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Conexão. Início de governos com quebra do status dominante: Por que é sempre complicado?

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Em Brasília, os principais analistas da cena política contabilizam um equilíbrio entre medidas corretas e correções. Mais ou menos em igual quantidade, ou até mesmo, como apontam alguns desses observadores, um pouco mais de desmentidos.

Em Goiás, em muitíssimo menor quantidade,  o discurso ainda sofre pequenos abalos, e precisa vez ou outra passar por correções. Tanto em um caso como no outro, é inegável que há alguma forma de prejuízo em relação à imagem global dos governos e, em certa medida, com resvalo à imagem dos governantes.

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Usando a lupa nacional, o que se tem observado em Brasília e Goiânia não foge à regra em inúmeros outros Estados. Não é regra comum a todos, mas rotina em todos os Estados – e na União – onde ocorreram quebra do status dominante do poder. Da mesma forma como a vitória de Jair Bolsonaro representou o fim da era continuada de poder do PT e seus aliados, Ronaldo Caiado derrubou a bandeira do PSDB e aliados que tremulou por 20 anos na praça Cívica. No Rio de Janeiro, o juiz Witzel mandou o poder dos peemedebistas para a lata de lixo da história – a polêmica no caso dele foi a “lei do abate”.

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Os goianos, desde o retorno das eleições diretas para governador, no início da década de 1980, testemunham as abóboras se acomodarem aos poucos logo após posses de governador que romperam a estrutura dominante de poder. Apenas para ficar em rápidos exemplos. Em 1983, Iris Rezende assinou um decreto de demissão em massa que até hoje o incomoda – embora a legislação tenha sido rigorosamente respeitada. Em 1999, Marconi Perillo, que derrotou o império político-administrativo do PMDB, chegou a embarcar no helicóptero da polícia militar durante a realização de operações de campo, com direito a colete da PM e tudo mais – menos a pistola. O vôo noturno seria plenamente justificável se apresentado como uma verificação in loco do comandante máximo da tropa, o governador, mas nunca como integrante de equipe de campo.

Do campo de vista histórico, esses pequenos deslizes perfeitamente evitáveis quase nunca são lembrados. Isso porque não representam de forma alguma o período administrativo como um todo. O 1º governo de Iris – de 83 a 86 – é considerado por muitos analistas como o melhor que ele realizou. E o 1º mandato de Marconi Perillo foi tão excepcional que lhe garantiu uma reeleição já no 1º turno, em 2002.

É natural e compreensivo que os opositores, muitos ainda saboreando o nada agradável gosto intragável da derrota recente, procurem explorar ao máximo – e muitas vezes maximizando – os momentos controversos dos novos governantes. Esse é o jogo que faz da democracia algo imprescíndivel para a vida social e política atual. Isso porque, em última análise, são as críticas, e até mesmo a exploração política delas, que devolvem governantes ao patamar da mortalidade e falibilidade que as vitórias históricas amortecem no calor das emoções afloradas pelo estresse entorpecedor da ocupação dos palácios.