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Fogueira de espelhos

A coisa de um ano, talvez um ano e meio, as redes sociais “analisavam” que as eleições deste ano iriam marcar o enterro político do governador Marconi Perillo. “Se ele for candidato”, acrescentavam. Pois ele não apenas se lançou na disputa como está a meio ponto percentual de vencer já no 1º turno.

O que houve para uma alteração tão dramática no cenário previsto por militantes e políticos oposicionistas para esse que aí está? Não muita coisa, essa que é a verdade. Fundamentalmente, a administração simplesmente engrenou. Aliás, algo extraordinariamente normal no modo brasileiro de administração pública. Os dois primeiros anos são geralmente consumidos por ajustes e levantamentos de demandas, e os dois últimos anos de espraiamento das atividades governamentais. Sempre foi assim por aqui e em todos os Estados brasileiros.

E se era assim tão previsível, por ser rotineiro e histórico, por que os opositores não se preparam melhor para o enfrentamento eleitoral? Difícil responder essa questão. Ao que parece, o mais provável é que a ânsia de derrotar o maior líder político goiano da atualidade, e um dos maiores de toda a história republicana, tenha provocado nos opositores uma cegueira política total, com egos inflados e fogueiras de vaidades absolutas.

Fogueira

Em nenhum momento levou-se em conta que o cenário de 2014 teria enorme possibilidade de recriar as condições eleitorais de 2002, quando Marconi foi reeleito já no 1º turno. E quando teve início de forma claríssima esse processo, imaginou-se 1998, eleição marcada pela mais espetacular e inesperada virada eleitoral da história política estadual. Ou seja, em nenhum momento os líderes oposicionistas levaram em conta que a eleição estava aberta, e com Marconi sendo um dos principais players.

Não há paralelos entre 1998 e 2014. Nenhum paralelo ou semelhança. A começar pelo mais óbvio: Marconi, como Maguito Vilela teria sido em 98, era o candidato natural ao governo. Ele não atropelou ninguém para ocupar seu lugar na disputa, ao contrário do que Iris Rezende teria feito em 98. Marconi herdou o posto naquela disputa como solução mais prática e à mão para um enorme impasse interno. Ele foi solução e não parte de um problema. Nenhum dos atuais candidatos oposicionistas se apresenta com essa característica. E o pior oposto disso é Iris Rezende, que enfrentou uma sangrenta disputa interna contra Jr Friboi.

Em 98, todos os grandes partidos oposicionistas se uniram não em torno de um nome, mas em um projeto de enfrentamento ao PMDB. O nome do candidato surgiu depois de acertada a união, e não, como agora, diante de enormes labaredas de vaidades egocêntricas e, algumas vezes, messiânicas. Vanderlan saiu candidato antes de se oferecer à mesa de negociação dos opositores. Antônio Gomide, envaidecido pelo sucesso local, imaginou-se conquistador das emoções estaduais. Iris… Bem, Iris se comportou exatamente como sempre, olhando para o próprio umbigo de sua inquestionável liderança política, certo de que seria seguido tão logo resolvesse a disputa interna no PMDB. Em nenhum momento, por um só segundo sequer, os três abriram a possibilidade de adiar seus planos eleitorais em nome do objetivo comum: derrotar Marconi.

Costuma-se atribuir, ao meu ver equivocadamente, um certo sentimento coletivo por mudança como principal propulsor da vitoriosa campanha de Marconi Perillo em 1998. Esse tal sentimento de mudança pra melhor é constante em todas as disputas eleitorais. Mesmo nos processos de reeleição, o que determina o voto do eleitor é esse sentimento de que as coisas vão mudar para melhor, mesmo que o governante seja o mesmo. Como atribuir a esse tal sentimento de mudança a espetacular virada de 98 se a apenas um mês das eleições Iris mantinha uma dianteira de 30 pontos percentuais sobre Marconi? Um sentimento coletivo como esse não explode de um momento para o outro. Dorme-se de um jeito e acorda de outro? Não. A mudança se cria aos poucos, alimenta e se alimenta dela própria, e vai se ampliando até o domínio total. E, definitivamente, não foi isso o que aconteceu em 98.

espelho

O PMDB naquela época era hegemônico, tinha um governo com aprovação maciça, muito maior que agora, inclusive, e um candidato natural à reeleição. É impossível se comprovar realisticamente, mas Maguito jamais perderia aquela eleição. Nem para Marconi, nem para nenhum outro opositor.

O PSDB é majoritário, mas não é hegemônico. Os tempos assim exigem na multiplicidade partidária atual. E Marconi é naturalmente candidato à reeleição. Mais do que isso, ele comanda uma máquina administrativa que apresenta resultados satisfatórios, conforme demonstram as pesquisas que indicam aprovação dos desempenhos do governo e do governador. Há teses que afirmam, diante de experiências observadas ao longo do período em que a reeleição passou a valer, que governos com aprovação acima de 35% e menos de 40% de rejeição tem fortíssimas chances de reeleição. Pois os índices atuais de Marconi apresentam aprovação próxima a 50% e rejeição abaixo dos 30%.

O que tudo isso significa? Que Marconi pode, sim, se reeleger já no 1º turno. O cenário, definitivamente, não é o de 1998. O que se tem é 2002 muito mais concretamente. Mesmo que a eleição vá para o 2º turno, hipótese real, mas não muito provável, dificilmente surgirá outro cenário. O atual foi construído por méritos de Marconi e, mais uma vez, pelos erros dos oposicionistas, que parecem ter especial predileção por fogueirinhas de papel. Antes de enfrentarem Marconi e seu formidável exército político-eleitoral, os opositores precisam quebrar os espelhos com os quais veneram seus próprios egos.

Rádio e TV: Última cartada para impedir reeleição de Marconi

Iris Rezende, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide vão ter que caprichar nas mensagens para evitar que Marconi vença mais uma vez

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Afonso Lopes

A vida eleitoral de Iris Rezende (PMDB), Van­derlan Car­doso (PSB) e Antônio Gomide (PT) não está nada mole. Des­de o final do ano passado, o governador Marconi Perillo (PSDB) tem conseguido acrescentar eleitores com intenção de votar nele, apesar das movimentações dos principais candidatos oposicionistas. Vanderlan, por exemplo, começou a batalhar espaço na seara eleitoral logo no início deste ano. Pouco depois, em abril, Gomide também começou a andar pelo interior do Estado se anunciando como candidato. Iris foi o último a se lançar candidato, embora sempre tenha se mantido em atividade. O problema dele, ao contrário de Vanderlan e Gomide, seus colegas na trincheira da oposição, foi a disputa interna com o empresário Júnior Friboi. Iris sempre teve prestígio eleitoral, mas o PMDB estava completamente seduzido por Friboi. A candidatura de Iris nasceu num parto complicadíssimo e dolorido.

Talvez aí esteja um perfil coletivo das dificuldades dos oposicionistas até agora. Vanderlan esperava muito mais de possível recall de sua candidatura ao governo em 2010. E quanto mais se mostrou candidato, mais perdeu intenções de voto. Assim, 2010 não foi o patamar de lançamento para 2014. Funcionou exatamente como o oposto disso. Como teto, e não como piso inicial.

Muitos dos problemas verificados na candidatura de Vanderlan não foram provocados por ele. O pior empecilho, por exemplo, foi criado por Marina Silva, que era candidata a vice-presidente na chapa até então liderada por Eduardo Campos. Vanderlan procurou, conversou e conquistou o apoio do DEM goiano, ganhando de cara um candidato ao Senado que lidera as pesquisas atuais, Ronaldo Caiado. Foi Marina inicialmente, e Eduardo logo após, que impediu a consolidação dessa aliança, que ampliaria bastante a visibilidade da candidatura de Vanderlan. Não seria exagero afirmar que o candidato goiano foi traído pela direção nacional do seu partido, que além de nada acrescentar a ele, ainda impediu o acordo com Caiado. O resultado disso é o que se pode ver nas hostes de Vanderlan, um candidato praticamente único, sem chapas proporcionais competitivas que possam gerar repercussão de suas ações, salvo caríssimas excessões.

Não cresceu

O petista Antônio Gomide também derrapa sem avançar desde que largou a Prefeitura de Anápolis. Em meio à crise interna do PMDB, Gomide era a bola da vez para os grupos de Friboi e Iris. Quem perdesse a disputa peemedebista tenderia inicialmente a abrir dissidência interna em favor do petista. O problema é que ninguém embarca numa canoa que não rema pra frente. E o barco eleitoral de Gomide faz água desde então, e está isolado no meio do nada. Se tivesse conseguido ganhar alguns pontinhos logo que a bomba explodiu de vez no PMDB, provavelmente ele ganharia apoios importantes dos perdedores.

A situação dele é ruim, mas pe­lo menos ele tem uma chapa proporcional bem melhor, mais ampla e representativa que Vanderlan Cardoso. O PT tem várias estrelas conhecidas do eleitor, algumas delas candidatas à reeleição como deputado estadual, além dos nomes mais conhecidos para a Câmara dos Deputados. É com essa base muito mais consistente que a do PSB que Gomide deve contar na reta final da campanha.

O principal nome das oposições a Marconi também não desgrudou do patamar histórico dele, já registrado em 2010. Iris Re­zen­de chega ao horário eleitoral no rádio e na TV exatamente como antes. Ou como sempre. Ele conseguiu vencer o isolamento ao firmar aliança com Ronaldo Caiado, do DEM, mas isso até agora não lhe rendeu dividendos eleitorais. Ficou apenas na visibilidade, na intensidade do barulho de sua campanha. Caiado também não ganhou eleitores que já não os tivesse. Com Vanderlan ou com Iris seria mais ou menos o que se vê, um candidato bastante consistente, e que vem se mantendo em todas as pesquisas até aqui com uma vantagem absolutamente confortável. Ele segue em marcha batida para as urnas, e somente uma grande reviravolta mudará essa situação.

1º turno?

Iris Rezende, Van­der­lan e Go­mi­de fazem suas últimas apostas eleitorais nos programas de rádio e TV. De agora até a eleição, vão ser apenas 17 edições, com repetição vespertina ou noturna, além das chamadas pílulas de 30 segundos espalhadas nas programações das emissoras. Não é muito, mas é o que se tem. Há um problema. De todo o tempo destinado à campanha eletrônica, Marconi fica sempre individualmente com maior espaço graças à sua aliança, bem maior que as dos demais concorrentes.

Isso dimensiona bem o grau de complexidade que as candidaturas o­posicionistas vão ter que enfrentar nesta última fase da campanha eleitoral deste ano. Vanderlan Car­doso, por exemplo, com pouco me­nos de dois minutos em cada bloco de 20, é quase um “Enéas” – his­tórico candidato à Presidência da República que não tinha mais que alguns segundos pa­ra dar sua mensagem. Gomide es­tá menos sufocado, com pouco mais de três mi­nutos, enquanto Iris Re­zen­de tem à sua disposição quatro minutos e meio. Já Marconi pode trabalhar bem melhor, com pouco mais de sete minutos em cada bloco de 20.

E o que se pode realmente fazer com tempo menor de exposição no rá­dio e na TV e, de quebra, contra um candidato com mais espaço, com melhor e mais densa chapa de candidatos a deputado estadual e fe­de­ral, líder nas pesquisas e que disputa a reeleição? Se até aqui quase na­da funcionou como os oposicionistas imaginavam que funcionaria, não há muito o que se fazer. Impedir que Marconi Perillo seja reeleito já no priemiro turno, situação que está se avolumando aos poucos, deve ser a única meta imediata e racional da oposição. Mais do que isso, apenas se o tal “imponderável” acontecer. Ainda assim, teria que ser um baita “imponderável”. E bota baita nisso.

Eleições: Em compasso de espera pra ver como vai ficar

Governistas querem deslanchar de vez com os programas eleitorais no rádio e na TV. Para a oposição, será o último cartucho

Fotomontagem

Fotomontagem

Afonso Lopes

Tudo o que havia para ser feito antes da segunda e última fase da campanha eleitoral deste ano está concluído. A partir de agora, o jeito é aguardar pelos programas eleitorais no rádio e na TV, instância decisiva para a definição de quem será o próximo governador de Goiás pelos próximos quatro anos. As últimas pesquisas eleitorais têm mostrado sistematicamente uma acomodação dos porcentuais de cada candidato, e como a campanha de rua é muito complicada quando não apoiada pelo clima impregnado pela campanha eletrônica, não há muita coisa para se fazer. Esses números atuais não devem sofrer alterações bruscas importantes. No máximo, podem registrar alguma variação positiva ou negativa, mas nada muito relevante.

Isso significa que o quadro está definido? Sim e não. Neste momento, está, sim, definido que existem três blocos distintos no cenário eleitoral. O primeiro é composto pelo governador Marconi Perillo (PSDB) e por Iris Rezende (PMDB). O segundo tem Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT). O terceiro reúne as candidaturas sem grande densidade eleitoral, com Marta Jane (PCB), Professor Weslei (PSol) e Alexandre Magalhães (PSDC). Então, essa é a parte que está definida atualmente, e assim deverá chegar ao período da campanha eletrônica. O que será definido depois são duas questões. Primeira, se haverá ou não segundo turno. Os números atuais indicam que, sim, haverá. Por fim, quem vencerá.

Nanicos

O terceiro bloco dos candidatos não tem muito o que sonhar mesmo restando a campanha eletrônica. Teria que acontecer uma hecatombe eleitoral antes que Marta Jane, Professor Wesley ou Alexandre Magalhães, pelo menos um deles, disparasse de tal forma ao ponto de ocupar a primeira ou a segunda colocação geral. Ou seja, eles vão jogar a eleição como espectadores privilegiados, nada muito além disso.

Marta Jane e Professor Weslei não têm nenhuma obrigação prévia de obter desempenho eleitoral consistente. O papel deles é aproveitar o espaço para pregar em nome dos seus partidos. Alexandre Magalhães nem isso precisa realmente fazer. Ele só entrou para cumprir exigência do diretório nacional do seu partido, o PSDC, que tem candidato à Presidência da República — o também nanico Eymael. Nenhum deles tem nem ao menos chapa levemente competitiva de candidatos a deputado estadual ou deputado federal. E também não vão ter grande espaço de tempo no rádio e na TV. Sem falar na militância, extremamente localizada e sem qualquer capilaridade em nível estadual. Eles, efetivamente, não entraram na campanha para disputar a eleição. E, fora a tal hecatombe, não vão disputar nada. Irão somente ocupar o espaço democraticamente destinado a cada um deles no rádio e na TV.

Grupo 2

As posições e objetivos iniciais de Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide são completamente diferentes da situação dos nanicos. No início do ano, eles imaginavam que chegariam às vésperas da última fase da campanha muito melhores quanto às suas condições eleitorais. Vanderlan, por exemplo, o primeiro entre todos a se declarar candidato ao governo do Estado, chegou a sonhar com uma coligação bem maior do que essa que ele lidera, com PSB, PSC e PRP. Havia forte especulação de ele também contar com o PDT, liderado pelo casal George e deputada federal Flávia Moraes, e até do DEM, do deputado federal e candidato ao Senado Ronaldo Caiado. Não ficou nem com um nem com o outro. O PDT buscou viabilizar-se na coligação bem mais ampla, baseada na candidatura à reeleição do governador Marconi Perillo. Caiado até que estava disposto a fazer parte da chapa de Vanderlan, mas foi barrado pela candidata a vice-presidente, Marina Silva. O resultado disso é o quadro atual de Vanderlan, um candidato que não conseguiu crescer e, ao contrário, tem demonstrado cada vez menos densidade eleitoral nas pesquisas.

O petista Antônio Gomide foi quem pagou o maior preço político até aqui nestas eleições. Em abril, diante do impasse interno no velho parceiro PMDB, que vivia às turras entre Júnior Friboi e Iris Rezende, ele simplesmente abriu mão de quase três anos de mandato de prefeito da segunda cidade mais importante do Estado, Anápolis, para se lançar candidato ao governo. Passou mais de três meses imaginando que sua popularidade como prefeito anapolino capitalizaria seu nome na disputa para o governo, e talvez até seduzisse assim alguns partidos da base da presidente Dilma Roussef. Não aconteceu nem uma coisa e nem outra. Ele não surgiu como o tal fator novo arrebatador de multidões nem recebeu apoio de um único partido além do seu, o PT.

Gomide e Vanderlan vivem da mesmíssima esperança: que a campanha eletrônica finalmente acenda alguma luz no final desse túnel escuro em que estão suas candidaturas. É claro que essa não é uma tarefa qualquer, inclusive pela falta de recall no dia a dia que boas chapas de candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados ofereciam a eles. E, nesse ponto, a posição de Gomide é melhor do que a de Vanderlan, já que o PT tem melhores e mais destacados quadros do que PSB, PSC e PRP. Se os nanicos precisam de uma hecatombe total, Van­derlan e Gomide não estão muito longe em termos desse tipo de necessidade. Talvez uma hecatombe um pouquinho menor, mas não menos hecatombe.

Grupo principal

Iris Rezende e Marconi Perillo chegam à última fase da campanha em situação semelhante, mas não exatamente igual. O governador conseguiu formar a maior coligação e, com isso, tem excelentes chapas de candidatos proporcionais. Isso conta bastante na soma geral. Além disso, todas as pesquisas o mostram na liderança e com vantagem em torno de 10%. Ele também será o dono do maior espaço no rádio e na TV. Há dois objetivos bastante claros na campanha de Marconi nesta segunda e última etapa. O primeiro é não perder a vantagem que acumulou até agora. O segundo, romper a barreira dos 50% dos votos válidos e vencer já no primeiro turno, como aconteceu em 2002. Não falta tantos pontos assim, mas o pouco que falta sempre é o mais difícil. Por fim, caso não ganhe a eleição de primeira, Marconi vai tentar repetir 2010, quando assegurou uma boa vantagem no primeiro turno e venceu sem maiores problemas no turno final.

É exatamente a possibilidade de ser derrotado já no primeiro turno que se transforma em primeiro objetivo de Iris Rezende. O peemedebista vai jogar tudo o que sabe para levar a eleição para o segundo turno, quando passaria a ter a chance de, finalmente, derrotar seu maior rival político. Mais do que isso, como por exemplo chegar voto a voto, no final do primeiro turno, é seu grande sonho de consumo nestas eleições. Qualquer resultado melhor do que esse seria então o néctar do nirvana. Iris não é ameaçado na segunda posição nem por Vanderlan nem por Gomide. Mais do que isso, ele precisa torcer para que nenhum dos dois fique com menos fôlego na reta final. Por enquanto, são eles que estão mantendo a perspectiva de segundo turno.

Treino é treino, jogo é jogo: O que define eleição é o voto

Pesquisas mostram tendências de momento, mas são os candidatos e as militâncias que fecham o resultado

Em 2006, Maguito Vilela (no alto) era o favorito, mas Alcides Rodrigues (acima) virou o jogo e se reelegeu. Foto: Wesley Costa | Ana Paula Abrão

Em 2006, Maguito Vilela (no alto) era o favorito, mas Alcides Rodrigues (acima) virou o jogo e se reelegeu. Foto: Wesley Costa | Ana Paula Abrão

É unanimidade entre os conhecedores do planeta político: cada eleição é uma eleição. Ou seja, não existe eleição totalmente idêntica a qualquer outra. Isso não significa que não existam algumas “mesmices” nos processos eleitorais. O melhor exemplo são as pesquisas.

Quem aparece na frente sempre tem agradecimentos antecipados a fazer. Já quem surge atrás tende a limar legal institutos, números e até quem ouse abordado assunto na imprensa. Sem falar na clássica e pouquíssimo criativa frase sem efeito algum de que “os números internos são bem diferentes”. São diferentes coisa nenhuma. As pesquisas podem até apresentar algumas variações, mas geralmente, quando realizadas por institutos capacitados, se revelam dentro da chamada “margem de erro”.

O problema das pesquisas e sua relação direta com o processo eleitoral como um todo diz muito mais respeito à campanha do que necessariamente com o futuro ou com resultado desse trabalho. Em outras palavras, e para ficar num lugar comum, pesquisas são sempre um retrato daquele momento, e não uma projeção sobre acontecimentos futuros. Então, olhando por aí, não há nenhum problema em ficar atrás nas tais pesquisas, desde que se tenha plena convicção do trabalho que está se desenvolvendo para cativar eleitores. Mas é claro que dói aparecer em segundo ou terceiro lugar e prometer metas de um governo que surge somente como metáfora sem que nem por que. Como o eleitor pode acreditar na proposta de um candidato que está lá atrás, com pouquíssima intenção de voto, quando ele fala sobre um governo que só existe na tal intenção dele? Não dá.

A solução para esse problema, que afeta a credibilidade, é alterar o discurso, e potencializar as metas que o tal candidato defende como ideais. Se convencido da proposta, o eleitor poderá ver nesse candidato o melhor nome para atingir esse objetivo, e assim, sim, mudar a sua intenção de voto, até então claramente direcionada a outro nome. Só que trabalhar um discurso sem pé no tal “governo” inexistente é coisa complicada. Demanda inteligência à serviço da emoção, do sonho, Ou seja, é preciso convencer o eleitorado de que a proposta é a melhor e mais exequível, ainda que não exista nesse candidato a personificação do governo que irá executá-la.

Dá trabalho e muitas vezes não produz resultado, mas é a única forma inteligente de se fazer uma campanha quando se está com dificuldade, o que vier é lucro. Eventualmente, esse lucro pode ser inclusive a vitória. Um exemplo clássico em Goiás de conteúdo de campanha é recente. Em 2006, o senador Maguito Vilela, que não é um bocó eleitoral, ao contrário, é um dos maiores vitoriosos da história política estadual, tinha tudo para vencer a eleição em determinado momento. Aos poucos, suas chances foram caindo sistematicamente enquanto crescia a mensagem de Alcides Rodrigues, de continuidade administrativa. Basica-mente, o principal fator da virada espetacular naquela eleição foi essa mensagem, esse sonho de que nada iria mudar. Ao mesmo tempo, e colocados na rabeira das pesquisas eleitorais, os dois outros candidatos “vendiam” seus futuros governos metafóricos. O resultado foi a vitória de Alcides, a segunda colocação de Maguito e a confirmação do naufrágio das candidaturas de Barbo­sa Neto e Demóstenes Torres.

Então, naquela eleição, “os números internos diferentes” se mostraram exatamente iguais aos das pesquisas “externas”. E é assim sempre. Faz parte dessas “mesmices” dos processos eleitorais. E ainda assim o que se percebe é que a esmagadora maioria dos candidatos não consegue entender que há uma abissal diferença entre apresentar uma proposta de governo, para qualquer que seja o governante, e uma proposta/promessa de seu próprio e pouco provável, naquele momento, governo futuro. É fácil entender que determinada proposição de algum candidato é muito boa, e até comprar a ideia, mas é praticamente impossível acreditar que nessa tal proposta boa quando ela está embalada pelo “no meu governo” improvável. Associa-se diretamente uma verdade/sonho/proposta com uma aparentemente deslavada mentira, o tal “futuro governo”.

É assim que as pesquisas deveriam ser lidas pelas campanhas ao longo do processo eleitoral. É absolutamente improdutivo apresentar uma proposta bem embasada associada à sensação de promessa vazia e mentirosa de um “futuro governo”. Ou seja, no entendimento do eleitor, a boa proposta é tão “mentirosa” quanto o tal governo inexistente e de pouquíssimas chances. Ocorre uma contaminação negativa no conjunto porque se apresenta uma coisa ligada à outra, a proposta real com o governo irreal.

Então a pesquisa que mostra um candidato em má situação equivale a uma condenação permanente e antecipada de derrota? Longe disso. Muito longe disso. A pesquisa é sempre um importante conjunto de informações, um feedback a ser devidamente utilizado, e jamais uma bola de cristal. Quando bem trabalhadas, essas informações servem somente como termômetros orientadores de rumos para a obtenção dos resultados esperados: convencer o eleitor de que determinada candidatura é a mais adequada aos anseios dele, e que não está atrelada a coisas ou fatores improváveis. Sem mentiras aparentes, como o tal “governo” ou “números internos diferentes”. Dessa forma, a pesquisa será sempre apenas um treino. A decisão, aí, sim, se dá no jogo, na eleição.

Se quem está atrás precisa ter esse tipo de cuidado com a linguagem para não matar a credibilidade de sua boa ideia, os que estão à frente precisam ficar mais atentos ainda. Quem lidera não pode afrouxar o passo da militância porque o jogo ainda não está totalmente jogado, e qualquer vacilo pode incendiar de vez os ânimos da militância adversária. A liderança nas pesquisas deve ser transmitida internamente como se fosse um jogo com o sempre sinistro placar de 2 a zero. Se ficar de bobeira e tomar um gol, sempre será muito difícil evitar o empate e talvez a virada. E para quem precisa virar esse jogo, a pior solução é apelar para a botinada, bicuda e chutão. É mais fácil e rotineiro levar o terceiro gol desse jeito do que marcar o primeiro. Esse é o jogo.

Vanderlan e Gomide: O drama do isolamento

Desde sempre, todo mundo sabia que as candidaturas de Antônio Gomide e Vanderlan Cardoso enfrentariam dificuldades. Mas o que esperar agora?

Vanderlan Cardoso padece da falta de chapa competitiva para deputado estadual e federal, problema de que também sofre o candidato do PT, o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide | Fotos:  Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Vanderlan Cardoso padece da falta de chapa competitiva para deputado estadual e federal, problema de que também sofre o candidato do PT, o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide | Fotos: Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Afonso Lopes

Na década de 1950, cineastas brasileiros ficaram espantados com a quebradeira geral das grandes companhias cinematográficas paulistas e partiram para a criação de uma nova linguagem, bem distante do padrão que já se empunha na época a partir de Hollywood. Era, resumido em uma só frase, trabalhar com uma boa ideia na cabeça e uma câmara na mão. Parece ser esse o destino de duas candidaturas a governador este ano em Goiás. Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT) vivem tempos difíceis, sem grandes coligações partidárias e sem ao menos chapa de candidatos a deputado estadual e deputado federal realmente competitivas. O jeito então vai ser, de certa forma, aplicar na campanha a tal ideia na cabeça e câmara na mão.

Todo mundo sabia desde sempre que não seria fácil para nenhum deles montar uma boa estrutura, que não depende apenas de recursos financeiros. A questão dos candidatos proporcionais, por exemplo, é fundamental em qualquer campanha. Vai, inclusive, além do próprio tempo destinado pela Justiça Eleitoral à campanha eletrônica, no rádio e na TV. E as chapas de Vanderlan e Gomide são mínimas. De certa forma, o PMDB também tem dificuldades nessa área, mas o problema peemedebista é bem menor. Até pela espetacular capilaridade que o partido detém. Provavelmente, não há uma só comunidade no Estado inteiro sem a presença de um fiel eleitor do partido. PSB e PT também dominam algumas localidades, mas é bem menos.

Esse fato implica uma dificuldade extraordinária a ser superada. Sem os candidatos proporcionais em número e competitividade, as campanhas tendem a não atingir o dia a dia da totalidade dos eleitores, espalhados em quase 250 cidades e um número ainda maior de povoados. É possível obviamente, chegar até esses eleitores através da campanha no rádio e TV, mas esse contato dura exatamente o espaço de tempo em que o horário eleitoral é exibido. Não fica o recall proporcionado pelos candidatos a deputado federal ou estadual. Não há o repique das demais campanhas.

Isso significa que as candidaturas de Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide estão previamente condenadas? Em tese, sim, sem a menor dúvida. Na prática, não. Eles vão ter que descobrir uma fórmula um tanto mágica pra impregnarem as suas candidaturas no inconsciente coletivo de modo a suprir a carência do tal repique. Ou seja, eles vão ter que se manter no dia a dia das localidades mais distantes mesmo sem contar com algum tipo de apoio local. Como conseguir isso? Aí é que está: não existe um modelo a ser seguido. Às vezes, em algumas campanhas eleitorais, um fato aparentemente pequeno e sem maior relevância detona o processo. Porque isso ocorre ninguém sabe, mas pode ter alguma relação com o momento ou alguma sensação não exteriorizada coletivamente que explode de uma hora para outra. Os grandes movimentos de junho do ano passado foram exatamente isso: um fato de alcance restrito, o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, se transformou numa faísca que explodiu bilhões de sensações antes adormecidas no inconsciente coletivo.

Isso pode ocorrer também numa campanha eleitoral? Pode. O maior e mais estupendo exemplo é o de Fernando Collor de Mello, na eleição presidencial de 1989. Um governador do menor e mais pobre Estado do Nordeste, a bordo de um partido nanico, de repente foi crescendo no imaginário popular como um caçador de marajás do serviço público e arrebatou as multidões. Mas esse fenômeno não é algo que se vê todo dia, ou em todas as campanhas. Para se ter uma ideia, depois de 1989 nunca mais aconteceu nas disputas presidenciais, que sempre foram vencidas pelas maiores estruturas.

Vanderlan e Gomide vão se agarrar a essa possibilidade. E é óbvio que acreditam nisso. Mas não deve ser fácil para eles olhar para um lado e para o outro e constatar que lideram exércitos muito pequenos diante dos dois maiores adversários, Marconi Perillo e Iris Rezende. Mas não há mais o que fazer. Eles precisam se esforçar para não entregarem os poucos candidatos a deputado estadual e deputado federal à própria sorte. Afinal, se agora eles estão nessa situação complicada, foram eles próprios que a criaram. O jeito é trabalhar bem uma ideia e sair por aí. E jogar tudo nas mãos do imponderável.

Formatação de campanha pode criar polarização tripla para Senado

Dentro de 2 meses e meio, mais de 3 milhões de eleitores goianos vão às urnas para escolher deputados estaduais, deputados federais, senador e governador, além de indicarem seus preferidos para a Presidência da república. Desses dois meses e meio, ainda deve-se dar um certo desconto para o restante de julho, em plenas férias escolares, e um dos períodos preferidos para viagens e descanso. Ou seja, campanha mesmo, só a partir do mês de agosto. E ainda assim, será uma campanha meio boca no início. Faltará o fervor proporcionado pela campanha eletrônica, no rádio e na TV, que só começa um pouco depois, quando se entra na reta final. Em resumo, não resta muito tempo.

horario eleitoral TV

Pois se parece pouco tempo, e é mesmo, vira uma pequena eternidade quando se leva em conta a intensidade do mês que antecede as eleições. É quando pega clima de verdade. Ou não, dependendo, claro, das formatações que se podem dar às campanhas. Cada candidato faz a sua opção. Para alguns, quanto mais lenha na fogueira, melhor. Para outros, o desejável é mais água na fervura.

Estratégias

As pesquisas, internas ou publicadas por veículos de comunicação, são ótimas peças para avaliação das campanhas, e extremamente importantes para a formatação delas. Independentemente dos números, que representam tão somente o momento atual, as pesquisas devem nortear as ações futuras nas campanhas, de modo a consolidar posições ou buscar terreno ainda não atingido. São as estratégias, formuladas a partir das pesquisas, que embasam as vitórias, e não os seus números. Ou seja, não é a pesquisa que “ganha” a eleição, mas a estratégia que se adota a partir dos números dela.

Disputa pelo Senado

PSDB:PMDB

Neste momento, todas as pesquisas indicam claramente uma situação bastante confortável para a candidatura do deputado federal Ronaldo Caiado, DEM, na disputa pelo Senado. Na pesquisa Fortiori/Jornal Opção, ele aparece com 35% contra apenas 14% de Vilmar Rocha, PSD, e 11% de Marina Santana, PT. Em tese, portanto, a única coisa que Caiado deveria desejar é que os dias passassem como um raio curtíssimo. Para ele, quanto mais rápido chegar o dia da eleição, melhor e mais seguro.

É aqui que entraria a estratégia de campanha. Não é possível apressar o tempo, mas tem como esfriar a densidade. No caso de Caiado, quanto menos fatos e factóides surgirem na campanha, mas rapidamente os dias vão “passar”. Complicado isso? Traduzindo, então. Cada dia sem nenhum grande fato político-eleitoral relevante é um dia a menos. Cada dia com um factóide, é um dia a mais. Quanto menos marolas, menor é a possibilidade de uma delas se transformar em onda.

As grandes ondas nascem marolas...

As grandes ondas nascem marolas…

Até aqui, pelo menos, o deputado Ronaldo Caiado tem agido na direção contrária, se colocando sempre na linha de frente e protagonizando dias mais duradouros. Pode não resultar em prejuízos eleitorais para ele, mas certamente torna a campanha um pouco menos previsível.

Tripla polarização? Pode ser

Mesmo se abrigando na coligação do PMDB, que não tinha nenhum grande nome para disputar o Senado, Caiado não perdeu uma larga faixa do eleitorado cativo da base aliada estadual, e somou parcelas do eleitorado cativo do PMDB. É essa somatória que tem lhe colocado como favorito absoluto.

Caiado é favorito, mas pode surgir tripla polarização

Caiado é favorito, mas pode surgir tripla polarização

Ao fazer do ataque à base aliada o seu principal mote de campanha, Caiado pode perder esse eleitorado que o aceitou inclusive na aliança do rival PMDB, e agregar esses votos para a candidatura da própria base, a de Vilmar Rocha. Ou seja, Caiado está trocando 6 por meia dúzia, além de facilitar a ascensão do adversário. Isso está nas pesquisas realizadas pelo Fortiori entre os meses de junho e julho. Caiado tinha 36% em junho e variou negativamente para 35% agora em julho. No mesmo período, Vilmar derrapava em 10% e subiu para 14%, um aumento real, que ultrapassou a margem de erro da pesquisa. Se isso foi somente um soluço de momento não há como saber, mas certamente a luz amarela deve se acender.

caiado-iris

E Marina Santana, como entraria nessa briga? A candidata do PT trabalha sozinha na raia do eleitorado petista, favorável à candidatura da Presidente Dilma Roussef. Ora, por menos votos que se possa obter daí, existe campo aberto para que ela, uma petista com imagem excelente em todos os setores sociais, cresça pelo menos no eleitorado de Dilma, que deve ultrapassar tranquilamente a faixa dos 30% dos votos.

Vilmar e Marconi

Juntando todos esses fatos, é possível que se tenha um quadro favorável a uma tripla polarização, com Caiado, Vilmar e Marina. Lembrando sempre que quadro favorável significa apenas e tão somente uma possibilidade, jamais uma certeza.

Marina Santana

A última vez que ocorreu uma disputa acirrada entre 3 candidatos ao Senado foi em 2002. Mais ou menos nesta mesma altura da campanha, Iris liderava a corrida com folga. Lúcia Vânia se apresentava como sua principal rival, e Demóstenes Torres, um estreante nas urnas, era apenas um bom candidato. Em exatos 2 meses e meio, Demóstenes disparou, Lúcia se manteve e Iris, que polemizava com o governo como protagonista da oposição, perdeu terreno e caiu para a terceira posição. Naquela eleição, em 2002, eram duas vagas em disputa. Este ano, é apenas uma. Os riscos são bem maiores, portanto.

PMDB e DEM endurecem o discurso

Como derrotar um grupo político que vence sucessivas eleições em Goiás desde 1998? Está aí uma pergunta que não encontra unanimidade na resposta. Para o PMDB e aliados, o jeito é endurecer o discurso contra o PSDB de Marconi Perillo, candidato à reeleição e líder nas mais recentes pesquisas de opinião. Foi esse o tom dos discursos, ontem, terça-feira, 15, durante evento de inauguração do comitê central da candidatura de Iris Rezende.

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Campanhas políticas são imprevisíveis. Geralmente, começam de uma forma e terminam de maneira completamente diferente. É natural que isso aconteça. Para cada momento, adota-se aquela que se julga a melhor estratégia dentro de objetivos definidos previamente. Ou não. Algumas campanhas atendem única e exclusivamente o instinto dos seus protagonistas, sem a racionalização profissional que se tem na maioria das vezes.

Iris Rezende insiste no discurso da comparação administrativa com Marconi Perillo. Não é uma novidade, mas atende plenamente o eleitorado que ele já possui. Se não acrescenta, sedimenta. Já Ronaldo Caiado, agora candidato ao Senado dentro de uma coligação inédita para ele, deu um tom fortemente agressivo contra o governo, do qual o DEM, partido que o próprio Caiado preside no Estado, fez e ainda faz parte.

Estratégia

O objetivo de Caiado se encaixa perfeitamente dentro de um figurino interno. Ao protagonizar os mais duros ataques contra o governo, ele adota a linguagem que mais agrada aos peemedebistas, arquirrivais dos marconistas. Ou seja, a estratégia dele é garantir o voto daqueles que, em tese, jamais votaram nele no passado. Há riscos, evidentemente. Ao bater no governo da base aliada estadual, Caiado pode perder eleitores nessa seara. Mais do que isso, ele acaba indiretamente reforçando a posição de seu rival direto, o deputado federal Vilmar Rocha, do PSD, candidato ao Senado no campo governista.

Caiado democratas

Parece certo que, em determinado momento da campanha, Caiado e Vilmar vão disputar os eleitores que rejeitam a presidente Dilma Roussef e ao PT, campo onde Marina Santana vai navegar sozinha. Esse quadro, que poderá ser confirmar no futuro ou não, abre a perspectiva de uma eletrizante disputa pela única vaga ao Senado este ano, com uma forte polarização entre os 3 candidatos. No momento, conforme as pesquisas atuais, a vantagem é de Ronaldo Caiado.

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Quanto ao governo, a polarização entre Marconi Perillo e Iris Rezende está sacramentada. Dificilmente as candidaturas de Antônio Gomide ou de Vanderlan Cardoso vão conseguir quebrar essa hegemonia na disputa. Até em função da surra que ambos levaram na fase de montagem das coligações. Gomide e Vanderlan devem tentar “comer pelas beiradas”, ou seja, buscar eleitores que rejeitem Marconi, Iris e a própria polarização entre eles. É uma faixa do eleitorado, pelo menos neste momento, bastante restrita.

Segurança Pública: a violência é culpa de quem?

Jornal Opção – 

É urgente a necessidade de repactuar as obrigações dos governos para minimizar os efeitos da violência nas cidades brasileiras

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O número de homicídios praticados em todo o Brasil bate recordes há anos. Neste século, por exemplo, jamais se observou uma só redução no número de brasileiros e brasileiras assassinados no país ano após ano. Hoje, o Brasil é o sétimo país onde mais se mata no planeta. Por que isso está acontecendo? Por que viver no Brasil se tornou mais perigoso do que em países conflitados internamente ou com os vizinhos?

As causas, obviamente, são inúmeras, e as academias estão a debater o tema há anos sem que se chegue a denominadores comuns. Há unanimidade quando se aponta para quase uma dezena de fontes negativas dos problemas da violência urbana. Vão desde as condições estruturais, como as questões culturais, educacionais, de infraestrutura urbana, de segregação socioeconômica, de concentração das riquezas, até pontos conjunturais, como a possível permissividade das leis, a impunidade nas execuções penais, o baixo investimento nos equipamentos básicos de segurança, como profissionais, armamentos e instalações públicas.

Violência cresce

Não há dúvida de que, pelo conjunto, extensão e abrangência das causas, a violência cotidiana nas cidades brasileiras tende a crescer, e não a diminuir. Prin­cipalmente na ponta final dessas deficiências, que é a segurança do cidadão em sua casa ou nas ruas. E vai-se, assim, ampliar os recordes de assassinatos ano após ano como tem acontecido há décadas em todo o Brasil. Em 2014, as autoridades do setor calculam que nada menos que 56 mil cidadãos e cidadãs vão ser mortas no país. Embora números, por si só, não assustem, é um quadro aterrorizante, e alguma coisa precisa ser feita emergencialmente.

Olhando para as consequências diretas da deficiência nas causas estruturais e conjunturais, salta aos olhos, embora isso nem sempre seja de fácil e imediata percepção, que o Brasil precisa repactuar o combate à violência sob pena de continuar delegando aos Estados e cidades o insano e improdutivo trabalho de secar gelo, como se está fazendo há décadas.
Não é necessário fazer qualquer estudo científico para constatar aquilo que está em todos os comandos das estruturas de seguranças públicas estaduais: a maior causa de assassinatos no Brasil são as drogas, especialmente a cocaína e o crack. Em Goiás, mais da metade do número de assassinatos envolve usuários ou traficantes. É assim aqui, no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco. Enfim, em todos os Estados. Todos, sem qualquer exceção. E esse é um problema originário em nível de combate federal, e não Estadual.

Crime federal

Não há uma só plantação de coca no Brasil. Nada. Nem um só pé de coca. Então, obviamente, cada grama ou pedra de crack existente em qualquer lugar deste país é resultado de uma ação de tráfico internacional. E não cabe aos Estados brasileiros, através de suas forças policiais, combater o tráfico internacional. Cabe, sim, a tarefa de enxugar gelo, correr atrás de pequenos e violentos traficantes, cada vez mais numerosos diante da oferta generosa que os grandes traficantes trazem para o país diariamente, 24 horas por dia, sete dias por semana.

As prisões estaduais estão lotadas de pequenos e médios traficantes. Há um ou outro traficante internacional, mas é exceção. Essa é a primeira consequência da ação dos Estados na tarefa de enxugar gelo. Existem inúmeras outras. Em São Paulo, a prefeitura não sabe mais o que fazer com setores inteiros que estão povoados de viciados em crack, as chamadas cracolândias. E essas cracolândias já deixaram de ser privilégio às avessas dos paulistanos há anos. Aqui mesmo, em Goiânia, uma capital de porte médio, existem setores assim. Se os Estados se esforçam nas ações policiais e penitenciárias, as cidades tentam minimizar os gravíssimos problemas gerados pelo vício em escala final.

As consequências imediatas do tráfico internacional nas cidades brasileiras estão nas manchetes dos jornais e nos noticiários das rádios e TVs diariamente: assaltos, assassinatos, guerra entre policiais e traficantes. E da forma como está essa é uma guerra previamente perdida. Os recordes de assassinatos no Brasil vão continuar sendo sistematicamente batidos todos os anos.

É óbvio que não há como eliminar o tráfico internacional de cocaína/crack no Brasil com o formato atual de combate. O mundo todo ainda se pergunta como agir melhor para minimizar os efeitos das drogas nas sociedades, mas é certo que o modelo originado na década de 1920 nos Estados Unidos se revelou falido. Até por lá já se questiona o que se pode fazer para resolver esse gravíssimo problema.

Mas a questão brasileira é muito mais urgente. Antes de se discutir um novo modelo, é necessário estancar a hemorragia. Mais da metade, repita-se, do número de assassinatos no país tem como causa a cocaína/crack. O governo federal não pode se manter quase totalmente omisso como está há décadas nas questões comezinhas da insegurança pública nas cidades brasileiras. Os Estados devem, sim, ampliar suas ações e estruturas de segurança locais. As cidades devem, igualmente, ampliar o sistema de atendimento à ponta final do tráfico de drogas. Mas cabe única e exclusivamente ao governo federal investir maciçamente contra a causa inicial de mais da metade violência cotidiana no Brasil: o tráfico internacional. Chega de omissão.

Formato da garrafa indica a qualidade do vinho?

Quando se está iniciando no mundo dos vinhos a gente não da tanta atenção assim ao formato das garrafas. Mas eles são vários. Alguns são claramente um indicativo da origem do vinho. Da Borgonha, por exemplo, dificilmente se verá um vinho de garrafa diferente: é sempre de ombros que criam uma longa curva até o bojo. Quase uma reta que parte do bocal e vai se alargando até o bojo. Em Bordeaux, a garrafa típica é a mais conhecida e usada no mundo todo: pescoço não muito longo e ombro acentuado no início do bojo.

Esses dois formatos de garrafa são os principais do mundo dos vinhos. Mas existem dezenas de variações, e que também indicam alguma coisa, além, é claro, dos fabricantes que optam por alguma garrafa totalmente diferente apenas para criar um diferencial de marketing/imagem. Só um fator é que não se consegue perceber apenas pela garrafa: a qualidade do que está lá dentro.

Borgonha/Bordeaux

Essas duas regiões da França são consideradas as melhores do planeta para se plantar videiras, colher boas e exclusivas uvas e fabricar vinhos espetaculares. A fama não é a toa, não. Borgonha e Bordeaux estão para o vinho francês assim como Cabo Canaveral para a Nasa ou o Papa para o Vaticano.

O ícone Romanee, garrafa da Borgonha

O ícone Romanee, garrafa da Borgonha

A Borgonha produz apenas 3 tipos de uvas: Pinot Noir, Gamay e Chardonay. Dois tintos e um branco. E pronto, é só isso. E basta mesmo. Os Pinot da Borgonha são únicos no mundo. Completamente diferentes de todos os demais Pinot fabricados em qualquer outro lugar, inclusive na própria França. Os Gamay se transformam em beaujolais fenomenais.

Puycarpin, da região de Bordeaux

Puycarpin, da região de Bordeaux

Bordeaux e Borgonha são rivais em quase tudo. Se na Borgonha o vinho é sempre varietal, com uma só uva, em Bordeaux é quase regra universal os blend, que é a mistura de 1 ou mais tipos de mosto. As vinícolas de Bordeaux são Chatêau. Em Borgonha, Domaine. As principais uvas em Bordeaux são a Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Malbec e Petit Verdot. A forma de se produzir os vinhos em Bordeaux virou estilo no mundo todo, os bordaleses. Ou seja, se alguém falar sobre um corte bordalês do Chile, não estranhe.

Outros formatos de garrafas

Mateus Rosé

Nas prateleiras dos supermercados a gente encontra facilmente o vinho português Matheus rosé. Já foi o vinho mais vendido do mundo, e tem uma garrafinha abauladíssima. É o modelo francônia. Não é muito utilizado, não, e nem tem função específica alguma.

Jimmy Hendrix, a lenda do rock, gostava do Mateus

Jimmy Hendrix, a lenda do rock, gostava do Mateus

Da França, vem outro vinho popular campeão das prateleiras, o JP Chenet, com pescoço levemente inclinado e corpo também bastante abaulado. É só charme pra tentar, talvez, fisgar incautos bebebedores garimpeiros. A garrafa é bem melhor que o conteúdo.

JP Chernet

Na divisa entre a França e a Alemanha, a região de Alsácia produz o mais gostoso Riesling. Quem não se lembra dos Almadén Riesling brasileiríssimos? Suas garrafas também são indicativos daquela região. Bem longas e praticamente sem ombro definido. A Alemanha usa bastante esse modelo de garrafa.

Riesling-Alsace-Trimbach

Chianti populares adotaram garrafas com saia de palhinha trançada. Também não e muito raro encontrar esses exemplares nos supermercados brasileiros.

A Bottle of Chianti Wine

Enfim, os dois modelos básicos de garrafas de vinho são mesmo Bordeaux e Borgonha. As demais são pequenas variações e criações mercadológicas. E como não são indicativos de qualidade, o jeito é abrir e beber o que tem lá dentro. Afinal, esse é o objetivo mesmo, né?

Rede sociais, a campanha de guerrilhas

Se antes as campanhas eram duramente disputadas nas ruas, agora há uma guerra via internet, mas o boca a boca ainda é importante

Afonso Lopes

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O brasileiro é um dos povos mais conectados via internet do mundo. Especial­men­te quando o assunto é rede social. Aí, o país bate recordes atrás de recordes. E é claro que o mundo político, e mais ainda as campanhas eleitorais, não perde a oportunidade de usar esse gigantesco veículo de comunicação, principalmente nas redes mais conhecidas, como Facebook e Twitter, duas manias nacionais ao lado do Instagram e whatsapp.

É uma campanha sem muitas regras, em que muitas vezes vale tudo, desde a manipulação de fotos e textos, até desabafos de populares que jamais existiram. Sem falar os fakes (personagens falsos criados a partir de alguma pessoa real) ou perfis reais e robôs cibernéticos que servem para dinamizar alguma mensagem. Acreditar nisso tudo é simplesmente uma bobagem sem tamanho, uma idiotice simplesmente, mas também existem coisas boas. Basta saber peneirar as pedras sem valor e colher o que realmente é precioso.

Mensagens

Os políticos vêm usando cada vez mais a internet. Boa parte deles mantém perfis nas principais redes sociais e interagem com os demais usuários. Além disso, há também sites oficiais em que as mensagens e avisos são postados. Um mundo imenso de informações está hoje na internet.

Se isso é bom, há o lado profundamente negativo. Graças ao anonimato oferecido pela rede mundial aliado a total falta de ética de alguns setores políticos, a situação degringolou geral. Este ano, mais do que em qualquer outra eleição, latrinas de rodoviária abandonada vão cheirar bem em comparação com o que se pode esperar das redes sociais. Intrigas, mentiras, acusações infundadas e tantas outras artimanhas desprezíveis serão postadas 24 horas por dia. Sabe-se lá até que ponto esse conjunto tão negativo influenciará algum eleitor. Barulho é certo que produzirá, mas nem sempre trovões são os sons que antecedem as tempestades.

É aí que entra a velha campanha do boca a boca, levada pela mi­litância e entusiastas. Nor­mal­mente, nas redes sociais, personagens públicas, como jornalistas e artistas, conseguem boa repercussão. As pessoas comuns, alheias ao meio, mesmo quando bem intencionadas, no máximo atingem um círculo bastante restrito de amigos reais ou virtuais. Nas ruas, no tête-à-tête, é diferente. Não há anonimato e, mais do que isso, revela-se inteiramente as paixões e preferências dentro do mesmo núcleo.

Obama

As campanhas eleitorais via internet ganharam notoriedade a partir da primeira eleição do presidente Barack Obama, nos Estados Unidos, em 2008. Mas, ao contrário do senso dominante, as campanhas americanas não têm quase nenhuma relação com o formato brasileiro. Por lá, não existem, por exemplo, os programas eleitorais em rede de rádio e TV. No máximo, os candidatos podem comprar anúncios caríssimos, e se anunciarem em meio a sabonetes, carros, casas e pacotes de salgadinhos. Aqui, não apenas tem TV pra todo mundo como também a internet.

Outro ponto que carrega um certo equívoco na pioneira campanha de Obama via internet é sobre o conteúdo. No início, quando explodiu e virou febre entre seus eleitores, o objetivo era apenas o de arrecadar dólares para pagar as despesas de campanha. Por aqui, ninguém arrecada um único centavo via internet. Ao contrário, as grandes campanhas gastam uma grana preta com a manutenção de um exército de “militantes virtuais”.

De qualquer forma, e para quem não conta com uma boa estrutura de campanha, a internet vai ser muito válida. Can­didaturas pequenas podem conquistar algumas posições através das redes sociais. Para os “grandalhões”, vai começar uma guerra sem ética e praticamente sem limites, em que xingar a mãe do adversário soará quase como um elogio. Caberá ao eleitor separar o que é informação do que é lixo de campanha. E lugar de lixo é na lixeira mais próxima.