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Marconi, zé e vilmar

Tempo na TV: Marconi já garantiu quase metade

A primeira batalha nas eleições brasileiras é travada na conquista de amplas coligações. Quanto maior e mais representativa for a aliança de apoio, mais tempo de TV e rádio, na campanha eletrônica, e maior número de militantes nas ruas, na campanha do cotidiano. Marconi, zé e vilmarEm Goiás, até aqui, esse round inicial tem sido dominando amplamente pelo governador Marconi Perillo, candidato à reeleição. De acordo com as normais eleitorais em vigor, a rede de apoios do candidato do PSDB já assegurou praticamente metade de todo o tempo disponível para a campanha eleitoral deste ano. O PMDB/DEM, de Iris Rezende, aparece em segundo, seguido do PT, de Antônio Gomide, e o PSB, de Vanderlan Cardoso.

Cálculo

equação complicada fórmulaA regra para divisão do tempo de cada candidato a governador é aparentemente muito simples. São dois blocos de meia hora, um vespertino e outro noturno, seis dias por semana. Em três desses dias, há propaganda para governador. Um terço desse tempo é dividido igualitariamente entre todos os candidatos. Ou seja, se forem 4, cada um começa acumulando 2 minutos e meio. Se forem 5, serão 2 minutos.

mosaico partidos

Os 20 minutos restantes são divididos proporcionalmente de acordo com o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados de cada coligação, levando-se em conta os partidos registrados e habilitados em cada Estado. Se uma coligação é formada por 2 partidos, e cada um deles tem bancada com 20 deputados federais, o tempo será equivalente à soma, neste caso, 40 deputados.

Quadro atual

Restando cerca de duas semanas para terminar o prazo para a realização das convenções partidárias, há um amplo domínio no palanque eletrônico em favor da coligação liderada pelo governador Marconi Perillo. Ele já teria assegurado cerca de 13 minutos por bloco de 30, com o PMDB em segundo, com 6 minutos, o PT em terceiro, com 5 minutos e meio, e o PSB em último, entre os principais concorrentes, com 4 minutos. Esses tempos são aproximados, e ainda dependem do fechamento definitivo das coligações, mas devem ficar bastante próximos disso.

Relógio ponteiros

Essa mesma proporção se aplica também na quantidade de pílulas de propaganda eleitoral diárias, que são as inserções, geralmente com 30 segundos de duração, inseridas aleatoriamente nas programações dos rádios e das TVs, inclusive aos domingos, dia em que os blocos de meia hora não são exibidos, e devem ir ao ar até às 10 horas da noite.

Importância

No atual modelo de campanha política brasileiro, o tempo de rádio e TV é considerado fundamental, e em muitos casos até decisivo. Alguns especialistas garantem que raramente candidatos com pouco tempo nesse tipo de campanha conseguem vencer as eleições.

É inegável a importância da TV e do rádio numa campanha, mas talvez as estatísticas não levem em conta um efeito colateral igualmente decisivo para o sucesso ou não nas eleições: a massa da militância, e a abrangência dos partidos integrantes de uma coligação. Ou seja, além do tempo no rádio e na TV, as grandes coligações ganham também, e por consequência, uma rede partidária mais abrangente, e esse igualmente é um fator importante, ao manter de certa forma a influência da coligação como um todo em todos os municípios. Exemplificando: se o partido A tem forte penetração junto ao eleitorado de 5 cidades, mas praticamente não existe em outros 3, uma grande coligação pode incluir partidos que tendem a reforçar a campanha nessas cidades, mantendo assim a uniformidade da aliança, se tornando competitiva também nesses 3 municípios.

urna

De qualquer forma, uma eleição não é definida na TV, no Rádio ou no tamanho e amplitude da coligação. Isso tudo ajuda muito para levar o pedido de voto a todos os lugares e ouvidos, mas a última palavra será sempre do eleitor, este, sim, e sempre, decisivo.

Jack estripador

Serial killer em Goiânia? Medo cresce

Em sua página pessoal, no Facebook, o delegado Valdir postou que a população deve ajudar a polícia com alguma informação sobre os autores – ou autor – de assassinatos contra mulheres que tem acontecido em Goiânia. Disseminada pelas redes sociais, Face, Twitter e Instagram, a notícia, verdadeira ou não, da existência de um misterioso motoqueiro que mata mulheres a tiros sem qualquer motivo aparente, como decorrente de um assalto, está apavorando as goianienses.

assassino misterioso

No final da semana, outras duas mortes de mulheres foram registradas, em pontos distantes um do outro. No primeiro, um motoqueiro, que estaria em uma moto preta, atirou numa adolescente que estava acompanhada de amiga. No segundo, a vítima foi uma moça de 17 anos, grávida, que voltava de uma igreja com seu marido, um rapaz de apenas 20 anos. O autor estaria em uma moto vermelha.

Até agora, a polícia civil não diz se há ligações entre as várias mortes de mulheres, quase todas de pouca idade. No meio da semana, reportagem do jornal O Popular, o maior e mais importante de Goiás, mostrou que o medo se estendeu a donos de motocicletas de pretas de pequena cilindrada. Os donos temem ser confundidos com o possível assassino.

A situação merece, e certamente tem recebido, atenção especial das forças policiais da Capital, mas também é preciso informar melhor a população sobre o que realmente está acontecendo. Sob pena de a notícia, falsa ou não, criar ainda mais pânico.

Jack estripador

O mais famoso serial killer da história teria sido um inglês, que ficou conhecido como Jack, o estripador. Ele matava e recortava mulheres em Londres, e jamais foi descoberto.

Partidos: definições de candidaturas

Faltando pouco mais de duas semanas para o prazo final das convenções partidárias, os partidos políticos estão anunciando aos poucos as suas atrações eleitorais para este ano.

Por enquanto, nenhuma novidade e nem disputa. Em Goiás, o PMDB deve confirmar Iris Rezende, o PSB já definiu Vanderlan Cardoso e o PSDB vai com Marconi Perillo. O restante da chapa, vice, senador e 2 suplentes, ainda não estão definidos. A chapa mais adiantada nesse sentido é a do governo, com José Eliton, PP, na vice, e Vilmar Rocha, PSD, ao Senado. No PMDB, é fortíssima a perspectiva da confirmação do nome do deputado federal Ronaldo Caiado para o Senado.Congressos. Seminários. Palestras

As coligações também vão sendo definidas. Por enquanto, Marconi já anunciou o apoio de 14 legendas, entre as quais PSDB, PP, PSD e PTB. O PDT pode definir ainda hoje, segunda-feira, 16.

A chapa completa dos candidatos terá que ser definida até o final do mês, prazo final dado pela legislação eleitoral. A partir de julho, estará aberta a temporada 2014 de caça aos votos.

Lula assusta empresários paulistas

A notícia saiu meio despretensiosa em alguns jornais do eixo Rio-São Paulo. Alguns empresários estão se assustando com nova diretriz do discurso de Luiz Inácio Lula da Silva. Para eles, o líder petista tem abusado da retórica ¨nós contra eles¨.

PMDB de Jataí não apoia Iris

humberto-machado

A notícia foi veiculada pela coluna Giro, de O Popular. O prefeito Humberto Machado, de Jataí, disse que não vai apoiar candidato que solapou as candidaturas de Maguito Vilela, em 1998, Henrique Meirelles e Jr Friboi. Não precisou ser mais claro. Leandro Vilela, deputado federal, e Daniel Vilela, deputado estadual, todos eles integrantes do PMDB de Jataí, se mantem como aliados de Jr Friboi.

Caiado-hoje

O que pode derrotar Caiado?

O deputado federal Ronaldo Caiado, presidente do DEM de Goiás e uma das maiores lideranças do Estado em nível nacional, um político experiente, de rara inteligência num mundo dominado pela intuição, pode ter cometido um erro cujo preço, se for realmente cobrado, será caríssimo. Inclusive ao ponto de comprometer sua esperada e tranquila eleição para o Senado da República. Olhando assim, e dessa forma, Caiado pode estar cometendo um dos maiores erros políticos em mais de 20 anos.

Caiado -1

Caiado é candidato ao Senado. Encafifou com isso. E ele tem toda a razão. Não há mais o que fazer na Câmara dos Deputados. Não para um político inquieto como ele. É óbvio que um novo mandato de deputado federal seria facilmente conquistado. Mas o que acrescentaria para ele? Nada, certamente. Ronaldo Caiado subiu degrau por degrau na escala do poder na Câmara dos Deputados. Extrapolou inclusive o próprio destaque natural concedido a um líder de bancada. Ele hoje é maior do que a liderança do DEM. Ele se transformou em referência nacional de um segmento do Brasil.

Nada mais apropriado, portanto, que procurar mandato no Senado, a casa revisora. E ele tem tudo para vencer a disputa. As pesquisas feitas até hoje para o Senado indicam que apenas Iris Rezende seria ameaça real. Os demais, qualquer nome, não tem, teoricamente, chances reais numa disputa majoritária contra ele.

Mas ele pode ter cometido, ou estar cometendo, um erro político que pode gerar consequências terríveis para a imagem que ele cultuou por mais de 20 anos, e que lhe daria total vantagem na disputa pela única vaga do Senado: o leilão de sua candidatura.

Melhor de 3

Não se está leiloando quem da mais em termos financeiros. Caiado não precisa disso. Portanto, não é este o caso. O problema é sua enorme capacidade até aqui de zanzar de um lado para o outro. No primeiro momento, estava absolutamente fechado com a tal 3ª via de Vanderlan Cardoso. Inviabilizado lá graças a uma estupidez política e inconsequência eleitoral de Marina Silva, a vice de Eduardo Campos, tentou se reaproximar da base aliada estadual. Barrado também aí, talvez se viabilize candidato ao Senado via PMDB de Iris Rezende.

Marconi e Vanderlan

Esse é o leilão. Se for candidato numa chapa peemedebista, como foi anunciado, o que ele teria para oferecer ao PMDB na disputa pelo governo? Seu afiado e famoso discurso, imagina-se de imediato. Mas ele só poderá usar seus argumentos contra Antônio Gomide e Dilma Roussef, do PT. Nada que realmente conte votos a favor de Iris Rezende. Ele não teria condições, a não ser que julgue insignificante a possibilidade de arriscar sua credibilidade, de criticar Vanderlan ou mesmo Marconi, de quem tentou ser e receber aliança antes de abarcar o mundo eleitoral peemedebista.

A verdade é que Ronaldo Caiado tem pouco a oferecer ao PMDB e muito pouco também para receber. Dificilmente os peemedebistas vão brigar por ele nas urnas se ele não brigar pelo candidato do PMDB. Mas como brigar contra os adversários do PMDB se ele tentou se manter um deles?

Caiado-hoje

O mundo político é fascinante exatamente porque não tem nada de ciências exatas. Na matemática eleitoral, Caiado construiu contra ele próprio uma equação complicada. Ele terá que resolver isso, e pode ser que o caminho seja uma solução simples, e não composta. Seria a única forma, neste momento, de preservar o melhor da imagem de Caiado junto ao eleitorado: a coerência. Resta saber se isso seria suficiente para dar a ele o merecido mandato de senador.

Palanque de Iris inicia campanha em 2014 menor que em 2010

Sem o brilho numero de antigamente, Iris se lança candidato

Palanque de Iris inicia campanha em 2014 menor que em 2010

Palanque de Iris inicia campanha em 2014 menor que em 2010

Provavelmente, jamais Iris Rezende anunciou uma candidatura a cargo público de forma tão isolada. Desde 1982, quando venceu pela 1ª vez a disputa pelo governo de Goiás, cada movimento de Iris numa campanha significava a movimentação de uma formidável força eleitoral que extrapolava os limites do próprio PMDB. Desta vez, não. Em evento num recinto pequeno, o auditório Costa Lima, da Assembleia Legislativa, com capacidade máxima de 180 pessoas esgotada, e ladeado pelo senador Valdir Raupp, presidente nacional do PMDB, e do vice-presidente da República e candidato à reeleição Michel Temer, além do prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia, Iris anunciou mais mais uma vez que vai disputar o governo do Estado este ano.

Foi uma festa, evidentemente, mas sem a exuberância de outros tempos e outras campanhas. O partido nunca havia iniciado uma campanha eleitoral sem pelo menos meia dúzia de partidos aliados. Ontem, nem mesmo o PMDB estava completamente representado, num claríssimo sinal de que a propalada e necessária união interna não foi conseguida até agora. Faltaram deputados federais e alguns estaduais, além de mais de uma dezena de prefeitos.

Discurso duro contra dissidentes

Iris não ignorou as ausências, e pode ter sinalizado de que perdeu completamente as esperanças de ver todos os peemedebistas unidos novamente. Ele acusou indiretamente os dissidentes de se renderem ao governador Marconi Perillo. E acrescentou, no melhor estilo da raposa com as uvas verdes, que não precisa do apoio de deputados federais e demais dissidentes. ¨Quem vota não são os deputados. São os pais, as mães¨, atacou. Iris tem razão num ponto: deputados tem direito a apenas um voto, como todos os demais cidadãos/eleitores. Mas é óbvio que eles são muito importantes em outro tipo de ação: pedir votos.

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É exatamente esse o papel fundamental que se espera de uma coligação. Aliados e militantes são sempre bem-vindos em qualquer campanha na tarefa de espalhar a mensagem dos candidatos. Iris deixou o auditório Costa Lima acreditando mais em histórias bíblicas do que no papel que esse tipo de apoio desenvolve numa campanha eleitoral.

Caiado e Vanderlan

De qualquer forma, e longe do palanque, é certo que o líder peemedebista não desaprendeu a fazer política. A partir de agora, ele vai procurar desesperadamente ampliar as forças do dividido PMDB para ampliar as suas chances na eleição. Nas hostes iristas, tem se falado insistentemente nos últimos dias numa composição que inclui Vanderlan Cardoso, do PSB, e Ronaldo Caiado, do DEM. Uma chapa com esses 3, com Vanderlan na vice e Caiado ao Senado, seria realmente muitíssimo interessante para Iris. Mas, aparentemente, não será fácil costurar essa aliança.

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Caiado, inicialmente, estava totalmente integrado ao grupo de Vanderlan Cardoso. Mas Marina Silva, inicialmente, e Eduardo Campos, depois, vetaram seu nome peremptoriamente. Vanderlan acusou o duro golpe, mas aceitou resignado.

Imaginar que o comando nacional do PSB não aceitou Caiado como candidato ao Senado numa chapa liderada por Vanderlan, e que mudará de ideia se o socialista goiano abrir mão da cabeça de chapa para Iris tendo Caiado exatamente como candidato ao Senado é uma conta complicada. Se vetou a aliança com Caiado antes, tendo Vanderlan como candidato principal, por que aceitaria agora com ele deixando de ser protagonista para ser coadjuvante como vice? Essa é uma conta que, por enquanto, não fecha.

Iris começa a campanha, portanto, como um nome consagrado junto ao eleitorado, mas completamente isolado num grupo de alcance restrito dentro do PMDB. Ele tem pouco tempo para melhorar a composição de seu exército, e terá que compensar as dificuldades explorando certa perspectiva de poder que sempre rondou sua atuação político-eleitoral graças ao enorme eleitorado cativo que o credencia como um dos candidatos mais fortes. Pode não ser suficiente, mas é o que ele tem no momento.

Criança correndo na praia

Tô véio. ¨Tá mesmo¨. Saco.

Eu não acho que estou ficando velho. Eu sou velho. Um ¨véio¨. Aliás, sem essas aspas aí. Sou véio.

E acho que isso, a veiêira, desandou algumas coisas em mim. A impaciência é uma delas. Tô mais impaciente com determinadas situações. Não sei se isso é bom ou ruim. Às vezes acho que é bom, às vezes, ruim.

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É o caso da punição da Santa Madre Igreja Católica de Goiás ao padre Cesar. Catzo, me identifico com o catolicismo. Mas puniram o padre Cesar porque ele abençoou a casa de um casal do mesmo sexo. Numa Igreja que já flagrou tantos bandidos corruptos, tantos pedófilos mundo e séculos afora, o crime do padre César foi ter falado sobre o amor do Deus católico para duas pessoas que se percebem apaixonadas uma pela outra. Logo agora que, no Vaticano, um tal Francisco se perguntou recentemente quem ele é para condenar os gays que o procuram.

Ahh, mas não leve isso em conta. É coisa de véio. Véio ranzinza.

Ainda bem que a veiêira não me trouxe só impaciência. É sempre assim. A vida nos da alguma coisa e tira outras que talvez não sejam mais tão necessárias.

Criança correndo na praia

O vigor físico por exemplo. Não tenho mais o pique de antigamente. Me lembro que na adolescência os estudantes faziam um tal de teste de cooper. Durante 12 minutos, a molecada corria o máximo que conseguia. Sempre conseguia ficar entre os melhores.

Me pego imaginando como seria hoje… Acho que daria alguns passos, olharia pro resto do percurso e para o relógio e… ahh, dane-se o cooper. Quero lá saber se ainda consigo correr uns quilômetros ou uma centena de metros. Procuraria uma bela sombra, me sentaria da maneira mais confortável possível e contemplaria a paisagem. E se a paisagem não fosse interessante, então contemplaria minhas saudades e meus pensamentos.

velho no banco

Gosto de chorar as minhas saudades. E de rir delas também. De amá-las mais uma vez. Acho que todo véio e toda véia é saudosista. Eu sou. Mas até isso, a saudade, a veiêira muda. Quando era mais moço, me percebia com saudade de pessoas. Hoje, sinto saudades das sensações vividas e causadas. É engraçada essa diferença. Tão pequena e com efeitos tão grandes.

O tal teste de cooper… Não sinto nenhuma saudade do desempenho que alcançava, e que na época era tão importante para mim. Talvez tenha certa lembrança boa do prazer que sentia quando conseguia baixar meu tempo.

Aliás, ando tão véio que me desviei do texto… Saco. Véio sempre se rende emocionalmente. E vai se deixando envolver…

….

Ontem ou anteontem, não me lembro, um amigo me questionou numa ligação. Papo vai, papo vem e eu disse que ¨tava¨ véio.

–       Tá nada, ¨cê¨ ainda é um meninão.

–       Só se for no meu jeito de ser…

–       Não. Tô falando de idade mesmo. Quantos anos você tem, Afonso?

–       54, cara, 54…

–       Tô falando que você é menino. Eu tô com 62 e ainda tô inteiro.

Na hora eu percebi como é a coisa. Meu amigo tenta me remoçar para pegar carona. Se eu, aos 54, sou menino, ele, aos 62, é o que, um adolescente?

É no geral esse negócio aí. Se eu falo que sou o que sou, véio de 54 anos, sempre escuto que sou novão e tal e coisa. E quem fala isso tem mais ou menos a mesma idade, é mais véio ainda ou muito novo. No caso, a moçada fala na base da compaixão. ¨Que nada, (veião – palavra omitida no diálogo) você tá novo¨.

O único ser sincero com os véios são os filhos. Pelo menos, no meu caso é assim. No auge de algum quebra pau com o Afonsim, por exemplo, eu decreto:

–       Tô véio demais para isso.

–       Tá mesmo.

Vai ser sincero assim na pu… na casa da mãe… De positivo, apenas a sinceridade dele. De negativo, a concordância: ¨tá mesmo¨. Saco.

alerta -  placa

Impeachement de Paulo Garcia: não há motivos reais

Há mais ou menos duas semanas, neste site, apresentou-se uma análise em que se afirmou que um movimento pequeno, ¨aqui e ali¨, de alguns setores dos servidores públicos municipais e nas redes sociais, havia sido detectado. Esse movimento de alcance bastante restrito indicava na direção de um pedido de impeachment do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, e chegava a traçar paralelos entre a crise administrativa atual com a grande e devastadora crise política da década de 1980, que resultou no afastamento do então prefeito Daniel Antônio.

A crise enfrentada por Daniel Antonio (foto recente) teve origem política

A crise enfrentada por Daniel Antonio (foto recente) teve origem política

Naquela análise deste site, o leitor pode perceber que a distância entre uma situação e outra é de anos-luz, e que a crise atual, embora afete o desempenho da administração, se restringe às dificuldades financeiras, enquanto a anterior tinha origem no aspecto político.

cofre vazio

Exatamente uma semana depois, o pequeno e restrito movimento veio à tona, e um pedido de impeachment chegou à Câmara dos vereadores no final da semana passada, e amanhã, terça-feira, 10, vereadores irão votar pelo prosseguimento da ação ou sua rejeição precoce.

O bom senso indica apenas em uma direção, como apontou a análise anterior: o pedido deve ser rechaçado. Se não por sua completa e total inconsistência, também porque há claros indicativos de que a Prefeitura finalmente iniciou o trabalho de recuperação das finanças seriamente abaladas. E, repita-se, a crise não se alastrou do cofre para o aspecto político.

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As crises financeiras graves podem, sim, desencadear fortíssimas crises políticas que levem a uma situação de impeachment. Não é este o caso, como foi claramente dito antes, neste momento. Mas se o caixa da Prefeitura não sair do sufoco, certamente a própria administração será sufocada também politicamente.

A origem da crônica doença da corrupção

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Ontem, domingo, 8, o Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma reportagem que abordou o nebuloso mundo da corrupção política brasileira. Mais uma vez, ficou bastante claro que a maternidade desse sistema de ladroagem nasce na estruturação das campanhas eleitorais.

Caiado e Otoni

Há 8 anos, 2 deputados goianos de matizes ideológicas completamente opostas, Ronaldo Caiado, do DEM, e Rubens Otoni, do PT, nessa ordem inclusive cronológica dos trabalhos, se debruçaram sobre a necessária reforma política. Apresentaram um conjunto de medidas absolutamente apropriado, moderno. Até hoje o tema continua engavetado no Congresso Nacional, enquanto paralelamente a corrupção originada nas eleições só faz crescer. Até quando?

A Copa é sua, coxinha

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Se quem paga é dono, então a Copa não é de nenhum governo ou partido político. A Copa é dos brasileiros. De todos eles, inclusive dos tais coxinhas, a classe média que proporcionalmente é quem carrega o país nas costas, e paga as contas onerosas de tudo o que aí está.

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3 – Ao se inscrever, o internauta autoriza automaticamente a divulgação de seu nome pelo site caso seja o ganhador dos prêmios, assim como o registro de sua imagem em foto, ou de parte do endereço constante em encomenda via Sedex

4 – Os prêmios indicados como campeão e bi são exclusivamente para retirada em Goiânia

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Acabou: Friboi joga a toalha e pede a conta

???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????O sonho de ser governador do Estado de Goiás de Jr Friboi chegou ao fim de forma melancólica nesta segunda-feira, 2. O próprio empresário entrou com contato com alguns dirigentes de partidos aliados e candidatos a deputado estadual e federal e avisou que sua saída agora é definitiva. O pessoal de seu escritório já foi demitido e dispensado do cumprimento de aviso prévio. ¨Agradeço publicamente pela oportunidade de ter trabalhado com Jr Friboi¨, tuitou no início da tarde o agora ex-assessor de imprensa do peemedebista, o experiente jornalista Rodrigo Czepak.

Sobre os inúmeros compromissos financeiros que ele tinha feito com candidatos de todos os partidos, a mensagem é coletiva: a partir de agora, o caixa está fechado. Pessoas muito próximas admitiram que Jr Friboi pretende analisar caso a caso, e é possível que ele apoie financeiramente umas poucas candidaturas. Pelo menos quatro candidatos a deputado federal e estadual do PMDB já estariam revendo suas posições, e podem abandonar projeto eleitoral este ano.

Sonho antigo

Esta não foi a primeira vez que Jr Friboi tentou entrar para a política ocupando logo de cara o governo estadual. Ligado inicialmente a Marconi Perillo, o empresário tentou se viabilizar em 2006, mas nem chegou a formalizar sua candidatura pelo PSDB.

Paralelamente ao fato da empresa de sua família, a JBS, ser escolhida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das ¨campeãs do Brasil¨ – termo utilizado em Brasília que serve como senha para abrir os cofres do BNDES e apoiar a expansão internacional de determinadas empresas, como é o caso da JBS e foi com as empresas X de Eike Batista –, Friboi se distanciou dos tucanos de Goiás, e passou a eleger Marconi como inimigo político número 1.

Ele teve uma rápida passagem pelo PSB de Goiás até desembarcar no PMDB após se entender com os dirigentes nacionais da sigla, como o vice-presidente Michel Temer. Aparentemente, as negociações envolviam caminho livre para a sua candidatura ao governo do Estado.

Desde o início, já se sabia, em Goiás, que o mar de rosas prometido pela cúpula nacional do PMDB a Friboi estava lotado de espinhos, e que todos eles atendiam por um só nome: Iris Rezende. O líder regional do partido jamais aceitou bem esse atalho federal adotado por Friboi. Ao lado de sua esposa, a deputada federal dona Iris, chegou a se deslocar até Brasília para convencer os chefões do PMDB a retirar o apoio dado a Friboi. Sem sucesso por lá, iniciou imediatamente em Goiás a movimentação que minou as condições de atuação interna e externa de Friboi, causando sua instabilidade.

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Na sexta-feira, 23, na página Eleições, neste site, análise sobre a carta renúncia de Friboi observava que ainda não se podia avaliar concretamente se o gesto do empresário era definitivo ou mera cartada política interna: ¨Essa resposta tem uma singela e definitiva resposta, que Friboi dará ou não nos próximos dias: se ele retornar ao Estados Unidos, onde mantém uma bela casa no estado do Colorado, de onde saiu para se aventurar pela selva política goiana, ficará bastante evidente sua retirada definitiva do processo. Se ele ficar por aqui, se mantiver seu bunker político aberto e com funcionários, certamente a escapada do marruá não terá qualquer significação no aspecto ostracismo. Sua sombra vai se projetar permanentemente sobre Iris, e sobre o cenário geral como um todo

Friboi não voltou para os Estados Unidos, mas já deixou Goiânia. Amigos dizem que ele viajou para sua fazenda, no município de Posse, nordeste do Estado.

Sem Iris, eleitorado migrou para todos os demais candidatos

Palanque do PMDB já tem uma definição

 – Jornal Opção

Iristas e friboizistas debatem candidatura a governador pelo PMDB, mas o palanque está armado

Iris Opção

Iris Rezende sempre teve a força majoritária no partido, que hoje tem preferência por Júnior Friboi

 

Mauro Borges foi atropelado pelo irismo no passado Irapuan Costa Junior foi combatido pelos santillistas

Mauro Borges foi atropelado pelo irismo no passado
Irapuan Costa Junior foi combatido pelos santillistas

Nem Júnior Friboi nem Iris Rezende. A primeira atração do PMDB para as eleições deste ano em Goiás é a divisão interna sem precedentes. Ja­mais o partido, eternamente em guerra interna, se deparou com crise tão grande. Antes, o processo era solucionado pelo enorme disparidade que havia entre o poder dos grupos principais, com fortíssima predominância irista. Hoje, o minoritário grupamento liderado pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, rivaliza com Iris graças à presença de Friboi. Mesmo os mais extremados peemedebistas de um e do outro lado admitem que a união interna está definitivamente comprometida, independentemente de quem quer que seja o candidato ao governo.

O PMDB jamais foi exatamente o que se pode chamar de partido unido. Sempre esteve, por esse prisma, a dezenas de bilhões de anos-luz de partidos como o PT e o DEM, para ficar em dois exemplos de partidos ideologicamente distantes. Os petistas, que se abrigam sobre o enorme guarda-chuvas partidário, travam brigas internas constantes desde o seu início. Na prática, é como se dezenas de partidos convivessem na mesma área partidária. A diferença é que a porção majoritária e vencedora acolhe os grupos derrotados e ambos caminhos unidos depois. No DEM, nem isso existe. O partido parece ser sempre um só.

O PMDB sempre teve grupamentos internos bastante definidos. No auge do poder peemedebista em Goiás, logo após a redemocratização do país, na década de 1980, conviviam pelo menos quatro grandes grupos no partido. Os dois maiores eram liderados por Iris Rezende e por Henrique Santillo. Em seguida, orbitando às vezes num desses dois polos às vezes no outro, se situavam os grupamentos liderados por Mauro Borges e Irapuan Costa Júnior.

O primeiro grande enfrentamento interno somou os interesses dos grupos de Iris e Santillo, que se uniram para combater qualquer avanço do grupo de Mauro Borges nas eleições de 1986. Logo depois, os dois grupos vencedores também entraram em choque, definido inicialmente a favor de Santillo, que contou com o apoio do grupo de Irapuan, que havia embarcado na nau peemedebista pelas mãos de Iris Rezende, e que foi alvo de ataque do grupo santillista no primeiro momento.

Aos poucos, Iris se reforçou com parte do grupo de Irapuan, que foi incorporada, e já em 1990 conseguiu definitivamente derrotar santillistas e o que havia restado do grupo irapuanista. Livre e sem ter que negociar posições internamente, os iristas trataram de impedir que Nion Albernaz e seu pequeno grupamento – irista, diga-se – pudesse crescer a partir da candidatura dele ao governo do Estado em 1994, ao mesmo tempo em que também desestimularam o surgimento de uma segunda célula semi-independente, liderada pelo então deputado federal Naphtali Alves. Para isso, os iristas apostaram na candidatura do então vice-governador de Iris, Maguito Vilela.

O que ninguém entre os iristas imaginava é que Maguito se tornaria rapidamente um dos governadores mais populares da história de Goiás, superando inclusive o próprio Iris Rezende em seus dois mandatos. Assim, em 1998, a candidatura de Maguito à reeleição era absolutamente natural e considerada imbatível mesmo por opositores. Os iristas travaram então aquela que seria a última batalha interna antes do conflito atual, e Maguito se viu bloqueado na tentativa de se reeleger e foi despachar no Senado da República do alto de uma montanha de votos.

Todos esses fatos e embates históricos na vida orgânica do PMDB de Goiás jamais foram fator de sucesso ou fracasso nas urnas. Até 1998, os peemedebistas ganharam praticamente tudo o que disputaram. Hoje, e pela primeira vez, a situação é diferente. Iris Rezende não possui mais o mesmo poder interno que possuía antes. Nem seu grupo é tão grande e numeroso que possa dispensar os grupamentos menores derrotados como ocorreu ao longo de todo o processo.

Por outro lado, Iris enfrenta um oponente endinheirado e determinado que não se preocupa com o preço político que terá que pagar por sua ousadia, até por falta de perspectivas políticas futura. Friboi não é político, e se perder a disputa e o rumo, vai sair desse mundo tão rapidamente quanto entrou, sem qualquer tipo de drama pessoal além de feridas de cicatrização rápida. Os antigos adversários eram diferentes de Friboi exatamente nesse aspecto: todos eles tinham alguma forma de responsabilidade política com o futuro. Friboi, não.

O grande drama do PMDB e seus dois rivais internos é que nenhum deles conseguirá unir o partido na campanha. De quebra, isso poderá provocar um dano colateral que ainda não é possível mensurar com certa exatidão, que é o trabalho de costura de ampliação das alianças. Hoje, um dos pontos fundamentais de qualquer candidatura realmente competitiva é sua capacidade de agregar aliados externos. Iris perdeu essa condição política e Friboi ainda não deu mostras de que tem qualquer tipo de atração além do aspecto financeiro. Em ambas as situações, são fatores que complicam, e somente uma fortíssima e real perspectiva de poder imediato conseguiria efeito amenizador. Mas como chegar a esse patamar de perspectiva com um partido que até agora só conseguiu definir a divisão interna no palanque eleitoral? Não vai ser fácil.

Paulo-Garcia-Expressão

Crise na prefeitura de Goiânia pode desencadear impeachment ou intervenção?

A prefeitura de Goiânia se tornou uma central de má notícias. Semana sim e semana não também, alguma coisa para de funcionar ou perde completamente o ritmo. Obras se arrastam ou praticamente não saem do papel, lixo se acumula nas portas das casas durante dia e dias, funcionários públicos perdem parte dos salários, buracos picotam o asfalto em milhares de ruas com buracos cada vez maiores mesmo num período sem chuvas. Enfim, as funções primárias de qualquer administração municipal estão sendo sistematicamente afetadas. E não existe nenhum indicativo de que o sufoco é temporário e será rapidamente superado.

Foto de arquivo. Voltará a ser atual?

Foto de arquivo. Voltará a ser atual?

Nas redes sociais, e entre funcionários públicos, surge aqui e ali quem defenda o impeachment do prefeito Paulo Garcia ou, no mínimo, que o Estado decrete intervenção e assuma o comando administrativo da capital. Os defensores da solução dramática traçam paralelos com o período de 1986/1988, do prefeito Daniel Antônio, do PMDB, quando houve intervenção decretada pelo então governador Henrique Santillo (já falecido), também do PMDB. Há semelhanças entre as duas situações? Algumas, mas não todas.

Crise na Administração Daniel Antônio levou à intervenção

Crise na Administração Daniel Antônio levou à intervenção

Crise política e administrativa

O colapso parcial da administração de Paulo Garcia está intimamente ligado à falta de dinheiro. Politicamente, a crise existe, mas não se expandiu para o campo administrativo. Em meados da década de 1980, exatamente na primeira administração eleita diretamente pela população no retorno das eleições diretas nas prefeituras de capitais e cidades consideradas de interesse da segurança nacional (em Goiás, a única cidade nessa condição era Anápolis, em função da localização da base aérea), Daniel Antônio havia perdido completamente as condições políticas, numa crise que não foi detonada pelas condições financeiras.

Essa desestruturação política desencadeou uma crise administrativa que provocou uma onda de choque paralisante e crescente nos serviços essenciais. Daí para o aspecto moral foi um passo curtíssimo.  Denúncias de corrupção se tornaram arroz de festa. Até que uma bomba arrasadora explodiu na Câmara Municipal, atingindo diretamente quase todos os vereadores. Apenas 3 deles se livraram, e foram eles exatamente os autores da denúncia: o prefeito teria sido chantageado pela Câmara.

A sede da câmara Municipal era no 9º andar do edifício Parthenon Center

A sede da câmara Municipal era no 9º andar do edifício Parthenon Center

A mistura se tornou nitroglicerina pura. A administração, que já encontrava em crise profunda e grave, atolou de vez. A única solução, que seria a Câmara Municipal, havia afundado junto. Aí, não restou alternativa: atendendo pedido aprovado pelos vereadores acuados, o governador Henrique Santillo sacou a caneta e decretou a intervenção na prefeitura, afastando o prefeito Daniel Antônio e nomeando o então vice-governador, Joaquim Roriz, interventor.

Cenário é idêntico?

De certa forma, há muitas semelhanças entre a crise da década de 1980 que resultou em intervenção – e que evitou um processo de impeachment – e a atual: paralisação parcial ou total de setores inteiros da prefeitura, crise permanente e moral na Câmara Municipal. As semelhanças param aí. Daniel Antônio enfrentou denúncias diretas de corrupção, ao contrário de Paulo Garcia, jamais acusado de qualquer falcatrua. A crise  com Daniel teve origem política que arrasou a governabilidade, o que também não é o caso atual, de crise originada em provável desequilíbrio financeiro.

Medida de força está completamente descartada?

A pergunta que paira sobre os destinos de Goiânia, porém, faz sentido: se a crise financeira é grave e até agora não se apontou claramente para uma solução estrutural, pode-se ao menos imaginar que inexoravelmente a superação dos problemas vai passar por medida de força extrema e externa? A resposta, neste momento, é não. É claro que o agravamento da crise financeira poderá desencadear também um processo que deteriore a governabilidade político-administrativa, mas não é este o caso. Repita-se: por enquanto.

Paulo-Garcia-Expressão

A administração Paulo Garcia precisa urgentemente equacionar o problema financeiro sob pena de ver o buraco à sua frente crescer como voçoroca descontrolada que engole tudo ao seu redor. Não há muito mais tempo. Crises financeiras tendem a se agravar quando não estancadas na origem ou logo nos primeiros sintomas. Descobre-se agora, por exemplo, que não apenas as obras estão paralisadas, mas que alguns fornecedores importantes, como a Ita Transportes, estão há meses sem receber pelo serviço prestado ou pelos produtos vendidos. Ou seja, tem se reservado o dinheiro curto para se atender o pagamento dos salários dos servidores, e quase mais nada além disso.

Cairo: salários podem atrasar

Cairo: salários podem atrasar

A perspectiva sobre o futuro, porém, inclusive nesse aspecto, é sombria. O ex-secretário de finanças, Cairo Peixoto, um craque da área, em sua passagem relâmpago pela secretaria, abriu parte da caixa preta e avisou que a folha de pagamento está se tornando tão problemática que existe a real possibilidade de se atrasar os salários. Isso poderia se tornar, se realmente acontecer, no pavio curto da explosão de uma crise também política, o que espremerá a Câmara Municipal, fatalmente, num dramático impasse. Nesse caso, e apenas aí, a resposta para a pergunta sobre impeachment ou intervenção seria sim.