Declaração de Caoa soa como chantagem inaceitável

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O empresário Carlos Alberto Oliveira Andrade é um visionário ousado e bom de negócios. Não é complicado encontrar inúmeros motivos para elogiar a força empreendedora desse médico que se transformou num vendedor excepcional no ramo de carros. Basta lembrar, por exemplo, que ele transformou o calote na compra de um carro, no início da década de 1970 – um Ford Landau, mas a revendedora faliu antes de entregar o carro -, e acabou comprando a própria loja, começando assim uma carreira impressionante.

Dono da Caoa – marca formada com as iniciais de seu nome – Carlos Alberto se associou aos coreanos da Hyundai e trouxe a marca para o Brasil. Em Goiás, na esteira do esforço estadual na atração de novos empreendimentos, conseguiu viabilizar uma montadora da marca no Daia, Distrito Agroindustrial de Anápolis. E é aqui que se encaixa a nova situação.

Carlos Alberto Caoa

O governador eleito Ronaldo Caiado tem se referido, indiretamente, ao programa de incentivos fiscais como um dos fatores que causam desequilíbrio nas contas estaduais, e por conta disso há o claro interesse de cortes expressivos nessa política – implantada com mais vigor em 1983 por Iris Rezende, através do Fomentar, e modificado em 1999 por Marconi Perillo, com o Produzir.

Carlos Alberto, ao ser ouvido – como deve ser, sem dúvida – a respeito da possibilidade de cortes nos incentivos, disse que fecharia a montadora em Anápolis e transferiria a operação da planta para o interior de São Paulo. De quebra, acrescentou que milhares de empregos seriam cancelados.

O tom da declaração dele é impertinente, arrogante, desnecessária e inaceitável. Aliás, foge de sua característica pública, que é a de um sujeito amável, de fala mansa e de ótimo negociador. Por fim, política de incentivos fiscais devem atender principalmente aos interesses de 6 milhões de goianos, e não exatamente deste ou daquele setor empresarial.