ministro da educação

Conexão: Estados quebrados, União sem dinheiro para despesas do dia a dia. Os impasses diante da prepotência

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O governo de Jair Bolsonaro levou um 7a0 na Câmara dos Deputados. Por 307 votos a 82, o ministro da Educação passou de convidado para convocado para explicar os cortes de despesas nas universidades federais. Haja chocolate para ele levar na mochila…

Esse caso exemplifica magistralmente o que está acontecendo em Brasília – aliás, não só em Brasília, como se verá algumas linhas abaixo. O governo precisa entender de uma vez por todas que a administração pública é sustentada pela política. O Executivo não tem poder absoluto – felizmente, diga-se.

ministro da educação

Ao anunciar o corte nas despesas das universidades, o destrambelhado ministro da educação, que veio para substituir outro destrambelhado, de maneira genérica e de forma prepotente, explicou que estava cortando as verbas – sim, ele usou inicialmente esse termo, corte, e não contingenciamento orçamentário, como se corrigiu depois – por causa da balbúrdia existentes nas universidades de Brasília, do Rio e da Bahia. É mentira dele. Não que não existam problemas nessas e em outras universidades federais brasileiras. Existem, sim. A mentira é de que o corte/contigenciamento esteja em curso por balbúrdia. É falta de dinheiro mesmo. Acabou. A fonte secou.

Mas de que forma o ministro poderia chegar ao mesmo resultado sem gerar tanto barulho como está se vendo? Conversando. Simples assim. Ele deveria, antes de ir à imprensa, falar com os reitores das universidades. Mostrar a eles que não tem dinheiro para todas as despesas previstas. Pedir ajuda para que os cortes, que precisam realmente serem feitos, doam o menos possível.

Essa prepotência toda como forma de governo tem seus praticantes também nos Estados. Não em todos, mas em alguns. Especialmente naqueles em que a grana está tão miseravelmente curta que não da para cobrir despesas basilares do dia a dia. É o caso de Goiás.

Diante do problemão com a folha de pagamento de dezembro, o governo anunciou que iria quitar o mês de janeiro e mandar o compromisso de dezembro para as calendas. É uma solução? É, mas não deveria ser anunciada dessa forma. Por que não chamou os representantes dos servidores para conversar, para debater uma saída para o impasse, por que não pediu sugestões para resolver o problema da herança maldita? Anunciar primeiro para conversar depois é sempre um problema imenso, e de solução sempre muito complicada.

O mesmo se viu com os cortes nos incentivos fiscais. Primeiro anunciou, depois, diante do estrago, teve que conversar com os empresários – que até toparam recolher este ano cerca de 1 bilhão de reais. De qualquer forma, no rastro desse estrago na relação poder empresarial/governo, houve muito barulho dando conta de empresas que estariam preparando as malas para aportar em terras mais acolhedoras e menos hostis. Chegou-se a especular que um dos ícones da industrialização de Goiás, o grupo Caoa, iria suspender as atividades das montadoras Chery e Hyundai em Anápolis e transferir as atividades para São Paulo.

O governador Ronaldo Caiado então resolveu fazer uma coisa que dele muito se espera: política. Pegou o avião no aeroporto Santa Genoveva e foi a São Paulo. Passou algumas horas batendo papo com o dono da Caoa, Carlos Alberto Oliveira Andrade. No dia seguinte, em Brasília, o próprio Caoa, como também é chamado, desmentiu os boatos sobre a suspensão das atividades da fábrica de Anápolis “apesar do aumento dos impostos” – com a diminuição dos incentivos fiscais.

Esse caso é um ótimo exemplo de como as coisas podem ser muito mais facilmente resolvidas com diálogo. Que sirva como lição para tudo o que vier pela frente. Até para seguir à risca o velho ditado: é conversando que a gente se entende.