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Decisões de alguns ministros do Supremo representam a resiliência da corrupção no Brasil

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A mera discussão sobre uma normatização a respeito da sequência que se deve adotar nos processos em que figuram réus delatores e réus delatados pelo Supremo Tribunal Federal se transformou numa última fronteira de resiliência do poder corrupto que esmaga a grande maioria dos brasileiros. Com direito a direito a declarações explícitas que implicam na anulação pronta, imediata e total de tudo o que se fez na operação Lava Jato, como defendeu Ricardo Lewandowisk e até o decano Celso de Melo sob a justificativa de nulidade processual.

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O ministro  Gilmar Mendes, por sua vez, divagou beligerância incontida e mergulhada num ódio inacreditável contra o ex-juiz Sérgio Moro, a quem indiretamente chamou de torturador. O mais estúpido nessa relação unilateral de Gilmar com Moro é que não foi o juiz que acabou flagrado numa ligação telefônica com algum corrupto. Quem caiu nessa foi Gilmar, que chegou a dizer que tentaria interceder junto a outro ministro, Dias Toffoli, para aliviar a barra do ex-governador do Mato Grosso, Sinval Barbosa. Não adiantou nada a interferência de Gilmar. Sinval terminou preso, condenado a mais de 13 anos de cadeia por corrupção.

O Supremo é presidido atualmente por aquilo que mais se aproxima de um mero piadista. Ontem, mais uma vez, e do alto de todo o seu farto conhecimento do direito – que apesar de imenso não foi suficiente para ele ser aprovado em concurso para juiz – afirmou que não haveria combate à corrupção no Brasil se não fosse o STF. A verdade muito além da piada é que sem a operação Lava Jato jamais se escancararia as entranhas do sistema sofisticado de corrupção que esmaga os brasileiros há dezenas e dezenas de anos.

A Lava Jato está, sim, sob severo ataque, e pode vir a sucumbir, mas não por erros de procedimento ou excessos que possam ter sido praticados. A Lava Jato está sendo destruída pelos seus acertos, e parte da resiliência da corrupção emana de alguns ministros do próprio Supremo.

Marco Aurélio Mello, com seus votos sempre didáticos – e muitas vezes irritantes aos olhos do público leigo – foi visceral com as palavras ao defender a Lava Jato, dando à operação o devido reconhecimento no maior combate à corrupção da história do país.