, qualquer candidato em 2018 deve ir se preparando para entrar numa seara onde ele não será bem-vindo. A população de uma maneira geral está com ojeriza da política e dos políticos. Portanto, as campanhas, tanto em nível nacional quanto estadual, devem ser repensadas.

De qualquer forma, continuará valendo a máxima: se a situação do país – ou do Estado – gera otimismo na população, os candidatos governistas começam com vantagem nítida. Se, ao contrário, o clima geral na economia for deprimente, o Brasil passará por uma eleição completamente diferente, que poderá resultar numa renovação gigantesca, não exatamente para melhor do que aquilo que aí está.

É ver no que vai dar, mas que o primeiro semestre de 2017 promete abalar os alicerces da política brasileira, promete. E a promessa provavelmente vai ser integralmente cumprida.

Ficar dois anos fora do Estado não é uma boa estratégia...

Secretária da Fazenda não descarta disputar o governo, mas está de mudança para São Paulo

A secretária da Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão Costa,  teve seu nome lembrado para o governo do Estado, nas eleições de 2018, pela senadora Lúcia Vânia, que é também presidente regional do PSB. “Isso depende dela e da população, mas eu acharia bom”, disse Lúcia Vânia ao site A Redação (aredacao.com.br).

Ficar dois anos fora do Estado não é uma boa estratégia...

Ficar dois anos fora do Estado não é uma boa estratégia…

O curioso é que após ficar dois anos no comando da Secretaria da Fazenda, Ana Carla está se mudando para São Paulo, onde morava antes de aceitar o cargo no governo de Marconi Perillo. Essa troca de endereço pode não ser exatamente o que se chama de boa estratégia para quem não admite e nem descarta a possibilidade de disputar o governo do Estado em 2018.

PMDB: 2018 Daniel não deslancha, Maguito é o nome

Maguito Vilela: conciliação tem sido a marca do peemedebista

Maguito Vilela: conciliação tem sido a marca do peemedebista

Afonso Lopes

O nome preferencial dentro do PMDB de Goiás para a sucessão estadual de 2018 é o de Daniel Vilela, deputado federal, presidente regional do partido e, principalmente, filho de Maguito Vilela, um dos políticos mais bem-sucedidos da história do Estado, tendo passado por todos os cargos públicos eletivos, vereador (Jataí), deputado estadual, deputado federal, governa­dor, senador e prefeito (Aparecida de Goiânia). O grande problema de Daniel não é a referência do pai, mas o fato de que ele não consegue deslanchar em direção à candidatura ao governo. Ao contrário, ele tem se perdido em meio a uma disputa de posição com o senador Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM e principal aliado político do prefeito Iris Rezende. Caiado, naturalmente, é muito mais midiático que Daniel. Ou seja, no mano a mano, Daniel perde essa disputa antes mesmo de o funil apertar.

Aposentar-se?

Em meados de novembro, após ter desempenhado papel fundamental na vitória do também peemedebista Gustavo Mendanha na disputa pela Prefeitura de Aparecida, e já fazendo um balanço político de sua longa trajetória, Maguito Vilela comentou que está se aposentando das disputas eleitorais. Ele disse isso sem muita convicção, mas disse com todas as letras. Ele comentou, ao apontar a razão de fundo para essa aposentadoria, os interesses políticos de seu filho, Daniel Vilela. Maguito sabe muito bem que ambos não cabem na mesma panela eleitoral. De bobo, Maguito não tem nada

Depois dessa declaração, o cenário político não se alterou, obviamente, mas ele remodelou a tal frase sobre a sua aposentadoria. Ele afasta a possibilidade de se candidatar em 2018, o que é óbvio caso Daniel confirme candidatura ao governo estadual ou mesmo uma reeleição para deputado federal. Maguito, porém, ressalta que não vai se aposentar da política. OK, mas o que isso significa exatamente?

Muita coisa. Os Vilela formam um núcleo de resistência ao irismo, e já conseguiram a proeza de tirar da influência de Iris o diretório estadual do PMDB. Iris, porém, mantém mando de campo em Goiânia, que é, claro, o segundo mais importante diretório do partido em nível estadual.

É aí que entra a tal história da disputa entre Caiado e Daniel Vilela. Há inúmeros peemedebistas de proa e tradição que garantem que o partido não vai dar guarida à pretensão do senador de­mo­crata de se candidatar ao go­verno. Ao mesmo tempo, é possível prever um quadro interessante de disputa internamente, com os iristas de um lado, pró-Caiado, e os maguitistas do outro, pró-Daniel ou, se ele não deslanchar mesmo, com a volta dele, Maguito, ao processo eleitoral. E a verdade é que neste momento a situação é inteiramente favorável a Maguito.

O PMDB goiano na década de 1980 tinha três grandes referências: Mauro Borges, Henri­­que Santillo e Iris Rezende. Nos anos 90, eram apenas dois. Na primeira metade da década, Iris e Nion Albernaz. Na segunda, Iris e Maguito. Esse quadro permanece até hoje, e portanto é o mais longevo da história peemedebista em Goiás.

Mas como na natureza, estrelas de grande porte não costumam viver muito bem no espaço encurtado do poder. Iris predominou com determinação até 2010, desde que, em 1998, atropelou a reeleição — que na época era considera praticamente sem riscos — do então governador Maguito. O derrotado se curou do forte abalo desse atropelamento com uma fácil e avassaladora vitória para o Senado, onde permaneceu por oito anos. Enquanto isso, Iris perdeu a eleição para o governo, e foi novamente derrotado quando, em 2002, tentou a reeleição para o Senado, onde estava desde 1994.

Parecia, e isso chegou a ser anunciado, que era o fim político do velho líder. Que nada. Em 2004, numa disputa que tinha cinco candidatos fortíssimos, inclusive um em processo de reeleição, Iris voltou como candidato a prefeito de Goiânia. Saiu do Palácio do Cerrado Venerando de Freitas Borges apenas em 2010, quando cismou que disputaria o governo do Estado mais uma vez contra Marconi Perillo. Perdeu novamente, e mais uma vez em 2014. Este ano, voltou para a Prefeitura de Goiânia.

Enquanto tudo isso acontecia com Iris, Maguito Vilela construiu um grupamento bastante expressivo a partir da Prefeitura de Aparecida de Goiânia, segunda cidade mais populosa do Estado. E cresceu décadas politicamente ao acenar com boa convivência com o então arqui-inimigo do PMDB, o governador tucano Marconi Perillo. E foi dele o primeiro gesto de conciliação, ao bater à porta do Palácio das Esmeraldas em janeiro de 2011. Aliás, Maguito não foi apenas o primeiro peemedebista a visitar o governador após a vitória nas eleições de 2010: ele foi o primeiro opositor a fazer isso.

Duramente criticado dentro do PMDB, fez ouvidos moucos até as acusações de traição desferidas contra ele. Mas foi exatamente por agir dentro de uma agenda própria e sem as amarras da cartilha antagonista do irismo, que ele conseguiu voltar ao ponto referencial dentro do partido. Sua relação amistosa e administrativamente positiva com Marconi influenciou os núcleos mais radicais do PMDB. Prefeitos eleitos este ano, como Ernesto Roller, em Formosa, Adib Elias, em Catalão, e o próprio Iris Rezende, em Goiânia, falam naturalmente, e sem qualquer constrangimento interno, que pretendem trilhar pelo caminho da conciliação e convivência administrativa com Marconi. Essa porteira foi aberta por Maguito.

Essa visão política pacifista do ainda prefeito de Aparecida se estende para 2018. Mas daqui até lá muita coisa ainda vai acontecer. Uma dessas coisas, segundo o próprio Magui­to, poderá ser uma aproximação de interesses político-eleitorais entre PMDB e PSDB. Quem determina isso, prega Maguito, é a população. E ele está à disposição para ouvi-la.

2018: José Eliton continua no páreo

Vice-governador José Eliton: com mais facilidade para se movimentar  | Foto: Wildes Barbosa

Vice-governador José Eliton: com mais facilidade para se movimentar | Foto: Wildes Barbosa

 

Opositores do grupo governista tentam en­contrar qualquer motivação política ou administrativa para cantar o caos. É natural que seja assim. Se eles não vissem defeitos no adversário, certamente seriam aliados. A saída do vice-governador José Eliton da Secretaria de Segurança Pública é uma dessas motivações que mexeram no vespeiro da oposição. Para muitos opositores, o gesto enfraquece o vice em relação ao processo sucessório de 2018. Faz parte do jogo. É evidente que a oposição tem que torcer contra uma candidatura daquele que provavelmente estará no cargo de governador buscando uma reeleição. É um tipo de adversário jamais agradável de se enfrentar, especialmente se a máquina administrativa estivem com bom funcionamento.

Reforço

O que ocorre na verdade é que o vice-governador José Eliton está se reforçando ainda mais dentro do seu trabalho de formiguinha nos alicerces da base aliada estadual. Na Secretaria de Segurança Pública ele conseguiu se tornar bem mais conhecido do que era antes. Agora, vai atuar como principal emissário do governo de Marconi Perillo junto aos prefeitos, que representam a principal teia de sustentação política do grupo governista. E são prefeitos aos montes. As urnas deste ano foram extremamente generosas com os governistas de todos os partidos que compõem a base aliada estadual, e um pouco mais ainda com o PSDB.

Ao deixar a SSP, José Eliton fica livre para se exercitar politicamente em todos os quadrantes do Estado. Ele realmente precisa fazer isso para cumprir todas as etapas necessárias da construção de sua candidatura a governador em 2018. Se obtiver sucesso nessa empreitada, e quanto maior for seu êxito, menos resistências e concorrências surgirão dentre os muitos nomes da base aliada que exibem fartamente condições de disputar a eleição com condições e possibilidades de vitória contra os opositores. E não apenas dentro do PSDB. Aliás, esse é uma das práticas na base que faz o grupo ser diferente, mais coerente e bem mais forte do que seu principal grupamento rival, o PMDB. Pela base, qualquer um pode ser o candidato ao governo. Na outra trincheira, a vaga está previamente destinada somente aos peemedebistas. Ronaldo Caiado, do DEM, principal aliado de Iris Rezende, é o melhor e mais acabado exemplo desse posicionamento radical do PMDB.

José Eliton sabe exatamente o que ele precisa para conseguir o máximo de apoio possível dentro das cúpulas que formam o núcleo de comando da base aliada estadual. E é nesse campo que ele vai trabalhar desde agora. Em meados de abril, quando se desincompatibilizar para disputar a Presidência da República, vice ou uma das duas vagas para o Senado, Marconi Perillo deixará o Palácio das Esmeraldas sob o comando dele, Eliton. Ou seja, o vice que se tornará governador tem todo o ano de 2017 e mais os primeiros meses de 2018 para consolidar-se politicamente dentro da base aliada. O que virá depois disso não depende dele.

Qualquer candidato pela base aliada terá como principal bônus o desempenho do governo de Marconi. A pior e mais longa crise econômica da história do país limitou a dimensão das ações do governo, que precisou se esforçar ao máximo para manter a casa em funcionamento. É evidente que isso não gera alta popularidade, mas quando se observa como os demais Estados estão, e se faz uma comparação direta, o saldo é altamente positivo.

As perspectivas para a segunda metade do governo Marconi Perillo são bem melhores do que foi a primeira metade. Por sinal, essa é uma característica das administrações dele. Se essa melhoria de desempenho se confirmar, certamente que haverá um grande número de pretendentes para levar adiante na eleição as bandeiras da base aliada. E é aí que vai pesar bastante a influência do alicerce político da base, que detém a maior capilaridade político-administrativa do Estado. O segredo portanto não é se garantir por cima, mas se fortalecer embaixo, nas bases. É isso que José Eliton terá condições de fazer a partir de agora.

PMDB e DEM: Disputa de 2018 será entre tapas e beijos

Ronaldo Caiado: apoio de Iris; Daniel Vilela: força interna; Maguito Vilela: na reserva

Ronaldo Caiado: apoio de Iris;  Maguito Vilela: na reserva; Daniel Vilela: força interna;

 

O líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado estadual José Nelto, um dos veteranos detentores de mandatos de vereador e deputado do partido, disse que o PMDB vai lançar candidato próprio ao governo do Estado em 2018, descartando diretamente o senador Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM. A resposta do democrata foi no estilo “paulada na moleira”. Em outras palavras, Caiado disse que Nelto não tem credibilidade para dizer o que disse. Traduzindo tudo para a disputa interna no principal grupo opositor à base aliada estadual comandada pelo governador Marconi Perillo, o candidato a ser escolhido será um sobrevivente. Há pelo menos quatro nomes dentro da bolsa de cotações peemedebista, que inclui, sim, o democrata: Daniel Vilela e/ou Maguito Vilela — um anularia o outro —, o eterno Iris Rezende — apesar da solene promessa de cumprir os quatro anos de mandato como prefeito de Goiânia — e Ronaldo Caiado.

Preferenciais
Esse quadro, apesar de conter quatro nomes, pode ser resumido a dois preferenciais: Daniel Vilela e Ronaldo Caiado. Isso porque Maguito Vilela, que está concluindo seu segundo mandato como prefeito de Aparecida de Goiânia após ser decisivo na vitória de seu sucessor, Gustavo Mendanha, só entrará na disputa caso seu filho Daniel não consiga se viabilizar. Maguito tem anunciado que vai se aposentar a partir de 1º de janeiro do ano que vem, quando desocupar a sede da Prefeitura. Mas é o tal negócio: ele irá recuar se o filho não emplacar como candidato ao governo. Ele próprio admitiu isso há alguns meses, que iria sair de cena para permitir o voo de Daniel.

Já Iris Rezende vive um drama infinitamente maior. Seu poder de mando dentro do PMDB goiano já foi avassalador. Hoje não é mais. Ele continua o bambambã no diretório metropolitano, mas o diretório estadual foi capturado pelos rivais maguitistas. O candidato natural de Iris Rezende ao governo do Estado em 2018 é o senador Caiado. Ele é seu principal aliado. De qualquer forma, nenhum grande político permite que um cavalo arreado passe na sua frente, de uma piscada de olhos, e siga em frente sem ser montado imediatamente. Ou seja, se a situação em 2018 indicar que o eleitorado irá certamente votar nele para governador, dificilmente Iris deixará de atender o “apelo”, mesmo diante da solene promessa que fez durante toda a campanha de que cumprirá os quatro anos de seu mandato em Goiânia.

Voltando aos velhos tempos de total hegemonia do poder de Iris no PMDB, ele não teria qualquer problema em apontar Ronaldo Caiado como candidato do partido. O problema é que os tempos são outros. Iris, se não avistar cavalo algum, vai apoiar Ronaldo Caiado com tudo o que puder exatamente para neutralizar o poder dos maguitistas. Mas essa é uma tarefa complicada. Ele teria que defender, nas condições atuais, que o PMDB passe de protagonista principal a mero caudatário do projeto de poder de Ronaldo Caiado, do DEM. Essa é uma situação que pelo menos até hoje jamais passou pela cabeça dos peemedebistas espalhados em todo o Estado.

Pra se ter uma ideia do quanto uma operação como essa é complicada, em 2012, quando Iris levou o PMDB a apoiar a candidatura do petista Paulo Garcia à Prefeitura de Goiânia, Iris precisou derrubar toda a cúpula do diretório metropolitano, que insistia em lançar nome próprio, mesmo em caso de confronto com o então aliado PT. Só depois dessa caça aos dissidentes de seu comando é que o partido aceitou a condição de ocupar a vice na chapa liderada por Paulo Garcia.

O problema agora é que o diretório estadual está fora do alcance de tiro de Iris. Por lá, quem dá as cartas é a bancada federal, muito mais próxima dos maguitistas. Para vencer com a candidatura de Ronaldo Caiado, Iris terá que convencer.

Nesse cenário, Daniel e Caiado devem protagonizar os lances políticos nos próximos meses, beirando até 2018. As armas de Daniel e Caiado nessa guerra interna no grupamento são diferentes. Caiado depende muito, e quase exclusivamente, do público externo. Daniel, ao contrário, precisa consolidar de vez enquanto liderança e, mais do que isso, se livrar da eterna sombra de seu pai, Maguito Vilela. Porém, ele não pode fazer isso de maneira a apagar completamente a estrela do pai sob o risco de inviabilizá-lo enquanto alternativa a ele próprio. Maguito, digamos assim, é o suplente de Daniel nessa disputa.

O PMDB portanto vai definir o seu candidato após uma luta duríssima entre seus grandes nomes. O sobrevivente ganhará a condição de disputar o governo à frente desse que é o principal segmento opositor à base aliada estadual. E qualquer que seja esse sobrevivente, sua primeira tarefa será recompor a casa e consertar os móveis quebrados durante a guerra interna. Só depois é que poderá ir a campo para enfrentar os adversários externos.

Ronaldo Caiado: Como vencer os Vilela e ganhar o PMDB?

Ronaldo Caiado: ele quer o PMDB em sua candidatura em 2018 | Foto: Geraldo Magela

Ronaldo Caiado: ele quer o PMDB em sua candidatura em 2018 | Foto: Geraldo Magela

Afonso Lopes

O senador e presidente regional do DEM, Ronaldo Caiado, disputou a primeira eleição direta para presidente da República logo após o retorno do sistema direto de escolha, em 1989. Era sua estreia como político, e o resultado foi ruim, embora ele tenha surgido como um bom debatedor. Atropelava as regras, principalmente do tempo destinado a cada candidato, é verdade, mas seu discurso enfático marcou.

Em 1994, já como deputado federal, ele se candidatou a governador de Goiás, contra Maguito Vilela e Lúcia Vânia. Caiado e Lúcia faziam parte do mesmo eixo político, de oposição ao PMDB de Maguito. Na reta final, foi superado pela colega de oposição e acabou eliminado do segundo turno. Naquele ano, Caiado já era uma das grandes lideranças políticas em nível estadual.

Ele nunca perdeu inteiramente o Palácio das Esmeraldas de vista. Chegou a ensaiar nessa direção outras vezes, mas recuou sempre que percebeu montanhas de dificuldades para impor sua candidatura. Agora, mais uma vez, seus principais seguidores acham que surgiu uma nova oportunidade. Tanto para a Presidência da República como, e principalmente, para o governo do Estado. Ele tem o DEM estadual nas mãos, mas isso em terras goianas não significa muita coisa. Desde abandonou a base aliada estadual comandada pelo governador Marconi Perillo, e tendo perdido também o então senador Demóstenes Torres, seu partido está diminuindo. Na eleição  deste ano, o DEM conseguiu eleger apenas um vereador em Goiânia. No interior, há somente dez prefeitos democratas.

Trunfo
Sozinho, Ronaldo Caiado sabe que suas chances vão ser praticamente nulas. Ele precisa de um grupamento forte e com capilaridade suficiente para alicerçar uma campanha competitiva. Esse é o problema. Principal aliado do prefeito eleito Iris Rezende desde a aliança formada entre o DEM e o PMDB em 2014, Caiado aposta nesse trunfo: ter o apoio de Iris para dobrar as visíveis resistências que existem dentro do PMDB.

Aparentemente, e olhando apenas por esse ângulo político, não é um grande problema.
Se Iris realmente não deixar a Prefeitura em 2018, como prometeu solenemente durante toda a campanha, para se candidatar ao governo do Estado mais uma vez, Caiado é o seu preferido. Ou seja, se não for Iris o candidato, o prefeito deve apoiar Caiado. Resolvida a questão dentro do PMDB? Não. É aí que a guerra começa.

Iris não tem, como já teve durante pelo menos duas décadas, o controle total do PMDB goiano. Ao contrário, ele perdeu a eleição no diretório estadual. Ainda mantém um certo grau de influência no diretório metropolitano, e esse poder de mando deve crescer com o retorno dele ao Palácio do Cerrado Venerando de Freitas. Mas conseguir também recuperar o diretório estadual para o seu grupamento interno é dose grande demais. Por lá, já estão devidamente instalados os arquirrivais maguitistas.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, está encerrado seu segundo mandato, e consequentemente voltará para a planície a partir do ano que vem. Seus planos futuros foram anunciados. Vai se aposentar caso seu filho, e presidente do diretório regional, deputado federal Daniel Vilela, dispute o governo do Estado. E se isso não der certo?
Nesse caso, o próprio Maguito tenderá a ocupar o espaço. Em outras palavras, os Vilela não vão dar sopa pro azar permitindo a criação de um vácuo de poder dentro de seus domínios, o diretório estadual. Isso seria o mesmo que devolver todo o terreno duramente conquistado por eles para Iris Rezende.

A candidatura de Ronaldo Caiado passa necessariamente no meio desse fogo cruzado dentro do PMDB. Além disso, há um segundo problema: ele é do DEM. Os peemedebistas tendem a jamais ceder a cabeça de chapa para alguém “de fora”. Até porque são eles os “donos” da capilaridade partidária, a única que se rivaliza com a construída pelo PSDB de Marconi Perillo desde 1998, quando venceu pela primeira vez a disputa pelo governo de Goiás.

Uma forte característica do eleitorado goiano praticamente impede que Ronaldo Caiado se lance candidato como fator de terceira via, mesmo sabendo que não teria nada a perder, a não ser prestígio, já que seu mandato vai até 2022. O eleitorado de Goiás sempre se dividiu nas disputas pelo governo do Estado em torno de dois nomes, que representam os grandes blocos da política estadual. Uma candidatura avulsa de Caiado cairia numa espécie de limbo, e só teria como se alavancar diante de uma onda avassaladora de popularidade. É claro que algo assim pode acontecer, mas é improvável.

Em 2006, no auge da popularidade, o senador Demóstenes Torres tentou fazer isso, e terminou último lugar dentre as consideradas quatro grandes candidaturas, com 3,51% dos votos válidos. Sua carreira foi seriamente abalada por causa desse desempenho, e ele conseguiu dar a volta por cima porque voltou para a base aliada estadual e bateu recorde de votos na sua reeleição para o Senado. Se for candidato sozinho, Caiado vai correr o mesmo risco.