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Conexão especial: Máquina administrativa depende de cenário econômico de crescimento constante. O que fazer em quadro de paralisia?

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Desde o início desta década o país vem tirando o pé do acelerador econômico. No 1º mandato da ex-presidente Dilma Roussef, tentou-se de tudo um pouco para promover a recuperação, mas não deu em nada. Veio PAC 2 e seus inúmeros filhotes, como PAC da mobilidade e outros. Nada de resultados realmente consistentes. Optou-se pela desoneração de setores específicos da economia, como a redução de impostos da chamada linha branca – geladeiras, fogões e tais – e… coisa alguma também. Com a ameaça de desemprego constante, desonerou-se a folha de pagamento das empresas. E necas e patibiribas.

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O resultado dessas políticas, que somente adiaram levemente os problemas de fundo e, pior do que isso, agravaram o saldo negativo do “cheque especial” dos governos, culminou com a mais dramática recessão econômica da história do país, em 2015 e 2016. Culpa de Dilma Roussef? Sim, dela também – ou das políticas adotadas no governo dirigido por ela -, mas não só. Uma série de outros fatores pesaram, desde a euforia em certo grau financeiramente irresponsável no 2º mandato do governo Lula – que pulou marolinha usando o tal “cheque especial” – em um momento mundial em que as commodities estavam com preços em queda por conta da recessão planetária.

Se houve sacrifícios enormes nas empresas, o mesmo ocorreu nos governos, em todos os níveis. O que ocorre aqui é o abismo que separa o poder público da iniciativa privada. O empresário vai se adaptando instantaneamente às condições econômicas. Se há crescimento, ele planeja, investe, contrata e expande o negócio. Na recessão, ele pisa no freio, adia investimentos e desemprega. Ou faz assim ou fecha as portas de vez.

Já a máquina administrativa pública está amarrada permanentemente em um modelo que se desconecta da realidade econômica. E o que é pior: esse modelo só sobrevive com crescimento econômico. O quadro recessivo – seja por decisões erradas, seja por conjuntura mundial, seja por mero e vexatório desperdício de dinheiro em obras insustentáveis economicamente e inviáveis – joga a administração pública brasileira, em todos os níveis, cidades, Estados e União, em um buraco que oferece somente uma pequeníssima válvula de escape: cortar na ponta final.

É o que se tem visto ao longo dos últimos anos, com a população recebendo serviços cada vez piores. Estradas sem conservação alguma, hospitais públicos sem remédios e profissionais, escolas sem professores, ruas sem policiamento. A lista de serviços piorados é enorme e de amplo conhecimento de todos.

Goiás não é uma ilha. Goiânia também não. O governador Ronaldo Caiado entende que a única solução de momento é a adesão do Estado ao RRF, o duríssimo programa de ajuste de reequilíbrio das contas públicas. Caso contrário, previu ele em entrevista coletiva, vai faltar dinheiro até para pagar salários dos servidores. O prefeito Iris Rezende passou 2 anos inteiros praticamente flertando com o caos,  vide – e para citar somente dois exemplos – as crises esporádicas no serviço de recolhimento de lixo e na conservação de ruas. Ele diz que agora a situação é completamente diferente. Que tem uma montanha de dinheiro para usar em grandes obras. Nessa conta ele incluí empréstimos novos. Caiado nem isso pode fazer.

Tudo somado, soluções mágicas não passam de medidas momentâneas. A única forma de tirar o país, os Estados e as cidades do enorme buraco de demandas não atendidas é assegurar crescimento econômico mais rapidamente. Essa bola está com Brasília.