Arquivo da categoria: Pos.-Secundária(2)

Candidatos à presidência não influenciam votação de governador

Pelo menos em Goiás, as candidaturas nacionais não conseguem transferir votos para os candidatos a governador
Afonso Lopes
É voz corrente que bons e competitivos candidatos ao governo do Estado precisam de presidenciáveis consistentes do ponto de vista eleitoral para fechar “dobradinha”. Historicamente, no entanto, esse desempenho casado obtém resultados divorciados. Os candidatos à Presidência não conseguem empurrar a votação dos candidatos ao governo. O contrário é verdadeiro: boas votações para o governo reforçam votações de aliados que disputam a Presidência.
Esse erro de interpretação é mais comum do que se imagina. No final do ano, por exemplo, o ex-prefeito de Senador Canedo e pré-candidato ao governo do Estado, Vanderlan Cardoso, fez várias declarações sobre as perspectivas que ele tem do próprio desempenho em função da confirmação do nome do ex-governador pernambucano, Eduardo Campos, na disputa presidencial pelo PSB, seu partido. Cada eleição tem suas particularidades, mas até hoje, em Goiás, não se associou o desempenho de candidato de lá com performance de candidato daqui.
O exemplo mais sintomático dessa dissociação de candidaturas nacionais com domésticas é a eleição de 2002. No Brasil, resultado de uma incrível onda vermelha, Luiz Inácio Lula da Silva derrotou José Serra (PSDB). Em Goiás, o companheiro de Lula na disputa pelo governo estadual, a petista Marina Santana, recebeu apenas 15% dos votos válidos. A vitória foi de Marconi Perillo, do mesmo PSDB de Serra. E tem mais: se a onda Lula não levou Marina a surfar na eleição doméstica, Marconi foi reeleito naquele ano já no primeiro turno.
Mesmo que se olhe para outras eleições, o resultado sempre escancara a dissociação no desempenho dos candidatos a presidente e a governador. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi reeleito no primeiro turno com avassaladores 66% dos votos dos goianos. O segundo colocado, Lula, teve somente 20%. Na disputa estadual, Marconi Perillo e Iris Rezende fecharam o primeiro turno praticamente empatados, com ligeira vantagem para o tucano.
O inverso é verdadeiro, vez ou outra: o bom desempenho do candidato local empurra votos para o candidato a presidente. Foi o que aconteceu de forma bastante clara nas eleições de 2006. De um lado, e do alto de uma estupenda popularidade, que resultou numa eleição para o Senado com nada menos que 76% dos votos, Marconi Perillo sobrou para “eleger” o candidato ao governo, Alcides Rodrigues, e fez de Geraldo Alckmin vitorioso contra o reeleito Lula.
Pulando o Rio Paranaíba, em Minas Gerais, Estado cuja população tem muitas semelhanças e particularidades sociológicas com os goianos da região central, também se observa o distanciamento do eleitorado em relação às disputas estaduais e nacionais. Em 2010, quando Dilma Roussef foi eleita, acusou-se o PSDB mineiro de cruzar os braços e deixar a candidatura de José Serra naufragar. Se houve corpo mole ou não, é problema interno dos tucanos de lá, mas a verdade é que o ex-governador Aécio Neves foi eleito para o Senado e ainda ajudou a emplacar Antônio Anastasia no governo estadual. Serra apanhou feio de Dilma.
Cenário atual
Isso significa que Vanderlan Cardoso deve esquecer qualquer possibilidade de receber influência eleitoral do presidenciável Eduardo Campos na sua campanha pelo governo do Estado? Sim, e não. Historicamente, não há como se animar com a perspectiva. Não só pelas razões acima, mas também pela situação atual do pernambucano, que se arrasta na terceira posição nas pesquisas eleitorais. A única esperança de Vanderlan é que ocorra este ano algo atípico, com possível transferência de prestígio do candidato nacional para o candidato local. Pode acontecer, mas se acontecer vai entrar para a história.
O mesmo vale para Antônio Gomide, do PT da presidente Dilma, que vai buscar a reeleição. Se Lula que era o Lula, em 2010, no auge de sua popularidade, não conseguiu empurrar Iris Rezende pra cima de Marconi Perillo na disputa goiana, não será Dilma que vai conseguir carregar Gomide. Talvez o contrário seja mais fácil, caso o anapolino consiga deslanchar o suficiente na campanha estadual para sobrar um pouco de prestígio eleitoral dele para a reeleição de Dilma.
Igualmente Marconi não dependerá de Aécio, mas Aécio terá que torcer para que seu colega tucano consiga votação suficiente para que ele próprio receba uma carga hereditária nas urnas de Goiás. Mesma situação de Iris ou Friboi, pelo PMDB, que não vão contar com nada de origem nacional a não ser uma pequena confusão que poderá ser gerada na cabeça do eleitor com a confirmação de candidatura própria do PT ao governo estadual: haverá palanque duplo para Dilma ou palanque dissidente do PMDB? É algo que terá que ser resolvido de agora até a campanha.

O que muda com a volta de Iris ao processo eleitoral

bastidores.qxd

Iris Rezende chegou a falar que não seria mais candidato ao governo de Goiás se o PT lançasse candidato próprio, no caso o prefeito de Antônio Gomide, de Anápolis. Antes, disse que não iria disputar convenção contra Jr Friboi. Pois Gomide (ou pelo menos é isso o que dizem os assessores e o irmão dele, deputado federal Rubens Otoni) continua a preparação para deixar a Prefeitura no final da tarde de hoje, e Friboi (via assessores ou meros torcedores) garante que tem fôlego para brigar pela candidatura ao governo até na convenção, se for o caso. E, então, Iris anuncia que está no jogo. Esqueça-se tudo o que foi dito antes. Vale a última versão, anunciada agora a pouco no escritório de Iris, na avenida T-9, em Goiânia.

E agora? Por partes.

A primeira delas é saber se o simples anúncio de Iris vai fazer com que Gomide repense sua renúncia. Ou se ele manterá o que está programado para ver o que poderá acontecer depois. De qualquer forma, o anúncio de Iris ampliou o foco e as tensões políticas sobre Anápolis.

E no PMDB? Nada definido. Votos na convenção são fechados, e isso é um dilema para os 2 lados. Iris vai trabalhar com todo o seu poder de sedução. Ele não é páreo se o jogo for decidido na base da mala preta. Friboi só tem exatamente esse trunfo. E tem uma montanha desses trunfos. Mas como o voto é secreto, nunca se pode descartar traições, tanto de um lado quanto do outro.

Brasília não parece disposta a definir a parada. Iris esteve lá e conversou com o presidente Valdir Raupp. Voltou sem nada na mão além de uma pesquisa Ibope encomendada pelo comando do PMDB. Que, é claro, lhe é favorável.

Em resumo, o anúncio de Iris zerou mais uma vez o processo. No final da tarde de hoje, Gomide vai dizer o que pretende fazer com a bola que rolou para os seus pés.

E depois de hoje? Bem, depois de hoje ainda haverá várias sextas-feiras pela frente. E segundas, terças, quartas…

Uma visão sobre as pesquisas

No jornal Diário da Manhã, hoje (01/04), reportagem assinada por Danyla Martins, trouxe a avaliação das atuais pesquisas eleitorais na visão de cientistas políticos de Goiás. Voz corrente entre todos, ou quase todos, o quadro atual apresenta polarização entre o governador Marconi Perillo e o ex-prefeito Iris Rezende. Os cientistas, a maioria, acrescentou o nome do ainda prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, como forte possibilidade futura. Detalhe: Gomide, em todas as pesquisas, é o último colocado.

O prefeito petista á realmente forte? Neste momento, não há como dizer que sim a não ser do campo do analista-torcedor. Mas tem potencial, sim. Sua imagem é boa, e isso pode valer alguns pontos a mais no decorrer da campanha. Antes, porém, é claro, sua candidatura precisa ser confirmada. Ele ainda é prefeito, terá que abandonar o cargo esta semana. Ou será riscado da eleição deste ano por força da legislação eleitoral.

Um dos cientistas ouvidos pelo jornal fez uma citação curiosa. Referindo-se às pesquisas atuais – que era o tema central motivador da reportagem – ele disse que ¨as intenções de voto (de cada candidato nas pesquisas) não são necessariamente intenções de voto¨. E acrescentou que sua análise se baseava também em pesquisas qualitativas. Opinião é opinião, e cada um tem a sua.

Mas é tema recorrente esse: pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa. Qual é a melhor para aferir os humores do eleitorado?

gráfico sem números

Qualitativa ou quantitativa?

Não raras vezes, o argumento das pesquisas qualitativas são sacadas diante de dificuldades surgidas nas pesquisas quantitativas. Isso porque elas jogam trevas, e não luzes, sobre a discussão: como discutir algo que não foi divulgado, que ninguém, a não ser aqueles que diretamente participaram da tal pesquisa qualitativa, tem conhecimento?

Além disso, qualitativas são interpretações. Tem muito de intuição. Ou seja, um ¨zero¨ pode ser interpretado como ¨zero¨ ou como ¨um¨ do futuro porque a conclusão, jamais definitiva, estará atrelada às demais informações que a pesquisa qualitativa deve trazer, e que para o grande público não tem relação entre elas. O cientista especializado em qualitativas consegue ¨ver¨ essa intimidade de questões aparentemente desconectadas, e assim concluir que o ¨zero¨ é possível ¨um¨.

Também por isso, além de inúmeros outros fatores, resultados de pesquisas qualitativas não são divulgados. Não há números para resumir o quadro conclusivo. Não é preto no branco. A qualitativa é nuance de várias cores.

E funciona? Sim, e não.

Mal comparando, imagine a qualitativa como preparação de um novo carro de Fórmula 1. Na bancada, o motor é uma joia, com potência de sobra. No túnel de vento, as formas da carroceria funcionam que é uma maravilha. Tudo pronto, o carro é feito exatamente como os testes indicaram e começa a temporada nas pistas. A máquina maravilhosa, que foi show no laboratório, pode se revelar uma carroça nas corridas. E se isso acontece até com uma Ferrari, imagine o que pode acontecer com as Sauber da vida.

Em resumo: as pesquisas qualitativas são muito importante e, por isso, indispensáveis, mas não são definitivas e nem infalíveis. Se assim fosse, quando aplicadas em eleições, haveria empate entre todos os grandes candidatos.

Números

As pesquisas quantitativas são mais fáceis de se entender. Um nome está com 10% e o outro tem 30%, está resolvido: quem tem mais, está na frente. O grande problema é que frequentemente se usa esse resultado, aplicável apenas no momento em que a pesquisa foi feita, como projeção de resultados futuros. Não é.

Candidatos que estão à frente podem aumentar a vantagem ou perder terreno. Um modo melhor de, aí, sim, se ter uma visão mais abrangente, é comparar as pesquisas quantitativas ao longo de um bom período. As curvas com os resultados de vários levantamentos revelam exatamente o quadro geral. Ou seja, podem mostrar que, mantidas todas as condições, a evolução é essa, de crescimento, queda ou estabilização.

Voltando à comparação com a Fórmula 1. O piloto que arranca bem na temporada e vence logo as primeiras 5 provas do campeonato não necessariamente vai ser o campeão no final do ano. Ao longo das etapas futuras, esse líder do momento pode ficar sem gasolina, estourar o motor, ter o pneu furado, rodar em algumas curvas e bater no muro umas tantas vezes… e perder o campeonato.

Em resumo, pesquisas são momentos atualíssimos, jamais, e definitivamente, projeção de resultados.

Vinhos, de 30 a 50 reais

Uma das piores faixas de preço é essa que vai além dos 30, 35 reais e chega aos 50. Tem muita oferta no mercado. Eis o problema. Deveria ser a solução, né. Não é, não.

Tem muita coisa nessa faixa que engana completamente. Trata-se, portanto, de uma garimpagem de alto risco. Na faixa anterior, até 30 reais, é mais simples: há os bons e os ruins. De 30 a 50, entram os mais ou menos. E é aí que algumas vezes você sente até pena das uvas de qualidade que foram tão maltratadas. E mais pena ainda da sua grana que foi embora.

Depois de amargar algumas garrafas, comecei a beber novidades somente após consultar amigos. Aí vão algumas coisas que eu acho que merecem o investimento.

——————————————————————————-

Vinhos 50 Ventisqueiro ReservaA linha Ventisqueiro é legal. Geralmente, são vinhos bem feitos. O Ventisqueiro Reserva é o basicão da vinícola chilena. Já bebi o Cabernet Sauvignon e o Carmenére. O preço vai se 38 reais em algumas promoções até 45, 48 reais no máximo. Essa linha tem o Gran Reserva, mas o preço pula pra faixa de 60 e poucos reais. A qualidade também aumenta legal. O Ventisqueiro Grey é excelente, mas vai pra faixa dos 80, 90 pilas. Fique com o Ventisqueiro Reserva. Honestíssimo em sua faixa de preço. Facilmente encontrado em Goiânia nas boas lojas.

——————————————————————————-

vinho de 50 - CarmenEsse vinho, da Viña Carmen, é considerado show na relação custo-benefício. A vinícola é a mais antiga do Chile, fundada em 1850. O Carmen Classic é o básico, mas mostra que a vinícola se preocupa com a qualidade. É compra sem medo de decepção na hora de beber. Os vinhos mais requintados e especial dessa casa já bateram prêmios importantes, como o de melhor tinto do Chile, em 2003. Custa perto de 50, mas não mais que isso. Um pouco raro em Goiânia, mas vale a pena a procura.

——————————————————————————-

vinho de 50 Copa Real oroO espanhol Copa Real Oro é um tempranillo de boa estirpe. Não é muito fácil encontra-lo em Goiânia, mas na internet você acha Vale a pena beber esse vinho muito mais para conhecer a rusticidade quase primitiva que ele tem. Quando bebi, me senti como se estivesse em meados do século passado, quando a maioria dos vinhos não era feita com o moderno e rigoroso controle de fermentação e nem com variedade de tonéis de amadurecimento. Mas nem por isso é um vinho ogro, difícil. Só pra conhecer, vale a pena. Há também, da mesma vinícola, Cosecheros Y Criadores, o Copa Plata e o Infinitus, todos entre 40 e poucos e 50 reais no máximo.

Blog

República bananeira?

Artigo assinado por um escritor-blogueiro, hoje (28/03), Luiz Carlos Amorim, no caderno Opinião Pública do Diário da Manhã, me chamou a atenção. Ele afirma e analisa que o Brasil pode importar bananas do Equador.

macaco banana

¨Pegadinha do Malandro¨, pensei. E saí atrás de mais informações a respeito disso na internet. Cheguei ao site do Canal Rural (http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2014/03/produtores-de-banana-protestam-em-sao-paulo-contra-importacao-do-equador-4455018.html).

Antes de ficar escandalizado, pense pelo lado bom: daqui uns anos ninguém vai pode dizer em tom jocoso que somos uma república bananeira…

——————————————————————————-

Farda sensual

A foto de uma moça sensualizando geral com fardamento da PM goiana ganhou ontem a internet. Ela é namorada de um recrutado do SIMVE, e teria se aproveitado da ausência dele para vestir a roupa,  e mandar as fotos via WhatsApp.

Farda sensual-PM

 

——————————————————————————-

calibre 7.62Corrupção epidêmica

Traficante da Maré, no Rio de Janeiro, foi preso com 700 balas de grosso calibre, 7.62. Bem, mas e daí, traficantes tem tanta munição que frequentemente são flagrados disparando a esmo até para comemorar gol em pelada, ué. A novidade neste caso é que as balas pertenciam ao Exército. Dois militares as venderam para bandidos do PCC, e foram então descobertas com o tal traficante.

Não deixa de ser curioso, né? Ou seja, graças à corrupção epidêmica do Brasil, o tráfico se abastece até com balas do exército.

Quer outra curiosidade que também parece soar como piada? Pra arrematar: o tal traficante foi preso por… receptação.

Cadê a grana?

Notícia de ontem: arrecadação de impostos, taxas, contribuições e etc e tal bateu novo recorde no mês de fevereiro.

Notícia de hoje: mesmo assim, o governo teve que pedir mais de 3 bilhões de 28/03reais emprestados para pagar as despesas.

É o mesmo que usar o limite do cheque especial para abastecer e comprar pãozinho na padaria. Ou seja: ferrou.

Vai piorar

Banco Central elevou a previsão de inflação para este ano, de 5,6% para 6,1%. E, ao mesmo, diminuiu a previsão de crescimento da economia, de 2,3% para 2%. Cenário ruim? Muito, mas poderá ser pior. O mesmo Banco Central diz que há 40% de chances de a inflação romper o teto da meta deste ano, que é de 6,5%.

Rezar não adianta.

Conexões: Goiás

PMDB

¨Baixar a poeira¨ para diminuir danos internos

O PMDB está rachado. Constatação intempestiva? Longe disso. Ontem, uma das grandes lideranças do partido, o prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia, disse que é preciso esperar a ¨poeira baixar¨. Em outras palavras, tem que esperar o ¨vendaval¨ passar.

A referencia de Maguito é direta e envolve o processo de afunilamento interno das candidaturas do PMDB ao governo do Estado. Até então, nenhuma liderança peemedebista importante tinha falado abertamente sobre a existência de atritos internos, embora os sinais captados externamente fossem evidentes e inegáveis.

maguito-vilela-iris-rezende-e-junior-friboi-620x450

Começou na filiação de Jr Friboi

Os choques internos não começaram agora, eles apenas afloraram mais escancaradamente.

No final do ano passado, quando ainda estava no PSB, surgiram sinais de que Friboi pretendia embarcar na canoa peemedebista. Em Brasília, ele se acertou com o presidente nacional do partido, vice-presidente Michel Temer. Iris não gostou e foi até lá conversar com Temer. Friboi venceu naquele momento.

Recebido com festa de praxe, principalmente pelo grupo liderado por Maguito, chegou como virtual candidato ao governo do Estado, o que desagradou ainda mais Iris Rezende. Iristas foram a campo para repor as coisas de acordo com seus interesses: Friboi era um dos pretendentes, e não o pretendente. Ato contínuo, outros dois peemedebistas anunciaram que também eram pré-candidatos ao governo, os ex-deputados estaduais Wagner Guimarães, de Rio Verde, e Ivan Ornelas, de Formosa.

Friboi sentiu o golpe e exigiu da Executiva Estadual um posicionamento oficial sobre sua situação. Sob forte influência dos maguitistas, Jr recebeu o título simbólico e pomposo de pré-candidato oficial do PMDB ao governo do Estado.

O que motivou Maguito a pedir que o partido adote o velho ensinamento de que é ¨o tempo que cura o queijo¨ foi entrevista de Iris Rezende à rádio 730, num furo do repórter Divino Olavo. No bate-papo, Iris deixou claro que não abandonou o projeto de disputar o governo mais uma vez. E sacramentou que não existe esse ¨negócio¨ de pré-candidato oficial e que não foi consultado sobre isso.

O vento, que era incômodo, tornou-se vendaval.

Para Maguito, o jeito é esperar a ¨poeira baixar¨, buscar o consenso e ¨não ficar discutindo pelos jornais¨. Se isso vai funcionar ou não, vai se descobrir em breve.

Conexões: Goiás

bastidores.qxd

Pneu de estepe

 

Ontem, em belo furo da rádio 730, o jornalista Divino Olavo entrevistou o ex-governador Iris Rezende, do PMDB, que aparece na segunda posição em pesquisas eleitorais recentes.

 

Iris é o mestre de sempre, e driblou as perguntas mais diretas. Como a que questionou se ele será ou não candidato ao governo mais uma vez. ¨Sou como um pneu de estepe¨, se precisar, tá na mão. Ou seja, rodou e parou no mesmo ponto. Será candidato ou não? Será. Ou não, diria Caetano Veloso.

 

Defensores da candidatura de Jr Friboi permanecem, então, com esperanças, mas a falta de crescimento rápido nas pesquisas é, sim, um problemão. Friboi foi atirado numa sinuca de bico quando permitiu que peemedebistas o atirassem no atual período de teste de viabilização eleitoral com a aposta de bom desempenho em pesquisas. Ora, como fazer seu nome crescer nas ruas se não há campanha aberta?

gomide

PT

 

E no PT, Gomide vai confirmar candidatura ao governo do Estado e desincompatibilização como prefeito de Anápolis ou não? Internamente, e localmente, não há qualquer problema. Gomide é o queridão do PT goiano.

 

No final de semana, os petistas fazem encontro estadual para discutir a candidatura dele. Ninguém espera qualquer novidade. Depois, ele terá mais alguns dias para aval da direção nacional do partido, em Brasília. Ele quer evitar um risco enorme, de se lançar candidato, deixar a Prefeitura e, na última hora, o PT nacional determinar mudança de planos e apoio ao candidato do PMDB.

 

 

Serpes/O Popular

A mais recente pesquisa realizada pelo instituto Serpes e publicada pelo jornal O Popular trouxe uma ótima notícia para o governador Marconi Perillo e uma informação que acende a luz de alerta para a reeleição.

Marconi não parou de crescer e abre em relação ao 2º colocado, Iris Rezende. Os demais nomes, apesar de serem os únicos declaradamente candidatos, Vanderlan Cardoso, Jr Friboi e Antônio Gomide, capinam sob o forte sol da planície: somados, perderiam para Marconi já no 1º turno, se as eleições fossem agora.

Entre os 5, 2 se garantem nas próprias candidaturas: Marconi, pela base aliada, e Vanderlan, na até hoje quixotesca 3ª via, só não se confirmam candidatos se não quiserem. Gomide, no PT, tem muito a arriscar: nada menos que 2 anos e 9 meses de mandato como prefeito da principal cidade do interior do Estado, Anápolis. A definição final dele e do PT está marcada para o final desta semana. Não deixa de ser um drama. Iris Rezende e Jr Friboi dividem o PMDB até agora sem nenhuma indicação de acordo entre eles. Friboi diz que vai para a convenção. Iris prefere negociar antes e tirar o rival da parada dura.

Céu de brigadeiro para Marconi? Claro que sim. Aumentou vantagem para o principal concorrente e pode chegar às urnas como governador em processo de reeleição, o que sempre conta muito. De quebra, a aprovação de seu governo também tem crescido.

Mas o que faz aquela nuvem lá no horizonte? Preocupa.

Rejeição

O governador é o mais rejeitado entre os eleitores. Nenhuma novidade nisso. Geralmente, a tendência do eleitor oposicionista é mesmo rejeitar quem está no governo. Formou-se essa pequena nuvem pelo fato de que o índice de Marconi variou, dentro da margem de erro, positivamente. Chegou aos 31 pontos.

Esse índice perturba, mas não muda o quadro geral de céu de brigadeiro. É uma nuvem, apenas. Com os modernos mecanismos de monitoração, é possível navegar tranquilamente e sem maiores turbulências.

Teoricamente, rejeição é intransponível quando atinge 50% mais 1 voto. É o que diz a regra eleitoral. Na prática, o limite razoável de risco acentuado é 40%. Um pouco mais é considerado alto risco, mas não sacramenta inviabilidade eleitoral. Há casos de rejeição acima do índice limite que resultaram em estrondosas vitórias. Para ficar em dois exemplos, Lula e Dilma.

Portanto, para Marconi, a rejeição é até agora somente uma nuvem. Que incomoda porque está em movimento. Ele precisa monitorar bem para não tumultuar seu céu de brigadeiro rumo à reeleição.