Arquivo da categoria: Pos.-Secundária(1)

Falta de perspectiva de vitória esvazia demais candidaturas da oposição

A pouco mais de 1 mês para o prazo fatal das convenções partidárias, o governador Marconi Perillo e os pretendentes que fazem oposição a ele vivem situação exatamente oposta também em relação à escalação dos titulares da chapa majoritária. Marconi tem pelo menos 1 candidato a mais do que a chapa pode comportar. Já a oposição quebra a cabeça para lançar nomes a vice e ao Senado. Até aqui, apenas Vanderlan Cardoso, que lidera uma minúscula coligação liderada pelo PSB, com PSC e PRP, conseguiu encontrar um candidato ao Senado, mesmo assim sem qualquer peso eleitoral de imediato.

artigo_jose maria e silva.qxd

Na base aliada, Marconi tem falado publicamente que sua chapa já está pronta, com ele próprio e o atual vice, José Eliton, como candidatos à reeleição, e o deputado federal Vilmar Rocha, do PSD, na vaga para o Senado. Nessa lista, está faltando pelo menos mais um: o deputado federal e presidente regional do DEM, Ronaldo Caiado, que também anunciou que vai disputar o Senado. Além dele, o PTB quer conversar sobre a formação da chapa, embora avise previamente que aceitará a indicação pessoal de Marconi.

O problema, portanto, é como resolver o problema de Caiado e, por consequência, do DEM. Desde sempre, enorme parcela das bases do partido são amplamente favoráveis à base aliada. Esta semana, em um evento no interior, a esposa de Caiado, Gracinha, pediu a palavra e fez um discurso recheado de elogios a Marconi. É certo que a atitude dela não foi um gesto impensado ou em desacordo com o marido dela.

velho Oeste

Oposição desorientada – Enquanto a base aliada tem esse ótimo problema para equacionar, os opositores estão mais perdidos do que pacifista mórmon em meio a tiroteio no velho oeste, com direito a tiros de emboscada e até um duelo de facas ao por do sol entre peemedebistas. Simplesmente, nem PT, nem PSB e muito menos o PMDB, trabalha nomes para a chapa majoritária neste momento. É claro que, levando-se em conta apenas o calendário, há ainda um tempão para acertar chapas. A questão, porém, não é de tempo, mas de completa falta de pretendentes e de mobilização.

Jesuíno, primeiro plano à esquerda. Legenda necessária

Jesuíno, primeiro plano à esquerda. Legenda necessária

A impressão pode se cristalizar é que os candidatos e os partidos vão ter que laçar candidaturas, e não viver o natural processo de escolha. Até aqui, o único nome anunciado pelas oposições como integrante de uma chapa majoritária foi o do procurador federal Aguimar Jesuíno, que não tem qualquer tradição eleitoral. Como são 3 as chapas oposicionistas até aqui, restam 5 vagas aberta, duas para o Senado – PMDB e PT – e 3 para vice – PMDB, PT e PSB.

Iris-e-Friboi

É certo que o PMDB tem o maior plantel dentre os partidos oposicionistas para ocupar as vagas sem maiores dores de cabeça, mas o partido ainda nem conseguiu definir de fato quem vai encabeçar a chapa. Iris, que antes dizia que não era candidato, passou a ser, mas renunciou uma semana depois, e continua com a faca nos dentes. Friboi diz que não vai fugir do duelo com o rival.

Antonio-Gomide-3-620x450

No PT, a solução também deve ser doméstica. Mas até agora ninguém tem se mostrado empolgado com a possibilidade de compor a chapa majoritária. Idêntica situação vivida por Vanderlan Cardoso.

Essas realidade diametralmente antagônica vivida neste momento por Marconi e por aqueles que fazem oposição a ele tem a mesmíssima motivação absoluta e determinante: perspectiva de vitória. Marconi a tem, os demais, pelo menos por enquanto, não. Isso pode mudar, obviamente, mas, para quem está no sufoco, colocar o nariz acima da linha d´água nessas condições nunca é fácil.

Pacto com meus cabelos…

Há alguns anos, milhares de fios de cabelo começaram a me abandonar. Pensei que ficaria careca. Depois de um alguns anos, eles pararam de pular, e desde então só fizeram afinar. Eram fios muito mais grossos. Agora são finos. Gostava deles antes, gosto deles agora.

Me lembro que na época dos tombos um amigo me falou sobre remédio para os cabelos pararem de pular.

–       Você tem que usar. É ótimo. Alguns fios até renascem.

–       E pra que que eu vou fazer isso?

–       Você quer ficar careca?

–       Não, mas se eles desistem antes que eu desista, tudo bem. Vou reencontrá-los daqui a um punhado de anos. É meu pacto com eles.

–       Você tá brincando…

–       Tô não. Meus cabelos me acompanham há mais de 40 anos. Foram bacanas comigo. Se eles se cansaram e querem partir antes, respeito cada fio, os que se vão agora e os que vão me esperar para irmos juntos. Depois a gente se encontra de novo.

É claro que o tal amigo deve pensar até hoje que eu estava brincando. Mas não estava. Não caí em nenhuma beberagem para forçar meus cabelos a ficarem onde estão. Eles continuam comigo, ajudando a compor uma aparência que já foi bem melhor. E como quero ficar por aqui ainda por algumas dezenas de anos, sei que só vai piorar o conjunto. Fazer o que? Esse é o preço, uai.

Acho que me lembrei dessa história dos meus cabelos por causa de tantas moças novas que entram na faca para arrancar algumas gordurinhas, e que acabam indo embora cedo demais da conta. Dia desses, foi mais uma garota lindona, de 20 e pouquíssimos anos.

Desde sempre as pessoas procuram fontes da eterna juventude. Acho que eu também queria uma fonte dessas, se elas existissem. Não existem. É certo que a inteligência humana consegue melhorar na faca a parte externa, mas internamente, não.

Ilustração publicada no site benoliveira.com

Ilustração publicada no site benoliveira.com

Coração, pulmões, fígado, rins, estômago, intestino, músculos, cérebro… É como se as rugas deles fossem imunes à intervenção humana. Pode-se endurecer um peito aqui, tirar ou amenizar uma ruga ali, arrancar uma gordurinha e tal, mas a essência vai continuar a mesma. Ou melhor: pior a cada dia.

injeção de botox

Algumas pessoas não convivem bem com a ideia de que a aparência piora. E fazem plásticas, esticam as peles, cortam pedaços, se injetam de toxinas… Não condeno de forma alguma quem faz isso. Cada um faz aquilo que achar melhor. Mas não gosto da cobrança que existe em relação à aparência. Soa a mim como um desprezo à velhice embalado em vários nãos: não às rugas, não à flacidez, não à natural decadência humana.

Há alguns dias, amigos me perguntaram se não voltarei à TV. Por mim, disse, não. Passou meu tempo, ué. Nada contra quem permanece. Mas hoje gosto mais de ler, escrever e falar. Gosto muitíssimo das novas gerações ocupando um espaço que antes eu e tantos outros já ocuparam. Penso que nós fizemos isso antes, lá atrás: renovamos o estoque que existia. Agora, somos nós aqueles veteranos que substituímos. Isso é realmente lindo. É vida.

Começa da vida

¨Ora, mas você não está velho¨, ouço muitas vezes. Como não? Claro que estou. Sou véio, uai. Não estou acabado. Ser velho não é ser acabado. Ser velho é… ser velho, uai. Não ser novo. É já ter vivido o auge e viajar agora rumo à decadência que corre em direção contrária. Temos um encontro marcado pela Vida: por mais que a gente pense e faça, vamos ao encontro da decadência. Deprimente isso? É nada. É maravilhosamente humano.

PMDB: Iris usa tática do boxe na disputa contra Friboi

Jornal Opção

Objetivo do líder peemedebista é enfraquecer a posição do rival e levá-lo a nocaute no último momento. Se perder indicação no PMDB, Iris não deve apoiar Friboi na campanha

Júnior Friboi no encontro do Solidariedade, na Câmara de Goiânia, dois dias após passar por cirurgia: queixas contra Iris | Mel Castro/Diário da Manhã

Júnior Friboi no encontro do Solidariedade, na Câmara de Goiânia, dois dias após passar por cirurgia: queixas contra Iris | Mel Castro/Diário da Manhã

 Afonso Lopes

Júnior Friboi deixou hospital onde foi operado de hérnia umbilical, na quinta-feira, 15, e se esforçou para chegar ao auditório Jaime Câmara, da Câmara de Vereadores de Go­iânia, onde aconteceu encontro regional do Solidariedade. Friboi desrespeitou ordens médicas de repouso por 15 dias e apareceu com semblante visivelmente decaído.

Ex-prefeito Iris Rezende: estocadas contra Júnior Friboi | Fernando Leite/Jornal Opção

Ex-prefeito Iris Rezende: estocadas contra Júnior Friboi | Fernando Leite/Jornal Opção

Sem “querer querendo” mais do que nunca, Iris Rezende permanece lam­bendo suas feridas publicamente após ter sido sufocado na corrida interna do PMDB para a escolha do can­didato do partido ao governo do Estado. Diariamente, ele recebe algumas lideranças em seu escritório, no Setor Bueno, ainda não articuladas e organizadas, mas que vem se transformando num pequeno movimento interno intitulado “Volta Iris”. No caso, seria a volta de sua candidatura após renúncia de pré-candidatura através de carta aberta ao diretório estadual.

Os dois movimentos, de Friboi e de Iris, indicam na mesma direção, mas em clara linha de colisão de interesses: ambos pretendem dar os últimos acordes às suas posições. Iris quer derrubar a indicação majoritária de Friboi, enquanto seu adversário faz o possível para evitar o troco irista e uma virada no último momento do processo de afunilamento peemedebista.

Disputa intensa

Mesmo do lado de fora, é possível àqueles que acompanham os fatos políticos perceber que o tom das declarações estão subindo cada vez mais. No evento do Solida­riedade, Friboi falou sobre as articulações atuais de Iris Rezende no jogo interno, e reclamou bastante, inclusive dizendo que o líder peemedebista o tem atrapalhado.

Do outro lado, em seu escritório, não apenas nos encontros reservados, Iris acusa Friboi de usar seu enorme poder de sedução econômico para garantir apoio. Indo além, Iris reclamou dos próprios peemedebistas que se deixaram ou quiseram ser seduzidos por Friboi, ao afirmar que ainda tem esperanças de que todos percebam que a única coisa que o adversário tem a oferecer é exatamente dinheiro.

Trocando em miúdos, Friboi a­cu­sa Iris de atrapalhar no trabalho dele de agregação de partidos para a coligação a ser liderada pelo PMDB, e é acusado por Iris de gas­­tar tubos de dinheiro como prin­cipal base de sua atuação política.

Iris usa tática do boxe — Friboi também disse na quinta-feira, 15, que ainda não identificou nenhuma renúncia de Iris à própria renúncia, e que certamente será procurado pelo rival caso essa situação se altere. Provavelmente, nesse caso, Friboi terá que esperar sentado, e sem nenhuma pressa. A estratégia de Iris passa longe de uma reentrada triunfal na disputa nos braços do povo peemedebista. Até pela óbvia razão de que os braços que o carregavam antes nas festivas convenções do PMDB estão agora a serviço da candidatura de Friboi.

Friboi desrespeitou as orientações médicas porque tem acusado o golpe. Sua sofrida peregrinação pelos caminhos da Câmara Mu­nicipal indica claramente que ele “passou recibo”, e revelou ainda temer uma reação de Iris Rezende. O mais curioso é que também Iris se sente inseguro com a base oferecida pelo tímido movimento “Volta Iris”, razão pela qual estaria acrescentando um discurso bem mais forte e direto contra o poder econômico do concorrente.

Se Friboi apelou para a movimentação para garantir o espaço até agora conquistado por ele dentro do PMDB, a estratégia de Iris é se tornar cada vez mais um franco atirador. Estratégia semelhante aos grandes boxeadores sem pegada demolidora, eles batem, se protegem, batem novamente, rodam o ringue para evitar contra-ataque, e batem de novo. O objetivo é minar as resistências até que o adversário se sinta cansado demais para evitar o cerco final. Friboi, por sua vez, conseguiu mandar Iris para a lona, mas não o atingiu de tal forma que o levasse ao nocaute, como se pensou inicialmente. Ele garantiu a decisão por pontos previamente — numa eventual convenção — mas terá que sobreviver acima da linha d’água, em pé, até o fim.

Um quadro como esse, de disputa tão intensa, e que tende naturalmente a ganhar contornos cada vez mais dramáticos, indica que a primeira vítima desse confronto está claramente identificada: a unidade interna. Iris, por sinal, disse na quinta-feira, 15, uma frase enigmática: de que não importa o que vai acontecer, no segundo turno todos vão estar unidos.

Há inúmeras possíveis interpretações para essa frase. A primeira delas, mais forte e que enseja maior sentido lógico, é que Iris não apoiará Friboi nem agora, na disputa interna, e nem depois, durante a campanha. E sobre a união no segundo turno? O recado, aí, é mais claro e complementa a interpretação anterior: Iris não acredita que Friboi chegue ao segundo turno.

O babaca, as babaquices, coxinhas e o medo real

 

¨Ah, não, porque turista tem que ter metrô que leve até dentro do estádio. Que babaquice é essa?¨.
Algum baba prometeu isso...

Algum babaca prometeu isso…

A frase foi dita pelo ex-presidente Lula durante encontro com blogueiros e ativistas digitais de São Paulo, numa referência a obras de mobilidade que deveriam ter sido construídas paralelamente aos novos estádios para a Copa do Mundo.

Metrô que leve até dentro de estádio… Nunca antes na história desta Copa alguém defendeu uma babaquice dessas. Metrô que leve às proximidades do estádio, sim, foi prometido.

Promessa cumprida

Promessa cumprida

Bom, mas se é uma babaquice, quem foi o babaca que prometeu metrô, aeroportos, novas avenidas e tal e coisa para a Copa, há cerca de 7 anos, quando governava o Brasil?

– – – –

Lógica do Lula sobre necessidade de metrô, avenidas, ônibus do transporte coletivo, essas ¨babaquices¨ que constituem a tal mobilidade urbana. Ao relembrar seus tempos de torcedor, ele lascou: ¨Nós nunca tivemos problemas de andar (até os estádios) a pé. Anda a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa…¨.

Moderno veículo de mobilidade urbana

Moderno veículo de mobilidade urbana

Já pensou se uma legião assim chegar na bilheteria das arenas para comprar ingressos?… Mas nem se o Bolsa Família fizesse uma promoção da Copa tipo ¨ganhe uma e leve duas Bolsas Famílias¨ essas pessoas conseguiriam pagar as entradas do espetáculo.

Para encerrar esse negócio de babaca e babaquices, que nome se daria a um estacionamento de jumentos nas cercanias de arenas???

Quem são os coxinhas?

O tom deve ser sempre de raiva ou de desprezo: é contra alguma atitude que considera errada praticada pelo governo? É coxinha. Sente falta de conforto nos aeroapertos brasileiros sucateados? Coxinha. Acha que existe exploração eleitoral da Bolsa Família? Coxinha, coxinha, coxinha.

coxinha

Mas, afinal, quem são os coxinhas? São aqueles extorquidos por uma das maiores e mais injustas carga de impostos do planeta. São os que pagam a Bolsa Família na mesa dos pobres e os charutos e caviar que frequentam determinadas mesas da nomenklatura brasileira.

O Brasil com raiva

Não foi só pelos 20 centavos… Foi raiva. Raiva de tudo o que tem acontecido no Brasil ao longo das últimas décadas. Raiva de quem pensa diferente e de forma antagônica. raivaRaiva da impunidade de políticos ladrões. Raiva da corrupção. Raiva do Estado que exige muitíssimo com impostos e não oferece quase nada em troca. Raiva dos bandidos que matam a toda hora e não ficam presos. Raiva do trânsito enlouquecedor das maiores cidades. Raiva do medo real do dia a dia, e não daquele medo criado por pura marquetagem política.

protesto-campinas

O Brasil está com raiva. Como talvez jamais sentiu antes com tanta intensidade.

Não, não foi só pelos 20 centavos. É por tudo isso que aí está.

Goiânia, herança maldita quebrou a Prefeitura de Goiânia?

No final do ano passado, a população começou a perceber problemas

No final do ano passado, a população começou a perceber problemas

A população percebeu uma série de problemas no cotidiano da cidade no final do ano passado. De uma hora para outra, alguns sacos de lixo surgiram nas calçadas, buracos nas pistas não foram consertados rapidamente, grande obras, como o complexo de viadutos na marginal Botafogo, entraram em ritmo lento, quase parado. Culminou com a intenção da Prefeitura de não instalar a já tradicional iluminação de Natal. Alguma coisa estava errada com o caixa da Prefeitura da maior cidade de Goiás.

carteira vazia

O que todos imaginavam era que a pindaíba oficial era um problema temporal de fim de exercício fiscal. Ou seja, que bastava mudar o calendário para 2014 e as coisas retornariam ao embalo corriqueiro. Sabe-se agora que a razão dos problemas é muito mais séria do que fechamento de orçamento anual: é buraco mesmo, e imenso.

O que foi no final do ano passado uma quebra da rotina administrativa da cidade se agravou e piorou nos primeiros meses deste 2014. As obras praticamente pararam de vez, o lixo virou uma crise que passou a devorar dirigentes da companhia estatal encarregada da limpeza da cidade, a Comurg, os buracos nas pistas se multiplicaram e se tornaram maiores e mais fundos, portanto mais perigosos, as luzes da cidade, sem manutenção em dia, estão se apagando, tornando ainda mais negras as noites goianienses, e a perspectiva de soluções imediatas.

O problema pode não ter se iniciado com Paulo Garcia

O problema pode não ter se iniciado com Paulo Garcia

Troca nas Finanças – O prefeito Paulo Garcia promoveu uma troca no encarregado do caixa, colocando um dos petistas mais conceituados dessa área, Cairo Peixoto, apontado como principal peça para o equilíbrio financeiro da gestão do ex-prefeito Darci Accorsi (1988/1992).

Cairo foi um vendaval de sinceridade. Expôs a crise em sua real dimensão, chamou a atenção para a insustentabilidade da situação financeira e iniciou estudos para arrochar geral e consertar a casa. Não há dúvidas de que o caminho proposto por Cairo é o único que realmente leva a uma solução definitiva. O próprio prefeito concordou. Mas a administração pública tem componentes políticos que exigem certa contenção. E o remédio anunciado por Cairo Peixoto se tornou amargo demais.

Sai Cairo, chega Jeovalter: mesmo diagnóstico

Sai Cairo, chega Jeovalter: mesmo diagnóstico

Nova troca. Jeovalter Correia, que comandou a pasta de gestão de pessoal do governo estadual, Aganp, no primeiro mandato do governador Marconi Perillo, passou a tomar conta da fogueira financeira com a clara missão de aliviar a pressão. Ontem, 14, após estudar detalhadamente as contas, apresentou seu diagnóstico, que é terrível, e a solução que entende ser a melhor possível. Não é diferente daquilo que Cairo Peixoto havia falando antes.

A Prefeitura simplesmente não consegue se mover diante do peso financeiro esmagador que há sobre ela, e que soma nada menos que 33 milhões e 500 mil reais a casa mês – mais de 1 milhão de reais por dia. As dívidas urgentes passam dos 330 milhões de reais.

Jeovalter apresentou uma extensa lista de soluções com mais de meia centena de propostas. Mas, em resumo, não há como fugir do óbvio: as folhas de pagamento, que explodiram todos os limites, inclusive legais, vão ter que ser desidratas. Na outra ponta, vai se buscar aumento das fontes de arrecadação. Imediatamente, a meta é conseguiu dinheiro extra, via empréstimo, no valor de 300 milhões de reais.

Iris Rezende comandou Goiânia de 2005 a março de 2010

Iris Rezende comandou Goiânia de 2005 a março de 2010

O quadro, afinal, mostra que a Prefeitura de Goiânia quebrou? Não, não quebrou, mas se não se livrar dos pesos que a levaram abaixo da linha d´água, não vai sobreviver nem administrativamente e muito menos politicamente. Essa duríssima realidade, remete naturalmente a um outro ponto destacado por Jeovalter ontem: os gastos da Prefeitura dispararam mais de 200% desde 2005. O que isso realmente significa? Sintoma de herança maldita? Esse ponto não foi abordado e nem esclarecido. Dificilmente será. A administração pública sempre carrega como principal base de sustentação a relação política.

Friboi, Gomide e Vanderlan, um trio em dificuldades

Conexões: Goiás

A nova pesquisa Fortiori, publicada pelo jornal Diário da Manhã, mostra que Jr Friboi, pelo PMDB, Antônio Gomide, pelo PT, e Vanderlan Cardoso, do PSB, vivem sérias dificuldades no momento atual da sucessão goiana.

A situação menos ruim é a de Friboi. Não pela sua posição na tabela, atrás de Vanderlan, mas por ter ao seu lado a legenda do PMDB e uma porção de pequenos partidos como possíveis coligados. Ele tem maior capacidade de capilaridade do que os Vanderlan e Gomide.

 

 

Sem a disputa com Iris, parece perdido

Sem a disputa com Iris, parece perdido

Há 2 problemas atuais no meio-campo de Jr. Primeiro, a desistência de Iris Rezende na disputa interna do PMDB parece ter deixado sua candidatura desnorteada, sem rumo, parada. É como se a única tarefa dele fosse vencer Iris. Claro que não é. Esse era apenas o primeiro obstáculo. Em segundo lugar, está provavelmente um efeito colateral de sua propalada capacidade de distribuir dinheiro na campanha. Como o próprio Jr Friboi disse que não precisaria de ninguém do dinheiro de ninguém para tocar a sua campanha, e ainda sinalizou que teria grana suficiente para financiar candidatos a deputado estadual e deputado federal, todos os partidos que são sondados para a coligação liderada pelo peemedebista vislumbram naturalmente a possibilidade de fazer boas reservas financeiras para gastar na campanha. A soma estaria ficando pesada demais.

Vanderlan já enxerga Friboi no retrovisor

Vanderlan já enxerga Friboi no retrovisor

Vanderlan Cardoso vive um drama diferente. O problema dele é que o teto atual parece ter alguma ligação direta com o volume de votos colhidos em 2010: na faixa de 16%, no cenário com 4 candidatos. As perspectivas em termos de coligação são piores do que as de 2010. O PDT, que esteve com ele, não está mais. O DEM, que poderia ter sido atraído através da candidatura do deputado federal Ronaldo Caiado ao Senado, foi enxotado por Marina Silva, a candidata a vice de Eduardo Campos na disputa presidencial. O resultado é que sua candidatura até agora tem somente o PSB e dois partidos muito pequenos, sem qualquer significância no eleitorado estadual. Dessa forma, como crescer, se nem o tempo de palanque eletrônico, no rádio e na TV, será equivalente aos tempos dos principais candidatos?

A candidatura de Caiado ao Senado poderia ajudar Vanderlan. Poderia...

A candidatura de Caiado ao Senado poderia ajudar Vanderlan. Poderia…

Por fim, o petista Antônio Gomide se arrasta na quarta colocação. Rompeu a barreira psicológica dos 2 dígitos, mas somou apenas 10% das intenções de voto na atual pesquisa Fortiori. É pouco para um nome que se apresentava como arrebatador de multidões. A coligação dele também não tem demonstrado qualquer força. A tal base de apoio do governo federal está pulverizada em Goiás entre as candidaturas do PSDB e do PMDB. Conseguir apoio onde, se até o velho parceiro PCdoB se inclinou para Friboi?

Gomide captura mais votos de Vanderlan e Friboi do que de Marconi

Gomide captura mais votos de Vanderlan e Friboi do que de Marconi

Anápolis – Especulou-se bastante que a candidatura de Gomide poderia pelo menos segurar o líder das pesquisas atuais, o governador Marconi Perillo, na cidade de Anápolis. Até agora pelo menos, passou muito longe disso. Na comparação dos cenários pesquisados, com ele e sem ele, o resultado é um balde gelado: na soma, Gomide tira mais votos de Vanderlan e Friboi do que de Marconi: 4 a 2 – Marconi cai de 43% para 41%, Vanderlan desce de 18% para 16%, e Jr sai de 17% para 15%.

Ou seja, a entrada da candidatura de Gomide na cena do jogo eleitoral não mudou o quadro principal de maneira impactante. E nem ele próprio conseguiu desempenho de predador de votos alheios.

Faltando pouco mais de 1 mês para as convenções e 5 meses para as eleições, é óbvio que nada está definido e que a situação não está imune à grande mudança. Pra pior ou pra melhor. Nesse sentido, uma frase velha e batida cabe muito bem: em 5 meses, tudo pode acontecer, inclusive nada.

5 vinhaços, por menos de 200 reais

Vá lá: uma garrafa de vinho na faixa dos 200 paus não é pra todo dia e nem pra qualquer um. É grana pra dar com pau. Até porque não se abre uma garrafa dessas sem algum acompanhamento. E ninguém vai querer 1 pacote de amendoim torrado e salgado numa hora dessas. Então, é óbvio que a conta sobe, mas para momentos especiais, uma vez ou outra, vale o sacrifício, sim. É mais ou menos como comer fora: questão de escolha. Você pode escolher ir uma vez por mês num ótimo restaurante, ou ir uma porção de vezes no engasga-gato da esquina do bairro.

Bem, se a opção é a rotina, esses vinhos aqui estão fora. Se optar pelo momento especial, vale a pena curtir uma bela garrafa um pouco esfoliante para o bolso.

Cabo de HornosCabo de Hornos – Nem sei se já falei dessa joia chilena. Sou fã. É uma pena que custe tão caro. Em algumas lojas, a safra 2009 é vendida acima de 250 paus. Vale a pena procurar bem mais. Nunca vi uma safra ruim desse vinhaço. Em Goiânia, ele pode ser encontrado na faixa de 185 pilas.

EQ PinotEQ – É linha especial da também chilena Matetic. Não especifiquei a uva porque são vários rótulos. Particularmente, gosto do Pinot Noir, mas o Syrah é melhor pontuado. Nas importadoras, fica na faixa dos 150 reais, um pouco mais, talvez. O Pinot é levemente adocicado, o que agrada de cara os paladares femininos menos acostumados com vinhos. Ou seja, se for para compartilhar uma garrafa cheio de romance, o EQ Pinot Noir é grande pedida.

Quinta dos MurçasQuinta dos Murças – Belíssimo português da região do Douro. Não confundir com o Porca de Murças, que inclusive é de outro fabricante também do Douro. O Quinta é um vinho que se equivale a outros muito mais caros. Ele gira na faixa de 185 reais. É muita grana, claro, mas vale a pena para quem está disposto a liberar a cascavel do bolso e entornar na boca um vinho bem legal. É vinho para caprichar no acompanhamento e na companhia.

amayna_pinot_noir Amayna Pinot Noir – Safras anteriores, 2008/09 surgiram arrebatadoras. Manteve a qualidade, mas beber um 2012 agora é até pecado. Um infantocídio de vinho. É outro que enche as bocas femininas de prazer imediatamente, mas nunca vi nenhum marmanjo reclamar da exuberância do Amayna Pinot. É mais em conta que os citados anteriormente, mas ainda assim habita a faixa dos 150 paus, pra menos.

ADEGA ALENTEJANA - S??o Paulo/SP/Brasil - 13/01/2010Mouchão – Portuga da gema, fabricado por um dos mais festejados vinicultores da terrinha, Paulo Laureano. É apenas o terceiro da casa, atrás do Mouchão Vinhas Antigas e o fenomenal Mouchão tonel ¾. Mas longe de parecer o terceiro, é um vinho espetacular, desde que tenha sido bem conservado. Esse é um vinho temperamental: embora de guarda, detesta maus tratos. Um pouco acima de 160 pilas, por aí.

Dívida bilionária: Um candidato diante de seus conflitos

Empresa dos familiares de Júnior Friboi, e que era comandada por ele, estaria devendo R$ 1,3 bilhão de ICMS para Goiás

Empresário José Batista Júnior deixa de ser o candidato Júnior Friboi por causa de dívida com o fisco goiano? / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Empresário José Batista Júnior deixa de ser o candidato Júnior Friboi por causa de dívida com o fisco goiano? / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Afonso Lopes

A notícia, publicada pelo jornal “O Popular”, ex­plo­diu como uma bom­ba no meio político: a J&F, holding controladora das empresas da família Batista, mais conhecida como JBS/Friboi, deve, segundo cálculos do fisco estadual, cerca de 1 bilhão e 300 milhões de reais ao Estado de Goiás, fruto de ICMS declarado e não recolhido. A informação não deveria ter im­plicações políticas, mas tem. A J&F foi dirigida durante mais de uma década por ninguém menos que José Batista Júnior, o Júnior Fri­boi, candidato ao governo de Goiás, e continua pertencendo ao nú­cleo familiar dele. A ligação política, portanto, é natural e direta, desde o berço.

A publicação do imbróglio com o fisco estadual incomodou Júnior Friboi. Tanto é que, no mesmo dia, através das redes sociais, ele divulgou nota oficial a respeito do assunto. Friboi não desmentiu a informação de “O Popular”, mas desconfiou das intenções não declaradas que o jornal teria. Ele disse que havia deixado as empresas do grupo Friboi para preservar a sua família do “jogo sujo que muita gente usa como estratégia política”. Na sequência, ele escreveu que “de maneira estranha e suspeita, três dias depois que o PMDB” o escolheu como candidato ao governo de Goiás, “vazam na imprensa dados sobre supostos débitos fiscais do grupo JBS com o ICMS”. E completou: “Dados que deveriam ser sigilosos”.

Pelo menos nesse trecho da nota oficial, Friboi levanta mais dúvidas do que as esclarece. Ele disse, por exemplo, que deixou a empresa por causa do jogo sujo da política. Como estava se referindo diretamente à notícia veiculada pelo jornal “O Popular”, não fica claro se a acusação dele, sobre o tal “jogo sujo” envolve também aquele veículo de comunicação, que seria, em última análise, porta-voz da tal manobra suja.

Logo depois, Friboi fala que essa informação vazou para a imprensa. Nesse ponto, não há dúvida: Friboi generalizou sem nenhuma razão. Se houve vazamento ou competência, o crédito em ambos os casos é exclusivo de “O Popular”, único veículo que publicou a notícia, em primeira mão (primeira vez) sobre a dívida bilionária de ICMS, imposto estadual, do grupo Friboi.

No entanto, o fato ainda mais grave é quando ele afirma que, de acordo com a legislação, a dívida, que está sob demanda no campo administrativo e também judicialmente, deveria ser mantida sob sigilo, longe dos olhares e da opinião pública. Na nota, Friboi não explicou por quê essa informação deveria ser negada à população do Estado diante do fato de que ele quer governar Goiás e os goianos.

É até compreensível, embora ainda assim polêmico, que as demandas fiscais de empresas “normais” sejam resguardadas, mas o grupo empresarial que era comandado até recentemente por um candidato ao governo do Estado, e que permanece sob controle de seus familiares, não é uma empresa “normal”. É uma empresa que até no nome se rivaliza com o candidato.

Mesmo estranhando, Friboi confirmou que a empresa que ele comandava tem realmente uma pendência fiscal com o Estado que ele gostaria de governar. Sobre esse aspecto, sua nota oficial é esclarecedora: “… parte importante dos supostos débitos se referem a dívidas pela incorporação do frigorífico Bertin”. Em nenhum outro ponto, a nota oficial desmente a informação de que a empresa tem o que ele considera “supostos débitos”. Ou seja, é verdade. E é verdade também que a prática de contestar débitos fiscais é recorrente na empresa. Pelo menos, é o que se pode deduzir do que o próprio Júnior Friboi disse em sua nota oficial: “(A JBS) em muitos casos, discorda de alguma cobrança” e contesta pelos meios legais disponíveis: primeiro administrativamente e, depois, judicialmente. Só depois, disse ele, a JBS “cumpre o que foi determinado”.

É legal esse tipo de procedimento empresarial? É, garante a le­gislação em vigor. Já o aspecto moral e o que diz respeito à responsabilidade social escapam da alçada jurídica, e geram dúvidas. Sabe-se que grandes empresas mantêm imensos e competentes departamentos jurídicos, com inúmeros advogados especialistas na área tributária. Não é apenas a Friboi que mantém demandas fiscais com o Estado de Goiás.

No Brasil todo, as grandes corporações pagam milhões de reais aos advogados para que en­contrem falhas na legislação fiscal de modo a não pagar ou a­diar ao máximo o pagamento de im­postos. A Friboi, pelo menos nesse exemplo goiano, não é di­ferente de tantas outras grandes empresas. Inicialmente, não paga o imposto devido. Se descoberta pelos fiscais, evita o pagamento e entra com recurso administrativo. Se ainda assim a cobrança for mantida, leva o caso para o Poder Judiciário. E aí se justifica o grande aparato jurídico mantido por esse tipo de conglomerado empresarial: Se a Justiça leva até dez anos para sentenciar até assassinos confessos, imagina-se o que acontece com querelas fiscais entre Estados e empresas.

Diretamente envolvido

Fora esse aspecto jurídico-fiscal, Friboi contou em sua nota oficial que “parte importante” da dívida de ICMS, que ele chama de “suposto débito”, é proveniente da incorporação pela JBS/Friboi do grupo Bertin. Isso, longe se isentar a empresa, acaba por comprometer o próprio Júnior Friboi.

O grupo Bertin foi adquirido/incorporado pela JBS/Fri­boi em 2009. A dívida total do gru­po chegava a 6 bi­lhões de reais, incluindo a tal “im­portante de ICMS”. Júnior Fri­boi sabia disso porque ele era, nes­sa época, presidente do con­selho adminis­tra­tivo do grupo JBS, e seu irmão Joesley era o presidente da diretoria executiva. Por sinal, foi o próprio Júnior quem noticiou, a um grupo de mil pecuaristas goianos, que a Bertin tinha sido comprada.

Além disso, o grupo Bertin não foi adquirido/incorporado a troco de nada. O BNDES em­prestou dinheiro para a JBS/Friboi para que o negócio fosse feito, e com o objetivo de equacionar o problema das dívidas incorporadas. Na nota, Friboi disse que se o grupo da família dele não comprasse o Bertin, a empresa teria quebrado e “milhares de goianos teriam perdido o emprego”. Sim, é verdade quanto ao fato de que o grupo Bertin estava à beira da falência, e que o mercado considerava que era questão de tempo para entrar em concordata, mas o que motivou a compra/incorporação não foram os empregos dos goianos. Essa aquisição foi vital para os planos de expansão do grupo JBS/Friboi. Foi a partir dela, que o grupo se tornou o maior frigorífico do Brasil. Foi, portanto, um negócio que motivou a compra/incorporação do grupo Bertin, e jamais uma preocupação social no campo da manutenção de empregos.

Júnior Friboi disse ainda em sua nota oficial que deixou o grupo JBS quando decidiu entrar no mundo da política. Ele realmente vendeu a maioria de sua participação na empresa para os seus irmãos, que hoje comandam o complexo empresarial que ele comandava. Isso aconteceu apenas em 2013. A entrada de Friboi na política não bate com essa data: antes disso, ele foi filiado a partido político.

Sem ligação com a JBS?

Além disso, Friboi, pelo menos em dezembro de 2013, não se desvinculou completamente do grupo JBS, que tem a tal demanda fiscal calculada em 1 bilhão e 300 milhões de reais. Na época, ele admitiu textualmente à “Folha de S. Paulo” que passava a ser “acionista investidor (no grupo JBS) e não mais acionista controlador”.

Essa relação com a empresa remete novamente, e politicamente, ao fato de que a JBS/Friboi tem uma querela fiscal com o Estado de Goiás na casa de 1 bilhão e 300 milhões de reais. Se Júnior tem ações da empresa, e ele diz, na nota oficial, que o grupo do qual é acionista aciona os canais devidos quando discorda de alguma cobrança, ele estaria ou não sendo beneficiado, através das ações que detém, caso a cobrança deixasse de existir?

Por fim, e aí reside o maior conflito de interesses e também político, qual seria a atitude de um governador diante do fato de que a empresa que ele dirigia, e que pertence ao seu núcleo familiar, e na qual ele ainda mantém interesses representados em ações, demanda contra o Estado que ele governa? Indo além desse fato, a atitude da JBS/Friboi de contestar o fisco goiano quando ele, Júnior Friboi, era presidente do conselho de administração, não desautorizaria as atitudes do fisco contra outras empresas se ele fosse na época o governador de Goiás? E qual seria a atitude que essas outras empresas teriam diante de um governo comandado por alguém que antes de ser eleito, quando ainda estava no comando do conselho de uma empresa, questionou a legitimidade das interpretações de cobranças de ICMS do seu próprio fisco? Indo um pouco além, qual poderia ser, se fosse o caso, o formato de um programa especial de recuperação de impostos em um hipotético governo de Friboi: beneficiaria a JBS/Friboi, empresa na qual ele mantém interesses diretos através de ações ou, caso as tenha vendido depois de dezembro de 2013, interesses familiares, o que inclui seu pai e seus irmãos e irmãs?

Os conflitos nesse caso, portanto, são evidentes e inegáveis. A ques­tão é se Júnior Friboi vai responder a eles ou se vai confrontar os fa­tos e as dúvidas naturais geradas por esses fatos. O resto, sim, é política. l

Bons tempos…

Bons tempos… Todo véio costuma, se não dizer, pelo menos pensar nisso. Mas que droga de tempo bom é esse? Tinha tempo bom e tinha tempo ruim. Hoje, também é assim.

¨Ahh, no meu tempo a gente ficava num canto do salão, paquerava a menina e criava coragem pra chamar pruma dança¨. É verdade, era assim mesmo. Os garotos de um lado, lotados de autoconfiança entre eles, superpoderosos, mas morrendo de medo de se aproximarem da ¨presas¨ indefesas que se encontravam sentadinhas nas mesas. E, quando criavam coragem, caminhavam dando uma olhadela pra trás, pro seu grupo. Era uma forma de se auto-incentivar, de reencontrar o tal superpoder perdido em poucos passos.

As ¨brincadeiras dançantes¨ surgiram um pouco antes dos bailinhos

As ¨brincadeiras dançantes¨ surgiram um pouco antes dos bailinhos

¨Quer dançar comigo?¨… Vixi, que frase difícil de sair. Era mais problemático falar isso pra menina do que confessar pro padre que tinha, de novo, se divertido sozinho no banheiro… O padre não iria sair espalhando isso por aí, e se a menina dissesse não, todo mundo ficaria sabendo. Ali, sentença instantânea, no meio do salão… Na época, o não da garota se chamava ¨levar tábua¨.

Mas, e quando a ¨cantada¨ funcionava? Sim, cantada. A cantada era desse jeito. Chamava pra dançar e a coisa andava.

Um sonho que duraria até o próximo sábado. No início da música, os corpos ficavam a menos de meio palmo um do outro. Aos poucos, se o clima realmente fosse químico, se aproximavam até que se colavam um no outro.

E o vexame? Deusducéu… A música acabava e tinha que descolar um da outra. A evidência saliência denunciava a situação. Ficava difícil até andar cada um pro seu lado. A menina, não, ia toda donzela pra sua mesa. O garoto colocava as mãos nos bolsos pra tentar disfarçar o que todo mundo tava vendo…

Mas tinha o supremo vexame. Esse era terrível. No rala-rala, os hormônios explodiam e criavam aquela mancha molhada na calça. Rapaz, aquilo era a pior coisa do mundo, e também a melhor, é claro.

Bons tempos, sim…

Hoje a coisa degringolou, mas teve um tempo melhor que esse antigamente relatado. Não o vivi inteiramente. Peguei uma beirada, e só.

boate

Já não era necessário atravessar o salão  cheio de vergonha. As luzes, pouquíssimas das boates, escondiam quase tudo. Então, era encostar na presa, e jogar o olhar pra cima. Olho no olho, um aceno de cabeça e pronto. Se, sim, pro meio do salão. Se, não, cadê aquela outra garota que estava ali no canto?…

E algumas até topavam chegar ao máximo. Uma ou outra se recusava a perder a integridade. Então, recorriam à alternativa, de costas.

Hoje, vendo esses bailes funks por aí, fico imaginando se é melhor essa coisa meio canina, de cio explicitado algumas vezes até publicamente, ou se era mais gostoso antes, com muito mais malícia e sonho do que atos.

Shows. Nos palcos e nas ruas... Tempos atuais.

Shows. Nos palcos e nas ruas… Tempos atuais.

Sei lá. O que eu sei é que não é mais pro meu bico.

É assim em tudo. Faz parte da vida, ué. Algumas coisas eram muito boas, melhoraram e decaíram. Nada diferente das nossas próprias vidas: criança, menino, o auge e a decadência.

Catzo, pensando assim, a natureza é perfeita.

Voto nominal, a grande mentira brasileira

Urna_EletronicaO tema está inserido no contexto de uma grande reforma política que se arrasta há anos no Congresso Nacional: o eleitor brasileiro deixaria de votar em fulano ou beltrano, e indicaria apenas o partido que ele gostaria que tivesse direito de representa-lo nos legislativos através de um de seus filiados. Criou-se uma polêmica imensa sobre esse tema, e a maioria da população acabou vendo a medida como uma forma de desrespeito à sua preferencia por este ou aquele candidato.

Mas, afinal, o que é mesmo esse voto fechado, para um partido e o voto direto, para um candidato? Como funcionam esses processos?

Voto nominal  – Na prática, esse tipo de voto simplesmente não existe. Nenhum eleitor brasileiro vota em fulano ou beltrano. Todos, invariavelmente e sem qualquer exceção, quando votam em determinado candidato, têm suas indicações computadas para o partido e/ou coligação ao qual esse candidato ¨escolhido¨ pelo eleitor pertença.

Esse processo é a causa de uma séria anomalia no voto brasileiro: o eleitor vota em alguém que ele entende ser merecedor de sua confiança e acaba ajudando a eleger, eventualmente, um sujeito que ele não conhece ou, quando o conhece, às vezes pode até detestá-lo.

O eleitor indica com o seu voto fulano de tal (ou número tal) do partido A, que está coligado aos partidos B e C. Seu voto, então, cai num grande balaio e é somado a todos os votos conseguidos pelos candidatos dos partidos A, B e C. Através de um cálculo que aparentemente é complicado, se estabelece o chamado quociente eleitoral, que nada mais é do que a soma de todos os votos nominais válidos dados pelo eleitorado a todos os partidos e coligações dividido pelo número de vagas em disputa. Digamos, então, e apenas como exemplo, que essa soma chegou a 100 mil votos e são 10 vagas. 100 mil dividido por 10 são 10 mil. Ou seja, a cada 10 mil votos recebidos, o partido ou a coligação, com predominância da coligação, consegue uma vaga, e o ocupante será aquele que obteve maior número de votos entre todos os candidatos dos partidos A, B e C.

Tiririca, que se candidato pelo PR, se elegeu e ajudou a eleger diretamente deputados de 3 outros partidos: PRB, PCdoB e PT. Será que esse era o desejo dos eleitores dele?

Tiririca, que se candidato pelo PR, se elegeu e ajudou a eleger diretamente deputados de 3 outros partidos: PRB, PCdoB e PT. Será que esse era o desejo dos eleitores dele?

Na prática, o que acontece? O eleitor lá atrás, aquele que votou no fulano de tal, na verdade votou para a coligação ABC e, caso essa coligação tenha atingido o piso mínimo do quociente eleitoral, o eleito será aquele melhor votado dentro dessa coligação. O eleitor votou no fulano, do partido A, e pode ter contribuído com a eleição de algum cicrano, do partido C, que ele nem sabe quem é.

Voto no partido – Nessa regra, o nosso eleitor indica apenas o partido que ele confia o suficiente para representar seus interesses no Legislativo. E ele sabe exatamente que, se esse partido conseguir eleger apenas um de seus candidatos, o escolhido será aquele previamente indicado em uma lista de nomes prioritários e em ordem decrescente pelo diretório do partido escolhido. Como funciona?

Todos os partidos indicam as suas listas de candidatos em ordem de prioridade. Ou seja, o eleitor vai escolher o partido sabendo que poderá ajudar a eleger fulano, beltrano ou cicrano – que são os primeiros nomes da lista organizada pelo partido  escolhido pelo eleitor. Nesse sistema, as coligações partidárias são absolutamente incompatíveis, mas mesmo que fossem adotadas, ainda assim estaria claro quem o eleitor estaria prioritariamente ajudando a ser eleito.

mosaico partidos

O que isso causa na prática? Que o voto dele vai ser somado para eleger aqueles candidatos que estão em ordem de prioridade na lista organizada pelo partido que ele escolheu, e não o Zezinho do bairro, que na tal lista aparece somente na décima posição.

Por incrível que possa parecer, portanto, o voto no partido é muito mais previsível para a escolha pessoal do eleitor do que o processo que erradamente é chamado de voto nominal. O nosso eleitor, no sistema de voto partidário, sabe exatamente que, se o partido que ele escolheu conseguir atingir o quociente eleitoral, o eleito será fulano de tal. Se esse partido conquistar o equivalente a ¨dois quocientes¨ eleitorais, os eleitos vão ser fulano de tal, primeiro na lista, e beltrano, o segundo. E assim por diante. Ou seja, se o nosso eleitor gosta do Zezinho do bairro, mas detesta o fulano que está em primeiro na lista do partido do Zezinho, ele pode procurar nas demais listas partidárias alguém que seja prioridade na lista e que lhe pareça confiável.

Mas e os prefeitos, senadores, governadores e presidente, como seriam eleitos?

Nesses casos, nada muda. As eleições, embora aconteçam em um só dia, não são iguais. São distintas. A cada 2 anos, o eleitor vota em cargos de indicação majoritária – caso dos prefeitos, senadores, governadores e presidente da República – e de indicação proporcional – vereadores, deputados estaduais e deputados federais. O voto partidário muda somente o conceito do voto para as eleições proporcionais.