Arquivo da categoria: Eleições em Goiás

Análises estruturadas do que acontece em Goiás

Base Aliada: Momento favorável para Marconi

Jornal Opção

As oposições imaginavam em 2012 que agora, no final de maio de 2014, o governador estaria nocauteado em pé. Erraram feio

Afonso Lopes

marconi

Os tempos tenebrosos, para Marconi Perillo, começaram em abril de 2012. A base governista federal, e soube-se depois, incentivada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, instalou a CPI do Cachoeira. Foram nada menos que oito longos meses de intenso bombardeio e absolutamente nenhum resultado prático. No final, nem o relatório do deputado Odair Cunha, do PT lulista, foi aprovado.

Perda de tempo e dinheiro público, mas com objetivos políticos claríssimos. O mandato do Senador Demóstenes Torres virou pó, mas a Delta, empreiteira-mor de contratos públicos no Brasil inteiro, deixaram de ser investigados. Perto da importância e abrangência financeira da então mais poderosa empreiteira do país, todo o dinheiro de Carlinhos Cachoeira era trocado. Contra Marconi, registrou-se que ele vendeu a casa onde morava para um empresário que teria ligações com Cachoeira. Foi o primeiro caso do planeta de acusação de corrupção baseado num negócio a preço de mercado, registrado no Imposto de Renda e cujo acusado vendeu e não recebeu uma casa.

A CPI se prolongou por oito meses e não apresentou qualquer prova concreta de ligação entre Marconi e Cachoeira. Os sigilos bancários quebrados também não revelaram nada de anormal. O assunto foi esvaziado aos poucos, mas requentado sempre que possível pelos opositores do governo goiano. Ainda hoje, e certamente na campanha eleitoral, o tema será usado e martelado, mas é difícil imaginar que não é lenha que virou cinzas. Virou poeira.

Ao mesmo tempo em que enfrentava os constrangimentos via CPI, Marconi adentrou o segundo ano de mandato devendo resultados administrativos impactantes. Em 2011, ao receber o governo para seu terceiro mandato, ele encontrou um cenário típico de terra arrasada: sem dinheiro nos cofres, com dívidas fluentes vencidas, parte dos salários também atrasados, enormes demandas nas escolas e estradas e um déficit potencialmente explosivo calculado na época em 2 bilhões de reais.

Tudo somado, foram provavelmente os dois anos mais complicados de toda a vida pública de Marconi, iniciada com mandato de deputado estadual em 1990. Jamais, até então, ele havia se deparado com tantas e longas tempestades. Foi muito pior do que em 1999, quando chegou pela primeira vez ao Palácio das Esmeraldas. Também não havia dinheiro, salários eram histórica e sistematicamente pagos com atrasos e os salários dos servidores eram tão insignificantes que certas categorias recebiam abonos para não receberem menos que o salário mínimo legal.

É óbvio que as oposições rejeitam a ideia de que Marconi sobreviveu às tempestades políticas do mar revolto, endireitou a proa e seguiu para ondas muito mais favoráveis. Conforme as pesquisas de todos os institutos de Goiás, Marconi chega às vésperas da definição de candidaturas em plenas condições não apenas de disputar a eleição. Ele tem chances reais de vencer mais uma vez. E, conforme o cenário pesquisado, a vitória pode acontecer já no 1º turno.

Se o grosso da militância das oposições desdenha dos números, os pensadores avaliam de maneira diferente, e com dados reais e menos emocionais. Marconi realmente saiu praticamente da lona, no final de 2012, e recuperou a imagem e a administração. Numa comparação direta e ilustrativa desse quadro, o governo dele era o menos aprovado e o mais rejeitado entre os três níveis, municipal, estadual e federal. Hoje, bate com sobras o governo de Goiânia e está com boa vantagem positiva em relação ao governo de Brasília.
Os líderes da oposição projetavam em 2012 que o estrago político-eleitoral de Marconi era irreversível para 2014. E não construíram nenhum discurso estrutural contra ele. Primeiro, bateram nas péssimas condições dos prédios públicos que abrigam os colégios. Depois, a buraqueira terrível das rodovias estaduais. Em seguida, o péssimo atendimento na rede hospitalar estadual. Esses discursos conjunturais perderam completamente o sentido, e foram abandonados. Hoje, e ainda com temática conjuntural, os opositores esfolam o tema da insegurança, que realmente tomou proporções gigantescas. Mas o problema é nacional, comum a todas as cidades e Estados brasileiros, e a população goiana tem pleno conhecimento desse fato. Em outras palavras, o Brasil é um país inseguro, e Goiás faz parte do Brasil.

Cabe à oposição criar um bom discurso estrutural para tentar a criação de um ambiente político favorável ao debate. Como, por sinal, pregam os pensadores opositores importantes. Até pela óbvia razão prática de que não existe nenhuma perspectiva a curto prazo de que o momento favorável atual de Marconi não vai receber mais anabolizantes administrativos nos próximos meses. O acelerador já está no máximo, mas ainda não foi usado o turbo.

Espólio de Friboi: Gomide e Vanderlan precisam disputar a herança dos nanicos

5 partidos nanicos que estavam dispostos a fechar coligação com o PMDB de Jr Friboi voltaram para a prateleira eleitoral. Juntos, disseram que estão formando um grupo independente, seja lá o que isso quer dizer. O recado de um dos presidentes desses partidos é bastante claro: somados, eles detêm 2 minutos de campanha no rádio e na TV e avisam que isso é um dos fatores que poderá decidir a eleição deste ano.

Propaganda enganosa? Talvez seja no que se refere ao poder de decisão final dos rumos da vitória em outubro, mas absolutamente clara quanto à propriedade comum no rádio e TV: isso vai custar algum dinheiro. Quanto? Sabe-se lá. Na bolsa-nanico/Friboi, chegou-se a falar nos bastidores em exageradíssimos 10 milhas para cada partido. Verdade ou não, sem Friboi a cotação deve baixar consideravelmente.

A sensação sem Friboi...

A sensação sem Friboi…

Chance de Gomide e Vanderlan

Com a saída de Jr Friboi e a liberação dos nanicos que o apoiavam, a vantagem do governador Marconi Perillo em termos de coligação disparou. Eles reúne praticamente todos os grandes e médios partidos que não estão na oposição, e ainda conta com vários nanicos. O PMDB com Iris está isolado, mas é ainda o partido com maior capilaridade do Estado. Ou seja, nanicos só fariam diferença no rádio e na TV.

Espólio dos nanicos de Friboi é importante para Gomide e Vanderlan. Quem levará?

Espólio dos nanicos de Friboi é importante para Gomide e Vanderlan. Quem levará?

Para Vanderlan Cardoso, do PSB, e Antônio Gomide, do PT, a situação é diferente. O quadro pior é de Vanderlan, que tem apenas 3 partidos com ele, o PSB, o PSC e o PRP. É pouco. Gomide está com o PT, e nem o tradicional aliado PCdoB faz parte do leque petista. Os comunistas formam 1 dos 5 partidos ¨independentes¨.

Pela disposição anunciada, quem quiser pelo menos 1 desses nanicos terá que adquirir o pacote inteiro, com os 5. Nem somados eles são grande coisa, mas para quem sente a água entrando no barco, como Vanderlan e Gomide, qualquer graveto vira remo.

Friboi: retirada estratégica ou definitiva? As motivações da renúncia

Jr Friboi estaria cansado, desanimado, decepcionado. Em bom português do dia a dia: de saco cheio. Saco cheio de Iris, da mulher do Iris. De ser diariamente confrontado, menosprezado e xingado pelos iristas. Esse estado de ânimo está contido na sua carta-renúncia, que explodiu como fortíssima bomba no terreno político-sucessório estadual. Uma bomba tão forte que estende seus impactos em todas as direções, além dos limites do PMDB. Mas, e sempre haverá essa pertinente dúvida, Friboi renunciou mesmo, definitivamente, ou está se recolocando estrategicamente na disputa, evitando continuar exposto a novos e continuados ataques contra ele pelos iristas? Em sua carta, no penúltimo parágrafo, essa questão fica aberta. Ele disse textualmente: ¨neste momento retiro a minha candidatura¨. Neste momento apenas?

A imponente sede da JBS no estado do Colorado, EUA

A imponente sede da JBS no estado do Colorado, EUA

Essa resposta tem uma singela e definitiva resposta, que Friboi dará ou não nos próximos dias: se ele retornar ao Estados Unidos, onde mantém uma bela casa no estado do Colorado, de onde saiu para se aventurar pela selva política goiana, ficará bastante evidente sua retirada definitiva do processo. Se ele ficar por aqui, se mantiver seu bunker político aberto e com funcionários, certamente a escapada do marruá não terá qualquer significação no aspecto ostracismo. Sua sombra vai se projetar permanentemente sobre Iris, e sobre o cenário geral como um todo.

O custo ficou muito pesado

Friboi cifrão douradoMesmo para uma das famílias economicamente mais poderosas do mundo, os custos da aventura eleitoral do filho do Zé Mineiro escaparam da razoabilidade. Do bom senso. Sem nada a apresentar como político e menos ainda eleitoralmente, Jr desembarcou na selva acenando com maços de dinheiro. Dinheiro aos montes. Buscou nada menos que um dos príncipes do marketing eleitoral do país, Duda Mendonça, com quem acertou remunerações de 30 milhões de reais. Isso é somente para Duda e sua equipe direta. Não estão computadas as enormes despesas da produção dos programas eleitorais.

Céu de brigadeiro com estrela caríssima

Céu de brigadeiro com estrela caríssima

Jr também prometeu encher os cofres dos que se declaravam aliados dele para bancar campanhas eleitorais para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Ou ele se baseou nas despesas eleitorais dos Estados Unidos, ou ele estava blefando. A primeira hipótese é a mais provável. No Brasil, a eleição é caríssima. Muito mais cara em reais do que a disputa na terra dos dólares. Bancar eleição de dezenas de candidatos e partidos para as duas Casas Legislativas é demais, mesmo para a bilionária família Friboi.

Houve um efeito colateral descontrolado nessa promessa. A negociação de apoio com partidos nanicos foi inflacionada ao ponto de se tornar irreal. Há boatos, que jamais serão confirmados oficialmente, de que alguns dirigentes de partidos minúsculos exigiam até 10 milhões de reais. Não se sabe até que ponto isso é verdadeiro, mas é inegável que há lógica.

A retirada de Fiboi, que não se sabe, repita-se, definitiva ou não, atendeu a vários aspectos. O primeiro é esse aí, do custo total da aventura. Ao sair, enxugou-se o mercado partidário, e tanto aqui como no mundo econômico, enxugamento financeiro tem o poder mágico e trágico de reduzir dramaticamente perspectivas inflacionárias. Por fim, ganhou-se um tempo de proteção contra ataques diários de Iris Rezende e seus seguidores.

O jogo acabou, ou só termina quando acaba?

Agora, é Friboi quem apresenta carta-renúncia no PMDB

Pra quem gosta de idas, vindas, simulações e dissimulações, o PMDB goiano se transformou num prato cheio. No meio da tarde de hoje, 22, Jr Friboi repetiu gesto de Iris há algumas semanas e renunciou à sua condição de pré-candidato ao governo de Goiás. Alegou, exatamente como Iris, que sai do processo de escolha para não dividir o PMDB.

Iris-e-Friboi

E também como Iris, desceu a lenha no lombo de seu adversário interno, acusando-o de inviabilizar sua postulação. De quebra, acusou o líder tradicional do PMDB de ter sido o fator principal que igualmente afundou as candidaturas de Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso e a reeleição de Maguito Vilela, em 1998.

Friboi acusou Iris de afundar candidatura de Maguito a reeleição, em 98

Friboi acusou Iris de afundar candidatura de Maguito, em 98

Mas, e agora, o que vai acontecer? Não há qualquer dúvida de que Friboi detém o apoio da maioria do PMDB, e venceria Iris Rezende numa eventual disputa na convenção por goleada, se não por WO. Iris reconheceu essa preferência peemedebista por Friboi, mas acusou que isso era consequência direta do peso financeiro do adversário. Em outras palavras, para Iris, o apoio a Friboi foi criado e ampliado na base da grana. Surge a dúvida, portanto, se esses peemedebistas que foram acusados de se venderem vão naturalmente migrar para uma possível candidatura de Iris.

Por outro lado, levando-se em conta que o jogo ainda não terminou, até que ponto a renúncia de Jr Friboi agora não é a repetição do mesmo jogo-renúncia praticado por Iris momentos antes? É mais uma pergunta sem resposta neste momento.

Candidatura de Gomide está ameaçada?

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O PT goiano desde sempre garantiu que estava totalmente disposto a firmar coligação com o PMDB desde que o candidato do partido fosse Iris Rezende e não Friboi. Como Iris só declarou pré-candidato às vésperas do prazo final de desincompatibilização, Antônio Gomes abandonou 3 anos de mandato como prefeito de Anápolis para ser candidato ao governo pelo PT.

A renúncia de Friboi, e a consequente confirmação da candidatura de Iris Rezende, mudará alguma coisa na seara petista? É outra pergunta que não tem como ser respondida imediatamente. Até pela óbvia razão de que, se Iris renunciou antes e voltou, quem garante que Friboi também não voltará.

PMDB: Iris usa tática do boxe na disputa contra Friboi

Jornal Opção

Objetivo do líder peemedebista é enfraquecer a posição do rival e levá-lo a nocaute no último momento. Se perder indicação no PMDB, Iris não deve apoiar Friboi na campanha

Júnior Friboi no encontro do Solidariedade, na Câmara de Goiânia, dois dias após passar por cirurgia: queixas contra Iris | Mel Castro/Diário da Manhã

Júnior Friboi no encontro do Solidariedade, na Câmara de Goiânia, dois dias após passar por cirurgia: queixas contra Iris | Mel Castro/Diário da Manhã

 Afonso Lopes

Júnior Friboi deixou hospital onde foi operado de hérnia umbilical, na quinta-feira, 15, e se esforçou para chegar ao auditório Jaime Câmara, da Câmara de Vereadores de Go­iânia, onde aconteceu encontro regional do Solidariedade. Friboi desrespeitou ordens médicas de repouso por 15 dias e apareceu com semblante visivelmente decaído.

Ex-prefeito Iris Rezende: estocadas contra Júnior Friboi | Fernando Leite/Jornal Opção

Ex-prefeito Iris Rezende: estocadas contra Júnior Friboi | Fernando Leite/Jornal Opção

Sem “querer querendo” mais do que nunca, Iris Rezende permanece lam­bendo suas feridas publicamente após ter sido sufocado na corrida interna do PMDB para a escolha do can­didato do partido ao governo do Estado. Diariamente, ele recebe algumas lideranças em seu escritório, no Setor Bueno, ainda não articuladas e organizadas, mas que vem se transformando num pequeno movimento interno intitulado “Volta Iris”. No caso, seria a volta de sua candidatura após renúncia de pré-candidatura através de carta aberta ao diretório estadual.

Os dois movimentos, de Friboi e de Iris, indicam na mesma direção, mas em clara linha de colisão de interesses: ambos pretendem dar os últimos acordes às suas posições. Iris quer derrubar a indicação majoritária de Friboi, enquanto seu adversário faz o possível para evitar o troco irista e uma virada no último momento do processo de afunilamento peemedebista.

Disputa intensa

Mesmo do lado de fora, é possível àqueles que acompanham os fatos políticos perceber que o tom das declarações estão subindo cada vez mais. No evento do Solida­riedade, Friboi falou sobre as articulações atuais de Iris Rezende no jogo interno, e reclamou bastante, inclusive dizendo que o líder peemedebista o tem atrapalhado.

Do outro lado, em seu escritório, não apenas nos encontros reservados, Iris acusa Friboi de usar seu enorme poder de sedução econômico para garantir apoio. Indo além, Iris reclamou dos próprios peemedebistas que se deixaram ou quiseram ser seduzidos por Friboi, ao afirmar que ainda tem esperanças de que todos percebam que a única coisa que o adversário tem a oferecer é exatamente dinheiro.

Trocando em miúdos, Friboi a­cu­sa Iris de atrapalhar no trabalho dele de agregação de partidos para a coligação a ser liderada pelo PMDB, e é acusado por Iris de gas­­tar tubos de dinheiro como prin­cipal base de sua atuação política.

Iris usa tática do boxe — Friboi também disse na quinta-feira, 15, que ainda não identificou nenhuma renúncia de Iris à própria renúncia, e que certamente será procurado pelo rival caso essa situação se altere. Provavelmente, nesse caso, Friboi terá que esperar sentado, e sem nenhuma pressa. A estratégia de Iris passa longe de uma reentrada triunfal na disputa nos braços do povo peemedebista. Até pela óbvia razão de que os braços que o carregavam antes nas festivas convenções do PMDB estão agora a serviço da candidatura de Friboi.

Friboi desrespeitou as orientações médicas porque tem acusado o golpe. Sua sofrida peregrinação pelos caminhos da Câmara Mu­nicipal indica claramente que ele “passou recibo”, e revelou ainda temer uma reação de Iris Rezende. O mais curioso é que também Iris se sente inseguro com a base oferecida pelo tímido movimento “Volta Iris”, razão pela qual estaria acrescentando um discurso bem mais forte e direto contra o poder econômico do concorrente.

Se Friboi apelou para a movimentação para garantir o espaço até agora conquistado por ele dentro do PMDB, a estratégia de Iris é se tornar cada vez mais um franco atirador. Estratégia semelhante aos grandes boxeadores sem pegada demolidora, eles batem, se protegem, batem novamente, rodam o ringue para evitar contra-ataque, e batem de novo. O objetivo é minar as resistências até que o adversário se sinta cansado demais para evitar o cerco final. Friboi, por sua vez, conseguiu mandar Iris para a lona, mas não o atingiu de tal forma que o levasse ao nocaute, como se pensou inicialmente. Ele garantiu a decisão por pontos previamente — numa eventual convenção — mas terá que sobreviver acima da linha d’água, em pé, até o fim.

Um quadro como esse, de disputa tão intensa, e que tende naturalmente a ganhar contornos cada vez mais dramáticos, indica que a primeira vítima desse confronto está claramente identificada: a unidade interna. Iris, por sinal, disse na quinta-feira, 15, uma frase enigmática: de que não importa o que vai acontecer, no segundo turno todos vão estar unidos.

Há inúmeras possíveis interpretações para essa frase. A primeira delas, mais forte e que enseja maior sentido lógico, é que Iris não apoiará Friboi nem agora, na disputa interna, e nem depois, durante a campanha. E sobre a união no segundo turno? O recado, aí, é mais claro e complementa a interpretação anterior: Iris não acredita que Friboi chegue ao segundo turno.

Goiânia, herança maldita quebrou a Prefeitura de Goiânia?

No final do ano passado, a população começou a perceber problemas

No final do ano passado, a população começou a perceber problemas

A população percebeu uma série de problemas no cotidiano da cidade no final do ano passado. De uma hora para outra, alguns sacos de lixo surgiram nas calçadas, buracos nas pistas não foram consertados rapidamente, grande obras, como o complexo de viadutos na marginal Botafogo, entraram em ritmo lento, quase parado. Culminou com a intenção da Prefeitura de não instalar a já tradicional iluminação de Natal. Alguma coisa estava errada com o caixa da Prefeitura da maior cidade de Goiás.

carteira vazia

O que todos imaginavam era que a pindaíba oficial era um problema temporal de fim de exercício fiscal. Ou seja, que bastava mudar o calendário para 2014 e as coisas retornariam ao embalo corriqueiro. Sabe-se agora que a razão dos problemas é muito mais séria do que fechamento de orçamento anual: é buraco mesmo, e imenso.

O que foi no final do ano passado uma quebra da rotina administrativa da cidade se agravou e piorou nos primeiros meses deste 2014. As obras praticamente pararam de vez, o lixo virou uma crise que passou a devorar dirigentes da companhia estatal encarregada da limpeza da cidade, a Comurg, os buracos nas pistas se multiplicaram e se tornaram maiores e mais fundos, portanto mais perigosos, as luzes da cidade, sem manutenção em dia, estão se apagando, tornando ainda mais negras as noites goianienses, e a perspectiva de soluções imediatas.

O problema pode não ter se iniciado com Paulo Garcia

O problema pode não ter se iniciado com Paulo Garcia

Troca nas Finanças – O prefeito Paulo Garcia promoveu uma troca no encarregado do caixa, colocando um dos petistas mais conceituados dessa área, Cairo Peixoto, apontado como principal peça para o equilíbrio financeiro da gestão do ex-prefeito Darci Accorsi (1988/1992).

Cairo foi um vendaval de sinceridade. Expôs a crise em sua real dimensão, chamou a atenção para a insustentabilidade da situação financeira e iniciou estudos para arrochar geral e consertar a casa. Não há dúvidas de que o caminho proposto por Cairo é o único que realmente leva a uma solução definitiva. O próprio prefeito concordou. Mas a administração pública tem componentes políticos que exigem certa contenção. E o remédio anunciado por Cairo Peixoto se tornou amargo demais.

Sai Cairo, chega Jeovalter: mesmo diagnóstico

Sai Cairo, chega Jeovalter: mesmo diagnóstico

Nova troca. Jeovalter Correia, que comandou a pasta de gestão de pessoal do governo estadual, Aganp, no primeiro mandato do governador Marconi Perillo, passou a tomar conta da fogueira financeira com a clara missão de aliviar a pressão. Ontem, 14, após estudar detalhadamente as contas, apresentou seu diagnóstico, que é terrível, e a solução que entende ser a melhor possível. Não é diferente daquilo que Cairo Peixoto havia falando antes.

A Prefeitura simplesmente não consegue se mover diante do peso financeiro esmagador que há sobre ela, e que soma nada menos que 33 milhões e 500 mil reais a casa mês – mais de 1 milhão de reais por dia. As dívidas urgentes passam dos 330 milhões de reais.

Jeovalter apresentou uma extensa lista de soluções com mais de meia centena de propostas. Mas, em resumo, não há como fugir do óbvio: as folhas de pagamento, que explodiram todos os limites, inclusive legais, vão ter que ser desidratas. Na outra ponta, vai se buscar aumento das fontes de arrecadação. Imediatamente, a meta é conseguiu dinheiro extra, via empréstimo, no valor de 300 milhões de reais.

Iris Rezende comandou Goiânia de 2005 a março de 2010

Iris Rezende comandou Goiânia de 2005 a março de 2010

O quadro, afinal, mostra que a Prefeitura de Goiânia quebrou? Não, não quebrou, mas se não se livrar dos pesos que a levaram abaixo da linha d´água, não vai sobreviver nem administrativamente e muito menos politicamente. Essa duríssima realidade, remete naturalmente a um outro ponto destacado por Jeovalter ontem: os gastos da Prefeitura dispararam mais de 200% desde 2005. O que isso realmente significa? Sintoma de herança maldita? Esse ponto não foi abordado e nem esclarecido. Dificilmente será. A administração pública sempre carrega como principal base de sustentação a relação política.

Dívida bilionária: Um candidato diante de seus conflitos

Empresa dos familiares de Júnior Friboi, e que era comandada por ele, estaria devendo R$ 1,3 bilhão de ICMS para Goiás

Empresário José Batista Júnior deixa de ser o candidato Júnior Friboi por causa de dívida com o fisco goiano? / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Empresário José Batista Júnior deixa de ser o candidato Júnior Friboi por causa de dívida com o fisco goiano? / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Afonso Lopes

A notícia, publicada pelo jornal “O Popular”, ex­plo­diu como uma bom­ba no meio político: a J&F, holding controladora das empresas da família Batista, mais conhecida como JBS/Friboi, deve, segundo cálculos do fisco estadual, cerca de 1 bilhão e 300 milhões de reais ao Estado de Goiás, fruto de ICMS declarado e não recolhido. A informação não deveria ter im­plicações políticas, mas tem. A J&F foi dirigida durante mais de uma década por ninguém menos que José Batista Júnior, o Júnior Fri­boi, candidato ao governo de Goiás, e continua pertencendo ao nú­cleo familiar dele. A ligação política, portanto, é natural e direta, desde o berço.

A publicação do imbróglio com o fisco estadual incomodou Júnior Friboi. Tanto é que, no mesmo dia, através das redes sociais, ele divulgou nota oficial a respeito do assunto. Friboi não desmentiu a informação de “O Popular”, mas desconfiou das intenções não declaradas que o jornal teria. Ele disse que havia deixado as empresas do grupo Friboi para preservar a sua família do “jogo sujo que muita gente usa como estratégia política”. Na sequência, ele escreveu que “de maneira estranha e suspeita, três dias depois que o PMDB” o escolheu como candidato ao governo de Goiás, “vazam na imprensa dados sobre supostos débitos fiscais do grupo JBS com o ICMS”. E completou: “Dados que deveriam ser sigilosos”.

Pelo menos nesse trecho da nota oficial, Friboi levanta mais dúvidas do que as esclarece. Ele disse, por exemplo, que deixou a empresa por causa do jogo sujo da política. Como estava se referindo diretamente à notícia veiculada pelo jornal “O Popular”, não fica claro se a acusação dele, sobre o tal “jogo sujo” envolve também aquele veículo de comunicação, que seria, em última análise, porta-voz da tal manobra suja.

Logo depois, Friboi fala que essa informação vazou para a imprensa. Nesse ponto, não há dúvida: Friboi generalizou sem nenhuma razão. Se houve vazamento ou competência, o crédito em ambos os casos é exclusivo de “O Popular”, único veículo que publicou a notícia, em primeira mão (primeira vez) sobre a dívida bilionária de ICMS, imposto estadual, do grupo Friboi.

No entanto, o fato ainda mais grave é quando ele afirma que, de acordo com a legislação, a dívida, que está sob demanda no campo administrativo e também judicialmente, deveria ser mantida sob sigilo, longe dos olhares e da opinião pública. Na nota, Friboi não explicou por quê essa informação deveria ser negada à população do Estado diante do fato de que ele quer governar Goiás e os goianos.

É até compreensível, embora ainda assim polêmico, que as demandas fiscais de empresas “normais” sejam resguardadas, mas o grupo empresarial que era comandado até recentemente por um candidato ao governo do Estado, e que permanece sob controle de seus familiares, não é uma empresa “normal”. É uma empresa que até no nome se rivaliza com o candidato.

Mesmo estranhando, Friboi confirmou que a empresa que ele comandava tem realmente uma pendência fiscal com o Estado que ele gostaria de governar. Sobre esse aspecto, sua nota oficial é esclarecedora: “… parte importante dos supostos débitos se referem a dívidas pela incorporação do frigorífico Bertin”. Em nenhum outro ponto, a nota oficial desmente a informação de que a empresa tem o que ele considera “supostos débitos”. Ou seja, é verdade. E é verdade também que a prática de contestar débitos fiscais é recorrente na empresa. Pelo menos, é o que se pode deduzir do que o próprio Júnior Friboi disse em sua nota oficial: “(A JBS) em muitos casos, discorda de alguma cobrança” e contesta pelos meios legais disponíveis: primeiro administrativamente e, depois, judicialmente. Só depois, disse ele, a JBS “cumpre o que foi determinado”.

É legal esse tipo de procedimento empresarial? É, garante a le­gislação em vigor. Já o aspecto moral e o que diz respeito à responsabilidade social escapam da alçada jurídica, e geram dúvidas. Sabe-se que grandes empresas mantêm imensos e competentes departamentos jurídicos, com inúmeros advogados especialistas na área tributária. Não é apenas a Friboi que mantém demandas fiscais com o Estado de Goiás.

No Brasil todo, as grandes corporações pagam milhões de reais aos advogados para que en­contrem falhas na legislação fiscal de modo a não pagar ou a­diar ao máximo o pagamento de im­postos. A Friboi, pelo menos nesse exemplo goiano, não é di­ferente de tantas outras grandes empresas. Inicialmente, não paga o imposto devido. Se descoberta pelos fiscais, evita o pagamento e entra com recurso administrativo. Se ainda assim a cobrança for mantida, leva o caso para o Poder Judiciário. E aí se justifica o grande aparato jurídico mantido por esse tipo de conglomerado empresarial: Se a Justiça leva até dez anos para sentenciar até assassinos confessos, imagina-se o que acontece com querelas fiscais entre Estados e empresas.

Diretamente envolvido

Fora esse aspecto jurídico-fiscal, Friboi contou em sua nota oficial que “parte importante” da dívida de ICMS, que ele chama de “suposto débito”, é proveniente da incorporação pela JBS/Friboi do grupo Bertin. Isso, longe se isentar a empresa, acaba por comprometer o próprio Júnior Friboi.

O grupo Bertin foi adquirido/incorporado pela JBS/Fri­boi em 2009. A dívida total do gru­po chegava a 6 bi­lhões de reais, incluindo a tal “im­portante de ICMS”. Júnior Fri­boi sabia disso porque ele era, nes­sa época, presidente do con­selho adminis­tra­tivo do grupo JBS, e seu irmão Joesley era o presidente da diretoria executiva. Por sinal, foi o próprio Júnior quem noticiou, a um grupo de mil pecuaristas goianos, que a Bertin tinha sido comprada.

Além disso, o grupo Bertin não foi adquirido/incorporado a troco de nada. O BNDES em­prestou dinheiro para a JBS/Friboi para que o negócio fosse feito, e com o objetivo de equacionar o problema das dívidas incorporadas. Na nota, Friboi disse que se o grupo da família dele não comprasse o Bertin, a empresa teria quebrado e “milhares de goianos teriam perdido o emprego”. Sim, é verdade quanto ao fato de que o grupo Bertin estava à beira da falência, e que o mercado considerava que era questão de tempo para entrar em concordata, mas o que motivou a compra/incorporação não foram os empregos dos goianos. Essa aquisição foi vital para os planos de expansão do grupo JBS/Friboi. Foi a partir dela, que o grupo se tornou o maior frigorífico do Brasil. Foi, portanto, um negócio que motivou a compra/incorporação do grupo Bertin, e jamais uma preocupação social no campo da manutenção de empregos.

Júnior Friboi disse ainda em sua nota oficial que deixou o grupo JBS quando decidiu entrar no mundo da política. Ele realmente vendeu a maioria de sua participação na empresa para os seus irmãos, que hoje comandam o complexo empresarial que ele comandava. Isso aconteceu apenas em 2013. A entrada de Friboi na política não bate com essa data: antes disso, ele foi filiado a partido político.

Sem ligação com a JBS?

Além disso, Friboi, pelo menos em dezembro de 2013, não se desvinculou completamente do grupo JBS, que tem a tal demanda fiscal calculada em 1 bilhão e 300 milhões de reais. Na época, ele admitiu textualmente à “Folha de S. Paulo” que passava a ser “acionista investidor (no grupo JBS) e não mais acionista controlador”.

Essa relação com a empresa remete novamente, e politicamente, ao fato de que a JBS/Friboi tem uma querela fiscal com o Estado de Goiás na casa de 1 bilhão e 300 milhões de reais. Se Júnior tem ações da empresa, e ele diz, na nota oficial, que o grupo do qual é acionista aciona os canais devidos quando discorda de alguma cobrança, ele estaria ou não sendo beneficiado, através das ações que detém, caso a cobrança deixasse de existir?

Por fim, e aí reside o maior conflito de interesses e também político, qual seria a atitude de um governador diante do fato de que a empresa que ele dirigia, e que pertence ao seu núcleo familiar, e na qual ele ainda mantém interesses representados em ações, demanda contra o Estado que ele governa? Indo além desse fato, a atitude da JBS/Friboi de contestar o fisco goiano quando ele, Júnior Friboi, era presidente do conselho de administração, não desautorizaria as atitudes do fisco contra outras empresas se ele fosse na época o governador de Goiás? E qual seria a atitude que essas outras empresas teriam diante de um governo comandado por alguém que antes de ser eleito, quando ainda estava no comando do conselho de uma empresa, questionou a legitimidade das interpretações de cobranças de ICMS do seu próprio fisco? Indo um pouco além, qual poderia ser, se fosse o caso, o formato de um programa especial de recuperação de impostos em um hipotético governo de Friboi: beneficiaria a JBS/Friboi, empresa na qual ele mantém interesses diretos através de ações ou, caso as tenha vendido depois de dezembro de 2013, interesses familiares, o que inclui seu pai e seus irmãos e irmãs?

Os conflitos nesse caso, portanto, são evidentes e inegáveis. A ques­tão é se Júnior Friboi vai responder a eles ou se vai confrontar os fa­tos e as dúvidas naturais geradas por esses fatos. O resto, sim, é política. l

Voto nominal, a grande mentira brasileira

Urna_EletronicaO tema está inserido no contexto de uma grande reforma política que se arrasta há anos no Congresso Nacional: o eleitor brasileiro deixaria de votar em fulano ou beltrano, e indicaria apenas o partido que ele gostaria que tivesse direito de representa-lo nos legislativos através de um de seus filiados. Criou-se uma polêmica imensa sobre esse tema, e a maioria da população acabou vendo a medida como uma forma de desrespeito à sua preferencia por este ou aquele candidato.

Mas, afinal, o que é mesmo esse voto fechado, para um partido e o voto direto, para um candidato? Como funcionam esses processos?

Voto nominal  – Na prática, esse tipo de voto simplesmente não existe. Nenhum eleitor brasileiro vota em fulano ou beltrano. Todos, invariavelmente e sem qualquer exceção, quando votam em determinado candidato, têm suas indicações computadas para o partido e/ou coligação ao qual esse candidato ¨escolhido¨ pelo eleitor pertença.

Esse processo é a causa de uma séria anomalia no voto brasileiro: o eleitor vota em alguém que ele entende ser merecedor de sua confiança e acaba ajudando a eleger, eventualmente, um sujeito que ele não conhece ou, quando o conhece, às vezes pode até detestá-lo.

O eleitor indica com o seu voto fulano de tal (ou número tal) do partido A, que está coligado aos partidos B e C. Seu voto, então, cai num grande balaio e é somado a todos os votos conseguidos pelos candidatos dos partidos A, B e C. Através de um cálculo que aparentemente é complicado, se estabelece o chamado quociente eleitoral, que nada mais é do que a soma de todos os votos nominais válidos dados pelo eleitorado a todos os partidos e coligações dividido pelo número de vagas em disputa. Digamos, então, e apenas como exemplo, que essa soma chegou a 100 mil votos e são 10 vagas. 100 mil dividido por 10 são 10 mil. Ou seja, a cada 10 mil votos recebidos, o partido ou a coligação, com predominância da coligação, consegue uma vaga, e o ocupante será aquele que obteve maior número de votos entre todos os candidatos dos partidos A, B e C.

Tiririca, que se candidato pelo PR, se elegeu e ajudou a eleger diretamente deputados de 3 outros partidos: PRB, PCdoB e PT. Será que esse era o desejo dos eleitores dele?

Tiririca, que se candidato pelo PR, se elegeu e ajudou a eleger diretamente deputados de 3 outros partidos: PRB, PCdoB e PT. Será que esse era o desejo dos eleitores dele?

Na prática, o que acontece? O eleitor lá atrás, aquele que votou no fulano de tal, na verdade votou para a coligação ABC e, caso essa coligação tenha atingido o piso mínimo do quociente eleitoral, o eleito será aquele melhor votado dentro dessa coligação. O eleitor votou no fulano, do partido A, e pode ter contribuído com a eleição de algum cicrano, do partido C, que ele nem sabe quem é.

Voto no partido – Nessa regra, o nosso eleitor indica apenas o partido que ele confia o suficiente para representar seus interesses no Legislativo. E ele sabe exatamente que, se esse partido conseguir eleger apenas um de seus candidatos, o escolhido será aquele previamente indicado em uma lista de nomes prioritários e em ordem decrescente pelo diretório do partido escolhido. Como funciona?

Todos os partidos indicam as suas listas de candidatos em ordem de prioridade. Ou seja, o eleitor vai escolher o partido sabendo que poderá ajudar a eleger fulano, beltrano ou cicrano – que são os primeiros nomes da lista organizada pelo partido  escolhido pelo eleitor. Nesse sistema, as coligações partidárias são absolutamente incompatíveis, mas mesmo que fossem adotadas, ainda assim estaria claro quem o eleitor estaria prioritariamente ajudando a ser eleito.

mosaico partidos

O que isso causa na prática? Que o voto dele vai ser somado para eleger aqueles candidatos que estão em ordem de prioridade na lista organizada pelo partido que ele escolheu, e não o Zezinho do bairro, que na tal lista aparece somente na décima posição.

Por incrível que possa parecer, portanto, o voto no partido é muito mais previsível para a escolha pessoal do eleitor do que o processo que erradamente é chamado de voto nominal. O nosso eleitor, no sistema de voto partidário, sabe exatamente que, se o partido que ele escolheu conseguir atingir o quociente eleitoral, o eleito será fulano de tal. Se esse partido conquistar o equivalente a ¨dois quocientes¨ eleitorais, os eleitos vão ser fulano de tal, primeiro na lista, e beltrano, o segundo. E assim por diante. Ou seja, se o nosso eleitor gosta do Zezinho do bairro, mas detesta o fulano que está em primeiro na lista do partido do Zezinho, ele pode procurar nas demais listas partidárias alguém que seja prioridade na lista e que lhe pareça confiável.

Mas e os prefeitos, senadores, governadores e presidente, como seriam eleitos?

Nesses casos, nada muda. As eleições, embora aconteçam em um só dia, não são iguais. São distintas. A cada 2 anos, o eleitor vota em cargos de indicação majoritária – caso dos prefeitos, senadores, governadores e presidente da República – e de indicação proporcional – vereadores, deputados estaduais e deputados federais. O voto partidário muda somente o conceito do voto para as eleições proporcionais.

Marconi está pronto, as oposições, não

São brutalmente evidentes as dificuldades das oposições em Goiás. Não se consegue estabelecer nem mesmo uma estratégia para enfrentar a candidatura à reeleição do governador Marconi Perillo. E não existe indicativos de que pelo menos se adote o diálogo aberto e sincero entre os grupos. É uma torre de babel carregada de interesses conflitantes e de desconfiança ampla, geral e irrestrita. Enquanto isso, no Palácio…

Marconi-Perillo-pesquisa

Inicialmente, os principais líderes oposicionistas do PMDB e do PT pregavam a necessidade de coligação universal de modo a transformar a eleição num processo plebiscitário. Deu em nada. Desde o primeiro momento, Vanderlan Cardoso, do PSB do presidenciável Eduardo Campos, deixou claro que a ideia de candidatura única no campo oposicionista somente poderia se concretizar se tivesse ele próprio como candidato/beneficiário. Mas aí quem não toparia de jeito nenhum seria o PT, que trabalha pela reeleição da presidente Dilma Roussef.

O jeito, então, foi trabalhar com duas candidaturas. Não por estratégia, note-se, mas como consequência, como impossibilidade prática da candidatura única. Mas aí veio a candidatura avassaladora de Jr Friboi no PMDB e o PT caiu fora, mandando mais um nome para a já tumultuada praça da oposição. O prefeito Antônio Gomide, de Anápolis, viabilizou-se internamente, deixou 3 anos de mandato pela frente e está candidato ao governo. A situação dele só não se concretizará se Brasília determinar o recuo e composição com o PMDB. Fora isso, Gomide deve seguir em frente.

Em resumo, do cenário avaliado como ideal do ponto de vista dos grupos que fazem oposição ao governador Marconi Perillo, o de união total e candidatura única, não restou nada. Hoje, não são mais 2 os nomes, mas 3.

Era pra ser um só, mas são três

Era pra ser um só, mas são três

Há perspectiva de esse quadro múltiplo mudar até junho? No campo doméstico, não. Vanderlan, Gomide e Jr nem aceitam discutir recuos e recomposição de seus objetivos. É claro que essas posições radicalizadíssimas fazem parte do jogo jogado na política de construção de candidaturas. Quem é candidato a um determinado cargo e aceita pelo menos a possibilidade de concorrer a algum outro sai do jogo pelo cargo inicialmente pretendido na mesma hora. Ou seja, um candidato a governador que diz que numa composição poderá aceitar candidatura a vice, passa a viver dentro dessa nova perspectiva.

De qualquer forma, ainda que negar peremptoriamente seja regra não escrita desse jogo estratégico, a situação chegou a um ponto que não permite uma avaliação atual que leve em conta alguma mudança estrutural do quadro que aí está. E se houver mudança, o mais provável é que ela aconteça sob orientação de Brasília, portanto influenciada pela disputa presidencial.

Base aliada está pronta

Alheio a tudo isso, no Palácio das Esmeraldas está cada vez mais consolidado o processo de candidatura à reeleição do governador Marconi Perillo. Novamente com bom patamar nas pesquisas de intenção de voto – e sem a rivalidade de Iris Rezende que foi alijado do afunilamento interno do PMDB por Friboi -, um revigorado plano de ação administrativa, que inclui inauguração de obras quase todos os dias no estado inteiro, a base aliada chega às vésperas da convenção bastante animada.

Ainda há ruídos, principalmente na composição da chapa. Marconi é assunto pacificado desde sempre como candidato a governador. José Eliton repetiria a vice e Vilmar Rocha tentaria a vaga para o Senado. Mas o presidente regional do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado, que tem ótimo trânsito tanto no PSDB nacional como no próprio DEM, também quer disputar o Senado. E só há uma vaga dentro da aliança.

Três nomes, mas apenas duas vagas

Três nomes, mas apenas duas vagas

A possibilidade de Caiado compor a chapa de Marconi provocou reações. Alguns setores, inclusive do PSDB marconista, nem querem discutir o assunto, e julgam que a composição da chapa deve ser sacramentada exatamente como está. Mas também neste caso Brasília pode intervir. Não como imposição, mas como um pedido de ajuda. Tipo: ¨aceitem o Caiado aí, que as coisas melhoram com o DEM aqui (em Brasília)¨.

Será que um pedido como esse seria negado? Difícil. De qualquer forma, essa possibilidade é remotíssima, até porque certamente implicaria em ações também das demais cúpulas nacionais dos partidos diretamente envolvidos na chapa, como o PP, de José Eliton, e o PSD, de Vilmar Rocha. O enguiço só aumentaria, portanto.

É isso o que resta definir para o grupamento liderado por Marconi Perillo colocar a mais fabulosa e azeitada máquina eleitoral do estado em funcionamento. Se os opositores um dia imaginaram que seria fácil, cometeram um dos piores erros: subestimar o adversário. Vão ter que correr o dobro, ou chorar mais uma derrota.

As 5 armas mais usadas por deputados federais vencedores

eportagem: Jornal Opção

As cinco armas mais usadas nas campanhas por deputados federais vencedores

Câmara dos Deputados: lugar pretendido por centenas de políticos goianos a cada pleito, mas alcançado só por 17 deles / Foto: André Alves - Agência Câmara

Câmara dos Deputados: lugar pretendido por centenas de políticos goianos a cada pleito, mas alcançado só por 17 deles / Foto: André Alves – Agência Câmara

Afonso Lopes

Não chega a ser um vestibular de medicina, mas as vagas para deputado federal são intensamente disputadas. E, pior que o vestibular, não depende do saber acadêmico. Aliás, pouco ou nada valem os títulos neste caso. Aqui, o que realmente importa é a técnica precisa, a dedicação total e uma boa estrutura geral de campanha. Sabe aqueles cabos eleitorais que ficam agitando desanimadamente as bandeiras de candidatos a deputado federal nas calçadas de praças e avenidas? Esqueça. Não ficam lá para ganhar votos. É só demonstração de presença da campanha. As armas que realmente contam e somam votos são outras.

 1 – Estrutura de campanha

É aqui que a coisa começa realmente a pegar ou não. E entenda-se essa estrutura de campanha como forte apoio financeiro, ótimos profissionais e grande capacidade de organi­zação. A maioria das campanhas derrotadas pecam exatamente neste aspecto, que é basilar.

Olhares experientes percebem candidaturas de fortíssimo potencial na disputa somente observando a estrutura. O contrário é ver­dadeiro. Estruturas acanhadas dificilmente terminam vitoriosas.

Mas se não pode comprar o voto do eleitor, onde é que se gasta tanto dinheiro numa campanha de deputado federal? Xeque-mate: nos gastos não declarados. Entre eles, o maior é o que sustenta apoios nos diretórios municipais e nas dobradinhas com candidatos a deputado estadual. Quando se diz que fulano perdeu algumas bases, está se dizendo, em outras palavras, que um outro candidato foi lá e adquiriu o pacote todo. É um toma e ganha lascado esse, mas não tem outro jeito diante da legislação eleitoral que se tem no Brasil.

Vez ou outra se lê no noticiário político que um candidato abriu mão do apoio de determinado diretório e o “repassou” para um candidato aliado. Isso não acontece por acontecer. Algumas vezes, o tal diretório iria encarecer muito a logística de campanha e renderia menos votos que um outro mais em conta. Então, há o tal repasse para algum interessado. Claro que com troca, ou de apoio direto – dinheiro – ou permuta de diretórios: o candidato cede esse aqui e recebe aquele ali. É aqui também que está o mercado dos prefeitos e vereadores. Quando se fala em “invasão das bases”, é alguém reclamando que tem a direção do diretório, mas as bases foram solapadas pelo concorrente.

Outra fonte de despesas fortíssimas são as dobradinhas. Normalmente, os candidatos a deputado federal vasculham a influência dos estaduais em suas regiões e acertam a parceria. Quem banca as despesas, e não apenas de “santinhos”, é o federal.

O restante da tal estrutura de campanha é manter uma agenda permanente de contatos, a montagem de boa equipe profissional de atendimento e de encaminhamento das questões. Nessa soma aí estão os deslocamentos constantes pelos diretórios, santinhos, cartazes, gasolina, e demais salamaleques que compõem o cesto.

Candidatos à reeleição geralmente fazem campanhas muito mais baratas – mas ainda assim são caríssimas. É que boa parte dessa estrutura toda é construída durante o mandato, e aí é só ampliar aqui e ali, consolidar uma outra coisa e seguir em frente. Quem não consegue fazer isso durante o mandato, babau. Perde a reeleição.

2 – Dobradinhas com candidatos a deputado estadual
Normalmente, os diretórios municipais sofrem fortíssima influência dos políticos locais. Muitos deles são montados durante anos. E é assim que nascem fortes candidatos a deputado estadual. Os federais percebem essas movimentações e se aproximam desses líderes locais, que normalmente tem curto fôlego financeiro.

Se o diretório é importante (número de eleitores na cidade, popularidade de seus líderes, quantidade de vereadores e etc) e o candidato estadual é realmente competitivo, e por isso mesmo disputado pelos federais, muitas vezes leva quem consegue oferecer maior apoio. Em alguns casos, o federal coloca parte de sua equipe no comando das ações de campanha na área do diretório.

Dobrar com candidatos fracos e sem qualquer projeção na região é jogar dinheiro no lixo, não rende nada. Mas é certo que nem todos os nomes preferenciais para a disputa estadual vencem. Mesmo quando perdem, para o federal pouco importa. O que interessa mesmo é quantos votos ele foi capaz de angariar.

3 – Fechar as regiões
Há deputados que tem votos em quase todas as cidades. Ou são muito conhecidos no estado todo ou são candidatos à reeleição. Não tem outro jeito. Ninguém consegue juntar dinheiro suficiente para fazer campanha de deputado federal no estado inteiro.

Então, é melhor mapear bem a potencia­li­da­de das regiões e investir em uma ou duas, no má­ximo, de maneira a garantir somente aí a vitória. O ideal é manter quase toda a estrutura con­cen­trada numa regional mais ampla do que manter duas ou mais distantes uma da outra. E é im­por­tante também avaliar corretamente o tamanho do bolso. Deixar uma região ou diretório sem oxigênio financeiro é pedir para ser solenemente traído e trocado sem qualquer pudor.

Graças a esse tipo de trabalho, fechado em regiões, é que em quase toda eleição surgem eleitos inesperados. Quando todo mundo imaginava que o famoso tal venceria, um outro recebe bem mais votos e é eleito.

4 – Saber mapear a votação
Eleição, definitivamente, não é coisa para amadores. Bons candidatos sabem como es­qua­dri­nhar as próprias potencialidades e até as dos de­mais concorrentes mais fortes. Quando não sabem, contratam profissionais que conhecem do riscado. Fazer um bom mapeamento é vital para saber se precisa aumentar ou se de manter a estrutura. E esse é um trabalho feito constan­te­mente. O quadro eleitoral pode sofrer mudanças quase semanalmente. Quando se erra nestas contas, dorme-se eleito e acorda em alguma suplência.

Os melhores profissionais dessa área trabalham com margens de erro de avaliação. Estabelecem um plano de votação 20% superior ao que se calcula ser necessário para garantir vaga na própria coligação. E trabalham sempre com essa folga. Por mais realista que sejam esses mapeamentos, e por melhor que tenham sido trabalhados, quase nunca o resultado das urnas obedece a lógica do mapeamento. Por isso uma margem de segurança na faixa dos 20%. Erros acima de ou 15% no mapeamento, é derrota certa.

5 – Assessoramento profissional
É frase da sabedoria malandra brasileira: o único amador que deu certo no Brasil foi o Aguiar. Refere-se ao líder empresarial Amador Aguiar, fundador do Banco Bradesco, o maior da rede privada no Brasil. É a mais pura verdade. Em qualquer área de atividade, não há muito espaço para o amadorismo. Na política, então, ela é quase completamente proibida – as exceções são os conhecidos cacarecos que vencem eleições de vez em quando.

Montar uma equipe de trabalho profissional na campanha é fundamental. E esse assessoramento é vital em todas áreas, da comunicação à logística, da coordenação geral aos coordenadores setorizados. Imagine, por exemplo, o candidato passar a noite toda na beira de rodovia por falta de combustível no carro sabendo que uma grande e importante reunião vai acontecer logo cedo numa cidade ainda distante 200 quilômetros. Lá se vai um ótimo investimento, até porque todas as ações de campanha, inclusive essas reuniões, custam dinheiro. Também é possível imaginar um candidato que não é informado sobre os nomes que ele deve valorizar nos discursos daqueles que ele nem pode fazer qualquer referência. Ou um candidato que não consegue dar entrevista aos veículos de comunicação local porque não teve um assessoramento eficaz que pediu espaço e “ofereceu” o candidato para entrevistas.

Enfim, a principal arma de candidatos competitivos a uma das 17 vagas de deputado federal é a estrutura de campanha. E ter uma ótima estrutura custa caríssimo. Mas quanto maior é a vivência política do candidato, menor é a necessidade de dinheiro para montar a estrutura necessária. Quanto mais curta for essa vida política, mais dinheiro vai precisar ser gasto. O duro é que alguns conseguem gastar quantidades fabulosas, e ainda assim perdem feio.