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Crise gravíssima no Congresso, e o presidente cumpre agenda geralmente de… 1ª dama

Quando tudo está sob céu de brigadeiro, uma agenda presidencial amena torna-se positiva. Mas nos momentos de crise aguda, com reflexos que já atingem diretamente os mais basilares princípios de ordem administrativa, fatos assim tornam-se incompreensíveis. Não é possível nem mesmo arriscar alguma análise psicológica.

Bolso e Michele no cinema

O dia do presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, 26, começou oficialmente às 11 e meia da manhã. Antes disso, ele curtiu um cineminha com a patroa, no lançamento, para convidados, de um filme temático. É verdade que não foi uma sessão comum. Ela teve um caráter bastante positivo com mecanismos de inclusão social de surdos/mudos.

Dona Michele Bolsonaro é uma grande defensora dessa tese. Antes de se tornar 1ª dama, ela teve atuação na igreja evangélica que frequenta exatamente nessa área. Seria, portanto, uma agenda bastante positiva, mas acabou ofuscada exatamente pela presença do presidente num momento tão grave.

Não tem base: governo Caiado ainda não tem sustentação no parlamento

Apesar de ter sido eleito com uma força eleitoral impressionante, como pouquíssimas vezes se viu na história de Goiás, o governador Ronaldo Caiado ainda não conseguiu formar uma base de sustentação na Assembleia Legislativa. Tempo para isso ele teve, e bastante. Caiado foi eleito na 1ª semana de outubro, com 60% dos votos, em turno único. Até sua posse no governo, em janeiro, ele teve 2 meses e 3 semanas. Após assumir o comando, foram mais 2 meses e 3 semanas. Tudo somado, 5 meses e meio.

Sem base aqui, governo fica capenga

Sem base aqui, governo fica capenga

É evidente que a falta de perna no legislativo deixa a administração capenga. A sorte do governador é que a Assembleia Legislativa, inclusive os deputados mais dedicados do campo oposicionista, não tem propensão alguma para criar pautas-bomba. De certa forma, isso tem amenizado o problema, mas certamente não será sempre assim. A base no parlamento ameniza os impactos negativos, servindo como amortecedor de crises. Sem essa estrutura, a tendência natural é a ampliação dos problemas. Em alguns casos, até pela ausência de interlocutores políticos, que tem poder de diálogo e convencimento, o que nem sempre é uma característica dos secretários de Estado, que tratam as questões muito mais do ponto de vista técnico.

Não dar a devida atenção para a formação de uma base consistente no parlamento é flertar com crises e barulhos normalmente evitáveis.

Deputado Eduardo Bolsonaro fala em guerra com a Venezuela como se fosse brincadeira de criança com “Forte Apache”, da Estrela

Os mais velhos devem se lembrar de um brinquedo fabricado pela Estrela no Brasil chamado Forte Apache. Era uma miniatura dos fortes do velho oeste americano, e a criançada simulava batalhas entre índios e soldados. Com todo o respeito, mas o deputado federal Eduardo Bolsonaro deve ter brincado bastante com Forte Apache. Em entrevista a um canal de televisão no Chile, durante a visita oficial do pai dele, o presidente Jair Bolsonaro, Eduardo foi perguntado sobre a gravíssima crise na Venezuela. Ele respondeu que Nicolás Maduro, o ditador que conversa com passarinhos, só vai deixar o comando do país com o uso da “força”.

FORTE APACHE

O casal de entrevistadores aparentemente se surpreendeu com a resposta, e insistiu. Eduardo disse que “guerras causam muito sofrimento” e tal, mas que não haverá outra forma de Maduro deixar o comando.

Procurado para falar a respeito, Bolsonaro, o presidente, disse que todas as possibilidades estão sobre a mesa, mas descartou a explosão de uma guerra. “Tem gente que fica divagando por aí”.

Pois é, presidente, é melhor falar com seu filho.

Os filhos do egoísmo e o homem de Neandertal, por Luiz Carlos Bordoni

Difícil o viver hodierno. Ou seria “ódierno”? Já não somos, estamos humanos, numa transição do racional para o irracional. Involução da espécie, darwinismo ao avesso. Os olhos despejam olhares de insatisfação, de impaciência, de repúdio, de intolerância. E as palavras são isso, explicitamente.

Amor ao próximo só quando nos olhamos no espelho. Mãos estendidas para receber,  nunca para dar. Pela escala de valores, primeiro, o celular; depois, o resto. Vivemos a era do culto ao ego. Myself. Selfies.

Vida privada passa a ser pública. A face que antes guardava os nossos segredos e vontades, hoje é janela escancarada. É face…book. Vidas expostas. Corpos e almas desnudas.

Os nossos valores são medidos pelos tamanhos de bundas, peitos e pênis. Banalização do sexo, vulgarização de atributos. Os segredos por trás dos decotes e das saias viraram domínios públicos. Os valores morais, a ética e os bons costumes foram remetidos ao período jurássico. Coisas de  demodês, neste universo anômico, onde pais e filhos apenas inspiraram o nome de velha revista.

Não, este texto não tem nada a ver com misoneísmo – rejeição ao novo. Tem a ver com saudosismo, com os tempos em que as famílias eram de verdade e não apenas verbete de dicionário. Época em que as pessoas se respeitavam e se amavam. Época em que éramos humanos, em que éramos felizes e sabíamos.

Me perdoem se estou sendo neandertalesco, mas o mundo, antes, era bem melhor.

P.S. – Hoje, pais e filhos são estranhos sob um mesmo teto. Quase não se comunicam. Egocêntricos. Todos cultuando celulares, os deuses do seu individualismo.

Nota deste editor: Luiz Carlos Bordoni dispensa apresentações. É um dos mais completos profissionais da comunicação do país. O endereço de seu blog está gravado nos meus links preferidos.
https://luizcarlosbordoni.blogspot.com/

Prisão de Michel Temer é preventiva. Ele pode continuar na cadeia indefinidamente

Ao contrário do que chegou a se supor inicialmente, o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato do Rio de Janeiro, decretou prisão preventiva contra o ex-presidente Michel Temer. Isso significa que ele poderá continuar preso indefinidamente. A prisão temporária, ao contrário da preventiva, tem duração máxima de 5 dias, podendo ser prorrogada por mais 5.

decreto prisão Temer

É o que mostra uma fac-símile do decreto de prisão contra Temer, onde consta a determinação de preventiva – e não temporária.

Federal nas ruas: Moreira Franco e Eliseu Padilha, ex-ministros de Temer, também estão na mira

A polícia federal procura cumprir dois mandados de prisão expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio de Janeiro, contra os ex-ministros do governo de Michel Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Vão ter que engolir... as gargalhadas

Vão ter que engolir… as gargalhadas

A decretação das prisões de parte do núcleo central do governo de Michel Temer, que também foi preso, teve como ponto inicial as investigações a partir da delação do doleiro Lúcio Funaro, conhecido operador de trapaças dos corruptos.

Comparação de pesquisas de popularidade dos governos FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro é maluquice

Pesquisa Ibope mostrou queda acentuada e contínua na popularidade do governo Jair Bolsonaro. Em janeiro, ao tomar posse, o instituto afirmou que ele tinha o apoio de 49% dos eleitores brasileiros. De lá pra ca ele caiu nada menos que 15 pontos, batendo agora em 34%. Isso é muito ruim e terá consequências políticas.

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Esse fato deve ser isolado e analisado em si, e jamais como padrão comparativo com pesquisas realizadas nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. Isso é tão impróprio que deve ser tratado como mera maluquice, coisa de lunáticos. Não se compara situações incomparáveis.

Apenas para exemplificar, qual presidente anterior foi eleito com uma fortíssima campanha contra, o “#elenão? Qual presidente anterior tomou posse com 12 milhões de desempregados? Qual assumiu com déficit acima dos 100 bilhões de reais? Ora, Fernando Henrique Cardoso chegou à Presidência da República com o novato real valendo mais que o dólar. Lula chegou lá com todo o poder do charme político que ele representava na época, e Dilma nadou de braçada na irresponsabilidade populista registrada no final do 2º mandato de seu feitor.

Comparar os números, portanto, vaza o padrão da lógica e maltrata a racionalidade.

Enquanto isso, no país do mimimi do tititi, vende-se o Brasil para os americanos ou o doamos aos cubanos e chavistas

A viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados unidos, como não poderia deixar de ser, virou mimimi de um eterno tititi ideologizado na rasura. Para os que acreditam defender o campo da esquerda, está-se vendendo o Brasil para os Estados Unidos. No outro lado da trincheira, entre os que se declaram de direita, responde-se no automático: é melhor vender aos americanos do que doar aos cubanos e chavistas.

Cuba ou Estados Unidos? Tanto faz, desde que seja lucrativo para o Brasil

Cuba ou Estados Unidos? Tanto faz, desde que seja lucrativo para o Brasil

O que isso tudo pode acrescentar na luta permanente por melhoria nas condições de vida da população? Absolutamente nada. É só mimimi mesmo, sem qualquer preocupação com o principal. Até pela prosaica razão de que nem se está vendendo o Brasil agora, e nem o país estava sendo doado antes. O buraco não apenas é mais embaixo como também é muito mais complexo.

Diplomacia não é pra “fazer amiguinhos”. É para ganhar mercados, buscar dinheiro e gerar riquezas.

Toma lá, da cá? Decisão do Supremo de colocar corruptos na Justiça Eleitoral pode evitar instalação da “CPI Lava Toga”?

Em decisão majoritária, 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal decidiu que casos de corrupção que tenham alguma ligação com caixa 2 devem ser julgados pela Justiça Eleitoral, e não pela justiça comum federal ou estadual. O procurador da operação Lava Jato Deltan Dallagnol entende que a decisão “fecha uma janela no combate à corrupção”.

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Talvez seja interessante observar o ambiente neste início de nova legislatura no Congresso Nacional. Jamais se falou tanto na possibilidade de instalação de uma CPI com objetivo de investigar decisões de cortes, inclusive do Supremo Tribunal. Situando desta forma, surge uma dúvida a respeito da decisão do STF: seria uma forma não admitida, obviamente, de toma lá, da cá entre ministros e parlamentares ameaçados por processos na justiça comum por envolvimento em casos de corrupção e caixa 2?

A dúvida parece ser pertinente levando-se em conta a degradação eternamente verificada na composição dos grandes lances de negociação que existe no mais alto degrau político do país. A pergunta não precisa ser respondida por ninguém. Ela deverá se responder sozinha, pelas atitudes. Se a “CPI Lava Toga” não for instalada e o assunto definhar aos poucos até morrer, mesmo que não tenha ocorrido uma negociação direta, poderá abrir uma brecha para se entender que a decisão do STF estará quitada pelo “favorzinho” do Congresso.

Supremo Tribunal pode, na prática, abrir as portas das cadeias para corruptos que usem parte do roubo em campanhas eleitorais

Faltam apenas 4 votos para o Supremo Tribunal passar a régua e fechar as contas da maior operação contra corrupção e corruptores da história do Brasil, a Lava Jato. O ministro Marco Aurélio deu o pontapé inicial como relator de matéria que remete casos de corrupção – sendo mais claro, de roubo do dinheiro dos pesados impostos pagos obrigatoriamente pelos brasileiros e brasileiras – com viés em gastos eleitorais para a Justiça Eleitoral. Ou seja, se roubou 100 milhões de reais, mas parte do dinheiro foi usado numa campanha eleitoral, o caso deve ser analisado e julgado pela Justiça Eleitoral.

Marco Aurélio Mello rindo

Onde está a “pegadinha”? Fácil: caixa 2 não é crime. Marco Aurélio, como relator, votou a favor da remessa dos processos que envolvam corrupção e caixa 2 para a legislação eleitoral. O ministro Alexandre de Moraes o acompanhou, e disse que esse é o entendimento do Supremo nos últimos 30 anos. Alexandre tem razão, e é por isso que deveria ter votado contra. Caixa 2 oriundo de corrupção jamais foi punido no Brasil. Edson Fachin votou contra: caixa 2 é questão eleitoral, mas corrupção deve continuar sendo julgado como roubo.

Faltam 4 votos para o Supremo fazer maioria, e livrar os corruptos da possibilidade de serem presos quando usam pelo menos uma parte do saque aos impostos como caixa 2 de campanha eleitoral.