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Conexão: Se há tantos indicativos excelentes, por que a economia não está bombando?

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No final da semana, mais um dado consolidado do panorama econômico do Brasil revelou que o quadro geral é extremamente positivo. O risco Brasil, índice internacional que avalia o grau de risco de o país deixar de pagar suas contas, chegou a bater em 116 pontos – o que seria um recorde histórico desde a década de 1990 – e fechou em 123 pontos, melhor desempenho desde 2013.

Isso se soma a outros fatores absolutamente palpáveis, como a mais baixa taxa de juros da história do país, 5,5%, o que coloca o país, pela primeira vez, frise-se, entre as economias civilizadas.

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No mercado investidor mundial já há uma certa unanimidade em torno de elevação da nota do país na classificação de investimentos. Desde a depressão, iniciada com zero de crescimento em 2014 e quedas que somaram mais de 7% nos dois anos seguintes, a nota do Brasil conferida pelas três principais agências de avaliação colocaram o país com classificação C. Ou seja, a economia brasileira perdeu o status de investimento seguro e caiu para investimento com algum grau de risco. A sensação que se observa levando-se em conta o risco Brasil da última semana, é que a letra C deve voltar a subir para a B, a curto ou médio prazo.

Muitos outros “sintomas” mostram que a economia do país tem apresentado significativas melhoras. A reforma da previdência social, tão traumática em inúmeros países, está na boca para ser aprovada no Senado, e promulgada ainda este ano. Não será a redenção da lavoura, mas um bom conjunto para compor todo o quadro econômico futuro. Também a reforma fiscal, que inicialmente será somente um conjunto desburocratizante com a junção de vários tributos em um só, também está caminhando, embora ainda lentamente. No dia a dia, que é o que mais importa nas ruas, setores da construção civil – que impactam empregos e produção de riquezas imediatamente – deram sinais de que voltaram a respirar após o sufocante período recessivo. A mesma coisa tem se observado nos serviços, também grande gerador de empregos.

Tudo somando, é inegável que a estruturação econômica é muito favorável. Com números como os apresentados, qualquer país do mundo estaria passando por uma explosão bem alicerçada de crescimento acima de 3 ou 4 pontos percentuais. Então, por que as taxas deste ano e do ano que vem, entre 0,8 e 1% e 1,5% e 2% respectivamente, são tão pequenas? Por que o país continua com os pneus no atoleiro, avançando tão lentamente?

Se não há explicação lógica nas contas da economia, então deve-se olhar atentamente para a condução política. Esse é o problema, sem nenhuma dúvida.

Em seu imperdível comentário diário pela BandNews-FM ( em Goiânia, 90,7 no dial), Eduardo Oinegue, ao meio-dia, avançou sobre o problema político que segura os investimentos. Ele citou como exemplo uma explicação que ouviu de um grande empresário a respeito desse “adiamento” indefinido. “Como é que eu vou investir se eu não sei nem qual a tarifa de impostos terei que pagar no ano que vem?”. Bingo! A prudência se faz necessária.

O próprio presidente Jair Bolsonaro é um manancial de incertezas. Se ele acorda com a “pá virada” é quase sempre um deus-nos-acuda geral. A confusão internacional com as queimadas na Amazônia é um grande exemplo disso. Ele desacatou o chanceler francês ao desmarcar na última hora uma audiência oficial alegando compromissos. Logo depois, apareceu cortando o cabelo. Emmanuel Macron, às voltas com sérios problemas internos, pagou com a mesma moeda. Bolsonaro ainda assim poderia ter driblado o presidente francês se não tivesse amanhecido num daqueles dias. Tentou resolver com tapas e pescoções. Deu no que deu diante do mundo todo. Nem o aliado e destrambelhado Donald Trump conseguiu aliviar a barra do Bolsonaro.

É claro que seus eleitores, menos racionais e mais militantes, adoram os rompantes de Bolsonaro. Mas os investidores não gostam nem um pouquinho só dessas incertezas. Eles sabem, por exemplo, que Bolsonaro quer esmagar qualquer indício de militância pró-PT e demais partidos de sua órbita política dentro da administração pública. OK, isso é compreensível. O que os investidores não sabem, e precisam saber, é o que se quer construir. Nem em relação ao presidente Bolsonaro e nem sobre o Congresso Nacional.

E o Brasil precisa de definições claras e duradouras rapidamente. O mundo está ensaiando uma nova crise, que não deve nem lembrar a  quebradeira geral que se seguiu à explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos, em 2008, mas que ainda assim causará estragos. Se não se definir antes da crise bater mais forte, a economia brasileira não terá chance alguma depois que ela chegar.