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Chapa de Marconi está pronta

Conexões: Jornal Opção

PSDB, PP e PSD formam a representatividade da coligação governista

José Eliton na vice, Marconi Perillo candidato ao governo e Vilmar Rocha candidato ao Senado: a chapa governista está praticamente definida para a disputa de outubro | Fotos: Fernando leirte/Jornal Opção

José Eliton na vice, Marconi Perillo candidato ao governo e Vilmar Rocha candidato ao Senado: a chapa governista está praticamente definida para a disputa de outubro | Fotos: Fernando leirte/Jornal Opção

A chapa do principal eixo político atualmente de Goiás, liderada pelo governador Marconi Perillo, está definitivamente alinhavada. Além de Marconi, o vice-governador José Eliton será candidato à reeleição. Para o Senado, o nome do deputado federal e presidente do PSD goiano, Vilmar Rocha, também deverá ser confirmado. Essa é a chapa preferida, e assim anunciada, pelo próprio governador há tempos.

Não foi um processo pronto e acabado desde sempre. No início da formatação, o PTB, do deputado federal Jovair Arantes, se apresentou com disposição para cobrar espaço na chapa majoritária, especialmente para a vice-governadoria. Nas últimas semanas, a possibilidade de o deputado federal Ronaldo Caiado, do DEM, voltar a integrar a chapa do eixo governista como candidato ao Senado foi discutida, e posteriormente descartada.

O PTB é um dos grandes parceiros na construção do grupo que vence as eleições no Estado desde 1998, antes mesmo de Jovair Arantes assumir o comando do partido. A afinidade política entre Jovair e Marconi vem desde os tempos do governo de Henrique Santillo (falecido), de 1986 a 1990. Eles sempre estiveram juntos.

No caso das articulações em torno da candidatura de Ronaldo Caiado na chapa da aliança governista o processo foi intenso, rápido e está aparentemente finalizado. Ninguém tem qualquer dúvida sobre o grande potencial de votos do líder democrata, mas internamente, o preço a ser pago para a recomposição de Caiado com a aliança seria demasiadamente caro. O problema, porém, permanece.

A maior encrenca é, sem dúvida, o constante movimento de Caiado dentro do contexto político da aliança governista. Desde 2000, nas eleições municipais, re­gistram-se idas e vindas. Em 2010, um acordo fechou a coligação regional PSDB/DEM no último minuto do segundo tempo. Além dessas movimentações, a absorção de sua candidatura ao Senado exigiria uma mexida completa na chapa, com exceção, é claro, do governador Marconi Perillo como candidato à reeleição.

Caiado seria o candidato ao Senado, e isso afastaria a candidatura de Vilmar Rocha, fiel escudeiro da aliança desde a sua formatação, em 1998. Em seguida, o próprio Vilmar seria deslocado para uma inédita candidatura a vice-governador, empurrando assim o atual vice, e preferido para o cargo pelo próprio Marconi, José Eliton, para uma candidatura a deputado federal. Ou seja, seria necessário mexer no time praticamente todo para abrigar a candidatura de Caiado ao Senado.

É óbvio que uma operação desse tamanho gerou discussões internas em todas as alas. Discretamente, as principais lideranças estaduais do PP se movimentaram pela manutenção de José Eliton, presidente regional do partido, como candidato a vice-governador. Ao mesmo tempo, o PSD, também discreta e diplomaticamente, manteve a reivindicação sobre a candidatura de Vilmar ao Senado. Até no PSDB, fiel ao governador Marconi, houve resistências.

Paralelamente a tudo isso, declarações de Caiado a respeito de uma possível candidatura ao Senado na chapa liderada pelo governador Marconi Perillo acabaram repercutindo pessimamente em vários setores de comando interno da aliança. Caiado, mais de uma vez, disse que iria trilhar caminho independente na campanha, e não numa linha de atuação eleitoral conjunta com a chapa. Isso azedou de vez os humores até de setores que não tinham se manifestado anteriormente, e se mantinham indecisos.

Nesse processo todo, o governador Marconi Perillo se manteve o tempo todo discreto, e muito mais espectador do que protagonista. É óbvio que sempre caberá a ele a decisão final, mas ele jamais revelou, ao menos publicamente, qualquer disposição de entrar nas negociações principais ou, ao menos, de aceitar discutir a chapa que ele sempre disse preferir. Deixou nas mãos das lideranças da aliança.

Há, obviamente, setores que apesar dos pesares ainda defendam a composição que abrigue a candidatura de Ronaldo Caiado na aliança liderada pelo governador. O único argumento desse pequeno núcleo, porém, é o enorme e reconhecido potencial de votos do democrata. É realmente um forte argumento, reconhecem internamente todos os setores, mas o preço é impagável.

Contra a argumentação dos votos, que visaria o vice-governador José Eliton diretamente, e Vilmar Rocha em segundo plano, encontra-se uma questão de fundo na escolha dos candidatos a vice-governador. Ao contrário do que diz a lógica popular imediata, não é a possível agregação de votos pessoais que credencia candidaturas a vice. A principal função de um vice na composição de alianças é agregar partidos e evitar disputas que possam interferir na saúde da coesão interna.

Nesse sentido, quem poderia exercer com mais objetividade esse papel se não o atual vice-governador José Eliton? Ele agrega partidos sem gerar desconfianças nem ciúmes, além de inibir qualquer forma de disputa interna entre os demais partidos membros da aliança.

Para fechar o cerco de virtudes, Eliton é o preferido do próprio Marconi, que inúmeras vezes tem delegado a ele papel político, como nos encontros regionais dos partidos aliados.O governador demonstra claramente que gosta de seu vice-governador e, mais do que isso, aprova o desempenho dele na defesa do projeto de governo da própria aliança.

Somando tudo, a conclusão é que a chapa de Marconi está concluída e somente aguarda junho, mês das convenções, para ser sacramentada. Somente um vendaval político sem precedentes poderá ainda retirar José Eliton e Vilmar Rocha da chapa de Marconi. Portanto, esse é o time escalado para a disputa.

Vai ter Copa, e vai ser do balacobaco

Tá chegando a hora. Menos de um mês para a grande festa. Peralá… Grande festa? Será mesmo uma grande festa? Pelo menos, que não seja grande, mas uma pequena festa? Festinha? Festica de nada, vai. Sabe-se lá o que vai ser.

Copa fogueira

Ensaio geral da fogueira começou

Ontem, quinta, 15, protestos raivosos em algumas das cidades que vão sediar jogos da Copa. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em Recife, greve na PM terminou, mas com saques a lojas. A Justiça determinou previamente que a Polícia Federal não poderá entrar em greve durante a Copa. Que bobagem. Uma operação padrão pararia tudo, mesmo que sem greve. Sem falar na lei contra manifestações. Tudo somado, eis o ensaio geral da Copa lado B.

Mas se quase todo mundo passou pelo menos 5 anos sonhando com a realização da Copa no Brasil, por que agora tem tanta gente contra?

A torra de dinheiro público

Os brasileiros estão escandalizados com o preço que está se pagando para realizar a tal festona. Não há uma única obra diretamente ligada ao evento Copa no Brasil que não tenha se registrado superfaturamento. Nem unzinho sequer. Nada.

Mas a questão real, pés no chão, é que sempre foi assim. Nenhuma obra feita pelos diversos níveis da administração pública custa o que realmente deveria custar. Por que, então, a revolta contra os estádios superfaturados? Talvez seja porque mais pessoas foram informadas sobre essas obras.

Estádio Nacional, Brasília, custou mais de 2 bilhões de reais

Estádio Nacional, Brasília, custou mais de 2 bilhões de reais

Uma coisa é a rodovia no interior de algum sertão ter custo incompatível, outra é o conjunto de obras da Copa. A repercussão de um é infinitamente menor do que da outra. Uma coisa é um hospital ou uma escola ter custo equivalente ao dobro do que se gastou, outra é o estádio, a tal arena. O hospital e a escola chamam a atenção de alguns poucos no bairro onde foram feitos, ou de toda a cidade, ou mesmo da população do Estado. A arena da Copa, não interessa onde ela foi erguida, tem holofote nacional. Essa é a diferença.

A incompetência administrativa

Outro ponto que pode ter desencadeado o processo das fogueiras contra a Copa é a incompetência. Nada ficou pronto a tempo. Aliás, a maioria das obras previstas fora dos estádios nem vai terminar antes do pontapé inicial da Copa. E ninguém sabe se um dia serão concluídas.

Será que as obras inacabadas vão terminar algum dia ou será esse um dos legados da Copa?

Será que as obras inacabadas vão terminar algum dia ou será esse um dos legados da Copa?

Na metade dos seis estádios, as empresas de telefonia móvel admitem que o sinal vai falhar. Em Cuiabá, são esperados 40 mil visitantes/torcedores. O governo do Estado já avisou que não terá cama pra todo mundo. O estádio da abertura da Copa, o Itaquerão, em São Paulo, será entregue, mas continuará em obras, e parte da arquibancada não terá cobertura, como estava previsto antes.

Metrôs, estações de transbordo de passageiros urbanos, aeroportos, portos para receber turistas marítimos, rodovias… Nada disso está pronto. Muitas obras sequer saíram do papel. E o que saiu é essa lástima improvisada.

Parênteses. Nas décadas de 60/70 e 80, quando era modinha ocidental implantar ditaduras militares, dizia-se que os ditadores podiam quase tudo, menos perder guerras. Troca-se o cenário. Coloque o governo perdendo a guerra administrativa e percebe-se o fósforo ser riscado.

Padrão Fifa

De repente, os brasileiros, ou ao menos uma porção deles, querem escolas melhores, hospitais melhores, mais segurança, transporte de primeira e tal. ¨Tudo padrão Fifa¨, dizem.

Padrão Fifa? Não. A Copa será padrão CBF

Padrão Fifa? Não. A Copa será padrão CBF

A realidade é outra, diante das obras improvisadas e superfaturadas ou nem sequer começadas. O Brasil avacalhou até o tal padrão Fifa de qualidade. Ao invés de uma Copa padrão Fifa, o Brasil talvez ofereça o que tem de melhor atualmente: o padrão CBF, símbolo da desorganização e amadorismo do futebol brasileiro, de denúncias de corrupção, de certeza de altíssima arrecadação diante de clubes falidos e de mordomias para seus dirigentes e para os amigos dos amigos – ops, sem referência ao grupo criminoso do Rio de Janeiro.

Torcer ou não torcer para o Brasil?

Muitos dizem que não vão torcer pela seleção como forma de protesto contra o tal padrão CBF que se tem hoje no Brasil da Copa e no Brasil sem Copa. Outros alegam que uma coisa não tem nada a ver com a outra, que é um absurdo torcer contra e etc e tal.

Adesivo de carro anos 70

Adesivo de carro anos 70

Discussão boba, que remete à lembrança um país que os brasileiros já superaram: o Brasil, ame-o ou deixe-o.

Não se torce a favor de um time de futebol por imposição e nem se torce contra o que deseja o coração. O resto é resquício de ¨masturbação ideológica¨ como uma vez inventou o então ministro Sérgio Motta – já falecido. cOpa comemoraçãoSe a seleção empolgar em campo, a esmagadora maioria vai se empolgar também. Se levar passeio e balaio dos adversários, babau.

É isso, vem aí a Copa mais improvisada dos últimos tempos, e a que mais exigiu vida de trabalhadores nas construções de estádios, com 8 mortos. Preparem-se todos. O mundo conhecerá o nosso padrãozinho CBF. Já imaginou como poderá ser essa Copa? Do balacobaco.

Água, sempre uma boa companhia para vinhos tintos

Se o vinho é gostoso, por que os bebedores costumam alternar as bicadas na taça e goles de água? Na verdade, água é ótima companhia para qualquer bebida alcóolica. Deveria constar na Constituição da República dos Prazeres: todas as taças devem estar sempre acompanhadas por uma copada de água.

Água? Claro, é ótimo contra a ressaca, mas não apenas por isso

Água? Claro, é ótimo contra a ressaca, mas não apenas por isso

Mas essa é uma lei quase que restrita aos bebedores de vinho, especialmente os tintos. Alguns, poucos, apreciadores de uísque também gostam da dupla. A água é um hidrante natural. O melhor de todos eles. E o álcool é um ladrãozinho da hidratação. As ressacas são sempre maiores quanto menor é a quantidade de água que se bebe na noite anterior. Então, se não quiser apelar para a aspirina no dia seguinte, abuse da água, e tente não abusar do álcool. Sim, eu sei que o sacrifício é difícil, mas tem que ser feito e virar hábito. Não é assim que se fazem os monges? Então…

Mas além dessa nobre função, hidratar, no caso dos tintos especialmente a água é um grande barato renovador dos sabores. Vinhos trazem taninos, acidez, aromas e sabores aos montes. Então, a água vai lavando a cada bicada na taça, zerando o paladar e preparando a boca para nova jornada, e nova dose de puro prazer – claro, se o vinho for bom. Se for ruim, nem a água salva.

E pra entender melhor como essa química vinho/água funciona, acrescente aí o tira-gosto ou o prato que geralmente entra nesse cenário, queijos, embutidos ou carnes. A cada taça bicada, somada ao ¨comes¨, o paladar vai se acostumando aos poucos, e perde-se uma das coisas mais gostosas desse ritual: o impacto do sabor. A água entra nesse processo exatamente para zerar tudo e preparar o caminho para impactar novamente os sentidos.

E não é só a boca que agradece o gole d´água, não. Vinhos oferecem prazeres insuperáveis no mundo das bebidas também pelo cheiro, ou aroma, como preferem os grandes bebedores. É diferente, por exemplo, das cervejas. Ninguém fica o tempo todo cheirando o copo transbordando espuma. Claro que não. No caso do vinho, antes do prazer na boca, o cheiro invade as narinas e preparam o terreno para o grande momento: a bicada no precioso líquido vermelho.

Um dos muitos tons de vermelho dessa magia líquida

Um dos muitos tons de vermelho dessa magia líquida

Os pães também são prática no planeta vinho. Tanto nas refeições como na famosa degustação ¨queijos e vinhos¨. Mas qual é o papel desse intrusos? Eles também são ótimos faxineiros dos paladares, e dão uma dose de carboidrato. Ao contrário da cerveja, também chamada de pão líquido, o vinho praticamente é desprovido de carbos.

Fechou: um vinho gostoso, uma taça de água e queijinho pra acompanhar

Fechou: um vinho gostoso, uma taça de água e queijinho pra acompanhar

Mas será que tem hora certa para bicar a água? Tem, sim. Um queijinho e tal, a bicada no vinho depois que o queijo se vai, outra bicada, se ainda restar algum resquício de sabor do queijo, e um tempinho para que o gosto do vinho faça completamente a sua tarefa. Vinhos tem o impacto inicial, e os mais elaborados perduram mais alguns bons segundos como se ainda estivessem de mãos dadas com as papilas gustativas. Nessa hora, e apenas nessa hora, é que a água se torna protagonista do momento. E aí, é só recomeçar zerado.

Última questão: água com gás ou sem gás? Alguns bebedores gostam de águas com gás. Eu prefiro sem gás, a mais neutra possível. A grande estrela é o vinho, e não a água.

Reminiscências de um velho repórter…

Tava conversando ontem com um velho amigo véio. Aliás, mais véio do que eu. Conversa vai, conversa se espalha, contei a ele sobre minha paixão por Montevideo, pelo modo de vida dos uruguaios. Um jeito de vida sem muita pressa nova-iorquina que contagiou quase o mundo todo, cultura em cada rua, paz de espírito em cada praça.

Confessei também que Montevideo seria a única cidade em que gostaria de morar se pudesse deixar Goiânia. Não posso. Certamente, no Brasil, nenhuma cidade me caberia. Mas Montevideo não tem as pessoas que conheço, meus amigos e amigas. Não tem a minha vida. Então, falei a ele, não tenho idade e nem a menor disposição de construir tudo novamente.

– Perto de mim você é ainda um garotão. Com 65 anos, eu estava me casando novamente.

– Ué, e nem por isso ficou mais moço. Casou véio. Só isso.

Claro que acabamos caindo na gargalhada.

Não me caso mais. Chega. Me casei duas vezes com as duas mulheres mais fantásticas que conheci na minha vida.

Com a primeira, vivi uma crise conjugal e, nesse período, ela sofreu um acidente e me tornei viúvo, aos 28 anos.

2 anos depois, me casei novamente. E me tornei pai. A única vez. Valeu por centenas.

Mas um dia chegou ao fim, e nos divorciamos. E concluí que não iria me casar novamente. Chega. Foi ótimo viver casado durante 18 anos, 4 com a primeira, 14 com a segunda.

Costumava brincar: 4 + 14 é igual a 18. Pronto, maioridade. Então, posso viajar sem autorização, entrar em filme proibido para menores de 18 e tals.

Lyceu Salesiano, Campinas-SP

Lyceu Salesiano, Campinas-SP

E o jornalismo? Caramba, esse é um casamento muito mais longo. Acho que nasci jornalista. Aos 12 anos, publiquei meu primeiro texto num jornal: o Ecos do Lyceu, do Lycey Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora, de Campinas, São Paulo. Aos 16, na minha Frutal, Minas Gerais, pelas mãos do saudoso e pioneiro jornalista frutalense Paulo Goulart, pisei definitivamente no chão da redação. De lá pra cá, só não vivi jornalismo durante pouco menos de 2 anos.

Em Goiânia, meu primeiro emprego foi na rádio Anhanguera, atual Daqui-AM, em fevereiro de 1981, após ser aprovado pelo Luiz Jayme num exame interno. Era redator. Duas colegas me ajudaram demais da conta: Ivone Cabral e Valbene Bezerra.

ivone cabral Valbene Bezerra

 

Não falava perto de microfone nem com reza. E o engraçado é que muitos amigos e amigas imaginam que comecei no rádio e migrei para jornal e TV. Pois é, não foi. Nasci no jornal, migrei para o rádio e depois fui também para a TV.

Amir Sabag, Bordoni e Luis Cesar, o Leleco em programa esportivo da Band local

Amir Sabag, Bordoni e Luis Cesar, o Leleco em programa esportivo da Band local

Televisão foi um teste de fogo alto: em pleno Goiânia Urgente, ao lado de feras consagradas como Luis Cesar Leleco, Luiz Carlos Bordoni, Rachel Azeredo, Libório Santos, Carlos de Souza, o homem da gravata branca… O diretor que me levou pra lá foi o Mazim, Lorimá Gualberto.

 

Luiz Carlos Bordoni

Luiz Carlos Bordoni

 

Rachel Azeredo

Rachel Azeredo

Época louca demais. Sucesso absoluto de audiência, que chegava a piques de participação no horário de até 70%.

Lorimá Gualberto, o Mazim

Lorimá Gualberto, o Mazim

Época louca demais e grana de menos. Hoje, a TV paga fortunas aos apresentadores. Nesse ponto, muitíssimo melhor hoje do que antes. Terminávamos o dia encharcando o esqueleto e a alma no boteco do Marcos das Neves, o Tucano, que ficava ao lado da sede da TV Goyá, na praça Tamandaré.

… … …

Peralá: este diário está íntimo demais, e saudosista mais ainda. Sabe duma coisa: isso cansa. Detesto essa coisa de véio ficar falando ¨no meu tempo…¨. Fica parecendo que o tempo agora não é dos véios. É, uai. É de todos nós: crianças, moços, moças, jovens que estão construindo a vida, véios que a estão vivendo. Tempo bom é agora. O antes é apenas tempo vivido.

Tá certo o tal velho amigo véio que se casou aos 65 anos.

… Opa, mas nem sempre faço o que é certo. Vou continuar descasado hehehe

Fortiori, sem mudança: Marconi lá na frente

Previsível, pesquisa Fortiori publicada hoje pelo jornal Diário da Manhã mostra que o cenário não mudou. Continua apresentando possibilidade de vitória do governador Marconi Perillo já no 1º turno, caso as eleições fossem agora.

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Marconi e Antônio Gomide surgiram com variação positiva – aumento dentro da margem de erro do instituto – de 1 ponto. Vanderlan Cardoso e Jr Friboi se mantiveram exatamente como estavam no mês passado.

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Nesse cenário, Marconi tem exatos 50% das intenções de votos válidos, o que indicaria a definição de vitória já no 1º turno nos décimos. Exatamente como era há um mês, com 50,6%.

A novidade desta nova rodada da pesquisa Fortiori é o levantamento que simula um possível 2º turno. Contra Vanderlan, Jr e Gomide, Marconi venceria com larga margem, se as eleições fossem agora.

Vai ter Copa, mas não reaja a assaltos

Flagrante em Fortaleza, Ceará, uma das cidades da Copa

Flagrante em Fortaleza, Ceará, uma das cidades da Copa

A gestão de segurança para Copa do Mundo de São Paulo está preparando uma cartilha que vai ser distribuída nos aeroportos europeus. Nela, há a recomendação: se você for assaltado, não reaja, não grite, nem discuta. Justificativa para a tal cartilha: os estrangeiros não estão acostumados com esse tipo de crime. Lá fora, também há assaltos, mas muito raramente o bandido puxa o gatilho. Eles sabem que se forem pegos por roubo, vão pegar penas leves, mas se matarem… a coisa complica demais. Por aqui, bem, por aqui se mata por qualquer coisa, até em assaltos.

Não ao voto obrigatório

Pesquisa Datafolha garante que 61% dos brasileiros é contra a obrigatoriedade do voto, como consta na Constituição. Quanto maior a escolaridade, maior o índice que rejeita ser obrigado a votar.

Em vermelho, países de voto obrigatório

Em vermelho, países de voto obrigatório

Não é sem motivos que o número de eleitores que prefere pagar a multa irrisória por não votar, e aqueles que votam em branco ou anulam o voto é cada vez maior.

A pesquisa não diz que os brasileiros não querem votar. Mostra apenas e claramente que não concordam com a votação obrigatória.

Vai ter Copa, mas parece que não vai ter celular

celuklar sem sinal

As telefônicas avisam: o serviço móvel de telefonia, o tal do celular e os smartphone, vai dar xabú nos estádios da Copa. Culpa de quem? Nem precisa responder, né?

No ano passado, as telefônicas avisaram que levariam 150 dias para deixar tudo nos trinques. Mas somente a 90 dias do jogo de abertura da Copa é que a coisa andou. Nem na capital do Brasil os celulares vão funcionar normalmente…

Vai ter Copa, mas em Cuiabá não vai ter cama

O governador do Estado do Mato Grosso admitiu que a capital do Estado, Cuiabá, uma das 12 sedes da Copa do Mundo, não tem hotéis suficientes para acomodar 40 mil torcedores/turistas que ele calcula receber.

Acomodações padrão Fifa em Cuiabá?

Acomodações padrão Fifa em Cuiabá?

O governo mato-grossense já criou um programa para incentivar os cuiabanos a alugar uma cama em suas casas. 2.200 moradores se inscreveram. Mesmo assim, vai faltar abrigo.

Resultado: ele agora diz que vai preparar colégios para receber os turistas/torcedores. Show.

FHC tentou trazer a Copa para o Brasil

Sempre espetacular, Roberto Dávila entrevistou FHC esta semana (Globo News). Durante a entrevista, que abordou ótimos temas e revelou algumas passagens entre PSDB e PT, FHC deixou claro que não é contrário à realização da Copa do Mundo no Brasil, e completou: ¨Eu tentei fazer a Copa no Brasil. Em 1998, levei o Pelé na Suíça¨ para ajudar. Não deu certo, arrematou.

FHC também tentou trazer a Copa para o Brasil

FHC também tentou trazer a Copa para o Brasil

Sobre a Copa hoje, FHC diz apenas que o momento – este, agora – é que não é bom. Há 7 anos, o momento realmente era outro.

Quem muito desmente… Só pra constar

Na coluna Fio Direto, hoje, 2ª, 12, assinada pelo jornalista Helton Lenine, no Diário da Manhã, diz textualmente que ¨após uma rodada de conversações com o presidente (nacional) do PT, Rui Falcão,…¨. Vale refletir.

coelho

A informação além dessa aí é que o ex-prefeito Antônio Gomide, de Anápolis, continua firme na disputa do governo do Estado.

Ora, se essa já era a posição anteriormente, por que reafirmá-la? Coelho nesse mato?

O recado de Roger, do Ultraje, é sério

Regina Duarte

Regina Duarte

No meio de uma apresentação, Roger, líder do Ultraje a rigor, leu um desabafo via Twitter, citando ataques de fakes, que ele disse serem pagos pelo ¨partido que se considera dono¨ do Brasil.

Regina Duarte disse que sentia medo. Era, talvez, medo dela. Não é mais.

Os meios não justificam os fins. Não mesmo.

Eleições: a estiagem de maio e junho

Conexões: Jornal Opção

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A mais recente pesquisa da corrida presidencial, en­cerrada na quinta-feira, 9, pelo Datafolha, é qua­se uma cópia da anterior, realizada no mês de abril. Todos os porcentuais se moveram dentro da chamada margem de erro, o que não pode ser considerado como queda ou subida, mas variação positiva ou negativa. É natural essa parada geral. Historicamente, as corridas sucessórias pegam fogo no final do ano anterior, quando são definidos os quadros partidários, repercutem nos três ou quatro primeiros meses do ano da eleição, e atravessam por essa calmaria até a chegada das convenções partidárias, no final de junho.

Se o quadro nacional é esse, nos Estados deve estar acontecendo a mesma coisa, salvo exceções muito localizadas. De qualquer forma, essa paralisação, com registros apenas de variações positivas ou negativas, não significa que as pesquisas nesses dois meses não são importantes. São, sim, e não somente pelo acompanhamento. Variações sistemáticas e mensais para menos ou para mais indicam a formação e consolidação de tendências. Ou seja, candidatos que agregam um ou dois pontinhos a cada levantamento vivem tendência de alta. O oposto, evidentemente, é tendência de queda.

Fora do marketing das campanhas, mas no núcleo pensante delas, essas tendências significam apenas que se deve ter atenção máxima, e reestudo sobre a situação geral da candidatura. Na voz estridente dos marketing, as variações são quedas ou crescimentos, comemorados por quem sobe e silenciados por quem desce. O eleitor não deve levar isso em conta. O trabalho do marketing é esse mesmo.

O que se deve fazer, então, quando o candidato entra numa tendência de queda? Descobrir a causa do problema. Pode ser um esgotamento da sensação de proposta inicial por parte dos eleitores ou falta de geração de fatos que chamem a atenção das mídias. Em ambos os casos, é necessário mudar alguma coisa internamente para que a tendência não se torne queda real.

É o que está acontecendo neste momento com a presidente Dilma Roussef (PT). Ela caiu muito no início do ano, e entrou agora em tendência de queda com variações negativas mês a mês. Ou seja, parou de cair, mas continua vivendo uma fase negativa. Ela precisa reagir agora, ou poderá enfrentar um seriíssimo problema depois: a cristalização da imagem negativa. Não seria, ainda assim, o fim do mundo para a candidatura dela, mas é claro que quebrar uma cristalização de imagem é muito complicado. É possível, mas da um trabalhão danado.

O outro lado dessa mesma moeda é a variação positiva com tendência de crescimento. Num cenário estático, esse é o melhor dos mundos. A voz estridente do marketing nesses casos, costuma salientar que é um crescimento pequeno, mas absolutamente consolidado e seguro. É e não é. Se o núcleo pensante da campanha fizer essa leitura, será enorme a possibilidade de o gás acabar de uma hora para outra.

Esse é o mundo ideal para dar sustentação à militância. As campanhas bem organizadas e profissionais costumam usar fases assim para renovar o ânimo das bases, que é a sustentação da candidatura no período de pré-convenção e também depois dele, caso o partido não tenha problemas internos. As tendências de crescimento, quando devidamente trabalhadas tanto pelo marketing como, e principalmente, junto às bases, seria uma forma de estopim pronto a ser aceso a qualquer mo­mento mais à frente, quando as coisas realmente entram em e­bulição total e contagiam as ruas.
Por enquanto, e isso pode ser facilmente notado no dia a dia, um dos assuntos menos discutidos pela população são as candidaturas. Não será assim o tempo todo. O clima de eleição vai chegar e, quando chegar, quem estiver com estopim preparado pode assegurar uma boa vantagem inicial no momento vital da campanha.

E as candidaturas que estão estacionadas? Bem, essas devem estar enfrentando problemas graves na estrutura das bases. Se nem cresce nem cai, mesmo dentro das variações, não há qualquer tendência. Pode ter uma série de causas, e cabe aos comandados centrais e pensantes descobrir o que é que tem causado a paralisia. Na pior das hipóteses, a paralisação indica que essas candidaturas bebem água somente no mesmo pote, e não conseguem acrescentar novas fontes. Na hipótese melhor, mas não menos problemática, pode revelar que falta visibilidade, especialmente quando somam pequenos porcentuais de intenção de votos. Se o estacionamento está situado nos andares superiores, nem tudo está ruim, principalmente porque nestes meses de maio e junho costuma ser assim mesmo.

Champagnes e espumantes, os vinhos com cara de festa

Champagne festaMuita gente não entende muito bem, e com razão, a diferença entre um champagne e um espumante. Na taça, não há diferença alguma: são vinhos que, durante o processo natural de fermentação e envelhecimento tiveram as doses de dióxido de carbono aprisionadas na garrafa por rolhas ultra apertadas e, quando colocados na taça, liberam bolhinhas de ar (perlage).

champagne taças

A diferença de nomes existe porque essa bebida foi criada por um monge beneditino cego, Pierre Pérignon,  que morava numa Abadia localizada na região da França chamada Champagne, que fica nas cercanias da região de Paris. champagne-mapaEntão, somente os vinhos espumantes feitos nessa região podem ser chamados de champagne. Fora dali, mesmo sendo franceses, recebem o selo de espumantes.

Festas

Champagne_Estourando

O consumo de espumantes no Brasil nunca foi grande. Aliás, como também acontecia com todos os demais vinhos. Durante dezenas de anos, os brasileiros beberam porcarias engarrafadas apelidadas de vinhos. Até espumantes, como as tais Sidras, que não são feitos de uva, mas de maças.

Com a maior popularidade dos vinhos, alguns fabricantes do sul do país começaram a produzir vinhos de melhor qualidade, e os espumantes também cresceram.

O consumo de espumantes ainda é maior nas festa de fim de ano, especialmente no réveillon, mas esse é um tipo de vinho bom pro ano todo. E é realmente festivo. E como os espumantes devem ser servidos bem mais frios que os vinhos tintos, são ótimos para as tardes e noites calorentas do Brasilzão tropical.

Preços

Champagnes e espumantes são vinhos caros? Sim, e não. Exatamente como acontece com os seus colegas sem bolhas. Há garrafas que custam o olho, a cara e o bolso e aqueles que são suportáveis e até os mais em conta. É claro que há alguma correspondência entre valores e qualidade. Alguma correspondência, mas não total. Ou seja, aquela garrafa de alguns milhares de reais não é necessariamente mais gostosa do que a outra, vendida por preços civilizados.

E também como os vinhos sem bolhas, os espumantes também são amadurecidos/envelhecidos. Alguns, muito especiais, são comercializados após 10 anos de crescimento. A maioria, porém, tem vida mais curta.

Quanto gastar?

Há espumantes para todos os gostos e bolsos. Um fabricantes francês colocou no mercado a garrafa de champagne mais cara da história, Taste of Diamonds: cerca de R$ 3 milhões e 800 mil reais. A garrafa tem design exclusivo, com rótulo de ouro e um diamante encrustado. O comprador ganha junto uma placa de ouro com o seu nome. Mas quem é que vai abrir um troço desses?

champagne Taste of diamonds

Existem safras especiais e antigas da Don Pérignon que custam uma fábula, e podem ser encontradas no Brasil. Sei lá se alguém consegue festejar abrindo um vinho espumante histórico que custou 8 ou 10 mil reais.

O que há para beber e quanto pagar?

Chamapanhe Moet e veuve

No Brasil, são dois champagnes os espumantes top mais caros e conhecidos: Moet & Chandon e Veuve Cliquot. São equivalentes em preço e qualidade. Encontrados até em supermercados, estão na faixa máxima de 250 reais, mas podem ser comprados por menos de 200 reais nas lojas especializadas, inclusive pela internet.

Champagne Don PérignonBem mais caro que essa dupla e mais raro, Don Pérignon também é encontrado no Brasil – aqui mesmo em Goiânia – e sai por 700, 850 reais, por aí. É possível encontrar até algumas pechinchas. A última que eu vi foi de 590 pilas. Normalmente, Don Pérignon é vendido em caixinhas individuais.

Champagne KrugO Krug é o champagne, digamos, normal, mas caro do planeta. Uma garrafa especial de 1995 foi lançada no mercado por 750 dólares. No Brasil, Krug pode ser comprada por cerca de 900 reais.

Se você não estiver disposto a torrar toda essa grana pra beber um vinho espumante legal, abandone os importados e cai de boca nas taças brasileiras. Ao contrário dos nossos vinhos normais, que começam a ganhar qualidade, os espumantes já são considerados show de bola. Aqui e lá fora.

Champagne ChandonO que eu mais bebo é o Chandon. Nos supermercados, é possível encontrar na faixa de 65 reais, mas em algumas promoções o preço baixa para menos de 50 pratas. Vale.

Casa Valduga, Salton, Ponto Nero, Peterlongo e vários outros fabricantes brasucas têm bons espumantes, mas cuidado com aquelas garrafas baratinhas, por menos de 20 reais. Mesmo ostentando essas marcas no rótulo, não ouse parar em frente essas garrafas e jamais gaste qualquer real nesses espumantes. São porcarias adocicadas. Vá nas garrafas com alguma denominação diferente, tipo Reserv, Privilege, Miléssime e por aí. Custam bem mais que as outras, o que deixa claro suas intenções, mas nada que espante o bebedor: entre 30 e poucos e 70 reais.

Pra terminar, duas observações: os champagnes e espumantes mais vendidos são tipo Demi-Sec e Brut. Os Demi são mais adocicados, mas em ambos há açúcar. Somente os champagnes tipo Extra-Brut ou Nature não ganham nadica de açúcar no processo de fermentação. Mas são raros.

Abra os Demi para acompanhar a sobremesa. Os Brut vão bem com frutos do mar e outros pratos legais, como sashimi e sushi.

 

champagne é festaEntão, boas festas pra você, mas não vá esperar dezembro pra comemorar. Pode ser agora, no final de semana. Por que não?

Diário íntimo de um velho repórter

Há alguns anos, no Jornal Opção, assinei uma coluna de página dupla que trazia uma subcoluna, criada pelo jornalista Herbert de Morais Ribeiro, intitulada ¨Diário Íntimo de um repórter¨. A intenção dele era que eu contasse fatos inerentes e curiosos a respeito da intimidade da reportagens. Desandou a coisa. Passei a falar de pescarias, churrascos, passeios e tal e coisa.

E não é que deu certo!? A coluninha no pé da página passou a ter tantos eleitores quanto a coluna-mãe que a pariu.

Bem, os tempos se foram, abandonamos o projeto da colunona dupla e optamos por uma coluna de análise política dedicada, essa que está ainda hoje como uma das principais do Jornal Opção, a Conexão. E aí, é claro que o ¨diário íntimo¨ perdeu espaço. Por incompatibilidade.

Mas é algo que sempre gostei de fazer: escrever sobre o cotidiano. O meu cotidiano. Alegrias, angústias, incômodos, preguiça, trabalhos, falta de dinheiro – desde aquela época e sempre, saco – e algumas conquistas. Então, ao conversar com as pessoas que tem ligação com o site, resolvi que era hora de voltar com o ¨diário íntimo de um repórter¨. Não como era, mas como agora eu sou. Tive que acrescentar o ¨velho¨ antes do repórter.

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu...

Achei apropriada esta charge de Clara Lúcia, publicada no Blog do Giu…

Então, e a partir de agora, além das Conexões sobre fatos políticos relevantes de Goiás e do Brasil, as matérias específicas sobre as eleições deste ano, o blog de generalidades e a Vida Boa, que destaca o mundo dos vinhos, você terá essas pequenas inconfidências minhas. Sem compromisso algum com pautas. Vamos lá?

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Pensei inicialmente em abrir a página com o velho chavão: Querido diário. Mas não da. Ficaria sonoramente adolescente demais da conta. Imagine só, um velho repórter abrindo um texto com o ¨querido diário¨… Além de não ser adolescente há muitos e muitos anos, acho que ficaria meio bichoso, né? Hahaha bicha velha. Curuiz.

Vai ficar sem bordão mesmo.

Tracoisa que de certa forma me incomodou: o que é um blog se não um diário? Especialmente, como é o caso, de um blog pessoal, como o que está aí no site, Blog do Afonso. Mas não é a mesma coisa. O Diário íntimo de um velho repórter são coisas minhas, e não sobre o que eu penso de outras coisas.

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Acho engraçado quando me dizem que não estou velho. Tô véio, sim, uai. Já foram 3 estaladas na idade: trintááá, quarentaáá, cinquentááá. Ainda vou dar algumas tragadas, mas sem essa de que não estou perto do guimba.

Também dou risada quando falam que a velhice é a tal melhor idade. É nada. Conversa fiada. Véio é véio, e é um saco ser véio. O problema é que a alternativa não agrada de jeito nenhum: morrer novo. Morrer novo é pior do que viver véio. É isso.

Ontem, entrei num elevador com uma família, pai, mãe e um garotinho que ainda não fala de tão novinho que é. E uma velhinha linda, sorridente com sua prótese bem feita. Ela também não fala mais. O pai apertou o botão do último andar. A velhinha olhou pra ele e apontou pro alto. ¨É, vamos lá pro céu, lá pra cima¨, disse o pai. A velhinha caiu na gargalhada. A criança, sem saber o que estava acontecendo, sorriu também. Fiquei pensando sobre as semelhanças entre a criança que não sabe ainda nem falar e a velhice que faz a gente se calar…

Quer saber se alguém é véio? Não precisa perguntar a idade. É só observar o papo. Se falar que está ¨sadiínho¨, que tem uma ¨saúde de ferro¨, que ainda ¨aguenta o rojão¨ e tal e coisa, pode ter certeza: é véio. A molecada não fala isso. Nem sabe o que é, na prática.

Friboi precisa de exército, e não mais de mercenários

Conexões: Jornal Opção

A frase acusatória de Iris Rezende em sua carta-renúncia reforça a imagem de que Júnior Friboi construiu maioria no PMDB com o bolso farto. Só isso basta na eleição?

Júnior Friboi disse  que não terá problema financeiro em sua campanha: isso garante sua eleição? / Fotos: Fernando Leite - Jornal Opção

Júnior Friboi disse
que não terá problema financeiro em sua campanha: isso garante sua eleição? / Fotos: Fernando Leite – Jornal Opção

Júnior Friboi triturou Iris Rezende no afunilamento interno do PMDB rumo à sucessão estadual como jamais alguém havia conseguido fazer. No final, sem possibilidade de reagir ao vendaval do neopolítico e neopeemedebista Friboi, Iris escreveu uma carta ao diretório do partido anunciando que desistia da sua pré-candidatura ao governo. Nela, porém, Iris escreveu uma frase acusatória duríssima, de que o PMDB foi atirado num mercado de especulações pouco republicanas. Em outras palavras, dinheiro.

A acusação de Iris não parece ser dor de cotovelo por ter sido atropelado e apeado de sua liderança até então inquestionável no PMDB. Antes, quando ainda se dizia não candidato, Iris contou que Friboi andava por aí esbanjando disposição financeira. A deputada federal dona Iris, esposa dele, cansou-se de repetir nas redes sociais a acusação de que o processo dentro do partido havia se transformado em terreno minado pelo dinheiro de Friboi.

Essas declarações, longe de representar ou não a exata dimensão da realidade, reforça a imagem que se tem de que Júnior Friboi até agora ofereceu politicamente apenas promessas daquilo que o dinheiro pode comprar. Aliás, o próprio reforçou essa impressão dizendo sempre que não precisa do apoio financeiro de ninguém para custear a sua campanha ao governo. Ao contrário, disse ele várias vezes, pretende abrir os bolsos para bancar os gastos dos candidatos a deputado federal e deputado estadual do PMDB e também dos partidos que o apoiarem.

Iris Rezende: alfinetadas duras ao desistir/ Deputada Iris: destilando mágoa com o adversário

Iris Rezende: alfinetadas duras ao desistir/ Deputada Iris: destilando mágoa com o adversário

Friboi vai cumprir o que anda prometendo? Não há nada no passado dele que indique que não. Ao contrário, desde que era presidente da JBS, a controladora das empresas Friboi, ele sempre foi um grande financiador de campanhas. Não apenas aqui, mas também em outros Estados e em nível nacional. Se abriu as burras no passado, quando não era candidato, provavelmente não deixará de pagar as suas atuais promessas.

É óbvio que dinheiro fácil em campanha tem um poder de atração quase irresistível para qualquer candidato. Os gastos nas eleições brasileiras são realmente impressionantes, maiores até do que nos Estados Unidos. Os gastos dos candidatos europeus, então, são fichinha. É provável que a soma dos gastos de todos os candidatos, em todos os partidos, em um Estado como Goiás seja maior do que as despesas de campanha de candidatos à presidência/primeiro-ministro de quase todos os países europeus individualmente. Então, as palavras de Friboi de que está disposto a bancar despesas de quem for candidato do lado dele gera um poder de atração colossal, como denunciou Iris Rezende.

Mas a partir de agora o jogo será outro. Não dá pra sair por aí atrás de eleitores usando a mesma tática empregada na conquista de candidatos e de apoios partidários. Até o poder do dinheiro tem limites numa eleição majoritária, e é nesse vasto campo da confiança popular que Júnior Friboi terá que adentrar a partir de agora.

Até aqui, levando-se em conta a disputa interna, e o que transbordou para outros partidos que anunciaram apoio ao empresário e não ao PMDB, Friboi não conseguiu montar um exército disposto a “matar ou morrer” por ele. Quando muito, suas fileiras estão majoritariamente ocupadas por mercenários, que amam o bolso de Friboi e não a ele propriamente dito. Com forças estruturadas dessa forma, financeiramente, não há qualquer registro de alguém que tenha vencido eleições para o governo do Estado na era moderna, apesar das fragilidades inegáveis das regras eleitorais brasileiras. O dinheiro é fundamental nas eleições. Por falta dele, há inúmeros casos de bons candidatos que não tiveram fôlego suficiente para chegar bem ao final das campanhas, e terminaram derrotados. Mas nem todo o dinheiro do mundo é suficiente por si só para garantir uma vitória.

Nenhuma campanha eleitoral consegue se estruturar sem mão de obra remunerada. É óbvio que não. Se fosse assim, tão puro, as campanhas não seriam caras como são. Portanto, e até certo ponto, não há nada errado com a campanha de Friboi. Pelo menos, em tese. O que acontece é que ele conta somente com esse tipo de apoio, e não de um grupamento coeso cujo centro seja ele, e não o bolso dele. E são os grupos que realmente fazem campanha ao longo do tempo, “matando e morrendo” pela causa. Os mercenários podem até “matar”, mas nunca aceitam o risco de afundar junto com o capitão apenas por amor à bandeira do barco. A paixão política comprada é exatamente isso, como jornada sexual na prostituição, sem amor.

A candidatura de Júnior Friboi, portanto, tem pela frente a árdua tarefa de erguer um exército que vá além daqueles que foram eventualmente atraídos pela promessa da fartura financeira, conforme acusou Iris Rezende e admitiu o próprio Friboi com suas promessas. Para isso, terá que fazer em um ou dois meses o que os políticos históricos levam anos para conquistar. Até aqui, o jogo político pode ser resolvido à maneira Friboi, mas daqui em diante, não. Esse é o maior desafio dele a partir de agora. Um baita desafio. Mas quem disse é fácil vencer uma eleição para governador? Se alguém disse, mentiu.

Vinhos: ter ou não ter uma adega?

Quem curte um vinhozinho de vez em quando às vezes pensa em comprar uma adega. ¨Pode ser pequenininha¨, completa em pensamento. Mas será que realmente é bom ter a tal adega climatizada? É. Sempre.

Em linhas gerais, os especialistas no mundo de baco garantem que um consumo de 12 garrafas ao mês faz da adega uma peça tão importante quanto o próprio vinho. Eu, que sou apenas um bebedor rotineiro, discordo em parte. Baixo esse limite para 3 ou 4 garrafas ao mês – uma por semana, às vezes duas. Explico.

 

compacta, com 8 vagas

compacta, com 8 vagas

Comprar o vinho pela manhã ou no final da tarde e abrir a garrafa na mesma noite vale a metade. Mesmo para os vinhos que devem ser bebidos jovens. Se essa mesma garrafa descansar alguns dias na adega, vai oferecer muito mais sabor na taça.

E não se deve pensar nas grandes adegas, geralmente nos porões das mansões de grandes capitalistas apreciadores com centenas de rótulos caríssimos e de grande guarda. Como estamos falando de simples mortais de bom gosto e bebedores de grana idem, imagino adegas compactas, dessas que se parecem com frigobar. Comportam de 6 até 30 e poucas garrafas. O tamanho ideal é o tal consumo mensal. Se 3 ou 4, a adega de 8 cumpre bem sua função. Se mais de 10, 20 e poucas vagas nas prateleiras.

Essa é para pouquíssimos...

Essa é para pouquíssimos…

Bem, mas além do charme de ter uma adega – sim, o mundo do vinho tem seu charme. Qual outra bebida tem tantos tons maravilhosos de vermelho e exige taça para ser curtida em seu esplendor? -, há a questão do descanso essencial das garrafas por alguns dias. O que mais prejudica o vinho, e quando não o mata, aleija o sabor e seus cheiros, é a luz do sol. Vinhos não gostam de sol, e o sol não gosta dos vinhos. As uvas gostam de sol, os vinhos, não.

Outro aspecto ruim para a qualidade do vinho na taça é a dança da temperatura ambiente. Eles detestam o sobe e desce dos termômetros. Gostam de viver engarrafados numa temperatura só, com pouquíssima variação. Amam um friozinho e detestam o friozão. Se escondem na taça quando estão gelados demais – tintos entre 15 e 17 graus, rosés na faixa de 10 e os brancos um pouco menos. Mas não há unanimidade quanto à temperatura ideal de cada vinho. O que todos concordam é que os vinhos brancos e rosés devem ser servidos mais frios e os tintos bem menos.

Muitos bebedores dizem que gostam de tintos encorpados e de grande guarda na temperatura ambiente. Tudo bem, desde que o tal ambiente seja pelo menos o outono da Europa ou as serras do sul do Brasil. Com 20 e tantos graus, como no centro do Brasil, o tal ambiente não vale como padrão de temperatura para o vinho.

E a geladeira, na resolve o problema da temperatura? De jeito nenhum. Primeiro que ela não foi projetada para não vibrar. Vinhos são sistemáticos. Gostam de ambientes climatizados, calmos e escuros. Uso a geladeira apenas quando algum vinho precisa passar pelo decanter. Nesse caso, tiro da adega, dou mais 10 minutos no fundo da geladeira para a temperatura baixar um pouco mais, e só então passo o danado para o decanter – jarras especiais para vinhos. Uso também com espumantes e champagnes, que devem chegar às taças mais geladinhos.

Não se corre o risco de comprar uma adega e depois ela ficar pequena demais? Sempre existe esse risco, e não importa o tamanho da adega. Conheço alguns amigos que mantinham adegas de 60 garrafas. Já estão na segunda, com mais 120. Ou seja, acumulam mais ou menos 150 garrafas de vinho em casa. Parece coisa de bebedor ou de colecionador?

Com 120 vagas, comporta alguns vinhos especiais

Com 120 vagas, comporta alguns vinhos especiais

No mundo dos bebedores do cotidiano, uma adega bacana é de 23 garrafas. Tenho uma dessas. Mas nem cabe isso tudo, não. Com 22 já fica supitando. Principalmente quando tem garrafas bojudas, de Pinot Noir ou portugueses. Vale a ressalva: não tenho vinhos de grande guarda. Neste momento, por exemplo, os mais velhos da adega são 2 portugas de 2008 e um chileno bordolês de 2009. O restante é safra 2010 para frente. É o que cabe no meu bolso, e mesmo assim não é mole, não. Os vinhos no Brasil – se fossem só eles… – são caríssimos.

Bem, mas vamos lá, para as adegas. Se fosse gosta de beber apenas 3 ou 4 garrafas por mês, mas curte vinhos caros, manter as garrafas em temperatura ambiente é jogar dinheiro fora. Deixar na geladeira melhora um pouquinho, mas ainda assim perde-se qualidade na taça. Se comprar e beber no mesmo dia, então, babau montanha de reais.

Uma pequena adega resolve o problema. Esses modelos geralmente não tem compressor e trabalham com sistema termoelétrica. Essas devem ser colocadas nos lugares mais frios da casa. As outras, com compressor, podem ficar na sala, expostas – mas não ao sol, nem pela manhã.

As adegas custam caro. Sem dúvida, mas variam de acordo com a capacidade. As menores custam mais ou menos como os frigobares, um pouco mais. Vale o sacrifício, sem dúvida.