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Estado bandido, e a Justiça ditatorial

Durante anos, os brasileiros olharam desconfiados para a instalação de câmeras de vídeo em locais públicos. Houve até questionamento na Justiça sob alegação de que o cidadão estaria exposto aos olhares curiosos de forças oficiais. Ao final, rendeu-se ao óbvio da vida moderna: as câmeras são importantes como sistema auxiliar de segurança pública e no controle e punição dos excessos no trânsito.

Os ¨olhos¨ do Estado não podem atender interesses particulares

Os ¨olhos¨ do Estado não podem atender interesses particulares

Mas o velho temor parece que tinha mesmo razão de ser. Está sendo anunciado um acordo entre empresas privadas que atuam no mercado financeiro de financiamento de veículos e governos que mantem câmeras no controle do tráfego. Por esse acordo, as empresas receberiam informações sobre a localização de veículos cujos financiamentos estejam atrasados. Ou seja, o Estado passaria a atuar como linha auxiliar da iniciativa privada quebrando assim a relação de confiança com o cidadão.

É ilegal, sem dúvida. Quem recebe um financiamento tem obviamente compromisso de honrar a dívida, e é passível de perder o bem financiado se não o fizer. Mas essa relação, equilibrada pela legislação, não pode ter o Estado como dedo-duro a serviço de quem quer que seja, empresas ou devedores. Uma coisa é o Estado utilizar mecanismos públicos para controlar o fluxo nas áreas públicas, e eventualmente identificar cidadãos procurados pela lei, outra é identificar paradeiro de inadimplentes, numa privatização bandida dos recursos públicos.

Advogado quer ordenar comportamento do Supremo?

Um dos advogados de José Genoíno apresentou requerimento verbal ao presidente da Suprema Corte brasileira, Joaquim Barbosa, solicitando que o pedido de prisão domiciliar fosse submetido ao plenário.

Plenário da Suprema Corte em sessão presidida por Joaquim Barbosa

Plenário da Suprema Corte em sessão presidida por Joaquim Barbosa

Joaquim informou que o pedido já estava em pauta, mas o advogado insistiu no pedido e desmentiu o presidente do Tribunal, além de ter acusado indiretamente Joaquim de não respeitar o ordenamento da Corte. Foi, evidentemente, a gota d´água. Joaquim Barbosa mandou cortar o microfone do advogado. Que insistiu e avisou que não se calaria nem assim. Um claríssimo e intempestivo desrespeito. Não restou alternativa a não ser arrastar o tal advogado para fora do plenário.

Imediatamente, algumas vozes se ouviram no sentido de condenar a atitude do presidente do STF, de não acatar o pedido do advogado e, mais além, de ter mandado retirá-lo do plenário com o uso da segurança. A própria OAB se manifestou a favor do profissional.

É evidente que se houve excessos, e eles realmente foram cometidos, não partiram de Joaquim Barbosa. Seria estúpido imaginar que um advogado tem poderes para doutrinar e pautar o comportamento de uma Corte. Joaquim Barbosa foi até econômico na sanção ao advogado ao solicitar à segurança apenas que o retirasse do plenário. Ele poderia tranquilamente dar voz de prisão por desacato, ou no mínimo questioná-lo sobre quebra do decoro.

É ruim perceber que o Judiciário exerce poder um tanto quanto ditatorial? Claro que é, mas já imaginou se o Supremo e as demais cortes da Justiça tivessem que negociar cada decisão como se fosse um parlamento qualquer?

Por fim, acusou-se o advogado de estar sob efeito de bebidas alcóolicas. Sinceramente, faz sentido.

Vinhos, não vá complicar o prazer, ok?

Aromas secundários de veludo rosa molhado com orvalho das restingas da base do Himalaia, couro cru de carneiro montanhês da cordilheira central do Cazaquistão.  Aromas terciários de nuvens esparsas sob o sol de Copacabana nas noites de inverno com leves toques de perfume de rosa roxa do oriente antigo.

vinhos nariz

Caramba, tudo isso para curtir uma taça de vinho? É claro que esses aromas aí foram criados apenas para este texto, com o claro objetivo de dizer uma coisa bastante simples: não é necessário ¨conversar¨ com a taça de vinho para obter todo o prazer que ele proporciona. Esqueça, simplesmente. Esse negócio de descobrir as nuances perfumadas dos vinhos é coisa pra especialista.

Mal comparando, é como um piloto de fórmula 1 e o sujeito que quer apenas um bom carro para dirigir e curtir. O primeiro precisa conhecer cada detalhe da birinboca da parafuseta esgarniçada do volante do motor. Para o segundo, basta saber onde está a chave.

Cheiro ou aroma

A mania de alguns bebedores de vinho começa aí: cheiro ou aroma. Aroma, ¨os aromas do vinho¨ e tal e coisa. E o cheiro? ¨Vinho não cheira, vinho é cheirado, e o que você percebe é o aroma¨. Tá bem. Esqueça isso. Os vinhos devem ser cheirados porque tem cheiros gostosos. Mais ou menos como se faz com as comidas. Quanto melhor o cheiro que vem das panelas, mais água na boca pra encarar o prato.

Vinhos

É por isso que um dos gostosos rituais do vinho é enfiar o nariz na taça para perceber o cheiro que vem dela. Como no nosso caso o objetivo é o prazer da taça e não o estudo sobre ela, resuma os tais aromas a apenas duas opções: cheiro bom e cheiro ruim. Pronto, isso basta.

Sintomas pelo cheiro

Agindo dessa forma, cheirar o vinho cumpre o papel exato que lhe é reservado: o de antecipar o que chegará à boca. Quando o cheiro é agradável, a expectativa de ótimo sabor é imediato. O contrário é absolutamente verdadeiro: se o cheiro não agradar, vá devagar porque a possibilidade de se decepcionar com o sabor é grande.

Mais do que isso, péssimos odores podem denunciar vinhos mortos, oxidados. Os vinhos são a única bebida que eu conheço que tem ¨vida¨ como a nossa, nascem, crescem, amadurecem e morrem. Eles podem morrer por mau trato ou por demorarem muito tempo para serem abertos. Há vinhos de morte rápida, que foram feitos para consumo imediato, de média guarda e de longa guarda.

Vinhos - 1

Ao colocar o vinho na taça, cheire sem pudor. Depois, erga a taça contra a luz e faça o líquido bailar pelas paredes de cristal. Observe a coloração. Tons atijolados são sempre um sinal de alerta. Geralmente, vinhos mortos perdem o escarlate e ganham essas cores. Depois, o testo final, com o vinho ainda se debatendo levemente em redemoinho dentro da taça: cheire novamente. Se for agradável, não tenha dúvida: foi um ótimo começo.

Vinho fedido

Vinhos estragados fedem pra caramba. Algumas vezes é uma mistura de enxofre com álcool, uma coisa ¨in¨cheirável… Aliás, embora contenham entre 12 e 15 graus de álcool, nos vinhos bons não se percebe cheiro de álcool. Nenhum. Um mero traço de álcool no cheiro e já se tem certeza de que a coisa não é a maravilha que o vendedor disse que era.

E o ritual, balançar a taça, cheirar e bebericar?

Esse ritual vale, sim, para ampliar a atitude de prazer diante da taça de vinho. De preferencia, numa taça grande de cristal. É claro que se  não tiver nada melhor, até copo americano serve. Vai se perder um enorme potencial de prazer que os vinhos oferecem, que é o cheiro, o visual e o sabor. No caso de um copo, só vai ficar o sabor. Então, se o vinho é bom, merece ser curtido por inteiro.

Vinhos não se bebe aos goles, como cervejas. Ninguém faz vira-vira numa roda de bebedores de vinho. Os vinhos conseguem alterar os sabores e os cheiros/aromas ao longo da garrafa. Começam de um jeito e vão mudando aos poucos. Bons vinhos mudam pra melhor, tanto no cheiro quanto no sabor. Vinhos ruins… Bem, não vale a pena abrir coisas assim, né?

Fechou: um vinho gostoso, uma taça de água e queijinho pra acompanhar

Fechou: um vinho gostoso, uma taça de água e queijinho pra acompanhar

Então, bebe-se vinho gole por gole, curtindo a maravilhosa sensação de prazer que ele entrega na boca e aos sentidos do olfato. Aos poucos, com calma. Respeitando inclusive os anos, muitos ou poucos, que essa garrafa precisou para chegar ao ponto em que está quando aberta, e o ápice que ainda vai atingir até se alcançar os últimos goles.

Quanto aos aromas refinados e tal, não se preocupe com isso. O seu objetivo é curtir o prazer que só o vinho consegue oferecer. A complicação fica para quem precisa complicar para chegar à mesma conclusão que você: se o vinho é bom, gostoso ou uma bomba engarrafada.

Dois candidatos, um só dilema

Candidaturas de Vanderlan Cardoso, PSB, e Antônio Gomide, PT, convivem no eixo oposicionista e dividem o mesmo drama: baixa densidade eleitoral e isolamento

Afonso Lopes

Não está nada fácil a vida de dos candidatos oposicionistas em Goiás. No PMDB, Júnior Friboi se cansou da guerra contra Iris Rezende e tirou o time dele de campo, mas o sobrevivente enfrenta uma violenta divisão interna que não lhe permite ter a menor confiança na militância partidária. Solidariedade e PDT ensaiaram alguns passos rumo a um acordo que envolvesse também o DEM, mas as conversações não evoluíram além das intenções iniciais. Antônio Gomide, do PT, e Vanderlan Car­do­so, do PSB, precisam diariamente reafirmar a posição de candidatos, e insistirem que não vão desistir.

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O problema de Vanderlan é o mesmo de Gomide. Ambos são bons candidatos, tem discursos afiados, alguma experiência política, mas estão hoje com a mesmíssima musculatura que estavam às vésperas de se definirem candidatos. Vanderlan tem até um pouco menos, já que no início mantinha boas perspectivas de ter o PDT em sua coligação. Hoje, essa possibilidade é nula. Ele permanece apenas com o seu PSB, além dos nanicos PRP e PSC. Gomide não perdeu nada desde o momento em que resolveu abandonar três anos de mandato como prefeito de Aná­polis. Mas nem isso serve de consolo. Ele não perdeu apoio porque só conta com o seu PT, e mais nada.

É certo que o quadro atual poderá sofrer mudanças de agora até o final deste mês, quando se encerra o prazo final para a realização das convenções partidárias. O sonho dos petistas é juntar e repetir em Goiás a base da aliança da presidente Dilma Roussef. É apenas um sonho. Inúmeros partidos que estão com Dilma em nível nacional formam a base aliada estadual liderada pelo governador Marconi Perillo, como o PSD e o PTB. Nem mesmo o PCdoB, velho aliado automático dos petistas, inclusive no plano federal, fechou com o PT de Gomide. Antes, os comunistas integravam o exército de Friboi. Hoje, se declaram abertos às negociações com todas as candidaturas.

Vanderlan surgiu no cenário eleitoral deste ano no rastro produzido nas eleições de 2010, quando colheu mais 16% dos votos válidos. Mas esse Vanderlan que aí está é nanico em comparação com o Vanderlan 2010. Além de não ter mais apoio do Palácio das Es­meraldas, como teve, ele ficou sem PP e PDT, e não conseguiu agregar nada. A única coisa que ele conseguiu manter até aqui é a perspectiva de votos, na mesma faixa da eleição de 2010, conforme as pesquisas mais recentes.

Não deslancham

Em tese, Vanderlan e Gomide não deslancham, mas também não perdem substrato eleitoral. Já é um lucro enorme, sem dúvida. No mínimo, eles já conseguiram chegar às vésperas das definições partidárias com direito a se sentarem à mesa de negociações. Mas não há o que oferecerem aos demais parceiros do campo oposicionista.

Antes de se lançarem candidatos, havia muita expectativa sobre o desempenho que eles alcançariam nas pesquisas eleitorais, ou pelo menos na militância pessoal. Deu chabu. Gomide, que entrou na corrida por último, no início de abril, está do jeito que estava. Vanderlan também não vai nem pra frente e nem pra trás. Por si só, isso seria ótimo, se eles estivessem com porcentuais suficientes para reivindicarem apoio dos demais parceiros de oposição. Gomide, por exemplo, mal conseguiu chegar aos dois dígitos nas pesquisas. É muito pouco para convencer outros partidos a apostarem em seu nome.

Como não mostram poder de atração, o PMDB de Iris Rezende tenta atraí-los para resolver os próprios problemas internos. A passagem de Friboi pelo processo de afunilamento interno peemedebista resultou numa das profundas e intensa divisão interna. O que, por sinal, tem interferido na construção de certa perspectiva de poder de Iris Rezende. Essa perspectiva é fundamental para o peemedebista amenizar os problemas internos. Então, sem condições de avançar internamente, ele procura uma ponte nos vizinhos de oposição, Vanderlan e Gomide, o que termina por minar os esforços deles para crescer.

Para Vanderlan e Gomide, a aproximação do prazo final das definições partidárias soa como hora da verdade. Eles precisam urgentemente crescer, se não nas pesquisas, ao menos politicamente, agregando aliados. É isso, crescer, ou conviver com a ameaça que a praia passou a representar para ambos.

 

O assassino da moto preta. Ele existe mesmo?

De tempos em tempos, desde sempre, surgem notícias sobre supostos assassinos em série. Já teve o ¨bandido do capuz preto¨, o não-se-o-que do ¨Gol vermelho¨, o ¨tarado do fusca amarelo¨ e vai por aí numa lista quase sem fim. Agora, em Goiânia, há esse tititi geral sobre a existência de um assassino de mulheres que aborda suas vítimas à noite e montado numa moto preta de pequena cilindrada. Ou seja, um ¨assassino da moto preta¨.

bandido do capuz preto

A polícia garante que não conseguiu identificar uma relação entre o assassinato de mulheres em Goiânia e a ação de um só matador. Faz algum sentido, sim. Das 10 mulheres que morreram em Goiânia somente nestes primeiros 5 meses do ano, 4 eram de um só grupo, na chacina do Morro do Mendanha. Os assassinos eram traficantes, e um deles, que conhecia uma das garotas, cismou que ela iria delatar a ação do grupo para 1 policial militar. Esses traficantes não andam em moto preta.

Uma outra menina morta em Goiânia estava saindo da escola, no centro da cidade, e foi abordada por um motoqueiro e sua carona. Foi um assalto, e quem puxou o gatilho do revólver que matou a estudante foi uma bandida, não um assassino em série.

Somente esses 2 casos somam 5 assassinatos de mulheres, e nenhum deles tem o dedo do tal motoqueiro

Isso não significa que esse assassino não exista e não esteja neste momento rondando possíveis vítimas. A polícia diz que não tem informações sobre a veracidade da história, mas várias vezes os policiais são levados a mentir para não perder o rumo das investigações. Portanto, vale a máxima da prudência e do caldo de galinha.

Mas só para mulheres e em relação a motoqueiros que montam motos pretas? Não. Infelizmente, não. Viver no Brasil se tornou perigoso demais da conta. Não só em Goiânia. Assassinatos são pandemia nacional. É 12 vezes mais provável que alguém morra assassinado no Brasil do que soldados em guerras. Parece estupidez, e é mesmo.

mortes-capitais

Os goianienses estão assustados com o nível de violência atual0. Não vivem num paraíso, claro, mas há muitos outros lugares bem piores. Goiânia está numa posição intermediária. É a 15ª capital mais insegura do Brasil, ou a 12ª mais segura. É mais seguro viver aqui do que em Curitiba, Recife, Manaus, Fortaleza e Cuiabá, e um pouco menos seguro que em Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília. Na comparação entre os Estados são as mesmas posições, 15º e 12º.

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Isso quer dizer que não vivemos no pior dos mundos da violência brasileira. Ao contrário, até. É mais seguro morar em Goiás do que no Paraná, Distrito Federal, Mato Grosso, Bahia e Espirito Santo. O problema é que no Brasil, viver se tornou algo muitíssimo perigoso.

assaltantes

Então, e vale para mulheres e homens, adotar alguns comportamentos individuais visando a própria segurança  faz todo o sentido. E se realmente há algum maluco por aí montado em uma moto preta matando pessoas, mais cedo ou mais tarde a polícia vai chegar a ele, e prendê-lo. A polícia prende bandidos aos montes, mas raramente eles ficam nas cadeias. Eis o problema.

Venda de carros em queda livre

Os dados são oficiais: a venda de carros novos despencou mais de 13% este ano. É uma paulada. No Paraná, as montadoras estão parando as linhas de montagem, assim como nos demais Estados. Isso gera efeito cascata negativo. Como não fazem novas encomendas de peças porque deixaram de fabricar novos carros, as empresas fornecedoras também vão parando.

carros quase parando

Muitas empresas demitiram trabalhadores, mais de 4 mil este ano, e concederam férias. O pior é que não existe qualquer previsão de que o quadro vai ser alterado nos próximos meses. Parte do problema está na queda brusca dos financiamentos e a taxa de juros nas alturas, além do endividamento amplo, geral e irrestrito das classes consumidoras. E o governo não pode aliviar nos juros para não perder de vez o delicado e tênue controle que mantém sobre a inflação, que já está represada. Tudo somado, tá feia a coisa.

Ou estão mentindo para Dilma, ou a Dilma tenta mentir para todos

celuklar sem sinalEm recente entrevista, a presidente Dilma Roussef disse que todas as obras para a Copa estão prontas e acabadas. Aeroportos, comunicações, estádios… Não tem nada incompleto.

Quem dera fosse isso verdade, né?

Pesquisas: péssimo e bom, bom e péssimo

Mais uma rodada de pesquisas nacionais e o índice da presidente Dilma volta a oscilar negativamente. No início do ano ele chegou a somar 44% de intenções de voto. De queda em queda, está agora com 34%. É uma péssima notícia para o governo e boa notícia para os opositores.

índices + e -

O problema é que os candidatos oposicionistas não tem capitalizado a queda da presidente Dilma. Aécio Neves, no mesmo período, tinha 16%. Agora, tem 19%. Eduardo Campos também caiu, e soma apenas 7 pontos. Ou seja, péssima notícia para a oposição, e uma boa notícia para o governo.

As diversas ¨rolhas¨ dos vinhos. Qual é a melhor?

A primeira imagem que vem à mente quando se pensa em abrir uma garrafa de vinho é o saca-rolhas sendo puxado. Um ritual, certamente. Mas hoje em dia é possível abrir belas garrafas com os dedos, sem o velho parceiro.

Me lembro de algumas pescarias regadas a cerveja o dia todo e com as noites degustadas na viola, ao lado da fogueira, com vinhozinho… E não sei quantas vezes me esqueci de levar um saca-rolhas, e me vi obrigado a empurrar a rolha pra dentro da garrafa. Hoje, bastaria escolher o tipo certo para não passar esse tipo de sufoco.

Existem 4 tipos básicos de ¨rolhas¨: cortiça natural, cortiça sintética, tampinha de rosca e tampa de vidro. De vidro? Pois é, de vidro, sim. Mas será que pela tampa pode se conhecer o caráter do conteúdo? Negativo. Há ótimas garrafas com tampinhas de rosca e vidro, por exemplo. Mas nem todos os vinhos podem ser fechados dessa forma. E nem com a tal rolha sintética. Os bebedores contumazes já conhecem as diferenças, mas não é ruim mostrar aos iniciados no mundo dos prazeres de Baco a função de cada tipo de ¨rolha¨.

vinhos - rolha de cortiçaCortiça natural

É a velha conhecida de todos. A cortiça é a casca de uma certa árvore típica, Sobreiro, de Portugal, maior produtor – e praticamente único – do mundo. Tem se tornado cada vez mais rara e cara, fato que se tornou porta de entrada para as demais ¨rolhas¨.

vinhos - fabricação de rolhas

 

Vinhos de longa guarda, que precisam amadurecer ao longo dos anos dentro das garrafas, levam obrigatoriamente esse tipo de rolha. A porosidade controlada da cortiça natural permite que pequeníssimas doses de ar circulem e, assim, permitam que o vinho cresça lentamente até atingir sua plenitude.

vinhos - rolha aglomerada

Alguns produtores passaram a usar também a rolha de cortiça aglomerada, feitas com sobras dos cortes da cortiça e reciclagem. Essas pequenas lascas são coladas e moldadas para se encaixarem na boca das garrafas. As primeiras rolhas de cortiça aglomerada estragavam o vinho por causa do contato da cola com o líquido. As mais modernas tem um tampão em cada extremidade feita com cortiça natural para evitar esse contato com a cola. Com porosidade praticamente nula, vinhos com essas rolhas são para consumo mais jovem.

Então, em resumo, os grande vinhos de guarda sempre são fechados com rolhas tradicionais, de cortiça.

vinhos - rolha sintéticaCortiça sintética

O termo não é exatamente correto, cortiça sintética. Na realidade, não tem coisa alguma a ver com cortiça. É uma espécie de plástico denso. Porosidade zero, o que sempre indica que o vinho não amadurece após sair dos tonéis de carvalho, aço inoxidável ou tanques de concreto. Lacram vinhos de consumo rápido. Garrafas de safras mais antigas podem revelar vinhos já em fase final ou simplesmente mortos. Intragáveis.

vinhos - screenTampinha de rosca

Especialmente no Novo Mundo, e nas novas fronteiras do vinho, como Austrália, Nova Zelândia e África, e nas Américas, os vinhos fechados com tampinhas rosqueáveis de metal e um anel vedante estão se tornando cada vez mais comuns.

São indicadas para vinhos que também não vão atravessar longos períodos de guarda. Há ótimas garrafas desses países lacradas com essas tampas. Geralmente, lacram Pinot Noir que não carregam carga genética propícia ao envelhecimento dentro das garrafas. Pessoalmente, prefiro os vinhos com tampa de rosca do que as que vem com cortiças sintéticas. Deve ser, e é, preconceito da minha parte, mas acho que os fabricantes que colocam essas tampas de rosca deixam claro as suas propostas, enquanto os que usam cortiça sintética tentam esconder algo.

Vinhos - rolha vinolockTampa de vidro

Uma rolhinha bonita pra caramba. Alguns dizem que elas são feitas com silicone. Outros garantem que se trata realmente de vidro. Sei lá do que realmente elas são feitas, mas são bonitas e não escondem vinhos bons de se beber no dia a dia. Elas trazem um aro vedante e se encaixam nas garrafas com pressão. Abre-se com os dedos, sem maiores problemas.

vinhos - rolha de vidro

Ainda não é muito utilizada. Não conheço um só fabricante no Novo Mundo do vinho que use a tampa de vidro. No Brasil, bebi apenas uma marca com esse tipo de rolha, o Scaia Rosso IGT Tenuta Sant´Antonio, da Itália. Um vinho bacana, que repeti algumas vezes depois de experimentar.

Qual é a melhor tampa para os vinhos? Pois é, as modernas técnicas de vinificação e amadurecimento criaram alternativas ao modo tradicional, de cortiça natural, sem comprometer a qualidade do líquido. Cortiças são fundamentais somente para os vinhos de enorme potencial de guarda. Vinhos para serem bebidos jovens, a esmagadora maioria da produção mundial, podem – e devem, a julgar pelo estoque de Sobreiros – ser lacrados com tampas de rosca ou de vidro. Até de cortiça sintética, apesar do meu preconceito. Definitivamente, não é a tampa que indica a qualidade do vinho.

Os dribles de Iris desconsertaram o jogo de Friboi

A políticas de alta performance é coisa para pouquíssimos. Mais ou menos como ocorre no mundo dos esportes. Uma coisa é ser ótimo peladeiro de fim de semana. Outra é disputar a bola contra os melhores atletas do planeta. Um peladeiro jamais conseguirá, por melhor que seja, encarar de igual para igual um jogador de altíssimo nível.

Friboi cifrão dourado

Na política é a mesma coisa. Sem tirar nem por. Amadores conseguem fazer um certo barulho, principalmente quando usam anabolizantes, como uma montanha de dinheiro. A trajetória do empresário Jr Friboi ilustra bem essa luta inglória contra um dos mitos políticos de Goiás.

De nada valeram as virtudes pessoais de Friboi, como a resistência, insistência, coragem, ousadia e foco no objetivo. Ele foi peladeiro alimentado por energético financeiro. Iris, ao contrário, usou toda a sua técnica política, acumulada em 50 anos de vida. E apresentou jogadas de mestre.

Indução ao erro

Iris jogou como um time de craques que fica tocando a bola de pé em pé no meio de campo, avança para a intermediária e aguarda o momento em que o adversário fica impaciente e comete um erro fatal. Friboi caiu sistematicamente nessa tática de jogo político.

Iris-e-Friboi

O primeiro deles foi quando aceitou a condição de ser pré-candidato oficial do PMDB ao governo do Estado, mas com a obrigação de crescer nas pesquisas eleitorais. Ora, isso sempre foi uma armadilha. Como Friboi poderia deslanchar se não poderia fazer campanha abertamente? Principalmente para ele, um ilustre desconhecido no mundo dos votos.

A segunda condição imposta por Iris e aceita por Friboi era igualmente uma cilada: ele deveria se viabilizar internamente e agregar partidos aliados. Friboi correu o estado inteiro atrás dos peemedebistas que ele nem sequer sabia quem eram, o que faziam. Mais uma vez, precisou recorrer à sua recheada carteira para ¨quebrar o gelo¨. Quanto aos partidos aliados, conseguiu atrair algumas legendas pequenas também graças ao anúncio de que estava disposto a pagar por isso. Não teria como fazer de forma diferente. Ele jamais conviveu com as lideranças políticas. E nem era o candidato do PMDB.

Friboi caiu em cada alçapão aberto por Iris sem nem perceber o tamanho do buraco em que estava se metendo. Ele tinha um discurso razoável, que precisa ser lapidado, mas com certo potencial e apelo, o de representar um aspecto diferente e novo de governar. Como alicerce para esse discurso, sacava o seu currículo pessoal extraordinário no mundo dos negócios. Fazia sentido, sem dúvida.

Mas Iris o induziu a abandonar esse discurso que era coerente alegando que seria necessário bater pesado no grande adversário, Marconi Perillo. É óbvio que atacar o adversário faz parte do jogo, mas o objetivo de Iris não era enfraquecer Marconi, mas provocar a reação do poderoso exército da base aliada contra Friboi. Não deu outra.

A caminhada até o Olimpo político exige conhecimento e talento nato. Poucos conseguem

A caminhada até o Olimpo político exige conhecimento e talento nato. Poucos conseguem

Enfim, foram pequenos grandes dribles do mestre político Iris Rezende que desconsertaram o jogo de Friboi. Não é fácil para ninguém enfrentar políticos de alta performance. Nem mesmo para os outros monstros sagrados do Olimpo político. Nesse mundo, o dinheiro é muito importante, mas o talento e o conhecimento adquiridos e aprimorados ao longo do tempo fazem toda a diferença.

Pesquisas espontânea, estimulada, qualitativa. Potencial de crescimento

Desde quando as pesquisa eleitorais no Brasil se tornaram um boa fonte de informação sobre os momentos que antecedem as eleições, as discussões em torno delas se tornaram acalorados e apaixonados debates. Os que defendem e apoiam candidatos que lideram as pesquisas tendem a enaltecer os números, e os projetam como se fossem a realidade futura, da própria eleição. Os que lutam por candidatos situados nos patamares intermediários, sacam inúmeros argumentos para desmerecer os números, ou desancar pura e simplesmente institutos e pesquisas.

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Mas, afinal, como é que um instituto entrevista meia dúzia de eleitores e diz que fulano ou beltrano tem a preferencia entre a maioria esmagadora e silenciosa, que não foi abordada pela pesquisa? Vale a pena conhecer a origem do modelo de pesquisa que se faz hoje aqui e em todos os países do mundo.

Gallup, o pioneiro

O americano George Gallup inventou o sistema estatístico atual. E qualquer bom instituto segue exatamente o que ele fez na década de 1930, nos Estados Unidos. Antes, os jornais americanos publicavam cupons e pediam que os leitores os enviassem para as redações com seus futuros votos. Geralmente, erravam feio.

Gallup, então, ouviu apenas 1500 eleitores em todo o país e afirmou categoricamente que Franklin Roosevelt seria eleito contra Al Johnson, que todos imaginavam futuro vencedor. Os jornais e seus cupons diziam exatamente o oposto. Um deles, em Nova Iorque, chegou a apurar 200 mil cupons, com a vitória de Johnson. A pesquisa Gallup, com apenas 1500 entrevistados, acertou na mosca.

Que mágica é essa?

Mas que droga de mágica estatística é essa em que a opinião de apenas 1500 pessoas é mais representativa do que a opinião de 200 mil pessoas? Não há nenhuma mágica nisso. Há um fundo científico que Gallup saiu explicando para o país inteiro após as tais eleições, que marcaram o surgimento das pesquisas eleitorais no planeta.

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O professor explicou com uma metáfora simples e demolidora. Para se conhecer o conteúdo químico da água de um reservatório de 1000 litros, ou 10 mil litros, não é necessário destrinchar cada gota para saber sua composição. Basta agitar toda a água e recolher apenas um copo. O que estiver nesse copo será idêntico, estatisticamente, a tudo o que está no reservatório.

Parece simples, e é mesmo. As pesquisas são, por isso, uma notável fonte de informações.

Qual é a mais válida, a espontânea ou a estimulada?

Pesquisa espontânea é quando o eleitor abordado não recebe nenhum tipo de informação e responde em qual candidato a determinado cargo iria votar se a eleição fosse naquele momento. Na estimulada, ele recebe uma cartela redonda, com nomes distribuídos como nas fatias de uma pizza, sem qualquer destaque, cores ou tamanho de letras, e indica o seu preferido.

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Qual delas teria mais validade? Não existe unanimidade quanto a isso. Particularmente, ao acompanhar e estudar as pesquisas e suas tabelas durante duas décadas, em Goiás e em Goiânia, cheguei à conclusão, enquanto jornalista político, que existem duas fases distintas nas pesquisas. Quando realizadas longe do clima das eleições, como agora, as estimuladas trazem informações mais completas. As espontâneas nesses períodos mostram certo grau de conhecimento e presença na mídia.

Às vésperas das eleições, 1 ou 2 meses antes, modifico a forma como observo e interpreto para os leitores o comportamento dos números das pesquisas espontânea e estimulada. Na espontânea, identifica-se uma cristalização da opinião do eleitor. Ou seja, seria um voto quase totalmente definido, mas evidentemente ainda sujeito à alteração dependendo da informação que seja alcançada por esse eleitor. A espontânea reflete o clima das ruas, praças, botecos e ambientes de trabalho e de convivência do eleitor. Não é algo absolutamente cristalizado, como se observa na espontânea, mas uma enorme tendência.

Potencial de crescimento

Existe mesmo esse negócio de que o candidato A ou B tem enorme potencial de crescimento? Sim e não, juntos e ao mesmo tempo. Ninguém nunca ouve dizer que um candidato tal que lidere as pesquisas com algo próximo das 50% ou mais, ainda tem uma espécie de reserva, esse tal ¨potencial de crescimento¨. Essa é uma característica exclusiva dos candidatos intermediários. Ou seja, quem está embaixo tem possibilidades de subir a escada. Só isso.

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O potencial de crescimento deve, então, ser analisado com foco também nas condições dessa candidatura intermediária. E o que conta aqui é uma tal estrutura de campanha e o perfil da candidatura, abrangência da rede de apoiadores – base –, discurso e imagem do candidato, qualidade dos programas eleitorais, dinheiro, tudo o que diz respeito à campanha em si. Não basta o candidato ser bom, ter boa imagem e tal. O sujeito só tem como crescer se as bases em que se lança candidato também é boa. Portanto, potencial de crescimento não é projeção de crescimento, mas mera possibilidade.

Pesquisa qualitativa ou quantitativa?

A pesquisa quantitativa é o modelo formalizado por Gallup, na década de 1930. As qualitativas são bem mais novas. Uma traduz em porcentuais o apoio de momento que os candidatos somam. A qualitativa avalia imagem do candidato, sensação que se tem sobre os pontos positivos – a serem destacados posteriormente – e os pontos que podem minar seu crescimento.

gráficos qualitativa

São formados grupos de pessoas aleatoriamente escolhidas, mas com uma característica comum: estejam indecisas e sejam independentes em relação aos candidatos. Cinco ou seis grupos de meia dúzia são suficientes, mas as grandes campanhas promovem essas pesquisas com maior número de grupos e com bastante frequência.

Os grupos são estimulados por um moderador, e debatem temas livremente. É assim, no cruzamento das informações captadas nas muitas opiniões desses eleitores, que se aponta caminhos negativos e positivos para os candidatos. Essas pesquisas não informam porcentuais, mas opiniões. É uma pesquisa especializadíssima, que poucos institutos conseguem realizar bem. A maioria é mero caça-níquel de espertalhões. E esses espertalhões lotam o mercado.

Por fim, o principal fator de uma eleição é o instinto político de cada candidato. É esse instinto que os diferencia e os elege ou os derrota. É essa característica absolutamente rara que leva um candidato a contrariar as lógicas estatísticas das pesquisas quantitativas e qualitativas e ousar um lance que se revela inusitado e decisivo. É por isso que muitos querem ser políticos, e até conseguem vencer eleições, mas pouquíssimos são os políticos que merecem assinar os livros da história.

Friboi: a hora da vingança, o jogo ainda não acabou

Este processo de afunilamento interno do PMDB tem sido o mais eletrizante de toda a história do partido em Goiás. Jamais, em nenhuma eleição, se viu tanto jogo de cena, tantas manobras políticas. Ou seja, tudo o que compõe um autêntico jogo político. Jogo de alto nível? Nem sempre. Está mais um jogo de decisão, e aí tem golaços, bico pro mato e caneladas. O líder histórico Iris Rezende nunca enfrentou alguém como Jr Friboi, e ainda não está claro se ele vai vencer mais uma ou se sofrerá sua mais estonteante derrota interna.

Friboi foi o único pretendente real durante vários meses. Iris Rezende pairou como sombra o tempo todo, mas sem admitir que também estava na parada. Às vésperas das últimas horas do prazo final de desincompatibilização, os iristas tentaram jogada de mestre pra definir a partida com gol de placa, mas o PT manteve a decisão de lançar o nome de Antônio Gomide, então prefeito de Anápolis, e Iris se viu sozinho no meio do gramado peemedebista.

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O lançamento da candidatura de Iris internamente repercutiu muito menos do que no público externo. Friboi se manteve no ritmo, mas passou a ter que conviver não mais com a ameaça de uma sombra, mas com uma perigosa marcação homem a homem. E não é que ele tirou de letra mais essa jogada irista? Em 20 dias, Iris Rezende voltou a jogar a toalha, e voltou a jogar na retranca.

Volta, Iris X Fica, Friboi

Iris-e-FriboiNovamente na sombra de Friboi, os iristas ensaiaram inúmeras manifestações para reforçar a abalada posição interna de Iris. Aparentemente, funcionou. Cansado ou não, no final da semana passada foi a vez de Friboi jogar a toalha e anunciar sua despedida. Exatamente como havia feito antes Iris Rezende, Jr saiu anunciando que era decisão bem pensada e não rompante de momento, e aproveitou a ocasião para metralhar com vontade o adversário interno.

Mas a saída de Friboi antes mesmo de indicar game over no PMDB, ficou com cara e jeito de mais um round. Na sexta-feira, 23, um dia depois da quinta-feira negra para os friboisistas, na página Eleições e sob o título ¨Friboi: retirada estratégica ou definitiva. As razões da renúncia¨, adiantou-se que o neo-peemedebista falava em sua carta-renúncia sobre ¨saída momentânea¨, e não definitiva. Indo além, os leitores do site perceberam que o sinal evidente e definitivo sobre o verdadeiro destino de Friboi na disputa ainda não havia sido emitido apesar da tal carta de retirada. Releia um dos parágrafos da matéria publicada um dia após a renúncia: ¨Essa resposta tem uma singela e definitiva resposta, que Friboi dará ou não nos próximos dias: se ele retornar ao Estados Unidos, onde mantém uma bela casa no estado do Colorado, de onde saiu para se aventurar pela selva política goiana, ficará bastante evidente sua retirada definitiva do processo. Se ele ficar por aqui, se mantiver seu bunker político aberto e com funcionários, certamente a escapada do marruá não terá qualquer significação no aspecto ostracismo. Sua sombra vai se projetar permanentemente sobre Iris, e sobre o cenário geral como um todo¨.

A imponente sede da JBS no estado do Colorado, EUA

A imponente sede da JBS no estado do Colorado, EUA

Além de não ter se mandado para o Colorado, EUA, Friboi anunciou ontem que seu bunker permanecerá de portas abertas e sua equipe de apoio será mantida. Era, sem dúvida, tudo o que Iris não gostaria de ouvir a respeito do futuro imediato do adversário.

Fôlego

Incomparavelmente, Friboi tem se revelado o pior e mais duro osso a ser roído pela máquina interna irista. Ao longo das últimas 3 décadas, ninguém conseguiu resistir tanto tempo. Na década de 1980, Iris venceu nada menos que 2 gigantes da política estadual: Mauro Borges e Henrique Santillo (ambos, já falecidos). Ainda nessa década, surpreendeu o ainda poderoso grupo liderado pelo ex-governador e então senador Irapuan Costa Júnior. Em meados da década seguinte, triturou o colega Nion Albernaz, que trabalhava para ser candidato ao governo do Estado em 1994. Em 98, barrou a reeleição natural de Maguito Vilela.

Nenhum dos adversários derrotados por Iris era neófito na política como é Jr Friboi, mas também nenhum deles conseguiu ir tão longe. Friboi tem se revelado um sujeito determinado, com muito fôlego e com a rebeldia de um jovem marruá (nome que se dá a bois criados no pasto e que se perdem nas matas, readquirindo características selvagens). É claro que deve-se levar em conta que o Iris de agora não é o mesmo conquistador de multidões de 30 ou 20 anos atrás, mas ainda assim trata-se de Iris Rezende, um mito político da história de Goiás que se mantém em cartaz há 50 anos.

Ao fim, o que se tem é um cenário completamente indefinido. Pela primeira vez, a decisão do PMDB vai para a prorrogação. Iris precisa se manter acima da linha d´água, para Friboi, chegou a hora da vingança. Quem vai levar essa?

Volta ao mundo pelos sabores dos vinhos

As uvas mais cultivadas no planeta são de origem francesa: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Merlot, Carmenére, Syrah, Malbec, Tannat… Todas francesas, e se espalharam pelo mundo. Cada uma gera um determinado vinho, com características únicas, dependendo de onde é plantada. A uva, mais do que qualquer outra fruta, incorpora o ambiente em seu DNA. Impressionante.

Um vinho cabernet francês jamais será exatamente igual a um vinho cabernet australiano, sul-africano ou chileno. Jamais. Os bebedores fora-de-série, com memória gustativa privilegiada, como os grandes julgadores de vinho, conseguem perceber a origem pelo cheiro. Na boca, então, não erram nunca.

Mas fora da França também existem uvas famosas e características. Em Portugal, a Touriga Nacional é a campeoníssima. Produz vinhos espetaculares. Na Itália, a mais conhecida, e quase sinônimo de vinhos esplendorosos, é a Sangiovese. Na Espanha, a Tempranillo, que em Portugal também é cultivada como espécie nativa – na divisa entre os dois países peninsulares –,  e ganhou o nome de Aragonez. É a Tempranillo, por exemplo, que apresenta o melhor, mais caro e famoso vinho espanhol do mundo: o Vega Sicília Único. Na Grécia, há variedade aos montes, mas uma especial é a Furmint, que resulta em vinhos doces fora do comum.

Bem, mas e daí isso tudo? O que interessa mesmo são os vinhos e não as uvas. Ok, ok, nesse ponto estamos plenamente de acordo. Então, que tal dar a volta do mundo viajando pelos sabores dos vinhos? Você é o convidado. Vamos lá?

Vinho chinêsChina – Surpreso? Eu também, mas os chineses começaram a dar uma incrementada. Eles sempre fizeram vinhos, mas eram uns troços espumosos, estranhíssimos. Nunca tive o prazer de colocar nenhum exemplar chinês na taça, mas uma garrafa desse vinho aí, o Dry Red, da Jia Bei Lan, blend Carnert Sauvignon, Merlot e uma tal de Cabernet Gernicht, foi servido numa desgutação na Inglaterra e surpreendeu. Na China, onde é vendido, custa o equivalente a 35 reais. Em tempo: vá se acostumando com a ideia. Há quem aposte que também no mercado de vinhos haverá invasão amarela. Ops, vermelha.

Vinho LíbanoLíbano – Arrá, se ficou supreso com a China, não é improvável que você tenha se perguntado: ¨Líbano?¨. Pois é, são vinhos diferentes e, alguns, muito saborosos. Vale a pena conhece-los. As uvas são as francesas. Do Vale de Bekaa surge o Chateau Ksara. É um ótimo e diferente Cabernet Sauvignon. Surpreende. Algumas safras extraordinárias custam em torno de 200 reais, mas os mais novos não passam de 70. O basicão, que é quase a mesma coisa dependendo da safra, é o Ksara Resérv du Convent. Também bacana, que vale pelo inusitado da região.

Vinho GréciaGrécia – Alguns dizem que os gregos são os fundadores da democracia e dos vinhos. Mas quem é que está preocupado com os séculos? Poderia citar inúmeras uvas gregas, mas fico com a Fuminji, que apresenta um dos vinhos adocicados mais extraordinários do planeta, o Tokaji, denominação da região onde é produzido. Esses vinhos são classificados por Puttonyos, quanto mais Puttonyos, mais caros e melhores. Já coloquei na boca um desses, com medianos 5 Puttonyos. Inesquecível. São vendidos em garrafas de meio litro.

Cesari Amarone   215,Itália – Ao lado, ou um pouco atrás, diriam alguns críticos, da França, a Itália é um dos melhores países do mundo dos vinhos. Há várias uvas emblemáticas na terra da bota, e a Sangiovese é a campeã. Mas que tal um Amarone dela Valpolicella, feito a partir da uva base Corvina? São garrafas pra lá de 100 reais, chegando a 2 mil. Os mais famosos e conceituados italianos são os Brunello de Montalcino – Sangiovese. Também variam bastante de preço, mas nunca vi um Brunello ¨barato¨ realmente bacana.

vega-sicilia-unico-gran-reserva-ribera-del-duero-spain-10153064Espanha – Terra da lenda Vega Sicílio Único. Os especialistas se desdobram em elogios incontidos. Vem da região de Ribera del Duero, e leva maioria de Tempranillo. Jamais tive contato imediato de 3º grau com um Vega Único. Aliás, essas garrafas não são abertas a qualquer hora. Custam mais de 5 mil reais no Brasil. E lá fora não saem por muito menos que a metade disso. Mas há outros vinhos da Vega Sicília extraordinários, como o Alión. Já entornei esse vinho na taça. É 100% Tempranillo e 200% fora do comum. Mais de 400 pilas a garrafa. Outra região extraordinária da Espanha é o Priorato, terra do famoso Clos Morgador, blend baseado na Garnacha. Em torno de quinhentão também.

Barca Velha 1995Portugal – Chegamos à terrinha. O que falta em tamanho, sobra em quantidade, variedade e qualidade nos vinhos de Portugal. Tem muita porcaria engarrafada, como em qualquer lugar, mas há preciosidades maravilhosas. A maior lenda é o Barca Velha, que só é lançado no mercado em anos de safras especialíssimas. Vem da região do Douro, que rivaliza com o Alentejo, e leva mostos de Touriga Nacional – claro, não poderia faltar –, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Cão. Eu e um grupo de amigos bebedores chegamos a comprar uma garrafa Magnum safra 1999. Na esperada noite da festança, os deuses protegeram meus amigos e me aprontaram uma boa, com baita indisposição. Não gosto nem de me lembrar disso, mas uns 2 ou 3 anos depois, numa outra roda, beberiquei uns 3 goles. Não me esqueci jamais das sensações. O custo é proibitivo, quase 2 mil pratas, então, por menos da metade, há o representante alentejano, o Pera Manca, também divinamente saboroso – 70% Aragones, 30% trincadeira.

Robert Mondavi, Pinot Noir 2010Estados Unidos – Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Zinfandel, que na Itália ganha o nome de Primitivo, são as grandes uvas cultivadas especialmente na Califórnia. Há muito bons vinhos made in USA, mas os americanos, especialmente Robert Mondavi, maior fabricante de lá, são acusados pelos franceses de cocacolarizar o mundo dos vinhos. Ou seja, igualar tudo como se fosse a mesma coisa. Exagero dos franceses, claro. Vendidos em dólar, chegam custando caro no Brasil pela qualidade que apresentam, mas tem coisas baratas que compensam e bombas desprezíveis que não valem 1 cent furado. Gosto, particularmente, dos cabernezão californianos, mas os Pinot também são interessantes. Tem que pesquisar muito. O Mondavi apresenta linhas acessíveis e aceitáveis.

PrelúdioUruguai – Demorei um tempão pra chegar aos Tannat. Estive sempre com a velha imagem de vinhos pesadamente tânicos. Que nada. Hoje, as vinícolas uruguaias apresentam vinhos Tannat absolutamente domesticados e sensacionais. Gosto bastante. Os preços de lá são mais ou menos os mesmos encontrados aqui – ao contrário dos chilenos e argentinos, verdadeiras pechinchas na origem. Existem uruguaios fantásticos e também basicões. É claro que a qualidade não está nos básicos. Aí, como sempre, reina a quantidade e baixo preço. A melhor sugestão que já bebi é o Prelúdio, da Família Deicas, na região de Juanicó. Custa em torno de 150 reais, 200 reais. É blend baseado na Tannat. Esplendoroso. Há uma garrafa superior ao Prelúdio, o Massimo, mas nunca encarei esse danado, bem mais caro. O maior fabricante de vinhos populares de lá é Don Pascual. Basicão.

estiba reservada04-okArgentina – Os hermanos são excelentes fabricantes de vinhos. O melhor sujeito de lá é o mestre Catena Zapata. Seus vinhos são bastante conhecidos por aqui. Vão do básico, rótulo Álamos, a jóias como Nicolás Catena, Estiba e Malbec Argentino. Mas existem inúmeros outros fabricantes extraordinários, mas os Catenas são os mais conhecidos – além do velho Catena, seus filhos também entendem do riscado. Deve-se ter cuidado ao garimpar vinhos argentinos. Mesmo fabricantes famosos engarrafam algumas coisas estranhíssimas. Nem tudo é perfeito.

Chile e França – Peralá. Esses dois países merecem uma nova postagem. Os chilenos são considerados os melhores vinhos bordaleses do mundo, ao lado dos próprios franceses de Bordeaux. Tá, a França leva vantagem com a Borgonha, sem rivais no mundo dos Pinot Noir. Ainda assim, rode o mundo com vinhos desses

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O afago aos bandidos cheios de direitos

 Sabe duma coisa? Tenho saudades, sim, dos tempos idos. Era muito mais seguro. O Brasil nunca foi um mar de tranquilidade, paz e amor, mas havia menos possibilidade de se topar com um bandido a cada esquina como é hoje.assalto_autodromo

Tá feia a coisa. Você desce do carro e sabe que poderá ser assaltado pelo motoqueiro que apontou na rua. Ou pelos rapazes que vem andando em sua direção batendo papo. Ou pelo casalzinho de mãos dadas. Por qualquer um. assalto-flagrante-550x308O crime em sua embalagem crua, cruel, de armas na mão. 24 horas por dia, 7 dias por semana, o ano todo, sem feriados, dias santificados, sábados ou domingos. É o período integral do império da violência sem limites.

Tava aqui pensando: quando isso começou? Não sei dizer. Talvez porque não exista uma data específica. Foi uma escalada. Pouco a pouco no início, muito a muito agora.

Existem mil teorias a esse respeito. Um dos argumentos que mais recebe apoio é sobre a péssima educação pública. Faz sentido, sem dúvida. Mas não consigo compreender bem essa coisa… O que falta agora sobrava antes?

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Não creio. Aliás, não mesmo. Lá atrás, há 30, 35 anos, não havia vagas para todo mundo. Hoje, tem. A única reclamação que eu escuto é que algumas vagas ficam distantes de onde o estudante mora, mas elas existem, sim. Então, nesse ponto, melhorou muito.

Então, se pelo menos existem vagas nas escolas que não existiam antigamente, por que o Brasil se transformou num dos lugares mais insanos do planeta no que se refere à segurança de cada um de nós?

Ahh, e existem mais vagas nas faculdades, nos cursos técnicos… Não, não, não. Essa conta aí não bate. Não no meu entendimento.

A outra tese que tenta explicar a atual situação é a desigualdade social. Então, tá: quer dizer que antigamente a gente era uma sociedade mais justa e igualitária? Regredimos???

O que, afinal, nos remeteu aos poucos para esta situação de morte eminente a cada momento, em cada rua, em casa saída nas ruas ou mesmo em nossas casas?

Tento recorrer mais uma vez a alguma coisa que tinha ou que não tinha antes e que tem agora. Talvez consiga ao menos vasculhar alguma pista que possa, mesmo que vagamente, apontar para o início da guerra diária que estamos vivendo, e perdendo…

Guerra cruel. Algumas pessoas começam a devolver a violência na mesma dose. Absolutamente insano, sem nenhuma dúvida. Me lembro bem do primeiro caso dessa onda recentíssima de reação das pessoas.assaltante com trava no poste

Foi contra um menor de idade, no Rio de Janeiro, flagrado furtando pessoas. Juntou uma turma, deram catiripapos no rapaz, e o prenderam com uma traquitana antifurto de bicicleta. Ganhou manchetona nos jornais, destaques nas TVs e rádios, temas de debates intermináveis sobre a barbárie.

Uma jornalista, a Rachel Sheherazade, fez um comentário dizendo que ¨compreendia¨ a reação das pessoas. E chamou o rapaz de ¨bandidinho¨.

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Vixe Maria! Foram quilos de papel jornal, horas de rádio e TV debatendo o comentário da jornalista. Virou febre, inclusive ideológica. Teve até uma deputada federal que denunciou a jornalista na Justiça.

Será que não houve uma inversão absurdamente grotesca de valores? Eu acho que sim, e sem nenhuma dúvida. A deputada condenou quem estava trabalhando, e nem reclamou de quem estava roubando. Uai???

Será que não foi isso que mudou do velho passado menos inseguro para os tempos atuais de absoluta certeza de segurança zero, a inversão de valores? Sim, pode ser por aí.

Antigamente, ladrões eram presos, ficavam presos e eram desprezados pelas pessoas. Hoje, quando presos, e sempre são presos, ficam quase nada na cadeia, voltam para cometer os mesmos crimes novamente, e são debatidos como se fossem as vítimas. Tô véio demais pra me acostumar com esses novos tempos.

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Sinceramente? Eu prefiro a moda antiga: bandido é bandido. É bandido por opção, e não por falta dela. Não estamos no Brasil que retira a maior legião de cidadãos da miséria e da pobreza? Não somos o Brasil do pleno emprego? Uai, e por que tem cada vez mais bandidos, e eles são cada vez mais violentos, cada vez mais cruéis, assassinos?

Quando estão barbarizando nas ruas, bandidos são bandidos. Quando são presos, e quase sempre eles são presos, repita-se, começa a mudar a coisa. De bandido o sujeito passa a reeducando. De um sujeito que mutila, mata sem nenhuma forma de remorso, que estraçalha dezenas e dezenas de vidas em nossas ruas, ele se transforma em vítima. De uma hora para outra. Basta ser preso. É como se houvesse um choque de amnésia: tudo o que o sujeito fez, todo o sofrimento que ele causou, de repente passa a ser consequência, e não a causa da sua prisão.

É por isso que a deputada condenou a trabalhadora e não o marginal… É por isso que muitos chegaram a defender que a trabalhadora fosse impedida de trabalhar. Deve ser por isso, mas posso estar enganado, claro. Talvez eu mesmo tenha que se reeducado para estes novos tempos. Mas não tenho certeza se daria muito certo comigo. Acho que o melhor no meu caso seria a doutrinação. Isso. Teria que ser doutrinado nesses novos tempos.

(blog santigermanchamavioleta)

(blog santigermanchamavioleta)

Quer saber? Sou um caso perdido. Reeducação não funcionaria comigo, e doutrinação também não. Acho que nestes tempos novos, eu mereço ser condenado. Quanto aos bandidos que afligem a mim e a todos nós, são dignos e humanos. Eles merecem direitos.