Debate: como melhorar a educação pública do Brasil?

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Filament.io 0 Flares ×

Medida provisória do governo de Michel Temer propondo mudanças no ensino médio provocou um disse-me-disse maluco. Há zilhões de teses a respeito da melhoria da qualidade de ensino, e aí vai se perdendo o foco.

Em primeiro lugar é necessário reconhecer que o Brasil compromete quase 20% de todos os gastos do setor público com educação. Isso representa algo em torno de 7,6% de tudo o que o país produz em um ano de trabalho. Ou seja, não é pouco dinheiro, mas também não é o suficiente para atender uma população tão grande. Se o Brasil tivesse, digamos, 50 milhões de habitantes e não 200 milhões, seria mais do que suficiente.

Escola de lata no ensino básico. Existe alguma universidade de lata?

Escola de lata no ensino básico. Existe alguma universidade de lata?

De qualquer forma, é necessário entender que é indispensável estabelecer a educação como prioridade. Não existem prioridades. Quando no plural, a prioridade é uma grande mentira. Para aumentar o gasto com educação vai ter que cortar em todas as outras áreas de gestão. Ou seja, priorizar a educação.

Mas só dinheiro não basta. Como é a estrutura da educação no Brasil? Imagine um sobrado com 3 andares erguido sem qualquer alicerce. É óbvio que a construção não vai se manter. Tem tudo para dar errado. A educação no Brasil é como esse sobradão irresponsável.

Sem uma boa base, o ensino no Brasil será sempre como um castelo de areia

Sem uma boa base, o ensino no Brasil será sempre como um castelo de areia

São 3 os níveis de ensino: infantil/básico/fundamental, médio e superior, com atribuições e responsabilidades das 3 esferas da administração, municipal, estadual e federal. Retornando à analogia, o município fica com o alicerce e parte do térreo, o Estado cuida da outra parte do térreo e do andar médio, e a União se encarrega da cobertura.

Grosso modo, como funciona a distribuição do bolo tributário (escorchante) do país? 5% ficam com as cidades, 25% com os Estados e a União embolsa o restante, cerca de 70%.

Universidade Federal de São Paulo

Universidade Federal de São Paulo

Não parece óbvio que dessa forma o alicerce e andar térreo do sobrado doido terá problemas de sustentação econômica? É óbvio, sim, e também por isso professores das redes municipais e estaduais brigam para receber o tal piso nacional, 2.100 pratas fora os descontos legais, enquanto professores das universidades federais chegam a levar pra casa quase 25 mil reais por mês.

Sala de aula: se a base do ensino é essa, o resto é perfumaria

Sala de aula: se a base do ensino é essa, o resto é perfumaria

Ora, mas os professores universitários são os mais capacitados, pode-se afirmar com certeza. Sim, e é exatamente por isso que eles deveriam cuidar do alicerce, e não da cobertura. Sem um ótimo alicerce, a cobertura jamais irá se sustentar. É por essa razão que existem tantas faculdades por aí formando analfabetos: falta a base, e sem ela só há tititi no sistema educacional brasileiro.