Lúcia Vânia leva qualidade à equipe do governo Ronaldo Caiado

Conexão: Ao comemorar um ano de sua espetacular vitória nas urnas, governo Caiado se vê “travado”

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O tempo passa rápido, ao contrário do que se imagina na adolescência. E passa ainda mais apressado quando se fala de governos. A máquina pública brasileira é, como regra, extremamente lenta. Quando  não para de vez nas múltiplas gavetas de burocracia insana – e que se realimenta diariamente até como forma de se perpetuar.

Lúcia Vânia leva qualidade à equipe do governo Ronaldo Caiado

Lúcia Vânia leva qualidade à equipe do governo Ronaldo Caiado

Agora mesmo, a presidente da CCJ da Câmara Municipal de Goiânia, vereadora Sabrina Garcez, ouvida pela coluna Giro, a mais importante e lida do mercado editorial do Estado, e assinada pelo jornalista Caio Henrique Salgado, em O Popular, disse que 6 meses é um prazo muito curto para se discutir, votar e iniciar a implantação do plano diretor de Goiânia – a ser implementado pelos próximos 10 anos. Nada contra a vereadora, que vê o tema com muita importância, o que é correto, e que precisaria de pelo menos 1 ano de discussões – e não 6 meses.

Essa é a regra do jogo que se joga no Brasil. É como se o velho ditado (“calma que o Brasil é nosso”) fosse a tônica. Essa tramitação na Câmara de Goiânia é bem isso. E por que é necessário tanto tempo para montar um conjunto de regras para a cidade? Veja a agenda para esta 2ª feira da própria Câmara: Sessão especial às 7 e meia da noite para comemorar o Dia do Professor. Sim, os professores merecem que seja comemorado um dia, mas não seria muito melhor debater e aprovar mecanismos para aliviar a barra que eles enfrentam nos outros 364 dias do ano?

Esse é o Brasil, e aqui se chega a um dos fatos mais importantes na história recente: a retumbante vitória eleitoral do governador Ronaldo Caiado em outubro do ano passado. Portanto, é o marco de 1º aniversário de uma reformulação do quadro político-administrativo de Goiás feita, como deve ser, através da legítima manifestação e desejo dos eleitores.

Costumeiramente, não é o momento mais adequado para se analisar um balancete do primeiro ano do governo de Ronaldo Caiado – até porque entrou-se há uma semana no 10º mês. O que se pode, e se pretende nesta Conexão, é comparar Ronaldo Caiado candidato e Ronaldo Caiado governador. E a conclusão é que o candidato era muito melhor do que o governador.

Alguma novidade nessa conclusão? Nenhuma. Bolsonaro era melhor candidato do que presidente, Marconi também foi. Idem para FHC, Lula ou Dilma. É sempre dessa forma sem tirar nem por: o país – e Estados e cidades – das campanhas eleitorais são inspiradores, e os candidatos seguem o modelo da vida nos jardins do Éden. Empossados, é como governantes que eles precisam administrar uma infernal máquina pública lotada de regras amontoadas ao longo de décadas – como na burocracia – que se realimenta na movimentação do caos.

Pode-se questionar se os candidatos vitoriosos conseguiriam vencer caso os eleitores soubessem exatamente como estaria a unidade administrativa um ano depois no momento do voto. Pode ser que sim. Pode ser que não.

No caso afirmativo, sem dúvida há o peso da empatia que certas lideranças políticas conseguem despertar – e muitas vezes incendiar – na massa eleitoral. Sem qualquer espírito crítico, mais das vezes. No caso negativo, a empatia por um e o ódio pelos adversários já se perderam ao longo do tempo e dos sofrimentos que a máquina pública impõe a todos que se situam nos andares inferiores da grande pirâmide. É a realidade muito além dos “Édens” das campanhas.

Na sexta-feira, 4, ao dar posse à sua nova secretária de Assistência Social, a ex-senadora Lúcia Vânia, que de imediato deve ser alçada à condição de melhor e mais denso currículo político da equipe de governo, o próprio governador reconheceu, indiretamente, que precisa – como ele disse aí, sim, diretamente – destravar o governo.

É verdade, precisa, sim, colocar o governo para rodar mais rapidamente. Observando-se o desempenho do governo Alcides Rodrigues, há uma flagrante e preocupante semelhança com a administração atual: o boeing consegue taxiar, registra alguns bons tripulantes, mas não chega à cabeceira da pista. E sem chegar lá, jamais vai decolar – ou destravar, como preferiu afirmar Ronaldo Caiado.

Não chega a ser um retrato do caos absoluto, embora essa figura esteja presente em áreas restritas do governo. Há, inclusive, fatos muito positivos, como a excelente recuperação dos salários atrasados – e herdados do governo anterior -, além de parcelas do 13º salário referente a 2018. Vá lá que o governo recorreu a um calote aos bancos oficiais temporariamente, mas também esse é um fator positivo: não interessa a maneira que se consegue dinheiro extra desde que seja pelas vias possíveis.

Há, portanto, setores do governo desorientados e setores que vem funcionando relativamente bem diante das naturais e permanentes dificuldades. E há ainda certos fatos – como a relação com OS da saúde – que merecem maior atenção pelo clima não exatamente saudável, embora isso não signifique que há algo errado acontecendo nas entranhas da administração. Captar rapidamente sinais de fumaça pode ser extremamente importante para evitar grandes incêndios.

Enfim, está-se corrigindo, e muito graças ao trabalho da Assembleia legislativa na CPI dos incentivos fiscais, a política de atração de empreendimentos que vigora em Goiás desde o primeiro governo de Iris Rezende, em 1983 – de quem Caiado era ferrenho adversário e hoje é seu mais importante aliado. Ao longo de décadas, é natural que a máquina se contamine até nas boas iniciativas. Nesse sentido, renovar é sempre muito bom. E pode-se renovar até aquilo que é recente. A mexida quase geral que Ronaldo Caiado deu na semana passada apresenta saldo positivo, mas talvez não seja grande o suficiente para atingir o que ele pessoalmente deseja, destravar o governo.