Craque na economia, secretária da Fazenda precisa de traquejo na comunicação política

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Em 20 dias de governo, a administração de Ronaldo Caiado se dedicou no duríssimo trabalho de desvendar a realidade existente por trás dos números dos orçamentos contábeis que recebeu. Esse emaranhado é incompreensível para os cidadãos. Parece hieróglifo egípcio. Ou seja, é coisa para quem é da área.

Cristiane Schnidt

Cristiane Schnidt

O que se apurou de imediato, e isso saltita na realidade fora dos gabinetes, é que financeiramente o Estado está numa pitanga danada. Se não fosse assim, centenas ou talvez milhares de fornecedores do governo nas mais diversas áreas não estariam agora com papagaios vencidos e não pagos. Ou seja: por uma ou outra razão, ou mesmo várias, o Estado em algum momento no passado gastou mais do que tinha, e o resultado é esse que está aí.

A pior situação é a vivida pelos funcionários públicos, com exceção de uns poucos ligados aos chamados poderes independentes, como Assembleia Legislativa e Judiciário. Todos os demais, e que formam o quantitativo que realmente pesa, reclamam o pagamento do mês de dezembro. O governo anterior não pagou os salários e nem deixou dinheiro em caixa para que fosse pago. Esse é o impasse.

Governos recebem montanhas de dinheiro todos os meses. Em tese, atualmente tudo o que se arrecada desaparece quase instantaneamente nos pagamentos necessários para o funcionamento da máquina. Por decisão política, Caiado decidiu pagar os salários gerados a partir do momento em que assumiu o comando rigorosamente em dia. O problema é que existe o mês anterior, recebido como herança negativa. Há dinheiro suficiente para pagar um mês de salários, e é aí que está o desentendimento. Se Caiado pagar a tal herança, ele adiará o problema para os salários referentes a janeiro.

Neste início de administração, e é compreensível que isso aconteça, alguns integrantes do governo tem falado muito e com pouco tato político para convencer e conquistar. O caso mais notável, mas não único, é o da secretária da Fazenda (que deverá ser transformada em Secretaria da Economia), Cristiane Schmidt. Não há dúvidas de que ela é muito competente – dizem ter sido indicada a Ronaldo Caiado por ninguém menos que o ministro Paulo Guedes – na sua área. O que falta, talvez, é um certo molejo político. A atual crise no relacionamento com os servidores públicos poderia ter sido evitada – ou pelo menos atenuada – com declarações menos enfáticas do ponto de vista da pormenorização da agenda do pagamento do salário atrasado. Uma declaração óbvia é dizer que pagar os salários dos servidores é “a maior prioridade deste governo”  neste momento. A partir daí, um mundo de argumentações pacificadoras se abre, inclusive com possibilidade de geração de “cumplicidade” com as dificuldades vividas pelos funcionários. Tecnicamente, a secretária tem razão ao dizer que não há dinheiro para pagar os salários rigorosamente em dia, mas faltou certo jogo de cintura para evitar um conflito aberto com os servidores.

Há muito o que fazer, e muito mais que se pode fazer. Cristiane deveria receber um assessoramento de comunicação que a tornasse uma boa jogadora no mundo da administração pública. É só o que falta a ela. Não há como negociar com os servidores sem pagar os salários. O que se pode é mostrar sensibilidade e solidariedade. Esse é o tal jogo de cintura.