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Diário íntimo de um velho repórter… Enquanto as tribos se odeiam, cúpulas conquistadoras copulam sobre o patrimônio de todos

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Tente apenas observar. Não retruque, somente leia. Não lance uma dúvida, só acompanhe as “certezas” mesmo quando elas se antagonizam. É assim o tempo todo nas redes sociais. No Twitter é bem mais que no Facebook, mas no 2º há ainda mais profundidade nos ataques, na agressividade muitas das vezes chula.

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Não, não é só nos temas políticos. É em “tudo quanto é assunto”. Até nas mentiras, que viraram modinha de nome pomposamente americanizado, fake news. As vacinas, por exemplo. Até as vacinas… Maravilhas da alquimia produzida na extraordinária capacidade humana de testar, observar e aprender, resultado de séculos de lento caminhar da ciência, agora são… vilãs. E, por mais estúpido que seja, há seguidores desses modernos profetas “Jim Jones”… Despreza-se o conhecimento e dá-se realismo à ficção.

Tudo por um clique? Provavelmente deve ser bem mais do que isso. O que antes se entendia como comportamento de certa forma adequado a adolescentes em suas “tribos sociais” adentrou o mundo adulto. Uma boa parcela protagonizar de alguma forma, e na falta de conhecimento suficiente cria-se uma mentira.

Confesso que está sendo muito chato envelhecer em um tempo como esse. Faz parte, mas que é chato, é.

É chato perceber que são tempos em que o barulho é mais importante e profundo do que a sinfonia, do que a harmonia.

Entre nós, particularmente, quase sempre escuta-se o poder apodrecido moralmente vociferar contra os que se esforçam para melhorar o ambiente, inclusive o político. E o que está se escutando é a degradação cada vez mais acentuada. Seja de um promotor de Justiça que diz receber um miserê cerca de 25 vezes maior que um salário mínimo, mas que feitas as contas embolsou 85 mil reais mensalmente nos últimos 4 anos, seja de ministros de um Supremo que não se pode investigar porque imagina-se que levantado o tapete a fedentina entorpecerá a todos.

Tempos degradados. Moralmente degradados. Desde as escolas com seus professores e professoras esmurrados e algumas vezes assassinados por alunos e alunas que nada querem aprender além da aborrescência da adolescência, até os bacanas que se formaram formidáveis patrimonialmente diante de milhares de pessoas assassinadas nos hospitais sucateados pela ganância e roubo do dinheiro que deveria sustentá-los.

No conjunto, não há nada que mereça ser salvo. Judiciário, legislativo e executivo não nos servem sequer como lata de lixo. Ao contrário, são o próprio lixo da deformação moral de um todo. O que escapa são honrosas excessões. Individualmente, há nobreza em poucos que ocupam os cargos mais elevados da hierarquia pública.

E tudo isso se reflete feito imagem no espelho nas redes sociais. Despreza-se o debate de ideias e se escancara o desacato, a grosseria como esteio da argumentação contra pensamentos não exatamente alinhados com a tribo social/política ao qual se pertence. “Nós e eles” em uma releitura de uma idiotice medieval da maquiavelice que governa a todos. E enquanto as tribos estridentes se agridem, se xingam e se odeiam, as cúpulas conquistadoras de inúmeras matizes copulam sobre o patrimônio de todos.

Tempos chatos.