Arquivo da categoria: Eleições em Goiás

Análises estruturadas do que acontece em Goiás

O conflito da dívida da Friboi

A informação caiu como uma bomba: o grupo empresarial da família de Jr Friboi, que ele próprio dirigia até há pouco tempo, tem demandas fiscais com o estado de Goiás que somam 1 bilhão e 300 milhões de reais. A notícia foi veiculada pelo jornal O Popular, edição de ontem, sexta-feira, 2.

Jr Friboi língua

Também ontem, em reação nas redes sociais Twitter e Facebook, Jr divulgou uma nota oficial. Em nenhum momento ele desmentiu a informação do jornal, o que se deduz que a dívida realmente existe.

Como destaca o jornalista Ricardo César, em O Popular, hoje, na nota oficial Jr disse considerar ¨estranho¨ e ¨suspeito¨ a divulgação dessa informação. Mas o que há de estranho e suspeito na notícia além do fato de que a fiscalização estadual tenha se deparado com lançamentos contábeis ¨estranhos e suspeitos¨ na empresa que pertence à família dele? Para Jr Friboi, esses dados deveriam ser sigilosos e, estranho, segundo ele, é o fato de que foram divulgados 3 dias depois que ele foi confirmado candidato do PMDB ao governo do Estado.

Caberia a pergunta: se ele considerou estranho e suspeito um jornal publicar que a empresa da família de um candidato ao governo do estado deve uma grana preta para o fisco 3 dias após o lançamento de seu nome pelo PMDB, quando é que não seria estranho e suspeito a publicação dessa notícia?

Em sua nota, Jr Friboi abriu levemente a tampa de uma caixa preta: a relação conflituosa de algumas empresas com o fisco. A fiscalização estadual questionou o não recolhimento de ICMS por parte da JBS. Jr não apenas admitiu esse fato, como disse que ¨em muitos casos¨ a empresa que ele dirigia discorda de ¨alguma cobrança¨. Caramba, 1 bilhão e 300 milhões de reais é uma mera ¨alguma cobrança¨?

Sede da JBS, nos Estados Unidos

Sede da JBS, nos Estados Unidos

 

Há um outro conflito nessa história. Até 1994, Goiás cobrava 12% de ICMS sobre a carne. No governo Maguito (1995/1998), houve redução para 7%. No primeiro mandato de Marconi Perillo (1999/2002) esse percentual caiu para apenas 3%, o mais baixo do Brasil. Só pra se ter uma melhor ideia do que isso representa, o cidadão recolhe 25% na sua conta de energia elétrica.

Jr Friboi, em sua nota, explicou que parte dessa dívida de 1 bilhão e 300 milhões de reais é resultado da compra do frigorífico Bertin. E acrescentou: se a JBS não tivesse comprado a empresa, o frigorífico teria fechado as portas e milhares de goianos teriam perdido o emprego.

Não há como contestar Jr Friboi nessa questão: se o Bertin não tivesse sido vendido, quebraria, e haveria demissões. Porém, não foi por esse motivo que a empresa da família de Friboi fez essa aquisição. Era um bom negócio, e por isso foi feito. Grana, mercado, e não emprego, é o que motivou a aquisição do Bertin.

A dívida que a JBS sabia existir no Bertin e que está sendo contestada representa 18% de todas as pendências fiscais que contribuintes ativos tem hoje no Estado. Não há como negar que há  conflito entre o desejo do cidadão Jr Friboi de se eleger governador e os interesses do estado de receber aquilo que julga ser justo. Somente o resto é política.

Os sete pecados capitais de um candidato a governador

É impossível estabelecer uma lista de tarefas que  garanta a vitória eleitoral nas disputas para o governo, mas existem erros que levam quase certamente à derrota

Não há unanimidade no planeta política quando o assunto é garantir vitória eleitoral na disputa pelo governo. É claro que muitos “especialistas” espertalhões vendem bugigangas e balandandãs eleitorais como se fossem uma garantia de sucesso nas eleições, mas é uma grande bobagem acreditar nesse tipo de promessa. Bons profissionais dessa área conseguem no máximo orientar muito bem a campanha, mas sem garantir resultados.

Se indicar a vitória é impossível, o caminho inverso é muito mais simples. Há um sem número de erros que candidatos consistentes devem evitar cometer para não diminuírem as próprias chances. Em outras palavras, é mais fácil saber as coisas e ações que certamente resultam em fracasso eleitoral nas disputas pelo governo do que encontrar a fórmula perfeita que garanta a vitória.

O que pode derrotar até candidato tido como favorito

Pecado 1 – Poder econômico excessivo
É possível vencer uma grande disputa sem uma boa estrutura financeira? Não, não é. O dinheiro é fundamental numa campanha. A história registra inúmeros casos de excelentes candidatos que naufragaram por falta de dinheiro. Mas o excesso de poder econômico também pode ser um fator determinante para derrotar. Aliás, é um dos grandes fatores negativos de uma boa campanha.

Houve um caso, aqui mesmo em Goiás, ainda na década de 1980, de um candidato com estrutura tão boa que ele zanzava de cidade em cidade a bordo de um helicóptero. Em alguns bairros pobres, o sobrevoo arrancava o telhado de zinco das casas. É claro que o eleitor votou no adversário. No Estado do Tocantins, torrou tanto dinheiro na campanha que chegava em cidades muito pequenas, de 2 mil eleitores, mais ou menos, e distribuía 4 mil ou 5 mil camisetas com o seu retrato. Perdeu feio. Se é verdade que a falta de dinheiro complica a campanha, o excesso dele também provoca desastres.

2 – Falta de vivência partidária
Há políticos que ficam pulando de partido em partido e ainda assim conseguem vencer grandes disputas. Isso seria um indicativo de que vivência partidária, ou a falta dela, não tem peso na eleição. É um tremendo erro pensar dessa forma. A população não se incomoda com políticos que mudam de partido, principalmente quando já conhece o candidato de outras eleições e carnavais. O problema ocorre com novatos e com veteranos que não conhecem as próprias bases, como prefeitos, vereadores, lideranças de bairro e militantes do partido. É esse exército que garante repercussão entre os eleitores nos momentos em que o candidato não está presente. Quando não existe a convivência interna, essa relação espontânea entre base e candidato fica comprometida. É a convivência partidária que cria laços internos de reciprocidade. Sem isso, o que se consegue formar é exército mercenário.

3 – Subestimar adversários
Esse é um dos piores erros que um candidato ao governo pode cometer. Imaginar que o adversário é fraco ou que tem defeitos tão evidentes que vai se tornar presa indefesa é suplicar por derrota. É claro que estrategicamente ninguém sai por aí elogiando o potencial do adversário, mas daí a realmente acreditar que será sopa no mel derrotá-lo é loucura total.

Exemplo recente desse tipo de erro foi cometido na campanha de prefeito de Goiânia, em 2010. Paulo Garcia era visto pelos adversários como um político desconhecido, impopular, frágil e sem discurso. Quando a campanha pegou fogo pra valer, seus adversários é que se tornaram tudo isso e mais um pouco.

Outro exemplo: Goiás, 1998. O PMDB era tão hegemônico e grandioso eleitoralmente que esnobou coligações e desdenhou quase o tempo todo do candidato das oposições, o quase estreante e desconhecido Marconi Perillo, que só havia disputado e vencido duas eleições, de deputado estadual e deputado federal. No final das contas, Marconi em­pacotou de tal forma o poder peemedebista que venceu os dois turnos.

4 – Acreditar que pesquisa ganha eleição
Treino é treino, jogo é jogado e pronto. Eleição é isso. Pesquisa é termômetro de determinados momentos, não uma projeção de resultados para o dia da eleição. Acreditar demasiadamente nas pesquisas leva candidatos favoritos a resultados pavorosos.

Muitos candidatos são atropelados por adversários que em determinado momento da campanha demonstravam não ter força nenhuma. E aí, relaxam na hora errada. Candidatos vitoriosos costumam pisar no acelerador com mais vontade ainda quando se isolam na liderança das pesquisas.

Dentre os modais de pesquisas, o mais perigoso para os candidatos é a qualitativa. Como se trata de um levantamento científico interpretativo, se o instituto não for realmente bom nesse riscado fatalmente vai produzir um fiasco eleitoral. Sem falar que também nessa área existem picaretas, embora eles sejam mais comuns nas pesquisas quantitativas.

Se pesquisa tivesse tanta influência sobre o eleitorado como alguns avaliam que tem, não haveria virada em eleição. Novamente dois exemplos, ambos de Goiânia. Em 1996, Maria Valadão correu o tempo todo como segunda colocada, bem à frente do terceiro, Pedro Wilson. Apurados os votos, Pedro quase ganhou a eleição, fechando na segunda posição. Em 2004, e novamente com Pedro Wilson, ocorreu a mesma coisa. Pedro se arrastava na quarta posição, chegou a terceiro, mas não tinha, segundo as pesquisas, nenhuma chance de ir para o segundo turno. Foi, e o segundo colocado virou terceiro.

5 – Discurso vazio, desinformado ou prepotente
É pecado capital um discurso mal elaborado. A questão não é exatamente falar com desenvoltura. Se, sim, ótimo. Se, não, é superável. O que não pode é falar coisas sem pé nem cabeça. O eleitor é muito menos bobo do que se imagina que ele é.

O candidato precisa realmente conhecer o assunto para poder falar sobre ele de maneira convincente. E se não conhecer e for pro­vocado, deve raspar bem leve e super­ficialmente. Soa mais honesto do que entoar loas que a população sabe serem falsas.

Outra coisa é saber a solução para todos os problemas por mais complexos que eles sejam. Muitas vezes, esse tipo de discurso anda de mãos dadas com o discurso vazio. É a junção do ruim com o péssimo, a prepotência do pleno co­nhecimento sobre tudo e a petulância de não falar nada com palavras empoladas.

A desinformação acaba com a cre­dibilidade de um candidato. Em 2006, liderando as pesquisas, o plano de governo de Maguito Vilela (soluções fáceis para tudo) incluiu o asfaltamento de uma rodovia de terra localizada no sul do Estado. O adversário pintou e bordou em cima da gafe: a tal estrada tinha sido asfaltada pelo governo.

6 – Se imaginar a última Coca-Cola do deserto
Há candidatos que se imaginam muito melhor do que realmente são. Acreditam realmente que exercem um poder de sedução tão grande quanto irresistível. Para este tipo de candidato, existem apenas dois eleitores: o que o conhece, e por isso o adora, e os que ainda não o veneram porque não o conhecem. Para esse tipo de can­di­dato, seria melhor e menos perigoso elei­toralmente se ele acreditasse em Papai Noel.

7 – Não conseguir fortes coligações
Houve um tempo nas disputas eleitorais brasileiras em que um partido era suficiente para vencer qualquer eleição. Foi no berçário do pluripartidarismo que se tem hoje. Antes, na ditadura civil-militar, eram só dois partidos. Na década de 1980, até meados da seguinte, 1990, bastava a um partido ter forte capilaridade para se estabelecer com ótimas chances eleitorais.

Isso acabou faz tempo. Nenhum partido hoje conseguiria vencer uma grande disputa sozinho. É extremamente necessário somar forças. Se um candidato não consegue convencer outros partidos, como é que ele quer convencer a maioria do eleitorado? O candidato do bloco do “eu sozinho” até que funcionava em determinadas eleições no passado. Hoje, não chegaria sequer à metade da Sapucaí eleitoral.

Enfim, um candidato que cometer esses erros básicos numa campanha constrói uma derrota mais do que previsível, e a probabilidade de ser eleito ainda assim é praticamente nula.

Eleições: Um cenário com pouca mudança

Salvo terremotos inesperados, o quadro atual deve permanecer sem grandes alterações até julho ou início de agosto
Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção
Governador Marconi Perillo, empresário Júnior Friboi e ex-prefeitos Iris Rezende,
Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide: os candidatos e pré-candidatos declarados 
ou não ao governo estadual em outubro

 

Afonso Lopes

Do final do ano passado para cá, o que mudou no cenário político do Estado? Praticamente nada. O quadro comparativo melhor talvez esteja no período de um ano. Nesse caso, seria possível notar algumas movimentações maiores.
Em meados de abril de 2013, o ex-prefeito de Senador Canedo e candidato derrotado ao governo do Estado em 2010, Vanderlan Cardoso, aparecia com forte recall político. O PDT, por exemplo, sinalizava para aliança com ele. Vanderlan já tinha superado a fase terrível de peemedebista, e seguia para reconstrução de sua estratégia. Um ano depois, ele convive com um baita problema: não consegue agregar partidos à sua coligação, apesar de aparecer em segundo lugar em todas as pesquisas em que o nome de Iris Rezende não é avaliado. Sem coligação forte, se enfraquece.

A ameaça velada

Ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide disputava intensamente com seu colega goianiense, Paulo Garcia, os holofotes do PT.

De abril do ano passado para cá, essa disputa terminou, e foi vencida com extrema facilidade pelo anapolino. Graças a uma administração equivocada da Secretaria de Finanças, Paulo vem atravessando uma fase complicada em seu governo. Já Gomide, a exemplo do que fez e faz o prefeito peemedebista de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, ciscou para dentro o tempo todo, e somou recursos e obras do Estado e da União à disponibilidade própria da prefeitura e cresceu. No início deste mês, tomou uma decisão ousada: abandonou quase três anos de mandato e trabalha candidatura ao governo do Estado.

Politicamente, Gomide é infinitamente maior do que era há um ano. Eleitoralmente, não conquistou a mesma projeção. Nas pesquisas estaduais feitas pelos grandes institutos, ele está na última posição na maioria dos cenários pesquisados. Não é, evidentemente, o melhor dos mundos, mas pode-se observar que ele foi o último nome a surgir e, mais do que isso, ainda é muito pouco conhecido fora do eixo Anápolis-Goiânia.

Há dois problemas. O primeiro deles diz respeito aos interesses do PT nacional e as composições para a reeleição da presidente Dilma Roussef. É uma ameaça velada que tem data para ser superada – ou se concretizar de vez: final de junho, prazo final das convenções. Se até lá Goiás não virar moeda de troca nas negociações nacionais, ele confirmará sua candidatura. E aí vai ter que enfrentar o segundo problema, bem mais grave.

Até agora, o PT não conseguiu avançar nas coligações partidárias. Nem com promessas de coligações futuras. Até o velho parceiro de trincheira petista, o PCdoB anda às voltas com possível candidatura de Júnior Friboi, pelo PMDB. Se o partido indicar Iris Rezende, aí, sim, Gomide poderá voltar a contar com os antigos aliados comunistas.

O PTB também está nessa de esperar. O presidente regional do partido, deputado federal Jovair Arantes, nem aceita discutir outro rumo nas eleições deste ano que não a coligação com a reeleição do governador Marconi Perillo. Mas já avisou aos quatro ventos: se Marconi não se candidatar, vai apoiar o PT de Gomide.

O PDT é outro que pende para os lados de Friboi. O partido estava praticamente fechado com a candidatura de Vanderlan Cardoso, mas foi contaminado pelo poder sedutor de Friboi. Se não der certo essa negociação, a posição do prefeito de Inhumas, Dioji Ikeda, pró-Gomide, pode ficar fortalecida.

Com esses partidos em sua coligação, Antônio Gomide cresceria bastante quanto à perspectiva geral. E ainda assim ele terá que encabeçar uma campanha eleitoral um pouco mais que genial para chegar ao governo do Estado. Para se entender o tamanho do desafio dele, basta lembrar que de agora até outubro, ele terá que crescer e se tornar mais conhecido do que tudo aquilo que o seu partido, o PT, conseguiu fazer em Goiás, com candidaturas próprias, em toda a sua história.

Iris x Friboi

Há um ano, Júnior Friboi perambulava por aí como dono do PSB. No PMDB, sem a presença de Vanderlan Cardoso, de rápida passagem, Iris Rezende era o candidato que dizia que não era. Foi mais ou menos nessa época que Friboi começou a sonhar com o PMDB, e foi também nessa época que alguns setores peemedebistas viram nele um ótimo contraponto a Iris Rezende. De flerte foi a namoro. Daí pro casamento só dependeu dos padrinhos nacionais, Valdir Raupp, presidente nacional do PMDB, e Michel Temer, vice-presidente da República e verdadeiro dono dos destinos do partido atualmente.

Teve festa, mas também teve encrenca séria. O candidato que dizia que não era candidato, e maior líder do PMDB goiano, Iris Rezende, não gostou nem um pouquinho só da forma como se deu a entrada de Júnior Friboi na família. Na época, esteve em Brasília para demonstrar sua contrariedade. Não adiantou. Às vésperas do final do prazo de filiação, o empresário assinou a ficha e selou seu destino. Para o bem ou para o desastre.

Iris finalmente revelou sua condição de candidato, e briga internamente com Friboi pela bênção do partido. Ninguém sabe com certeza qual dos dois vai sobreviver até as urnas para enfrentar Marconi. A favor do velho líder do PMDB está sua posição nas pesquisas eleitorais atualmente. Ele é o único que polariza pra valer contra o rival tucano. Friboi está lá atrás, embolado com Vanderlan Car­doso e Antônio Gomide. Nessa disputa interna, o vencedor deverá herdar um partido com profundas divisões.

A tempestade passou

Quase todos os cientistas políticos são praticamente unânimes ao avaliar que o governador Marconi Perillo conseguiu se recuperar e voltou a ser um fortíssimo concorrente ao governo mais uma vez. Há um ano, em abril de 2013, Marconi ainda estava fortemente abalado. Tanto no aspecto político como também administrativo.

Entre os maiores institutos de pesquisa de Goiás, Marconi lidera em quase todos os cenários. Somente Iris Rezende, o eterno rival, o ameaça seriamente. Fora ele, e se as eleições fossem agora, Marconi poderia ser reeleito já no primeiro turno. Mas é óbvio que a sua vantagem atual não é garantia de nada no futuro. Obvia-mente, na campanha eleitoral ele será o cara a ser batido por todos os demais candidatos. Terá que trabalhar uma campanha sem descanso, e manter a própria administração em alta. Pelo salto que ele conseguiu dar em um ano, quem quiser ganhar dele e de seu grupo terá que trabalhar o dobro e mais um pouco. Esse é o cenário atual, e não há muito espaço para grandes mudanças até o final de julho, início de agosto. Depois disso é que a disputa realmente vai pegar fogo.

Base aliada: a chapa majoritária ainda não está pronta

Presidente regional do PTB, deputado federal Jovair Arantes, cobrou rápida confirmação da candidatura de Marconi, que está definida. Mas, e o resto da chapa?
Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção
Deputado Jovair Arantes (PTB): cobrança de definição rápida de Marconi para fechar costura

 

Enquanto os pretendentes oposicionistas travam uma luta constante para manterem vivas as esperanças de disputarem o governo de Goiás, Marconi Perillo segue tranquilo. Ele não tem concorrentes internos. Aliás, nem concorrentes e nem possíveis substitutos. Pelo menos, nenhum aliado com cancha eleitoral suficiente para disputar com chances contra a oposição. A candidatura de Marconi à reeleição, portanto, além da vontade que aparentemente recuperou, é também necessária à sobrevivência do eixo político no poder.
Ainda assim, na semana passada o presidente regional do PTB, deputado federal Jovair Arantes, veio a público cobrar logo uma definição. Ou seja, que Marconi diga oficialmente que vai tentar novo mandato de governador. E avisou que o PTB só se manterá na aliança governista estadual com Marconi. Sem ele, o partido migra para a órbita de Antônio Gomide, do PT. Aliás, essa sinceridade de Jovair apenas enfatiza que o único elo que mantém a base aliada unificada é mesmo Marconi Perillo. Sem ele, talvez não seja apenas o PTB que se sentirá livre para se abrigar em outras trincheiras.

Por que definir já? Jovair, experiente que é, além de íntimo do altíssimo clero da aliança estadual por ser um de seus cardeais, sabe muito bem que Marconi terá que disputar a reeleição. Se é assim, onde residiria a razão central da pressa dele numa definição já, pelo menos em maio? No restante da chapa. Falta muita coisa para ser definida e, imagina-se, a coisa só vai andar mesmo depois que Marconi se tornar oficialmente candidato à reeleição.

É o caso da vice-governadoria e da candidatura ao Senado. Pu­blicamente, o atual vice, José Eliton, PP, já foi “indicado” pelo governador Marconi Perillo, e tem apressado o passo nos encontros regionais organizados pelos partidos da base aliada. Internamente, embora vez ou outra alguma liderança cite este ou aquele nome, a situação do pepista não encontra resistências.

É uma situação muito semelhante a do deputado federal Vilmar Rocha, do PSD, que também teve a “indicação” de Marconi para a disputa pelo Senado. Vilmar não encontrou até aqui um único adversário dentre os aliados estaduais. Mas percebe-se nos bastidores um certo movimento pela candidatura do presidente do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado, que está decidido a também se candidatar a senador. O DEM é aliado, mas Caiado tornou-se independente.

Se o democrata desembarcasse novamente na aliança estadual, haveria a necessidade de se mexer na chapa. A legislação atual proíbe que dois partidos coliguem para governador e lancem candidatos concorrentes para o Senado. Ou seja, coligou na chapa majoritária, tem que juntar todo mundo, governador, vice e senador.

Isso cria problema para a aliança como um todo e também para o DEM. Um baita problema. Se o partido decidir se manter aliado, terá que convencer Caiado a desistir da candidatura ao Senado, coisa que ele não fará, ou convencer os aliados a abrirem vaga para a candidatura dele. Até que a segunda hipótese chegou a ser considerada, e bem avaliada, por setores da aliança, mas uma declaração recente de Caiado pode ter inviabilizado completamente esse projeto dentro da aliança. O democrata disse que, mesmo coligado, faria uma campanha isolada, independente.

Se essa é uma bela encrenca para o DEM resolver, para a aliança o prejuízo virá na forma de tempo de palanque eletrônico. Com Caiado candidato ao senado e sem coligação na majoritária, o tempo de rádio e TV dos democratas deixa de ser somado ao tempo total da aliança. Não é muita coisa, mas numa eleição que promete bastante, qualquer tempinho a mais é importante. Vide a briga que sempre é travada pelos segundos que os partidos nanicos emprestam às grandes alianças.

Ronaldo Caiado

Existe possibilidade de êxito no voo solo de Caiado e do DEM rumo ao Senado? Existir, existe, mas nunca é fácil. A coligação majoritária tem o mérito de unir forças, com tudo dentro da aliança funcionando a favor de todos. Sozinho, Caiado vai ter que superar todos os demais candidatos ao Senado de todas as alianças. Ou seja, terá que ser o mais votado mesmo não contando com um único candidato ao governo ajudando a pedir votos.

A cobrança externada por Jovair Arantes de definição rápida da candidatura de Marconi Perillo à reeleição também passa por tudo isso. Extraoficialmente, a chapa majoritária da aliança está pronta, com Marconi para o governo, José Eliton para a Vice e Vilmar Rocha para o Senado. Se, então, é só questão de tempo para oficializar a chapa, o que poderia mudar se essa confirmação ocorresse agora? O teste das pesquisas, especialmente para Vilmar Rocha.

Marconi lidera a corrida sucessória em todos os cenários possíveis, inclusive com condições de vencer já no 1º turno em quase todos eles, se as eleições fossem agora — conforme números da pesquisa Fortiori, divulgada na semana passada pelo Jornal Opção. Vilmar, ao contrário, não vai nada bem. Para o Senado, a liderança de Caiado é folgada, desde que Iris Rezende não dispute o cargo. Com a oficialização da chapa rapidamente, Vilmar teria que entrar realmente na disputa. Ou sua candidatura poderá ser questionada dentro da aliança. E, mexendo para o Senado, nem a vice-governadoria ficaria livre de pressões dos demais partidos que fazem parte da aliança liderada pelo governador.
Em miúdos, a chapa parece estar pronta, mas ainda existe lenha para ser queimada.

 

A candidatura que está virando suco

vanderlan-cardoso

O ex-prefeito de Senador Canedo e candidato derrotado ao governo do estado em 2010, Vanderlan Cardoso ainda se mantém disposto a enfrentar as urnas novamente este ano. Mas seu nome está gradativamente sumindo do noticiário político. Claro que isso também é provocado pela disputa interna no PMDB e pelo ousado lance do PT de lançar nome próprio. Também, mas não é só por isso.

Vanderlan em 2010 era o candidato oficial do Palácio das Esmeraldas, e foi para a campanha com uma boa aliança partidária. Desta vez, está sozinho. Literalmente. Fora seu PSB, que ainda tem setores favoráveis à candidatura de Jr Friboi, Vanderlan não consegue avançar. Não tem chapa consistente nem para deputado federal e nem para deputado estadual. Candidato a vice? Necas. Ao Senado? Nem pensar.

Se não encontrar uma saída para essa sinuca do crescimento e ainda assim mantiver a candidatura ao governo vai pilotar como candidato nanico. Diante disso, é possível que algumas conspirações retornem ao tabuleiro político estadual.

Vanderlan, ao menos aparentemente, não tem espaço para crescer entre gigantes como o PT de Antônio Gomide, que agrega alguns partidos ditos à esquerda e frequentadores da aliança governista federal, e o PMDB, que balança entre a grana preta anunciada de Jr Friboi e o apelo emocional de Iris Rezende. A esperança dele era faturar a partir de recall das eleições de 2010 e assim abrir caminho para avançar. Só funcionou a primeira parte do plano.

Hoje, a candidatura de Vanderlan é uma grande micada. Pode até ser que ele consiga herdar alguma coisa magoada nas disputas dos demais oposicionistas, mas ainda assim será muito pouco. Sem tempo para a campanha eletrônica, no rádio e na TV, sem chapa de deputados federais e deputados estaduais, sem candidato a vice-governador e sem candidato ao Senado, pode não restar alternativa se não a mesa de negociações.

E para onde ele iria com seu pequeno exército? Teoricamente, para uma das candidaturas oposicionistas. O PT não tem chances em função da disputa presidencial (com Dilma Roussef e Eduardo Campos, presidente do PSB). Restaria, então, PMDB e PSDB.

PSDB? Mas o partido não tem o mesmo problema nacional do PT, com a candidatura de Aécio Neves? Tem e não tem. Em todo o Brasil, e a partir de ambos, Aécio e Eduardo, PSDB e PSB andaram fechando vários acordos. Um estado a mais ou a menos…

O PMDB também poderá trabalhar para conquistar Vanderlan caso ele entenda que sua candidatura não irá tão longe quanto ele esperava. Principalmente porque, conforme alguns de seus poucos aliados, o empresário de Senador Canedo estaria de olho na Prefeitura de Goiânia. Se PT e PMDB caminharem separados agora em 2014, o trunfo peemedebista seria a possibilidade de apoio a Vanderlan em 2016, na sucessão do prefeito Paulo Garcia. Mas ele acreditaria numa promessa política futura sem papel passado principalmente depois de ter frequentado o PMDB e sair do partido reclamando barbaridade de suas lideranças?

limonada suica

Em resumo, com a sua candidatura virando cada vez mais um suco amargo, Vanderlan ainda tem chances de adoçar a limonada.

Candidatos à presidência não influenciam votação de governador

Pelo menos em Goiás, as candidaturas nacionais não conseguem transferir votos para os candidatos a governador
Afonso Lopes
É voz corrente que bons e competitivos candidatos ao governo do Estado precisam de presidenciáveis consistentes do ponto de vista eleitoral para fechar “dobradinha”. Historicamente, no entanto, esse desempenho casado obtém resultados divorciados. Os candidatos à Presidência não conseguem empurrar a votação dos candidatos ao governo. O contrário é verdadeiro: boas votações para o governo reforçam votações de aliados que disputam a Presidência.
Esse erro de interpretação é mais comum do que se imagina. No final do ano, por exemplo, o ex-prefeito de Senador Canedo e pré-candidato ao governo do Estado, Vanderlan Cardoso, fez várias declarações sobre as perspectivas que ele tem do próprio desempenho em função da confirmação do nome do ex-governador pernambucano, Eduardo Campos, na disputa presidencial pelo PSB, seu partido. Cada eleição tem suas particularidades, mas até hoje, em Goiás, não se associou o desempenho de candidato de lá com performance de candidato daqui.
O exemplo mais sintomático dessa dissociação de candidaturas nacionais com domésticas é a eleição de 2002. No Brasil, resultado de uma incrível onda vermelha, Luiz Inácio Lula da Silva derrotou José Serra (PSDB). Em Goiás, o companheiro de Lula na disputa pelo governo estadual, a petista Marina Santana, recebeu apenas 15% dos votos válidos. A vitória foi de Marconi Perillo, do mesmo PSDB de Serra. E tem mais: se a onda Lula não levou Marina a surfar na eleição doméstica, Marconi foi reeleito naquele ano já no primeiro turno.
Mesmo que se olhe para outras eleições, o resultado sempre escancara a dissociação no desempenho dos candidatos a presidente e a governador. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi reeleito no primeiro turno com avassaladores 66% dos votos dos goianos. O segundo colocado, Lula, teve somente 20%. Na disputa estadual, Marconi Perillo e Iris Rezende fecharam o primeiro turno praticamente empatados, com ligeira vantagem para o tucano.
O inverso é verdadeiro, vez ou outra: o bom desempenho do candidato local empurra votos para o candidato a presidente. Foi o que aconteceu de forma bastante clara nas eleições de 2006. De um lado, e do alto de uma estupenda popularidade, que resultou numa eleição para o Senado com nada menos que 76% dos votos, Marconi Perillo sobrou para “eleger” o candidato ao governo, Alcides Rodrigues, e fez de Geraldo Alckmin vitorioso contra o reeleito Lula.
Pulando o Rio Paranaíba, em Minas Gerais, Estado cuja população tem muitas semelhanças e particularidades sociológicas com os goianos da região central, também se observa o distanciamento do eleitorado em relação às disputas estaduais e nacionais. Em 2010, quando Dilma Roussef foi eleita, acusou-se o PSDB mineiro de cruzar os braços e deixar a candidatura de José Serra naufragar. Se houve corpo mole ou não, é problema interno dos tucanos de lá, mas a verdade é que o ex-governador Aécio Neves foi eleito para o Senado e ainda ajudou a emplacar Antônio Anastasia no governo estadual. Serra apanhou feio de Dilma.
Cenário atual
Isso significa que Vanderlan Cardoso deve esquecer qualquer possibilidade de receber influência eleitoral do presidenciável Eduardo Campos na sua campanha pelo governo do Estado? Sim, e não. Historicamente, não há como se animar com a perspectiva. Não só pelas razões acima, mas também pela situação atual do pernambucano, que se arrasta na terceira posição nas pesquisas eleitorais. A única esperança de Vanderlan é que ocorra este ano algo atípico, com possível transferência de prestígio do candidato nacional para o candidato local. Pode acontecer, mas se acontecer vai entrar para a história.
O mesmo vale para Antônio Gomide, do PT da presidente Dilma, que vai buscar a reeleição. Se Lula que era o Lula, em 2010, no auge de sua popularidade, não conseguiu empurrar Iris Rezende pra cima de Marconi Perillo na disputa goiana, não será Dilma que vai conseguir carregar Gomide. Talvez o contrário seja mais fácil, caso o anapolino consiga deslanchar o suficiente na campanha estadual para sobrar um pouco de prestígio eleitoral dele para a reeleição de Dilma.
Igualmente Marconi não dependerá de Aécio, mas Aécio terá que torcer para que seu colega tucano consiga votação suficiente para que ele próprio receba uma carga hereditária nas urnas de Goiás. Mesma situação de Iris ou Friboi, pelo PMDB, que não vão contar com nada de origem nacional a não ser uma pequena confusão que poderá ser gerada na cabeça do eleitor com a confirmação de candidatura própria do PT ao governo estadual: haverá palanque duplo para Dilma ou palanque dissidente do PMDB? É algo que terá que ser resolvido de agora até a campanha.

O que muda com a volta de Iris ao processo eleitoral

bastidores.qxd

Iris Rezende chegou a falar que não seria mais candidato ao governo de Goiás se o PT lançasse candidato próprio, no caso o prefeito de Antônio Gomide, de Anápolis. Antes, disse que não iria disputar convenção contra Jr Friboi. Pois Gomide (ou pelo menos é isso o que dizem os assessores e o irmão dele, deputado federal Rubens Otoni) continua a preparação para deixar a Prefeitura no final da tarde de hoje, e Friboi (via assessores ou meros torcedores) garante que tem fôlego para brigar pela candidatura ao governo até na convenção, se for o caso. E, então, Iris anuncia que está no jogo. Esqueça-se tudo o que foi dito antes. Vale a última versão, anunciada agora a pouco no escritório de Iris, na avenida T-9, em Goiânia.

E agora? Por partes.

A primeira delas é saber se o simples anúncio de Iris vai fazer com que Gomide repense sua renúncia. Ou se ele manterá o que está programado para ver o que poderá acontecer depois. De qualquer forma, o anúncio de Iris ampliou o foco e as tensões políticas sobre Anápolis.

E no PMDB? Nada definido. Votos na convenção são fechados, e isso é um dilema para os 2 lados. Iris vai trabalhar com todo o seu poder de sedução. Ele não é páreo se o jogo for decidido na base da mala preta. Friboi só tem exatamente esse trunfo. E tem uma montanha desses trunfos. Mas como o voto é secreto, nunca se pode descartar traições, tanto de um lado quanto do outro.

Brasília não parece disposta a definir a parada. Iris esteve lá e conversou com o presidente Valdir Raupp. Voltou sem nada na mão além de uma pesquisa Ibope encomendada pelo comando do PMDB. Que, é claro, lhe é favorável.

Em resumo, o anúncio de Iris zerou mais uma vez o processo. No final da tarde de hoje, Gomide vai dizer o que pretende fazer com a bola que rolou para os seus pés.

E depois de hoje? Bem, depois de hoje ainda haverá várias sextas-feiras pela frente. E segundas, terças, quartas…

Candidatura de Gomide recebe sinal verde em Brasília

Renúncia ao mandato de prefeito está marcada para sexta-feira, 4

O prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, venceu hoje a segunda etapa rumo à candidatura ao governo de Goiás. Em Brasília, ele recebeu sinal verde do presidente nacional do PT, Rui Falcão, para tocar o barco rumo à correnteza braba da disputa. Restam mais dois lances.

Gomide e Rui Falcão

O primeiro é deixar a Prefeitura. Na agenda dele, a renúncia ao mandato que vai até dezembro de 2016, será sexta-feira, 4. Depois disso, é esperar pelas convenções partidárias, marcadas para junho, que deverá homologar decisão já tomada pelo PT goiano em encontro regional. Ou seja, o que faltam são apenas formalidades legais.

E daí? Daí que não será uma eleição fácil. A maior votação do PT em disputas pelo governo do Estado de Goiás foi cerca de 15% dos votos válidos (com Marina Santana, em 2002). E as pesquisas atuais não são nenhuma maravilha animadora. Ele está hoje nas últimas posições. Ou seja, pra ser governador em outubro vai ter que remar uma barbaridade. Mas é claro que todos os candidatos tem problemas. Alguns em uma área, outros em questões localizadas e assim vai.

Gomide se apresenta atualmente com dois bons trunfos eleitorais. O primeiro é a boa avaliação de sua administração como prefeito de Anápolis, segundo maior colégio eleitoral do Estado e, sem dúvida, politicamente mais importante cidade do interior. O segundo ponto positivo dele é a empolgação de sua militância. E olha que tem torcida a favor de Gomide aos montes, mas apenas em Goiânia e em Anápolis. Em algumas regiões do Estado, o PT praticamente não existe. Esse é um obstáculo importante que Gomide vai precisar vencer para realmente se tornar bastante competitivo na disputa deste ano.

Há um outro problema, que poderá ser amenizado ou não até junho: o tempo de rádio e TV, a tal propaganda eletrônica. Até aqui, todos os grandes partidos, donos de boas fatias do horário, ou tem candidato ao governo ou estão próximos de outras coligações. O PT por enquanto está praticamente sozinho. Se conseguir ganhar o apoio do velho parceiro, o PMDB, Gomide irá imediatamente para o céu no que se refere às coligações. Mas, pelo menos neste momento, essa é uma possibilidade tão remota que nem da pra comentar. Aliás, se é ruim para o PT não ter o apoio do PMDB, também é muito ruim para o PMDB não poder contar com o apoio do PT.

Ronaldo Caiado pode voltar a compor com base aliada

 
Ronaldo Caiado: com exatamente o mesmo roteiro de 2010
Afonso Lopes
Não será a primeira vez. O principal líder do DEM, Ronaldo Ca­iado, é, para usar frase comum na política goiana, useiro e vezeiro do voo solo no exercício do mandato e do voo coletivo nas eleições. Aliás, não é somente ele que age assim, não. A grande maioria dos deputados estaduais e federais, inclusive prefeitos e vereadores, fazem exatamente a mesma coisa, embora Caiado seja um dos poucos a abrir o jogo e suas posições tão logo as urnas são fechadas. Os demais, geralmente, ficam no chove-não-molha de idas e vindas de momento.
Difícil entender o jogo cifrado da maioria? Não. Basta puxar rapidamente pela memória sobre prefeitos que estabelecem relações quase afetivas politicamente com governadores e quebram todo esse encanto às vésperas de eleições. Ou vereadores que, eleitos pela base do prefeito vencedor, usam qualquer momento difícil para amolar a faca no pescoço do prefeito aliado para assim conquistar mais cargos ou obras para seus redutos. Os exemplos se estendem aos demais níveis de mandato.
Nesse sentido, portanto, o deputado Ronaldo Caiado é de uma coerência sem igual, e poucas vezes explicitadas no mundo político. Ele faz o caminho de Santiago da Compostela invertido: ganha a eleição com o governo e se afasta logo depois. Geralmente, o que se vê diariamente é quem se elege na oposição, mas caminha rapidamente para o templo do vencedor em seguida.
Origem 
É curioso observar Ronaldo Caiado novamente junto ao grupamento que está no poder em Goiás? De maneira alguma. Caiado é um dos fundadores da união que resultou no definitivo fortalecimento desse eixo político. Em 1996, na disputa pela Prefeitura de Goiânia, pela primeira vez na história política de Goiás os grandes partidos que faziam oposição à hegemonia do PMDB irista se uniram em torno da candidatura do ex-prefeito Nion Albernaz, do PSDB.
Caiado resistiu o quanto possível e apostou praticamente tudo em uma candidatura própria, Sandes Júnior. No último momento, ao ver que levaria o DEM para o isolamento total e isso fortaleceria o PMDB e o PT, que comandava a Prefeitura com Darci Accorsi, Caiado aceitou a tese da grande união oposicionista. Chegou a indicar Sandes Júnior como vice de Nion, mas Sandes já estava com um pé no apoio à candidatura do PMDB. A deputada federal Maria Valadão foi então indicada para o cargo.
Foi desse eixo que nasceu o chamado Tempo Novo, que em 1998 transformou um tema de campanha em mote de autêntico movimento político. Hoje, dezenas de siglas, muitas das quais apoiavam o PMDB na época, pululam em torno da base original, criada por PSDB, DEM, PP e PTB.
Mas Caiado estaria sendo incoerente por ter se distanciado desde 2010 do Palácio das Esmeraldas e novamente abrir a possibilidade de aproximação, como, aliás, aconteceu também no processo eleitoral de 2010? Aparentemente, sim. Na verdade, não.
Fora o fato de ser um dos fundadores da base aliada estadual, um dos únicos democratas que se afastou do Palácio das Esmeraldas foi ele, Caiado. Todos os demais, de deputados estaduais a prefeitos e vereadores, permaneceram na aliança. E ele sempre aceitou esse fato, embora tenha total domínio interno. Poderia, como ocorre algumas vezes em outros partidos, expulsar quem não o acompanhasse. Alguns saíram do DEM, é verdade, como o deputado federal Vilmar Rocha, que se aproveitou do momento de criação do PSD e se mandou para lá. Mas não se sabe de nenhuma censura pública de Caiado contra deputado, prefeito ou vereador do DEM que continuou na base aliada.
Mas essa militância pós-eleição numa espécie de limbo oposicionista não seria uma forma velada de oportunismo? Poderia ser, sim, se Caiado rompesse nos momentos de crise. Não é isso o que aconteceu. Ele se separou antes mesmo da formação da equipe de governo. Simplesmente, negou-se a desfrutar do poder que ajudou a conquistar. Além disso, apesar de ser dono de um dos discursos mais inteligentes e agressivos da política estadual, jamais fez oposição acirrada à base. Nem ao governo e nem aos democratas que não o acompanharam.
Então, por que agora ele sinaliza que pode voltar a integrar a base que renegou nos anos de mandato? Porque o momento não é mais de atuação pessoal, mas partidária. Agora, não é mais Ronaldo Caiado, mas o DEM, principalmente. E caberia a ele dois caminhos: ou resolver sozinho e empurrar a decisão para baixo, ou permitir que a maioria indique o caminho. Inédito? De jeito nenhum. Exatamente o mesmo retrato de 2010. Tudo detalhadamente igual.
Em 2010, Caiado fez tudo o que era viável para conduzir o DEM para a terceira via, aquela que se revelou uma aventura fracassada patrocinada pelo Palácio das Esmeraldas contra o eixo liderado por Marconi Perillo. No último momento, como aconteceu em 1996, recuou para a maioria. Como novamente deve acontecer agora em 2014.
Caiado se viabilizou para disputar o Senado. A chapa de Marconi está praticamente pronta, com ele próprio na reeleição, José Eliton como vice e Vilmar Rocha para o Senado. Então, esse agora é o ponto que será discutido e negociado. São quatro nomes e três cargos, sendo duas indicações para somente uma vaga de senador. O DEM, certamente, vai lutar pela candidatura ao Senado, com Ronaldo Caiado. Pelo andar da procissão, pode funcionar. Nesse caso, pesaria bastante a agregação de votos, especialmente numa eleição que todos percebem antecipadamente como acirrada. Sobraria José Eliton, que cederia espaço na vice para Vilmar e reforçaria a chapa de deputado federal.
Mas Caiado como candidato ao Senado seria um reforço ou um peso? Ambos. Reforço para a base aliada e peso-pesadíssimo se ele, como candidato, comprar a briga pelos interesses dos aliados, o que inclui seu próprio DEM.

A recuperação de Marconi

Não se pode falar em favoritismo, mas pesquisa Fortiori indica que o governador está no jogo e pode vencer mais uma vez
Fernando Leite/Jornal Opção
Governador Marconi Perillo: a oposição chegou a dá-lo como derrotado, quadro
que mudou consideravelmente hoje
Afonso Lopes
Nem o mais pessimista oposicionista conseguiria prever que o quadro eleitoral preparatório deste ano encontraria Marconi Perillo (PSDB) virtualmente pronto para disputar com reais chances de vitória novo mandato de governador. Os otimistas da oposição diziam que o tucano “já era”, que seria fácil vencê-lo nas urnas. Isso se ele “tiver a coragem de se candidatar ao governo”, completavam. Pois é, mas pesquisa feita pelo instituto Fortiori no início deste ano mostra um quadro completamente diferente desse pintado nas ondas otimistas dos grupos oposicionistas. Marconi “apanhou” como nunca havia “apanhado”, mas não foi a nocaute. Ao contrário, voltou a ter condições de vencer mais uma vez.
Quando a pesquisa encomendada pela rede Sucesso de rádio foi divulgada, o jornalista e presidente do Fortiori, Gean Carvalho, que tem especialização superior em estatística, disse que o governador estava recuperado e reunia novamente condições de disputar a eleição deste ano. Esta semana, o Jornal Opção voltou a conversar com Gean, e seu diagnóstico está levemente alterado. “Aquele quadro era de janeiro. Hoje, é melhor. O levantamento mostrou que o governador não apenas tinha novamente voltado ao jogo (eleitoral), mas que ele permanecia em recuperação”, explicou.
Isso significa que Marconi já pode ser considerado como favorito nas eleições. Gean diz claramente que a situação atual é melhor do que a registrada em 2010, quando ele venceu o primeiro turno com 10% de vantagem sobre o segundo colocado, Iris Rezende, e foi eleito no segundo turno com quase 6% de votos a mais que o peemedebista. “Mar­co­ni ainda não bateu no teto e as próximas pesquisas vão definir melhor esse quadro geral”, disse Gean.
Duramente golpeado, mas não nocauteado 
Os oposicionistas subestimaram Marconi Perillo? Sim e não. Revendo a situação de 2011, primeiro ano de governo, nem os aliados do governador se sentiam confortáveis. Rodovias abandonadas, sem condições ao menos razoáveis de uso, escolas caindo aos pedaços, servidores com salários atrasados pelo governo anterior, dívidas acumuladas e vencidas, além de uma forte demanda reprimida de material de consumo rotineiro nas repartições públicas e um déficit potencial de R$ 2 bilhões diagnosticado pela área financeira do Estado. Isso aliado ao sucateamento de “joias” das administrações desse grupamento, que chegou ao poder nas eleições de 1998, como as unidades de Vapt-Vupt, e o abandono dos programas de proteção e de inclusão social. Os próprios governistas deixavam escapar que Marconi andava macambúzio, quase desanimado. Os pessimistas viam ali o fundo do poço, sem possibilidade de retorno à superfície.
Se o cenário era péssimo administrativamente em 2011, um ano depois o quadro político também foi destroçado pelas denúncias contra o então senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. Demóstenes tinha natural influência, como acontece em todos os governos de coalizão, e indicou, soube-se depois, alguns nomes ligados a Ca­choeira. Em Brasília, como a orientação era “pegar” Marconi, bastou unir as coisas e o inferno astral se aliou ao fraco desempenho administrativo do ano anterior. Um arraso quase total.
Foi nesse momento que a oposição pode ter cometido um grave erro de avaliação. O mais grave de todos na política: subestimar a capacidade de reação. Marconi tinha sido duramente golpeado, mas não havia sido nocauteado, como julgavam. Ao contrário, foi nesse momento que seu governo e ele próprio iniciaram uma trajetória completamente oposta.
Sem dinheiro suficiente para levantar a administração amarrada pelo governo anterior, Marconi concentrou esforços em Brasília. É lá onde se concentram 70% de todos os impostos pagos pelos brasileiros (os Estados ficam com 25% e as cidades, 5%). Apesar de ser filiado a um partido que faz o­po­sição ao governo federal, Mar­co­ni conseguiu muito mais recursos nesse endereço do que, por exemplo, a administração de Al­ci­des Rodrigues, que se vangloriava por erguer palanques, em Goiânia, para o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O segredo de Marconi nesse aspecto pode estar em dois pontos: primeiro, completou bem o chamado dever de casa, corrigindo distorções encontradas no campo fiscal, e, em segundo lugar, procurou manter uma relação respeitosa e republicana com a presidente Dilma Roussef, que, mesmo sem recebê-lo em audiência particular, atendeu inúmeros pedidos do governo de Goiás.
Os oposicionistas mais afoitos levantaram, nessa época, inúmeras bandeiras administrativas contra Marconi e seu governo. Um erro crasso diante da experiência administrativa acumulada pelo governador. A primeira saraivada de críticas foi na Educação, graças a prédios escolares caindo aos pedaços. Aos poucos, essa situação mudou completamente, apesar de movimento grevista dos professores ter criado forte crise de imagem para o governo.
A segunda bandeira oposicionista foi o estado de abandono das rodovias estaduais. Dia sim, e dia não também, ouviram-se discursos in­flamados sobre os riscos de acidentes, desconforto, comprometimento do escoamento de safras e prejuízos causados pelas estradas esburacadas. Esse argumento também caiu por terra diante de um grande programa que recuperou, reconstruiu e abriu novas rodovias no Estado.
Comparação a ele mesmo
Há ainda questões não totalmente superadas, como certo grau de insatisfação registrado entre servidores públicos. Aqui, pesa muito o padrão de comparação com os governos anteriores do próprio Marconi. Antes dele, até 1998, os salários eram irrisórios e passavam por intermináveis atrasos. Ou seja, não há como comparar. Depois, no governo de Alcides Rodrigues, o final melancólico deixou como herança para 2011, mais uma vez, compromissos salariais atrasados e o adiamento por quatro anos de reposição da chamada data-base. O governo atualizou novamente o pagamento dos servidores, e tem quitado a data-base, embora de maneira parcelada. Mais uma vez, não há parâmetros para comparar o tratamento recebido pelos servidores no governo imediatamente anterior com o que se vê atualmente.
É exatamente nessa comparação, ou a falta dela em relação aos outros governos, onde se registra um certo desconforto entre os servidores e a administração. Marconi está sendo comparado com o próprio Marconi. Se antes ele concedeu aumentos que recuperaram historicamente os salários aviltantes de tempos passados, o que mudou? Mudou o patamar. Antes, servidores com salários abaixo do mínimo recebiam complementações. Hoje isso não existe mais. A imensa defasagem, que sempre existiu, diminuiu a níveis muitas vezes menor.
Se o quadro geral da pesquisa Fortiori em todo o Estado é favorável ao governador, em Goiânia e em Aparecida de Goiânia registra-se um descompasso. Os oposicionistas se animam exatamente por causa desses índices menos positivos para Marconi. Mas Gean Carvalho, do Fortiori, discorda: ¨O que se tem é o mesmo que se tinha em 2010, quando Marconi perdeu em Goiânia e em Aparecida. Isso não o impediu de vencer o primeiro turno com 10% e o segundo com 6%. Nada mudou nesse sentido.”
Marconi é favorito? Não, não é. É certo que, na pior das hipóteses, nenhum oposicionista tem a coragem de dizer que se as eleições forem definidas em dois turnos, uma das vagas não será dele. Então, para quem foi considerado nocauteado, Marconi não apenas voltou ao jogo. Ele pode vencer. De novo.