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Retiradas de ações na Justiça: abertura de diálogo?

2º turno: o jogo continua

Os goianos retornam às urnas no último domingo deste mês, dia 26, para escolher novamente quem deve governar o Brasil e quem deve governar Goiás. Dilma Roussef e Aécio Neves repetem a eterna rivalidade entre PT e PSDB. Marconi Perillo e Iris Rezende repetem a eterna rivalidade entre eles mesmos. Tudo igual? Não exatamente igual.

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O 2º turno das eleições é uma nova eleição, mas não começa do zero, como  no 1º turno. E a razão é simples: quem votou em um dos dois classificados para o turno final logicamente tende a repetir o voto no 2º turno. Então, a eleição agora partirá desse patamar obtido no 1º turno.

Outro viés que deve ser observado inicialmente são as curvas dos candidatos na comparação entre as pesquisas pré-eleição e o resultado das urnas. Essas curvas, apesar dos “erros” dos institutos, podem estar revelando tendências que restam ser comprovadas ou não. É isso que torna as eleições nacional e regional diferentes.

Transferência de votos – Outro ponto que sempre causa discussão é sobre o patrimônio eleitoral dos candidatos que não conseguiram chegar ao 2º turno. Existe uma tendência natural de se somar esses votos, e por isso há uma intensa negociação dos classificados com os derrotados.

Apesar da tendência, esse fato, a migração de votos, não é líquida e certa, infalível. Aliás, historicamente, apenas uma única vez um candidato desclassificado para o 2º turno conseguiu convencer seus eleitores a votar em outro candidato no 2º turno. Foi Leonel Brizola, em 1989, que acabou em terceiro lugar e apoiou Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno. No Rio de Janeiro, Brizola conseguiu transferir seu prestígio eleitoral para Lula totalmente.

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Se não há essa transferência/soma de votos do 1º para o 2º turno, as negociações que visem apoios são uma bobagem? Longe disso. Muito longe. Há, sim, um pequeno percentual de eleitores que acompanham seus candidatos desclassificados no 2º turno, mas o principal é o aumento do volume de  campanha e da militância. Ganha-se em argumentos também. Portanto, receber o apoio dos candidatos que não se classificaram para o 2º turno é importante do ponto de vista global das campanhas. Se não no aspecto direto, dos votos, com certeza no aspecto político.

Mário Covas

Viradas no 2º turno – Em 90% das eleições decididas em 2º turno, repetiu-se a ordem de chegada dos candidatos obtida no 1º turno. Ou seja, quem ganhou na primeira, ganha também na segunda. Em 10% das eleições, aconteceram viradas: quem chegou atrás conseguiu ultrapassar o primeiro colocado e vencer. maluf-450_linkO maior e mais acabado exemplo de virada eleitoral entre o 1º e o 2º turno é o de Mário Covas, em São Paulo, contra Paulo Maluf. Em 1998, Covas chegou em 2º lugar com mais de 1 milhão de votos de desvantagem, uma diferença fantástica mesmo em um eleitorado imenso como o paulista. Foi reeleito.

Iris e Aécio tem esse baita desafio pela frente. E ao contrário do discurso de ambos, vão ter que trabalha intensamente para reverter o placar do 1 turno.

Aécio – O final do 1º turno é amplamente favorável, enquanto quadro eleitoral estático, ao candidato do PSDB. Ele estava com menos da metade dos votos que obteve há cerca de 1 mês. Ou seja, ele veio ganhando eleitores aos montes. Mas, repetindo, esse quadro enquanto resultado final é estático, parado. O 2º turno é uma nova eleição a partir do patamar final do 1º turno. E só. Não significa que ele vai continuar ganhando eleitores no mesmo ritmo e nem que a presidente Dilma não aumentará seu eleitorado. O jogo não foi zerado. O que houve foi simplesmente uma prorrogação.

Aécio terá que ganhar mais 8,04% de eleitores para empatar com Dilma. Somente a partir daí é que ele começará efetivamente a disputar a eleição contra a presidente. É possível? É, mas não é fácil.

Iris – A tarefa de Iris Rezende contra Marconi Perillo é ainda mais difícil. Marconi não conseguiu atingir a barreira dos 50% dos votos para vencer no 1º turno – faltaram menos de 5% dos votos válidos -, mas a votação de Iris ficou abaixo dos 30%. Iris terá que crescer 17,46% para empatar com Marconi, e só após esse patamar é que estará em condições de disputar realmente o 2º turno contra o adversário.

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De qualquer forma, e como o eleitorado não é estático, ao contrário do resultado final do 1º turno, Dilma e Marconi devem pisar no acelerador imediatamente. Isso porque eleições são decididas muitas vezes pelas tendências. Se Aécio e Iris criarem essa tendência de crescimento constante, como aconteceu com o tucano na reta final do 1º turno, é difícil segurar a onda. Se, ao contrário, Dilma e Marconi se mantiverem à frente e também crescerem, evitarão que se crie a onda da virada, que onde bate sempre provoca uma mudança e tanto.

Tudo pode acontecer no 2º turno? Sim, pode. Mas nesse “tudo” deve-se levar em conta também o “nada”. Aécio e Iris precisam de “tudo” e mais um pouco para repetirem o feito histórico de Mário Covas em 1989. E viradas são tão difíceis que são raras, e por serem raras se tornam históricas.

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Haverá 2ºturno ou não? Eis a dúvida

 

Para candidatos, militância e simpatizantes, este domingo vai ser cheio de emoções. E de decepções, também

Por um dos sistemas de votação mais modernos do mundo, a urna eletrônica, Goiás conhecerá seus eleitos

Por um dos sistemas de votação mais modernos do mundo, a urna eletrônica, Goiás conhecerá seus eleitos

Para milhares de pessoas, entre candidatos, militantes e simpatizantes, o dia de hoje só vai terminar nas primeiras horas da madrugada de segunda-feira, 6. Será quando provavelmente a Justiça Eleitoral já terá apontado eleitos e não eleitos, vencedores e derrotados. Um longo dia que apresentará o resultado final de um incessante trabalho de vários meses. E o que virá das urnas? Ninguém sabe, mas todos tem ao menos uma ideia do que poderá vir. Os processos eleitorais são bastante complicados, mas geralmente não reservam muitas surpresas. Elas ocorrem, claro, mas são muito raras.

Tempos modernos também nos processos eleitorais. O sistema mudou muito desde o retorno das eleições diretas para governadores, no início dos anos de 1980. Naqueles tempos, o voto era depositado em urnas de lona. O cidadão chegava na seção de votação, recebia um pedaço de papel, que se chamava cédula, e escrevia o nome ou o número de seus escolhidos. No final do dia, essas urnas eram reunidas em grandes espaços, geralmente quadras cobertas, e passavam a noite sob vigilância de soldados do exército. Ao amanhecer, iniciava-se a apuração dos votos. Urna por urna, voto por voto. A soma total era então transcrita num mapa geral da urna, um resumo. Em seguida, outra turma de apuradores somava os mapas e apresentavam, finalmente, o resultado final daquela zona eleitoral. Esse ritual todo era repetido simultaneamente em todas as demais zonas até chegar à apuração final da cidade, do Estado ou do país. Aliás, a apuração nacional só surgiu alguns anos depois, já no final dos anos de 1980, com o retorno também das eleições diretas para presidente da República.

Uma trabalheira infernal que levava alguns dias para ser concluída. E era tão precário o sistema de apuração que as fraudes eram rotineiras. Alguns candidatos conseguiam colocar simpatizantes/funcionários no processo de afunilamento dos mapas de apuração, que continham os nomes de todos os candidatos. E como era necessário somar vários mapas de urnas e transcrever essas somas num mapa maior, era possível “errar” na transcrição e dar votos a candidatos não votados, principalmente na enorme lista de candidatos aos legislativos. Isso tudo acontecia apesar dos exércitos de fiscais de apuração que os partidos mantinham em cada mesa de apuração.

Quanta diferença para o funcionamento da Justiça Eleitoral brasileira hoje em dia. O cidadão agora vai à seção eleitoral, se identifica, e segue para a cabine de votação. Encontra uma maquininha pronta para receber os números que ele digita como se estivesse num telefone qualquer, com cada número representando um candidato ou partido. No final do dia, basta retirar digitalmente os votos de cada urna e somá-los rapidamente em um computador central. Em pouco mais de alguns segundos se obtém resultados que antes só seriam conhecidos após vários dias.

É um sistema seguro? Há controvérsias, mas aparentemente, sim, é muito seguro. É óbvio que muitas pessoas desconfiam que os resultados podem ser fraudados. Não mais como antigamente, na ponta do lápis, mas virtualmente. Vez ou outra surge alguém acusando que seu voto, normalmente exótico — em um candidato sem qualquer expressão —, sumiu. No geral, porém, o mundo político aceita muito bem o sistema atual, e se aceita é porque confia nos resultados apresentados pela Justiça Eleitoral brasileira
É por tudo isso que hoje será um longo dia, e não o início de uma longa semana ou quinzena. Logo mais, nas primeiras horas de segunda-feira, Goiás provavelmente já conhecerá seus 59 ou 60 candidatos eleitos. Vão ser 41 deputados estaduais, 17 deputados federais, um senador e um governador, ou dois classificados para um 2º turno.

As últimas pesquisas eleitorais indicam que o governador Marconi Perillo (PSDB) está tecnicamente, dentro da margem de erro, com condições de ser reeleito já no 1º turno. Essa, por sinal, é a grande dúvida desta eleição: essas margens de erro vão funcionar para mais, como torcem os governistas, ou para menos, como sonham os opositores? De qualquer forma, inclusive entre os opositores, há unanimidade quanto ao fato de que, em eventual 2º turno, uma das vagas será de Marconi. A outra, apontam as pesquisas, será de Iris Rezende (PMDB), apesar da crença de Vanderlan Cardoso (PSB) e Antonio Gomide (PT) de que vão conseguir ultrapassar o peemedebista. A eleição vai terminar hoje, no 1º turno, ou haverá 2º turno? A decisão é sua, minha, de todos nós.

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Debate TV Anhanguera: opositores não tinham bala de prata

Líder nas pesquisas de todos os institutos, com a maioria inclusive apontando para possibilidade de vitória já no 1º turno, o governador Marconi Perillo foi ao último grande momento da campanha eleitoral, ontem, na TV Anhanguera/Rede Globo, com o único objetivo de se manter “vivo”. Deve ter saído satisfeito com o próprio desempenho. Ele não apenas sobreviveu aos ataques e questionamentos dos adversários como fez e sambou sobre todos os temas propostos.debate TV - 1Tanto que nas redes sociais após o debate, militantes e simpatizantes das candidaturas de oposição se apegaram a um fato extra-debate – uma postagem de blogueiro que conteria uma “ameaça velada” ao candidato do Psol, professor Wesley. Sobre o debate em si, pouquíssima repercussão.

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Confusos e equivocados – Disparadamente, os dois melhores debatedores foram Marconi Perillo e Antônio Gomide. Ambos falaram sem atropelar as palavras, de maneira clara e concatenada. Eles deram um “passeio” sobre os demais. Ambos demonstraram estar muito melhor preparados que seus adversários.

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Iris Rezende, que em seu programa eleitoral de 2ª feira, acusou Marconi Perillo de estar sendo investigado no STJ, Superior Tribunal de Justiça, de manter contas no exterior (leia post neste site), não tocou no assunto. Em seus primeiros momentos, transpareceu certo descontrole. Iris, um debatedor de peso, esteve muito aquém do que se esperava dele. Transmitiu imagem cansada, sem pegada, e às vezes confuso.

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Vanderlan Cardoso bem que tentou, mas gaguejou muito todas as vezes que precisou sair do script que ele seguiu durante a campanha, baseado num tal “plano de metas”. Quando abordava temas pertinentes ao plano, conseguia desenvolver bem a linha de raciocínio. Demonstrou disposição, mas preparação equivocada para um debate. Por exemplo, ao apresentar um questionamento em que foi surpreendido pela resposta. Sua “bala de prata” no debate de ontem era usar palavras ditas por Marconi Perillo em 1998 contra as pesquisas. Fez a pergunta e se enrolou com a resposta que soou como um direto no queixo dele. Marconi reafirmou o que havia dito em 1998 e ainda saçaricou sobre Vanderlan: “Fique tranquilo, candidato, a pesquisa que vale mesmo é no domingo (dia da eleição)”. O erro de Vanderlan nessa pergunta foi elementar: não se pergunta nada sem saber exatamente o que o adversário irá responder. Na preparação, deve-se levar em conta todas as possibilidades de resposta. Vanderlan, que esperava constranger Marconi, acabou constrangido.

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O último debatedor, professor Wesley, do Psol, era um estranho nesse ninho de cobras criadas. (E só estava lá graças a pesquisa Ibope que o colocou com 1% a mais do que Antonio Gomide — correção: o candidato do Psol foi convidado porque o partido tem representação no Congresso Nacional, critério utilizado pela organização do debate). Nesse caso, seria muito melhor assistir a candidata do PCB, a também professora Marta Jane, debatedora que se revelou bastante eficaz nas eleições de 2010. Ou, para ficar no próprio Psol, o professor Pantaleão. Wesley tentou acertar a mutamba em praticamente todos os adversários, mas parecia estar usando um graveto e não um porrete.

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No final, a impressão que ficou é que, no geral, os opositores fizeram um enorme “rastro de onça” sobre os debates, mas não souberam ou não conseguiram levar Marconi a nocaute. Gomide saiu maior do que entrou e os demais poderiam ter ficado em casa. Talvez pudessem ganhar mais com a própria ausência. Quanto à organização do debate, pra lá de aprovada, desde a apresentação até a formatação dos blocos, que privilegiou o debate entre os candidatos do início ao fim. Nota 10, sem qualquer reparo. (Fotos: site O Popular)

Marconi e Iris

Opositores dependem de fato novo, Marconi só tem que evitar nocaute

Seja pela importância direta da emissora, seja pela abrangência do grupo de comunicação ao qual ela pertence, o maior do Centro-Oeste e um dos maiores do Brasil, é inegável que o último grande momento da campanha eleitoral deste ano vai acontecer logo mais à noite, na TV Anhanguera. Trata-se do debate entre os candidatos ao governo de Goiás.

Foto: site O Popular

Foto: site O Popular

As expectativas de cada grupo são distintas. Para os opositores, a dependência de algum fato novo realmente impactante é notável. As pesquisas, todas elas, indicam que o governador Marconi Perillo tem condições de vencer as eleições já no 1º turno. O debate da TV Anhanguera é a última tentativa, a última bala de prata dos opositores para levar a decisão para o 2º turno. Já Marconi só não pode ser nocauteado. Fora isso, o que vier é lucro.

Ritmo – Não se deve esperar um debate serelepe o tempo todo. Há gente demais da conta. Eram quatro, mas graças a uma pesquisa Ibope que destoou de todas as demais publicadas até aqui, um quinto candidato foi incluído. Professor Wesley, do Psol, apareceu com 1% a mais que Antonio Gomide, do PT, no último levantamento do instituto. Como uma das diretoras do próprio Ibope admitiu ao jornal O Popular, do mesmo grupo da TV Anhanguera, que pode ter ocorrido um erro de amostragem, o jeito foi acrescentar mais uma bancada no debate.

Marconi e Iris

Com cinco participantes, nenhum debate se sustenta pela agilidade, obviamente. Nesse caso, vai depender muito do conteúdo. E é exatamente aí que está a chave de tudo: qual será a estratégia de cada candidato? É claro que os opositores devem malhar o governador, e é claro também que ele terá que se defender e não fazer cara de paisagem – a não ser nos ataques bobinhos e sem maiores consequências. As encrencas estão em se defender sem criar fato novo e atacar sem vitimizar. Não são tarefas fáceis.

Vanderlan

Decisivo – A última vez que uma eleição teve os debates como um dos principais fatores de definição foi em 1994. Depois disso, nunca mais o confronto entre os candidatos foi tão preponderante. Em 1998, por exemplo, Iris Rezende não participou de nenhum debate no 1º turno. E no 2º turno, a vaca dele já estava no brejo. Em 2002, nem 2º turno houve. No 1º turno, num momento exatamente igual ao atual, o debate da TV Anhanguera teve apenas os dois principais candidatos da oposição, Maguito Vilela e Marina Santana. E 2006, foram inúmeros debates, e quem ganhou a eleição foi exatamente o candidato com pior desempenho em todos eles, Alcides Rodrigues. Em 2010, os debates também não mexeram com o placar.

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Isso não significa que o debate de logo mais será apenas uma espécie de ritual histórico das eleições, sem qualquer relevância nas urnas. Pode ser que sim, mas pode acontecer alguma coisa que detone algum fato novo. Isso é condição sine qua non para que o debate de hoje não seja como todos os demais das últimas eleições.

Para o público em geral, pipoca na panela. Para os diretamente e emocionalmente envolvidos com a campanha eleitoral, é cruzar os dedos e esperar pelo último grande momento da eleição no 1º turno.

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Marconi Perillo: Vitória no 1º turno?

 

Restando apenas uma semana para a eleição, pesquisas registram tecnicamente a possibilidade de a eleição em Goiás terminar domingo que vem. Caiado é favorito para o Senado

conexao.qxdFora a certeza contaminada pelas emoções de um lado e de outro, a eleição deste ano para governador reserva um grande segredo para o último e decisivo momento. Tecnicamente, todos os institutos de pesquisa de opinião que sondaram os humores dos eleitores no Estado indicam que a eleição tanto pode terminar definitivamente no próximo domingo como se estender até o final do mês de outubro, com a realização de um 2º turno entre os dois candidatos mais bem votados. O governador Marconi Perillo (PSDB) aparece nessas pesquisas na faixa de 50% das intenções de voto, o que o coloca, dentro da chamada margem de erro para mais ou para menos oscilando entre a reeleição direta e uma nova rodada eleitoral.

Essa parece ser a última incerteza da atual campanha, a se julgar os números dos institutos. No mais, existe tamanha cristalização nos números dos candidatos que apenas um fato absolutamente imponderável inverteria as posições consolidadas ao longo de todo o segundo semestre deste ano, com Iris Rezende (PMDB) na segunda colocação, Vanderlan Cardoso (PSB) na terceira e Antônio Gomide (PT) colado logo atrás, no quarto posto.

Para o Senado, a disputa também parece definida. O deputado federal Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM, tem a eleição assegurada. Apesar de pequenas variações durante a campanha, ele jamais deixou de aparecer com larga vantagem sobre o também deputado federal Vilmar Rocha, do PSD, e Marina Santana, do PT. A única disputa que ainda existiria, segundo as pesquisas, seria sobre a segunda colocação, embora nas últimas semanas Vilmar tenha registrado uma frente sobre Marina pouco acima da margem de erro. Na eleição do Senado, não existe previsão de dois turnos, mesmo que o mais votado não atinja 50% do eleitorado. É eleito quem chegar na frente, independentemente do percentual de votos obtidos.

Inúmeros fatores podem interferir no resultado das eleições. Além dos fatos e aspectos políticos, até fenômenos naturais podem mexer com os números. Eleição com muita chuva, por exemplo, provoca um substancial aumento no número de eleitores faltosos. Muito calor também leva muitos eleitores para perto de bastante água, como piscinas e cursos de água, de preferência com cachoeiras.

De acordo com o site climatempo, no domingo, 5, dia da eleição, terá muito sol durante quase todo o período, podendo chover rapidamente em algumas regiões isoladas. E se a chuva promete não atrapalhar a votação, o eleitor pode ser preparar para um calorão danado, acima dos 30 graus, podendo bater em 33 graus em alguns lugares. Ou seja, no que depender da natureza, o eleitor não terá maiores problemas para ir às urnas.

Mas qual seria a previsão mais aceitável quanto ao comparecimento do eleitor nestas eleições? Difícil dizer, mas é razoável observar o comportamento dos eleitores em 2010, quando o índice de abstenção atingiu pouco menos de 18%. É um índice considerado bastante elevado num país que ainda mantém a obrigatoriedade do voto. Além disso, há eleitores que votam em branco ou anulam o voto, e em 2010 eles somaram outros quase 8%. Ou seja, 26% dos goianos não opinaram através de seus votos na eleição imediatamente anterior.

Ao contrário do que se pode pensar, porém, abstenção, brancos e nulos interferem muito pouco, se é que há interferência real, no resultado da eleição. Geralmente, todos os principais candidatos acabam perdendo intenções de voto proporcionalmente, mantendo a média geral de todos.
Isso posto, retorna a questão central sobre a duvida que persistirá até a noite de domingo que vem: Marconi vencerá no 1º turno ou ele e Iris Rezende vão se pegar até o último domingo de outubro, data prevista para, se necessário, a realização do 2º turno?

A resposta para a pergunta é absolutamente impossível neste momento, mesmo sem levar em conta qualquer tipo de acontecimento imponderável. Se o eleitor goiano ainda se comportasse como nos anos 1980, a resposta seria um pouco mais fácil e com alguma margem de segurança. Naquelas primeiras eleições pós-abertura, a sensação de vitória de algum candidato provocava uma debandada significativa do chamado “voto útil”, quando uma parcela de eleitores abandonavam suas intenções de voto iniciais para reforçar um candidato em melhores condições de vencer. Se esse tipo de comportamento ainda fosse dominante hoje em dia, certamente no domingo que vem Marconi seria reeleito no 1º turno.

De qualquer forma, se há dúvida se o governador vencerá de imediato, parece estar absolutamente cristalizada a tendência de que, se houver necessidade de 2º turno, Marconi Perillo poderá começar a campanha relâmpago, de apenas 15 dias, com uma vantagem que jamais havia conseguido. Em 1998, quando venceu pela primeira vez, ele e Iris iniciaram o 2º turno praticamente colados um no outro. Em 2010, a diferença foi de cerca de 10%. Este ano, conforme as pesquisas, deve ficar acima dos 15%. Ou seja, neste momento, e diante das perspectivas criadas a partir das pesquisas eleitorais ao longo de todo o processo sucessório, o governador Marconi Perillo jamais foi tão favorito contra Iris Rezende como nestas eleições. No 1º ou no 2º turno.

Retiradas de ações na Justiça: abertura de diálogo?

Conexão: Atirando pedras no lago

É fácil perceber quem está atrás nas pesquisas ou sob forte ameaça: é só observar quem promove ataques

Cada campanha eleitoral é uma história completa, com preâmbulo, início, meio, epílogo e fim. Cam­panhas não são, portanto, episódios de uma série interminável, que se arrastam por décadas sem conclusão alguma. Não. Todas as campanhas eleitorais se isolam completamente, mudando as narrativas, algumas vezes alterando também os personagens, e invariavelmente focando sempre o mesmo tema: a disputa pelo poder político-administrativo.

Ao se observar e comparar algumas campanhas, tem-se a tendência fácil de concluir pela semelhança e, assim, pela continuidade. Há alguns fatos este ano que evidenciam esse comportamento. A campanha de Vanderlan Cardoso (PSB), por exemplo, nasceu baseada na campanha de 2010, como se fosse uma continuidade. Talvez por isso esteja, neste momento, surpreendendo de forma tão negativa em relação aos índices de intenção de voto, bem menores do que a votação da eleição anterior, segundo todos os grandes institutos.

Há coisa de um ano, falava-se que Antônio Gomide (PT), popular prefeito na problemática cidade de Anápolis, seria uma espécie de Marconi Perillo de 1998. Naquele ano, como se sabe, o jovem Marconi, novo na grande seara dos caciques da oposição ao PMDB, foi lançado candidato e se transformou aos poucos numa febre de consumo eleitoral absolutamente irresistível, derrubando por terra um dos maiores mitos políticos de toda a história de Goiás, o até então imbatível Iris Rezende. Gomide, para muitos, e talvez também para ele, seria o próprio Marconi/98 re-escrito, como se a eleição daquele ano ainda estivesse com algumas páginas em branco.

Mas se cada eleição é uma eleição, que se en­cerra completamente sem restar uma só letra a ser acrescentada na próxima disputa, algumas a­ções se repetem. Afinal, o objeto do desejo é sem­pre o mesmo: a vitória. O enredo, em de­terminadas situações, quase não se altera. Neste caso estão as estratégias. Para cada momento, há uma lista de “obrigações” a serem cumpridas. Antes de colocar o bloco na rua atrás dos vo­tos, por exemplo, é necessário ganhar completamente o público interno. Quando não se agrada totalmente em “casa”, haverá sempre, e naturalmente, uma razoável dose de desconfiança também nas “casas” vizinhas. Esse não é um problema definitivo, que previamente condene ao fracasso eleitoral, mas é uma dificuldade que sempre deve ser levada em conta. Es­pe­cialmente nas campanhas atuais, em que se de­pende demais dos tempos de rádio e TV, além de uma excelente cobertura nas chapas de candidatos a deputado estadual e deputado federal.

Também é praxe estabelecer estratégias, sejam elas isoladas dentro do próprio grupamento seja no âmbito do segmento em que se situa a candidatura. Em 1994, as oposições se lançaram com dois fortíssimos nomes ao governo do Estado, Lúcia Vânia e Ronaldo Caiado. Absolutamente divorciados enquanto objetivo comum, se devoraram pelas bordas, enquanto Maguito Vilela, do governista PMDB, se fartou no centro da mesa e do prato eleitoral. No final, nem união no 2º turno ocorreu de fato entre os oposicionistas. Nem houve clima para se discutir essa junção de interesses.

Outro ponto que sempre é observado nas campanhas eleitorais é quanto ao formato. Disputas equilibradas tendem a resvalar na troca intensa de ataques, tanto no campo político como no, infelizmente, pessoal. Ao contrário, se um candidato se sobressai e assume uma boa vantagem sobre os demais concorrentes, criando assim uma real e perceptível perspectiva de vitória, a tendência é que ele evite ataques aos adversários para não criar nenhuma marola que possa vir a remexer as águas do lago eleitoral. O oposto é corriqueiro: candidatos que vislumbram o precipício da derrota eminente tendem a se tornar mais agressivos. É como se jogassem pedras no lago para, quem sabe, provocar alguma onda em que possam surfar. Esses aspectos das campanhas não mudam quase nunca. É fácil, portanto, saber quem lidera a corrida eleitoral e quem está com prévio gosto de possível derrota na boca. Basta observar o comportamento das campanhas.

Atualmente, a campanha de Iris, Go­mi­de e Vanderlan iniciaram uma série de ataques contra a campanha do governador Mar­coni. Se as marolas que estão sendo pro­vocadas por eles vão formar algum tipo de onda ou não, não há como saber. É cer­to que quem ataca geralmente tem muita di­ficuldade para crescer. Ao contrário, o agressor geralmente diminui as próprias chances. Mas é certo também que quem é atacado pode cair ou pelo menos parar de subir. Saber atuar bem para controlar as marolas criadas pelas pedras atiradas no lago eleitoral é fundamental. Se a campanha de Marconi vai conseguiu se defender na medida exata sem aumentar a marola do ataque, se fará sabido dentro de mais algumas semanas. Poucas semanas, pouquíssimas.

Em tese, o principal argumento de ataque de Iris é fraquíssimo. Escalar o caso Ca­choeira como artilheiro do seu time na esperança de virar o jogo eleitoral, obedecidas as pro­porções, seria o mesmo que escrever os no­mes dos jogadores da seleção de 1970 nas ca­misetas do time escalado por Felipão na Copa de 2014 na esperança de ga­nhar da Alemanha, no Mineirão. O que Iris e os demais opositores precisam é de algum fato realmente novo e deveras impactante, que forme uma onda instantânea. Pedras no lago remexem as águas eleitorais em forma de marolas, mas não abalam as margens. A oposição precisa de um tsunami.

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Reta Final: Meta da oposição é garantir 2º turno

Restando três semanas de campanha, objetivo principal dos opositores é evitar que Marconi vença já no 1º turno

Marconi Perillo (PSDB) é o favorito, mas precisa lembrar que eleições não são decididas pela frieza da análise

Marconi Perillo (PSDB) é o favorito, mas precisa lembrar que eleições não são decididas pela frieza da análise

Em 2010, Iris Rezende tinha apoio e perdeu. Em 2014... Vanderlan Cardoso: não conseguiu emplacar na disputa Antônio Gomide, o novato da disputa, só aparece como coadjuvante

Em 2010, Iris Rezende tinha apoio e perdeu. Em 2014…
Vanderlan Cardoso: não conseguiu emplacar na disputa
Antônio Gomide, o novato da disputa, só aparece como coadjuvante

Quem ainda tem fôlego para acelerar a campanha vai ter que usá-lo a partir de agora. Faltam apenas três semanas para a realização do 1º turno. Ao to­do, vão ser oito programas eleitorais, sete ainda este mês e apenas um an­tes do primeiro domingo de ou­tubro. Desde o início das sondagens de opinião pública, em julho do ano passado, pelo Serpes/O Popular, não se verificou nenhuma virada de posição entre os quatro principais candidatos. Quem mais deslanchou desde então foi o governador Marconi Perillo (PSDB), que aparecia com 25,7%, apenas 1,2% à frente de Iris Rezende (PMDB). Vanderlan Cardoso (PSB) tinha 9 pontos e Antônio Gomide (PT), 6.

Essa pesquisa, porém, não serve como parâmetro para as atuais porque abrangia uma relação de nomes bem mais ampla, como Ronaldo Caiado (DEM), que optou por disputar o Senado, e Júnior Friboi (PMDB), que renunciou à candidatura após violento processo de afunilamento interno no PMDB. Se não pode ser utilizada para a comparação direta, a pesquisa de julho de 2013 revela pelo menos o que aconteceu de lá até aqui. Marconi se apresenta atualmente na faixa próxima de 40% e Iris está situado em torno de 10 pontos atrás. Vanderlan e Gomide praticamente somam as mesmas intenções de voto que tinham antes.

Fôlego

Teoricamente, há tempo suficiente para provocar uma reviravolta legal no quadro sucessório atual. Pelo menos, em teoria, repita-se. Na prática, o tempo trabalha contra, principalmente Vanderlan e Gomi­de, que até agora cumprem apenas papel coadjuvante, como possíveis agentes provocadores de um 2º turno. E os problemas dos dois candidatos não é apenas o tempo que resta de campanha. De­ficiências não corrigidas lá atrás podem se revelar ainda mais graves no período que começa a partir desta semana.

O principal desses problemas é a falta de boa estrutura de chapas de deputados estaduais e federais. Apesar de ter bons nomes, até com possibilidade de grandes votações individuais, nem Van­derlan e nem Gomide tem redes partidárias e de candidaturas suficientes para cobrir bem todas as regiões do Estado. E são exatamente os candidatos a deputado estadual e a deputado federal que carregam as cores dos candidatos ao governo e ao Senado para o varejinho do voto, no corpo a corpo. Iris menos e Marconi mais nadam de braçada nesse quesito, com chapas bem mais abrangentes do ponto de vista da cobertura territorial e também política.

Outro ponto ruim especialmente para Vanderlan e Gomide é que seus índices atualmente não são nada empolgantes. Ou seja, no exato momento da campanha que a empolgação geral pode animar eleitores e definirem os votos, ambos ainda vão precisar de algum mecanismo mágico pra quebrar a forte polarização entre Marconi e Iris, fator que dificulta a inserção de ambos na avaliação massiva do eleitor. É como se o eleitor os visse, como fez até agora, como coadjuvantes. Eles precisam quebrar isso rapidamente.

Marconi e Iris

A disputa até agora é entre Marconi e Iris. Como foi há quatro anos, na única eleição em que os dois realmente disputaram voto a voto diretamente e com condições de vencer. Antes, em 1998, a vitória de Marconi extrapolou qualquer análise politicamente racional e não há como citar aquela campanha sem realçar o fenômeno que ocorreu, quando o tucano começou com quase 70% a menos que Iris e promoveu a mais espetacular virada eleitoral da história de Goiás.

Em 2010, ao contrário, Iris e Marconi começaram a campanha praticamente iguais. Exatamente como está ocorrendo agora. Aos poucos, Marconi cresceu e conseguiu fechar o 1º turno com vantagem de 10%. No 2º turno, confirmou a vitória com 6 pontos de frente. Os números mais recentes dos institutos de pesquisa, que vão ser atualizados com novos levantamentos, mostram Marconi na liderança, um pouco acima dos 10%. É aqui, portanto, que Iris precisa reagir. Em 2010, com apoio total da Prefeitura de Goiânia, do Palácio das Esmeraldas – no 2º turno – e do Palácio do Planalto, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como cabo eleitoral, ele não conseguiu virar a eleição no turno decisivo. Diminuiu a diferença, mas foi derrotado.

Desta vez, Iris vai ter que contar somente com ele e seus aliados. Não tem mais a força da Prefeitura de Goiânia, que enfrenta inúmeros desgastes de imagem, não é o candidato do Palácio do Planalto, e o Palácio das Esmeraldas está sob o comando do próprio Marconi. Em tese, se em 2010 ele não conseguiu derrotar o grande rival, agora está bem mais difícil.
Em tese, que fique claro. Em eleição, nem sempre as coisas acontecem sob a lógica racional da análise. Definitivamente, campanhas eleitorais não são ciências exatas, mas, ao contrário, muito humanas. Mas também não dá para esperar por salvadores fenômenos. É necessário trabalhar bem e duríssimo. Iris tem pela frente uma tarefa difícil, e precisa mostrar se ainda tem fôlego para virar a eleição agora ou no 2º turno.

Quanto a Marconi Perillo, so­mente em 2002 ele teve vida mais tran­quila numa eleição. Exatamente, co­mo agora, durante um processo de reeleição. Naquela eleição, ele con­seguiu romper a barreira dos 50% – 51,2% dos votos válidos – e de­finiu a parada já no 1º turno. Foi por muito pouco, sem grandes so­bras. O problema lá foi o excesso de confiança da militância em vitória tranquila. Desta vez, ao contrário, ele chega à reta final da campanha com condições até de vencer no 1º turno, mas ele e seu poderoso exército eleitoral vão ter que trabalhar mais do que trabalharam até aqui.

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Pesquisa Ibope/TV Anhanguera: novo cenário, com 2º turno

Os novos números da pesquisa Ibope/TV Anhanguera não apresentou grandes variações – acima da margem de erro de 3% individualmente – mas as oscilações desenharam um novo cenário na campanha neste momento. Antes, Marconi Perillo estava tecnicamente com real possibilidade de vencer as eleições já no 1º turno. Agora, o Ibope diz que a situação atual é outra, com clara evidência de necessidade de 2º turno.

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Mas se as oscilações foram todas dentro da margem de erro, por que o cenário mudou de possibilidade de definição no 1º turno para quadro nitidamente de 2º turno se as eleições fossem realizadas agora? Essa constatação se dá no momento em que se observa apenas os votos válidos. Antes, em números redondos, Marconi estava matematicamente com 50%. Agora, está na casa dos 45%. Foi essa variação que mudou o cenário global.

Números – Segundo o Ibope, se as eleições fossem hoje, Marconi teria 38% da preferência do eleitorado, Iris Rezende seria o segundo colocado com 28%, Vanderlan teria 9%, Antônio Gomide, 7%, e Marta Jane, 1%.  Esses números mostram oscilação negativa de Marconi de 3 pontos, no limite da margem de erro, estabilização de Iris, e oscilação positiva de Vanderlan também de 3 pontos.

Em votos válidos, Marconi somaria 45,8%, contra 33,7% de Iris, 10,8% de Vanderlan e 8,3% de Gomide. Na pesquisa anterior, Marconi somava exatos 50%. Portanto, esta rodada mostra uma diferença, em votos válidos, de 4,2%.

Para entender a margem de erro – Olhando para os números absolutos e para a margem de erro de 3 pontos, Marconi pode estar com os mesmos 41% da pesquisa anterior. Tecnicamente, é exatamente isso, mas o entendimento é outro. A variação foi negativa. Usando a mesma margem de erro para mais, no levantamento anterior Marconi poderia estar com 44%, e não 41% como aparece agora. Negativamente, Marconi pode estar hoje com 35%, e não com o mínimo, dentro da margem de erro, de 38% apontado anteriormente.

Isso se aplica a todos os demais candidatos em igual medida, o que dá a exata dimensão do quadro atual mostrado pela pesquisa Ibope/TV Anhanguera, com definição no 2º turno, e não mais no 1º turno.

Atrio

Opositores se afogam em poços de vaidade

Sem ter estabelecido uma linha estratégica e comum de combate eleitoral ao governador Marconi Perillo, oposição agoniza 

Marconi Perillo em carreata: vaidade dos adversário lhe dá chance de fechar eleição já no 1º turno

O governador Marconi Perillo vai ser reeleito este ano? Prova­vel­men­te, sim. Aliás, muito provavelmente. A única dúvida que ainda persiste é se essa vitória será já no 1º turno ou se haverá necessidade de turno decisivo. As eleições acontecem dentro de um mês, e os opositores teriam de fazer nesse curto espaço de tempo tudo o que não fizeram nos últimos anos. Além disso, a oposição teria de contar com erros sistemáticos na campanha de Marconi para criar, quem sabe, alguma perspectiva de vitória. Em resumo, teria de ocorrer uma reviravolta e tanto para alterar o curso atual das campanhas.

Não há mais fôlego para muita coisa. É o caso do principal candidato oposicionista, Iris Rezende, que recentemente demitiu 22 profissionais de sua equipe de comunicação por alegada falta de dinheiro. Ou se planejou mal inicialmente, ou a situação não evoluiu como o comando da campanha imaginou. E a economia obtida com essas demissões, conforme admitiram peemedebistas aos jornais, vai ser usada na aquisição de combustível para os veículos da campanha. Ou seja, trocaram talento e inteligência por gasolina. É ou não é um sintoma de que as coisas vão muito mal?

E se está ruim para o principal candidato da oposição, pode-se imaginar como estão os demais. Van­derlan Cardoso e Antônio Gomide se movimentam tão pouco, e com repercussão tão pequena, que praticamente sumiram. A rigor, as candidaturas de Gomide e Vanderlan se transformaram em candidaturas virtuais. Estão firmes e fortes somente no rádio e na TV.

Seria o caso de se perguntar o que aconteceu com o imenso otimismo com o qual os opositores alicerçaram suas candidaturas. Todos eles apostaram altíssimo e estão percebendo agora que as coisas não acontecem por acaso. Voto não cai do céu ou se alinha automaticamente com um estalar de dedos. Campanhas exigem muito planejamento, pés no chão e linha estratégica definida. Tendo isso, ainda assim pode-se perder a eleição, mas certamente haverá al­guma chance de sucesso. As oposições não observaram nenhum desses pontos. Não houve planejamento, os pés estavam nas nuvens e jamais se estabeleceu uma estratégia comum para enfrentar Marconi e seu formidável exército eleitoral.

Os erros dos opositores não foram cometidos agora, mas lá no início do processo de formatação da disputa. Iris, Vanderlan e Gomide jamais se reuniram e se ofereceram às negociações. Nada disso. Cada um se imaginou a última coca-cola gelada do Cerrado seco, que seria o objeto de desejo de todos instantaneamente.

Iris imaginou que bastaria bater Júnior Friboi internamente, após uma intensa guerra que rachou definitivamente a estrutura do PMDB, e alguns reflexos disso pode se perceber na campanha, para ter o PT acoplado à sua candidatura. Não funcionou. Antônio Gomide imaginou que, ao deixar o comando da segunda mais importante politicamente prefeitura de Goiás, Anápolis, bastaria rodar o Estado para conquistar apoios e eleitores como se fosse um moderno Gengis Khan eleitoral. Também não funcionou. Vanderlan imaginava que iniciaria a campanha de 2014 como se fosse uma prorrogação das eleições de 2010, e não um novo jogo que começa do zero.

Todos esses líderes oposicionistas não se tornaram referência por acaso. Iris, Vanderlan e Go­mide assinam histórias de sucesso, e se atingiram o ponto alto na atividade política é porque fizeram por onde. Nenhum deles é para-quedista do sucesso. Iris é sempre uma das maiores referências da política estadual. Vanderlan construiu um império industrial, e ganhou fama de bom administrador público ao governar Senador Canedo, até então uma problemática cidade-dormitório. Gomide vem traçando uma carreira pública de sucesso, saindo de vereador a prefeito de Anápolis, reeleito com mais de 90% dos votos válidos. Portanto, nenhum deles é um zé-ninguém politicamente. Ao contrário, são bem sucedidos. Mas, por que, desta vez, as coisas não estão dando certo para nenhum deles?

Iris Rezende trocou jornalistas por combustível|Vanderlan Cardoso achou que 2014 era sequência de 2010|Antônio Gomide pensou que bastava rodar pelo Estado

Iris Rezende trocou jornalistas por combustível|Vanderlan Cardoso achou que 2014 era sequência de 2010|Antônio Gomide pensou que bastava rodar pelo Estado

Primeiro, porque enfrentam Marconi Perillo. Essa é a primeira grande encrenca. Iris, Gomide e Vanderlan certamente não estariam como estão hoje se na trincheira governista estivesse outro candidato e não Marconi. Embora seja algo impossível de se comprovar na prática, ninguém na seara marconista conseguiria vencer Iris, Vanderlan ou Gomide nesta eleição. Ab­solutamente ninguém.

Além desse baita obstáculo eleitoral, os opositores também sofreram nas águas que refletem Narciso. Basta retornar novamente para o início do processo de formatação do quadro eleitoral para que isso se destaque de maneira peremptória, escandalosamente clara. A vaidade pessoal de cada um matou o princípio da unidade que deveria nortear os rumos da linha estratégica para enfrentar Marconi Perillo. Mas, não, cada um ao seu modo, todos se afogaram nos poços das vaidades, e jamais, por exemplo, sinalizaram que poderiam adiar seus planos e objetivos atuais para 2018, e assim facilitar o entendimento e a união em torno do objetivo comum a todos, que é o de derrotar Marconi Perillo.

Se juntos já não seria fácil, separados ficou muito mais difícil, quase impossível. E esse “quase” só entra neste contexto como espécie de seguro prévio contra o imponderável. No ritmo atual, é, sim, impossível uma virada. Não há um só aspecto nas campanhas atualmente que indique, mesmo teoricamente, que Iris, Vanderlan ou Gomide, qualquer um deles, vá ultrapassar Marconi nesta corrida sucessória.

 

agráfico pesquisa

Pesquisa Fortiori/Jornal Opção: Menos de 16 mil votos definem 1º turno

Com 49,5% das intenções de voto válidos, Marconi estaria a menos de 16 mil votos para vencer no 1º turno, caso as eleições fossem agora. Com nova variação negativa, Iris Rezende registra queda de 4% desde abril. Ronaldo Caiado inverte tendência de queda, volta a variar positivamente e mantém liderança folgada. Instituto ouviu eleitores sobre programas eleitorais: Marconi apresenta mais propostas e Iris é quem mais ataca. Dilma ainda lidera, mas Marina consegue empate técnico. Governo é aprovado por 49% e Marconi tem aprovação de 55% dos eleitores

Afonso Lopes

a1Nova rodada da pesquisaFortiori/Jornal Opção, a primeira realizada após o início dos programas eleitorais no rádio e na televisão, e a segunda no mês de agosto, apresenta algumas variações importantes. O governador Marco­ni Perillo (PSDB) registrou 41%, o que significa crescimento de 3%, no limite da margem de erro, em relação ao levantamento anterior, realizado no início do mês. Entre abril e agosto, o candidato à reeleição cresceu 7%. No mesmo período, Iris Rezende (PMDB), se­gundo colocado, caiu 4%, fe­chando o mês de agosto com 25%. Na terceira posição, Vanderlan Car­doso (PSB) e Antônio Gomide (PT) aparecem rigorosamente empatados, com 7%. Gomide variou negativamente dois pontos de abril até agora, enquanto Vanderlan perdeu metade das intenções de voto no mesmo período, caindo de 14% para os atuais 7%.

Na briga pela única vaga no Senado, Ronaldo Caiado (DEM) interrompeu sequência de variações negativas, dentro da margem de erro, e cresceu 4% fechando com 37%. Com isso, ele tem agora um ponto porcentual a mais do que havia obtido em junho. O segundo colocado é Vilmar Rocha (PSD), com 14%, um ponto a mais que o levantamento anterior, e 4% mais que a pesquisa de junho. Marina Sant’Anna (PT) está com 13%, e registrou crescimento de 3%, no limite da margem de erro, em relação à pesquisa realizada na primeira quinzena deste mês. Entre os meses de junho, 18%, e final de agosto, 13%, ela perdeu cinco pontos.

A presidente Dilma Roussef (PT) permanece na liderança, mas passou a ter a ser incomodada pela candidatura de Marina Silva (PSB), que aparece empatada tecnicamente tanto na pesquisa espontânea, 26% a 22%, como na estimulada, 33% a 31%. Aécio Neves (PSDB), que ocupava a vice-liderança até então, está com 20% na estimulada e 14% na espontânea.
O instituto Fortiori também ouviu os eleitores sobre os programas eleitorais. Nessa avaliação, o programa com mais conteúdo é o de Marconi Perillo, enquanto Iris Rezende é apontado como candidato que mais utiliza o rádio e a TV para promover ataques.

A aprovação do governo estadual e do desempenho pessoal do governador continuam crescendo, enquanto a reprovação ao governo federal se mantém, assim como a reprovação ao desempenho da presidente Dilma.

Espontânea: Marconi avança 7%, Iris cresce 3%

Na pesquisa espontânea, em que o eleitor responde em quem votaria se as eleições fossem agora sem que lhe seja apresentada uma relação com os nomes de todos os candidatos, Marconi Perillo e Iris Rezende foram os únicos candidatos que registraram crescimento, mas a vantagem do candidato tucano au­men­tou. Marconi passou de 24% na pesquisa realizada no início do mês para 31%, crescimento de sete pontos porcentuais. Já Iris Rezende foi de 12% para 15%, crescimento de 3%, no limite da margem de erro. Vanderlan Cardoso, com 4%, e Antônio Gomide, com 3%, se mantiveram sem variação. A vantagem de Marconi para Iris, que era de 12 pontos, subiu para 16%.

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Estimulada: Marconi tem 41%, contra 25% de Iris

Com 49,5% das intenções de votos válidos, o governador Mar­coni Perillo poderia definir a sua reeleição já no primeiro turno, caso as elei­ções fossem agora. Tecni­ca­mente, de acordo com a margem de erro de 3 pontos para mais ou para menos, Marconi estaria entre 46,5% dos votos e 52,5%. Desde abril, o tucano ganhou 7%, sendo quatro pontos apenas no mês de agosto.

No mesmo período, Iris viu a vantagem de Marconi crescer de 5% em abril para os atuais 18,7%. Ele caiu de 36% para os atuais 30,8%. Vanderlan Car­doso e Antônio Gomide têm 9 pontos cada um, enquanto Marta Ja­ne, Professor Wesley e Alexandre Magalhães atingiram, somados, 1,7%.

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Votação projetada: definição no 1º turno ocorreria por menos de 16 mil intenções de votos válidos

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Por exatos 15.771 Marconi não asseguraria a vitória já no 1º turno se as eleições fossem agora, de acordo com a votação projetada do Jornal Opção. Neste cálculo, faz-se o caminho inverso da Justiça Eleitoral na apuração. Nas eleições, a Justiça Eleitoral transforma os votos nominais válidos em percentuais. Na votação projetada, utiliza-se os percentuais da pesquisa para encontrar as intenções de votos válidos, observando-se todas as médias ponderadas do instituto Fortiori, além do número oficial de eleitores registrados no Tribunal Regional Eleitoral, TRE, além do total de votos branco e nulos do pleito imediatamente anterior, 2010.

Assim, na votação projetada Marconi Perillo teria 1.561.197 intenções de votos válidos, 94.618 intenções a mais que no levantamento do início do mês. Com nova variação negativa, a quinta seguida desde abril, Iris Rezende teria agora 971.411 intenções de votos válidos. É a primeira vez que Iris aparece na votação projetada com menos de 1 milhão de intenções de votos válidos, e a vantagem de Marconi agora chega a 589 mil 786 intenções de votos válidos. Em relação ao início do mês, o peemedebista perdeu 44.155 intenções de votos válidos. Vanderlan e Gomide, que aparecem empatados, estão com 283.854 intenções de votos válidos.

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Rejeição: porcentuais estão estabilizados

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O instituto Fortiori procurou saber em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum, caso as eleições fossem agora. Marconi Perillo é o mais rejeitado, com 25%, 2 pontos menos que o registrado na pesquisa anterior. Iris Rezen­de, na segunda colocação, também variou negativamente dois pontos, fechando com 24%. Todos os demais candidatos mantiveram porcentuais praticamente estáveis.

Perspectiva de vitória: 63% acham que Marconi vai ganhar

Variou dois pontos positivamente o porcentual de eleitores que acham que o governador Marconi Perillo será reeleito. No início de agosto, eram 61%. Agora, 63%. No mesmo período, Iris teve variação negativa também de dois pontos, passando de 18% para 16%. Os demais candidatos praticamente mantiveram os índices nas duas pesquisas.

Esses porcentuais mostram que mesmo eleitores que declaram intenção de votar em outros candidatos, entendem que Marconi tem mais chances de ganhar a eleição.

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Caiado volta a crescer e quebra tendência de queda

Se em duas das quatro pesquisas Fortiori/Jornal Opção, entre os meses de junho e final de agosto, Ronaldo Caiado não teve o que festejar ao registrar variações negativas que, somadas, atingiram o teto da margem de erro de 3 pontos, a segunda quinzena deste mês é motivo de festa para ele. Entre o início de agosto e agora, Caiado ganhou 4 pontos, fechando em 37% na pesquisa estimulada, o que significa um ponto a mais do que os 36% que ele registrou em junho.

Os dois principais adversários de Caiado, Vilmar Rocha e Marina Sant’Anna, não devem sentir nenhuma sau­dade de agosto. Marina variou positivamente 3 pontos nas pesquisas do mês, no limite da margem de erro, mas esse porcentual ainda re­presenta uma queda de 5% em relação ao mês de junho, de 18% para 13%. Vilmar cresceu 4 pontos entre a pesquisa de junho e a atual, mas seus 14% tiveram apenas uma variação positiva de 1 ponto em relação à pesquisa do início de agosto. A vantagem de Caiado para Vilmar é de 23%.

Também no levantamento espontâneo a liderança de Ronaldo Caiado é bastante folgada. Ele aparece com 15%, contra 4 pontos de Vilmar e 3% de Marina.

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Presidência: Dilma é líder, mas Marina empata tecnicamente

A presidente Dilma Rousseff continua liderando a corrida sucessória nacional em Goiás, mas agora ela enfrenta a incômoda presença de Marina Silva, que aparece empatada tecnicamente tanto na pesquisa espontânea quanto na estimulada. Dilma tem 26% na espontânea, contra 22% de Marina e 14% de Aécio. Na estimulada, a presidente chega a 33%, e Marina vai a 31%. Aécio aparece com 20%.

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Televisão: Marconi tem melhores propostas, Iris é quem mais ataca

Entre os eleitores que admitiram que assistem aos programas eleitorais na televisão, a maioria absoluta, 51%, acha que o horário de Marconi Perillo é o melhor, de uma maneira geral. Para 28%, é o programa que mais agrada. Essa polarização entre os dois candidatos se mantém em todas as demais questões pesquisadas pelo instituto Fortiori. Para 48%, Marconi é quem tem apresentado as melhores propostas, enquanto 28% preferem Iris. O único aspecto liderado por Iris é quanto aos ataques. Para 36%, é ele quem mais ataca, contra 32% que apontaram Marconi.

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Aprovação do governo e de Marconi continuam crescendo

Nova variação positiva nos índices de aprovação do governo de Goiás e do desempenho pessoal do governador Marconi Perillo foi detectada pela pesquisa Fortiori/Jornal Opção. Para 49% do eleitorado, o governo recebe conceitos de ótimo e bom desempenho, contra 17% que o consideram ruim e péssimo. Em julho do ano passado, o instituto Fortiori apontou que a aprovação do governo era de 35%, enquanto a reprovação batia em 28%.
O desempenho pessoal de Marconi Perillo também agrada a maioria dos eleitores. Na pesquisa atual, ele recebeu a aprovação de 57%, contra desaprovação de 26%. Em julho de 2013, a aprovação de Marconi estava em 41%, enquanto a desaprovação chegava a 38%.

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