Diário íntimo de um velho repórter… Como se costuma dizer no interior, “larga mão de ser burro, presidente”

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 Filament.io 0 Flares ×

O presidente Jair Bolsonaro, tenho essa convicção, tem boa intenção. É claro que isso não quer dizer que ele é perfeito, santificado somente por virtudes e tais. Mas acredito na sua boa intenção. Ainda acredito, acrescento por minha conta e risco.

Mas só boa intenção não resolve nada. Há um velho ditado que diz que “de boas intenções o inferno está lotado”. E eu sei lá se existe inferno… Boa intenção eu sei que existe, e vejo o presidente com ela.

Conselho de Ética arquiva denúncias contra Eduardo Bolsonaro

Sozinha, a intenção, boa ou má, não causa coisa alguma. Ela precisa estar associada ao discernimento, competência, talento, coragem. Para o bem ou para o mal, tanto faz.

Todo esse preâmbulo para chover no molhado: presidente Bolsonaro, não foi o “guru” de Virgínia que o elegeu. Larga mão de ser burro, catzo. O senhor foi eleito pela maioria dos eleitores por uma série de razões, e nem umazinha delas tem qualquer sintonia com o tal astrólogo e filósofo autodidata. O senhor, presidente, foi eleito muito mais pelo Paulo Guedes do que pelo homem de Virgínia. O senhor foi eleito muito mais pela profunda, imensa, colossal decepção administrativa e moral de alguns petistas e esquerdistas incrustados nos palácios nos últimos 30 anos do que por encarnar a mensagem da direita. O senhor foi eleito muito mais por ser militar do que por qualquer inspiração de viés político. O senhor foi eleito muito mais pelo general Villas Boas e seu posicionamento corajoso em determinado momento do passado recente e pela coragem cívica do juiz Sérgio Moro. Portanto, senhor presidente, repito – e com a melhor das intenções, tenha certeza disso: larga mão de ser burro. O senhor não deve nada a ele, embora esteja devendo sim. Não a ele, insisto.

O senhor deve aos brasileiros que enfrentaram a ira esquerdista na campanha. O senhor deve aos milhões e milhões de anônimos que depositaram suas melhores e mais sofridas esperanças na sua eleição. O senhor deve ao exército de gente que, apesar do pouco dinheiro no bolso, comprou camisetas com sua cara, e orgulhosamente saiu às ruas para lhe apoiar, e para “brigar” contra seus adversários. É pra essa gente que o senhor está devendo, presidente. Não nos fruste aceitando tanto barulho inútil dentro do governo. Governe. Apenas isso. Pague essa sua dívida

Por fim, presidente Bolsonaro, entre um homem da estirpe do general Villas Boas e o tal ideólogo de Virgínia, eu não tenho qualquer dúvida. Gostaria de me espelhar na grandeza do general e não na decrepitude moral daquele de lá.