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Debate TV Anhanguera: opositores não tinham bala de prata

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Líder nas pesquisas de todos os institutos, com a maioria inclusive apontando para possibilidade de vitória já no 1º turno, o governador Marconi Perillo foi ao último grande momento da campanha eleitoral, ontem, na TV Anhanguera/Rede Globo, com o único objetivo de se manter “vivo”. Deve ter saído satisfeito com o próprio desempenho. Ele não apenas sobreviveu aos ataques e questionamentos dos adversários como fez e sambou sobre todos os temas propostos.debate TV - 1Tanto que nas redes sociais após o debate, militantes e simpatizantes das candidaturas de oposição se apegaram a um fato extra-debate – uma postagem de blogueiro que conteria uma “ameaça velada” ao candidato do Psol, professor Wesley. Sobre o debate em si, pouquíssima repercussão.

debate Maconi:Iris

Confusos e equivocados – Disparadamente, os dois melhores debatedores foram Marconi Perillo e Antônio Gomide. Ambos falaram sem atropelar as palavras, de maneira clara e concatenada. Eles deram um “passeio” sobre os demais. Ambos demonstraram estar muito melhor preparados que seus adversários.

debate Iris

Iris Rezende, que em seu programa eleitoral de 2ª feira, acusou Marconi Perillo de estar sendo investigado no STJ, Superior Tribunal de Justiça, de manter contas no exterior (leia post neste site), não tocou no assunto. Em seus primeiros momentos, transpareceu certo descontrole. Iris, um debatedor de peso, esteve muito aquém do que se esperava dele. Transmitiu imagem cansada, sem pegada, e às vezes confuso.

debate vanderlan

Vanderlan Cardoso bem que tentou, mas gaguejou muito todas as vezes que precisou sair do script que ele seguiu durante a campanha, baseado num tal “plano de metas”. Quando abordava temas pertinentes ao plano, conseguia desenvolver bem a linha de raciocínio. Demonstrou disposição, mas preparação equivocada para um debate. Por exemplo, ao apresentar um questionamento em que foi surpreendido pela resposta. Sua “bala de prata” no debate de ontem era usar palavras ditas por Marconi Perillo em 1998 contra as pesquisas. Fez a pergunta e se enrolou com a resposta que soou como um direto no queixo dele. Marconi reafirmou o que havia dito em 1998 e ainda saçaricou sobre Vanderlan: “Fique tranquilo, candidato, a pesquisa que vale mesmo é no domingo (dia da eleição)”. O erro de Vanderlan nessa pergunta foi elementar: não se pergunta nada sem saber exatamente o que o adversário irá responder. Na preparação, deve-se levar em conta todas as possibilidades de resposta. Vanderlan, que esperava constranger Marconi, acabou constrangido.

debate prof wesley

O último debatedor, professor Wesley, do Psol, era um estranho nesse ninho de cobras criadas. (E só estava lá graças a pesquisa Ibope que o colocou com 1% a mais do que Antonio Gomide — correção: o candidato do Psol foi convidado porque o partido tem representação no Congresso Nacional, critério utilizado pela organização do debate). Nesse caso, seria muito melhor assistir a candidata do PCB, a também professora Marta Jane, debatedora que se revelou bastante eficaz nas eleições de 2010. Ou, para ficar no próprio Psol, o professor Pantaleão. Wesley tentou acertar a mutamba em praticamente todos os adversários, mas parecia estar usando um graveto e não um porrete.

debate gomide

No final, a impressão que ficou é que, no geral, os opositores fizeram um enorme “rastro de onça” sobre os debates, mas não souberam ou não conseguiram levar Marconi a nocaute. Gomide saiu maior do que entrou e os demais poderiam ter ficado em casa. Talvez pudessem ganhar mais com a própria ausência. Quanto à organização do debate, pra lá de aprovada, desde a apresentação até a formatação dos blocos, que privilegiou o debate entre os candidatos do início ao fim. Nota 10, sem qualquer reparo. (Fotos: site O Popular)