Arquivo da categoria: Pos.-Secundária(1)

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Estado egoísta de direito: a esquizofrenia que isola Brasília dos brasileiros

É somente o mais novo e espetacular exemplo do divórcio permanente que existe entre Brasília – e nesse sentido a referência é ao poder e não à cidade e seus moradores – e os brasileiros. O aumento superior a 16% nos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal é o retrato desse estado egoísta e egocêntrico de direito, que carrega equivocadamente a desculpa de ser democrático. Que raios de democracia é essa em que o maior interessado no Estado são seus integrantes e não a população como um todo?

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Ao justificar a aprovação desse aumento salarial pela maioria dos senadores, o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, disse que não haverá aumento de despesas porque há espaço no orçamento da Justiça para acomodar esse reajuste. Em outras palavras, há dinheiro sobrando na Justiça. Ora, um estado realmente democrático de direito olharia então com melhor cuidado para a atividade fim que poderia/deveria receber esses recursos para cumprir a função de atender melhor a população, e não usar o excesso para gerar benefícios somente para os integrantes do poder.

Outra justificativa é que o aumento permitirá a retirada do chamado auxílio-moradia. Trata-se, então, de admitir publicamente que tal auxílio foi criado para driblar a legislação – aumentando indiretamente os salários desses servidores. E o que é pior: ao retirar o auxílio e transformá-lo em salário, eleva-se por fim o valor da aposentadoria. Auxílio-moradia não vira aposentadoria, mas aumento de salário, sim.

Não se trata, evidentemente, de desmerecer o Supremo Tribunal Federal. Na realidade, o que a suprema corte do Brasil fez é exatamente o mesmo que é praticado em cada miserável ponto da administração brasileira, desde os gabinetes espaçosos e refrigerados de Brasília até às saletas mal ajambradas das pequenas Prefeituras por todo o interior do país. O Estado trabalha para ele, e não para a população. E o serviço público não melhora – aliás, só tem piorado – exatamente porque o estado não é democrático, mas egoísta, egocêntrico. O exemplo revela que não adianta enfiar mais impostos na população para que o dinheiro possa ser usado na melhoria da qualidade do serviço público. A sobra orçamentária acaba sendo consumida pelo próprio Estado.

Transição: o grande enredo de uma farsa

Após as eleições, governantes que chegam ao poder são recepcionados por governantes que estão de saída. E o maior simbolismo dessa passagem atende pelo pomposo nome de transição. Em Brasília, há até uma lei que versa sobre essa pomposidade toda, com direito a 50 cargos de alto salário.

Centro Cultural do Banco do Brasil: um prédio inteiro para compor o enredo de uma farsa

Centro Cultural do Banco do Brasil: um prédio inteiro para compor o enredo de uma farsa

Mas é possível passar de um governo para outro sem essa tal equipe de transição? Não só é possível como, na prática, é isso que ocorre. A tal transição, que vende a imagem de que a mudança de plantonista no Palácio não vai alterar o funcionamento da máquina administrativa, é uma grande farsa.

Por várias razões deve-se concluir que tudo é uma farsa. Primeiramente, pela mais óbvia de todas: se o governante que sai foi reprovado nas urnas, a máquina que ele comanda tem mais é que ser mudada mesmo. Então, como manter o ritmo daquilo que o povo rechaçou? Mais ainda: se houve reprovação, é inegável que as coisas estão feias administrativamente. Pra fechar: não é ilegal mentir durante a transição. Se a mentira ou omissão pudesse ser criminalizada de alguma forma, aí, sim, a conceituação poderia ser diferente e relevante.

O que se pode fazer na passagem de bastão de um governo para o outro é a troca de informações e opiniões entre os membros da equipe que sai e da turma que chega. Isso não depende de lei e não precisa de pomposidade. E ninguém está previamente obrigado a seguir a regra da gentileza. É questão de foro íntimo

Esquerda no divã: PT pode ficar isolado se insistir em liderar. PDT, PSB e até o PCdoB repudiam liderança petista

Imediatamente após a eleição de domingo, 28, as lideranças do PT anunciaram a formação de movimento que se autointitulou  “resistência” para ser levado à militância e outro, Frente democrática, de natureza essencialmente político-partidária, para liderar o campo oposicionista ao futuro governo de Jair Bolsonaro.

Manuela D'Ávila (PCdoB) e Ciro Gomes (PDT)

Manuela D’Ávila (PCdoB) e Ciro Gomes (PDT)

Em relação à militância petista, não há qualquer problema, apesar do contingente agora contar somente com os remanescentes. Ainda representa uma força considerável, embora esmagadoramente minoritária diante da maré bolsonariana. A encrenca está na tal Frente democrática. Imediatamente à ação das lideranças petistas, PDT, PSB e PCdoB, partidos considerados mais alinhados à esquerda, descartaram integrar a frente petista. Os líderes desses partidos acreditam que está na hora de o PT passar o bastão, e abrir mão da condição de condutor do processo.

A esquerda brasileira, pelo jeito, perdeu não apenas votos, mas também o rumo. Uma temporada no divã deve esclarecer melhor a situação e apontar a direção a ser tomada.

Juíza que deverá substituir Sérgio Moro na Lava Jato é considerada ainda mais rigorosa no cumprimento da lei

A substituta natural de Sérgio Moro no comando judicial da operação Lava Jato é a juíza Gabriela Hardt. Até aqui, é ela quem tem substituído o juiz Sérgio Moro em suas curtas ausências. A juíza Gabriela é considerada no meio jurídico como ainda mais rigorosa na aplicação das leis em comparação ao próprio Sérgio Moro. Em uma dessas oportunidades, mandou prender Zé Dirceu.

Lava Jato tem reforço duplo: Gabriela Hardt em Curitiba e Sérgio Moro em Brasília

Lava Jato tem reforço duplo: Gabriela Hardt em Curitiba e Sérgio Moro em Brasília

Caso seja efetivada no comando da 13ª Vara Federal, com sede em Curitiba, a operação Lava Jato terá, a partir de janeiro do ano que vem, um duplo reforço: a de Sérgio Moro no comando do Ministério da Justiça, em Brasília, e a de Gabriela Hardt no comando da operação, em Curitiba.

Jair, quem ama você é a dona Michelle, talquei? O que o povo lhe deu nas urnas foi um carinhoso voto de esperança

Definitivamente, a montanha representada por 55 milhões de votos que Jair Bolsonaro ganhou nas urnas ontem não é uma declaração de amor eterno. De forma alguma. Quem o ama é dona Michelle, e isso pode ser captado a cada aparição do casal. Não há nada plastificado e falso, pelo menos não parece de forma alguma, na troca de olhares amorosos e respeitosos entre eles. O que a maioria dos eleitores que se manifestou nas urnas declarou é que, sim, Jair tornou-se portador autorizado das esperanças. Até seus arroubos, que às vezes beira a infantilidade e ora ou outra se aninha na brutalidade das palavras toscas, foram solenemente relegados.

jair, michelle e filhos

Esse sentimento de esperança não é paciente o suficiente para ser entendido como duradouro. Ele é, como se costuma dizer das relações amorosas, imensamente carente de cuidados e atenções diariamente. Não se pode perder de vista que a população brasileira está construindo uma democracia que não entrega jamais um cheque em branco sem prazo. Em 30 anos, esse povo já mandou para os Palácios de Brasília pelo menos dois presidentes, e foi lá tirá-los com a força das ruas quando a decepção se tornou insuportavelmente maior do que a esperança.

Provavelmente, Lula foi o último depositário do amor político da população brasileira, e esse amor se transformou em rejeição, ojeriza. Jair Bolsonaro foi acariciado pelas urnas, mas que ele não confunda carinho com amor incondicional. O Jair que saiu vitorioso das urnas é a incorporação da esperança de que todos podem, e tem direito, de viver em um país melhor.

Diário da Manhã anuncia que vai circular, ao menos temporariamente, somente na internet

O segundo e mais importante diário de Goiás, o Diário da Manhã, anunciou hoje na primeira página que está suspendendo a circulação impressa, ao menos temporariamente, e se dedicará ainda mais no conteúdo online. O jornal, em nota do editor, afirma que encontrou dificuldades nos últimos governos por adotar linha de atuação independente.

Diário da Manhã

O Diário da Manhã online (www.dm.com.br) oferece conteúdo aberto a todos os internautas. O jornal informa que tem cerca de 1 milhão e 200 mil leitores.

haddad x bolso

Ibope:variações positiva de Haddad e negativa de Bolsonaro não alteram panorama geral

A mais recente pesquisa Ibope para presidente do Brasil tem dois ângulos de observação. O primeiro deles, sem nenhuma dúvida, é que Jair Bolsonaro não vai disparar para uma votação próxima de 70%, como de certa forma chegou-se a especular. A segunda é que os números, embora com oscilações positiva para Haddad e negativa para Bolsonaro – no limite da margem de erro -, não alteraram o cenário de amplo favoritismo do adversário do PT.

haddad x bolso

A consequência desses novos números deve ser de esperança para a militância petista e de certo grau de apreensão para os eleitores de Bolsonaro. Afinal, depois de uma sucessão de má notícias para Haddad nas pesquisas, pela primeira vez seu adversário apresenta saturação de crescimento. Isso pode até animar os petistas, mas é muito pouco para significar que Haddad voltou para o jogo. Nesta 5ª feira, o DataFolha deve publicar nova pesquisa.

O que já se sabe sobre o futuro governo de Ronaldo Caiado

Discrição total. Essa tem sido a regra de ouro do futuro governo de Ronaldo Caiado. Embora muitos nomes estejam em cogitação para esta ou aquela área, o que se pode assegurar com relativa certeza é que o governador eleito não é tem o hábito de descentralizar as normativas. Então, a conclusão inicial sobre as perspectivas do governo que se instalará em janeiro é uma só: terá a cara e o jeito de Ronaldo Caiado.

Caiadoooo

Isso não significa que a equipe não terá nada de viés político-partidário. Claro que não. As regras atuais exigem uma governabilidade que necessariamente passam por esse caminho – que não deixa de ser perigoso, como se sabe. Caiado tem afirmado que cederá espaços para os aliados de primeira hora e aos que se juntarem ao novo projeto de administração do Estado. Ele, porém, faz sempre uma ressalva: não cederá nacos do Estado para grupos. Ou seja, o governo será dele, e os cargos – todos – são preenchidos com a sua assinatura.

O que se sabe até aqui é somente uma coisa, que passa ao longo de possíveis secretários e dirigentes: o Estado terá que gastar menos para se manter. Se o preço da máquina administrativa não baixar, o Estado não terá como pagar. Essa parece ser a norma basilar a ser seguida pelo governador eleito Ronaldo Caiado.

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Paraná Pesquisa/revista Crusoé: Bolsonaro ultrapassa a barreira dos 60% dos votos válidos

Pesquisa realizada pelo instituto Paraná, encomendada pela revista Crusoé, edição ligada ao site O Antagonista, mostra que Jair Bolsonaro chegou a 60,9% dos votos válidos, contra 39,1% de Fernando Haddad. A margem de erro admitida pelo instituto é de 2% para mais ou para menos. A vantagem de Bolsonaro é de 21,8% dos votos válidos.

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Em números totais, Bolsonaro tem 52,9% das intenções de voto, contra 33,9% de Haddad. Brancos e nulos somam 9,4% dos eleitores e 3,8% se disseram indecisos. Em votos totais, a vantagem de Bolsonaro é de 19% das intenções de voto.

“Começa um novo ciclo”, diz governador eleito Ronaldo Caiado

Após o tsunami eleitoral que muda completamente a estrutura político-partidária de Goiás, o governador eleito Ronaldo Caiado concedeu entrevista aos veículos de imprensa. E logo nas primeiras palavras, Caiado se despiu do figurino de candidato e passou a trajar o modelo de governador. “Encerrou-se um ciclo (político), e começa um novo ciclo”, disse ele.

Ronaldo Caiado: um novo ciclo

Ronaldo Caiado: um novo ciclo político em Goiás

O tom é conciliador? Não, não é. O conteúdo é de um político com larga experiência, e que sabe que o destino de um Estado inteiro e de cada um de seus mais de 6 milhões de moradores, não tem espaço para campanha eleitoral permanente. O tom de Ronaldo Caiado, especialmente no calor da emoção por uma vitória que até a ele impressionou pela dimensão, o que poderia ser um fator de desequilíbrio momentâneo, mostrou-se sereno, esperançoso, de alguém que sabe o tamanho da responsabilidade que lhe foi entregue por 60% dos eleitores. Que venha o novo ciclo.