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Conexão: Ronaldo Caiado derrotou até sua própria previsão em uma campanha muito bem trabalhada

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Há coisa de 2 anos, ao anunciar decisivamente que entraria na corrida eleitoral deste ano pelo governo de Goiás, o senador democrata Ronaldo Caiado, que se encontrava isolado politicamente em seu minúsculo (regionalmente) DEM, disse com todas as letras que só seria candidato com apoio do MDB. Não foi uma frase qualquer. Naquele momento, e naquelas circunstâncias, era peremptória. Sozinho, Caiado enfrentaria um mar de dificuldades que talvez inviabilizasse a montagem de uma candidatura realmente competitiva.

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Desde aquele momento, muita coisa mudou. E essas mudanças não lhe caíram no colo. Não teve aquela história de “cavalo arriado”. Ele precisou ir ao pasto, entrar no meio da tropa, laçar um alazão, colocar o arreio e só então pode montar. Houve um trabalho intenso de bastidores que talvez apenas seus protagonistas possam contar. São coisas que acontecem na profundidade das relações políticas que não emergem.

Dentre essas negociações, possivelmente esteja uma figura referencial dentro do MDB: o prefeito Iris Rezende. Era bastante claro, no início do processo, que Iris deu corda para que Caiado pudesse trabalhar dentro dos corredores internos do MDB. E o democrata suou a camisa. No final, como se sabe, ele não conseguiu a totalidade do partido, e viu seu principal aliado emedebista atuar discretamente na campanha por razões óbvias, mas ele conquistou inúmeros apoios entusiasmados. Não teve todo o MDB – tarefa que sempre se soube que seria quase impossível -, mas levou para a sua campanha um naco considerável.

Ao mesmo tempo, Ronaldo Caiado, que durante 16 anos viveu entre tapas e beijos com a cúpula da base aliada governista – é impossível não registrar a dissidência que ele abriu já nas eleições municipais de 2000, inclusive em Goiânia, seguida por tantas outras oportunidades -, mirou os descontentes da base, e encontrou enorme receptividade. Na reta final, surgiu com apoios inimagináveis, inclusive com o senador em exercício, e herdeiro definitivo do mandato conquistado em 2010 por Demóstenes Torres, Wilder Morais – que se enquadra nesse rol de descontentes.

Na reta final e decisiva da campanha, quando sua candidatura poderia perder boa parte da popularidade, o resultado de todo o trabalho de bastidores que ele fez durante dois anos na base aliada surtiu um efeito colateral importante, quando candidatos a deputado estadual e deputado federal desse grupamento começaram a se descolar das candidaturas majoritárias. Isso jamais havia ocorrido antes nas eleições de Goiás. Não na intensidade que se viu.

Caiado sempre teve como sonho político disputar e vencer a eleição para governar Goiás. E é fácil acreditar erradamente que foi “mamão com mel” toda a sua caminhada quando se vê o resultado final: 60% dos votos válidos, a maior da história desde a eleição de Iris Rezende em 1982 – que teve 66,7% dos votos válidos. Na verdade, a vitória foi resultado de uma construção político-eleitoral complicada, difícil e extremamente trabalhosa. A montanha de votos que o elegeu não caiu do céu, não surgiu por alguma força inercial. Foi edificada voto a voto numa das mais profissionais campanha da política moderna de Goiás. Venceu quem trabalhou mais e trabalhou melhor.