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lixão e urubus

Multa pra quem jogar papel nas ruas num país que é um lixo só

Surreal. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado senadoacaba de aprovar projeto lei federal que prevê multa para pessoas que jogarem lixo nas ruas. E lixo vai desde o  papel de uma balinha, latinha de cerveja e tals. OK, é claro que lugar de lixo é numa lixeira, mas daí a ver um caríssimo Senado perder tempo com uma bobagem desse tamanho é dose. A questão é muito mais de cultura, educação do que de legislação.

japoneses lixo

Todos ainda se lembram dos torcedores japoneses que recolheram o próprio lixo após as partidas da seleção do Japão aqui no Brasil. Havia naquele gesto uma overdose de marketing para ganhar a simpatia de todos, sem dúvida, mas o que se viu é mais comum do que se imagina. Na maioria dos países europeus, grandes shows gratuitos em áreas públicas urbanas não produzem aquele cenário de escombros de guerra como se vê costumeiramente por estas bandas. A situação muda um bocado quando é show com entrada restrita. Aí, entende-se por lá, no custo do ingresso está embutida a taxa de limpeza.

bicicletas holanda

Também é comum assistir filmetos nas redes sociais, como o Facebook, revelando o cotidiano das bicicletas na Holanda e outros países. Da próxima vez que se deparar com um filminho desses, repare na limpeza das ruas. Parece uma sala de estar das nossas casas. Tudo limpinho, sem nem unzinho só pedacinho de papel.

lixão e urubus

Isso mostra que a iniciativa do Senado brasileiro é correta? Não, ao contrário. Num país que tem esgoto que corre livremente nas ruas como se ainda vivêssemos na idade média é um disparate assistir os senadores debaterem sobre papel de balinha nas ruas. Isso não é assunto nacional, mas municipal e até estadual. E não é também uma questão de lei, mas de campanhas publicitárias públicas de conscientização. esgoto a céu abertoO que deveria preocupar os senadores é o esgoto, é a existência de fossas, a falta de aterros sanitários… O que deveria preocupar os senadores, e tomar deles tempo nos debates, é como resolver questões básicas de saneamento que provocam uma inundação de pragas urbanas, como baratas, ratazanas, pernilongos e mosquitos transmissores de doenças como a dengue.

feira livre lixo

Tecnicamente, e levando em conta os países chamados de 1º mundo, o Brasil não passa de um grande chiqueiro desses que ainda existem, embora a caminho, felizmente, da extinção, em pequenas propriedades rurais nos grotões. O Brasil é um lixo só, que não consegue nem realizar uma feira livre sem emporcalhar completamente a rua ou a praça onde ela é instalada. Não é por falta de punição que isso acontece. O que falta é educação, conscientização. O resto é adereço, papel de balinha em imensos salões azuis que custam uma fábula e produzem, algumas vezes, piadas com jeitão de coisa séria.

Iris-Rezende

Opositores: Crônica de uma derrota esperada

 

Final de 2013. Os partidos oposicionistas estão em guerra total pela hegemonia na oposição. O governo apenas esperou o momento certo para agir

Iris Rezende: mais uma derrota do peemedebista ao governo do Estado após uma série de erros | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Iris Rezende: mais uma derrota do peemedebista ao governo do Estado após uma série de erros | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Não é difícil analisar os fatos depois que eles acontecem ou, pelo menos, quando se encontram em estágio final. Velha história da onça morta. Hoje, por exemplo, é fácil demais da conta apontar para a infinidade de grandes e pequenos problemas que os opositores ao governo Marconi Perillo ou desprezaram, ou julgaram insuficientes enquanto problemas, ou simplesmente não os levaram em conta devidamente. E do outro lado, na trincheira palaciana?

O que se viu foi exatamente o oposto disso. Mesmo controlando a mais poderosa máquina eleitoral do Estado, Marconi se comportou ainda no final de 2013 como se estivesse permanentemente ligado a uma tomada de 10 mil watts, atento a tudo o que acontecia ao seu redor e de olho nas ações dos adversários. A diferença entre esses dois grupamentos políticos pode ser resumido dessa força: a oposição com autossuficiência vazando pelos poros, o governo sabendo — e fazendo — exatamente o que era necessário fazer para manter os exércitos inimigos a uma distância segura.

Não deu outra. Marconi não apenas foi reeleito para seu quarto mandato como atingiu sua maior votação proporcional. Aos opositores, todos eles, restou um gosto de terra arrasada na boca. Iris Rezende encerra sua carreira com sua pior derrota. Ele ainda pode se candidatar a prefeito de Goiânia mais uma vez em 2016, mas estará numa faixa de risco que precisa ser bem avaliada por ele e por aqueles que o cercam. Ele saiu desta campanha muito menor, inclusive em Goiânia. Perdeu aquela condição natural de unanimidade que ele tinha conquistado. Para voltar, teria que remar tudo de volta, o que nunca é fácil.

Vanderlan Cardoso (PSB), que não conseguiu na campanha toda mais do que um mantra repetido zilhões de vezes, o tal Plano de Metas — de certa forma, lembrou a candidatura do ex-deputado federal Barbosa Neto ao governo em 2006, com as “obras mega-estruturantes”. É bonito e dá uma roupagem academicista à mensagem, mas é argumento de mais para um eleitor que decide muito menos com a razão e muitíssimo mais com o coração e bolso. Ele perdeu o posto de comandante de um possível terceiro exército político no Estado. Comanda agora apenas um pequeno pelotão sem rumo. Não está descartado previamente para o futuro, inclusive próximo, 2016, mas é outro que vai ter uma correnteza toda pra remar. Desta campanha, bem conduzida na TV, ele saiu com imagem maior do que em 2010, quando passava a impressão de ser um candidato contra Marco­ni e manipulado pelos palacianos do então governador Alcides Rodrigues. Embora em um grupamento pequeno, ele agora está credenciado para se apresentar com carteira de identidade política própria.

O PT recuou aos anos de 1980, quando lançava candidatos apenas para marcar presença. Foi o pior desempenho do partido para o governo do Estado em muitos anos. E desta vez, ao contrário até dos anos 80, não encontrou respaldo nem entre os velhos aliados nanicos do campo da esquerda. É claro que a reeleição da presidente Dilma Rousseff, e a manutenção das prefeituras de Goiânia, com Paulo Garcia, e Anápolis, com João Gomes, dá um certo alívio, mas é coisa pouca, quase nada.

João Gomes não tem o mesmo caminhão de carisma construído pelo ex-prefeito Antônio Gomide em Anápolis, enquanto Paulo Garcia precisa desesperadamente de muito dinheiro para equilibrar as contas que herdou. E esse problema de Paulo é realmente sério. Em Brasília, Dilma vai ter que rebolar muito para não perder de vez o controle de seu próprio governo, e as ajudas federais tendem a diminuir pelo menos em 2015. A única saída é aumentar a arrecadação própria, principalmente através do IPTU e ITU, que está realmente defasado. Mas como conseguir recuperar anos de atraso nos valores com uma maioria na Câmara Municipal volatilizada pela redoma que se enxerga no Palácio do Cerrado?

Vanderlan Cardoso não vingou como terceira força, enquanto Antônio Gomide saiu menor do que entrou

Vanderlan Cardoso não vingou como terceira força, enquanto Antônio Gomide saiu menor do que entrou

Já Gomide terminou a campanha estadual menor do que quando se anunciou candidato no final de março e renunciou ao cargo de prefeito de Anápolis. Naquele início de ano ele tinha postura de candidato ao governo do Estado. Hoje, não. Ele foi uma promessa que não vingou. Ele tem alguma culpa nisso por ter se permitido uma convivência muito próxima com a mosca azul, que o picou, mas talvez o PT como um todo seja o maior culpado. Em 30 anos, o partido em Goiás não conseguiu ir muito longe. Nem nos grotões, onde há a inegável influência positiva da Bolsa Família federal, o PT está realmente estabelecido. Essa ausência praticamente total de base partidária, somada à falta de alianças, tornou-se uma mistura fatal eleitoralmente.

Enfim, os opositores em Goiás continuam cometendo os mesmos erros sempre, a cada eleição. E provavelmente o principal erro é menosprezar a extraordinária capacidade de Marconi Perillo de se reinventar, se reciclar e corretamente avaliar as situações. Em 2018, ele não será candidato ao governo por força da legislação. Mas desde já pode-se imaginar que qualquer candidato que for escolhido candidato ao governo em seu grupamento estará entre os favoritos. E se as oposições não levarem isso em conta, a alegria e o choro após as eleições vão continuar nos mesmos rostos e nos mesmos olhos.

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Marconi, a história que se supera

Para quem o imaginava, com toda razão, carta fora do baralho de 2014, Marconi Perillo simplesmente conseguiu um feito eleitoral épico. Ele não somente foi reeleito. Ele foi reeleito com a maior votação proporcional desde 1998, com quase 60% dos votos nominais. É um desempenho extraordinário, sem qualquer dúvida, em qualquer circunstância, mas no caso dele, e levando-se em conta o calvário de 2012, extrapola qualquer coisa que já se tenha registrado anteriormente.

Marconi Governador

É óbvio que qualquer análise sobre Marconi Perillo atualmente é contaminada por todos os fatos proporcionados por ele na última década e meia. Mas certamente o seu poder de superação vai se estender pela história também nas análises futuras. Essa, talvez, seja a sua maior virtude, a capacidade de se superar, de obstinadamente superar desafios aparentemente intransponíveis.

Em 1990, quando se candidatou pela primeira vez, ele foi o único santillista a ser eleito para a Assembleia Legislativa. Foi o único que conseguiu superar o cerco eleitoral criado pela máquina irista, que derrubou um a um todos os candidatos ligados ao grupo do governador Henrique Santillo, que vivia uma guerra política de controle do PMDB com Iris Rezende.

No exercício do mandato, outra superação: a da barreira que se montou contra ele pelo sistema de comunicação comandado pelo Palácio das Esmeraldas. Entre 1991 e 1994, ele foi a cigarra oposicionista a reverberar seu canto contra o rolo compressor governista, que sempre havia conseguido abafar qualquer ruído perturbador da oposição.

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Em 1994, após construir uma boa base que lhe garantiria uma tranquila reeleição, Marconi deixou a área de conforto e se aventurou numa candidatura a deputado federal, selva bem mais concorrida do que a Assembleia Legislativa, especialmente para quem buscaria somente bisar o mandato. Apurados os votos, e mais uma vez diante de maioria palaciana irista, lá estava ele entre os deputados federais eleitos como opositor ao status quo.

Logo no início, em Brasília, ele superou o complexo da província e se introduziu na corte republicana brasiliense, caindo nas graças de setores do PSDB e do próprio Palácio do Planalto. Tornou-se vice-líder do partido e um dos frequentadores do segundo mais importante gabinete da República, onde despachava o ministro Sérgio Motta, uma espécie de primeiro-ministro do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Governo – O ano é 1998. A oposição em Goiás se resume a quatro grandes partidos e duas dúzias de prefeituras, mais alguns deputados estaduais e federais. Todo o restante do território político goiano era povoado pelo poderosíssimo PMDB e seus aliados.

Iris Rezende, então ministro da Justiça de FHC, usou a sua hegemonia interna no PMDB goiano e se lançou candidato. O presidente da República, candidato à reeleição e cortejando o PMDB nacional, desestimulou os tucanos de Goiás a lançar candidatura contra Iris. Marconi foi até Sérgio Motta e o convenceu de que a oposição em Goiás estaria morta e enterrada se topasse aliança com os peemedebistas, que desdenhavam qualquer aliança com o PSDB oferecendo apenas uma segunda suplência para o Senado.

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Com apoio de Sérgio, a oposição quebrou a cabeça para encontrar alguém que fosse para o sacrifício eleitoral. Naquela altura, Iris aparecia nas pesquisas com nada menos que 74% das intenções de votos válidos. Seria um massacre absolutamente previsível. Os oposicionistas foram inicialmente com o deputado federal Roberto Balestra, mas não teve jeito. Às vésperas das convenções, os partidos oposicionistas não tinham candidato. Mais uma vez, Marconi deixou a área de conforto, e se ofereceu como candidato ao governo. Era uma insanidade para um jovem político em plena ascenção e com um vastíssimo caminho pronto a ser percorrido na corte palaciana de FHC e Sérgio Motta.

Marconi superou o ultra-favorito Iris Rezende numa campanha que fez história. Terminou o 1º turno na frente, e sacramentou a vitória no 2º turno.

No final de 2001, pesquisa indicou que o virtual candidato da oposição, o peemedebista Maguito Vilela, somava 17 pontos de vantagem sobre o governador de primeiro mandato Marconi Perillo. Aparentemente, o sonho oposicionista estava prestes a se transformar novamente em pesadelo. Um ano depois, Marconi foi reeleito já no 1º turno.

Até aí, quatro eleições e quatro imensos desafios superados. Em 2006, seu momento refrescante eleitoralmente. Foi eleito com tranquilidade para o Senado, na única vaga que estava em disputa. Quatro anos depois…

Uma nova prova político-eleitoral duríssima. Inimigo número 1 do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inimigo número 1 do governador Alcides Rodrigues, que ele próprio havia colocado em seu lugar em 2006, e inimigo visceral do então prefeito reeleito de Goiânia, Iris Rezende, candidato ao governo, Marconi se lançou candidato contando apenas com seu grupamento político. Eram três palácios, três máquinas administrativas, políticas e eleitorais contra ele. Venceu o 1º turno e mais uma vez garantiu a vitória no 2º turno.

Este ano, tanto o resultado eleitoral quanto os fatos que o precederam, desde 2012, estão frescos nas memórias de todos. Ao derrotar Iris Rezende pela terceira vez, Marconi não o retirou do Olimpo político estadual. Iris permanece, assim como Pedro Ludovico e Totó Caiado, dentre as maiores lideranças de toda a história de Goiás. Mas, certamente, é impossível não reconhecer que Marconi superou todos eles, e tem lugar de destaque dentre os maiores.

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Oposições 2014: A repetição dos mesmos erros de avaliação

 

Pela quinta vez consecutiva, os opositores chegam às urnas prevendo mais uma derrota. O que faltou?

Marconi Perillo: poder aguçado para enxergar situações e se posicionar antecipadamente no embate eleitoral |  Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Marconi Perillo: poder aguçado para enxergar situações e se posicionar antecipadamente no embate eleitoral | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Afonso Lopes

Salvo uma hecatombe eleitoral sem qualquer precedentes na história, o governador Marconi Perillo será reeleito neste domingo, 26, com larga margem de votos sobre seu oponente, o peemedebista Iris Rezende. Será a quinta vez consecutiva que PSDB e PMDB protagonizam o cenário principal da disputa política estadual, e será também a quinta derrota dos peemedebistas. De resto, também são derrotados todos os demais grupamentos que compõem a oposição, como o PT e a chamada terceira via, que jamais conseguiu se impor com força real de combate.

É inegável que o eixo político li­de­rado por Marconi Perillo tem um somatório de méritos administrativos, políticos e eleitorais que justifica esse notável desempenho desde 1998, mas também é certo que os opositores conseguem errar nas mesmas coisas o tempo todo, co­mo se das derrotas não houvesse ne­nhum aprendizado a ser absorvido. Pior do que isso, os opositores não conseguem nem ao menos o­lhar para a história eleitoral do Es­ta­do, donde se encontram incontáveis detalhes que analisados corretamente formam um parecer in­ques­tionável sobre vitórias e derrotas.

Vanderlan Cardoso (direita): 3ª via? Iris Rezende: sem conseguir a união que tornaria possível a vitória

Vanderlan Cardoso (direita): 3ª via? Iris Rezende: sem conseguir a união que tornaria possível a vitória

Ruptura do poder

Desde o retorno das eleições diretas para governador, em 1982, o eleitorado goiano promoveu duas estupendas rupturas no poder instalado. Foi exatamente naquele ano, em 82, e em 1998. Em todas as demais eleições, o núcleo do poder não sofreu abalos mais sérios.

Apenas duas vezes, e nas duas há fatores idênticos. O primeiro deles é a união total das grandes forças oposicionistas. Em 1982, que ainda tinha muitos resquícios do bipartidarismo imposto pelo regime ditatorial, o PMDB formava um grande leque partidário, que reunia de comunistas do PCdoB e do PCB, aos herdeiros do espólio do PSD e do PSB, passando ainda por autênticos e moderados do velho MDB. Todos juntos, e sem dissidências, carregaram a candidatura de Iris Rezende a uma vitória que rompeu com o sistema de poder dominante, que ainda era remanescente da ditadura.

Também foi assim em 1998, quando os quatro grandes partidos da oposição de uniram e, ao fim de um complicado processo de escolha, caminharam com a candidatura de Marconi Perillo contra o amplo domínio palaciano do PMDB. An­tes de ter um nome para o governo, PSDB, DEM, PP e PTB ti­nham um propósito. Portanto, nessas duas eleições, que quebraram a estrutura do poder dominante no Estado, salta aos olhos esse primeiro fator: a união de toda a oposição, sem dissidências.

O segundo ponto comum entre 1982 e 1998 é a crise interna dos setores dominantes. Em 82, o PDS, descendente direto da Arena, chegou ao processo eleitoral profundamente dividido. O Palácio das Esmeraldas, comandado por Ary Valadão, foi derrotado nas convenções do partido pelo grupo de Otávio Lage (já falecido). Em 98, mais uma vez o Palácio das Esmeraldas foi derrotado internamente. A candidatura natural do PMDB era a reeleição do governador Maguito Vi­le­la, mas Iris Rezende, então Mi­nis­tro da Justiça, com ampla ma­ioria interna, se impôs candidato.

Somente esses dois fatores históricos já deveriam servir de alerta máximo para os pensadores oposicionistas. Principal­men­te quanto ao aspecto da união total contra o centro do poder. É claro que essa união pode não ser suficiente para quebrar o sistema político dominante, mas sem ela, pelo menos até hoje, foi absolutamente impossível.

Reedição em 2014

Ao se focar apenas as duas últimas eleições, 2010 e a atual, pode-se observar a mesma linha de atuação oposicionista. Primei­ro, um culto à personalidade como nunca se tinha visto antes. A oposição se comportou como um cercadinho cheio de pavões, todos se exibindo maravilhosamente grandes e prestes a conquistar todo o eleitorado de maneira arrebatadora. Na atual eleição, inclusive, muito mais do que na anterior.

Por sinal, em 2010, havia, sim, um dos fatores comuns em 82 e 98: a crise interna no núcleo do poder. O Palácio das Esmeraldas se rebelou contra o próprio grupo a que pertencia. E nem assim os opositores se uniram para sacramentar uma derrota ao eixo político liderado por Marconi Perillo.

É possível que a aparente fragilidade político-eleitoral de Marconi em 2010, e que se imaginava ainda maior para agora, em 2014, tenha provocado nos opositores uma forma de insensatez absoluta, que os levou a menosprezar a capacidade de reação de Marconi, e sua extraordinária visão político-eleitoral. E esse erro, o menosprezo pelo adversário, é costumeiramente fatal nos processos eleitorais.

Em 2010 e em 2014, portanto, os opositores se comportaram exatamente da mesma forma. Aliás, de forma mais agravada ainda em 2014. No PMDB, por exemplo, a candidatura de Iris Rezende só se efetivou após se desgastar ao máximo num duríssimo embate interno. Foi uma candidatura sobrevivente, mas com ferimentos evidentes e com hemorragias incontroláveis. Não é sem motivos que Iris Rezende colheu nas urnas do primeiro turno a pior votação dentre todas eleições que disputou para o governo do Estado e para o Senado desde 1982, com apenas 898 mil votos. Ele foi menos votado agora do que ao ser derrotado no processo de reeleição para o Senado, em 2002, quando teve mais de 1 milhão de votos.

Vanderlan Cardoso, que se pretende um general do terceiro exército político eleitoral do Estado, também teve menos votos agora do que em 2010. Desta vez, ele não chegou ao meio milhão de votos, como na eleição anterior. Pode-se alegar, e com alguma razão, que este ano havia mais um concorrente de peso, Antônio Gomide, que provocou uma maior divisão dos votos. Mas Marconi, o candidato mais diretamente atingido pela votação de Gomide, especialmente em Anápolis, teve 50 mil votos a mais agora do que no primeiro turno de 2010.
Se na primeira das cinco vitórias do eixo político que está no poder em Goiás houve uma convergência das lideranças, nas demais houve a convergência em torno de uma liderança.

Marconi Perillo tem um poder extremamente aguçado para enxergar situações e se posicionar correta e antecipadamente. Dentro de quatro anos, os opositores mais uma vez vão ter que enfrentar o grupo liderado por ele. Se não foi fácil até aqui, é certo que continuará difícil.

motoqueiro serial

Policial que investigou serial killer desabafa e conta detalhes

A sequência de mortes de mulheres em Goiânia aparentemente em qualquer motivação levou a polícia goiana a suspeitar que um temido criminoso, o mais temido de todas as polícias do mundo, poderia estar agindo, o serial killer. Esta semana, ao apresentar o autor desses e de outros assassinatos, os policiais diretamente envolvidos nas investigação ficaram em absoluto estado de êxtase. Foi um alívio coletivo após a mais dura prova da capacidade investigativa da polícia do Estado de Goiás. “As pessoas não conseguem compreender direito, mas prender um serial killer é sempre muito difícil. Pode levar anos e anos, e em inúmeros casos jamais se descobriu o autor de assassinatos em série”, disse a este site um policial que integrou desde o início o grupo que se dedicou exclusivamente nas investigações.

motoqueiro serial

Mas por que a polícia dizia antes que não tinha elementos suficientes para afirmar que era um serial killer? “Porque isso poderia alertá-lo, e provocar nele comportamentos mais ainda fora do padrão”, disse o policial. Seria o caso da informação sobre os exames de balística, que apontaram claramente para o uso de uma mesma arma em vários assassinatos. “Se a gente dissesse que os exames comprovavam que a arma era a mesma, ele poderia simplesmente sumir com ela e arrumar uma outra. E estaríamos mais uma vez na estaca zero”, explicou o policial.

Campanha eleitoral – Uma das suspeitas, principalmente dos opositores ao atual governo, é de que “fabricou-se” um culpado sob medida por causa da proximidade com as eleições. “Isso é um absurdo. Chega a ser um desaforo pra nós policiais que sacrificamos até nossas folgas para encontrar o cara” respondeu com certa irritação o policial. Mas não houve pressão da cúpula por causa da eleição? “Eu não sofri pressão nenhuma nesse sentido. Nenhuma. Ninguém chegou e falou pra mim que a gente precisava prender logo o assassino por causa da eleição. Nem eu e nem algum colega meu. Não que eu saiba”, detalhou. “A pressão é interna, nossa, pessoal. A gente se sente pressionado porque quer solucionar o caso. É o nosso trabalho. É o que nós gostamos de fazer, investigar, solucionar os crimes”, contou ele.

De qualquer forma, a prisão do serial killer veio bem a calhar com a eleição estadual. “E você queria que a gente fizesse o que? Que escondesse o cara uma semana para apresentá-lo na segunda-feira (dia 27, um dia após a realização do 2º turno)?”, perguntou o policial. “Vou repetir pra você: nós não temos nada a ver com a eleição. A polícia de Goiás trabalhou nesse caso como em tantos outros casos. Você sabia que Goiás é o único Estado do Brasil que conseguiu solucionar todos os casos de sequestro até hoje? O único. Por que aqui não tem mais sequestros? Você tem sequestros em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Paraná, mas aqui, não”, disse em tom de desabafo.

As críticas de que a polícia de Goiás é ruim e mal preparada incomoda alguns setores policiais. “Quando ouço essas críticas eu me pergunto: o que mais a gente tem que fazer? Não entendo. Nem eu e nem muitos dos meus colegas”, lamenta o policial. “Houve um tempo que as pessoas iam a uma agência bancária aqui em Goiânia e bandidos invadiam e assaltavam. Não há mais assaltos. Isso acontece por causa do nosso trabalho. Aqui também não tem os grupos como o PCC e o Comando Vermelho, como em São Paulo, no Rio e em Santa Catarina. Por que? Posso te garantir que eles já tentaram se instalar aqui, mas até agora não conseguiram, graças a Deus e ao nosso trabalho. Somos incompentes, mal preparados, mal equipados? Mas por que não temos mais sequestros, não temos mais assaltos a banco, não temos PCC e Comando Vermelho?”, pergunta indignado.

Mas apesar da competência da polícia de Goiás o número de assassinatos tem crescido. Pior que isso, o índice de solução desses crimes é muito pequeno. “No Brasil todo o número de casos solucionados é baixo no geral, mas quando você olha os detalhes percebe que a gente consegue descobrir e solucionar quase todos os assassinatos que acontecem entre os cidadãos de bem. Quase todos. O problema realmente é grande quando envolve a bandidagem. Eles se matam o tempo todo. Quando a gente consegue prender, eles batem na cadeia e voltam para as ruas. Do jeito que está a lei, não tem jeito: vai ser assim sempre”, entende ele. A população também não consegue entender por que os índices de solução de assassinatos são muito melhores nos Estados Unidos e nos países europeus. “Vou repetir pra você: nós quase sempre descobrimos os autores de assassinatos entre cidadãos de bem. Faça um levantamento detalhado e você vai comprovar isso. O problema, vou repetir, é entre bandidos. Quem vai preso nos Estados Unidos fica preso. Aqui, não. A gente descobre o cara, prende o cara, e quando volta pra delegacia começa a investigar outro assassinato cometido pelo mesmo cara que já está solto”. E completa: “Se a lei não mudar, não vai mudar nada”.

 

Ilustração

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Nota do redator – Ao final, perguntei se poderia identificá-lo ao publicar este bate papo. “Melhor não. Pra que? Estou te contando isso aí pra você saber o que aconteceu. Não é pra aparecer. Tudo o que eu te disse até hoje aconteceu, lembra? (Leia post “Serial killer em Goiânia? Sem alarde, polícia investiga possibilidade”, de 28/julho). Não me identifica, não. Se quiser usar o que eu falei, pode usar, mas me deixe fora. Se quiser entrevistar alguém, procure os delegados. Eles é que devem falar. Meu negócio é só investigar”. Está certo, então, e obrigado. “O que é isso ‘irmão’, grande abraço”. E parabéns, você e os outros agentes fizeram um grande trabalho. “(gargalhada) A gente sempre faz, vocês (genericamente, jornalistas) é que nem sempre reconhecem (risos)”.

Foto: Jornal Opção online

Polícia garante que terror acabou: serial killer está preso

A cúpula da Secretaria de Segurança Pública de Goiás anunciou hoje, 15, pela manhã que o autor de uma série de assassinatos de mulheres e moradores de rua está preso. A notícia repercutiu intensamente por duas razões. A primeira, obviamente, pelo clima de apreensão e insegurança provocada pela série de mortes.

Foto: Jornal Opção online

Foto: Jornal Opção online

A segunda, por causa do calendário eleitoral. Nas redes sociais, militantes pró-Iris e contrários a Marconi e militantes pró-Marconi e contrários a Iris trocaram impressões, e até algumas provocações, por causa da prisão daquele que a SSP anunciou como autor dos assassinatos.

Foto: Jornal Opção online

Foto: Jornal Opção online

Não há dúvida sobre as repercussões diretas no clima eleitoral que a prisão do acusado provocam. A existência de um serial killer entre os mais de 1 milhão de habitantes de Goiânia, que somados aos moradores das cidades coligadas ultrapassam a casa dos 2 milhões, causava sentimento coletivo de intensa insegurança e medo, principalmente entre as mulheres mais jovens, na faixa etária entre 14 e 29 anos, e também para os pais, irmãos e amigos de mulheres com essas idades. motoqueiroO serial killer se compara a uma roleta russa cega e inesperada, que pode disparar um tiro fatal a qualquer momento e em qualquer “alvo” que se enquadre no perfil de suas vítimas. Para completar, um serial killer foge do padrão do criminoso comum, se misturando à sociedade como parte dela, o que torna muito difícil a sua identificação e, consequente, prisão.

Eleição – Imediatamente após o anúncio feito pelo próprio secretário de Segurança Pública, delegado da PF Joaquim Mesquita, em entrevista à rádio Bandeirantes 820-AM, no início da manhã de hoje, 15, as redes sociais, especialmente o Twitter, foram invadidas por postagens relativas à prisão do serial killer.

É compreensiva essa reação. Durante meses, a cada assassinato os opositores do governo estadual politizavam o crime de forma a gerar o máximo de danos à imagem do governo e do governador Marconi Perillo. Consequentemente, o anúncio da prisão do serial killer gerou imediato alívio da pressão oposicionista e autêntico desabafo de alegria entre os governistas.

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Eleições: Vitória de Marconi este ano zera processo estadual

 

Possível vitória do governador este ano abriria um leque de possibilidades políticas no Estado em 2018

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Daniel Vilela, Vanderlan Cardoso, José Eliton, Ronaldo Caiado e Júnior Friboi: nomes que já despontam para a disputa de 2018 pelo governo estadual

No último domingo deste mês, dia 26, os goianos vão voltar às urnas para escolher entre Marconi Perillo e Iris Rezende. A se julgar por tudo o que aconteceu até aqui nas campanhas, e levando especialmente em conta a enorme diferença nas votações recebidas pelos dois candidatos no primeiro turno, Marconi é favorito absoluto para bisar seu mandato, o que o colocará imediatamente fora do processo eleitoral de 2018 diretamente. Ao contrário, caso Iris consiga a proeza muito pouco provável, de virar a eleição neste segundo turno, o próximo jogo sucessório poderá contar com todas as forças políticas atualmente envolvidas, inclusive com a participação palaciana de Iris.

Esse quadro, embora óbvio, está sendo levado em conta atualmente pelos principais personagens da política estadual. Iris tem o histórico de sempre recorrer a candidatos inusitados quando não concorre à reeleição. Em 1994, por exemplo, o favorito interno do PMDB era o então deputado federal Naphtali Alves. Ele era o preferido da esmagadora maioria dos prefeitos e vereadores do partido, mas Iris fez impor o seu desejo pessoal e indicou o então vice-governador Maguito Vilela à sua própria sucessão.

Mais recentemente, em 2010, quando disputou a reeleição como prefeito de Goiânia, o líder peemedebista influenciou internamente até o PT no processo de escolha de seu vice, selando a aliança entre os dois partidos com a indicação de Paulo Garcia. Essa opção de Iris em 2010 ficou ainda mais evidente na eleição municipal de 2012, quando Iris aniquilou politicamente o diretório metropolitano do PMDB, que pregava candidatura própria, e assegurou apoio à reeleição de seu aliado petista Paulo Garcia.

Essa característica de Iris, de apoiar candidatos à sua sucessão ligados pessoalmente a ele, significa que seria fortíssima a possibilidade de, no caso de uma vitória neste segundo turno, a fórmula ser repetida, caso não fosse ele próprio candidato à reeleição. É assim que ele sempre agiu em suas articulações políticas. É seu modus operandi.

Na outra trincheira está Marco­ni Perillo. Suas ações apontam exatamente na direção oposta à estratégia de Iris. Em 2006, quando terminou seu segundo mandato de governador e disputou a única vaga para o Senado que estava em jogo naquele ano, era clara a sua preferência pessoal por uma candidatura do PSDB, especialmente de alguns nomes ligados diretamente a ele, como Giuseppe Vecci ou o golden boy José Paulo Loureiro. Mas a manifestação de que o vice-governador Alcides Rodrigues também desejava se candidatar mudou o jogo completamente. Marconi recuou e passou a apoiar a pretensão de Alcides.

Antes disso, nos processos de escolha dos candidatos a prefeito de Goiânia dentro da base aliada comandada por ele, Marconi jamais impôs o seu candidato. Em 2000, ele trabalhava de comum acordo com o então prefeito Nion Albernaz, que não quis disputar a reeleição. A então deputada federal e hoje senadora Lúcia Vânia não era o nome preferido por Nion, mas acabou sendo ungida graças ao trabalho de pacificação realizado por Marconi com a ala nionista.
Em 2004, os nomes do Palácio das Esmeraldas para a Prefeitura de Goiânia eram o do ex-peemedebista Barbosa Neto e Jovair Arantes, do PTB. Não deu nem um nem outro. Marconi, para compor a chapa aliada majoritária, acabou aceitando e apoiando Sandes Júnior, do PP.

Essa diferença de atuação política entre Marconi e Iris também está em jogo neste segundo turno. Das urnas deste ano já saíram nomes bastante expressivos para o mercado especulativo da sucessão de 2018, como o deputado federal Daniel Vilela, a grande estrela peemedebista e ainda em ascensão, o senador eleito Ronaldo Caiado e Júnior Friboi, que jamais esconderam seus sonhos de governar o Estado. Além desses, 2018 também poderá ver novamente na disputa Antônio Gomide, do PT, que mesmo derrotado permanece na crista da onda estadual petista, e Vanderlan Cardoso.

A reeleição de Marconi neste segundo turno, que tem todos os ingredientes para se concretizar, evidencia essa clara tendência de abrir o leque de opções para 2018, incluindo também o vice-governador José Eliton. Com Iris, o jogo da sucessão não teria esses contornos evidenciados, inclusive porque não estaria previamente descartada a sua própria possibilidade de reeleição. Além, é claro, de significar maiores e imediatas dificuldades para uma candidatura inserida no grupo Vilela, leia-se Daniel.

Tudo o que se coloca nesta Conexão exerce natural influência na composição de alianças neste segundo turno. Pode-se alegar que os processos sucessórios atual e futuro são composições distantes um do outro, mas não é exatamente dessa forma que o mundo político se comporta. As bases das futuras disputas são montadas com antecedência, e é isso também que está em jogo este ano. E é exatamente dessa forma que se percebe e entende melhor as negociações e acordos feitos agora. Para além das aparências e posicionamentos políticos assumidos para o grande público, uma renhida luta por situações futuras também está em curso neste segundo turno.

Retiradas de ações na Justiça: abertura de diálogo?

2º turno: o jogo continua

Os goianos retornam às urnas no último domingo deste mês, dia 26, para escolher novamente quem deve governar o Brasil e quem deve governar Goiás. Dilma Roussef e Aécio Neves repetem a eterna rivalidade entre PT e PSDB. Marconi Perillo e Iris Rezende repetem a eterna rivalidade entre eles mesmos. Tudo igual? Não exatamente igual.

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O 2º turno das eleições é uma nova eleição, mas não começa do zero, como  no 1º turno. E a razão é simples: quem votou em um dos dois classificados para o turno final logicamente tende a repetir o voto no 2º turno. Então, a eleição agora partirá desse patamar obtido no 1º turno.

Outro viés que deve ser observado inicialmente são as curvas dos candidatos na comparação entre as pesquisas pré-eleição e o resultado das urnas. Essas curvas, apesar dos “erros” dos institutos, podem estar revelando tendências que restam ser comprovadas ou não. É isso que torna as eleições nacional e regional diferentes.

Transferência de votos – Outro ponto que sempre causa discussão é sobre o patrimônio eleitoral dos candidatos que não conseguiram chegar ao 2º turno. Existe uma tendência natural de se somar esses votos, e por isso há uma intensa negociação dos classificados com os derrotados.

Apesar da tendência, esse fato, a migração de votos, não é líquida e certa, infalível. Aliás, historicamente, apenas uma única vez um candidato desclassificado para o 2º turno conseguiu convencer seus eleitores a votar em outro candidato no 2º turno. Foi Leonel Brizola, em 1989, que acabou em terceiro lugar e apoiou Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno. No Rio de Janeiro, Brizola conseguiu transferir seu prestígio eleitoral para Lula totalmente.

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Se não há essa transferência/soma de votos do 1º para o 2º turno, as negociações que visem apoios são uma bobagem? Longe disso. Muito longe. Há, sim, um pequeno percentual de eleitores que acompanham seus candidatos desclassificados no 2º turno, mas o principal é o aumento do volume de  campanha e da militância. Ganha-se em argumentos também. Portanto, receber o apoio dos candidatos que não se classificaram para o 2º turno é importante do ponto de vista global das campanhas. Se não no aspecto direto, dos votos, com certeza no aspecto político.

Mário Covas

Viradas no 2º turno – Em 90% das eleições decididas em 2º turno, repetiu-se a ordem de chegada dos candidatos obtida no 1º turno. Ou seja, quem ganhou na primeira, ganha também na segunda. Em 10% das eleições, aconteceram viradas: quem chegou atrás conseguiu ultrapassar o primeiro colocado e vencer. maluf-450_linkO maior e mais acabado exemplo de virada eleitoral entre o 1º e o 2º turno é o de Mário Covas, em São Paulo, contra Paulo Maluf. Em 1998, Covas chegou em 2º lugar com mais de 1 milhão de votos de desvantagem, uma diferença fantástica mesmo em um eleitorado imenso como o paulista. Foi reeleito.

Iris e Aécio tem esse baita desafio pela frente. E ao contrário do discurso de ambos, vão ter que trabalha intensamente para reverter o placar do 1 turno.

Aécio – O final do 1º turno é amplamente favorável, enquanto quadro eleitoral estático, ao candidato do PSDB. Ele estava com menos da metade dos votos que obteve há cerca de 1 mês. Ou seja, ele veio ganhando eleitores aos montes. Mas, repetindo, esse quadro enquanto resultado final é estático, parado. O 2º turno é uma nova eleição a partir do patamar final do 1º turno. E só. Não significa que ele vai continuar ganhando eleitores no mesmo ritmo e nem que a presidente Dilma não aumentará seu eleitorado. O jogo não foi zerado. O que houve foi simplesmente uma prorrogação.

Aécio terá que ganhar mais 8,04% de eleitores para empatar com Dilma. Somente a partir daí é que ele começará efetivamente a disputar a eleição contra a presidente. É possível? É, mas não é fácil.

Iris – A tarefa de Iris Rezende contra Marconi Perillo é ainda mais difícil. Marconi não conseguiu atingir a barreira dos 50% dos votos para vencer no 1º turno – faltaram menos de 5% dos votos válidos -, mas a votação de Iris ficou abaixo dos 30%. Iris terá que crescer 17,46% para empatar com Marconi, e só após esse patamar é que estará em condições de disputar realmente o 2º turno contra o adversário.

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De qualquer forma, e como o eleitorado não é estático, ao contrário do resultado final do 1º turno, Dilma e Marconi devem pisar no acelerador imediatamente. Isso porque eleições são decididas muitas vezes pelas tendências. Se Aécio e Iris criarem essa tendência de crescimento constante, como aconteceu com o tucano na reta final do 1º turno, é difícil segurar a onda. Se, ao contrário, Dilma e Marconi se mantiverem à frente e também crescerem, evitarão que se crie a onda da virada, que onde bate sempre provoca uma mudança e tanto.

Tudo pode acontecer no 2º turno? Sim, pode. Mas nesse “tudo” deve-se levar em conta também o “nada”. Aécio e Iris precisam de “tudo” e mais um pouco para repetirem o feito histórico de Mário Covas em 1989. E viradas são tão difíceis que são raras, e por serem raras se tornam históricas.

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Haverá 2ºturno ou não? Eis a dúvida

 

Para candidatos, militância e simpatizantes, este domingo vai ser cheio de emoções. E de decepções, também

Por um dos sistemas de votação mais modernos do mundo, a urna eletrônica, Goiás conhecerá seus eleitos

Por um dos sistemas de votação mais modernos do mundo, a urna eletrônica, Goiás conhecerá seus eleitos

Para milhares de pessoas, entre candidatos, militantes e simpatizantes, o dia de hoje só vai terminar nas primeiras horas da madrugada de segunda-feira, 6. Será quando provavelmente a Justiça Eleitoral já terá apontado eleitos e não eleitos, vencedores e derrotados. Um longo dia que apresentará o resultado final de um incessante trabalho de vários meses. E o que virá das urnas? Ninguém sabe, mas todos tem ao menos uma ideia do que poderá vir. Os processos eleitorais são bastante complicados, mas geralmente não reservam muitas surpresas. Elas ocorrem, claro, mas são muito raras.

Tempos modernos também nos processos eleitorais. O sistema mudou muito desde o retorno das eleições diretas para governadores, no início dos anos de 1980. Naqueles tempos, o voto era depositado em urnas de lona. O cidadão chegava na seção de votação, recebia um pedaço de papel, que se chamava cédula, e escrevia o nome ou o número de seus escolhidos. No final do dia, essas urnas eram reunidas em grandes espaços, geralmente quadras cobertas, e passavam a noite sob vigilância de soldados do exército. Ao amanhecer, iniciava-se a apuração dos votos. Urna por urna, voto por voto. A soma total era então transcrita num mapa geral da urna, um resumo. Em seguida, outra turma de apuradores somava os mapas e apresentavam, finalmente, o resultado final daquela zona eleitoral. Esse ritual todo era repetido simultaneamente em todas as demais zonas até chegar à apuração final da cidade, do Estado ou do país. Aliás, a apuração nacional só surgiu alguns anos depois, já no final dos anos de 1980, com o retorno também das eleições diretas para presidente da República.

Uma trabalheira infernal que levava alguns dias para ser concluída. E era tão precário o sistema de apuração que as fraudes eram rotineiras. Alguns candidatos conseguiam colocar simpatizantes/funcionários no processo de afunilamento dos mapas de apuração, que continham os nomes de todos os candidatos. E como era necessário somar vários mapas de urnas e transcrever essas somas num mapa maior, era possível “errar” na transcrição e dar votos a candidatos não votados, principalmente na enorme lista de candidatos aos legislativos. Isso tudo acontecia apesar dos exércitos de fiscais de apuração que os partidos mantinham em cada mesa de apuração.

Quanta diferença para o funcionamento da Justiça Eleitoral brasileira hoje em dia. O cidadão agora vai à seção eleitoral, se identifica, e segue para a cabine de votação. Encontra uma maquininha pronta para receber os números que ele digita como se estivesse num telefone qualquer, com cada número representando um candidato ou partido. No final do dia, basta retirar digitalmente os votos de cada urna e somá-los rapidamente em um computador central. Em pouco mais de alguns segundos se obtém resultados que antes só seriam conhecidos após vários dias.

É um sistema seguro? Há controvérsias, mas aparentemente, sim, é muito seguro. É óbvio que muitas pessoas desconfiam que os resultados podem ser fraudados. Não mais como antigamente, na ponta do lápis, mas virtualmente. Vez ou outra surge alguém acusando que seu voto, normalmente exótico — em um candidato sem qualquer expressão —, sumiu. No geral, porém, o mundo político aceita muito bem o sistema atual, e se aceita é porque confia nos resultados apresentados pela Justiça Eleitoral brasileira
É por tudo isso que hoje será um longo dia, e não o início de uma longa semana ou quinzena. Logo mais, nas primeiras horas de segunda-feira, Goiás provavelmente já conhecerá seus 59 ou 60 candidatos eleitos. Vão ser 41 deputados estaduais, 17 deputados federais, um senador e um governador, ou dois classificados para um 2º turno.

As últimas pesquisas eleitorais indicam que o governador Marconi Perillo (PSDB) está tecnicamente, dentro da margem de erro, com condições de ser reeleito já no 1º turno. Essa, por sinal, é a grande dúvida desta eleição: essas margens de erro vão funcionar para mais, como torcem os governistas, ou para menos, como sonham os opositores? De qualquer forma, inclusive entre os opositores, há unanimidade quanto ao fato de que, em eventual 2º turno, uma das vagas será de Marconi. A outra, apontam as pesquisas, será de Iris Rezende (PMDB), apesar da crença de Vanderlan Cardoso (PSB) e Antonio Gomide (PT) de que vão conseguir ultrapassar o peemedebista. A eleição vai terminar hoje, no 1º turno, ou haverá 2º turno? A decisão é sua, minha, de todos nós.

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Debate TV Anhanguera: opositores não tinham bala de prata

Líder nas pesquisas de todos os institutos, com a maioria inclusive apontando para possibilidade de vitória já no 1º turno, o governador Marconi Perillo foi ao último grande momento da campanha eleitoral, ontem, na TV Anhanguera/Rede Globo, com o único objetivo de se manter “vivo”. Deve ter saído satisfeito com o próprio desempenho. Ele não apenas sobreviveu aos ataques e questionamentos dos adversários como fez e sambou sobre todos os temas propostos.debate TV - 1Tanto que nas redes sociais após o debate, militantes e simpatizantes das candidaturas de oposição se apegaram a um fato extra-debate – uma postagem de blogueiro que conteria uma “ameaça velada” ao candidato do Psol, professor Wesley. Sobre o debate em si, pouquíssima repercussão.

debate Maconi:Iris

Confusos e equivocados – Disparadamente, os dois melhores debatedores foram Marconi Perillo e Antônio Gomide. Ambos falaram sem atropelar as palavras, de maneira clara e concatenada. Eles deram um “passeio” sobre os demais. Ambos demonstraram estar muito melhor preparados que seus adversários.

debate Iris

Iris Rezende, que em seu programa eleitoral de 2ª feira, acusou Marconi Perillo de estar sendo investigado no STJ, Superior Tribunal de Justiça, de manter contas no exterior (leia post neste site), não tocou no assunto. Em seus primeiros momentos, transpareceu certo descontrole. Iris, um debatedor de peso, esteve muito aquém do que se esperava dele. Transmitiu imagem cansada, sem pegada, e às vezes confuso.

debate vanderlan

Vanderlan Cardoso bem que tentou, mas gaguejou muito todas as vezes que precisou sair do script que ele seguiu durante a campanha, baseado num tal “plano de metas”. Quando abordava temas pertinentes ao plano, conseguia desenvolver bem a linha de raciocínio. Demonstrou disposição, mas preparação equivocada para um debate. Por exemplo, ao apresentar um questionamento em que foi surpreendido pela resposta. Sua “bala de prata” no debate de ontem era usar palavras ditas por Marconi Perillo em 1998 contra as pesquisas. Fez a pergunta e se enrolou com a resposta que soou como um direto no queixo dele. Marconi reafirmou o que havia dito em 1998 e ainda saçaricou sobre Vanderlan: “Fique tranquilo, candidato, a pesquisa que vale mesmo é no domingo (dia da eleição)”. O erro de Vanderlan nessa pergunta foi elementar: não se pergunta nada sem saber exatamente o que o adversário irá responder. Na preparação, deve-se levar em conta todas as possibilidades de resposta. Vanderlan, que esperava constranger Marconi, acabou constrangido.

debate prof wesley

O último debatedor, professor Wesley, do Psol, era um estranho nesse ninho de cobras criadas. (E só estava lá graças a pesquisa Ibope que o colocou com 1% a mais do que Antonio Gomide — correção: o candidato do Psol foi convidado porque o partido tem representação no Congresso Nacional, critério utilizado pela organização do debate). Nesse caso, seria muito melhor assistir a candidata do PCB, a também professora Marta Jane, debatedora que se revelou bastante eficaz nas eleições de 2010. Ou, para ficar no próprio Psol, o professor Pantaleão. Wesley tentou acertar a mutamba em praticamente todos os adversários, mas parecia estar usando um graveto e não um porrete.

debate gomide

No final, a impressão que ficou é que, no geral, os opositores fizeram um enorme “rastro de onça” sobre os debates, mas não souberam ou não conseguiram levar Marconi a nocaute. Gomide saiu maior do que entrou e os demais poderiam ter ficado em casa. Talvez pudessem ganhar mais com a própria ausência. Quanto à organização do debate, pra lá de aprovada, desde a apresentação até a formatação dos blocos, que privilegiou o debate entre os candidatos do início ao fim. Nota 10, sem qualquer reparo. (Fotos: site O Popular)